sábado, 6 de fevereiro de 2016
Eutanásia: uma compaixão falsificada
Pedro Afonso
A legalização da eutanásia abre um caminho perigoso, pois há quem defenda, face aos custos crescentes de saúde, que a medicina deve suspender os tratamentos mais onerosos a doentes idosos e incuráveis
A eutanásia corresponde ao acto de provocar deliberadamente a morte a um doente incurável para que, através deste «acto piedoso», se ponha fim ao seu sofrimento. Numa altura em que a Assembleia da República se prepara para discutir a legalização da eutanásia, justifica-se um debate sobre este tema.
Um dos argumentos utilizados para a legalização da eutanásia é que estas pessoas têm o direito a uma morte digna, o que não passa de um eufemismo maniqueísta, como se a morte daqueles que decidem de forma corajosa enfrentar os inúmeros sofrimentos e provações que lhes acarreta a doença fosse uma morte indigna.
Uma outra ideia errada dos defensores da eutanásia é a de que o nosso corpo é nosso, logo quando esse corpo é acometido de uma doença incurável, a decisão de viver ou morrer também é nossa. Ora, ninguém é o senhor absoluto de si, pois ninguém vive para si mesmo, e quando alguém morre não morre apenas para si mesmo.
Neste debate, os defensores da eutanásia partem de um pressuposto errado: a vida humana não tem sempre o mesmo valor, já que desde que afectada pelo sofrimento associado a uma doença incurável, transforma-se numa vida indigna e prescindível. Curiosamente, esta foi a mesma justificação utilizada pelos nazis para aplicarem o seu programa de eugenismo e eutanásia, designado por Aktion T4, durante o qual os médicos nazis assassinaram milhares de doentes considerados como «incuráveis».
A legalização da eutanásia conduz a um caminho perigoso, pois há quem defenda, perante os custos crescentes de saúde, que a medicina deveria suspender os tratamentos mais onerosos a alguns indivíduos (provavelmente começando-se pelos idosos, doentes incuráveis, etc.), concedendo-lhes uma morte abreviada. Por detrás desta aparente morte misericordiosa, há o risco de surgirem interesses economicistas, pois o Estado vê-se livre destes encargos de saúde.
A depressão tem uma prevalência elevada ao longo da vida. Esta patologia pode ser crónica, causando um sofrimento duradouro para o doente, e nas formas mais graves é por vezes acompanhada por ideação suicida. Se a eutanásia for legalizada, significa que se abre a porta ao suicídio assistido. Afinal porque é que há-de ser diferente uma doença física incurável de uma doença psiquiátrica incurável? Não será o sofrimento psíquico — muitas vezes mais doloroso e insuportável do que o sofrimento físico — um motivo legítimo para se respeitar a vontade do doente ao suicídio assistido? Porque é que este pedido de morte há-de ter menos valor? A eutanásia aplicada às doenças psiquiátricas pode abrir a porta ao suicídio assistido de milhares de indivíduos no nosso país que sofrem de depressão, havendo o risco de uma parte significativa da população se suicidar de forma legal. Mas será que uma pessoa com depressão estará em condições de exprimir a sua vontade de uma forma livre?
Presume-se que os agentes da eutanásia sejam médicos. Mas a condição de ser médico entra em contradição com o acto de cometer uma morte a um doente, ainda que a pedido deste e com o aval legal do Estado. A tradição hipocrática obriga a que o médico esteja sempre do lado da vida, pelo que a um médico não se pode pedir que, conforme o desejo do doente, alterne entre a posição de alguém que tudo fará para que nós possamos continuar a viver, para alguém que afinal nos vai ajudar a morrer. Esta contradição prejudicaria de forma gravíssima a confiança inabalável que se deve depositar nos médicos.
A eutanásia é um mal que contradiz a própria ética médica, porque se opõe ao dever do médico de permanecer ao lado da vida, respeitando-a e procurando preservá-la em todas as condições. A eutanásia trata-se, na verdade, de uma compaixão falsificada. As súplicas dos doentes graves e deprimidos que pedem a morte são na esmagadora maioria dos casos pedidos de ajuda, pedidos de afecto e de consolo. Todos os dias os médicos escutam estas palavras de desespero, e todos os dias respondem com palavras de ânimo e de conforto. Esta é a luta diária daqueles que prestam cuidados de saúde; a luta contra a doença e o sofrimento, preservando a vida. A morte não deve ser abreviada, mas antes humanizada, garantindo-se os cuidados de saúde necessários, nomeadamente o alívio do sofrimento através dos cuidados paliativos.
