quarta-feira, 28 de setembro de 2016


Um «novo vocabulário»

para uma «pastoral revolucionária»


Revista Catolicismo, 26 de Setembro de 2016

A reviravolta dos dois Sínodos dos Bispos sobre a família e da Exortação Apostólica Amoris laetitia, do Papa Francisco. Mudanças na linguagem e o emprego de palavras-talismã numa nova pastoral relativista e permissiva incapaz de iluminar os que erram, converter os pecadores e solidificar os fundamentos da instituição familiar.

O debate que animou os dois últimos Sínodos dos Bispos sobre a família (2014 e 2015) tem suscitado reacções opostas, mas os documentos publicados não avançaram propostas concretas sobre como curar os males da vida matrimonial e doméstica. Alguns comentaristas concluíram que os Sínodos não mudaram nada de substancial. No entanto, a Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris laetitia, recentemente publicada pelo Papa Francisco, propõe explicitamente uma nova abordagem global da pastoral familiar.

Para termos uma opinião abalizada que pudesse esclarecer a questão, entrevistamos o estudioso italiano Guido Vignelli [foto ao lado], residente em Roma, director durante 20 anos do Projecto SOS Jovens e ex-membro da Comissão sobre a Família junto à Presidência do Conselho de Ministros da Itália. Recentemente ele escreveu o livro intitulado Uma revolução pastoral – Seis palavras-talismã no debate sinodal sobre a família [foto no alto], precisamente sobre os problemas suscitados pelas palavras, ideias e tendências emergentes após os dois Sínodos. A obra está sendo divulgada em três línguas pela TFP italiana, e uma edição brasileira está a ser preparada.

Guido Vignelli visa sistematicamente a realidade. Vai buscá-la no fluxo das modas sempre em mudança, no curso das ideias em circulação, no estrépito dos acontecimentos actuais. A sua acuidade penetra a modernidade com os seus alegres enganos e manifestações optimistas. Visão da realidade é virtude cada vez mais rara, seja nos livros, seja no jornalismo. Prevalece de modo geral o «pensamento único», o famoso «politicamente correcto».

Mostra nas suas obras, subjacente à euforia moderna, a profunda insatisfação do homem contemporâneo, consequência do facto de se ter libertado de Deus e menosprezado a sua Lei. Também aborda o tema dos malefícios da televisão e a sua acção brutal, particularmente sobre a infância. Os seus escritos sobre técnicas modernas têm aceitação sobretudo nos meios católicos. Visam devolver à sociedade a felicidade perdida pelo afastamento da Igreja.

Os erros profundos na Igreja atingem hoje graus paroxísticos. Os fiéis são constrangidos em massa a adoptar uma «nova mentalidade» e a ter a salvação eterna como fruto apenas da «boa consciência», sem consideração pela lei moral. Uma alegada sinceridade de sentimento tem a primazia sobre a noção de pecado. Pecado? Este é tido como um conceito superado.

Nesta entrevista, Guido Vignelli, a propósito do seu livro Uma revolução pastoral, analisa um método insidioso de penetração de erros actuais na Igreja com o fim de destruir a moral básica da instituição familiar. Ferramenta essencial desse método são as «palavras-talismã», cuja magia mediática penetra os espíritos e até importantes documentos do magistério eclesiástico. Esta obra de Vignelli inspira-se na análise profunda da realidade efectivada por Plinio Corrêa de Oliveira na sua obra Baldeação Ideológica Inadvertida e Diálogo, obra básica do pensamento católico contra-revolucionário, da qual este autor italiano é o grande divulgador na Europa.

Catolicismo — Que tipo de mudanças são esperadas
na nova pastoral familiar?

Guido Vignelli — Alguns afirmam que essas mudanças vão modificar a pastoral familiar não na sua substância, mas apenas no seu «estilo» de expressar-se e de agir. Cumpre objectar-lhes que é precisamente este campo delicado e escorregadio que causará problemas. As mudanças na linguagem e na prática podem ser decisivas porque, quando se modifica a maneira de expressar e de agir, as coisas tendem a mudar.

Tanto os sínodos episcopais quanto a posterior a Exortação pontifícia Amoris laetitia propuseram «um novo léxico que revoluciona a pastoral», como advertiu «Avvenire» — jornal da Conferência Episcopal Italiana (24-4-16). Portanto, pode-se esperar que esse «léxico revolucionário» exercerá influência cada vez maior, não só na questão familiar, mas também em toda a vida eclesial.

A mensagem sinodal e a papal impõem-se não tanto pelo seu diagnóstico e a sua terapia, quanto pela sua intenção explícita de promover uma «conversão pastoral» da linguagem e da prática que favoreça uma «inversão de perspectiva» não só na vida familiar, mas também eclesial, como disseram os cardeais que apresentaram a Amoris laetitia à imprensa. A «conversão pastoral» consiste em adequar critérios, métodos e meios eclesiais à pretensão do homem moderno de agir seguindo apenas a própria consciência subjectiva e satisfazendo as exigências permissivas daí resultantes. A «inversão de perspectiva» consiste em nunca colocar os meios ao serviço do fim, mas o fim ao serviço dos meios, ou seja, em colocar a verdade e as leis evangélicas ao serviço da nova pastoral eclesial, o que vale também para o direito canónico e inclusive para os Sacramentos.

