domingo, 8 de maio de 2016


Quem era realmente «o papa bom» João XXIII

João XXIII — Os seus escândalos e heresias


Ir. Miguel Dimond, O.S.B., e Ir. Pedro Dimond, O.S.B.

(Extractos)


Yves Marsaudon, maçom de grau 33 do Rito Escocês:

«O senso de universalidade que predomina em Roma nestes dias é muito próximo ao nosso propósito de existência… de todo o coração auguramos que a revolução de João XXIII continue.»[1]


Angelo Roncalli (João XXIII) nasceu em 1881 e ocupou cargos diplomáticos na Bulgária, Turquia e França. Roncalli foi também «patriarca» de Veneza.


ALGUMAS DAS ACTIVIDADES DE JOÃO XXIII

ANTES DE SUA «ELEIÇÃO AO PAPADO» EM 1958

Durante anos, o Santo Ofício manteve um arquivo sobre Angelo Roncalli (João XXIII) que dizia: «suspeito de modernismo.» O arquivo remonta ao ano de 1925, quando Roncalli, que era conhecido pelos seus ensinamentos heterodoxos, foi removido da sua cátedra no Seminário de Latrão a meio do semestre (foi acusado de modernismo) e enviado para a Bulgária.

Esta transferência para a Bulgária deu inicio à sua carreira diplomática. De particular preocupação para Roma foi a permanente e próxima relação de Roncalli com o destituído sacerdote Ernesto Buonaiuti, que foi excomungado por heresia em 1926.[2] 

Em 1935, Angelo Roncalli viajou à Turquia. Aí, Roncalli afirmou: «Vós, irlandeses, sois impossíveis. No momento em que vindes ao mundo, até antes de serdes baptizados, começais a condenar todos os que não pertencem à Igreja, especialmente os protestantes!»[6] 

Aqui há outra citação que demonstra a visão herética de Roncalli: «A facção extrema anticatólica da Igreja Ortodoxa Grega anunciou com júbilo um acordo com a Igreja de Inglaterra pela qual cada uma reconhece a validez das sagradas ordens da outra. Mas Roncalli estava genuinamente contente. Aos gregos, que sorrateiramente lhe perguntaram sobre o que pensava do acordo, ele respondeu com sinceridade, ‘Não tenho nada senão elogios aos nossos irmãos separados pelo seu zelo em dar um passo em direcção à união de todos os cristãos.’»[7] 


Desmond O’Grady, ex-correspondente do Washington Post no Vaticano, relatou que, durante a sua permanência em Istanbul em 1944, Roncalli «deu um sermão sobre um concílio que se celebraria no período pós-guerra.»[
8]


Quando Roncalli foi núncio em França, foi nomeado observador da Santa Sé na agência cultural das Nações Unidas, UNESCO. Em Julho de 1951, ele fez um discurso «elogiando prodigamente a UNESCO…»[
9]


Roncalli tratou a UNESCO de «grande organização internacional...»[10]


Quando Angelo Roncalli foi núncio em França, nomeou um maçom de grau 33 e amigo íntimo, o barão Yves Marsaudon, como chefe da divisão francesa dos Cavaleiros da Malta, uma ordem laica católica.[11] 


TESTEMUNHOS QUE INDICAM QUE JOÃO XXIII ERA MAÇOM

Yves Marsaudon, o maçom e autor francês anteriormente mencionado, também afirma que Roncalli (João XXIII) tornou-se um maçom de grau 33 quando era núncio em França. Mary Ball Martínez escreveu que guardas republicanos franceses observaram dos seus postos: «… o núncio [Roncali] vestido à civil, saindo de sua residência para assistir às reuniões noturnas de quinta-feira do Grande Oriente de França [loja maçónica]. Ao passo que a exposição a tal dramático conflito de lealdades poria o homem comum em estado de nervos, fosse ele católico ou maçom, Angelo Roncalli parece tê-la encarado com naturalidade.»[12]

A revista 30 Dias (30 Giorni) também realizou uma entrevista há vários anos com o líder da maçonaria italiana. O Grão-Mestre do Grande Oriente de Itália declarou: «Quanto a isso, parece que João XXIII foi iniciado [numa loja maçónica] em Paris, e participou nos trabalhos das Lojas em Istambul.»[13]


Quando João XXIII foi elevado a «Cardeal», ele insistiu em receber o seu chapéu de cardeal do ateu socialista e manifesto anticlerical Vincent Auriol, Presidente da República de França, o qual Roncalli descreveu como «um socialista honesto.»[15]


Roncalli ajoelhou-se perante Auriol, e Auriol colocou o barrete de cardeal sobre a cabeça de Roncalli. Auriol pendurou uma «extensa fita vermelha ao redor do pescoço do cardeal, abraçando-o com um pequeno apertão que imprimiu uma intimidade calorosa ao protocolo formal.»[16]  Auriol teve de enxugar as suas lágrimas com um lenço quando Roncalli se retirou para assumir a sua nova dignidade de «cardeal.»[17] 

João XXIII também era conhecido como um «bom amigo e confidente» de Edouard Herriot, secretário dos radicais socialistas anticatólicos de França.[18] «Talvez o melhor amigo de Roncalli tenha sido o velho e afamado socialista e anticlerical Edouard Herriot.»[19]


