quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
Nos seus 80 anos,
Bergoglio mais desmascarado
OS OITENTA ANOS DO PAPA FRANCISCO
80.º aniversário: Ingravescentem aetatem (idade avançada), conforme a define Paulo VI no motu proprio de 21 de Novembro de 1970, cuja chegada impõe a todos os cardeais abandonar os seus cargos, tirando-lhes até o direito de entrar no conclave. Paulo VI estabeleceu a regra para criar uma nova cúria «montiniana», mas introduziu assim uma profunda contradição no âmago de uma prática mais do que milenar da Igreja. Porque se a idade é obstáculo para a condução de uma diocese ou de um dicastério, e até mesmo impede um cardeal de eleger um Papa, como se pode imaginar que, completados oitenta anos, possa um cardeal que se tornou Papa suportar o peso de guiar a Igreja universal?
Não são essas, contudo, as considerações que levaram o Papa Francisco a declarar em 12 de Dezembro: «Eu tenho a sensação de que o meu pontificado será breve, 4, 5 anos.[…]Talvez não, mas tenho a sensação de que o Senhor me colocou aqui por pouco tempo. Mas é um sentimento, por isso deixo sempre a possibilidade aberta». A verdadeira razão de uma possível abdicação parece ser não um enfraquecimento das forças, mas a consciência do Papa Bergoglio de
ter-se embrenhado, menos de três anos após a sua eleição, naquilo que foi definido por Antonio Socci no «Libero» como o inexorável «crepúsculo de um pontificado» (20 de Novembro de 2016).
O projecto do Papa Francisco de «reformar» a Igreja com a ajuda do Sínodo dos Bispos e de colaboradores dóceis enguiçou, e o balanço do Jubileu foi mais do que decepcionante. «O Papa Francisco fechou a porta santa, mas a sua mensagem é acompanhada pelo ruído de uma crise subterrânea. Uma guerra civil está em curso na Igreja», escreveu Marco Politi em «Il Fatto quotidiano» (21 de Novembro de 2016). O conflito foi aberto, premeditadamente ou não, pelo próprio Papa Francisco, especialmente após a exortação Amoris laetitia, e hoje a Igreja não avança, mas afunda numa terra sulcada pelas fissuras de profundas divisões.
Alguém comparou o fracasso do pontificado do Papa Francisco ao de Barack Hussein Obama. Em três anos consumou-se em Roma aquilo que em Washington tardou oito anos: a passagem da euforia da primeira hora à depressão final, pelo fracasso total dos objectivos almejados.
Mas seria errado ler o pontificado do Papa Francisco em termos puramente políticos. Ele nunca poderia pronunciar o «yes, we can» de Obama. Para um Papa, diferentemente de um político, nem tudo é possível. O Sumo Pontífice tem poder supremo, pleno e imediato sobre toda a Igreja, mas não pode alterar a lei divina que Jesus Cristo deu à Igreja, nem a lei natural que Deus inscreveu no coração de cada homem. É o Vigário de Cristo, mas não o seu sucessor. O Papa não pode mudar as Sagradas Escrituras, nem a Tradição, que são a regra remota da fé da Igreja, mas deve submeter-se a elas.
É este o impasse diante do qual se encontra hoje o Papa Bergoglio.
Os «dubia» apresentados pelos quatro cardeais (Brandmüller, Burke, Caffara e Meisner) à Congregação para a Doutrina da Fé colocaram-o num beco sem saída. Face ao teor da Exortação Apostólica Amoris laetitia, os cardeais pedem ao Papa para responder claramente com um sim ou com um não às seguintes questões: os divorciados que voltaram a casar no civil e não querem abandonar a situação objectiva do pecado em que se encontram têm o direito a receber o Sacramento da Eucaristia? E, de modo mais geral: a lei divina e natural ainda é absoluta, ou em alguns casos permite excepções?
A resposta atinge os fundamentos da moral e da fé católica. Se aquilo que era verdade ontem não o é hoje, aquilo que é verdade hoje poderia não sê-lo amanhã. Mas caso se admita que a moralidade pode sofrer uma mutação de acordo com os tempos e as circunstâncias, a Igreja está destinada a afundar-se no relativismo da sociedade fluída dos nossos dias. Caso contrário, será então preciso remover o cardeal Vallini, Vigário de Roma, que na sua exposição durante o encontro da Conferência Pastoral da diocese do Papa, em 19 de Setembro, disse que os divorciados novamente casados podem ser admitidos à comunhão, de acordo com um «discernimento que distinga adequadamente cada caso». A sua posição foi adoptada em 2 de Dezembro pelo jornal Avvenire, órgão da Conferência Episcopal Italiana, segundo o qual as disposições de Amoris laetitia eram «palavras muito claras sobre as quais o Papa colocou o seu imprimatur».
Mas pode o Papa atribuir ao «discernimento» dos pastores o direito de quebrar a lei divina e a lei natural das quais a Igreja é a guardiã? Se um Papa tentar mudar a fé da Igreja, ele renuncia explícita ou implicitamente ao seu mandato como Vigário de Cristo e, mais cedo ou mais tarde, será obrigado a renunciar ao pontificado. A hipótese de uma reviravolta como esta não pode ser excluída no decurso de 2017. A abdicação voluntária tornaria possível ao Papa Francisco abandonar o campo como um reformador incompreendido, imputando à rigidez da Cúria a responsabilidade pelo seu fracasso. Se isso vier a acontecer, é mais provável que ocorra após o próximo Consistório, que permita ao Papa Bergoglio introduzir no Sacro Colégio um novo grupo de cardeais próximos dele, para influenciar a escolha do seu sucessor. A outra hipótese seria a de uma correcção fraterna da parte dos cardeais, a qual, uma vez tornada pública, equivaleria a uma constatação do erro ou heresia.