Felizmente, somos testemunhas em muitos casos de que as suplicas desesperadas de uma morte piedosa se transformam em palavras de agradecimento e de apego à vida. Estou convicto de que muitos dos meus colegas já passaram por isso, e na minha opinião não há maior realização para um médico do que ouvir dos seus doentes estas palavras; não há maior alegria para um médico ou enfermeiro do que presenciar o rosto luminoso agradecido de um doente, depois de termos posto generosamente ao seu serviço a nossa arte, e a nossa sabedoria. Esta é afinal a verdadeira compaixão.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Celibato dos padres:
Bergoglio faz a Igreja em cacos
LER EM FRANCÊS:
http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1351221?fr=y
LER EM INGLÊS:
http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1351221?eng=y
LER EM ITALIANO:
http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1351221
LER EM CASTELHANO:
http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1351221?sp=y
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Uma experiência chamada Portugal
Alberto Gonçalves, Diário de Notícias, 31 de Janeiro de 2016
Se bem percebi, o alegado governo que nos caiu em cima enviou à Comissão Europeia um rascunho do Orçamento do Estado, o qual, segundo quem sabe do assunto, ganharia em ter sido produzido por dois cangurus munidos de uma «folha» de Excel. A CE, horrorizada com tamanho caldo de inépcia, trafulhice, alucinação e certificada desgraça, devolveu o papel acompanhado de uma carta que se esforça por manter a polidez protocolar embora não esconda certa falta de paciência para as artimanhas de burgessos.
O dr. Costa e os serviçais do governo reagiram através da desvalorização da carta, até porque, garantiam eles, as objecções da CE prendem-se com ligeirezas técnicas e, por favor não se engasguem, «não têm relevância política». Em simultâneo, um teórico do «costismo» (o equivalente em sofisticação ao atendedor de chamadas do professor Bambo) acusou a CE de «tentar tramar o governo português». A acreditar nos socialistas, o Conselho Económico e Social, o Conselho das Finanças Públicas, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental, quatro agências de rating, a UEFA e um vizinho meu também aderiram à conspiração.
No que toca aos partidos comunistas que de facto mandam no circo, e que nem com a queda do muro aproveitaram para fugir do hospício, instigam o dr. Costa a enfrentar a «Europa dos interesses» com, engasguem-se à vontade, firmeza. Catarina Martins avisa que a CE «está a assaltar-nos», mas na verdade o arranjinho que a dra. Catarina integra é que o fez em Outubro – e agora julgasse ser igualmente fácil assaltar os contribuintes alemães. Para distinguir o PCP do Bloco, o sr. Jerónimo repete a lengalenga do Bloco.
De seguida, o dr. Costa, cuja fluência na própria língua de facto levanta interrogações acerca da comunicação com estrangeiros, voltou à carga com redobrado delírio, mais a consideração de que as previsões do governo são «conservadoras e realistas» e a denúncia de que Passos Coelho – o «senhor primeiro-ministro», nas palavras do alegado – enganou Bruxelas.
Entretanto, há infelizes que com as melhores intenções vão à televisão comentar a «situação» como se a «situação» merecesse comentários. É, evidentemente, uma trabalheira inglória: nada que saia das infantis cabeças que nos governam (força de expressão) exibe um pingo de racionalidade e pode ser levado a sério. Séria só a desgraça em que concorrem para nos deixar, de que eles escaparão com típica impunidade. E que nós pagaremos com típica resignação e, desconfio, sofrimento inédito. Portugal é hoje uma experiência, à escala real, para averiguar quanto tempo um país resiste nas mãos de transtornados. Eis uma previsão conservadora e realista: pouco.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
O mérito do maçon:
recuar perante a ilegalidade do seu decreto
L. Lemos
Francisco Sarsfield Cabral é um dos que aparece aí a elogiar Almeida Santos, isto é, a escrever a história recente de Portugal à sua maneira. Escreve ele (http://rr.sapo.pt/artigo/44679/almeida_santos_e_a_rr):
ALMEIDA SANTOS E A RR
Francisco Sarsfield Cabral RR 20 Jan, 2016
Vale a pena recordar a intervenção de Almeida Santos no final de 1975 para entregar a RR à sua legítima proprietária, a Igreja Católica, após a ocupação por elementos de extrema-esquerda.
Ao longo dos 40 anos de democracia representativa em Portugal, o Dr. Almeida Santos teve um papel importante, embora muitas vezes pouco conhecido.
Vale a pena recordar a intervenção de Almeida Santos, no final de 1975, para entregar a RR à sua legítima proprietária, a Igreja Católica, após a ocupação por elementos de extrema-esquerda. O episódio é relatado no volume I do livro do Eng. Fernando Magalhães Crespo Os Meus 31 Anos na Rádio Renascença (Ed. Principia).
O Dr. Almeida Santos, então ministro da Comunicação Social, convocou o Conselho de Gerência da RR para uma reunião, quatro dias após o 25 de Novembro de 1975. Aí, o ministro comunicou a dois gestores da RR, o Eng. Magalhães Crespo e o Dr. Torgal Ferreira, a decisão do Governo de nacionalizar todas as rádios privadas. Ora, estes gestores fizeram ver ao Dr. Almeida Santos que, no caso da RR, a nacionalização iria contra a Concordata com a Santa Sé, além de outras objecções.
Almeida Santos compreendeu os argumentos dos gestores da RR. E introduziu uma ressalva para a RR na lei que já estava redigida e foi aprovada em Conselho de Ministros, três dias depois. Inteligência e capacidade de decisão.
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| Com o seu Grão-Mestre. |
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| A cruz como cenário. |
Daqui se conclui que o grande mérito de Almeida Santos foi recuar no seu desejo afonsino costista de calar a RR, pois, se o fizesse, estaria a violar um tratado internacional.