Antes de ter deixado Paris, Roncalli organizou um jantar de despedida para os seus amigos. Entre os convidados incluiam-se políticos de direita, de esquerda e de centro, unidos nesta ocasião pelo seu afecto para com o genial anfitrião.[20]

Quando Roncalli foi «cardeal» de Veneza, não deu motivos para que os comunistas o criticassem. Os habituais insultos anti-clericais deram lugar a um silêncio que transparecia respeito.21 Durante a sua estadia em Veneza, Roncalli «exortou os fiéis a acolher os socialistas de toda Itália, que celebravam a sua trigésima segunda reunião» em Veneza.[22]
O patriarca (João XXIII) mandou que se colocassem nas paredes de Veneza inteira avisos sobre a abertura da trigésima segunda reunião do Congresso do Partido Socialista de Itália (PSI) em Fevereiro de 1957. Os anúncios diziam: «Acolho a excepcional magnitude deste evento, que é tão importante para o futuro do nosso país.»[23]

Papa Pio XI, Quadragesimo ano, #120, 15 de Maio de 1931: «Ninguém pode ser ao mesmo tempo um bom católico e um verdadeiro socialista.»[24] 

Falando certa vez na Câmara Municipal de Veneza, Roncalli disse:

«… alegro-me de aqui estar, embora talvez havendo alguns aqui presentes que não se consideram cristãos, mas que podem ser reconhecidos como tais pelas suas boas obras.»[25] 


AS ACTIVIDADES DE JOÃO XXIII

E AS DECLARAÇÕES APÓS TER SIDO ELEITO «PAPA» EM 1958

Pouco tempo após ter sido eleito e mudado para o Vaticano, João XXIII encontrou uma antiga estátua de Hipólito, um antipapa do século III. Ele mandou restaurá-la e colocá-la na entrada da Biblioteca do Vaticano.[26]


Rostos decepcionados surgiram por toda parte na Praça de São Pedro quando João XXIII deu a sua primeira bênção papal pois ele mal levantou os braços. O seu sinal da cruz se afigurou aos romanos como um gesto deplorável, pois pareceu que movia os pulsos a nível da cintura.[27] 

«João XXIII disse que se sentia inibido quando era tratado por ‘Sua Santidade’ [ou] ‘Santo Padre’…»
[28]

«Durante muito tempo, João XXIII disse ‘eu’ ao invés de ‘nós’ nas suas conversações oficiais. É suposto que os papas usem ‘nós’ e ‘nos’ pelo menos nas ocasiões oficiais.»[29]

Quando João XXIII publicou uma encíclica acerca da penitência, nenhum jejum foi proclamado, nem mesmo um dia de abstinência obrigatória de comida ou prazeres seculares.[30]

João XXIII disse de si mesmo: «Sou o Papa que tem o pé sempre no acelerador.»[31]

O pai de João XXIII era um viticultor. Falando de seu pai, João XXIII disse:

«Há apenas três maneiras de um homem arruinar a sua vida: mulheres, jogo a dinheiro, e... agricultura. O meu pai escolheu o mais aborrecido dos três.»[
32] 

JOÃO XXIII SOBRE OS HEREGES, CISMÁTICOS E NÃO-CATÓLICOS

João XXIII descreveu com estas palavras o que ele considerava que deveria ser a atitude do Segundo Concílio do Vaticano em relação às seitas não-católicas: «Não temos a intenção de realizar um julgamento do passado. Nós não queremos mostrar quem estava certo e quem estava errado. Tudo o que queremos dizer é, ‘Unamo-nos; ponhamos termo às nossas divisões.’»[33] As suas instruções ao «cardeal» Bea, chefe do Secretariado do Concílio para a União dos Cristãos, foram as seguintes: «Temos que pôr de lado, por agora, aqueles elementos que nos diferenciam.»[34]

Numa determinada altura, «um congressista, inesperadamente, disse de forma bruta: ‘Sou baptista.’ João XXIII disse com um sorriso: ‘Bem, eu sou João.’»[35] João XXIII disse ao não-católico Roger Schutz, fundador da comunidade ecuménica de Taizé (um mosteiro ecuménico não-católico): «Vós estais na Igreja, ficai em paz.» Schutz exclamou: «mas então nós somos católicos!» João XXIII disse: «Sim, já não estamos separados.»[36]

João XXIII recebeu pela primeira vez no Vaticano um «arcebispo» de Canterbury, um «prelado» da Igreja episcopal dos E.U.A., e um sumo sacerdote xintoísta.38 João XXIII uma vez comentou: «Se eu tivesse nascido muçulmano, acredito que permaneceria sempre um bom muçulmano, fiel à minha religião.»[39]

Abaixo segue uma foto de uma reunião de João XXIII com os cismáticos orientais no Vaticano II. João XXIII queria que o clero da Igreja «Ortodoxa» russa — muitos dos quais eram agentes da KGB — participasse do Concílio Vaticano II. Os «ortodoxos» disseram que alguns de seus clérigos participariam, com a condição de que não houvesse condenação do comunismo no Vaticano II. Portanto, João XXIII mediou o «grande acordo» que foi o Acordo Vaticano-Moscovo (ou Pacto de Metz). O Vaticano concordou em não condenar o comunismo no Vaticano II, em troca de (veja-me esta) os cismáticos orientais poderem observar os procedimentos do Concílio![47]

