sexta-feira, 15 de abril de 2016


Ex-alunos do Colégio Militar são sempre gente

com outra postura perante o dever e a sociedade


Luís Campos e Cunha, Público, 13 de Novembro de 2009

A ideia de que a natureza tem horror ao vácuo fazia parte da física na Idade Média. Mas esta lei do horror tem corolários na vida actual: os políticos incompetentes têm horror a novas caras nos partidos; os escroques têm horror a uma justiça que funcione; e, do mesmo modo, os bons investidores têm horror a uma justiça que não funciona. E podíamos continuar, mas vem tudo isto a propósito das notícias recentes sobre o Colégio Militar.

Devo declarar que não frequentei o colégio, embora com pena minha, porque o meu pai entendeu que eu poderia ser seduzido pela vida militar e para tal bastava ele. O meu irmão esteve no colégio, por circunstâncias familiares extremas, não se deu bem, e saiu ao fim de dois anos, se bem me lembro. Não tenho, portanto, especiais ligações ao Colégio Militar (CM) mas tenho muitos amigos (e dos bons) que por lá passaram.

As recentes notícias dão uma ideia do colégio como uma escola de sevícias e de maus tratos. Problemas de maus tratos em escolas sempre existiram e devem ser combatidos com determinação pelas autoridades da escola em causa, mas não faz da escola uma instituição a fechar. Lembro-me bem de, há uns anos na minha faculdade, terem ocorrido praxes indignas das nossas caloiras e imediatamente o director de então tomou medidas para que tal não voltasse a acontecer. E não aconteceu. O CM não é excepção, mas o que está em causa é uma tentativa de fazer desaparecer uma das instituições mais antigas de ensino na Europa com uma longa tradição de serviço ao País.

Recordo, com alguma tristeza, que uma das «regalias» de um militar morto em combate em África era os filhos terem educação gratuita no CM. Por esse facto e por as pensões de sobrevivência serem, à época, absolutamente miseráveis (recordo-me de casos concretos), havia sempre vários órfãos no Colégio. Fazia parte das obrigações dos graduados (ou seja, alunos finalistas do CM) terem não só uns ratas (alunos caloiros) como seus protegidos mas também cuidarem dos dramas de algum aluno cujo pai tivesse morrido. Quem conhece ex-alunos do Colégio sabe que têm uma organização e uma coesão ímpar em qualquer outra escola. Falam do colégio com saudade e têm um respeito pela instituição como ninguém tem da sua escola. Nela se fizeram amizades que perduram para toda a vida e alguns dos meus melhores amigos são ex-alunos do CM e devo confessar que são sempre gente com outra postura perante o dever e a sociedade.

O Colégio Militar dá educação em sentido pleno do termo. Tem um ensino de excelente qualidade e dá quadros de valores que nenhuma outra escola garante.

Em 1975, numa acção de dinamização organizada para os alunos do colégio por gente afecta ao PCP – Varela Gomes, Faria Paulino e outros – começaram a atacar a instituição e a apelidarem os alunos de príncipes privilegiados.

Um aluno dos mais novos, ou seja com uns 11 anos, levanta-se e calmamente diz que é filho de um oficial que morreu em combate, que se não fosse o colégio não poderia estudar e não percebia onde estava o príncipe. Os protestos generalizaram-se (teve lugar uma gigantesca boiada, usando a terminologia do CM) e a comissão de dinamização foi forçada a sair pela porta dos fâmulos – porta de serviço – e não pela porta principal. Foi o enxovalho total, apesar de os oficiais tentarem, em vão, acalmar os alunos. É gente de fibra.

Aliás sempre foi assim. Faz parte da sua história mais antiga que quando teve lugar o atentado a Sidónio Pais gerou-se, naturalmente, o pânico entre a população e as unidades militares ajudaram à turbamulta. A única unidade que manteve a calma, ajudou a população e evitou mais mortos foi exactamente uma unidade do Colégio. Portanto, a tradição vem de longe.

O ensino tem uma qualidade excepcional e que não é possível sem um internato, onde os laboratórios de línguas e as salas de estudo estão ao lado do picadeiro e da sala de esgrima. Qualquer pai, cá fora, que tente dar a mesma formação passaria o tempo a servir de motorista do filho. É, aliás, uma tradição muito antiga dos melhores colégios ingleses.

Como professor na universidade, sempre que tenho conhecimento de que um aluno meu veio do CM, posso testemunhar o aprumo, o à vontade, a auto-confiança e o profissionalismo com que está numa aula. Tudo isto, em flagrante contraste com os colegas, especialmente os mais betinhos.