Estes católicos da capela do Rato são o máximo!
Independentemente de Almeida Santos ser uma pessoa cordial — que reconheço —, era um maçon anti-Igreja, como se vê pela sua pretensão. Agia como tal, desempenhando o papel que a doutrina maçónica recomenda.
Eu gostaria de ver, a propósito da morte de Almeida Santos, da parte da Igreja, uma clarificação da questão maçónica (desde que não seja o bispo Carlos Azevedo a redigir a clarificação...). Mas ainda está a tempo...
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
A guerra secreta de Pio XII contra Hitler
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| George J. Marlin |
Há
muitos anos – pelo menos desde o teatro de 1963 de Rolf Hochhuth «O Deputado –
que o mundo tem aturado a conversa de que Pio XII foi o «Papa de Hitler». Há
décadas que pessoas bem informadas suspeitam que isso se trata de uma distorção
deliberada, mas agora temos a certeza, sem margem para dúvidas, de que tais
acusações não só estavam erradas como são precisamente o oposto da verdade.
Quando o Cardeal Eugenio Pacelli se tornou Pio XII, em 1939,
o chefe das SS, Heinrich Himmler, ordenou a Albert Hartl, um padre laicizado,
que preparasse um dossier sobre o novo Papa. Hartl documentou como Pacelli
tinha usado a Concordata que tinha negociado com o Governo de Hitler em 1933 de
forma vantajosa para a Igreja, fazendo pelo menos 55 queixas formais por
violações da mesma.
Pacelli também acusou o Estado nazi de conspirar para
exterminar a Igreja e «convocou todo o mundo para lutar contra o Reich». Pior,
pregava a igualdade racial, condenava a «superstição do sangue e da raça» e
rejeitou o anti-semitismo. Citando um oficial das SS, Hartl concluiu a sua
análise dizendo «a questão não é saber se o novo Papa vai lutar contra Hitler,
mas sim como».
Entretanto, Pio XII estava a reunir-se com cardeais alemães
e a discutir o problema de Hitler. As transcrições mostram que ele se queixou
que «os Nazis tinham frustrado os ensinamentos da Igreja, banido as suas
organizações, censurado a sua imprensa, fechado os seminários, confiscado as
suas propriedades, despedido os professores e fechado as escolas». Citou um
oficial nazi que gabou que «depois de derrotar o bolchevismo e o judaísmo, a
Igreja Católica será o único inimigo restante».
O Cardeal Michael von Faulhaber, de Munique, retorquiu
que os problemas tinham começado depois da encíclica de 1937 «Com Grande Ansiedade» (Mit
Brennender Sorge, publicada em alemão e não em latim). O texto, escrito em
parte por Pacelli antes de este se ter tornado Papa, enfureceu o Hitler. O Papa
disse a Faulhaber, «a questão alemã é a mais importante para mim. O seu
tratamento está reservado directamente para mim… Não podemos abdicar dos nossos
princípios… Quando tivermos tentado tudo, e ainda assim eles quiserem
absolutamente a guerra, lutaremos… Se
eles recusarem, então teremos de lutar».
Faulhaber recomendou «intercessão de bastidores». Propôs
que os bispos alemães encontrassem «uma forma de fazer chegar a Sua Santidade
informação precisa e actualizada.» O Cardeal Adolf Bertram acrescentou que «é
preciso fazê-lo de forma clandestina. Quando São Paulo se fez descer num cesto
das muralhas de Damasco, também não contava com a autorização da polícia
local». O Papa concordou.
Assim nasceu o plano para construir uma rede de
espionagem que apoiaria, entre outras coisas, planos para assassinar Hitler.
No seu interessantíssimo livro «Church of Spies: The
Pope’s Secret War Against Hitler», Mark Riebling recorre a documentos do
Vaticano e actas secretas acabadas de divulgar que descrevem detalhadamente as
tácticas clandestinas usadas por Pio XII para tentar derrubar o regime nazi.
Depois de Hitler ter invadido a Polónia em 1939 o Papa
reagiu aos relatos de atrocidades contra judeus e católicos. A sua encíclica «Summi Pontificatus» rejeitou o racismo,
dizendo que a raça humana está unificada em Deus. E condenou também os ataques
ao judaísmo.
O Papa foi amplamente louvado por isto – um título do New
York Times dizia «Papa condena ditadores, violações de tratados, racismo» – mas
ele próprio sentia que era pouco.
Convencido de que o regime nazi cumpria os requisitos
para justificar o tiranicídio, conforme os ensinamentos da Igreja, Pio XII
permitiu aos jesuítas e aos dominicanos, que respondiam directamente a ele, que
colaborassem com acções clandestinas. O seu principal agente – a quem os nazis
se referiam como «o melhor agente dos serviços de informação do Vaticano» – era
um tal Josef Muller, advogado e herói da Primeira Guerra Mundial.