Para esse fim, surgiu a perigosa tendência de encarar a verdade evangélica sobre o casamento e a família como se fosse «um modelo ideal», ou seja, uma bela teoria, mas muito abstracta e difícil de alcançar, que depois vai adequar-se às exigências pastorais exigidas pelas situações concretas. Por isso se prevê avaliar e resolver essas situações recorrendo a atenuantes morais e excepções, derrogações e licenças jurídicas. Desta forma, contudo, o mencionado modelo evangélico perde o seu rigor ideal, e com ele também a sua força de sedução e atracção; além disso, a acumulação de excepções à regra acaba frustrando a própria regra, deslizando-se na insegurança jurídica.


Catolicismo — Qual é o papel dessa nova linguagem eclesial
nas mudanças previstas?

Guido Vignelli — A nova linguagem sinodal é dominada por certas palavras-chave que, mediante máximas correlativas, fórmulas e slogans, definem os problemas examinados e orientam as soluções propostas, de modo a sugerir uma mudança substancial de toda a prática eclesial. Em resumo, essas palavras-chave são neutras e de uso comum. Na prática, no entanto, elas estão inseridas num contexto que lhes confere um significado enganoso e as faz exercer uma perigosa influência sobre os que as usam, manipulando a sensibilidade e a mentalidade dos fiéis através de uma técnica de persuasão psicológica oculta, análoga àquela utilizada pelos sistemas de propaganda de massas, por exemplo, na publicidade.

É por isto que tais palavras nós as podemos definir como «palavras-talismã», comparando-as com as fórmulas mágicas. Ou seja, elas não se limitam a exprimir o que significam (uma ideia, um valor, um julgamento), mas tendem a realizar aquilo que significam, isto é, a produzir um efeito (uma escolha, uma posição, um comportamento) capaz de seduzir e atrair um ouvinte ingénuo, distraído ou conformista. Quem usa tais palavras-talismã é depois empurrado inconscientemente para uma determinada direcção, arriscando a ser «baldeado» de uma posição antiga e rigorosa para uma nova e permissiva.

Como se sabe, esse tipo de palavras e o mecanismo subtil desencadeado por elas foram analisados com acuidade pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira na sua obra intitulada Baldeação ideológica inadvertida e Diálogo (1965), um ensaio de importância histórica e profética, muitas vezes surrupiado por estudiosos e apologistas por acaso, mas quase nunca citado como fonte autorizada.

O Sacramento da Eucaristia, instituído por Nosso Senhor na Santa Ceia,
hoje é concedido a pessoas sem prévia conversão e reparação, ao pecador impenitente.

Catolicismo — Quais são as «palavras-talismã» que emergiram
dos dois Sínodos?

Guido Vignelli — De acordo com protagonistas e observadores oficiais, as palavras-talismã dominantes no debate sinodal e confirmadas por Amoris laetitia foram as seguintes: pastoral – misericórdia – escuta – discernimento – acompanhamento – integração. Essas seis palavras repetem-se com frequência nos actos oficiais dos dois Sínodos: pastoral (90 vezes), misericórdia (48), discernimento (45), acompanhamento (102); a palavra integração ocorre apenas 24 vezes, mas, se a unirmos à palavra que a pressupõe, ou seja, acolhida, repetida 74 vezes, juntas formam um total de 98. Houve outras palavras-chave recorrentes, como complexidade, aprofundamento, desafio, mas que não parecem ter a importância das precedentes.

Estas palavras-talismã estão relacionadas entre si. A nova pastoral exige tratar com misericórdia as situações conjugais e familiares imorais, que não devem por isso ser julgadas eticamente, mas através da escuta das suas experiências e necessidades, a fim de discernir em todas o que é «autêntico», a fim de  acompanhá-las em direcção a um processo de acolhimento, obtido com a plena integração na comunidade eclesial e na vida sacramental.

Catolicismo — Qual é a impostação da nova pastoral?

Guido Vignelli — A nova pastoral familiar é baseada no pressuposto de que os agentes pastorais devem limitar-se a utilizar apenas métodos e meios de «diálogo», da persuasão e do exemplo, renunciando à reprovação, à denúncia, para a condenação e punição do pecador. Acredita que métodos penais não são misericordiosos. Consequentemente, mesmo quando a culpa é obstinada, pública e escandalosa, nenhum pecador pode ser marginalizado ou expulso da comunidade da Igreja.

Em concreto, o pecador não é tanto perdoado quanto escusado, aduzindo-se atenuantes justificatórias, por exemplo, o facto de viver numa situação matrimonial ou familiar supostamente insanável. Então, tende-se ser misericordioso, não só com o pecador (que sempre pode converter-se), mas também com a sua situação pecaminosa (que nunca pode converter-se, mas deve simplesmente desaparecer); não se limita a «odiar o pecado e amar o pecador», como afirma Santo Agostinho, mas chega-se a justificar o pecado e a absolver o pecador impenitente, concedendo-lhe até o acesso à Sagrada Comunhão sem prévia conversão e reparação. Tal misericórdia é contrária ao ensinamento da Igreja, inclusive o da encíclica Dives in Misericordia de João Paulo II.