Nada de mais errado, em qualquer caso, do que as palavras do cardeal Hummes: «São quatro cardeais. Nós somos duzentos». Além do facto de que a fidelidade ao Evangelho não se mede de acordo com critérios numéricos, os duzentos cardeais aos quais se refere o cardeal Hummes nunca se distanciaram dos seus quatro confrades, mas com o seu silêncio de algum modo tomaram distância do Papa Francisco. As primeiras declarações de apoio aos dubia, tanto pelo cardeal Paul Josef Cordes, ex-presidente emérito do Pontifício Conselho Cor Unum, quanto pelo Cardeal George Pell, Prefeito da Secretaria para a Economia, são significativas. Alguns já começam a quebrar o silêncio. Não são duzentos, mas são certamente mais de quatro.
domingo, 18 de dezembro de 2016
A falsidade herética vestida de branco
Nuno
Serras Pereira, 12.12.2016
Pouco
depois do início, deu a entender que não era vigário de Cristo,
mas sim Seu sucessor, para agora se arrogar como maior do que o
próprio Redentor. Quando Jesus Cristo diz no
Evangelho que não veio fazer a Sua vontade mas sim a do Pai que
O enviou, deve-se interpretar, seguindo a Mentira vestida de branco, que,
de facto, não veio fazer a Sua vontade mas a do Papá vestido de
branco, que apareceria alguns séculos mais tarde.
Autocrata
singular, experimentado em simulações astutas, pronto na calúnia, especialista
em ilusionismo, soberbo da sua publicitada humildade, todo dedicado aos corpos,
e excepcional envenenador das almas.
É
isto que por agora temos. Vede bem se não precisamos
urgentemente de penitência e oração para esconjurar e exorcizar este mal atroz
e tremendo que se abateu calamitosamente sobre as comunidades dos
crentes, que andam abocados e espavoridos como ovelhas perseguidas
por uma alcateia.
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Consenso científico sobre aquecimento global
tem pés de barro
![]() |
| Pânicos ideologicamente
enviesados e não ciência constituem a base do falso «consenso científico» sobre o aquecimento global |
Luis Dufaur,
IPCO,
Impor «soluções» drásticas
porque 97% dos cientistas diz que virá um cataclismo universal se não são
implementadas logo, aqui e agora sem ouvir outra opinião: esse é um dos mais
arrogantes sofismas do alarmismo em favor do «aquecimento global».
Porém, a alegação é patentemente falsa segundo
demonstraram no The Wall Street Journal Joseph Bast, presidente do Heartland Institute e o Dr. Roy
Spencer, da universidade de Alabama – Huntsville e pesquisador líder no Advanced Microwave Scanning Radiometer do NASA’s
Aqua satellite há
já alguns anos.
Estudaram três fontes principais dessa alegação e
concluíram que estavam repletas de erros e tinham origens de escasso valor.
1. Em 2009, a universidade
de Illinois consultou os seus estudantes perguntando se «as temperaturas
globais tinham aumentado por uma contribuição significativa do factor humano».
Ninguém se espantou com o resultado: 97%
respondeu «sim», posta a pressão propagandística e o risco da nota baixa.
Mas só 79 cientistas
aceitaram responder à pergunta que tinha um viés tendencioso. Não é fonte para
uma informação apresentada como definitiva até em discursos do presidente
Obama!
2. Em 2010, um estudante da
universidade de Stanford Califórnia, escreveu que entre 97% e 98% dos «mais fecundos postuladores da mudança
climática» acreditavam que «os
gases estufa de origem humana foram responsáveis pela maior parte do ‘incontestável’ aquecimento».
Na realidade, só consultou a opinião de 200
especialistas quando estes se contam por milhares. Mais uma fonte de ínfima
atendibilidade.
3. Em 2013, o blogista John
Cook definiu que 97% das ementas (abstracts)
dos estudos «peer-reviewed» mostravam acreditar que
a «actividade humana é responsável por algum tipo de aquecimento».
Porém um estudo mais exaustivo do trabalho de
Cook mostrava que só 0,3% dos 11 944 trabalhos que ele dizia ter examinado
concluíam que a «actividade humana está a causar a maior parte do actual
aquecimento». Nota zero.
![]() |
| Pelo menos 31 072 cientistas americanos
pediram por escrito ao governo recusar o falso «consenso» sobre o aquecimento global |
O facto é que está cheio de cientistas, meteorologistas e
investigadores que não acreditam que a actividade humana esteja superaquecendo
o planeta.
Só 39,5% dos 1 854 membros da American Meteorological Society que
responderam a uma pesquisa análoga em 2012 disseram que o calor gerado pela actividade
humana possa ser perigoso.
Finalmente, o famigerado Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) da ONU,
reclamou falar em nome de 2 500 cientistas embora muitos deles terem desmentido
ter assinado o documento ou mesmo terem sido consultados.
Mas o IPCC escreveu um relatório de repercussão
mundial que todos estes cientistas afirmam que «está a acontecer uma
interferência humana no sistema climático e que a mudança climática representa
riscos para o meio ambiente».
Em sentido contrário, o
Petition Project, grupo de físicos e químicos sediado em La Jolla, Califórnia,
recolheu muitas mais assinaturas — mais de 31 000 (mais de
9 000 delas com o título de Ph.D.), num apelo a defender a posição oposta.
9 000 delas com o título de Ph.D.), num apelo a defender a posição oposta.
O abaixo-assinado foi republicado em 2009, e a
maioria dos assinantes reafirmou ou mesmo ampliou a sua adesão à primeira
versão do apelo.
A petição sustenta que «não há provas
científicas convincentes de que a libertação pelos humanos de CO2, metano ou
algum outro gás estufa esteja a causar, ou possa vir a fazê-lo, num futuro
previsível, um aquecimento catastrófico na atmosfera da Terra e uma perturbação
do clima do planeta».