Muller organizou uma rede de «amigos das forças armadas,
escola e faculdade, com acesso a oficiais nazis e que trabalhavam em jornais,
bancos e até mesmo nas SS». Eles forneciam o Vaticano com informação vital,
incluindo planos de batalha que eram depois passados aos aliados. Em 1942
Muller conseguiu introduzir Dietrich Bonhoeffer no Vaticano para planear uma
estratégia cujo objectivo era «fazer as pontes entre grupos de diferentes
religiões, para que os cristãos pudessem coordenar a sua luta contra Hitler».
As tentativas de assassinato de Hitler falharam todas,
devido ao que Muller apelidou de «sorte do diabo». Mas em relação a estes
planos, Riebling comenta: «Todos os caminhos vão de facto dar a Roma, a uma
secretária com um simples crucifixo, com vista sobre as fontes da Praça de São
Pedro».
Depois do falhanço do plano Valquíria a Gestapo prendeu
Muller. Descobriram uma nota escrita em papel timbrado do Vaticano por um dos
assistentes de topo do Papa, o padre Leiber, que dizia que «Pio XII garante uma
paz justa em troca da ‘eliminação de Hitler’».
Muller foi enviado para Buchenwald. No dia 4 de Abril de
1945, juntamente com Bonhoeffer, foi transferido para Flossenburg. Depois de um
julgamento fantoche foram condenados à morte.
Bonhoeffer foi imediatamente executado. Mas temendo a
aproximação de forças americanas, as SS transferiram Muller e outros reclusos
para Dachau, depois para a Áustria e, finalmente, para o Norte de Itália. Foram
então libertados pelo 15.º Exército dos EUA.
Agentes dos serviços de informação dos EUA levaram Muller
para o Vaticano. Quando o viu, o Papa abraçou-o e disse que se sentia «como se
o próprio filho tivesse regressado de uma situação de grande perigo».
Riebling revela que durante a visita de Muller ao
Vaticano o diplomata americano Harold Tillman perguntou porque é que Pio XII
não tinha sido mais interventivo durante a guerra.
Muller disse que durante a guerra a sua organização
anti-Nazi na Alemanha tinha insistido muito que o Papa evitasse fazer
afirmações públicas dirigidas especificamente aos nazis e condenando-os, tendo
recomendado que as afirmações públicas do Papa se confinassem a generalidades
(…) Se o Papa tivesse sido específico os alemães tê-lo-iam acusado de ceder às
pressões das potências estrangeiras e isso teria colocado os católicos alemães
ainda mais na mira dos nazis do que já estavam, tendo restringido imensamente a
sua liberdade de acção na resistência ao regime. O Dr. Muller disse que a
política da resistência católica no interior da Alemanha era de que o Papa se
colocasse nas margens enquanto a hierarquia alemã levasse a cabo a luta contra
os nazis. Disse ainda que o Papa tinha seguido sempre este seu conselho durante
a guerra.
domingo, 24 de janeiro de 2016
Adolfo Mesquita Nunes: um CDS à Bloco
L. Lemos
Adolfo Mesquita Nunes, que agora aparece muito nas televisões, é um deputado CDS que vota à Bloco de Esquerda, a favor do lóbi dos invertidos.
Democrata-cristão? Ah, ah, ah...
Mais uma infiltração dos invertidos nos partidos geralmente considerados de direita e de bons costumes.
Fixem o nome e as trombas do bicho. Deste e dos ditos «democratas-cristãos» Adolfo Mesquita Nunes, Ana Rita Bessa, Francisco Mendes da Silva, João Rebelo, Teresa Caeiro e a nova chefe dos defensores do gangue dos invertidos no interior do CDS Assunção Cristas.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Cardeal Ravasi, fã do satânico David Bowie
O próprio Ravasi lhe prestou pessoalmente
homenagem no seu twitter dando grande relevo à «espiritualidade» (afinal ocultismo e satanismo!),
ilustrando o texto com a imagem ocultista acima e reproduzindo uma parte de uma
das suas canções:
É assim, pela pena do maçónico Ravasi,
que o Vaticano guia os cristãos na área da cultura e da
espiritualidade... Olha que modelos de vida o sinistro Ravasi aponta à
juventude! Para mais informação sobre
o homenageado de Ravasi, basta procurar no Google «David Bowie» + satan. Pode
nomeadamente ver: http://nuevoordenmundialreptiliano.blogspot.pt/2016/01/david-bowie-su-muerte-culto-lucifer.html.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Os 30 desavergonhados do PSD e do PS
que querem mamar a vida inteira
José Lemos
O DN acaba de divulgar a lista dos 30 deputados-chulos que requereram ao «Tribunal Constitucional» a reposição das suas benesses vitalícias, aliás imoralmente apenas suspensas. Os parceiros da corporação chamada «Tribunal Constitucional», corporação de privilegiados obviamente a extinguir numa república a sério, aprovou a súplica dos pobres. Hoje decidimos para vocês, instituímos o princípio, e portanto amanhã será para nós... Tudo em família.
