terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Pedro Passos Coelho,

o candidato a tomar conta de nós (Introdução e partes 1 e 2)

.

Comentário ao livro Mudar,
com o qual não se muda nada
e onde não se aprende nada
a não ser a conhecer melhor
a mediocridade reinante no sistema,
infelizmente com origem
não exclusiva no referido.



Heduíno Gomes, militante n.º 7210 do PPD-PSD


UM CASO DE ESTUDO NA VIDA INTERNA DO PPD-PSD

Pergunto a mim próprio: prevendo a repetição da derrota de Pedro Passos Coelho nas eleições internas do PPD-PSD, valerá a pena estar a gastar tempo e latim com ele e o livro que acaba de publicar?
Se o único aspecto da questão fosse apenas a previsível derrota do candidato (Deus me oiça e salve Portugal do pior dos candidatos!), obviamente que a resposta seria que não vale a pena. Contudo, há um outro aspecto que conduz à resposta contrária: o facto do caso Pedro Passos Coelho poder e dever ser um caso de estudo.
Efectivamente, o candidato proporciona-nos a ocasião de abordar uma série de problemas políticos de interesse para o PPD-PSD, problemas constantemente suscitados pela generalidade dos membros da nomenklatura política. O candidato torna-se assim um bom material pedagógico pela negativa. Um bom caso a estudar.
14 de Fevereiro de 2010
Heduíno Gomes


Sumário

1 – Enquadramento e apresentação do candidato
2 – A ideologia política e a política do candidato
3 – A visão da cultura do candidato
4 – O sistema de ensino do candidato
5 – A economia do candidato
6 – O desenvolvimento regional do candidato
7 – A visão social do candidato
8 – A concepção do Partido e da Jota do candidato
9 – O nível intelectual e político e o estilo literário
      da excelsa obra do candidato

 

1 – ENQUADRAMENTO E APRESENTAÇÃO DO CANDIDATO
1.1 – Um candidato menor do sistema

A génese do PPD, ideológica e politicamente confusa, e a longa gestão obscurantista e caciquista do cavaquismo deixaram o PPD-PSD num estado lastimoso além de um Estado lastimoso. Ao Kim Il-sung de Boliqueime, que procedeu à retirada estratégica e fugiu como uma ratazana quando os seus próprios buracos de dez anos começaram a revelar-se incamufláveis, sucede-se uma série de valets de chambre, também eles incapazes de imprimir ao Partido e a Portugal a necessária mudança, preconizada em 1984 pelo malogrado Carlos da Mota Pinto. Com o fim das vacas gordas vindas de Bruxelas no tempo de Cavaco, de valet de chambre em valet de chambre foi o PPD-PSD saltitando e vegetando. Todos eles incapazes de mudar o rumo do Partido e de Portugal mas capazes de mudar o rumo das suas vidinhas e das clientelas respectivas.
E, todos juntos, e com os homólogos do PS, com eles revezando-se nos governos ou lado a lado nas empresas públicas e bancos, puseram Portugal nesta coisa em que está.
A III República, vulgo sistema em vigor, marginaliza as elites morais, políticas e técnicas, tolera os medianos e promove os medíocres, os maus e os péssimos.
Parece que chegou a hora de um dos cadetes do sistema – aliás reclamando uma «renovação de gerações» –, se pôr em bicos de pés para tomar conta de nós! Nós, famílias, pais, avós, crianças, jovens, educação, saúde, empresas, futuro, Nação, Civilização!
Guindado e amparado pelo padrinho Ângelo Correia (que, pelo que dele conheço, já deve estar arrependido de se ter metido em tal alhada), Pedro Passos Coelho candidata-se à Presidência do PPD-PSD. E escreveu um livro, Mudar, diz ele! Ângelo Correia fez o truque de desaparecer do palco tirando um Coelho da cartola. E o sistema reproduziu-se.
Com a agravante de possuir a consciência das coisas, Ângelo Correia tem indesculpavelmente andado todos estes anos a fazer de conta – nos últimos já nem por isso. É pena que se consuma desta maneira, a promover inutilidades. Ingloriamente e sem dar ao Partido e a Portugal o que sabe e poderia (a não ser que já se tenha esquecido).

1.2 – É útil conhecer previamente o candidato

Pena é que o candidato não tenha colocado explícito na sua excelsa obra política todo o seu pensamento íntimo, como sejam aquelas questões elementares com que o confrontei directamente na Secção A de Lisboa do PPD-PSD, sem lhe dar margem para fuga «à político», em Maio de 2008, quando se candidatou à Presidência do Partido. Estas questões, por definirem bem o sentido de Estado e o nível moral e patriótico de cada um, importa referir logo à cabeça como apresentação do candidato. É que, quando se lê um livro, temos vantagem em conhecer previamente o que vai na cabeça do autor e onde ele quer chegar. Eis as questões.

Quatro questões de civilização.

i) Questões da vida (aborto, eutanásia). Pronunciou-se a favor, tal e qual um bloquista.

ii) «Casamentos» entre invertidos. Pronunciou-se a favor. E mais. Acrescentou um cruel dilema que dilacerava a sua alma: será que os «casais homossexuais devem poder adoptar crianças?» (sic).

iii) Pornografia nos meios de comunicação. Não o incomoda absolutamente nada, faz parte da «liberdade» e quem se sente incomodado, como o interlocutor, é «conservador» – pelo que o próprio «conservador», achando demasiado ligeira a carga semântica do adjectivo utilizado pelo juiz «progressista», o corrigiu para reaccionário.

iv) Legalização das drogas. Pronunciou-se a favor, o que significa a capitulação do Estado perante o crime e a destruição física, psíquica e moral da juventude.

Duas questões de identidade nacional.

i) Acordo ortográfico. Pronunciou-se a favor deste desordenamento linguístico e crime contra a língua e a cultura portuguesas.

ii) Regionalização. Pronunciou-se a favor desse retalhar da Nação e multiplicação de tachos.

E assim, depois deste cartão de visita do progressista, evoluído e cheio de sentido de Estado candidato, temos uma ideia de como tenciona tomar conta de Portugal, de nós todos. Assim sabemos com quem estamos a lidar, a que Estado-retalhos e sociedade-bordel ele quer chegar, mesmo antes de lermos umas patacoadas erigidas em primária sabedoria política.

1.3 – O que vamos ver do livro do candidato

Torna-se impossível abordar aqui todas as questões suscitadas na excelsa obra política do candidato. Pelo número de questões que suscita, seria preciso outro livro ou outros livros... Vou passar ao lado de muitas dessas questões e apenas olhar às maiores. Também a linguagem deste comentário será telegráfica para não o alongar demasiadamente.

A excelsa obra política, Mudar, apresenta-se em uma introdução e três partes.

Na introdução, o candidato a tomar conta de nós pretende dar um ar de competência técnica, tentando apagar a imagem de oco e postiço que dele a generalidade das pessoas tem. Então preenche a introdução com «ciência» económica formulada na estereotipada linguagem da «globalização» – assim uma panorâmica lá do alto... Uma espécie de Cavaquinho da geração Magalhães.

A primeira parte da excelsa obra (Da política) é assim uma espécie de memórias precoces, particularidades pessoais sem qualquer relevância. Se essas particularidades servissem para ilustrar ou mesmo enfeitar a apresentação de um conteúdo, tudo bem, aceitava-se. Mas não. Tudo é gratuito. Apenas servem (?) para enfeitar o autor. No meio dessa palha, surgem entretanto frases que têm subjacentes conceitos que devem ser referidos. São essas ideias, assim como as apresentadas na segunda (Do essencial, hoje) e terceira partes (Das escolhas políticas) que vamos apreciar.


2 – A IDEOLOGIA POLÍTICA DO CANDIDATO

O candidato não domina lá muito a política (não me refiro à politiquice) nem aquilo que a deve sustentar, a filosofia (não me refiro à bazófia). Nitidamente, Ângelo Correia, estudioso de filosofia, desleixou-se na formação do seu pupilo (a não ser que a culpa seja do próprio, por incapacidade de aprendizagem). O candidato utiliza indevidamente conceitos que não domina. Mistura-os formando uma amálgama confusa e produzindo uma «ideologia» política ecléctica, incoerente e politicamente correcta.