Os doutores Joseph Bast e Roy Spencer avaliando
todos esses «pro» e «contra» concluíram com uma clareza de entrar pelos olhos
que não há «consenso» entre os cientistas a respeito da existência de um
aquecimento global de origem humana do qual possa advir alguma catástrofe.
O mais vergonhoso foi que cientistas alarmistas
percebendo que não tinham como fundamental na ciência as suas pretensões em
matéria de aquecimento climático, começaram a falsificar os dados nos
laboratórios.
O mais rumoroso e infame escândalo ficou
conhecido como «Climate-Gate». Nele, foram interceptados e-mails de renomados cientistas a
combinar como esconder a falta de «aquecimento global» porque os dados não
batiam com o que eles queriam.
A imensa NASA também teve cientistas infiéis que
cozinharam os registos em 2007. Diziam que o ano mais quente do século
aconteceu em 1934 quando o alarmismo postula que estamos a aquecer mais e mais
e nessa data o mais tórrido ano teria sido o de 1998.
Então recalcularam os registos para que
parecesse que 1998 tinha sido o mais quente nos seus livros até essa data.
O Prémio Nobel Ivar Giaever esmaga o «aquecimento
global» no Council for the Lindau Nobel Laureate Meeting, 1.º de Julho de 2015.
«A BARCA DE PEDRO AVANÇA
PERIGOROSAMENTE À DERIVA»
24 sacerdotes e académicos católicos
assinam carta de apoio aos cardeais
que questionam Bergoglio
InfoCatólica, 10 de
Dezembro de 2016
Un
grupo de sacerdotes y académicos católicos ha hecho pública una carta de apoyo
a los cardenales Burke, Meisner, Caffarra y Brandmüller, tras las críticas
recibidas desde diversos sectores de la Iglesia por haber hecho públicas las
preguntas – dubia – que enviaron al Papa sobre el cap. VIII de Amoris Laetitia.
Los
firmantes de la carta manifiestan que «como pastores de almas e intelectuales
católicos, deseamos expresar nuestra profunda
gratitud y pleno apoyo a la valiente iniciativa de
cuatro miembros del Colegio Cardenalicio, Sus Eminencias Walter Brandmüller,
Raymond Leo Burke, Carlo Caffarra y Joachim Meisner».
Tras
manifestar el sentido de la iniciativa de los cardenales, los firmantes
reconocen que han «leído los intentos de Christoph Cardenal
Schӧnborn y del Profesor Rocco Buttiglione de interpretar la exhortación apostólica según una «hermenéutica de
la continuidad», pero añaden que, «a nuestro juicio no han
conseguido demostrar su tesis fundamental,
según la cual los elementos novedosos contenidos en AL no ponen en peligro la
ley divina».
Al
citar el artículo del profesor Pierantoni sobre la crisis arriana, recuerdan que entonces «la
gran mayoría de los obispos, entre ellos incluso el Sucesor de Pedro, vacilaron
acerca de la cuestión de la Divinidad de Cristo.
Muchos no cayeron plenamente en la herejía; sin embargo, desarmados por la
confusión o debilitados por la pusilanimidad, buscaron fórmulas de compromiso
fácil en aras de la «paz» y la «unidad» .Y opinan que:
«Hoy en
día asistimos a una crisis metastásica semejante, que
en esta ocasión afecta a aspectos fundamentales de la vida cristiana. Se
continúa rindiendo un tributo simbólico a la indisolubilidad del matrimonio, el carácter de pecado grave objetivo de la fornicación, el adulterio
y la sodomía, la santidad de la Sagrada Eucaristía y la terrible realidad del
pecado mortal. Pero en la práctica, un número creciente de
eminentes prelados y teólogos están menoscabando o negando de hecho estos dogmas – y por ende, la existencia de prohibiciones sin excepciones en la
ley divina sobre el comportamiento sexual – en virtud de su énfasis exagerado y
unilateral en la «misericordia», el «acompañamiento pastoral» y las
«circunstancias atenuantes».
Igualmente
creen que «con el Pontífice reinante,
la trompeta emite ahora un sonido muy incierto en esta batalla contra
los «principados y potestades» del enemigo, de forma que la barca de Pedro avanza peligrosamente a la deriva como un navío sin
timón e incluso muestra síntomas de una
«desintegración incipiente» y por ello advierten que todos los obispos tienen el deber de defender la doctrina católica.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
A BBC vê-se obrigada a corrigir e a reconhecer
que ocultou a oposição da Igreja católica
contra Hitler
Javier Lozano, Religionenlibertad, 10 de
Dezembro de 2016
La BBC ha reconocido que en
sus emisiones se ha silenciado y subestimado el papel de oposición que tuvo la
Iglesia Católica contra Hitler. Lo ha hecho el organismo
de control interno de la cadena pública británica que tras varias denuncias ha
confirmado que el acusar a la Iglesia de no haber dicho y hecho nadan frente al
Holocausto fue un error.
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| La BBC ha tenido que rectificar y ahora reconoce que la Iglesia ayudó a los judíos durante el nazismo |
La polémica surgió durante
la Jornada Mundial de la Juventud en Polonia cuando el Papa Francisco visitó el campo de concentración de Auschwitz. En el boletín de noticias de la BBC de ese día,
concretamente en el de la tarde, se informó que «el
silencio fue la respuesta de la Iglesia Católica cuando la Alemania nazi
demonizó al pueblo judío y luego trató de eliminar
los judíos de Europa».
Una queja oficial a la BBC
que ha prosperado
El miembro de la Cámara de
los Lores, el católico Lord Alton de
Liverpool y el monje benedictino Leo Chamberlain, exdirector de la
Universidad de Ampleforth, presentaron una queja oficial ante esta información
que consideraban que manipulaba y desinformaba a la ciudadanía.