Este permissivismo, que ontem era concedido apenas aos que erravam, estende-se hoje aos pecadores públicos. Se esta abordagem liberal fosse aplicada com rigor, nenhuma sociedade poderia conservar-se por muito tempo, nem sequer a da Igreja, que é divina, porque os tribunais tornar-se-iam ilícitos e, portanto, seriam abolidos.

A abordagem metodológica está em suma na exigência pastoral e no primado da misericórdia. O problema é que essas duas palavras-chave foram falsificadas no seu significado e traídas na sua missão. Na ânsia de diagnosticar as situações pecaminosas absolvendo-as da devida condenação moral, a pastoral tende a eludir a verdade revelada; na ânsia de curar essas situações poupando-as dos inevitáveis sofrimentos, a misericórdia tende a escapar da justiça divina. O resultado é uma pastoral relativista, incapaz de iluminar os que erram e uma misericórdia permissiva incapaz de converter os pecadores.

Quanto mais um cristão se obstina em viver num estado público de pecado,
violando gravemente os mandamentos relativos à fidelidade e à castidade matrimonial,
pode lícita e canonicamente considerar-se «simul justus et pecador»
(«que é pecador justificado»), como pretendia o heresiarca Lutero.

Catolicismo — Qual é a teoria implícita nessa nova pastoral?

Guido Vignelli — Se consideradas nas suas relações, as mencionadas palavras-chave se explicam e se apoiam mutuamente, sugerindo uma nova metodologia que nos leva a passar de um conceito rigoroso a um permissivo, não só da pastoral doméstica, mas também da moral familiar. A avaliação moral é de facto posta na dependência dos tempos, lugares, pessoas e situações, com base, portanto, em critérios nunca absolutos (ou seja, universais e necessários), mas relativistas (ou seja, particulares e subjectivos); os próprios conceitos de «mal absoluto» e «estado de pecado» são implicitamente rejeitados como abstractos e rigoristas. O que leva ao seguinte paradoxo: quanto mais um cristão se obstina em viver num estado público de pecado, violando gravemente os mandamentos relativos à fidelidade e à castidade matrimonial, pode lícita e canonicamente considerar-se «simul justus et pecador» («que é pecador justificado»), como pretendia o heresiarca Lutero.

A nova pastoral pressupõe e insinua uma teoria moral relativista e permissiva, semelhante à «nova moral» denunciada no seu tempo por Pio XII: afirma-se que, «libertada das subtilezas sofísticas do método tradicional, a moral seja reconduzida à sua forma originária e remetida à inteligência e à determinação da consciência individual. […] A «nova moral» afirma que a Igreja, em vez de fomentar a lei da liberdade humana e do amor, pelo contrário leva, quase exclusivamente e com excessiva rigidez, à firmeza e intransigência das leis morais cristãs, recorrendo com frequência àqueles «sois obrigados» e «não é lícito» que têm muito sabor de um pedantismo desalentador. […] Com o resultado de que a acusação de dureza opressora, do movimento «nova moral» contra a Igreja, vai na verdade atingir em primeiro lugar a própria Pessoa adorável de Cristo» (Pio XII, Rádio Mensagem de 23 de Março de 1952, por ocasião do Dia da Família).

Prepara-se, portanto, uma revolução pastoral no sentido relativista e permissivo. É uma revolução no sentido relativista, porque o diagnóstico das situações familiares se baseia não na avaliação moral objectiva delas, mas em detectar a experiência psicológica subjectiva e prever as consequências práticas, com o perigo de fazer a consciência perder o sentido de pecado, já tão obnubilado. Com efeito, não se fala mais de «situações imorais» (como o concubinato), nem tampouco de «situações irregulares», mas apenas de «situações complexas» ou «difíceis». É também uma revolução no sentido permissivo, porque a terapia para tratar dessas situações se reduz ao uso de paliativos e anestésicos que, longe de eliminar as causas do mal, aliviam-lhe apenas os sintomas, ou seja, as consequências dolorosas, com o resultado de iludir o restabelecimento e tornar crónico o vício. Desta forma, a pastoral familiar é reduzida a uma psicologia ou sociologia da família semelhante à laicista.

Catolicismo — Há também motivos de uma esperança não sentimental, mas racional, quanto ao futuro da família?

Guido Vignelli — Não obstante a mesma análise sinodal admitir que a actual situação familiar global é totalmente desastrosa, pesquisas sociológicas e estatísticas também revelam alguns sinais de esperança quanto ao futuro. Na verdade, apesar de as autoridades tornarem cada vez mais difícil para os jovens constituir família, opondo obstáculos culturais, políticos e económicos inimigos da castidade, da estabilidade e da procriação, o desejo de família está crescendo precisamente entre as últimas gerações; isto também se aplica à nobre nação brasileira. Talvez seja até para perverter essa saudável tendência juvenil que a propaganda revolucionária tenta distorcer o conceito de família, tornando-a «pluralista», ou seja, introduzindo nela todas as formas possíveis de convivência (inclusive a homossexual). Mais uma razão para impelir os cristãos a defender a verdadeira identidade e definição de família. Trata-se da própria sobrevivência da humanidade, como também da Igreja.





sexta-feira, 23 de setembro de 2016


As referências do maçom «cardeal» Ravasi


Heduíno Gomes

Daquele dito «cardeal» responsável pela anticultura anticristã de Bergoglio, já nada espanta. A juntar às suas referências de maçons, juntam-se agora os elogios ao «grande Erasmo», o precursor de Lutero. O «grande Erasmo», aquele que, em toda a verdade, foi acusado de ter «posto o ovo que Lutero chocou».