João XXIII viu onde se iam sentar os observadores não-católicos no Vaticano II e disse: «Não serve! Ponham os nossos irmãos separados à minha beira.» Um anglicano satisfeito chegou a dizer: «Portanto, ali estávamos — precisamente na primeira fila.»[48]

Em 11 de Outubro de 1962, João XXIII fez o seu discurso de abertura do Concílio, completamente relativista e permissivo:

«Nos tempos actuais, elas não vêem senão prevaricações e ruínas; vão repetindo que a nossa época, em comparação com as passadas, foi piorando; e comportam-se como quem nada aprendeu da história, que é também mestra da vida, e como se no tempo dos Concílios Ecuménicos precedentes tudo fosse triunfo completo da ideia e da vida cristã, e da justa liberdade religiosa. Mas parece-nos que devemos discordar desses profetas da desventura, que anunciam acontecimentos sempre infaustos, como se estivesse iminente o fim do mundo. No presente momento histórico, a Providência está-nos levando para uma nova ordem de relações humanas...»

«...os erros dissipam-se logo ao nascer, como a névoa ao despontar o sol. A Igreja sempre se opôs a estes erros; muitas vezes até os condenou com a maior severidade. Agora, porém, a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade. [A Igreja] Julga satisfazer melhor às necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina do que renovando condenações. (…) Infelizmente, a família cristã, não atingiu ainda, plena e perfeitamente, esta visível unidade na verdade.»[49]

Como vimos acima no seu discurso de abertura, João XXIII declarou que, na história, a Igreja se opôs e condenou os erros, mas que agora não iria renovar tais condenações. Ele também proferiu a heresia de que «a família cristã, não atingiu ainda, plena e perfeitamente, esta visível unidade na verdade.»

Papa Leão XIII, Satis cognitum, #4, 29 de Junho de 1896: «A Igreja, em relação à sua unidade, pertence à categoria das coisas indivisíveis por sua própria natureza, embora os hereges trabalhem para que se divida em diversas partes.»[50]

Papa Leão XIII, Satis cognitum, #5: «Há ― disse São Cipriano ― um só Deus, um só Cristo, uma só Igreja de Cristo, uma só fé, um só povo que, pelo vínculo da concórdia, está fundado na unidade sólida de um mesmo corpo. Esta unidade não pode ser quebrada, nem o corpo uno ser dividido pela separação das suas partes constituintes[51]

João XXIII também alterou as rubricas para o Breviário e o Missal. Ele ordenou a supressão das orações leoninas, que eram as orações prescritas pelo Papa Leão XIII para serem recitadas depois da Missa. Estas orações foram também prescritas pelo Papa São Pio X e o Papa Pio XI.[52] Esta incluía a oração a São Miguel Arcanjo, uma oração que faz uma menção específica da batalha travada pela Igreja contra o Demónio.

João XXIII eliminou da Missa o salmo Judica me.

João XXIII suprimiu o Último Evangelho, o Evangelho de São João. Este Evangelho é também utilizado nos exorcismos.[53]

Depois, João XXIII eliminou o segundo Confiteor na Missa.  depois de todas estas mudanças, ele fez uma mudança no cânon da Missa, introduzindo o nome de São José.[54]   A petição para se colocar o nome de São José no cânon da Missa foi oficialmente rejeitada pelo Papa Pio VII em 16 de Setembro de 1815,[55] e pelo Papa Leão XIII em 15 de Agosto de 1892.[56] As outras mudanças significativas a respeito do Santo Sacrifício da Missa (que precederam à Nova Missa de Paulo VI) entraram em vigor no primeiro Domingo do Advento de 1964.

JOÃO XXIII SOBRE O SOCIALISMO E O COMUNISMO

João XXIII escreveu uma carta elogiando Marc Sangnier, o fundador de O Sillon. O Sillon foi uma organização condenada pelo Papa São Pio X. João XXIII escreveu acerca de Sangnier: «A poderosa fascinação de suas palavras (de Sangnier), da sua alma, encantou-me, e as mais vivas recordações de minha juventude como sacerdote devem-se a essa pessoa e à sua actividade política e social…»[57]

Na sua encíclica Mater et Magistra (sobre o cristianismo e o progresso social), João XXIII promove os ideais socialistas e não condena uma vez sequer a contracepção e o comunismo. Quando lhe foi perguntado o porquê de ter respondido à saudação de um ditador comunista (Khruchtchov), João XXIII respondeu: «Sou o Papa João, não por causa de algum mérito pessoal, mas por um acto de Deus, e Deus está em cada um de nós.»[58]

João XXIII divertia-se muito com os comunistas; poderia-se pensar que eram os seus próprios irmãos.[59]  O comunismo foi condenado 35 vezes pelo Papa Pio XI e 123 vezes pelo Papa Pio XII.[60]

No dia 6 de Março de 1963, João XXIII recebeu Aleksei Adzhubei e a sua esposa, Rada, numa audiência especial. Rada era a filha do Primeiro-Ministro da URSS, Khrushchov. Rada disse o seguinte sobre o seu encontro com João XXIII: «… ele entregou a Aleksei e a mim um par de prendas simbólicas, que também se destinavam ao meu pai, e disse-me: ‘… isto é para o teu Papa.’»[61]