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| El
Papa Francisco visitó conmovido el campo de Auschwitz durante la JMJ de Cracovia el pasado verano |
La BBC reconoce que su
información fue injusta
Casi seis meses después de
que se presentara, la unidad de la BBC encargada de gestionar las quejas por la
línea editorial de la cadena pública británica ha
concluido que dicha información era realmente injusta.
Según el informe realizado por esta
unidad, el reportero de la BBC «no dio la debida importancia a las
declaraciones públicas de los sucesivos papas o los esfuerzos realizados por
encargo de Pio XII para rescatar judíos de la persecución nazi, y se
perpetúa así una visión que está en contradicción con la verdad».
Los verdaderos datos
históricos
En un artículo en su blog que recoge Catholic Herald, Lord Alton criticaba la
información que emitió la BBC y recordaba que son varios los
historiadores que han elogiado los logros conseguidos por Pio XII, el
Pontífice al que le tocó vivir la Segunda Guerra Mundial, en la lucha contra el
nazismo.
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| Lord Alton, miembro del
Parlamento británico, se ha mostrado muy crítico con la cobertura de la BBC |
Pio XII, salvador de
numerosos judíos
Concretamente citaba a Pinchas
Lapide, historiador y diplomático israelí que dijo que Pio
XII «jugó un papel decisivo en la salvaguarda de al menos 700.000 judíos, pero probablemente fueron un máximo de 860.000 judíos
que fueron salvados de una muerte segura a manos de los nazis».
Del mismo modo, a través de su red diplomática la Santa Sede ayudó a miles de judíos a
salir de Europa del Este para que pudieran estar a
salvo. Y en Hungría, por ejemplo, se emitieron numerosas partidas de bautismo a
judíos de aquel país para ayudarles a escapar. Todo ello, sin contar la gran
cantidad de judíos que fueron escondidos por la Iglesia dentro del Vaticano.
También fueron muchos
católicos, desde obispos a granjeros, que se opusieron al nazismo y que
acabaron siendo asesinados por no
plegarse a la ideología totalitaria ni renunciar a su fe.
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| Pio
XII ayudó a salvar a numerosos judíos e incluso en tres ocasiones intentó que se derrocara a Hitler |
¿Un documental que corrija
las mentiras vertidas?
Ante todos estos
datos, Lord Alton ha pedido a la BBC un nuevo
documental que muestre la verdad y corrija las caricaturas distorsionadas y
«hechas con medias verdades y mentiras».
Por su parte, la cadena ha asegurado que ha informado a los reporteros
que hicieron dicha información sobre sus errores para que lo tengan en cuenta
en coberturas futuras y así «reflejen mejor la historia».
O lóbi homossexualista no ministério da Educação
O grande educador sexual
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A chamada «educação sexual»: preparação ideológica
para a
pedofilia e para a
homossexualidade.
|
Inês
Teotónio Pereira, Diário de Notícias, 10 de Dezembro de 2016
Já no próximo ano lectivo, uma criança com 5 anos pode
aprender educação sexual no pré-escolar através de temas pedagógicos como este:
«Desenvolver uma atitude positiva em relação ao prazer e à sexualidade.» Cinco
anos.
Já aos 10 é possível assistirem a aulas sobre
contraceptivos e aborto. Dez anos. Não sei porquê mas em Portugal convive-se
bem com o conceito do Estado Grande Educador: não aflige ninguém que o Estado
nos entre pela casa dentro e imponha como é que os nossos filhos devem ser
educados. Não é quais as competências que as crianças devem adquirir a
Matemática, Geografia ou Português. Isso é fascismo. Não, é mesmo o que eles
devem pensar, como devem ser formados. Imaginem que há por aí famílias que só
querem explicar aos filhos o que é o aborto depois de eles saberem como nascem
os bebés? Um perigo. Ora, na dúvida sobre quem são os pais, o Estado
antecipa-se através dos bancos da escola a educar os filhos segundo os cânones
de directores-gerais de Educação e técnicos que lhes vão recarregando as armas
com relatórios e estudos. Mas ninguém se chateia.
O conteúdo do documento intitulado Referencial da Educação para a Saúde e o facto de ainda ninguém ter
invadido o Ministério da Educação como consequência lógica deste documento é
prova dessa indiferença. Se fosse eu a entrar em casa da minha vizinha para
explicar à sua filha de 10 anos a diferença entre a interrupção voluntária da
gravidez e a não voluntária ou a dinâmica positiva do prazer e da sexualidade,
acredito que a minha vizinha chamasse a polícia. E bem. Mas, se for a
professora de ciências, não faz mal nenhum. Afinal, ela está apenas a educar
para a saúde.
Um Estado socialista
como o nosso vai até onde o deixam ir e com a convicção perigosa de quem se
acha mais habilitado do que os pais para educar os filhos. Seja em educação
sexual, alimentação, religião ou laicidade. Um Estado como o nosso não toca à
campainha para entrar em nossa casa. Entra. E é isto o mais sinistro do
documento referencial: o abuso. É que estas são portas que não se abrem a
estranhos e muito menos à figura abstracta que é o Estado.
domingo, 11 de dezembro de 2016
domingo, 4 de dezembro de 2016
Anticomunista, graças a Deus
P. Gonçalo Portocarrero de Almada, Observador, 3 de Dezembro de 2016
Os regimes não se medem pelas suas belezas retóricas mas pelas suas
obras. O sonho revolucionário de Fidel, um terrível pesadelo para os cubanos,
não o exime das atrocidades perpetradas pelo castrismo.