2.1 – Uma pilha de palavras ocas do vocabulário da classe política

O esforço de erudição é enorme. Mas a obra é pequena. Por não possuir pensamento claro sobre a política e as questões políticas, o candidato escreve ao sabor da pena. Recorre àqueles lugares comuns, de La Palisse, ao palavreado que soa bem, aquele a que estamos habituados na boca dos políticos do sistema. E, afinal, analisando as suas propostas, percebe-se que se contradiz e pretende fazer exactamente o contrário dos cândidos princípios que enumera.

Fala ele de reduzir o peso do Estado, a carga fiscal, a burocracia, o défice do Estado, da redução e racionalização de despesa pública, etc. Aquela retórica comum nos políticos do sistema, por saberem que esses evidentes males incomodam muitos portugueses e, assim falando, angariam votos. Mas a que corresponderá de verdade, na prática, esta frequente linguagem de flexibilidade administrativa e poupança? A verdade vem com as suas propostas para a administração do Estado e a regionalização, que nos conduziriam precisamente ao contrário: mais carga fiscal, mais burocratas, mais classe política, mais peso do Estado. Tudo «racionalmente»...

2.2 – Ausência de conceitos, de filosofia política e doutrina política

Pretendendo dar um ar erudito ao discurso, o candidato recorre frequentemente a um vocabulário aparentemente intelectual mas que exprime conceitos que não domina. É o caso de pragmatismo, activismo, voluntarismo, igualitarismo, e vários outros, que utiliza em sentido positivo quando, à luz de qualquer dicionário (nem precisa de ser um dicionário filosófico), exprimem práticas erradas na vida, incluindo na acção política.

Na verdade, não fica mal a ninguém não conhecer estas coisas «esotéricas». Mas também não fica mal, especialmente a um candidato, ir aprender os conceitos traduzidos por esses palavrões se pretende brilhar com a sua ribalta.

Para demonstrar erudição histórica (e, para não nos alongarmos, vamos passar ao lado dessas fabulosas considerações historicistas), o candidato recua mesmo à idade média. E na história recente nem falta o desembarque do homem em foguetão na superfície lunar. Bonito e poético. O antropoteísta António Gedeão não cantou melhor.

Também o candidato dá o destaque de um capítulo àquilo a que chama «A personalidade em política» (p. 41-59). Espremido, nada deita. Apenas esvazia a política do seu conteúdo doutrinal e prático, sacrificada à «personalidade» do actor. É o vazio doutrinal que acontece quando se atribui demasiada importância às características psicológicas dos actores, ao chamado carisma.

Depois de várias páginas de conversa nula, o candidato começa finalmente a produzir «teoria política» brilhante. Escreve ele:

«Pensar Portugal, hoje, não é um problema de avaliação de matriz esquerda-direita, não é um problema de conservadorismo versus progressismo, de liberalismo contra socialismo, de monarquia à república. É, antes, um problema que tem que ver com a origem daquela cultura política centralista que se impôs a todos os regimes, políticos, económicos e sociais.» (p. 20)

E assim, não possuindo conceitos claros de filosofia política, nem de política, embarca facilmente naquela moda tecnocratista – aliás já falida e caída em desuso – do «fim das ideologias». Não ver diferença – mais, antagonismo – entre liberalismo e socialismo, entre esquerda e direita, entre valores morais (a que ele atrevidamente chama conservadorismo) e sociedade-bordel (a que ele irresponsavelmente chama progressismo), significa apenas que falta ao candidato a compreensão daquilo que realmente distingue as doutrinas filosóficas, morais e políticas. Sem estes instrumentos ele não consegue discernir por onde afina a esquerda e afina a direita.

Esta incompreensão torna-se perigosa num candidato que pretende tratar das nossas vidas. Com tais limitações intelectuais, sem conhecimentos elementares, mesmo sem aquela compreensão da vida que a um simples cavador a sabedoria dá, que políticas pode produzir tal candidato?

2.3 – Para ele, então o que será a função política?

O candidato começa por dizer o que não é a função política: «Exercer uma função de liderança política não é estar na vanguarda da sociedade (p. 71, sublinhados do candidato).

Bem, então qual é a função da política? O que será um bom político? O «líder» não tem ideia do que fazer e não se coloca à frente da massa a guiá-la nos bons procedimentos, pelos bons caminhos, na construção do bem comum? Não será esta a função da elite política? O «líder» será afinal um mero navegador do sistema?... Que significará afinal a palavra líder? Mais uma vez, o candidato precisa de ir ao dicionário.

Mas será a frase do candidato um puro jogo de palavras demagógicas para exibir uma falsa modéstia ou um desnorte? Uma demagogiazita basista e populista ou uma falta de conceitos elementares de ciência política, nomeadamente sobre o sistema de partidos e o papel das elites nacionais? Falta de formação ou, mais uma vez, falta de sabedoria? Provavelmente tudo isto.

Não rompendo ao longo do seu Mudar com aquilo a que, no actual sistema, se chama «política», verifica-se, pois, que, para o candidato, a política continua a ser aquela comum habilidade para palrear, para manobrar e viver do sistema (a rapinar o mais possível). Aquilo a que Medina Carreira chama a arte de um «homem de circo». Afinal, nada é para mudar.

2.4 – O descambar no tecnocratismo

A ignorância dos conceitos elementares da política conduz o candidato àquelas soluções primitivas para os problemas que só os cérebros tecnocráticos vislumbram. Imbuído de ideias organicistas, ele propõe-se resolver os problemas da incompetência, da corrupção e da partidocracia com meras medidas orgânicas (p. 138 e seguintes). Ora estes problemas são bem mais profundos do que alguma vez ele imaginou, exigindo por isso medidas políticas profundas, algumas delas mesmo de natureza constitucional, já para não falar de uma concepção correcta do sistema de ensino (lá iremos). Mas ele acredita que, com os seus montes de regras e regrazinhas administrativas, e burocratizantes, na generalidade impraticáveis, iria resolver os problemas. É a visão tecno-administrativa em todo o seu esplendor.

Mas o tecnocratismo do candidato não fica por aqui. Ele postula que pode haver uma administração apolítica, puramente técnica (p. 138). Entretanto, já prevendo a acusação de tecno-ingenuidade, adianta-se a dizer que esta sua visão não é «naif» (p. 139) – não vão os leitores pensar mal dele! Então, além de tecnocratista, o que será? Masoquista?

Olhando para trás, vemos que, apesar de certas discordâncias pontuais do candidato com alguns dos valets de chambre de Cavaco, donde resultaram uns beliscões sem conteúdo político relevante, ele conviveu alegremente com o cavaquismo, merecendo-lhe «o Professor», globalmente, os mais rasgados elogios. Aliás, esta admiração era mútua. A manifestação das limitações políticas e intelectuais de tecnocratismo no candidato não é, pois, de agora.

2.5 – Do angelismo democrático à manutenção do sistema

Sobre o funcionamento do sistema democrático, o candidato apresenta igualmente ideias baralhadas: por um lado, ele deseja democracia, e, por outro, condena a chuva e o mau tempo que ela produz: lamenta a «confusão entre governo e administração, entre partido e governo, entre o que é público e o que é privado»... (p. 76-77).

Separemos as coisas.

No que toca à usurpação privada dos bens públicos, que obviamente deve ser combatida, que esperaria o candidato de certos comportamentos individuais – próprios da natureza humana – em plena liberdade no sistema democrático? Qual será esse santo e puro sistema democrático a que o candidato aspira que não permite tais comportamentos? Existirá? Ignorará a ambição humana na política e através da política, e as inerentes consequências no sistema democrático e de partidos? Aqui para nós, quantos dos seus apoiantes próximos é que não se serviram do sistema para arrumarem as suas vidinhas sem nada darem ao País ou para enriquecerem à la minute? O candidato que olhe à volta e talvez encontre alguns!

No que toca à participação política em defesa do bem comum, para que servirá afinal um partido – no bom, realista e necessário sentido – senão para tomar o poder e concretizar um projecto? Para que servirá afinal um governo senão para colocar o Estado a oficializar o projecto de um grupo, no concreto de um partido? E quem, no Estado, e em nome do Estado, irá concretizar esse projecto senão os mandatários desse partido?