Além disso, como os alunos são tratados por igual, têm um número (que vem antes do nome), andam vestidos com farda e os filhos de pais ricos não se distinguem dos filhos de pais pobres. Também por isso, o convívio democrático hierarquizado é a regra. Ainda bem.

O contraste é gritante com o que se passa nas nossas escolas. E a anarquia, quase geral em que vive o ensino secundário, tem horror ao Colégio Militar, obviamente. Aliás, a verdade é mais funda: a anarquia quase geral da nossa sociedade tem horror à Instituição Militar. Uma instituição organizada, como a militar, que cultiva os valores da honra, da camaradagem, da disciplina e do dever para com a Pátria, não pode ser bem vista pela sociedade actual. A nossa vida colectiva – a civil – privilegia o oportunismo, habituou-se aos casos de corrupção (com ou sem fundamento), tem uma imprensa virada para o escândalo e uma televisão com novelas que são difusoras da falta de valores e da ausência dos bons costumes.

O Colégio Militar poderá acabar mas as razões estão na nossa sociedade e não dentro dos muros do colégio. O horror à decência é dos indecentes.





domingo, 10 de abril de 2016


Começaram as naturais reacções dos católicos

à exortação anti-apostólica de Bergoglio


As naturais reacções dos católicos à exortação anti-apostólica de Bergoglio não se fizeram esperar.

Eis uma da Voice of Family, que apresentamos em tradução automática.

Pode encontrar o texto original em: http://voiceofthefamily.com/catholics-cannot-accept-elements-of-apostolic-exhortation-that-threaten-faith-and-family/ (inglês)

ou em http://leblogdejeannesmits.blogspot.pt/2016/04/voice-of-family-premiere-analyse-critique-amoris-laetitia.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+blogspot/jeannesmits+(Le+blog+de+Jeanne+Smits) (francês).


OS CATÓLICOS NÃO PODEM ACEITAR
ELEMENTOS DA EXORTAÇÃO APOSTÓLICA
QUE AMEAÇAM A FÉ E A FAMÍLIA

08 de abril de 2016


A promulgação da Exortação Apostólica Amoris Laetitia  pelo Papa Francis marca a conclusão de um processo sinodal que tem sido dominada por tentativas de minar a doutrina católica sobre assuntos relacionados com a vida humana, do matrimônio e da família, em questões, incluindo, mas não limitado a, o indissolubilidade do matrimónio, a contracepção, métodos artificiais de reprodução, homossexualidade, "ideologia de gênero" e os direitos dos pais e crianças. Estas tentativas de distorcer o ensinamento católico enfraqueceram o testemunho da Igreja para as verdades da ordem natural e sobrenatural e têm ameaçado o bem-estar da família, especialmente seus membros mais fracos e mais vulneráveis.

A Exortação Apostólica Amoris Laetitia é um documento muito longo, que discute uma ampla variedade de assuntos relacionados com a família. Há muitas passagens que reflectem fielmente a doutrina católica, mas isso não pode, e não, diminuir a gravidade dessas passagens que comprometem o ensino ea prática da Igreja Católica. Voz da Família pretende apresentar análises completas dos problemas graves no texto ao longo dos próximos dias e semanas.

Voz da família expressa as seguintes preocupações iniciais com a maior reverência para o escritório papal e unicamente por um desejo sincero de ajudar a hierarquia na sua proclamação da doutrina católica sobre a vida, o casamento ea família e para promover o verdadeiro bem da família e seus membros mais vulneráveis.

Consideramos que em levantar as seguintes preocupações que cumprimos nosso dever, como claramente definidos no Código de Direito Canônico, que afirma:

"De acordo com o conhecimento, competência e prestígio que eles possuem, eles [os fiéis] têm o direito e às vezes até mesmo o dever, de manifestar aos sagrados pastores a sua opinião sobre questões que dizem respeito ao bem da Igreja e para fazer manifestaram junto do resto dos fiéis cristãos, sem prejuízo da integridade da fé e dos costumes, a reverência para com os pastores, e atenta a utilidade comum ea dignidade das pessoas." ( Canon 212 §3 )

Admissão da "divorciados novamente casados" a Sagrada Comunhão

Amoris Laetitia , ao longo do capítulo VIII (parágrafos 291-312), propõe uma série de abordagens que preparam o caminho para os católicos "divorciados novamente casados" para receber a Sagrada Comunhão, sem verdadeiro arrependimento e mudança de vida. Estes números incluem:

(I) confundiu exposições da doutrina católica sobre a natureza e os efeitos do pecado mortal, sobre a imputabilidade do pecado e sobre a natureza da consciência

(Ii) o uso da linguagem ideológica no lugar da terminologia tradicional da Igreja

(Iii) o uso de citações seletivas e enganosas de documentos da Igreja anteriores.

