sexta-feira, 15 de abril de 2011

«Um Compromisso Nacional» ou uma salada nacional?

Heduíno Gomes
Várias personalidades mediáticas assinaram um documento pretendendo dar soluções para a crise nacional. O documento é tão vago e abrangente que qualquer responsável por aquilo a que chegámos não hesitaria em assiná-lo. Aí temos 40 a fazê-lo, uns por boas intenções, outros nem por isso. Alguns dos signatários são, eles próprios, responsáveis pela catástrofe. Não incluísse a lista algumas pessoas decentes, embora ingénuas, e poderíamos falar da história de Ali Babá.
No que diz respeito às finanças, vemos alguns membros das federações de interesses que afundaram Portugal, como a cavaquista, co-responsável pelo monstro, a lamentar a situação. Curioso, não é? Quem liquidou a agricultura e as pescas? Quem tem sucessivamente agravado o défice? A verdade é esta: na III República, excepto Mário Soares (quer se goste ou não, quer se seja socialista ou não) e Carlos Mota Pinto, que fizeram de sapadores dos buracos de Vasco Gonçalves e da AD, todos os outros contribuíram para a desgraça. Já alguém ouviu esses signatários ex-desgovernantes ou apoiantes da desgovernação da III República, portanto co-responsáveis, reconhecer os seus erros? Gostaríamos de ouvi-los. E já agora, a talho de foice, falando de fundos e rigor financeiro, gostaríamos também que o signatário Eanes (o tal que foi eleito contra o PCP e reeleito com os votos do PCP e simpatia dos soviéticos em plena guerra fria) esclarecesse o destino do Fundo de Defesa do Ultramar. Para que a sua esfíngica imagem continue imaculada aos olhos do pagode.
«Compromisso Nacional» com este pessoal, não, obrigado! Ruptura.
No que diz respeito aos valores morais, vemos que entre os signatários do documento se encontram acérrimos militantes da sua degradação. Por exemplo, que fará o anarco-liberal e advogado da decadência Boaventura Sousa Santos entre gente que diz pretender salvar Portugal? Ou o «aberto» e sonso António Barreto, autor de programas televisivos e editor de livros modernaços até mesmo defendendo a degradação moral e o actual domínio dos invertidos na vida nacional? Que farão defensores da decadência entre gente que pretende reerguer Portugal? Acreditarão porventura os de boa fé e minimamente lúcidos haver ressurgimento económico e financeiro sem ressurgimento moral? Que fazer então em comum, misturando-se com os militantes da decadência?
«Compromisso Nacional» com este pessoal, não, obrigado! Ruptura.
No que diz respeito à clareza política – essencial a qualquer solução política válida –, como será ela possível com tanta biodiversidade? Será que esses 40 estarão de acordo nas medidas políticas essenciais a tomar para Portugal sair da crise? Que farão entre os salvadores de Portugal os persistentemente adeptos de fórmulas e doutrinas contrárias a Portugal e a qualquer país? É que nem falta no rol biodiverso o camarada «pai da constituição» que enquadra a nossa desgraça, o venerável Canotilho, sempre convidado a opinar cada vez que alguma alternativa política possa, mesmo que timidamente, alvitrar algum desvio aos «ideais de Abril»! É a cereja constitucional no cimo do bolo abrilista!
«Compromisso Nacional» com este pessoal, não, obrigado! Ruptura.
O caminho certo não é este, sem qualquer dúvida. O caminho certo só pode ser o de constituir um núcleo que produza uma doutrina realista e clara para Portugal, de ruptura com a III República, e desenvolva a partir daí uma acção política coerente, contemplando a economia e finanças, a educação, a moral e a família. Fora disso é mais do mesmo, é apenas oportunidade de alguns se promoverem aparecendo em listas de sábios. Para reconstruir Portugal tem de haver alicerces.
Resta referir as boas intenções de alguns dos signatários: esperemos que a sua ingenuidade se transforme rapidamente em consciência. Porque entretanto vão inconscientemente sendo úteis ao adiamento de Portugal.

A solução:



Não será melhor alguém passar lá em casa
a ver se está tudo bem?