E assim vai o Vaticano dirigido por Bergoglio e sua equipa.







Filósofo de topo diz:

«Papa deve revogar declarações

«objectivamente heréticas» para evitar cisma»


Josef Seifert

ORIGINAL INGLÊS EM: https://www.lifesitenews.com/news/top-philosopher-pope-must-revoke-objectively-heretical-statements-to-avoid


Tradução automática:

Claire Chretien

21 de Setembro de 2016 (LifeSiteNews) – Josef Seifert, filósofo católico austríaco e amigo íntimo do falecido Papa João Paulo II, disse em uma entrevista que ele espera que o Papa Francis revoga as declarações «objetivamente heréticas» em Amoris Laetitia para evitar «cisma», «heresia», e «a divisão completa na Igreja.»

Falando à Gloria.tv sobre uma carta que escreveu o papa Francis e por um ensaio que ele escreveu descrevendo algumas de suas preocupações com a exortação: Seifert explicou que há quatro conclusões que se pode tirar de Amoris Laetitia.

Estes quatro conclusões «são radicalmente distintos e, portanto, eu acho que é preciso esclarecer qual é a resposta verdadeira», disse ele.

A primeira conclusão é que continua a ser um sacrilégio para aqueles em estado de pecado mortal sem arrependimento para receber a Sagrada Comunhão, embora nota 351 abre a porta para isso.

Os defensores desta tese «pode-se dizer que o texto não é um documento magisterial, como o Cardeal Burke diz que não é um documento que tem a forma adequada para mudar o catecismo católico [e] a 2.000 anos de idade tradição de disciplina sacramental por alguns AVC [s] de caneta. ... Portanto, nada mudou, basicamente, e o documento talvez tentou mudar algo, mas não muda nada.»

O segundo [conclusão] é o oposto – pelo contrário e em frente absoluta e radical», disse Seifert. «E isso é que cada casal, todos os homossexuais, todas as lésbicas, os adúlteros, todos voltaram a casar, não voltou a casar –. Todos são bem vindos à mesa do Senhor» Ele observou que este é essencialmente a interpretação adotada pelos bispos das Filipinas, que «fez um grande pronunciamento para o efeito.»

«Esta interpretação não pode ser o que o papa realmente significa – não deve ser o que o papa realmente significa, pois leva a inúmeras sacrilégios, todos os tipos de grandes pecadores [vindo] para o Sacramento da Comunhão», disse Seifert. Permitir que isso «abre a porta para transformar a Igreja, templo de Deus, [em] uma espécie de templo de Satanás.»

Seifert chamado Papa Francis para «absolutamente e obrigatoriamente declarar que este [interpretação] é completamente falsa compreensão do ensinamento da Igreja.»

Foro interno seria uma «catástrofe pastoral»

A terceira interpretação possível do Amoris Laetitia é que os casais podem «perceber» com a ajuda de um sacerdote se eles são realmente culpados de as acções que continuamente cometem, que os rótulos da Igreja objetivamente pecaminosas.

«Como isso deve ser aplicada?», Perguntou Seifert. ‘Se um padre dizer para o adúltero,’ você é um bom adúltero, você está em estado de graça, você é [a] pessoa muito piedosa, de modo a obter a minha absolvição sem mudar sua vida e, em seguida, [você pode] ir a Sagrada Comunhão. ... E depois vem outro, e ele diz, 'Oh, e você é um verdadeiro adúltero. Primeiro, você deve confessar, você deve revogar a sua vida, você deve mudar a sua vida, e então você pode ir para a comunhão.’ Quero dizer, como deve ser esse trabalho?»

Este «parece completamente inadequado» e poderia tornar-se uma «catástrofe pastoral», Seifert avisado. Ele disse que também poderia confundir Católica divorciados novamente casados ​​casais, alguns dos quais podem ser contadas por seu sacerdote para ir em frente e receber a Sagrada Comunhão e outros que possam ser contada pelo mesmo padre a viver abstinentemente, a fim de receber a Sagrada Comunhão. Seifert notar que esta terceira conclusão contém «o problema da falácia lógica», que pressupõe que se uma pessoa «não entende que o que ele faz é errado, que ele é inocente e em estado de graça, mas a cegueira para o erro de uma ação pode ser em si gravemente [pecado].»

«É uma falsa suposição de que muitos casais que não encontrar nada de errado com se casar novamente e se divorciando somos todos pecadores inocentes em estado de graça, porque a sua cegueira [ao fato de que eles estão cometendo adultério] em si [Pode ser um pecado] », disse Seifert.

Parecendo «negação do inferno ‘deve ser corrigida' pelo amor de clareza»

De acordo com Seifert, a quarta interpretação possível do Amoris Laetitia é as pessoas podem dizer em sã consciência que seu primeiro casamento era inválido, mesmo se um tribunal eclesiástico tem dito de outra forma, e, portanto, pode se divorciar, «casar» novamente, e receber os sacramentos, mantendo uma relação sexual com sua segunda esposa.