Um exemplo particularmente preocupante de misquotation do ensino anterior é encontrado no parágrafo 298 que cita a declaração do Papa João Paulo II, feito em Familiaris Consortio, que existem situações "em que, por motivos graves, tais como a educação dos filhos, um homem e uma mulher não podem satisfazer a obrigação de separar. "no entanto, em Amoris Laetitia  a segunda metade da frase do Papa João Paulo II, que afirma que esses casais" assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos actos próprios dos casados casais "( Familiaris Consortio , n ° 84), é omitido.

Além disso, na nota de rodapé a esta citação enganosa, lemos:

"Em tais situações, muitas pessoas, conhecer e aceitar a possibilidade de viver" como irmãos e irmãs ", que a Igreja lhes oferece, apontam que, se certas expressões de intimidade estão faltando", acontece frequentemente que a fidelidade está em perigo e para o bem de as crianças sofre "(Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et Spes , 51)".

O documento faz referência a esta visão errônea mas não explica por que é uma abordagem falsa, que é saber que:

(I) Todos os atos sexuais fora do matrimônio válido é intrinsecamente mau e nunca é justificável para cometer um ato intrinsecamente mau, mesmo a fim de alcançar um bom final

(Ii) "A fidelidade está em perigo" por atos de intimidade sexual fora do casamento mas a fidelidade é vivida quando dois indivíduos em um refrão união inválida de intimidade sexual na fidelidade à sua união original, que continua válida

(Iii) A citação implica que as crianças vão sofrer porque seus pais, com a ajuda da graça divina, viver a castidade. Pelo contrário, esses pais estão dando aos seus filhos um exemplo de fidelidade, da castidade e da confiança no poder da graça de Deus.

O documento cita  Gaudium et Spes , mas a passagem é citada fora de contexto e não suporta o argumento apresentado. O contexto deixa claro que Gaudium et Spes está falando de católicos casados, no contexto da procriação, e não aqueles que coabita em uma união inválido. A frase completa é a seguinte:

"Mas onde a intimidade da vida de casado é interrompida, a sua fidelidade às vezes pode ser colocada em perigo e sua qualidade de fecundidade arruinado, pois então a educação dos filhos e a coragem de aceitar os novos estão ambos em perigo de extinção" ( Gaudium et Spes , n ° 51).

Por isso, é difícil evitar a conclusão de que a Exortação Apostólica é, pelo menos, levantando a possibilidade de que os atos sexuais adúlteras pode em alguns casos ser justificável e tem mal interpretado Gaudium et Spes  como se a fornecer razões para isso.

Outras abordagens que minam a doutrina católica sobre a recepção dos sacramentos será discutido pelo Voice of the Family, em devido tempo.

direitos parentais e educação sexual

Amoris Laetitia inclui uma seção intitulada "A Necessidade de Educação Sexual" (parágrafos 280-286). Esta seção abrange mais de cinco páginas sem fazer sequer uma referência para os pais. Por outro lado, há referência a "instituições educacionais". No entanto, a educação sexual é "um direito e dever fundamental dos pais", que "deve ser sempre realizada sob a sua solícita guia, quer em casa quer nos centros educativos escolhidos e controlados por eles" (Papa João Paulo II, Familiaris Consortio , n ° 37 ). A omissão deste ensinamento faltar gravemente os pais num momento em que os direitos dos pais sobre educação sexual estão sob ataque grave e persistente em muitas nações do mundo, e as instituições internacionais. Nesta seção Amoris Laetitia  não cita qualquer um dos documentos da Igreja anteriores que afirmam claramente esse direito; que faz no entanto citar um psicanalista, Erich Fromm, associado com a escola de Frankfurt. Referências anteriores do documento para os direitos dos pais (parágrafo 84), embora bem-vinda, não pode compensar a exclusão dos pais a partir desta secção.

uniões homossexuais

Amoris Laetitia , seguindo uma abordagem semelhante à que anteriormente adotado em documentos sinodais, implica que "uniões do mesmo sexo" pode oferecer uma "certa estabilidade" e pode ter um tipo de semelhança ou relação ao casamento. Ele afirma que:

"Precisamos reconhecer a grande variedade de situações familiares que podem oferecer uma certa estabilidade, mas uniões de fato ou do mesmo sexo, por exemplo, não pode ser simplesmente equiparada com o casamento." (§ 53)

Há uma grande pressão nas instituições internacionais para a rejeição do entendimento tradicional da família através da adoção de uma linguagem que se refere a "variedade" ou "diversidade" nas formas de família. A implicação de que "uniões do mesmo sexo" forma parte da "grande variedade de situações familiares" é precisamente o pró-família grupos estão lutando arduamente para se opor. Ao usar esse tipo de linguagem a Exortação Apostólica prejudica o trabalho do movimento pró-família para proteger a verdadeira definição de família e, consequentemente, para proteger as crianças que dependem da estrutura da família querida por Deus para o seu bem-estar e desenvolvimento saudável.