Apesar de esperada, a morte de Fidel Castro foi uma notícia
surpreendente. Talvez porque a invulgar resistência do ancião guerrilheiro
tivesse levado a crer que alcançara, como os antigos deuses, o dom da
imortalidade. Mas, humano como era, embora não muito, Fidel também tinha os
seus dias contados e, a estas horas, já prestou contas ao Criador. Paz à sua
alma e, já agora, à nossa também. A sua morte não significa, para o seu país, o
fim do comunismo mas, desaparecido o ditador, está mais próxima a tão desejada
libertação de Cuba. Neste sentido, é um sinal de esperança.
Apesar de decorrida uma semana sobre a sua morte, continuam as
inevitáveis reacções à sua vida e acção política, em catadupa de declarações
mais ou menos hipócritas, ou mais ou menos comprometedoramente envergonhadas. É
sabido que, no que se refere aos ditadores falecidos, a esquerda é como aquele
detergente que lava duas vezes mais branco. A imprensa, enquanto por um lado
diaboliza Adolf Hitler e Augusto Pinochet; pelo outro absolve e idealiza as
atrocidades de Che Guevara e de Fidel Castro … enfim, o costume.
Não vale a pena insistir nas atrocidades protagonizadas por Fidel
Castro, ou por ele consentidas, porque são já sobejamente conhecidas e foram,
em sua vida, denunciadas pelos Repórteres sem Fronteiras (O livro negro de
Cuba, prefácio e introdução de José Manuel Fernandes, Aletheia, 2005). Mas
vale a pena retirar uma conclusão a que nem todos se atrevem: a natureza
essencialmente antidemocrática da ideologia comunista.
Há quem distinga a teoria da prática comunista: desculpam a realidade
ditatorial dos regimes comunistas, à conta do alegado altruísmo do
marxismo-leninismo. Uma atitude tão incoerente como seria condenar Hitler, mas
ressalvando o nacional-socialismo. Os regimes políticos não se medem pelos seus
encantos retóricos, mas pelas obras. O indiscutível ideal patriótico de Hitler
não o desculpa dos crimes do nazismo, do mesmo modo como o sonho revolucionário
de Fidel, que foi um terrível pesadelo para milhares de cubanos, o não exime
das atrocidades perpetradas pelo castrismo. Como se costuma dizer, de boas
intenções está o inferno cheio.
O nazismo não foi apenas um fracasso político mas, sobretudo, uma
aberração ideológica. O comunismo não é apenas uma prática que nunca resultou,
nem sequer economicamente, mas também uma ideologia intrinsecamente contrária à
liberdade e à dignidade humana. Ou seja, não se pode ser comunista e democrata,
nem humanista, como aliás a história não se cansa de provar e a trágica vida de
Fidel Castro, mais uma vez, confirmou. Considerar o marxismo-leninismo como um
regime democrático é já um embuste da propaganda comunista.
Mas mesmo sabendo, como ninguém minimamente honesto pode hoje ignorar,
que o comunismo é uma ideologia per se antidemocrática, poucos são os que ousam
dizê-lo. Todos os democratas são unânimes em excluir, em absoluto,
qualquer regime fascista ou nazi mas, paradoxalmente, alguns ainda toleram o
comunismo, que é analogamente antidemocrático. Ninguém tem qualquer pejo em se
afirmar, sem tibiezas, antifascista, mas – muito embora seja evidente que um
verdadeiro democrata não pode, sem cair em contradição, deixar de ser
anticomunista – poucos são os que têm a coragem de o assumir. Quanto muito,
alguns mais afoitos dirão que não são comunistas, ou que são não comunistas,
mas não anticomunistas, porque uma tal afirmação parece relevar radicalismo e
cheira a extremismo fascista, ou coisa que o valha. Contudo, o mesmo não se
verifica quando alguém se define, sem rebuço, como antifascista, ou antinazi…
Marx e Engels invocaram a história como o garante da inevitabilidade das
suas previsões políticas e económicas, mas a história não só não confirmou os
seus prognósticos como os desmentiu categoricamente. Mais ainda, a história
veio dar razão ao juízo profético da Igreja católica que, pela encíclica Qui
pluribus, já em 1846 condenou o comunismo, precisamente por ser contrário à
liberdade humana, à justiça social e ao bem comum.
Pio IX e de todos os papas que lhe sucederam e que também condenaram, sem cobardes ambiguidades, o comunismo. Se se tivesse feito caso ao magistério da Igreja, hoje ninguém deploraria os muitos milhares de vítimas de meio século de ditadura comunista em Cuba. E, no mundo inteiro, haveria menos cem milhões de vítimas a lamentar.
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Porque Cuba se chama Cuba
Heduíno Gomes
D. João II, através de navegações secretas, havia ficado a conhecer a
geografia e verificou que o Tratado de Alcáçovas não nos convinha nada...Então,
para convencer os reis de Espanha a aceitar o Tratado de Tordesilhas, precisava
de fazê-los acreditar que poderiam chegar à Índia navegando para Ocidente.
Tratou pois de enviar o seu primo Salvador Fernandes Zarco como espião
junto dos reis de Espanha, e montar assim a primeira grande operação de
desinformação à escala global que deixa os especialistas do KGB a léguas de
distância...
Salvador Fernandes Zarco era filho de D. Isabel Perestrelo (filha do
descobridor da Madeira) e de D. Fernando, Duque de Beja (este era irmão de D.
Afonso V, e tio de D. João II, e pai da Rainha D. Leonor e do D. Manuel I).
Portanto, Salvador Fernandes Zarco era primo de D. João II e meio-irmão da
Rainha D. Leonor e do D. Manuel I.
Então lá vai o Salvador a caminho da corte de Espanha, com as tábuas de
Abraão Zacuto no bolso (informação científica altamente secreta que D. João II
lhe deu para se orientar correctamente no Atlântico), dizendo ser genovês e
chamar-se Cristovão Colon e a vender a ideia de chegar à Índia navegando para
Ocidente...