OS 9
CHULOS DO PSD
Arménio
Santos
Carlos
Costa Neves
Correia
de Jesus
Couto
dos Santos
Francisco
Gomes
Guilherme
Silva
Hugo
Velosa
Joaquim
Ponte
OS 21
CHULOS DO PS
Alberto
Costa
Alberto
Martins
Ana
Paula Vitorino
André
Figueiredo
António
Braga
Celeste
Correia
Fernando
Serrasqueiro
Idália
Serrão
João
Barroso Soares
Jorge
Lacão
José
Junqueiro
José
Lello
José
Magalhães
Laurentino
Dias
Maria
de Belém Roseira
Miguel
Coelho
Paulo
Campos
Renato
Sampaio
Rosa
Maria Albernaz
Sérgio
Sousa Pinto
Vitalino
Canas
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
De que género é o teu sexo?
P. Miguel Almeida, sj, Observador, 9 de Janeiro de 2016
Nem tudo o que somos é socialmente construído ou exclusivamente biológico. Mas negar que a biologia é a base daquilo que somos é negar a realidade.
A propósito dos presentes de Natal, discutiu-se sobre se à feminilidade ou masculinidade das crianças ajuda ou desajuda dar camiões ao menino e bonecas à menina. Se se deve vestir o filho de azul – ainda que turquesa – e a filha de cor-de-rosa, ou se esta é uma atitude ofensiva e provoca distúrbios psicológicos imperdoáveis.
Até há relativamente pouco tempo, em linguagem comum, as pessoas tinham sexo e as coisas tinham género. A palavra género era usada para categorizar gramaticalmente nomes, adjectivos, artigos e pronomes. Num artigo de Ana García-Mina Freire (La categoría «género»: historia de una necesidad), encontrei alguns dados históricos interessantes que uso para este meu escrito.
A meados do século passado, John Money, deparando-se com diversos casos de hermafroditismo, sentiu a necessidade de empregar um termo complementar a sexo. O médico encontrara vários rapazes que foram criados como raparigas devido a um síndrome feminizante testicular e diversas raparigas criadas como rapazes por sofrerem de síndrome andrenogenital. Devido a estas malformações congénitas dos órgãos sexuais e ao consequente desenvolvimento de uma identidade construída sobre uma biologia que a contradizia, a palavra sexo mostrava-se insuficiente para qualificar estas pessoas.
Money adoptou, então, a palavra género. Sexo referir-se-ia aos componentes biológicos que determinam se uma pessoa é homem ou mulher, e género aludiria aos aspectos psicológicos e culturais que constituem as definições sociais das categorias mulher e homem.
Do restrito âmbito das ciências biomédicas, o termo género deu um rapidíssimo salto para as ciências sociais, graças ao movimento feminista, e tornou-se uma das opções epistemológicas mais relevantes para referenciar a relação entre homens e mulheres. Na IV Conferência Mundial sobre as Mulheres (ONU), o género respeita «à forma como todas as sociedades do mundo determinam as funções, atitudes, valores e relações que concernem ao homem e à mulher, enquanto o sexo se refere aos aspectos biológicos que derivam das diferenças sexuais. Portanto, o sexo de uma pessoa é determinado pela natureza, mas o seu género é elaborado pela sociedade e tem claras repercussões políticas».
O sexo é um dos critérios fundamentais na organização e compreensão da interacção social. Cada sociedade desenvolve modelos normativos que prescreve a cada sexo. Daí que a construção da nossa identidade seja influenciada pelos modelos normativos da sociedade à qual pertencemos.
Mas, em princípio, reconhecemos que um homem é homem e uma mulher é mulher porque o seu corpo e o seu organismo os distinguem como tal. Todos sabemos que há casos de androginia e transexualidade. E os que não vivemos esta experiência na primeira pessoa, apenas podemos vislumbrar e intuir o possível sofrimento de quem a vive. Mas as excepções tratam-se como excepções. Deduzir daqui a geral – e até saudável – absoluta separação entre os conceitos de sexo e de género é absurdo. Porque, embora a Conferência sobre as Mulheres acima citada afirme que «o sexo é determinado pela natureza» e «o género é elaborado pela sociedade», há já quem ideologicamente considere que até essa é uma interpretação conservadora. Porque, como sabemos, já é possível «escolher» ou «mudar de sexo». Ora, se elaboramos o género e escolhemos sexo, tornámo-nos criadores de nós mesmos!
Ser mãe é diferente de ser pai. A mãe pode dar de mamar ao filho sem sair do quarto; o pai tem que ir comprar o leite ao supermercado. E esta é uma função social que decorre directamente do sexo, não do género. Claro que daqui a defender que a mãe é mais apta para mudar as fraldas ao filho só porque é mulher e isso lhe é natural… (e, já agora, que o avental lhe fica a matar e que, como todos sabemos, ninguém faz a cama ou limpa o pó tão bem como as mulheres…) é um salto injusto do sexo para o género que funcionou durante demasiado tempo.
Neste sentido, o conceito de género veio ajudar, e muito, à evolução e ao desenvolvimento ético das sociedades. Faz-nos tomar consciência de que muitas das supostas características femininas ou masculinas não são, afinal, mais do que construções sociais. E dos inúmeros abusos que se lhes escondem por detrás. Quando, numa sociedade que sobrevaloriza o género masculino face ao género feminino, se atinge uma maior igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres, essa não é uma vitória apenas das mulheres, mas do ser humano. Mesmo que a devamos agradecer às mulheres.