O secretário-geral do Partido Comunista Britânico, John Gollan, frente às câmeras de televisão no dia 21 de Abril de 1963, disse que «a encíclica [Pacem in terris, de João XXIII] o surpreendeu e alegrou» e, portanto, ele havia exteriorizado a sua «mais sincera satisfação no recente 28.° congresso do partido.»[63]

Um dos bons amigos de João XXIII foi o comunista e vencedor do Prémio Lenin da Paz Giacomo Manzu.64 João XXIII disse: «Não vejo razão alguma para que um cristão não possa votar num marxista se julgar que este é mais apto para seguir uma determinada linha política e destino histórico.»[65]

JOÃO XXIII ELOGIADO POR MAÇONS E COMUNISTAS

DURANTE O SEU «PONTIFICADO»

A encíclica Pacem in Terris de João XXIII foi admirada pelos próprios líderes maçónicos como um documento maçónico. Estes são apenas alguns exemplos.

Eis uma citação do Boletim Maçónico, o órgão oficial do Supremo Conselho do 33.º e Último Grau do Rito Escocês Antigo e Aceite da Maçonaria, para o distrito maçónico dos Estados Unidos Mexicanos, endereçado em Rua Lucerna, n.º 56, no D. F. do México (ano 18, n.° 220, Maio de 1963):

«A LUZ DO GRANDE ARQUITECTO DO UNIVERSO ILUMINA O VATICANO

«Em termos gerais, a encíclica Pacem in terris, dirigida a todos os homens de boa vontade, inspirou consolo e esperança. Tanto em países democráticos como comunistas, Pacem in Terris foi elogiada universalmente. Apenas as ditaduras católicas franziram o sobrolho e distorceram o seu espírito.

«Muitos dos seus conceitos e doutrinas são-nos familiares. Ouvimo-las de ilustres racionalistas, liberais e irmãos socialistas. Depois de considerado cuidadosamente o significado de cada palavra, poderíamos dizer que, apesar da proverbial e típica baboseira literária do Vaticano, a encíclica Pacem in Terris é uma rigorosa exposição de doutrina maçónica. (…) nós não hesitamos em recomendar uma leitura atenciosa dessa encíclica.»[68] 

No livro Resurgence du Temple, publicado e editado pelos Cavaleiros Templários (maçons), 1975:149, a seguinte citação é de interesse: «A direcção da nossa acção: a continuação do trabalho de João XXIII, e de todos os que o seguiram no caminho do universalismo templário[69]

DECLARAÇÕES DE COMUNISTAS, MAÇONS E NÃO-CATÓLICOS

EM LOUVOR DE JOÃO XXIII DEPOIS DA SUA MORTE

Após a morte de João XXIII, numerosos documentos de comunistas, maçons e judeus foram enviados ao Vaticano, exprimindo as suas mágoas pela morte de João XXIII. Pessoas como Fidel Castro e Nikida Khrushchev, enviaram mensagens de louvor e tristeza.[82]

Edição de El Informador, de 4 de Junho de 1963:

«A Grande Loja Ocidental Mexicana dos Livres e Aceites Maçons, por motivo do falecimento do Papa João XXIII, manifesta publicamente o seu pesar pela desaparição deste grande homem que revolucionou as ideias, pensamentos, e formas da liturgia católica romana. As encíclicas Mãe e Mestra [Mater et Magistra] e Paz na Terra [Pacem in terris] revolucionaram os conceitos a favor dos direitos do homem e sua liberdade. A humanidade perdeu um grande homem, e nós maçons, reconhecemos seus elevados princípios, seu humanitarismo, e sua condição de grande liberal.

Charles Riandey, um soberano Grão-Mestre das sociedades secretas, no seu prefácio para um livro de Yves Marsaudon (Ministro de Estado do Conselho Supremo das sociedades secretas francesas), declarou:

«Em memória de Angelo Roncalli, sacerdote, Arcebispo de Messamaris, Núncio Apostólico em Paris, Cardeal da Igreja romana, Patriarca de Veneza, Papa de nome de João XXIII, que condescendeu a dar-nos a sua bênção, a sua compreensão, e a sua protecção.»[84] 

UM HEREGE NÃO PODE SER UM PAPA VÁLIDO

Como já vimos, a Igreja Católica ensina que um herege não pode ser validamente eleito papa, porque um herege não é membro da Igreja Católica. Os factos aqui apresentados demonstram que João XXIII, o homem que convocou o Vaticano II e deu início à apóstata Igreja conciliar, era claramente um herege. Ele não era um papa válido. Angelo Roncalli (João XXIII) era um não-católico, um antipapa conspirador que começou a apostasia do Vaticano II.

OS SURPREENDENTES PARALELOS ENTRE O ANTIPAPA JOÃO XXIII

DO GRANDE CISMA DO OCIDENTE

 E O ANTIPAPA JOÃO XXIII DO VATICANO II

O nome «João» tem sido propositadamente evitado por papas durante 500 anos, porque o último homem a usá-lo foi o infame João XXIII (Baltazar Cossa) do Grande Cisma do Ocidente. Existem paralelos incríveis entre o recente antipapa João XXIII (Angelo Roncalli) e o antipapa João XXIII (Baltazar Cossa) que reinou durante o Grande Cisma do Ocidente.