(Anónimo)
A crise política começou e Cavaco não disse nada.
O Sócrates ameaçou demitir-se e Cavaco nada disse.
O Sócrates demitiu-se mesmo e Cavaco continua sem nada dizer.
Pergunto eu, não será melhor alguém passar lá em casa a ver se está tudo bem? Nos dias de hoje todo o cuidado é pouco com idosos sozinhos em casa.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mira Amaral – um homem sem vergonha

Carlos Fonseca
Mira Amaral, engenheiro de base e economista por pós-graduação, resolveu sair também a terreiro e proclamar: “a economia portuguesa não aguenta mais impostos”. Ao estilo de sábio membro do ‘Conselho de Anciãos’, a ilustre figura avisa: “é urgente, é imperioso fazer cortes do lado da despesa…”. O aviso, claramente dirigido ao seu partido, é redundante, se tivermos em conta as posições da direcção do PSD, a quem, Mira Amaral, se pretende colar.
De há muito, a falta de vergonha dos homens públicos é fenómeno comum, mas Mira Amaral é um destro praticante da ignomínia. Integrou os quadros do BPI, transitando do adquirido Banco de Fomento, privatizado nos anos 90. No início da década actual, reformou-se do BPI com indemnização e pensão substanciais. Algum tempo depois, ingressou na CGD, por influência do PSD; porém, ao final de 18 meses, viria a deixar a instituição do Estado, com uma obscena pensão de reforma de mais de 18 000 euros mensais; e não foi o único, porquanto também o seu ajudante de campo e ex-secretário de estado, eng.º Alves Monteiro, teve percurso semelhante, embora a valores mais baixos. Até Bagão Félix, então Ministro das Finanças, benfiquista de alma e coração, ficou verde.
Hoje, Mira Amaral, administra o Banco BIC, ao serviço de Amorim e de Isabel dos Santos, a princesa do reino de Angola. Um homem que, além de retribuições de privados que não discuto, em função da desfaçatez de arrecadar cerca de 250 000 euros anuais de uma instituição pública, perdeu a moral – e igualmente a vergonha – para falar em desperdícios de dinheiros públicos, mormente em cortes de despesas.
Sr. Mira Amaral: ajude o País, prescindindo da abjecta situação de reformado da CGD!
Mas, na vida pública de Mira Amaral, existem outras passagens funestas para o País.
Como Ministro da Indústria de Cavaco Silva, entre 1987 e 1995, ordenou, por exemplo, o esquartejamento da estrutura industrial portuguesa. O processo de desindustrialização integrou, por exemplo, todo o grupo CUF / Quimigal e foi executado, por um outro homem de mão de Amaral, o célebre António Carrapatoso; homem que, há pouco tempo, esteve na Universidade de Verão do PSD, na qualidade de eminente prelector sobre problemas da economia portuguesa que ele, o seu chefe Mira e o supremo Cavaco tanto fragilizaram com uma política de privatizações, a favor de companhias estrangeiras, criticada publicamente por José Manuel de Mello, Lúcio Tomé Feteira e outros industriais.

A liberdade requerida por Paulo Portas

Heduíno Gomes
Para quem não conhece a história de Portugal do século vinte, fica a conhecê-la por Paulo Portas, a discursar no American Club (5.4.2011):  a I República endividou-se e depois, vejam lá, «perdemos a nossa liberdade». Credo!
É pena não ter especificado em que «perdemos a nossa liberdade». Deve ter sido por Salazar, no Estado Novo, ter activado a intolerante polícia dos costumes e ter mantido no RDM o profiláctico artigo 16. E também por manter proibido o aborto e a pornografia. Isto é, por o Estado Novo não ser liberalóide.
Pobre democracia-cristã portuguesa, que se encontra dominada por uns rapazinhos, rapazinhas, rapariguinhos e rapariguinhas liberalóides!
Para quando a acção concertada dos autênticos democratas-cristãos  portugueses para desalojarem da direcção do CDS-PP este pessoal menor?
Porque não se junta Paulo Portas a Santana e a Passos Coelho para fazerem um partido liberalóide de A a Z e deixar a democracia-cristã em paz?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Vaticano perante a ONU:
Opinar contra homossexualidade
está dentro da liberdade de expressão

O representante da Santa Sé no gabinete da ONU em Genebra, Dom Silvano Tomasi, recordou a este organismo que quem ataca os que têm opiniões contrárias ao comportamento homossexual violam o direito das pessoas à liberdade de expressão.

O Arcebispo interveio durante a discussão do item «Orientação sexual», na XVI sessão do Conselho dos Direitos humanos, e mostrou a sua preocupação ante a «alarmante tendência» de «atacar pessoas por tomarem posições de não apoiar as condutas sexuais entre pessoas do mesmo sexo».