Deve notar-se que, no n.º 251 do Magistério da Igreja, que "não há absolutamente nenhuma razão para as uniões homossexuais e estar em qualquer forma semelhante ou mesmo remotamente análogo ao plano de Deus para o casamento e a família" é reajustado.

"Ideologia de gênero"

Amoris Laetitia subscreve um aspecto central da "ideologia de gênero", afirmando que "precisa ser enfatizado" que o sexo biológico e "género" sócio-cultural pode ser "distintos, mas não separados" (parágrafo 56). Esta aceitação do princípio subjacente da teoria de gênero prejudica a crítica de outra forma de boas-vindas do documento da ideologia e seus efeitos. A falsa noção de que o sexo biológico é distinguível do chamado "sexo" foi proposta pela primeira vez em 1950 e é a base da "ideologia de gênero". Oposição às consequências da "ideologia de gênero" será impossível se o seu primeiro princípio erróneo é aceito.

Atentados à vida humana inocente

Amoris Laetitia não consegue lidar com a escala da ameaça para as crianças não nascidas, idosos e pessoas com deficiência. Estimativas conservadoras indicam que mais de um bilhão de vidas por nascer foram destruídas pelo aborto ao longo do século passado. No entanto, em um documento abordando desafios para a família, que é 263 páginas, há apenas um pequeno número de referências passageiras ao aborto. Não há menção da destruição causada por métodos artificiais de reprodução, que também resultaram na perda de milhões de vidas humanas. A ausência de uma discussão séria dos atentados à vida por nascer, neste contexto, é uma grave omissão.

Há também é mínima referência à eutanásia e ao suicídio assistido, apesar da pressão crescente para sua legalização em todo o mundo. A falta de discutir adequadamente esta ameaça é igualmente uma outra omissão muito lamentável.

contracepção

Amoris Laetitia deixa de reafirmar adequadamente o ensinamento católico sobre o uso de contracepção. Esta é uma omissão preocupante dado que (i) a separação das extremidades procriação e de união do ato sexual é um importante catalisador para a cultura da morte e que (ii) não há desobediência generalizada e ignorância do ensinamento da Igreja nesta área com precisão por causa da falha da hierarquia para comunicar esta verdade. A discussão do documento de consciência é igualmente falho tanto no parágrafo 222, que trata de "paternidade responsável", e no Capítulo VIII que trata da admissão aos sacramentos daqueles em adultério público. Parágrafo 303 é particularmente preocupante, especialmente na seguinte afirmação:"

No entanto, a consciência pode fazer mais do que reconhecer que uma dada situação não corresponde objetivamente às exigências gerais do Evangelho. Ele também pode reconhecer com sinceridade e honestidade o que por enquanto é a resposta mais generosa que pode ser dado a Deus, e vem para ver com uma certa segurança moral que é o que o próprio Deus está pedindo, em meio a complexidade concreta dos próprios limites, embora ainda não totalmente o objectivo ideal. De qualquer forma, vamos relembrar que este discernimento é dinâmico; ele deve permanecer sempre aberto para novas fases de crescimento e de novas decisões que podem permitir o ideal a ser mais plenamente realizados.

"Esta declaração parece adotar uma falsa compreensão da «lei da gradualidade" e sugerem que há certas ocasiões em que o pecado não é apenas inevitável, mas ainda quis ativamente por Deus para essa pessoa. Isto seria claramente inaceitável.

conclusões

Esta é apenas uma breve introdução para os muito numerosos problemas para encontrados dentro Amoris Laetitia. Vai demorar um estudo mais aprofundado para tirar plenamente todas as implicações do texto, mas ele já está bem claro que o documento não consegue dar uma exposição clara e fiel doutrina católica e leva inevitavelmente a conclusões que podem resultar em violações do ensino imutável da Igreja Católica, e as disciplinas que estão intimamente fundada sobre ela.Nossa visão inicial fornece causa suficiente para considerar este documento como uma ameaça à integridade da fé católica eo verdadeiro bem da família.

Reiteramos mais uma vez que nós fazemos estas críticas com grande reverência para o escritório do papado, mas com a consciência de nossos deveres como leigos católicos para o bem da Igreja, e os nossos deveres como ativistas / pró-família pró-vida a trabalhar para proteger a família e seus membros mais vulneráveis.