«Não deve ser deixada à consciência do indivíduo para julgar ou não o seu casamento era válido, e também não o julgamento de um único sacerdote, porque a julgar ... a existência de um sacramento requer uma investigação cuidadosa e isso é [exatamente ] a tarefa de tribunais da Igreja e, portanto, a pessoa simplesmente não pode ... em consciência dizer, eu não era casado e agora eu me casar novamente », Seifert explicou. Ele também disse que a noção de que uma pessoa pode declarar por si mesmo que seu casamento era inválido foi condenado pelo Concílio de Trento e, portanto, não está em harmonia com o ensinamento da Igreja.

É «objetivamente herética» afirmar, como Amoris Laetitia faz, de que alguém pode ser simplesmente incapaz de viver de acordo com as exigências do Evangelho, disse Seifert. Amoris Laetitia sugere que as pessoas podem «reconhecer que é a vontade de Deus para viver em uma adúltera relacionamento»", mas «que contradiz claramente bastante alguns dogmas do Concílio tridentino e claramente contradiz Veritatis Splendor e outros ensinamentos solenes da Igreja», disse ele.

Seifert ressaltou que ele não estava chamando o papa herege, simplesmente apontando que ele fez declarações heréticas que devem ser corrigidos.

«Ele diz que ninguém está condenado para sempre ... que, no contexto pode ser interpretada de diferentes maneiras, mas é difícil interpretá-lo de qualquer outra forma de negação do inferno», disse ele. Cristo «nos adverte para o grande perigo, real de condenação eterna», como têm muitos santos e da Virgem Maria nas aparições aprovadas pela Igreja, «e, portanto, para o papa a convidar as pessoas em um estado grave de pecado para ir para os Sacramentos e ao mesmo tempo dizer que ninguém será condenado para sempre, eu acho que os riscos para ser entendido que ele nega a possibilidade de condenação».

«Então eu disse ao papa que ele tem que em primeiro lugar, esclarecer que ele não queria negar o inferno nesta declaração, o que seria contra a Sagrada Escritura, e contra vários [dogmas]», disse Seifert. Mesmo se o Papa Francis não significa que a declaração parece ser uma negação do inferno, «Eu acho que muitas pessoas entendem-lo dessa forma e ele deve dizer claramente o que é a verdade do Evangelho e não parecem negar o inferno» ele disse. Isso deve ser feito de «uma questão de clareza e para o cuidado pastoral.»

Seifert dirá «mesmo se eu estou morto para ele»

Papa Francis só iria «crescer na estima e respeito no mundo» se ele retraída as declarações em Amoris Laetitia que aparentemente contradizem a doutrina católica, disse Seifert. Se ele «persiste nisso», então não há o «risco de cisma.»

«Para evitar o cisma e evitar heresia e para evitar a separação completa na Igreja, eu acho que é necessário que o papa ... ser dito [estes] problemas» e revogá-las, disse Seifert.Seifert ressaltou que ele não é o único acadêmico Católica elevando o alarme sobre Amoris Laetitia. Professor Robert Spaemann, uma das principais professor de filosofia alemã e amigo próximo do Papa Bento XVI Emérito, e Dr. Jude P. Dougherty, o decano emérito da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica da América, ambos levantaram sérias preocupações com a exortação. O primeiro chamou-lhe uma «violação» com a tradição católica e este último escreveu que a ambiguidade Papa Francis 'significa’ «o que foi determinada antes tornou-se problemática.»

«Mesmo se eu estou morto para ele, eu acho que tem que falar porque não se pode permanecer em silêncio quando se sente que as verdades importantes que também são muito importantes para a salvação eterna dos fiéis são obscurecidos ... no documento», disse Seifert.












Criança é morta por eutanásia na Bélgica



Jurandir Dias

A eutanásia é, a seu modo, uma consequência do aborto. O aborto trouxe um enfraquecimento da família e é praticado pelas mesmas razões, ou seja, o casal não quer ter filhos para poder gozar mais a vida, divertir-se livremente, ir à praia etc. sem ter o trabalho de cuidar de crianças.

Morreu na Bélgica a primeira criança por eutanásia. A notícia não poderia ser mais estarrecedora. A informação foi prestada pelo presidente da Comissão Federal para a Eutanásia, Wim Distelmans.[i]

Em 2014, o Parlamento Socialista da Bélgica aprovou uma lei iníqua que permite que os médicos pratiquem a eutanásia – eufemismo para não dizer assassinar – em crianças com doenças ditas incuráveis e que causam muito sofrimento. A lei permite que os menores procurem a eutanásia. Mas as crianças que serão sacrificadas teriam que «possuir a capacidade de discernimento». Que criança, nos tormentos das dores, será capaz de discernir se quererá ou não ser morta?

A eutanásia existe na Bélgica desde 2002, quando o governo socialista daquele país a aprovou para os anciãos.

O número de mortes por eutanásia na Bélgica está a subir rapidamente, com um aumento de 25% em 2012. Estudos recentes indicam que até 47% de todas as mortes assistidas não foram descritas; 32% de todas as mortes assistidas foram feitas sem pedido e os enfermeiros estão a matar os seus doentes sem o conhecimento dos médicos.[ii]

Alguns especialistas belgas estão a apoiar a extensão da eutanásia para crianças com deficiência, porque dizem que isso já está a ser feito. Os mesmos médicos especialistas sugerem que a extensão da eutanásia vai resultar num aumento de 10 a 100 mortes por ano.