Os reis de Espanha embarcaram na patranha e promoveram a viagem.
Salvador Fernandes Zarco regressou da América dizendo que tinha chegado à Índia
(é por isso que hoje os índios assim se chamam...) e os reis de Espanha
prontificaram-se a assinar o Tratado de Tordesilhas. E assim estariam a enganar
um dos nossos maiores de todos os tempos, D. João II... Ah, ah!
Um pormenor interessante. O papa, como mediador
na contenda, propôs como linha divisória o meridiano de Cabo Verde. Mas D. João
II, que conhecia a geografia e queria sacar o Brasil sem perder o Oriente,
exigiu que o meridiano passasse a 370 léguas mais para Oeste... 370! Não eram
300 nem 400!
Nas suas andanças por aquelas bandas da América central, Salvador
Fernandes Zarco foi dando como nomes àquelas terras os nomes da sua região
natal. Ele nasceu em Faro, pequena aldeia perto da Cuba, no Baixo-Alentejo, a 5
km desta e a 18 km de Beja. Aquela ilha levou com o nome de Cuba e
um dos seus locais o nome de Faro.
Eis porque o Castro é de Cuba — e não da Cuba.
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D. Athanasius Schneider em defesa dos 4 Cardeais
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| «Nada
podemos fazer contra a Verdade, mas somente a favor desta» (2 Cor 13, 8). Uma voz profética de quatro Cardeais da Santa Igreja Católica Romana |
Athanasius Schneider,
Bispo Auxiliar da Arquidiocese
de Santa Maria em Astana
24 de Novembro de 2016
Sua Excelência Reverendíssima, Msgr. Athanasius
Schneider escreveu o seguinte texto para apoiar os 4 Cardeais que pediram ao
Papa Francisco que lhes esclarecesse 5
dúvidas (dubia) sobre a aplicação pastoral da Exortação Apostólica «Amoris
Laetitia»:
Movidos por uma «profunda preocupação pastoral»,
quatro Cardeais da Santa Igreja Católica Apostólica Romana – Sua Eminência
Joachim Meisner, Arcebispo Emérito de Colónia (Alemanha), Sua Eminência Carlo
Caffarra, Arcebispo Emérito de Bolonha (Itália), Sua Eminência Raymond Leo
Burke, Patrono da Soberana Ordem Militar de Malta, e Sua Eminência Walter
Brandmüller, Presidente Emérito do Pontifício Comité para as Ciências
Históricas – publicaram, a 14 de Novembro de 2016, um texto com cinco questões
– chamadas dubia (em latim, «dúvidas») – que, a 19 de Setembro
de 2016, juntamente com uma carta, tinham enviado ao Santo Padre e ao Cardeal
Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
No texto os Cardeais pedem ao Papa Francisco para
esclarecer a «grave desorientação e grande confusão» acerca da interpretação e
aplicação prática, particularmente do capítulo VIII, da Exortação Apostólica Amoris
Laetitia, e as suas passagens relacionadas com a admissão de divorciados
recasados aos sacramentos e ao ensino moral da Igreja.
Na sua declaração intitulada «Procurando clareza: alguns nós por resolver em Amoris Laetitia», os Cardeais afirmam que para
«muitos – bispos, párocos, e fiéis –, estes parágrafos fazem alusão, ou ensinam
explicitamente, uma mudança da disciplina da Igreja a respeito dos divorciados
que vivem numa nova união».
Ao dizê-lo, os Cardeais meramente afirmaram factos
reais na vida da Igreja. Esses factos são demonstrados pelas orientações
pastorais a cargo de diversas Dioceses e por declarações públicas de alguns
Bispos e Cardeais, que afirmam que, em alguns casos, católicos divorciados
recasados podem ser admitidos à Sagrada Comunhão, embora continuem a gozar dos
direitos reservados pela Lei Divina a esposos validamente casados.
Ao publicar um apelo por clareza numa matéria que
toca a Verdade e a Santidade simultaneamente de três sacramentos – Matrimónio,
Confissão e Eucaristia – os quatro Cardeais apenas cumpriram o seu dever básico
enquanto Bispos e Cardeais, que consiste em contribuir activamente a fim de que
a revelação transmitida pelos Apóstolos possa ser sagradamente guardada e
fielmente interpretada.
Foi, especialmente, o Concílio Vaticano II que
recordou todos os membros do colégio dos bispos, enquanto sucessores dos
apóstolos, da sua obrigação, «por instituição e preceito de Cristo, à
solicitude sobre toda a Igreja, a qual, embora não se exerça por um acto de
jurisdição, concorre, contudo, grandemente para o bem da Igreja universal.
Todos os Bispos devem, com efeito, promover e defender a unidade da fé e
disciplina comum a toda a Igreja» (Lumen gentium, 23; cf. também Christus
Dominus, 5-6).
Ao fazer um apelo público ao Papa, Bispos e
Cardeais deveriam ser movidos por uma genuína afeição colegial pelo Sucessor de
Pedro e Vigário de Cristo na terra, na esteira do ensinamento do Concílio
Vaticano II (cf. Lumen gentium, 22); ao fazê-lo, devem render
«serviço ao ministério primacial» do Papa (cf. Directório para o Ministério
Pastoral dos Bispos, 13).
Toda a Igreja, nos nossos dias, deve reflectir
sobre o facto de que o Espírito Santo não inspirou em vão São Paulo a escrever
na carta aos Gálatas sobre o incidente da sua correcção pública a Pedro.
Deve-se confiar que o Papa Francisco aceitará esse apelo público de quatro
Cardeais no espírito do Apóstolo Pedro, quando São Paulo o corrigiu
fraternalmente, para o bem de toda a Igreja.