Manifestar a diferença ao vestir o menino de azul e a menina de cor-de-rosa não é mau. A não ser que essa indumentária transporte consigo todo o imaginário de homem eficaz e eficiente, gestor e executivo de sucesso e, por outro lado, de mulher submissa, caseira para quem não faz sentido uma carreira profissional digna e intelectualmente estimulante.
Como em quase todas as áreas da vida, também aqui os extremos não ajudam. Nem tudo o que somos é socialmente construído ou exclusivamente biológico. Mas negar que a biologia é a base daquilo que somos é negar a realidade. O ser homem ou o ser mulher, só porque se nasceu assim, traz consigo diferentes características e funções sociais que ultrapassam a biologia. E isso é saudável! Até onde se pode e deve ultrapassar, eis a questão.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Quanto a costumes, mais do mesmo no CDS:
sai o Paulo, entra a Assunção Cristas...
E chamam a isto democracia cristã...
Heduíno Gomes
Sai o Portas. Já sabemos o que pensa em questões
de Civilização e da família.
Entra a Assunção Cristas.
Também já sabemos o que pensa.
Vejamos.
Em 6.6.2010, Assunção Cristas deu uma entrevista ao Público, em que diz:
«Na declaração de voto disse que votava com o partido, porque era o que estava no programa eleitoral, tinha havido um compromisso dentro do próprio grupo e toda a gente votaria dessa maneira. Mas só por essa razão votava contra a proposta do Governo. Eu seria favorável a um casamento [entre pessoas do mesmo sexo]. O que pode parecer uma posição estranha da minha parte. Muita gente me aborda achando que sou contra; mas não sou. Curiosamente, desagradei a toda a gente. Os que concordavam comigo reclamaram, mesmo com a declaração de voto, por acharem que isso não servia de nada. E reclamaram comigo os que achavam que eu devia ser radicalmente contra e, no final, tinha feito uma declaração de voto; então, que tivesse sido contra!
«Não se incomodou de ficar sozinha.
«Não. Neste caso, fiz o que podia fazer, de acordo com a minha consciência. Dou muito valor ao contracto com o eleitorado. É mau dizer-se uma coisa e fazer-se outra. Todos cedemos um bocadinho para que fique espelhada a sensibilidade maioritária.
«Essa sua posição tem a ver com a convivência...
«Com amigos homossexuais, sim. Tenho amigos próximos que me fazem ver as coisas de outra maneira. Fazem-me perceber que são pessoas iguais a nós, com tanto desejo e expectativa de ter uma vida feliz como nós. O que digo aos meus amigos que não entendem esta minha posição é que há um caminho de felicidade que não pode ser fechado, sobretudo quando os valores dessas pessoas não comprimem os nossos. Não acho que isto seja um ataque à família «tradicional». Tem de haver espaço na sociedade para que todos se sintam confortáveis. E não me parece que uma família com uma mulher, um homem e filhos possa ficar afectada por outras realidades.»
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| A bandeira de Assunção Cristas |
Mas há mais. Em entrevista à revista do Expresso (2 de Julho de 2011),
Assunção Cristas reza (salvo seja...) assim:
FILIPE SANTOS COSTA — «Para alguém que assume que a formação católica pesa em todos os aspectos da sua vida, a sua posição sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi bastante heterodoxa...
ASSUNÇÃO CRISTAS — «Foi heterodoxa e foi difícil, porque senti que decepcionei muita gente.
(...)
...«fui a favor do não no referendo ao aborto, logo teria de ser contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo... »
Outro aspecto interessantíssimo (entre muitos) na entrevista de Assunção Cristas à revista do Expresso.
Enquanto se farta de falar de missas, Assunção Cristas define-se como pupila do sinistro e herético P. (?) José Tolentino de Mendonça, o cripto-maçon eclesiástico do pior que por aí existe.
ASSUNÇÃO CRISTAS — «Pertenço às Equipas de Nossa Senhora, onde tenho um magnífico padre assistente, o José Tolentino de Mendonça, o que é uma grande graça, uma grande sorte.»
NOTAS
Este padre (?) Tolentino, com o frei (?) Bento Domingues, são animadores da seita herética «Nós Somos Igreja», que defende tudo do pior na questão da moral familiar.
Tolentino é também um dos colaboradores do cardeal (?) Ravasi, outro apologista da maçonaria que anda a espalhar enxofre pelos corredores do Vaticano (parafraseando, eu, Paulo VI...), supostamente a ocupar-se da «cultura cristã»...
Tolentino e o bispo (?) Carlos Azevedo são por cá os dois grandes expoentes dessa «cultura cristã» à moda de Ravasi. Carlos Azevedo é outro cripto-maçon — se dúvidas houver, veja-se a sua entrevista à televisão onde defende que as divergências entre a Igreja e a maçonaria são coisas do passado! Não o temos por cá porque foi transferido à pressa da Diocese de Lisboa para Roma, para junto do Ravasi, por razões assaz curiosas.
Conclusão moral da história: com Cristas, Tolentino, Bento Domingues, Carlos Azevedo, Ravasi... tudo se encaixa no grande plano...