O reinado do primeiro antipapa João XXIII abarcou cinco anos, desde 1410 até 1415, tal como o reinado do segundo antipapa João XXIII, que abarcou cinco anos, de 1958 a 1963.

O primeiro antipapa João XXIII convocou um falso concílio, o Concílio de Constança (o Concílio de Constança tornou-se posteriormente num verdadeiro concílio ecuménico, com algumas sessões aprovadas pelo verdadeiro papa; mas, na altura em que o antipapa João XXIII o abriu, era um falso concílio). Da mesma maneira, o recente antipapa João XXIII (Angelo Roncalli) também convocou um falso concílio, o Vaticano II!

O primeiro antipapa João XXIII abriu o seu falso concílio em Constança no quarto ano do seu reinado, em 1414. O recente antipapa João XXIII abriu o Vaticano II no quarto ano do seu reinado, 1962.

O reinado do primeiro antipapa João XXIII, terminou pouco antes da terceira sessão do seu falso concílio, em 1415. O recente antipapa João XXIII morreu pouco antes da terceira sessão do Vaticano II, em 1963, pondo um fim ao seu reinado.

Cremos que as similaridades entre o primeiro antipapa João XXIII e o segundo não são meras coincidências. O primeiro antipapa João XXIII foi também o último antipapa a reinar em Roma. Estava Angelo Roncalli, o mais recente antipapa João XXIII, ao escolher este nome, indicando de forma simbólica (na forma esotérica que os maçons costumam fazer as coisas) que ele estava a continuar a linha de antipapas que reinam em Roma?

NOTAS FINAIS:

[1] Yves Marsaudon em seu livro L’Œcuménisme vu par um franc-maçon de tradition, Paris: Ed. Vitiano; citado por Dr. Rama Coomaraswamy, The Destruction of the Christian Tradition, pág. 247.

[2] Lawrence Elliott, I Will Be Called John, 1973, pp. 90-92.

[6] Alden Hatch, A Man Named John, pág. 96.

[7] Alden Hatch, A Man Named John, pág. 98.

[8] St. Anthony’s Messenger, Nov. de 1996.

[9] Alden Hatch, A Man Named John, pág. 117.

[10] Alden Hatch, A Man Named John, pág. 118.

[11] Paul I. Murphy e R. Rene Arlington, La Popessa, 1983, pp. 332-333.

[12] Mary Ball Martinez, The Undermining of the Catholic Church, Hillmac, México, 1999, pág. 117.

[13] Giovanni Cubeddu, 30 Days, No. 2-1994., pág. 25.

[15] Alden Hatch, A Man Named John, pág. 121.


[16] Alden Hatch, A Man Named John, pág. 123.


[17] Kurt Klinger, A Pope Laughs, pág. 99.


[18] Rev. Francis Murphy, John XXIII Comes To The Vatican, 1959, pág. 139.


[19] Alden Hatch, A Man Named John, pág. 114.


[20] Alden Hatch, A Man Named John, pág. 125.


[21] Kurt Klinger, A Pope Laughs, Stories of John XXIII, pág. 104.


[22] Mark Fellows, Fatima in Twilight, Niagra Falls, NY: Marmion Publications, 2003, pág. 159.


[23] Kurt Klinger, A Pope Laughs, Stories of John XXIII, pág. 105.

[24] The Papal Encyclicals, por Claudia Carlen, edição inglesa, Raleigh: The Pieriam Press, 1990,

vol. 4 (1903-1939), pág. 434.

[25] Peter Hebblethwaite, John XXIII, The Pope of the Council, Doubleday, ed. Le Centurion,

1988, pág. 27.

[26] Paul Johnson, Pope John XXIII, pp. 37, 114-115, 130.


[27] Kurt Klinger, A Pope Laughs, Stories of John XXIII, pág. 24.


[28] Time Magazine, «1962 Man of the Year: Pope John XXIII,» 4 de Janeiro de 1963.


[29] Kurt Klinger, A Pope Laughs, Stories of John XXIII, pág. 49.


[30] Romano Amerio, Iota Unum, Angelus Press, 1998, pág. 241.


[31] Kurt Klinger, A Pope Laughs, Stories of John XXIII, pág. 134.


[32] Kurt Klinger, A Pope Laughs, Stories of John XXIII, pág. 110.


[33] Alden Hatch, A Man Named John, pág. 192.


[34] Alden Hatch, A Man Named John, pág. 192.


[35]
 Alden Hatch, A Man Named John, pág. 194.


[36] Luigi Accattoli, Quando o Papa Pede Perdão, pág. 29.


[39] Allegri, Il Papa che ha cambiato il mondo, ed., Reverdito, 1998, pág. 120. Também citado emSacerdotium, exemplar #11, 2899 East Big Beaver Rd., Suite 308, Troy, MI., pág. 58.


[47] Mark Fellows, Fatima in Twilight, Niagra Falls, NY: Marmion Publications, 2003, pág. 180.


[48] Alden Hatch, A Man Named John, NY, pág. 14.


[49] Walter Abbott, The Documents of Vatican II, The America Press, 1966, pp. 712; 716; 717; http://www.vatican.va/holy_father/john_xxiii/speeches/1962/documents/hf_j-xxiii_spe_19621011_opening-council_po.html


[50] The Papal Encyclicals, vol. 2 (1878-1903), pág. 389.