Porque não questiona antes o candidato se um tal partido e um tal governo dele derivado têm um programa bom, servindo o bem comum, em vez de, candidamente – hipocritamente –, acusá-los de se confundirem? Pois que queria que fizessem? Que fazem todos os governos quando cumprem de facto os seus programas de partido senão confundir-se? Quem queria que concretizasse o seu programa? Talvez os membros dos partidos da oposição...

O candidato não compreende (ou finge não compreender) que o problema não está na identificação partido-governo mas na ausência de identificação partido-Nação e governo-Nação (quanto à identificação partido-governo, ainda lá voltaremos).

Será este candidato a chefe político um ingénuo, sem projecto político próprio e sem pensar dotar o seu partido de um projecto de poder, ou mais um demagogo a proferir angélicas e politicamente correctas palavras de circunstância? Efectivamente, o candidato parece não querer entender o que é a política, o que é um partido político e para que servem. Aí voltaremos.

2.6 – A veia socialista-democrata do candidato

É de doutrina socialista-democrata que se trata. Se quiser, pode abreviar para social-democrata, como é da tradição marxista, que poupa 4 letras a escrever e 2 sílabas a pronunciar. Não me importo.

Não é que este género de pessoas, socialistas-democratas, se interesse especialmente pelos pobres. Mas ninguém duvida que fica bem falar deles. Por isso não faltam no livro as tais «preocupações sociais», virtuais porque nunca se traduziriam em efectiva melhoria da vida das pessoas. Pelo contrário, as medidas socialistas, supostamente para proteger os pobres, têm normalmente o condão de agravar as suas condições de vida.

Na sua linha socialista-democrata, o candidato refere-se entusiasticamente à «redistribuição da riqueza» (p. 209) para consertar os males do mundo. E então, para que essa «redistribuição» corra bem, com equilíbrio orçamental, preconiza taxas progressivas nos impostos, o que, na prática, significa tornar ainda mais progressivas as actuais, que já são. E na segurança social pretende carregar ainda mais as empresas. Para generosamente «redistribuir»... Atenção, que noutra página qualquer queixar-se-á de maus tratos às empresas!

É curioso. O candidato, por um lado, pretende apresentar-se como um capitalista ajuizadinho. Mas depois arma em socialista-democrata – diferente coisa de ser amigo dos pobres. É o bom momento para nos perguntarmos: se é tão social(ista), tão «amigo dos pobres», em nome de quem falará quando preconiza a privatização de tudo quanto mexe, incluindo a própria a Caixa Geral de Depósitos?

2.7 – As grandes virtudes da inexperiência e da ignorância segundo o candidato

A grande descoberta de psicologia, lógica, teoria do conhecimento, sociologia e ciência política, onde o autor demonstra uma superior inteligência, está reservada para as pp. 77-78. Escreve o candidato (sublinhado por si):

«Temos, nos nossos dias, uma geração democrática em idade madura que não experimentou outras vivências não democráticas e que, portanto, não tendo termo de comparação, se torna mais exigente e impaciente com o actual estado de coisas. Esta geração, à qual pertenço, é hoje uma aliada natural para todos os que, mais velhos, sentem que a democracia não lhes trouxe as realizações que estavam prometidas e que Portugal se encontra perdido e mais distante do seu ideal do que é justo e necessário. (...)
«Este tipo de realismo pragmático, que está mais presente nas gerações do pós-74 (...)»

Como se consegue extrair saber político da ignorância de «outras vivências»!

Como se consegue ver vantagem em não ter termo de comparação!

Como se consegue encontrar bondade na ilusão da democracia fracassada!

Como se pode louvar a exigência por inconsciência?

Como se consegue descobrir virtude na impaciência!

Como se consegue descortinar realismo (quanto ao pragmático, já falei) através do desconhecimento!

Como um sujeito se deve sentir feliz nessa condição! Ignorante e inexperiente, mas contente!

Como é possível dizer tantos disparates em tão poucas palavras!

2.8 – O motor da mudança segundo o candidato

O candidato diz propor Mudar. Quem será «o motor da mudança»? Ele responde pronto: «São muitos os que se encaixam neste perfil.» (p. 150).

E cita. «Em primeiro lugar, os mais desfavorecidos». Ficamos assim a saber do socialista-democrata o que afinal já sabíamos de Marx, o pai da social-democracia: que a luta de classes é o motor da história.

E continua a citar: os que «não conseguem fugir à pesada carga fiscal» (que ele afinal pretende aumentar, contribuindo assim para a multiplicação desta força motriz da história);

os que «cultivam um comportamento eticamente mais correcto» (cai no foro individual e lá se vai a luta de classes!);

os que têm «espírito empreendedor» (e que ele iria desmotivar com impostos mais progressivos, com o aumento das taxas da Segurança Social e com a teoria da «redistribuição»);

os que «desempenham as suas tarefas com profissionalismo e dedicação ...»;

os jovens que assim e assado...

E o candidato acrescenta que «A lista poderia continuar» (p. 151), que «não se trata de um ou dois grupos sociais definidos e que é antes um somatório de condições» (entenderam???).

O «motor» seria «um conjunto sem coesão ideológica» e «independente das suas tradicionais preferências partidárias».

Apesar do candidato se esmerar em frases supostamente densas, mas na verdade imprecisas quando não indecifráveis, consegue perceber-se que o motor da história são, afinal, todos... Não há reboque para o motor...

Mesmo para qualquer leitor amador de semanários de actualidade política, é óbvio que o candidato-teórico está a confundir várias coisas: a convergência eleitoral, circunstancial, que deve ser a mais ampla possível em torno de um programa (de efectiva mudança e não mais um programa eleitoralista); a base social ou conjunto de sectores sociais principais em que se apoia o Partido; e o motor da mudança, o próprio Partido, especialmente o seu núcleo dirigente, como força promotora do projecto e mobilizadora e organizadora de todas as outras forças participantes.

O candidato tudo confunde. Para a sua camioneta, estas coisas elementares são demasiada areia.

(Continua)
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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Bento XVI alerta para o perigo de os Estados
pretenderem determinar princípios éticos

O Papa recebeu neste sábado os participantes da Assembleia Plenária da Academia Pontifícia para a Vida, que entre 11 e 13 de Fevereiro debateu no Vaticano o tema da bioética e da lei natural.
«A vida humana seja sempre reconhecida como direito inalienável e nunca como objecto sujeito à arbitrariedade do mais forte».
«A história mostrou o quanto pode ser perigoso e prejudicial que um Estado legisle sobre questões que afectam a pessoa e a sociedade, pretendendo ser ele próprio fonte e princípio da ética.»
... «sem o princípio universal que permita verificar um denominador comum para toda a humanidade, o risco de uma deriva relativista a nível legislativo não deve ser subestimado».



«A lei moral natural (…) permite evitar esse perigo e, sobretudo, oferece ao legislador a garantia de um autêntico respeito pela pessoa.»
No seu discurso, o Papa salientou que as questões relacionadas com a bioética colocam em primeiro plano o «princípio fundamental» da dignidade da pessoa, sem o qual «seria difícil encontrar uma fonte para os direitos da pessoa e impossível chegar a um juízo ético em relação às conquistas da ciência que intervêm directamente na vida humana.»
«Não existe uma compreensão da dignidade humana ligada apenas a elementos externos, como o progresso da ciência, a progressividade na formação da vida humana ou o sentimento de piedade fácil perante situações extremas. Quando se invoca o respeito pela dignidade da pessoa, é essencial que ela seja pleno, total e irrestrito»...
«Desde o primeiro momento, a vida do homem é caracterizada por ser vida humana», e por isso é sempre portadora «de dignidade própria». Ao contrário, «estamos perante o perigo de um uso instrumental da ciência, com a consequência inevitável de cair facilmente na arbitrariedade, na discriminação e no interesse económico do mais forte».

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A solução final de Sócrates

[   Para ampliar, clicar sobre a foto   ]


[ Fotomontagem circulando na net ]







É já no próximo sábado, dia 20 !