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
O candidato Henrique Neto conhecia fraudes
Notícias Lusófonas
Henrique Neto, administrador da Iberomoldes que chegou a ser constituído arguido na Operação Furacão, mas não foi acusado, porque pagou o que devia ao fisco, confessou no depoimento que consta do processo ter «consciência» de que estavam a ser criadas ou usadas empresas «para aumentar os custos» da Iber Oleff – sociedade que foi visada na investigação e da qual era sócio – e de que havia «distribuição de ‘dinheiros’ a alguns sócios que não chegavam a ser declarados».
A Iber Oleff – Componentes Técnicos em Plástico, nascida de uma parceria entre o grupo alemão Olho Tecknik e o grupo Iberomoldes, foi uma das empresas que recorreram aos serviços do grupo Finatlantic, que visava obter vantagens fiscais atractivas para os seus clientes. O esquema que levou, em Junho, à acusação de 30 pessoas num processo nascido da Operação Furacão, terá lesado o Estado em mais de 36 milhões de euros (36 639 21 euros) e passava por ocultar os rendimentos através da transferência de dinheiro para entidades sedeadas em paraísos fiscais e no Reino Unido.
A casa e empresa de Henrique Neto foram alvo de buscas no final de 2007. Nessa altura, o ex-deputado socialista adiantou à imprensa não ter razões «para suspeitar» que estariam «em falta». Admitia, contudo, poderem existir «questões pontuais na relação do grupo com o Estado». Dois meses depois, a 13 de Fevereiro de 2008, admitiu aos procuradores Rosário Teixeira e Ana Catalão ter «tomado conhecimento da intenção da sociedade Iber Oleff de aderir a um esquema que visasse a diminuição de resultados ou lucros». Mas acrescentou não saber pormenores sobre como iria funcionar.
Nesse depoimento, o empresário viria também a confessar «ter recebido alguns montantes monetários, tendo-os utilizado, pelo menos em parte, em benefício próprio». Nesse mesmo dia, o administrador da Iberomoldes remeteu às finanças os rendimentos não declarados e pagou o imposto num total superior a 30 mil euros: 22 621,94 euros, relativos ao ano de 2002, e 8 174 euros, relativos a 2005. Um dia depois, foi a vez de a Iber Oleff pagar o que devia às Finanças: 433 487 euros. Por terem pago, apesar da resistência do juiz Carlos Alexandre, quer o empresário, quer a empresa, viriam a beneficiar da suspensão provisória do processo, livrando-se de uma acusação por fraude fiscal qualificada.
No final de 2002, a sociedade Iber Oleff entrou em contacto com a Finatlantic, com vista à criação e/ou utilização de uma sociedade suíça, uma no Delaware, EUA, uma no Reino Unido e outra sedeada no Belize. De acordo com os autos do processo que o i consultou, parte dos montantes que circularam entre as sociedades offshore entre 2002 e 2005 foram transferidos para as contas da sociedade DTA (Belize) e SITAR (Delaware), abertas no Banco Fiduciário Internacional (BFI) até serem finalmente divididos pelos três administradores, consoante a participação que tinham na Iber Oleff: Henrique Neto viria a receber 85 mil euros em 2003 e 17 083 euros em 2005. Interrogado pelos procuradores do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), disse nunca ter ouvido falar do BFI, nem da Finatlantantic, nem do cabecilha da empresa, Diogo Viana.
Juramento d’El-Rei D. Affonso Anriques
Conservado no Archivo do Real Mosteiro de Alcobaça
Eu Affonso Rei de Portugal, filho do Conde Henrique, e neto do grande Rei D. Affonso, diante de vós Bispo de Braga, e Bispo de Coimbra, e Theotonio, e de todos os mais Vassallos de meu Reino, juro em esta Cruz de metal, e neste livro dos Santos Evangelhos, em que ponho minhas mãos, que eu miseravel peccador vi com estes olhos indignos a nosso Senhor JESU Christo estendido na Cruz, no modo seguinte.
Eu estava com meu exercito nas terras de Alentejo, no Campo de Ourique, para dar batalha a Ismael, e outros quatro Reis Mouros, que tinham consigo infinitos milhares de homens, e minha gente temerosa de sua multidão, estava atribulada, e triste sobremaneira, em tanto que publicamente diziam alguns ser temeridade acommetter tal jornada. E eu enfadado do que ouvia, comecei a cuidar comigo, que faria; e como tivesse na minha tenda um livro em que estava escripto o Testamento Velho, e o de Jesu Christo, abri-o, e li nelle a vitoria de Gedeão, e disse entre mim mesmo. Mui bem sabeis vós, Senhor JESU Christo, que por amor vosso tomei sobre mim esta guerra contra vossos adversarios, em vossa mão está dar a mim, e aos meus fortaleza para vencer estes blasfemadores de vosso nome.
Ditas estas palavras adormeci sobre o livro, e comecei a sonhar, que via um homem velho vir para onde eu estava, e que me dizia: Affonso, tem confiança, porque vencerás, e destruirás estes Reis infieis, e desfarás sua potencia, e o Senhor se te mostrará.