[51] The Papal Encyclicals, vol. 2 (1878-1903), pág. 390.


[52] The Reign of Mary, Spokane, WA., Spring, 1986, pág. 10.


[53]
 The Reign of Mary, vol. XXIX, No. 93, pág. 16.

[54] The Reign of Mary, vol. XXIX, No. 93, pág. 16.

[55] The Reign of Mary, vol. XXII, No. 64, pág. 8.


[56] The Reign of Mary, edição da primavera, 1986, pp. 9-10.


[57] Angelo Giuseppe Roncalli, John XXIII, Mission to France, 1944-1953, pp. 124-125.


[58] The Reign of Mary, edição de primavera, 1986, pág. 9.


[59] Kurt Klinger, A Pope Laughs, Stories of John XXIII, pág. 57.


[60] Piers Compton, The Broken Cross, Cranbrook, Western Australia: Veritas Pub. Co., 1984, pág. 45.


[61] Kurt Klinger, A Pope Laughs, Stories of John XXIII, pág. 24.


[63] Pe. Joaquin Arriaga, The New Montinian Church, Brea, CA., pág. 170.


[64] Curtis Bill Pepper, An Artist and the Pope, London, England: Grosset & Dunlap, Inc.
Capa frontal & interior da capa removível do livro; ver também pág. 5.


[65] Pe. Joaquin Arriaga, The New Montinian Church, Brea, Ca., pág. 570.


[68] Pe. Joaquin Arriaga, The New Montinian Church, pp. 147-148.


[69] A.D.O. Datus, «Ab Initio,» pág. 60.


[82] Alden Hatch, A Man Named John, depois da pág. 238 (7.ª página do suplemento).


[84] Piers Compton, The Broken Cross, Cranbrook, Western Australia: Veritas Pub. Co. Ptd Ltd, 1984,pág. 50.






sexta-feira, 6 de maio de 2016


Os cidadãos e a gramática


Maria Regina Rocha, Público, 4 de Maio de 2016

Talvez não tenha sido muito feliz a criação do termo «igualdade de género», pois as pessoas não são palavras, sendo mais adequada a expressão «igualdade de direitos, deveres e garantias entre sexos», e, quanto ao «Cartão de Cidadão», esta designação naturalmente que engloba todo e qualquer cidadão.

Recentemente, tem sido objecto de discussão a denominação do Cartão de Cidadão, documento por meio do qual, em Portugal, se procede à identificação das pessoas, verificando-se em diversos artigos, e invocando-se a «igualdade de género», alguma confusão entre sexo e género, pelo que talvez valha a pena distinguir estes dois conceitos e explicar como funciona a língua portuguesa (e respectiva gramática) no que diz respeito à designação dos seres e das pessoas em geral.

Como ponto prévio, convém referir que o signo linguístico é arbitrário, o que significa, genericamente, que a designação de um determinado objecto, ser, fenómeno, etc., obedece a alguma convenção, variando de língua para língua. Observe-se, por exemplo, que «o mar» (palavra do género masculino em português) corresponde a «la mer» (feminino em francês) e a «the sea» (sem género em inglês) e que «uma criança» (palavra do género feminino em português, independentemente do sexo da criança em causa) corresponde a «un enfant» (palavra masculina em francês) e a «a child» (palavra sem género em inglês): como se vê, palavras diferentes e de diferentes géneros para designar a mesma realidade.

Assim, é conveniente distinguir sexo de género gramatical.

O sexo diz respeito a características morfológicas das pessoas e de outros seres vivos. Um género gramatical é um conjunto de palavras que seguem determinadas regras de concordância, distintas das dos outros géneros. Há línguas em que existe em alguns domínios uma relação entre género e sexo, mas não absoluta nem determinante (o caso da nossa), outras em que não há qualquer relação entre género e sexo; outras, raras, em que existe uma relação exacta; muitas em que o género está relacionado com outros factores (animado ou inanimado; metal, madeira ou pedra...), e mesmo algumas em que não existe sequer género.

Em português, muitos dos substantivos que designam um ser animado têm um género que corresponde a uma distinção de sexo (exemplos: o menino, a menina; o gato, a gata), mas muitos outros há em que tal não se verifica, quer no que diz respeito aos animais, quer no que diz respeito às pessoas.

Efectivamente, embora haja nomes de animais que têm masculino e feminino (o coelho, a coelha; o cavalo, a égua…), muitos dos substantivos que designam animais têm apenas uma forma (masculina ou feminina) para os dois sexos. São os substantivos epicenos, de que são exemplo a borboleta, a foca, a girafa, a serpente, o milhafre, o sapo, o tubarão…

Passando às palavras que designam pessoas, notamos que muitas delas têm a marca de género correspondente ao sexo, ou por meio do uso de uma palavra diferente consoante o sexo (exemplos: homem, mulher; pai, mãe), ou marcando-se a palavra feminina com um morfema próprio (exemplo: professor, professora). Há, no entanto, um certo número de substantivos, chamados «comuns de dois» e outros «sobrecomuns», que não têm essas marcas. Os «comuns de dois» são aqueles que têm a mesma forma para o masculino e para o feminino, sendo apenas o artigo que indica se nos estamos a referir a uma pessoa do sexo feminino ou do sexo masculino (exemplos: o artista, a artista; o colega, a colega; o presidente, a presidente). Os «sobrecomuns» são aqueles que têm um só género gramatical, não se distinguindo nem sequer pelo artigo (exemplos: a testemunha, o cônjuge, a vítima), verificando-se apenas pelo contexto, quando necessário, qual o sexo da pessoa. Este último caso acontece porque não importa aqui marcar a distinção de sexo: o que importa é a condição ou a situação da pessoa, e não a diferença de sexo.