Ler mais em:

quinta-feira, 31 de março de 2011

Pérolas dos nossos políticos e intelectuais (26)
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O Vasco II (o Vasco I era o Gonçalves)
insiste em comemorar o 25 A
José Cruz
Bem, desta vez, pérolas dos nossos intelectuais é que não! E quanto a políticos, nem isso…
Olha que dois patriotas abrilistas
e amigos do progresso de Portugal!
Perante o facto das comemorações da nódoa negra da história de Portugal chamada 25 A estar a deslizar para o respectivo caixote de lixo, e na circunstância não ir ser comemorado na Assembleia da República, o «capitão de Abril» Vasco Lourenço insurge-se contra e diz que os partidos se sentem envergonhados da situação a que conduziram o País.
Ó nosso capitão, pense um bocadinho, é caso para isso! Só não se percebe é como é que o nosso capitão não tem vergonha do seu papel neste processo. Continua a querer ser herói, é?
Se a inteligência fosse música,
Vasco Lourenço seria o Zé Cabra!

domingo, 27 de março de 2011

A crise, a III República e os 900 anos de Portugal

Heduíno Gomes
Crise é agravamento de uma situação. Então viveremos uma «crise». Mas, na realidade, trata-se apenas de crise dentro da crise. De facto, a III República é em si mesma uma crise nos quase 900 anos da história de Portugal e o seu agravamento é apenas um seu episódio e um seu corolário.

Numa míope postura conjunturalista e tacticista, políticos, politólogos, comentadores e jornalistas exercitam-se esmeradamente a espiolhar cada palavra, cada frase, cada gesto de cada um dos actores. Levantam as questões mais pertinentes e subtis que só a altos especialistas ocorrem e a que naturalmente apresentam as respectivas respostas com suprema argúcia e inteligência.
Irá haver eleições? Que data convirá mais a este ou àquele partido? Será que a senhora Merkel concordará com a medida? Para que lado irá dormir Cavaco? O timing da declaração estará certo? Etc., etc.
Mas sobre a crise de fundo que é a III República, nem uma palavra. Eles gastam energias, tempo de antena e parlapié a analisar a crise da crise mas nem uma palavra sobre a verdadeira crise.
Será que o quadro constitucional irá ser mudado para um modelo correcto? O Presidente da III República irá ser diferente do que saiu na rifa dos 23%? A respectiva classe política será despedida? Haverá alguma diferença substancial entre um Cavaco, um Passos Coelho, um Pinto de Sousa ou algum dos que se perfila para os substituir na primeira oportunidade? O que pesará qualquer um deles nos nossos 900 anos de Nação?
Que dizer sobre todo este drama nacional?
Primeiro, devemos continuar aturadamente a apresentar o caminho para reconstruir Portugal. A verdadeira cura para o agravamento da crise é a cura da crise de fundo: o fim da III República.
Segundo, podemos, com boa disposição, comentar as discrições dos actores da III República.

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Imagens: D. Afonso Henriques, o Santo Condestável e D. João II. A Plataforma do Fórum Repensar Portugal Reconstruir Portugal.



terça-feira, 22 de março de 2011

Haverá um dia em que todos voltaremos a ser felizes...

Quando:
- OS SÓCRATES FOREM APENAS FILÓSOFOS
- OS ALEGRES APENAS CRIANÇAS
- OS CAVACOS APENAS INSTRUMENTOS MUSICAIS
- OS PASSOS APENAS OS DE DANÇA
- OS LOUÇÃS APENAS ERROS ORTOGRÁFICOS
- OS JERÓNIMOS APENAS MONUMENTOS NACIONAIS
- OS PORTAS SÓ DE ABRIR E FECHAR

Já tenho a garrafa de champanhe no frigorifico....

domingo, 20 de março de 2011

Como o programa «Plano inclinado» foi «inclinado»...


Este é o mais recente programa de televisão censurado pelo sistema. Nesta última emissão do "Plano Inclinado", transmitido na SIC Notícias a 12 de Fevereiro, o fiscalista Henrique Medina Carreira e o ex-dirigente socialista Henrique Neto explicam que os partidos políticos funcionam como máfias e estão a levar Portugal à bancarrota económica pela segunda vez na História de Portugal. Henrique Neto revelou a forma como a maçonaria controla os partidos. Depois deste programa ir para o ar, a SIC cancelou todas as suas repetições.

É claro que Balsemão se revelou «sensível» a essas máfias... não fossem elas fechar-lhe a torneira da publicidade.

Balsemão aceitava o programa em questão apesar de crítico. Crítico, sim, desde que aumente as audiências. Ma non tropo!