Tudo isto causa uma enorme insegurança entre as pessoas. Na Holanda, um dos primeiros países a aprovar a eutanásia, os idosos cruzam a fronteira e vão tratar-se na Alemanha onde a lei da eutanásia não é tão radical. Agora, também a criança doente se sentirá gravemente ameaçada. E pensará se a sua existência não será um peso para a família e que os seus pais, mediante conselho pernicioso de um médico, não venham a terminar com a sua vida.


*    *     *

A eutanásia é, a seu modo, uma consequência do aborto. O aborto trouxe um enfraquecimento da família e é praticado pelas mesmas razões, ou seja, o casal não quer ter filhos para poder gozar mais a vida, divertir-se livremente, ir à praia etc. sem ter o trabalho de cuidar de crianças.

A criança executada pela eutanásia «alivia» a família de gastos com hospitais e do trabalho de acompanhamento familiar naquele momento crucial. Por isso se mata o filho ou a filha e depois vai divertir-se.

Como isto é diferente daquela mãe ou pai que passam noites sem dormir, rezando pela recuperação da saúde do seu filho ou filha, ao lado do seu leito de dor, consolando-a, dando forças para suportar os sofrimentos!

Os outros filhos olharão para os pais e dirão: como os meus pais são maravilhosos, como eles são dedicados. A minha mãe é uma heroína, acompanhou o meu irmãozinho até o fim. Que exemplo!

É neste momento de sofrimento que a família se une melhor; há maior solidariedade entre as pessoas.

Contudo, não são assim os pais que matam os seus filhos. Eles procuram principalmente o prazer, o gozo da vida. Procuram eliminar qualquer forma de sofrimento. Eles são o fruto de uma sociedade descristianizada. Para eles não importa o quinto mandamento que diz «não matarás», assim como os demais.

Prevendo a eutanásia para crianças, em 1936…

Na coluna «7 dias em revista» do Legionário, n.º 212, de 4 de Outubro de 1936Plinio Corrêa de Oliveira comentava um facto então pioneiro: em Perth (Austrália) um pai matou o próprio filho por motivos de saúde. Transcrevemos a seguir o texto na íntegra:

«Pela primeira vez, desde que o mundo se governa pelos princípios da civilização de Jesus Cristo, um pai mata o seu filho por motivos de saúde.

Trata-se do Sr. Sullivan, de Perth, na Austrália, que levou a passear o seu filho de três anos matando-o inesperadamente com um tiro. O próprio infanticida conduziu depois o pequeno cadáver à polícia, e declarou que a razão do crime que praticara era que o seu menino sofria de doença incurável.

Não era lícito a esse pai desnaturado, matar o seu filho, qualquer que fosse o pretexto por ele invocado. Mas façamos abstração disto, e consideremos a questão sobre outro aspecto. O Sr. Sullivan é «chauffeur», portanto pessoa relativamente desprovida de recursos. Será tão seguro que autorize o infanticídio o diagnóstico do médico de 2.ª classe, a quem provavelmente o Sr. Sullivan consultou? Será realmente incurável essa moléstia? Com os progressos que a medicina vem fazendo, não é bem possível que, daqui a alguns anos, o menino pudesse ser curado?

Em nada disto refletiu o Sr. Sullivan.

*   *   *

O Sr. Sullivan, em si, não interessa. A sua atitude vale apenas como sintoma de uma civilização.

A tal ponto o mundo descristianizado está perdendo o senso da caridade, que diversos escritores europeus já sustentam a inutilidade e, mais do que isso, a nocividade dos estabelecimentos de assistência à doença na infância.

Se a criança doente é um ser inferior, por que razão há-de o Estado sobrecarregar-se com a sua educação? Não seria melhor deixar morrer esses galhos quase secos, para que a seiva afluísse mais abundante, para os galhos sãos?

Se algum dia esse pensamento conquistar o mundo, os casos como o do Sr. Sullivan serão numerosíssimos.»

Nesse dia, a Igreja certamente já terá voltado para as catacumbas. E, no Brasil, as pessoas do povo matarão os seus filhos, nunca a conselho médico, mas por indicação de (satanistas)…»


[i] https://br.sputniknews.com/sociedade/20160917/6344864/eutanasia-crianca-belgica.html – acessado em 20 de Setembro de 2016.

[ii] http://www.lifenews.com/2016/09/19/first-child-dies-after-belgium-approves-measure-allowing-doctors-to-euthanize-children/ – acessado em 20 de Setembro de 2016.






quarta-feira, 21 de setembro de 2016


Paulo Vieira da Silva:

menos um socialista dentro do PSD


Heduíno Gomes

Tem sido noticiada e divulgada uma carta de demissão de um membro do PSD, o autêntico social-democrata Paulo Vieira da Silva.

Ao deparar com tamanha adversidade, resolvi ler o ameaçador texto da «demarcação» de  Paulo Vieira da Silva com o laranjal.

Queixa-se, e com razão, de algumas maleitas do PSD, nomeadamente de algumas políticas liberais, que já conhecemos.

Verifiquei então que o homem apresenta várias referências tais como Bernstein, Willy Brandt, Anthony Giddens (para quem não o conhece: sociólogo inglês dos invertidos), Helmut Schmidt,  Olof Palme...