Voz da Família é uma coalizão internacional de 26 organizações / pró-família pró-vida e estava presente em Roma ao longo de ambos os Extraordinária (2014) e Ordinária Sínodos da Família (2015). Voz da Família publicou análises aprofundadas dos documentos oficiais Sínodos '.






sábado, 9 de abril de 2016


Bento Domingues, o tornadiço


L. Lemos

O alarve tornadiço.

Não constitui novidade qualquer intervenção nas televisões do tornadiço Bento Domingues mas esta (RTP 3, 8.4.2016) merece referência dado inserir-se no chorrilho de elogios que aí vem à «Alegria do Amor» de Bergoglio por parte dos anti-Igreja que pretendem moldá-la a seu jeito.

Com o apoio implícito e explícito da sonsa Ana Lourenço a entrevistá-lo, o tornadiço debitou então uma série de alarvidades.

1 — Grandes elogios à «Alegria do Amor» de Bergoglio.

Atirando para o lixo os princípios de defesa da família, inclusivamente dando alento ao lóbi dos invertidos.

2 — Confessa que Bergoglio não foi mais longe porque não podia, mas que criou «o ambiente».

Já sabíamos que o jogo duplo de Bergoglio consiste nisso.

3 — Citou como referência a seita abortista e apoiante do lóbi dos invertidos «Nós Somos Igreja» (aliás já recebida por Bergoglio), a que o tornadiço está ligado (entre outras ligações).

Seitas dentro da Igreja que vão continuar a exigir «mais abertura» até à destruição total da Igreja.

4 — Afirmou que o Catecismo da Igreja Católica é a «indústria da conserva», por isso não tendo validade.

Isto é, a doutrina da Igreja, no seu conjunto, deveria ir para o lixo. O progresso é que é bom.

5 — Na mesma linha, atacou o que é norma moral, apoiando a conduta de cada um segundo «a sua própria consciência» e que cada um deve «pensar».

O que representa mandar o Antigo e o Novo Testamento para o lixo, substituindo a Palavra de Deus pelo pensamento de cada um. Isto é, a defesa do mais descarado subjectivismo e relativismo — na linha de Bergoglio.

6 — Atacou os movimentos católicos que defendem os valores cristãos, etiquetando-os de «grupos rígidos».

Se alguém defende os valores cristãos, leva com o anátema da rigidez, ou do sectarismo, ou do dogmatismo, ou do fundamentalismo... em contraste com o politicamente correcto do tornadiço e a sua flexibilidade, tolerância, consenso, abertura, modernidade... Tudo à Bergoglio, o que o tornadiço também já vem defendendo há anos.

7 — Referindo-se aos papados posteriores ao de João XXIII, que defenderam os princípios cristãos, classificou-os de «um interregno de Inverno».

Interregno porque depois do amiguinho do progresso João XXIII, vem finalmente trazer a Primavera o amiguinho Bergoglio, que se desclassifica ele próprio a cada dia.

8 — Defendeu o relativismo religioso, colocando todas as religiões como iguais, ao classificar de «interesses mesquinhos» a defesa do cristianismo na relação com as outras religiões.

Tal como o mestre Bergoglio faz com o seu falso ecumenismo.



MAIS SOBRE O TORNADIÇO BENTO DOMINGUES:

https://espectivas.wordpress.com/2016/03/21/o-frei-bento-domingues-nega-os-smbolos-do-cristianismo-substituindo-os-por-sinais/





sexta-feira, 8 de abril de 2016


Uma excelente análise

sobre o «aborto ortográfico»


«Insegurança ortográfica»

«Uma excelente análise, por Acílio Estanqueiro Rocha, Professor Emérito da Universidade do Minho, Departamento de Filosofia, Instituto de Letras e Ciências Humanas, sobre a Insegurança Ortográfica que o AO/90 gerou entre aqueles que aceitaram, sem pestanejar, a imposição ilegal e inconstitucional deste monumental engano

Acílio Estanqueiro Rocha

1 — Já afirmámos que o Acordo Ortográfico veio criar enorme «insegurança ortográfica», onde esta antes não existia; subestimaram-se vários pareceres solicitados que alertavam para isso mesmo. Aliás, no ano passado, o Parlamento recomendou ao Governo a constituição de um grupo de trabalho para acompanhar o processo de aplicação do AO, com elaboração de relatório; que se saiba, nem grupo nem relatório.