Mais Lusitânia apela aos seus leitores 
para que participem na grande Manifestação
contra o chamado «casamento» entre invertidos,
promovido pelas forças apostadas na destruição da família.

No dia 20 de Fevereiro, sábado, às 15 horas,
no Marquês de Pombal, em Lisboa, 
é dever de todos estar presente com a família!

E desde já, é dever de todos falar aos amigos
para que façam o mesmo!

Vamos demonstrar às minorias activas
a nossa força!



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Leia aqui, a partir de amanhã

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Pedro Passos Coelho,

o candidato a tomar conta de nós

Comentário ao livro Mudar,
com o qual não se muda nada e onde não se aprende nada
a não ser a conhecer melhor a mediocridade reinante no sistema,
infelizmente com origem não exclusiva no referido.

1 – Enquadramento e apresentação do candidato
2 – A ideologia política e a política do candidato
3 – A visão da cultura do candidato
4 – O sistema de ensino do candidato
5 – A economia do candidato
6 – O desenvolvimento regional do candidato
7 – A visão social do candidato
8 – A concepção do Partido e da Jota do candidato
9 – O nível intelectual e político e o estilo literário
      da excelsa obra do candidato

Por Heduíno Gomes, militante n.º 7210 do PPD-PSD





sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Onde pára a máquina de apanhar gatunos?

Enviado por Maria de Lourdes Borges de Castro

Nos EUA fabricaram uma máquina que apanha gatunos.

Testaram-na em New York e em 5 minutos apanhou 1500.

Levaram-na para China e em 3 minutos apanhou 3500.

Na África do Sul e em 2 minutos apanhou 6000.

Trouxeram-na para Portugal e, num minuto, roubaram a máquina!

Este caso está em segredo de justiça para se apurar se faz parte do processo Face Oculta, uma vez que a referida máquina pode estar na sucata.



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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O rico currículo do veterano Passos Coelho

Heduíno Gomes
Pedro Passos Coelho, na falta de ideias, arma-se em veterano de guerra. Puxa por uns galões de antiguidade como se esta fosse o critério decisivo para avaliar da bondade de um quadro e da correcção da sua linha política. Até escrevinhou um livro (brevemente será aqui analisado) onde faz assim uma espécie memórias precoces, tão fúteis quanto é permitido a um noviço reflectir sobre a vida, ainda por cima não muito dotado nem preparado para a reflexão.

Entrevistado numa televisão, numa de desprezo e de cabeça oca sem argumentos políticos – e de deselegância –, tem o desplante de dizer que não conhece o Paulo Rangel, que entrou há pouco tempo para o PPD-PSD...

Olha que grande argumento político, este! O Rangel seria desprezível ou excelente não pelas suas ideias, pelo que poderia prejudicar ou ajudar o Partido e Portugal a sair do buraco mas por ser caloiro! O veterano é que, por antiguidade, é o bom!
Esta coisa, meio-demagógica, meio-nojenta, é inadmissível no meio de pessoas que se dizem sérias e politicamente competentes. E ainda por cima sai da boca de um sujeito que anda aos quatro ventos a apregoar – e até as pespega no seu livro – as virtudes das novas gerações! É a sua coerência, que aliás espelha ao longo do seu livro.
Mais. Já que se arma em veterano, é a hora de pedirmos ao sujeito que explique bem o que consta do seu rico currículo juntamente com aquela peça da sua geração chamada Carlos Coelho, naquela época em que o Rangel ainda não era do PPD-PSD nem sonhava tal virtude.
Para já, ficamos à espera do esclarecimento. É para depois avaliarmos politicamente quanto é que vale esse tempo que por cá andou o veterano.










Observando as técnicas do demagogo Sócrates

Heduíno Gomes

No reino da demagogia descortinam-se várias técnicas, especializando-se cada um dos «artistas» numa ou em várias delas. Qual será a preferida do «artista» Sócrates?
Ao longo dos debates no Parlamento podem sistematicamente ser observadas as habilidades deste «artista».

Primeiro passo: o «artista» Sócrates é alvo de uma crítica concreta sobre determinado assunto.
Segundo passo: o «artista» Sócrates fala ignorando a crítica e o assunto e, em gato assanhado, apresenta ele uma crítica a quem o criticou sobre qualquer coisa trazida de para-quedas.
Resultado da manobra: a atenção é desviada para o campo escolhido pelo «artista» Sócrates, que, à partida lhe poderá ser favorável, e já ninguém se lembra da crítica que lhe foi feita.
Quase todos os críticos do «artista» Sócrates caiem na esparrela e raramente alguém se lembra de repor e insistir na questão, o que aliás nem sempre é fácil pelos condicionalismos regimentais.
E assim se vive. E se sobrevive.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Má-fé e desinformação

Quando os bodes expiatórios se chamam Pio e Bento

Bernard-Henri Lévy, L'Osservatore Romano, 23 de Janeiro de 2010
Comentário escrito depois do encontro de Bento XVI com a comunidade judaica de Roma e publicado no Corriere della Sera do dia 20 de Janeiro.

Precisaria deixar de ter má-fé, de tomar partido e, para ser cabal, eliminar a desinformação, quando se trata de Bento XVI. Desde a sua eleição, intentou-se um processo ao seu "ultraconservadorismo", que é continuamente retomado pelos mass media (como se fosse possível um Papa não ser "conservador"). Insistiu-se, com subentendidos e até com anedotas pesadas, sobre o "Papa alemão", o "pós-nazi" de batina, ou sobre aquele a quem a transmissão satírica francesa "Les Guignols" [programa idêntico ao Contra-Informação] não hesitava em chamar "Adolfo II".

Falsificaram-se, pura e simplesmente, os textos: por exemplo, a propósito da sua viagem a Auschwitz de 2006, afirmou-se dado que com o passar do tempo as lembranças se tornam mais incertas ainda hoje se repete que teria homenageado a memória de seis milhões de mortos polacos, vítimas de um simples "bando de criminosos", sem especificar que metade deles eram judeus (a verdade de facto é surpreendente, pois Bento XVI naquela ocasião falou efectivamente dos "poderosos do Terceiro Reich" que tentaram "eliminar" o "povo judeu" do "elenco dos povos da Terra", Le Monde, 30 de Maio de 2006).
E eis que por ocasião da visita do Papa à sinagoga de Roma e depois das suas duas visitas às sinagogas de Colónia e de Nova Iorque, o mesmo coro de desinformadores estabeleceu um primado, estava para dizer que recebeu os louros da vitória, porque não esperou sequer que o Papa ultrapassasse o Tibre para anunciar, urbi et orbi, que ele não soube encontrar as palavras exactas a dizer, nem os gestos justos a realizar e que, portanto, a sua intenção tinha falido...
Por conseguinte, dado que o evento ainda é actual, ser-me-á consentido pôr um pontinho sobre alguns ii. Bento XVI, quando se recolheu em oração diante da coroa de rosas vermelhas deposta sob a placa comemorativa do martírio dos 1021 judeus romanos deportados, não fez mais do que o seu dever, mas fê-lo. Bento XVI, quando prestou homenagem aos "rostos" dos "homens, mulheres e crianças" capturados numa incursão no âmbito do projecto de "extermínio do povo da Aliança de Moisés", disse uma evidência, mas disse-a. De Bento XVI que retoma, palavra por palavra, os termos da oração de João Paulo ii, há dez anos, no Muro das Lamentações; de Bento XVI que então pede "perdão" ao povo judeu devastado pelo furor de um anti-semitismo por longo tempo de essência católica e ao fazê-lo, repito, lê o texto de João Paulo ii, precisa deixar de repetir, como burros, que é atrasado-em-relação-ao-seu-predecessor.
A Bento XVI que declara enfim, depois da segunda vez que se detinha diante da inscrição que recorda o atentado cometido em 1982 por extremistas palestinos, que o diálogo judaico-católico iniciado pelo Concílio Vaticano II já é "irrevogável"; a Bento XVI que anuncia ter a intenção de "aprofundar" o "debate entre iguais", o debate com os "irmãos mais velhos" que são os judeus, podem ser intentados todos os processos que quiserem, mas não o de "congelar" os progressos realizados por João XXIII.
Quanto à vicissitude muito complexa de Pio XII, voltarei a falar, se for necessário. Tratarei de novo o caso Rolf Hochhuth, autor do famoso Il Vicario, que em 1963 lançou a polémica sobre os "silêncios de Pio XII". Em particular, voltarei sobre o facto de que este fogoso justiceiro é também um negacionista consolidado, condenado mais de uma vez como tal e cuja última provocação, há cinco anos, foi a defesa, numa entrevista ao semanário de extrema direita Junge Freiheit, daquele que nega a existência das câmaras a gás, David Irving. Agora gostaria de recordar, como acabou de fazer Laurent Dispot na revista que dirijo, La règle du jeu, que o terrível Pio XII, em 1937, quando ainda era só o Cardeal Pacelli, foi o co-autor com Pio XI da Encíclica Mit brennender Sorge ("Com viva preocupação"), que até hoje continua a ser um dos manifestos antinazistas mais firmes e eloquentes.
Neste momento, devemos por exactidão histórica citar que, antes de optar pela acção clandestina, antes de abrir, sem o dizer, os seus conventos aos judeus romanos perseguidos pelos fascistas, o silencioso Pio XII pronunciou algumas alocuções radiofónicas (por exemplo no Natal de 1941 e 1942) que lhe valeram, depois da morte, a homenagem de Golda Meir: "Durante os dez anos do terror nazi, enquanto o nosso povo sofria um martírio assustador, a voz do Papa elevou-se para condenar os carnífices".
E, agora, surpreende sobretudo que, do silêncio ensurdecedor descido no mundo inteiro sobre o Shoah, se faça carregar todo o peso, ou quase, àquele que, entre os soberanos do momento: a) não possuía canhões nem aviões; b) não poupou os próprios esforços para partilhar com quem dispunha de aviões e canhões, as informações que lhe chegavam; c) salvou pessoalmente, em Roma mas também alhures, um grandíssimo número daqueles pelos quais tinha a responsabilidade moral. Último retoque ao Grande Livro da baixeza contemporânea; Pio ou Bento pode ser Papa ou bode expiatório.