Percebo então que o homem é ainda um verdadeiro social-democrata, com todas as letras, em 2016.

Apesar de, lamentavelmente, não apresentar outras referências da social-democracia, como, por exemplo, o fundador da própria teoria, Karl Marx (que, aliás, não gostava que assim chamassem à sua teoria), ou Vladimir Ilitch Ulianov, dito Lenin, o chefe do famoso Partido Operário Social-Democrata da Rússia, fiquei tranquilo com tanta social-democracia, pois coisa que não sou é social-democrata. Já fui, já, há muito. Mas curei-me.

Resumindo, fico contente pois, como dizia um dos famosos citados, «o partido reforça-se depurando-se dos elementos oportunistas». É menos um social-democrata, isto é, socialista, que temos de aturar dentro do PSD.






As opções políticas e morais de Bergoglio


«Momento triste» ou de alívio no Brasil?


Entre os brasileiros, o alívio ocorreu porque o impeachment de Dilma significou uma interrupção
de 13 longos anos de hegemonia do PT, durante os quais a esquerda governante promoveu no Brasil uma destruição sem precedentes do ponto de vista moral, político e económico.

Adaptado de Gonzalo Guimarães

Uma carta particular do Papa Francisco chegou às mãos da presidente Dilma Rousseff poucos dias antes de seu impeachment pelo Senado Federal. A missiva também chega num momento em que o PT naufraga no descrédito, na corrupção e no seu fanatismo ideológico pró-castrista.

Não foi em vão que a revista esquerdista «Carta Capital» comentou: «Qualquer um percebe que se trata de um apoio» do Pontífice a Dilma Rousseff. O Papa Francisco, talvez não satisfeito apenas com esse apoio, declarou que o Brasil está passando por um «momento triste».

Estas são as opções políticas e morais do «misericordioso» Bergoglio.

Esta é a «misericórdia» de Bergoglio.

Confirma-se.






A anormalidade da seita

da ideologia do «género»


https://www.youtube.com/watch?v=6BpN1aGIP08






terça-feira, 20 de setembro de 2016


A verdadeira origem das divisões na Igreja


Roberto De Mattei

Na estratégia de comunicação da Santa Sé, fica-se com a impressão de que se misturam informações, desinformações, verdades, meias verdades e até mentiras. A história da Igreja é escrita por entrevistas, discursos improvisados, artigos em blogs para-oficiais, indiscrições mediáticas, deixando o campo aberto a todas as interpretações possíveis e dando origem à suspeitade que a confusão é planejada.

Ettore Gotti Tedeschi
Dois exemplos recentes. O primeiro diz respeito à destituição, em 2012, do presidente do Istituto per le Opere di Religione-IOR [o «Banco do Vaticano»], Ettore Gotti Tedeschi (foto). No derradeiro livro de Bento XVI, as Últimas conversas com Peter Seewald, o «Papa emérito» assume a responsabilidade pela remoção de Gotti Tedeschi, devido, segundo ele, à necessidade de «renovar os líderes» do Banco Vaticano. Mas o secretário  do Papa demissionário, Mons. Georg Gänswein, havia declarado anteriormente que o mesmo Bento XVI não havia tido conhecimento dessa destituição e «ficou surpreso, muito surpreso pelo acto de retirada da confiança ao professor». Andrea Tornielli referiu-se a isso num artigo de 22 de Outubro de 2013, intitulado Bento XVI ficou muito surpreso com a demissão de Gotti Tedeschi. Em 9 de Setembro de 2016, o mesmo vaticanista, sem reparar a contradição, apresenta a nova versão, com o título Ratzinger: foi minha a ideia de mudar os dirigentes do IOR em 2012. Qual é a verdade? Por certo alguém está mentindo e a confusão permanece.

Mais grave é o segundo caso. Em 5 de Setembro, o site Infocatolica publicou uma carta enviada pelo Papa Francisco aos bispos da região pastoral de Buenos Aires, em resposta ao documento Criterios básicos para la aplicación del capítulo VIII de Amoris laetitia. Neste documento, que visa proporcionar ao clero portenho alguns critérios relativos ao oitavo capítulo da exortação, os bispos argentinos afirmam que, com base na Amoris laetitia, os divorciados recasados podem ter acesso à comunhão sacramental, mesmo quando convivem more uxorio, sem a intenção de praticar a castidade. O Papa Francisco manifestou o seu apreço por essa directiva, escrevendo aos prelados que «o texto é muito bom e explica de modo excelente o capítulo VIII da Amoris laetitia. Não há outra interpretação. E estou certo de que fará muito bem». Abriram-se de imediato as polémicas e a carta pontifícia desapareceu misteriosamente do site. Tanto é assim que muitos duvidaram da sua existência, até que o L’Osservatore Romano confirmou a sua autenticidade.

«Não há outra interpretação». A posição do Papa Francisco sobre os divorciados recasados, já expressa no voo de regresso da ilha de Lesbos, neste ponto parece definitivamente clara. Mas se esta é a sua opinião, porque não exprimi-la de forma clara e explícita, em vez de confiá-la a uma nota de rodapé na Amoris laetitia e a uma carta privada que não vai ser publicada? Será talvez porque da primeira forma a contradição com o Magistério perene da Igreja seria pública e formal, enquanto se quer chegar a mudar a doutrina da Igreja de modo ambíguo e sub-reptício?