Possam as palavras do grande doutor da Igreja, São
Tomás de Aquino, iluminar e confortar-nos a todos: «Correndo iminente perigo a
fé, os súbditos devem advertir os prelados, mesmo publicamente. Por isso, São
Paulo, súbdito de São Pedro, repreendeu-o em público, por causa do perigo
iminente de escândalo para a fé. E, assim, diz a Glosa de Santo Agostinho: ‘O
próprio Pedro deu aos maiores o exemplo de se porventura desviarem do caminho
recto, não se dignem ser repreendidos mesmo pelos inferiores’» (Suma Teológica,
II-II, q. 33, ad 2).
O Papa Francisco, frequentemente, clama por um
franco e destemido diálogo entre todos os membros da Igreja em matérias
relacionadas ao bem espiritual das almas. Na Exortação Apostólica Amoris
Laetitia, o Papa fala da «necessidade de continuar a aprofundar, com
liberdade, algumas questões doutrinais, morais, espirituais e pastorais. A
reflexão dos pastores e teólogos, se for fiel à Igreja, honesta, realista e
criativa, ajudar-nos-á a alcançar uma maior clareza» (n. 2). Ademais, o
relacionamento em todos os níveis na Igreja deve ser livre de um clima de medo
e intimidação, como pediu o Papa Francisco em vários dos seus pronunciamentos.
À luz destes pronunciamentos do Papa Francisco, e
do princípio do diálogo e aceitação da legítima pluralidade de opiniões
promovido pelos documentos do Concílio Vaticano II, as reacções incomumente
violentas e intolerantes provenientes de alguns Bispos e Cardeais, contra o
calmo e circunspecto apelo de quatro Cardeais, causa enorme perplexidade. De
entre essas reacções intolerantes podem-se ler afirmações como: os quatro
Cardeais são tolos, ingénuos, cismáticos, heréticos, e mesmo comparáveis aos
hereges arianos.
Esses julgamentos, claramente sem misericórdia,
revelam não só intolerância, recusa ao diálogo e ira irracional, mas demonstram
também uma capitulação à impossibilidade de dizer a Verdade, uma capitulação ao
relativismo doutrinal e prático, na fé e na vida. As reacções clericais
mencionadas contra a voz profética de quatro Cardeais ostentam, em última
análise, impotência diante da Verdade, que inquieta e importuna a aparentemente
pacífica ambiguidade desses críticos do clero.
As reacções negativas à declaração pública dos
quatro Cardeais assemelha-se à confusão generalizada da crise Ariana no século
IV. É útil citar, na situação de confusão doutrinal dos nossos dias, algumas
afirmações de Santo Hilário de Poitiers, o «Atanásio do Ocidente».
«Vós [os bispos da Gália], que ainda permaneceis
juntos de mim fiéis a Cristo, não cedais quando ameaçados com a investida da
heresia; e agora, ao encontrar essa investida, rompeis toda a sua violência.
Sim, irmãos, vós conquistastes, para a abundante alegria daqueles que
compartilham a vossa fé: e a vossa inalterada constância conquistou a dupla
glória de manter uma consciência pura e dar um exemplo de autoridade» (Hil. De
Syn., 3).
«A vossa fé invencível mantém a honrosa distinção
de cioso valor e, contentada por repudiar a acção astuta, vaga ou hesitante,
seguramente obedece em Cristo, preservando a profissão da sua liberdade. Pois,
desde que sofremos todos profunda e penosa dor pelas acções dos iníquos contra
Deus, apenas dentro das nossas fronteiras pode ser encontrada a comunhão em
Cristo, a partir do momento em que a Igreja passou a ser atribulada por
perturbações, como o exílio dos bispos, a deposição dos padres, a intimidação
do povo, a ameaça à fé, e a definição do significado da doutrina de Cristo por
força e vontade humana. Vossa resoluta fé não pretende ignorar esses factos ou
professar que se possa tolerá-los, notando que, por um assentimento enganoso,
ela se veria diante das grades da consciência» (Hil. De Syn., 4).
«Hei dito o que eu mesmo creio, consciente de que
era meu dever como soldado ao serviço da Igreja, segundo o ensinamento do
Evangelho, o enviar-lhes por estas cartas a voz do ofício que sustento em Jesus
Cristo. Corresponde a vós discutir, prover e actuar, e que possais guardar com
corações zelosos a fidelidade inviolável que mantendes, e que continueis
sustentando o que sustentais» (Hil De Syn., 92).
As seguintes palavras de São Basílio Magno,
dirigidas aos bispos latinos, podem ser aplicadas em certos aspectos à situação
daqueles que em nossos dias solicitam clareza doutrinal, incluindo os quatro
cardeais: «Um único delito que hoje em dia será severamente castigado é o de
manter cuidadosamente as tradições dos nossos pais na fé. Não estamos sendo
atacados por riquezas, glória ou benefícios temporais. Descemos ao campo de
batalha para lutar por a nossa herança comum, pelo grande tesouro da fé
recebido dos nossos pais. Aflijam-se connosco todos que amam os seus irmãos,
pelo silêncio dos homens da verdadeira religião, pela abertura dos lábios
ousados e blasfemos de todos os que pronunciam injustiças contra Deus, e pelos
pilares da fé sendo destruídos. Nós, cuja insignificância há permitido que
passemos ignorados, e estamos privados do nosso direito de falar livremente»
(Ep. 243, 2.4).
Hoje, estes bispos e cardeais que solicitam clareza
e que intentam cumprir o seu dever guardando santa e fielmente a Revelação
Divina transmitida em relação aos sacramentos do Matrimónio e da Eucaristia, já
não estão exilados como o estavam os bispos da Niceia durante a crise ariana.