Dois encartados destruidores morais da juventude


[ Para ler o texto de Raquel Abecassis, clicar na imagem do texto ]

Este é o Goulão,

do Partido Comunista moderno

e das drogas,

a favor da sua despenalização

e das salas de xuto.

  

Este é o Duarte Vilar,

da promiscuidade sexual dos jovens

e do aborto, que diz:

«Em relação à educação sexual não há na lei

nenhuma coisa que diga

que os pais devem dar uma autorização prévia.

E nós achamos muito bem.»


domingo, 7 de fevereiro de 2010

Jornal israelita:
Acusações contra Pio XII não têm fundamento

L'Osservatore Romano deu a conhecer hoje um artigo publicado no jornal israelita Haaretz, no qual se explica que as acusações contra o venerável Papa Pio XII são totalmente infundadas, que, diferentemente do que dizem seus caluniadores, este Pontífice fez muito para defender os judeus, salvando mais de 800 mil deles de morrer no holocausto, e que, além disso, os nazis o conheciam bem e  o temiam.


O artigo, que aparece logo depois da defesa que também fizera de Pio XII e do Papa Bento XVI o intelectual francês Bernard-Henri Lévy a seguir à assinatura do decreto que proclama as virtudes heróicas do Papa Pacelli, questiona a falta de provas daqueles que acusam este grande Pontífice e explica como uma de suas primeiras medidas que ordenou em 1933 ao Núncio na Alemanha, quando ainda era Secretário de Estado, foi «ver quê coisas podiam ser feitas para rebater as políticas anti-semitas do nazismo».
Seguidamente recorda a encíclica Mit brennender Sorge, redigida pelo ainda Cardeal Pacelli em representação de Pio XI, que condenava a «doutrina nazi». Este documento «foi introduzido ilegalmente na Alemanha e lido nos púlpitos das igrejas em 21 de março de 1937».

Cinco dias depois, um funcionário do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, Hans Dieckhoff, escreveu que «a encíclica contém ataques muito duros ao governo alemão e exorta os católicos a rebelarem-se contra a autoridade do Estado».
«Logo depois da morte de Pio XI, em 2 de Março de 1939, foi eleito Papa o Cardeal Pacelli. Os nazis estavam descontentes pelo novo Pontífice, que tomou o nome de Pio XII. Em 4 de março, Joseph Goebbels, Ministro alemão de propaganda, escreveu no seu diário: 'almoço com o Führer. Está considerando a ideia de anular a concordata com Roma depois da eleição de Pacelli ao pontificado'».
O artigo do Haaretz explica logo que, «durante a guerra, o Papa não ficou em silêncio: em numerosos discursos e encíclicas defendeu os direitos humanos para todos e chamou as nações beligerantes a respeitar os direitos de todos os civis e prisioneiros de guerra».

«Contrariamente ao que acreditam muitos de seus caluniadores, os nazis compreenderam Pio XII muito bem. Logo depois de ter examinado atentamente a mensagem de Pio XII para o Natal de 1942, o gabinete central do Reich para a segurança concluiu: 'Como nunca antes acontecera, o Papa repudiou a nova ordem nacional-socialista europeia. Acusa virtualmente o povo alemão de injustiça para com os judeus e faz-se porta-voz dos criminosos de guerra judeus'».
O texto aconselha a consultar «qualquer livro que critique a Pio XII e não se encontrará nem rastos deste importante relato».
Depois de assinalar que Pio XII «esteve em estreito contato com a resistência alemã» e que contribuiu para a ajuda que os americanos deram aos soviéticos invadidos pelos nazis, o artigo do jornal Haaretz indica que, «no curso da guerra, o pessoal encarregado pelo Papa ordenou aos representantes diplomáticos vaticanos em muitas zonas ocupadas pelos nazis e nos países do Eixo para intervir em nome do povo judeu em perigo».
«Até à morte de Pio XII, em 1958, muitas organizações, jornais e líderes judeus elogiaram os seus esforços. Para citar um de tantos exemplos, Alexander Shafran, rabino principal de Bucarest, na sua carta de 7 de Abril de 1944 ao Núncio Apostólico na Roménia, escreve: 'Não é fácil para nós encontrar as palavras justas para expressar o afecto e o consolo recebidos graças ao interesse do Sumo Pontífice, que doou uma quantia enorme para aliviar os sofrimentos dos deportados judeus. Os judeus da Roménia jamais esquecerão estes factos de importância histórica'».

O artigo do jornal israelita Haaretz finaliza assinalando que «a campanha contra o Papa Pio XII está destinada ao fracasso porque os seus caluniadores não têm nenhuma prova para sustentar as suas acusações principais, como ter ficado em silêncio, que era favorável ao nazismo e que fez pouco ou nada para ajudar aos judeus».

«Talvez – conclui – só em um mundo ao contrário do nosso, o único homem que, no período bélico, fez mais que qualquer outro líder para ajudar os judeus e outras vítimas do nazismo, receberia a condenação mais dura».


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A Lusitânia dos Pequeninos

Perante a revelação das escutas pelo semanário O Sol,
Cavaco toma uma atitude severa

Na sequência da revelação das escutas pelo semanário O Sol, Cavaco, que tudo ignorava, tomou finalmente uma atitude na esfera de competências que lhe são atribuídas. Efectivamente, ele chamou Sócrates a Belém e interrogou-o severamente:
--- Então, José, fiquei a saber que pretendias colocar nas mãos do meu genro e filha, e dos meus netinhos, as rádios da Média Capital e falhaste a operação! Que tens a dizer sobre este grave falhanço?!

A podridão no Partido Conservador britânico


Para conhecer a posição do líder conservador David Cameron sobre a questão dos pederastas, é obrigatório ler as suas últimas declarações:
1. Asilo político para homos estrangeiros.
2. Persuadir a igreja anglicana a modificar a sua atitude negativa.
3. Permitir a educação sexual nas escolas no sentido favorável à homosexualidade.

4. Cameron também prometeu a proibição de entrada na Inglaterra de cantores rap cujas canções dizem mal dos 'gays'.
Será que ele quer perder quer perder as póximas eleições?