Mostrámos já que a obsessão pela unificação ortográfica criou, em vez das duas, três grafias, patente em exemplos simples (portuguesa/brasileira):

aspeto/aspecto,
detetar/detectar,
receção/recepção,
conceção/concepção,
deceção/decepção,
perceção/percepção,
espetador/espectador,
perentório/peremptório,
tática/táctica,
espetro/espectro,
cato/cacto,
perspetiva/perspectiva,
interceção/intercepção, etc.

Assim se pretende que se escreva agora (em Portugal) «aspeto», «conceção», «perspetiva», que antes se escrevia (Portugal e Brasil) «aspecto», «concepção», «perspectiva», e que continua a ser «aspecto», «concepção», «perspectiva» (Brasil).

Não entendo tamanha estultícia! Se eu escrever, por ex., a «receção do texto» em vez de «recepção do texto», como evitar que o leitor não pense em «recessão», se é isso que ouve a toda a hora e sofre no seu vencimento ou pensão? Um brasileiro, ao ler «receção», não entende…

Como sabemos, a aprendizagem da ortografia não se faz só na escola: é um processo quotidiano, multímodo, que envolve a memória visual; escrever «Egito» causa calafrios: é um triste espectáculo, que já não tem espectadores mas «espetadores» (a primeira vez que li, pensei em «espeto»). Aliás, como é sabido, as grandes diferenças que separam as variantes portuguesa e brasileira da língua não são ortográficas, mas são lexicais, semânticas e morfossintácticas.

2 — Sobre as consoantes não pronunciadas, importaria evitar a homografia, por ex., «acto»/«ato» (verbo), «corrector»/«corretor» (da bolsa), «óptico» (relativo à vista)/«ótico» (relativo ao ouvido), sendo que, no Brasil, continua a escrever-se «óptico»; seria também imprescindível evitar a homofonia (por ex., «intersecção» e «intercessão»), como é necessário ainda evitar o fechamento vocálico («acção», «aspecto», «baptismo», «lectivo», etc.). Note-se que o português europeu está a tornar-se, por vezes, dificilmente inteligível na oralidade, dada a tendência para fechar as vogais. Já um linguista advertiu que «adoção» (de «adoptar») poderia conduzir à pronúncia de «adução» (de «aduzir»); este é um problema grave: as próximas gerações tenderão a ler «setor», «receção», «deceção», etc., sem abrirem as vogais.

As consequências gravosas do AO saltam à vista: ao contrário de outras alterações ortográficas do século XX, este AO atinge aspectos estruturais da Língua Portuguesa. Todo este processo tem sido, pois, arrogante e autoritário.

3 — A sanha em simplificar (complicando) o português europeu, acaba por o desfigurar como património que opera a comunhão entre gerações, reduzindo a língua a um mero veículo de comunicação, a um artefacto instrumental, não atendendo ao carácter consuetudinário e à estabilidade ortográfica que são dimensões valiosas de identificação. A simplificação a todo o custo, a redução à pura fonética, como se de uma experiência laboratorial se tratasse, é uma das consequências mais nocivas do AO: é assim, por ex., que «acto» se torna «ato»; se, no artigo anterior, demos o exemplo de «directo», veja-se, entre outros, por ex., «acção», do latim «actio», «action» (em inglês), «action» (francês), «Aktion» (alemão), «acción» (espanhol), «actiune» (romeno).

Tal afasta o Português europeu dessas línguas europeias românicas e germânicas (incluindo o inglês). Por isso, o AO vai dificultar que alunos portugueses aprendam (sem erros) línguas estrangeiras e que estudantes de países europeus aprendam (sem erros) o Português.

Note-se que na língua inglesa abundam palavras com consoantes e vogais não pronunciadas, as «silent letters» – «dou(b)t», «forei(g)n», «ni(gh), «thou(gh)t», etc.

Ao pretender-se que a grafia coincida com a «pronúncia», esquece-se que esta é contingencial, variando de país para país, de região para região, de pessoa para pessoa. Aliás, se nos orientássemos apenas por critérios fonéticos, deveríamos escrever, por ex., «úmido» (como no Brasil), o que seria por demais ridículo.

Não conheço nenhum AO em nenhuma outra língua. Quem se preocupa com a unificação do inglês? E há, pelo menos, dezassete variantes do inglês, meia dúzia do alemão, quinze do francês e vinte do espanhol.

Trata-se de mais uma originalidade da política portuguesa, própria de políticos modernaços mas ignaros, pós-modernos, que não sabem o que é um livro; se citam versos de um poema, é só ao jeito de tique decorativo.

Naturalmente são indiferentes à estabilidade ortográfica – essencial na Língua –, como a qualquer estabilidade (legislativa, fiscal, etc.), quando esta é apanágio de um povo desenvolvido.





quarta-feira, 6 de abril de 2016


Da polémica com um apoiante de Rui Rio


Heduíno Gomes

Porto primeiro ou Portugal primeiro?