A impressão é de que estamos diante de uma manipulação das informações, o que  produz no seio da Igreja precisamente aquelas tensões e divisões que o Papa lamentou no seu discurso em Santa Marta no  dia 12 de Setembro: «Divisões ideológicas, teológicas, que laceram a Igreja. O diabo semeia ciúmes, ambições, ideias, mas para dividir (…). As divisões fazem com que se veja esta parte, essa outra parte contra esta e… Sempre contra! Não é o óleo da unidade, o bálsamo unidade».

As divisões, no entanto, nascem da linguagem ambígua do demónio e são vencidas principalmente pela verdade, a verdade da fé e da moral, mas também pela rectidão da linguagem e do comportamento, o que significa renúncia a toda mentira, falsificação ou reticência, seguindo o ensinamento do Evangelho: «Seja a vossa palavra sim, sim; não, não; o que não for isso vem do Maligno» (Mt 5, 37).






Uma semana em Portugal


Alberto Gonçalves, Diário de Notícias, 18 de Setembro de 2016

Uma das gémeas Mortágua, família cuja notoriedade define o país, mostrou quem realmente governa isto e anunciou um novo imposto sobre o património imobiliário («para apanhar quem escapa ao IRS»).

O PCP, que em matéria de assaltos não gosta de ficar à porta e invade furioso a horta, quer alargar o imposto ao património mobiliário, ou seja colocar a mão literalmente na massa.

A CGTP, que lutou pela «escola pública» (?), luta agora pelos trabalhadores despedidos dos colégios privados que se empenhou em fechar.

O secretário de Estado que viajou à conta da GALP não se demite do cargo mas demite-se de tutelar a GALP.

O Presidente dos «afectos» ouviu um par de «homólogos» estrangeiros jurarem-lhe pela pujança da economia indígena e não percebeu o sarcasmo.

O — passe a expressão — primeiro-ministro exibiu o imaginário que lhe habita a cabecinha e, em momento de típica erudição, sugeriu a Pedro Passos Coelho que vá caçar Pokémons.

O — desculpem o termo — ministro das Finanças, que cá dentro compete em boa disposição com o dr. Costa, andou lá fora a jurar que trabalha imenso para evitar um segundo «resgate», que na verdade seria o quarto.

Os portugueses que ainda não enlouqueceram já nem duvidam da necessidade do resgate, mas duvidam que o tenhamos quando precisarmos dele. O problema é que os portugueses que ainda não enlouqueceram são uma minoria de resistentes. E um problema maior é que, aos poucos, a resistência perde razão de ser: a cada semana, o ambiente em curso convida à resignação e ao abandono. De acordo com as sondagens, cinquenta e tal por cento dos cidadãos registam os sinais e acham que a coisa vai no bom caminho.

No meio da desagregação geral, a opinião publicada aflige-se com a entrevista de um juiz (pretexto para exaltar o eng. Sócrates), as memórias de um antigo assessor (pretexto para criticar Cavaco) e os mexericos do arq. Saraiva (pretexto para demolir Passos Coelho). Portugal é uma casa em chamas onde os moradores só se preocupam com a fechadura que range. Não tarda, estamos a olear a porta reduzida a cinzas. E a culpar a «direita», a «Europa» e a Via Láctea pelos estragos. A Via Láctea não é nossa amiga.





segunda-feira, 19 de setembro de 2016


As perseguições mafiosas

ao juiz Carlos Alexandre


António José Vilela e Fernando Esteves, Sábado, 26 de Março de 2015


O juiz de instrução Carlos Alexandre não tem tido uma vida fácil. Nos últimos 10 anos, já o ameaçaram, invadiram-lhe a casa, tentaram atropelar-lhe a mulher e agora envenenaram-lhe o cão.

O animal de nome Bart, que lhe tinha sido oferecido pelo procurador João de Melo, morreu envenenado com remédio dos ratos. Durante semanas, o cão agonizou e acabou por morrer na semana passada. Suspeita-se que alguém tenha atirado para o quintal da casa do juiz um alimento misturado com veneno para ratos.

Estes casos já não são estranhos para o magistrado judicial que há mais de 10 anos lida com os processos mais complexos relacionados com criminalidade violenta e económico financeira. Quando estava colocado na Polícia Judiciária Militar, Carlos Alexandre chegou a ser ameaçado e temeu até ser agredido dentro das instalações daquela força policial que dependia hierarquicamente do ministro da Defesa Nacional. Na altura, Paulo Portas era o titular do cargo e o juiz tinha ordenado que o seu chefe de gabinete fosse colocado sob escuta por causa de um alegado negócio de compra de material militar.

Mais tarde, já colocado no Tribunal Central de Instrução Criminal,  invadiram-lhe a residência e deixaram-lhe uma velha pistola à vista que estava guardada numa gaveta. O juiz achou que se tratava de um aviso. Apesar de ter segurança 24 horas por dia, outros dois acontecimentos viriam a deixá-lo bastante preocupado, sobretudo porque em causa esteve a mulher Felisbela, que terá sido objecto de duas tentativas de atropelamento quando passava numa passadeira para peões.

Agora foi a vez do cão da família.