Ele quer mais pederastas na Grã-Bretanha.
Não seria mais fácil ele ir para ao pé deles?

A defesa coxa de Iris Robinson

A. Rocha
Sob o título «O caso (nos dois sentidos) da sra. Robinson», publicou o comentador Alberto Gonçalves no DN do passado dia 12 de Janeiro um nota que constitui uma defesa coxa da senhora. Coxa porque é liberal. Coxa porque é incoerente. Coxa porque é sectária.
Eis o texto integral.
«A consciência moral de meio mundo despertou para a história de Iris Robinson, a deputada e mulher do primeiro-ministro da Irlanda do Norte que, aos 59 anos, deu umas cambalhotas extraconjugais com um rapaz de 19 e, ao que consta, se serviu da posição (política, nada de segundas intenções) para financiar o bar do amante. A justiça local pegou no lado corrupto da questão. A justiça popular de toda a parte preferiu naturalmente o lado pícaro e, além de elaborar vistosos trocadilhos com a adúltera homónima do filme A Primeira Noite (e a canção de Paul Simon feita para o filme), desatou a condenar a sra. Robinson pela aventura sexual.
«A condenação merece um ou dois comentários. Há uma quantidade notável de políticos infiéis que se safaram sem mácula, ainda que as consequências da infidelidade fossem ligeiramente mais graves que a abertura de um bar. Um exemplo moderado é o de Bill Clinton. Um exemplo extremo é o de Edward Kennedy, que, em Julho de 1969, conduziu não demasiado sóbrio o seu carro para o fundo de um lago. No carro seguia, e lá ficou até morrer, uma "amiga" do senador. O senador fugiu. O escândalo não impediu que Kennedy sobrevivesse biológica e politicamente ao acidente e que, 40 anos decorridos, as elegias fúnebres de Agosto passado o pintassem como um santo. Já a carreira da sra. Robinson (e, talvez, a do marido) terminou dias após a divulgação do seu pecado. O que explica a diferença de tratamento?
«O problema, se bem percebo, passa pelas convicções, sinceras ou simuladas, da sra. Robinson. Antes do deslize amoroso, ela cometeu o deslize de confessar fé cristã e simpatia pelos "valores familiares". Pior ainda, em 2008 produzira umas afirmações desagradáveis acerca da homossexualidade. Isto, somado ao affaire, chega e sobra para transformar a senhora numa "hipócrita". Na América, embora obviamente não só na América, a detecção da "hipocrisia" em políticos conservadores é um dos desportos preferidos da esquerda, sob o argumento de que a vida privada deve corresponder escrupulosamente aos ideais professados na vida pública. Podia-se inferir daqui que, em nome da coerência, os ideais públicos de Clinton incluíam o abuso de funcionárias e os de "Ted'' Kennedy a embriaguez, o homicídio e a fuga. Mas é melhor dar um desconto, e apenas notar que atrás de imensos progressistas se esconde um inquisidor e uma fogueira acesa.»
Análise coxa porque liberal.
A crítica moral constituiria um acto de «justiça popular». E essa «justiça popular» cometeu a injustiça de «condenar a sra. Robinson pela aventura sexual» (gosto sobretudo do aventura sexual!). A infidelidade da senhora Robinson ter-se-ia resumido a qualquer coisa sem importância, a «umas cambalhotas extraconjugais» (gosto sobretudo do umas!). O facto de o ter feito com um miúdo com idade para ser neto dela deve ser encarado com naturalidade. Eis porque os cato-liberais aderem a análises como esta.
Análise coxa porque incoerente.
Diz o comentador: «A justiça local pegou no lado corrupto da questão.» Qual será então o lado honroso da questão? A infidelidade da senhora teria acontecido com «um rapaz». Ora, à data do comentário, já se sabia que os casos não ficavam por «um rapaz». Abundavam. Aliás, basta olhar para a falta de decoro no vestir desta cristã (na verdade, ninguém lhe pode negar a fé, lá por ser uma mulher de mau porte) para não ficar surpreso com o rol. Com tudo isto, o comentador pretende moldar as regras cristãs à prática cristã não conforme. À prática não conforme às leis chama-se pecado. Conciliar o pecado de cristãos com as regras cristãs chama-se incoerência.
Análise coxa porque sectária.
O comentador entende que não se poderia falar desta adúltera porque outros, do outro lado, também não estão inocentes, como, por exemplo, Bill Clinton e Edward Kennedy. E que todo este julgamento «popular» se deve à sujeitinha se ter declarado cristã, com simpatia pelos valores familiares e crítica em relação à maneira como é colocada a questão da homossexualidade. O comentador, em vez de encarar as questões segundo critérios éticos, está mais preocupado com a camisola. Com a seita.
Se Alberto Gonçalves pretendeu defender os valores familiares, cristãos, foi pior a emenda do que o soneto. Se pretendeu defender o campo cristão, então deu tiros nos pés.
Admiro-lhe o esforço de reagir contra o domínio mediático pela esquerda mas a sua análise não chega. E mais de admirar é que pessoas com obrigações intelectuais e religiosas se identifiquem com o que foi dito por Alberto Gonçalves e o reproduzam sem comentários.
Para ouvir no Youtube a canção de Simon & Garfunkel, clique em




domingo, 31 de janeiro de 2010

Para que serve a República?

100 ANOS DE MAU, DE BOM, DE MAU...
Heduíno Gomes
Cá para mim, está para demonstrar a superioridade da república sobre a monarquia e vice-versa. Tudo depende do presidente e do monarca em questão e respectivos governantes. É assim que penso, excepto no caso do Estado espanhol, onde desejo ardentemente a reimplantação da República como meio de desintegração daquela coisa (já faltou mais tempo). E também na Dinamarca, onde reina uma família que não defende os valores morais da Civilização: se uma família real nem para referência moral serve, porquê mantê-la? E o mesmo digo em relação àquelas monarquias que se apresentem com modernices.
Se olharmos para estes 100 anos de República Portuguesa, o que vemos?
A I República, filha da maçonaria, por mais que se esforcem os «historiadores» a lavá-la, foi uma palhaçada trágica para Portugal e para as vítimas que à sua mão sucumbiram, começando logo pelo «herói da Rotunda», Machado dos Santos, a quem ela deveria a sua existência. Afonso Costa foi o principal actor do circo republicano. Desordem, bombas, insegurança, atentados à vida das pessoas, perseguições religiosas e bancarrota.
O único Presidente da I República que efectivamente tentou pôr fim à palhaçada trágica, Sidónio Pais, foi assassinado (1918), igualmente pela maçonaria.
Perante o caos da I República, surge o Movimento Nacional do 28 de Maio (1926). Com Gomes da Costa à frente, e ladeado por Carmona e Cabeçadas, maçãos moderados, este movimento instaurou a Ditadura Nacional e teve o mérito abrir o caminho à recuperação e regeneração de Portugal. Contudo, as ideias sobre o que fazer não estavam claras na cabeça do principal chefe militar e foi preciso outro movimento dentro do movimento para acertar as agulhas e abrir o caminho à paz, segurança e estabilidade. Porque senão a «república» (isto é, a bagunçada, de que ficou como sinónimo) continuaria. Correcção feita graças a Carmona (Julho de 1926).
Carmona acabaria por entregar o executivo a Salazar (1932) e, em conjunto, fundaram a II República (1933), da qual foi o único Presidente com poder real. Sendo Salazar a segunda figura da II República e falecido Carmona (1951), a partir daí, enquanto Salazar viveu, os presidentes viveram à sua sombra. Craveiro Lopes (1951-1958) foi um colaborador de Salazar que, em determinado momento, pretendeu saber mais do que o mestre. E Américo Tomás, na sua simplicidade, ao contrário de Craveiro Lopes, teve o mérito de não estorvar, permitindo assim um período de enorme desenvolvimento de Portugal e a defesa sábia da estratégia do Ocidente em África perante a cobiça e o expansionismo soviético.
Chega o 25 de Abril de 1974. Para Presidente vai Spínola, um fanfarrão, ambicioso e ignorante que, para alcançar a «Suprema Vaidade da Nação», não hesitou em trair a sua palavra (consultar Marcelo Caetano, O Meu Depoimento) e incendiar Portugal. Como se isso não bastasse, vai de asneira em asneira, de casca de banana em casca de banana, entregando o poder ao Partido Comunista e seus aliados. Segue-se-lhe o Costa Gomes (Setembro de 1974), que dá ainda mais abertura ao Partido Comunista, e que, já fora da Presidência, revelará a sua verdadeira face ao perder a vergonha e integrar abertamente o «movimento da paz» sovietista.
A III República (1976) faz eleger para seu primeiro Presidente Eanes, aquele que começou por ser eleito contra o Partido Comunista e acabou reeleito com os votos do Partido Comunista e aos abraços a Brejnev. E hoje temos o cérebro de Boliqueime a presidi-la. Querem melhor?
Sabe-se como foi a I República e todos sabemos como esta III República pôs Portugal.
Para que serve afinal a República? Começou por afundar ainda mais Portugal, reergueu-o e voltou a transformá-lo nesta choldra. Eis a República.