Ao contrário do tempo da crise ariana, tal como escreveu em 1973 Rudolf Graber,
bispo de Ratisbona, hoje o exílio dos bispos é substituído por estratégias para
silenciá-los e por campanhas de difamação (Cf. Athanasius und die Kirche
unserer Zeit, Abensberg 1973, p. 23).
Outro campeão da fé católica durante a crise ariana
foi São Gregório Nazianzeno. Ele escreveu a seguinte descrição do comportamento
da maioria dos pastores da Igreja daquele tempo. Essas palavras do grande doutor
da Igreja deveriam ser uma advertência salutar para os bispos de todos os
tempos: «Certamente os pastores agiram como insensatos, porque, salvo um número
muito reduzido – que resistiu por a sua virtude, mas que foi desprezado por a
sua insignificância, e que havia de restar como uma semente ou raiz de onde
renascesse o novo Israel sob o influxo do Espírito Santo –, todos os outros
cederam às circunstâncias, com a única diferença de que uns sucumbiram de
imediato e outros mais tarde, uns estiveram na linha da frente dos campeões e
chefes da impiedade, e outros uniram-se às filas dos seus soldados na batalha,
vencidos pelo medo, pelo interesse, pela adulação ou, o que é mais inexcusável,
por sua própria ignorância» (Orat. 21, 24).
Quando no ano de 357, o Papa Libério assinou uma
das denominadas fórmulas de Sirmium, na qual descartava deliberadamente a
expressão dogmaticamente definida de «homoousios», e excomungou Santo
Atanásio para ficar em paz e harmonia com os bispos arianos e semi-arianos do
leste, alguns fiéis católicos e bispos, especialmente Santo Hilário de
Poitiers, escandalizaram-se profundamente.
Santo Hilário transmitiu a carta que o Papa Libério
escreveu aos bispos orientais, anunciando a aceitação da fórmula de Sirmium e a
excomunhão de Santo Atanásio. Com grande dor e consternação, Santo Hilário
agregou à carta, numa espécie de desesperação, a frase: «Anathema tibi a me
dictum, praevaricator Liberi» («Eu te digo ‘anátema’, prevaricador
Libério»), (cf. Denzinger-Schönmetzer, n.º 141). O Papa Libério
queria paz e harmonia a todo custo, incluso às expensas da Verdade Divina. Na
sua carta aos bispos heterodoxos latinos Ursácio, Valente e Germínio,
anunciando-lhes as decisões acima mencionadas, escreveu que preferia antes paz
e harmonia do que o próprio martírio (cf. Denzinger-Schönmetzer,
n.º 142).
Em que contraste dramático jazia o comportamento do
Papa Libério frente à seguinte convicção de Santo Hilário de Poitiers: «Não
conseguimos paz às custas da Verdade, fazendo concessões para adquirir a fama
de tolerantes. Conseguimos paz lutando legitimamente segundo as regras do
Espírito Santo. Há um perigo em aliar-se secretamente com a impiedade que se
adorna com o formoso nome da paz» (Hil. Ad Const., 2, 6, 2).
O beato John Henry Newman falou sobre esses
lamentáveis e inusuais feitos com a seguinte afirmação sábia e equilibrada: «Se
bem seja historicamente certo, não é de nenhuma maneira doutrinalmente falso
que um papa, como doutor privado, e muito mais os bispos, quando não ensinam
formalmente, possam errar, tal como vemos que erraram no século quarto. O papa
Libério podia assinar a fórmula Eusebiana em Sirmium, e a massa dos bispos em
Rimini ou outro lugar, e apesar desses erros continuar sendo infalível nas suas
decisões ex cathedra.» (The Arians of the Fourth Century, London,
1876, p. 465).
Os quatro cardeais, com a sua voz profética,
pedindo clareza doutrinária e pastoral, têm um grande mérito diante das suas
próprias consciências, diante da história, e diante dos inumeráveis simples
fiéis católicos dos nossos dias, empurrados para a periferia eclesial pela sua
fidelidade aos ensinamentos de Jesus Cristo sobre a indissolubilidade do
Matrimónio. Mas, sobretudo, os quatro cardeais têm um grande mérito aos olhos
de Jesus Cristo. Devido à coragem das suas palavras, os seus nomes brilharão
resplandecentes no dia do Juízo Final. Eles obedeceram à voz das suas
consciências, recordando o que dissera São Paulo: «Nada podemos fazer contra a
Verdade, mas somente a favor desta» (2 Cor 13, 8). Seguramente, no Juízo Final,
os já mencionados críticos dos quatro cardeais – na sua maioria clérigos – não
terão uma resposta fácil a dar pelo seu ataque violento ao justo, valioso e
meritório acto destes quatro membros do Sagrado Colégio Cardinalício.
As seguintes palavras inspiradas pelo Espírito
Santo retêm o seu valor profético, especialmente diante da crescente confusão
doutrinal e prática a respeito do sacramento do Matrimónio nos nossos dias:
«Porque virá um tempo em que os homens não suportarão mais a sã doutrina, mas
sim, com ânsias de ouvir novidades, se darão mestres que agradem a sua
concupiscência. Apartarão o ouvido da Verdade, para voltá-lo às fábulas. Por
tua parte, sê sóbrio em tudo, suporta o adverso, faz obra de evangelista,
cumpre bem o teu ministério» (2 Tim 4, 3-5).
Que todos aqueles que, nos nossos dias, levam ainda
a sério os seus votos baptismais e as suas promessas sacerdotais e episcopais,
recebam a fortaleza e a graça de Deus para reiterar com Santo Hilário as
palavras: «Que fique eu para sempre no exílio, desde que a Verdade comece a
pregar-se outra vez!» (De Syn., 78). Desejamos de todo o coração essa
fortaleza e graça aos quatro cardeais, assim como aos que os criticam.
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