De referir, ainda, que, na sua maior parte, as palavras quer de um género quer do outro se referem a objectos ou a seres vivos de qualquer sexo (lagarto, salgueiro...), não havendo nenhum tipo de critério nessa distribuição.





domingo, 1 de maio de 2016


Robert Spaemann assegura: Amoris laetitia

rompe com a encíclica Veritatis Splendor



João Paulo II teve-o como conselheiro. Bento XVI aprecia-o como amigo. É considerado o filósofo alemão católico mais importante das últimas décadas: Robert Spaemann. Numa entrevista exclusiva à CNA alemã, o professor emérito de filosofía expressa a sua leitura de Amoris Laetitia de Bergoglio.

Profesor Spaemann, usted ha acompañado con su filosofía los pontificados de Juan Pablo II y Benedicto XVI. Muchos creyentes hoy en día discuten si la exhortación post-sinodal «Amoris Laetitia» de Francisco puede ser leída en continuidad con las enseñanzas de la Iglesia y de estos papas.

Para la mayor parte del texto es posible, a pesar de que su línea da lugar a conclusiones que pueden no ser compatibles con las enseñanzas de la Iglesia. En cualquier caso, el artículo 305, junto con la nota 351, que establece que los fieles «en una situación objetiva de pecado» pueden ser admitidos a los sacramentos «debido a circunstancias atenuantes» contradice directamente el artículo 84 de la «Familiaris Consortio» de Juan Pablo II.

¿Qué deseaba Juan Pablo II?

Juan Pablo II declara la sexualidad humana «símbolo real de la donación de toda la persona» y «sin ninguna limitación temporal ni de ningún tipo». El artículo 84 dice, entonces, con toda claridad que los divorciados vueltos a casar, si desean acceder a la comunión, deben renunciar a los actos sexuales. Un cambio en la práctica de la administración de los sacramentos por tanto no sería un «desarrollo» de la «Familiaris Consortio», como dijo el cardenal Kasper, sino una ruptura substancial con su enseñanza antropológica y teológica sobre el matrimonio y la sexualidad humana.

La Iglesia no tiene el poder, sin que haya una conversión previa, de juzgar positivamente unas relaciones sexuales desordenadas, mediante la administración de los sacramentos, disponiendo anticipadamente de la misericordia de Dios. Y esto sigue siendo cierto, sin importar cuál sea el juicio sobre estas situaciones, tanto en el plano moral como en el plano humano. En este caso, como en la ordenación de mujeres, la puerta está cerrada.

¿No se podría argumentar que las consideraciones antropológicas y teológicas que usted ha mencionado tal vez sean verdaderas, pero que la misericordia de Dios no está sujeta a estos límites, sino que se conecta a la situación concreta de cada persona?

La misericordia de Dios está en el corazón de la fe cristiana en la Encarnación y la Redención. Ciertamente, Dios mira a cada persona en su situación particular. Él conoce a cada una de las personas mejor que lo que ella se conoce a sí misma. La vida cristiana, sin embargo, no es un entrenamiento pedagógico en el que uno se mueve hacia el matrimonio como un ideal, como «Amoris Laetitia» parece sugerir en muchos pasajes. Todo el ámbito de las relaciones, especialmente las de naturaleza sexual, tiene que ver con la dignidad de la persona humana, con su personalidad y libertad. Tiene que ver con el cuerpo como «templo de Dios» (1 Cor 6,19). Cualquier violación de este ámbito, aunque se haya vuelto frecuente, es, pues, una violación de la relación con Dios, a quien los cristianos se saben llamados; es un pecado contra su santidad, y tiene siempre y continuamente necesidad de purificación y conversión.

La misericordia de Dios consiste precisamente en que esta conversión se hace posible continuamente y siempre de nuevo. La misericordia, desde luego, no está vinculada a determinados límites, pero la Iglesia, por su parte, está obligada a predicar la conversión y no tiene el poder de superar los límites existentes mediante la administración de los sacramentos, haciendo así violencia a la misericordia de Dios. Esto sería orgullosa arrogancia.

Por lo tanto, los clérigos que se atienen al orden existente no condenan a nadie, sino tienen en cuenta y anuncian este límite hacia la santidad de Dios. Es un anuncio saludable. Acusarlos injustamente, por esto, de «esconderse detrás de las enseñanzas de la Iglesia» y de «sentarse en la cátedra de Moisés... para lanzar piedras a la vida de las personas» (art. 305), es algo que no quiero ni comentar. Se debe notar, sólo de pasada, que aquí se utiliza, jugando con una deliberada interpretación errónea, ese pasaje del Evangelio. Jesús dice, de hecho, sí, que los fariseos y los escribas se sientan en la cátedra de Moisés, pero hace hincapié en que los discípulos deben practicar y observar todo lo que ellos dicen, pero no deben vivir como ellos (Mt 23: 2).