E se houver aqui alguma mentira (ou inverdade, como se diz agora em português «politicamente correcto»), que me desmintam.
Que me perdoe o meu bisavô Joaquim (partidário de Brito Camacho), o meu avô João (partidário de Afonso Costa) e o meu tio-avô José (partidário de António José de Almeida). Aliás, certamente perdoam pois tiveram ocasião de perceber o logro em que haviam caído, acontecendo que o meu avô, para dizer desordem, dizia sempre república.
E já que se trata de República como facto consumado sem que nunca os Portugueses para tal tenham votado (que grandes democratas que os republicanos são!), para quando a Quarta, livre de toda esta actual mediocridade?





A imprensa e os Estados Unidos no Haiti

Cláudio Mafra

Não adianta. A lavagem cerebral anti-americana é a força mais actuante, mais influente dos nossos tempos, a mais importante de todas. Não adianta os Estados Unidos enviarem ajuda para o Haiti numa escala excepcional, nunca vista. Os jornais preferem criticá-la e insinuam de uma forma ridícula o perigo de uma ocupação permanente. Seria um insulto à inteligência crítica se essa inteligência não estivesse adormecida, ao que parece em carater perpétuo. E a desonestidade é flagrante. As manchetes não correspondem ao que está na matéria. Na quarta-feira, dia 20, o Estadão publicou em letras garrafais um primor de má fé: «FORÇAS AMERICANAS AMPLIAM ACÇÕES E OCUPAM SEDE DO GOVERNO». Não é óptimo? Parece uma guerra, a descrição de um ataque americano. Mas, que governo é esse a que se referem? Ainda não perceberam que não existe um Estado no Haiti? Não perceberam que o último governo para valer foi o da ditadura de Baby Doc, o ladrão que fugiu para a França em 1986.

O especialista em armamentos do Estadão começa assim: «Os Estados Unidos estão a fazer no Haiti o que sabem fazer de melhor: ocupar, assumir, controlar». Que coisa, hein? Conquistaram outro país. E o mais esquisito vem depois, quando ele cita a Doutrina Powell «aplicada em tempo de paz». Mas, o que é isso? Por conta própria resolveu adaptar o inadaptável, apenas para os leitores ficarem impressionados com sua cultura ao citar o general*. Diz o especialista: «Ela prevê que os EUA não devem entrar em acção a não ser com superioridade arrasadora». Mas como, diabos, é que esse vocabulário guerreiro se aplica à situação no Haiti? A gente pensa que ele vai descrever uma competição entre os Estados Unidos e outros países para ver quem ajuda mais -- um approach idiota -- mas dessa nós escapamos. Aliás, o Brasil ressentiu-se com a presença formidável dos americanos e andou trilhando o seu caminho preferido: o da falta de compostura nas relações internacionais. Achou que estava perdendo prestígio (e estava mesmo, como é possivel igualar-se à primeira potência mundial?) e passou logo para a difamação. Êta Amorim!

Virando a página temos outra manchete: «Acção agressiva dos EUA causa atrito com a ONU». Quer dizer, os EUA estão metendo os pés pelas mãos. E na reportagem: «A operação americana no Haiti causa mal-estar na ONU e a entidade é obrigada a declarar que o país ainda é ‘um Estado soberano’». «Obrigada a declarar »… Mas que advertência mais absurda! Parece que os Estados Unidos estão truculentamente investindo contra os poderes constituídos. E por falar nisso, o Presidente da República, René Préval, já saiu de debaixo da ponte? Bem, sabemos que a ONU é mais do que esquerdista, mais do que anti-americana, embora um terço do salário dos seus funcionários-marajás venha dos Estados Unidos.

Voltando à reportagem, vemos que depois do estrago feito, o repórter filo-comuna resolve fingir isenção: «Quase 70%do orçamento da ONU para o Haiti vêm de Washington». Mas ele não resiste a esse ataque de quase honestidade e ataca outra vez: «É a bandeira americana que está hasteada no aeroporto de Porto Príncipe». Malditos americanos! Já tomaram o aeroporto! E o restante da matéria é uma barbaridade. Critica o que seria uma ocupação: «A ONU está irritada, já que os americanos estão actuando como se estivessem num local de guerra» e «a ONU protestou porque os alimentos estão sendo distribuidos usando paraquedas». Dá para acreditar? Implicam até com os paraquedas. O completo nonsense. E o cabide de empregos usa tudo para criticar os Estados Unidos, ainda que seja sustentado por eles. O repórter segue com suas bobagens monumentais, mas sempre procurando disfarçar o seu sentimento de ódio. Para isso usa o mecanismo de alguém afirmando alguma coisa agradável sobre a ajuda extraordinária dos Estados Unidos. Dessa maneira finge que está sendo neutro, mas o peso da matéria, o seu direccionamento geral, o que se instala na cabeça do leitor, é a repulsa aos famosos imperialistas que são a desgraça do mundo, mesmo quando os factos mostram uma clareza imbatível, com os americanos trazendo alimentos, remédios, soldados e organização numa quantidade que só mesmo eles, com seu imenso poder, podem fazer. E por falar nisso, onde é que está a China? Comportando-se de maneira a justificar o sonho da esquerda de que amanhã será o maior país do mundo, tomando o lugar dos Estados Unidos? Impressionando pela quantidade de ajuda ou enviando suas quinquilharias falsificadas?

Um correspondente fala na «mania dos generais americanos de colocar os generais europeus na sua insignificância». Nossa Senhora, mas é exatamente o contrário! Desde a 2.ª Guerra Mundial, e na Guerra Fria, os militares americanos aprenderam a tomar o maior cuidado para não humilhar os seus aliados. Em determinados momentos chegaram a ser patéticos. O exemplo histórico foi deixarem De Gaulle entrar à frente em Paris com a sua tropinha francesa, negando aos soldados que realmente libertaram a cidade o orgulho, o direito, de fazê-lo. (De Gaulle deu logo um pontapé na História e começou o seu discurso dizendo: «A França! A França que se libertou com suas próprias forças!»). E, além do mais, todos sabemos que os generais europeus são mesmo insignificantes. Não conseguiram colocar ordem na própria cozinha, nos episódios da Bósnia e no Kosovo. Morreram de medo dos sérvios. Dependem dos americanos para tudo.

O porta-voz da diplomacia de Washington enviado ao Haiti deu uma entrevista e vocês viram a manchete que o Estadão colocou? Foi assim: «Americanos não vão se retirar tão cedo». Não é demais?

O Globo também segue na mesma linha e nem vale a pena citá-lo. Agora me lembrei do Dave Letterman fazendo uma piada: «Amanhã estaremos transmitindo a entrega do Oscar para 137 países que nos odeiam».

Tudo que coloquei no artigo é apenas do dia 20 de Janeiro de 2010, quarta-feira. Se eu pegasse toda a semana seria material para uma tese.

Nós precisamos educar os nossos filhos EM CASA, já que do lado de fora tudo é esquerdismo, tudo é anti-americanismo. É falta de amor, respeito, é indignidade permitir que eles façam parte da boiada.