Estando nesta visão, chegou João Fernandes de Sousa meu Camareiro
dizendo-me:
Acordai, senhor meu, porque está aqui um homem velho, que vos quer fallar. Entre (lhe respondi) se é Catholico: e tanto que entrou, conheci ser aquelle, que no sonho vira; o qual me disse:
Elle
me manda dizer-vos, que quando na seguinte noite ouvirdes a campainha de minha
Ermida, na qual vivo ha sessenta e seis annos, guardado no meio dos infieis,
com o favor do mui Alto, saias fóra do Real sem nenhuns creados, porque vos
quer mostrar sua grande piedade.
Obedeci,
e prostrado em terra com muita reverencia, venerei o Embaixador, e quem o
mandava; e como posto em oração aguardasse o som, na segunda vela da noite ouvi
a campainha, e armado com espada e rodela sahi fóra dos Reais, e subitamente vi
a parte direita contra o Nacente, um raio resplandecente; e indo-se pouco, e
pouco clarificando, cada hora se fazia maior; e pondo de proposito os olhos
para aquella parte, vi de repente no proprio raio o sinal da Cruz, mais
resplandecente que o Sol, e Jesu Christo Crucificado nella, e de uma e de outra
parte, uma copia grande de mancebos resplandecentes, os quaes creio, que seriam
os Santos Anjos. Vendo pois esta visão, pondo á parte o Escudo, e espada, e
lançando em terra as roupas, e calçado me lancei de bruços, e desfeito em
lagrimas comecei a rogar pela consolação de meus vassallos, e disse sem nenhum
temor.
A que
fim me apareceis Senhor? Quereis por ventura accrescentar fé a quem tem tanta?
Melhor é por certo que vos vejam os inimigos, e cream em vós, que eu, que desde
a fonte do Baptismo vos conheci por Deos verdadeiro, Filho da Virgem, e do
Padre Eterno, e assim vos conheço agora. A Cruz era de maravilhosa grandeza,
levantada da terra quasi dez covados.
O
Senhor com um tom de voz suave, que minhas orelhas indignas ouviram, me disse.
Não te apareci deste modo para accrescentar tua fé, mas para fortalecer
teu coração neste conflito, e fundar os principios de teu Reino sobre pedra
firme. Confia Affonso, porque não só vencerás esta batalha, mas todas as outras
em que pelejares contra os inimigos de minha Cruz. Acharás tua gente alegre, e
esforçada para a peleja, e te pedirá que entres na batalha com titulo de Rei.
Não ponhas duvida, mas tudo quanto te pedirem lhe concede facilmente. Eu sou o
fundador, e destruidor dos Reinos, e Imperios, e quero em ti, e teus
decendentes fundar para mim um Imperio, por cujo meio seja meu nome publicado
entre as Nações mais estranhas. E para que teus decendentes conheçam quem lhe
dá o Reino, comporás o Escudo de tuas Armas do preço com que eu remi o genero humano,
e daquelle porque fui comprado dos judeos, e ser-me-ha Reino santificado, puro
na fé, e amado por minha piedade.
Eu tanto que ouvi estas cousas, prostrado em terra o adorei dizendo:
Eu tanto que ouvi estas cousas, prostrado em terra o adorei dizendo:
Consentindo nisto o Senhor, disse:
Não se
apartará delles, nem de ti nunca minha misericordia, porque por sua via tenho
apparelhadas grandes searas, e a elles escolhidos por meus segadores em terras
mui remotas.
Ditas
estas palavras dezapareceu, e eu cheio de confiança, e suavidade me tornei para
o Real. E que isto passasse na verdade, juro eu D. Affonso pelos Santos
Evangelhos de JESU Christo tocados com estas mãos. E por tanto mando a meus
decendentes, que para sempre succederem, que em honra da Cruz e cinco Chagas de
JESU Christo tragam em seu Escudo cinco Escudos partidos em Cruz, e em cada um
delles os trinta dinheiros, e por timbre a Serpente de Moysés, por ser figura
de Christo, e este seja o tropheo de nossa geração. E se alguem intentar o contrario,
seja maldito do Senhor, e atormentado no Inferno com Judas o treidor.
Foi
feita a presenta carta em Coimbra aos vinte e nove de Outubro, era de mil e
cento e cincoenta e dous.
Eu
El-Rei D. Affonso.
João Metropolitano Bracharense. - João Bispo de Coimbra.- Theotonio Prior. - Fernão Peres Vedor da Casa.- Vasco Sanches.- Affonso Mendes Governador de Lisboa.- Gonçalo de Sousa Procurador de entre Douro e Minho.- Payo Mendes Procurador de Viseu.- Sueiro Martins Procurador de Coimbra.- Mem Peres o escreveu por Mestre Alberto Cancellario del-Rei.
João Metropolitano Bracharense. - João Bispo de Coimbra.- Theotonio Prior. - Fernão Peres Vedor da Casa.- Vasco Sanches.- Affonso Mendes Governador de Lisboa.- Gonçalo de Sousa Procurador de entre Douro e Minho.- Payo Mendes Procurador de Viseu.- Sueiro Martins Procurador de Coimbra.- Mem Peres o escreveu por Mestre Alberto Cancellario del-Rei.
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