As coisas são claras e cada um faz as suas opções...

1 —  Rui Rio poderia limpar os ficheiros dos mortos e desavindos sem semear a anarquia da refiliação. Limpar ficheiros é uma tarefa permanente. Teremos de fazer refiliações permanentes?

2 —  Rui Rio mudou mesmo de posição sobre a regionalização. Ele próprio declarou que «depois» é que percebeu... Factos são factos. Antes, na presidência do Marcelo, foi contra.

3 —  Rui Rio já demonstrou ser um doentinho regionalista. Basta estar atento ao que ele diz. Demagogo, populista e oportunista —  como são os politiqueiros regionalistas, entre outros, sejam do PPD-PSD, do PS, do PCP, do CDS ou outro.

4 —  Rui Rio ser contra o desastre antinacional chamado Pinto da Costa não lhe confere o estatuto de não-regionalista e não-incendiário. A guerra entre eles é a guerra entre dois regionalistas. Cada um no seu estilo. Um parolo mais boçal, outro parolo mais contido.

5 —  Rui Rio é um ignorante que não percebe patavina da política externa de Portugal no contexto ibérico. O problema dos gastos desmesurados com os elefantes brancos e não só deveria ser resolvido correctamente e não com o disparate político de subordinação à Espanha.

6 — Uma asneira não se resolve com outra asneira —  aliás, ainda mais grave do que a dos elefantes brancos por afectar directamente a identidade nacional, mais importante do que as finanças, coisa que, para esse cérebro, parece não existir. Mentalidadezinha tecnocrata, que, se não foi de nascença, aprendeu com o mestre Cavaco.

7 —  Rui Rio tem de facto tanta visão geo-estratégica como o Cavaco. Quando, em plena guerra fria, apoiou o aliado soviético no Atlântico Sul (a troco de outros apoios...), criando um eventual e grave problema de segurança para todo o Ocidente ao poder ficar bloqueada a rota do Cabo, o Cavaco revelou logo aí a sua capacidade na matéria. Estão bem um para o outro.

Aliás, a propósito de elefantes brancos, o Cavaco criou um muito maior, o «monstro» do funcionalismo público, que continuamos a pagar —  foi o seu próprio ministro das finanças, o Cadilhe, que o acusou de ser «o pai do monstro».

8 —  Rui Rio é de facto o sucessor de Cavaco na nebulosa cavaquista. De facto o grupo cavaquista, que perdeu o poder no PPD-PSD, tenta recuperar os tachos. E ele é o ponta-de-lança desse grupo. Grupo que ficou furioso por lhe terem ido às reformas milionárias e outras mordomias, e por isso passou todo o tempo nas televisões e jornais a morder nos calcanhares do PPC.

9 — Rui Rio apoiou precisamente o lóbi dos invertidos. Invertidos! Isso mesmo! E isso não lhe perdoo. Nem a ele nem a nenhum político.

Preconceito? Não, lei natural, família natural, defesa intransigente dos valores da Civilização, recusa liminar do oportunismo de apoiar esses lóbis. Tendo em conta a situação das pessoas com problema de identidade sexual, que merecem respeito, declaro guerra ao lóbi e aos seus apoiantes. Só isso.

Quer mais nomes de gente cá dentro do PSD alinhada com o lóbi? Há mais, mas aqui estão os que são agora deputados. Pode juntar o Rangel e o José Eduardo Martins.

http://uniaodasfamiliasportuguesas.blogspot.pt/2015/12/os-deputados-e-ex-deputados-do-psd-e.html





segunda-feira, 4 de abril de 2016


Afinal, quem é que ganhou as presidendiais?


Luís Lemos

A TVI foi buscar para comentadora aquela gaja do Bloco de sorrisinho a apelar aos afectos e que teve 10% dos votos nas eleições presidenciais. Então põe-se agora a dar conselhos de política a quem ganhou com 52% na primeira volta.

Não é só a gaja que está em causa. Está igualmente o director de informação do canal, em engenheiro político: Sérgio Figueiredo.






quarta-feira, 30 de março de 2016


Rei por alma de quem?


Heduíno Gomes

Ainda a propósito da visita indesejada do Filipe aqui do lado a Portugal, convém relembrar a peça que publicámos em 2014:


http://maislusitania.blogspot.pt/2014/07/rei-por-alma-de-quem.html







sexta-feira, 25 de março de 2016


O padre do Porsche apenas seguiu

certos exemplos...


Luís Lemos


Um padre gama para possuir um Porsche! A Igreja está um caos.