* Essa doutrina atribuida a Powell de fato não é dele. Já havia sido formulada por MacArthur em declarações sobre a guerra da Coreia, e por outros generais com referência à guerra do Vietnam. Kissinger também escreveu a mesma coisa. A grande característica de Collin Powell é a falta de caráter.

Publicado em Reflexões Radicais

A desonestidade da comemoração republicana
com Antero do Quental



Nuno Castelo-Branco
Nesta azáfama propagandística das capitosas delícias da implantação da república, tem sido frequente o recurso aos grandes nomes do pensamento e da literatura do Portugal oitocentista. Se o descaramento não atinge Camilo, Herculano e Garrett, a ostensiva manipulação de outros como Oliveira Martins -- ministro de um governo de D. Carlos I --, Eça -- representante diplomático da Monarquia --, Ortigão -- abnegado amigo do rei --, ou Fialho, procura amalgamar estas personalidades na massa informe onde pontificaram Bernardino, Teófilo [Braga], Almeida, Junqueiro, Leão e uma infinidade de Costas, uns mais conhecidos que outros.

De uma total e deliberada desonestidade é a persistente usura de Antero de Quental, alternando o aproveitamento em benefício de uma certa ideia de «socialismo», com a da república. (...)

A uma Comissão que pretende fazer História, recomendar-se-ia, no mínimo, um pouco de discernimento, honestidade e, sobretudo, de pesquisa desapaixonada dos factos.

Aqui ficam em breves linhas, alguns desbafos de Antero:
I - in Carta a João Lobo de Moura, possivelmente de finais de 1873.
«Creio que teremos a república em Portugal, mais ano menos ano: mas, francamente, não a desejo, a não ser num ponto de vista pessoal, como espectáculo e ensino. Então é que havemos de ver o que é atufar-se uma nação em lama e asneira. Falam da Espanha com desdém -- e há de quê -- mas eles, os briosos portugueses, estão destinados a dar ao mundo um espectáculo republicano ainda mais curioso; se a república espanhola [a efémera, caótica e desastrada I república espanhola, de Fev. de 1873 a Dez. de 1874] é de doidos, a nossa será de garotos. A grande revolução, meu caro, só pode ser uma revolução moral, e essa não se faz de um dia para o outro, nem se decreta nas espeluncas fumosas das conspirações, e sobretudo não se prepara com publicações rancorosas, de espírito estreitíssimo e ermas da menor ideia prática.»
II- In Carta a João Lobo de Moura, Lisboa 18 de Março de 1875.
«Há já república em França. Isto não altera muito sensivelmente o estado das coisas: entretanto os nossos jacobinos criaram com isso grande ânimo, e andam alvoroçados. Querem também uma República. Talvez a tenham; mas, se assim for, duvido que gostem dela. Imagine uma República em Portugal! Entretanto pensam nisso com grande confiança, e é certo que o partido republicano engrossa a olhos vistos. Quando os republicanos forem maioria, tratarei de me fazer anti-republicano, porque fui sempre amigo de me achar em minoria».
III - In Carta a Oliveira Martins, Lisboa 10 de Outubro de 1878.
«Aqui pretendem uns centros republicanos, soi-disant socialistas, apresentar a minha candidatura por Alcântara. Respondi que achava equívoca a expressão republicano-socialista e como este equívoco praticamente me parece perigoso, só aceitaria a dita candidatura com o carácter exclusivamente socialista, com toda a reserva de questão política e em completa isenção do movimento republicano actual».



sábado, 30 de janeiro de 2010

Há certezas se já houver votos internos contados

Afonso Perdigão

Seria esclarecedor, regenerador e revitalizante para o PPD-PSD os candidatos a lideres (por mais votos contados que tenham) terem a humildade de expor as suas ideias e o seu verdadeiro carácter num congresso do Partido, cara a cara com os outros militantes representativos do Partido e perante o País, com transparência e verticalidade.
As eleições directas sem um congresso prévio permitem apenas que, de forma pouco transparente, seja eleito quem tiver mais votos arregimentados e tenha feito mais encenações, como a apresentação de livros, minutos de televisão e forças subterrâneas a trabalhar para si. Não quer dizer que todos os partidários do congresso prévio pretendam transparência mas a verdade é que, sem ele, não há certamente transparência. O congresso prévio, como elemento de debate interno, é uma condição necessária mas não suficiente para haver transparência, pois, também ele pode ser adulterado.


A seita sodomita do PS
censura o socialista Carlos Anaia




Por motivos «inexplicados» e sem ser previamente avisado, a entrevista programada para a revista Focus ao socialista Carlos Anaia foi «suspensa». Está na cara o que se passou. Depois das cenas eventualmente chocantes de censura na TVI e noutros órgãos de informação para serem caladas as vozes críticas ao Governo de Sócrates, chegou agora a vez da Focus «suspender» a entrevista a este militante socialista que se tem empenhado na luta dentro do seu partido contra os chamados «casamentos» entre invertidos.

A Focus colabora assim com a seita sodomita. Por isso deve ser boicotada e não deve ser comprada pelos portugueses normais. Nem mais um cêntimo para a Focus sem que publique a prometida entrevista!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

domingo, 24 de janeiro de 2010

Um golpe no tráfico de influências em1935:
A Lei Cabral proibindo filiação em associações secretas

Enviado por A. F.

E se se voltasse a tentar impor uma lei similar? Os detentores de cargos públicos, politicos, e funcionários públicos, sob compromisso de honra declararem que não pertencem a nenhuma sociedade ou associação secreta?...
Será que os tráficos de influências, os compadrios se manteriam? Mas menos...



[ Citação não referenciada: ]

«Em 19 de Janeiro de 1935, na recém-inaugurada Assembleia Nacional do Estado Novo, o deputado José Cabral apresentou um projecto de lei proibindo aos cidadãos portugueses fazerem parte de associações secretas, sob penas várias que incluíam sempre prisão, multa e, em casos de reincidência, desterro.

«Os estudantes de 16 anos para cima, os candidatos ao funcionalismo público e os funcionários públicos em exercício seriam obrigados a declarar, por sua honra, que não pertenciam nem jamais pertenceriam a qualquer associação secreta, ou que haviam deixado de a ela pertencer. Todos os bens das referidas associações seriam arrolados e vendidos em praça, revertendo o seu produto para a assistência pública. para a assistência pública. para a assistência pública.


«Ainda que o não especificasse, o projecto dirigia-se unicamente contra a Maçonaria. Isso mesmo foi desde logo compreendido por ela, motivando a carta de respeitoso protesto que o Grão-Mestre Norton de Matos resolveu escrever ao presidente da Assembleia Nacional, Dr. José Alberto dos Reis, ironicamente maçon este também. Mas nem a carta, nem o contundente artigo que Fernando Pessoa conseguiu publicar no Diário de Lisboa em 4 de Fevereiro - um segundo artigo foi cortado pela censura -, nem todas as diligências junto dos parlamentares e de outras autoridades lograram travar a marcha dos acontecimentos. Após um extenso e bem documentado "Parecer" da Câmara Corporativa - porventura o primeiro a que foi chamada a elaborar - assinado por Fezas Vital, Afonso de Melo, Gustavo Cordeiro Ramos, José Gabriel Pinto Coelho e Abel de Andrade em 27 de Março, o projecto nº 2 entrou em discussão nas sessões da Assembleia de 5 e 6 de Abril, onde se ouviram mais censuras à Ordem Maçónica. Foi votado nominalmente por unanimidade nesse mesmo dia 6, apressando-se muitos outros deputados ausentes, em declarações de voto expressas nos dias seguintes, a juntar-se à corrente condenatória. E enfim, em 21 de Maio, saía no Diário do Governo nº 115, 1ª série, a lei nº 1901, que obrigava as associações e institutos exercendo a sua actividade em território português a fornecerem aos governadores civis dos distritos cópia dos seus estatutos e regulamentos, relação dos sócios e quaisquer outras informações complementares que lhes fossem solicitadas. No mais, a lei obedecia às cláusulas de base do projecto, incluindo as penalidades nele consignadas, declarações de funcionários públicos - mas não de estudantes - e venda de bens.»

[  Manifestaram o seu desacordo com a lei Agostinho da Silva, Fernando Pessoa e Norton de Matos. ]