El Papa quiere que no nos centremos en las frases individuales de su exhortación, sino que se tenga en cuenta todo el trabajo en su conjunto.

Desde mi punto de vista, centrarse en los pasajes antes citados está totalmente justificado. Delante de un texto del Magisterio papal no se puede esperar que la gente se alegre por un hermoso texto y disimule como si nada ante frases cruciales, que cambian la enseñanza de la Iglesia. En este caso sólo hay una clara decisión entre el sí y el no. Dar o negar la comunión: no hay término medio.

Francisco en su escrito enfatiza repetidamente que nadie puede ser condenado para siempre.

Me resulta difícil entender lo que quiere decir. Que a la Iglesia no le es lícito condenar a nadie personalmente, y mucho menos eternamente – lo cual, gracias a Dios, ni siquiera puede hacer – es claro. Pero, cuando se trata de relaciones sexuales que contradicen objetivamente el orden cristiano de la vida, entonces realmente quisiera que el Papa me dijera después de cuánto tiempo y bajo qué circunstancias un comportamiento objetivamente pecaminoso se convierte en una conducta agradable a Dios.

Aquí, entonces, ¿se trata realmente de una ruptura con la enseñanza tradicional de la Iglesia?

Que se trata de una ruptura es algo evidente para cualquier persona capaz de pensar que lea los textos en cuestión.

¿Cómo se ha podido llegar a esta ruptura?

R. – Que Francisco se coloque en una distancia crítica respecto a su predecesor Juan Pablo II ya se había visto cuando lo canonizó junto con Juan XXIII, cuando se consideró innecesario para este último el segundo milagro que, en cambio, se requiere canónicamente. Muchos con razón han considerado esta opción como manipulación. Parecía que el Papa quisiera relativizar la importancia de Juan Pablo II.

El verdadero problema, sin embargo, es una influyente corriente de la teología moral, ya presente entre los jesuitas en el siglo XVII, que sostiene una mera ética situacional. Las citas de Tomás de Aquino referidas por el Papa en «Amoris Laetitia» parecen apoyar esta línea de pensamiento. Aquí, sin embargo, pasa por alto el hecho de que Tomás de Aquino conoce actos objetivamente pecaminosos, para los que no admite excepción vinculada a las situaciones. Entre éstas se incluyen comportamientos sexuales desordenados. Como había hecho ya en los años cincuenta el jesuita Karl Rahner en un ensayo que contiene todos los argumentos esenciales, válidos aún hoy, Juan Pablo II rechazó la ética de la situación y la condenó en su encíclica «Veritatis Splendor».

«Amoris Laetitia» también rompe con esta encíclica. En este sentido, pues, no hay que olvidar que fue Juan Pablo II quien dedicó su pontificado a la misericordia divina, le dedicó su segunda encíclica, descubrió en Cracovia el diario de Sor Faustina y, más tarde, la canonizó. Él es su intérprete auténtico.

¿Qué consecuencias ve usted para la Iglesia?

Las consecuencias ya se pueden ver ahora. La creciente incertidumbre y la confusión: desde las conferencias episcopales al último sacerdote en la selva. Hace sólo unos días un sacerdote del Congo me expresó toda su perplejidad frente a esto y frente a la falta de una orientación clara. De acuerdo con los pasajes correspondientes de «Amoris Laetitia», en presencia de «circunstancias atenuantes» no definidas, pueden ser admitidos a la confesión de los demás pecados y a la comunión no sólo los divorciados y vueltos a casar, sino todos los que viven en cualquier «situación irregular», sin que deban esforzarse por abandonar su conducta sexual y, por tanto, sin confesión plena y sin conversión.

Cada sacerdote que se atenga al ordenamiento sacramental previo podría sufrir formas de intimidación por parte de sus fieles y ser presionado por su obispo. Roma ahora puede imponer el requisito de que sólo sean nombrados obispos los «misericordiosos», que estén dispuestos a suavizar el orden existente. Con un trazo el caos ha sido erigido como principio. El Papa debería haber sabido que con esa medida divide la Iglesia y abre la puerta a un cisma. Este cisma no residiría en la periferia, sino en el corazón mismo de la Iglesia. Dios no lo quiera.

Una cosa, sin embargo, parece segura: lo que parecía ser la aspiración de este pontificado – que la Iglesia superara su autoreferencialidad para salir al encuentro de las personas con un corazón libre – con este documento papal se aniquiló por tiempo indefinido. Se puede esperar un impulso secularizador y un nuevo descenso en el número de sacerdotes en muchas partes del mundo. Se puede comprobar fácilmente, desde hace tiempo, que los obispos y diócesis con una actitud inequívoca en materia de fe y moral tienen el mayor número de vocaciones sacerdotales. Hay que tener en cuenta aquí lo que escribe San Pablo en su carta a los Corintios: «Si la trompeta da un sonido incierto, ¿quién se preparará para la batalla?» (1 Cor 14: 8).

¿Qué va a pasar ahora?

Cada cardenal, pero también cada obispo y sacerdote está llamado a defender en su propio campo el orden sacramental católico y profesarlo públicamente. Si el Papa no está dispuesto a hacer correcciones, le tocará al siguiente pontificado poner oficialmente las cosas en su sitio.


Traducido al español por InfoCatólica

Texto original em CNA