(1) Por um lado, temos a Igreja dos Policarpos e dos Melícias, exemplos que certamente inspiraram o padre do Porsche ao gostar do fausto. E para o fausto gamou para comprar o Porsche.

É fartar, vilanagem!

(2) Por outro lado, noutro estilo, temos a Igreja dos Carlos Azevedo, dos Fredericos Cunha e dos Charamsa.

Consta que foi por causa deste lóbi dentro do próprio Vaticano que Bento XVI resignou.

(3) Temos ainda a Igreja dos Ravasi e outros da maçonaria eclesiástica.

Dizia Paulo VI que cheirava a enxofre nos corredores do Vaticano...

(4) Temos ainda  a Igreja dos Januários, dos Boff, dos Edgares e de outros kamaradas.

É a Igreja do paraíso na terra, à imagem de Karl Marx.

(5) E, finalmente, temos os Bergoglios, os Antónios Marto  e os Bentos Domingues a abençoar todo esse pessoal. Para a tal Igreja «plural», «ecuménica», «tolerante», «progressista»...

É para isto, para estragar, que serve o liberalismo e o relativismo.

Mas no meio de toda a apostasia ainda há padres decentes. São estes — e apenas estes —  que têm de ser respeitados e apoiados!

Bento XVI já tinha avisado: http://maislusitania.blogspot.pt/2016/03/papa-emerito-bento-xvi-rompe-o-silencio.html.





domingo, 20 de março de 2016


Perestrello, Salazar e o padre



Lição de história contada por um ilustre historiador da Marinha.

O pai de António Oliveira Salazar era feitor numa grande propriedade do velhote Perestrello, situada lá para os lados de Santa Comba Dão. Perestrello teve dois filhos, um rapaz e uma rapariga. A menina ainda foi namorada de Salazar e o rapaz, mais conhecido pelo Perestrello Vasconcellos, que cursou engenharia, quando Salazar chegou ao poder colocou-o como administrador da Casa da Moeda e posteriormente, em 1939, assumiu a gestão do Arsenal do Alfeite.

Perestrello Vasconcellos morreu em 1962 e deixou seis ou sete filhos, dos quais um deles foi engenheiro naval, na Lisnave, e outro, sentiu vocação para sacerdote e veio a ser capelão da Marinha. Em 1959, o capelão Perestrello Vasconcellos fez parte da célebre conspiração «Caso da Sé», na qual participaram vários opositores ao regime, como Manuel Serra. Na eminência do capelão também ser preso, o presidente do governo, Oliveira Salazar, chamou a S. Bento o pai do capelão Perestrello Vasconcellos e aconselhou-o a mandar o filho para o Brasil, para que não tivesse o desgosto de ver um filho na prisão. Tudo em consideração ao velhote Perestrello de quem o pai de Salazar tinha sido feitor.

E foi assim que o padre Perestrello Vasconcellos debandou para o Brasil. Nos anos 70, com a Primavera marcelista do primeiro-ministro Marcelo Caetano, o padre Perestrello Vasconcellos regressou a Portugal e foi exercer o sacerdócio na paróquia de Loures.

Num belo dia, o admirado e venerado padre Perestrello Vasconcellos, em plena missa dominical, deixou os paroquianos atónitos e lavados em lágrimas. Anunciou que iria deixar o sacerdócio porque se apaixonara por uma senhora da família Lorena. O padre passou à sua condição de cidadão com matrimónio e dessa união nasceu Marcos Perestrello Vasconcellos, o ex-vereador socialista da Câmara de Oeiras e actual secretário de Estado da Defesa do governo do Partido Socialista.


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COMPLEMENTO

A Madame Perestrello e o filho do caseiro

Mais uma história da família Perestrello e do Dr. Salazar (retirada da biografia de Salazar escrita pelo Embaixador Franco Nogueira...)

Realmente (e tal como se refere no texto acima) o jovem Salazar (que pelos vistos era um mulherengo e não um misógino) gostava da jovem Perestrello e ela retribuía esse amor com paixão.

Até que a mãe se apercebeu e terminou com o namoro, não sem antes dizer de viva voz ao jovem prof. universitário (imaginem, de Finanças Públicas!!!!) que tinha muita consideração pela inteligência dele, mas, sinceramente, namorar com a filha dela, uma Perestrello, era demais. Ele não se podia esquecer, que era e seria sempre o filho do caseiro.

Terminou assim o namoro.

Anos passados, já ele era primeiro-ministro, a senhora Perestrello telefonou-lhe para lhe pedir um favor. O telefonista passou a chamada e ela anunciou-se: «Daqui fala Perestrello». Salazar respondeu: «Daqui fala o filho da caseiro».