 


Pérolas dos nossos políticos e intelectuais (25)
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Graças ao seu «grande arquitecto», 
o Relvas mete a social-democracia na gaveta
José Cruz
Afinal, graças ao «grande arquitecto», o Relvas não é «social-democrata»… Interpelado à entrada do encerramento do congresso do CDS, em Viseu, o inimitável Miguel Relvas no seu habitual estilo aflautado diz que o PSD e o CDS têm ambos estado empenhados em projectos «não socialistas». Então onde é que ele meteu a sua social-democracia (=socialismo)? Na gaveta? Assim se percebe porque é liberal.

sexta-feira, 18 de março de 2011

O 15 de Março de 1961 a 50 anos de distância

João José Brandão Ferreira
A data de 15 de Março de 1961 representa para os portugueses, o início do terrorismo em larga escala, que se abateu sobre a então província de Angola, território português onde Diogo Cão pela primeira vez colocou um padrão, em 1483. Este ataque configurou um verdadeiro genocídio, que em nada fica atrás à gravidade do que ocorreu no atentado às torres gémeas em Nova Iorque.
Os responsáveis por (alguns) genocídios passaram a ser julgados em tribunais internacionais e esses crimes não prescrevem…
Vítimas do massacre de 15 de Março de 1961
Este ataque traiçoeiro, engendrado fora de portas e com apoios vários, deu origem a uma luta de guerrilha e de contra guerrilha que durou 14 anos, estendendo-se à Guiné (1963) e Moçambique (1964). Foi, sem dúvida, pela sua grandiosidade e consequências, a ocorrência mais marcante de todo o século XX da nação lusa.
À Liga dos Combatentes, a que se associou o governo, através do Ministro da Defesa, e a Presidência da República, pela figura do mais alto magistrado político, coube organizar os eventos de modo a não deixar passar os 50 anos da efeméride, no olvido.

Chamou-se às cerimónias uma “Evocação do Esforço da Nação Portuguesa e das suas Forças Armadas na guerra do Ultramar (sublinhados nossos), o que parece uma designação feliz. Dividiram-se os eventos entre uma missa nos Jerónimos; uma cerimónia junto ao monumento dos Combatentes, em Pedrouços e uma sessão solene na Sociedade de Geografia de Lisboa que, em boa hora, se associou ao acto.

À parte o escasso público e deficiente cobertura mediática tudo correu bem.

Tudo, com uma excepção: a homilia, deslocada, incongruente, acre e historicamente falsa, do Bispo D. Januário, que presidiu à Eucaristia.

O Sr. Bispo é bem conhecido, pelo que pensa, diz e faz, logo a responsabilidade do insucesso deve ser partilhada por quem o convidou.

Sua Eminência foi convidado para invocar o esforço da Nação e das Forças Armadas (estas fazem parte daquela), se não concordava com tal não devia ter aceite o encargo.

O impagável Januário que envergonha os católicos combatentes
(e também os não combatentes)
Ao invés disso, resolveu agredir a Nação e as FAs, ao condenar subliminarmente o seu esforço; ao fazer um julgamento político do Estado e lançando sobre todos o anátema da guerra injusta.

A ele bem se pode aplicar a célebre frase de Jesus no Gólgota: “Pai, perdoa-lhes que eles não sabem o que fazem”.

Não podemos no espaço de umas linhas, analisar toda a penosa homilia que à excepção, talvez, do ministro Santos Silva, já libertou os presentes das penitências da Quaresma. Mas vamos tentar embaciar o brilho de alguns das mais nacaradas pérolas com que S. Ex.ª nos brindou.

Primeiro e simples ponto: a nação portuguesa, melhor ou pior representada politicamente pelo seu estado, foi atacada interna e externamente por meios políticos, diplomáticos, militares e através de violências várias. Todos os indivíduos e povos têm direito à legítima defesa e foi isso que nós todos fizemos: defendemo-nos. A Igreja, aliás, é a primeira a reconhecer esse direito. E o Concílio Vaticano II sempre tão evocado por S. Ex.ª, é bem claro em defender as forças militares, que disso bem se desempenhem (Gaudium et Spes, 79). E quem está do nosso lado é dos nossos; quem está do lado contrário é inimigo; e quem é da nossa família e se passa para o inimigo é traidor. Isto é linear e não oferece qualquer dúvida.
Por isso não se entendem os trocadilhos que o Sr. Bispo fez sobre esta questão, a não ser pela confusão que lhe habita a mente. E esta confusão não é a única: afirmou, por exemplo, que “foi nas matas de África que o governo de Lisboa caiu”, não foi nada, foi por via da subversão, de origem marxista, que se instalou na Metrópole e que o governo de Marcelo Caetano não soube e, ou, quis combater.
Querendo insinuar que a maioria da população ou dos que serviram nas fileiras, estavam na guerra a contragosto, sempre foi dizendo que uns cumpriram por convicção e outros com rebeldia, uns a gosto e outros menos… Bom, Sr. Bispo, desde D. Afonso Henriques que existe o dever militar e nem sempre ele é cumprido com a melhor mente e ninguém são de espírito gosta de ir para a guerra. Mas, às vezes, sabe Sr. Bispo, é preciso. Aliás, o senhor deve perceber estas coisas bem, como tem o dever de obediência canónica, certamente já fez ou disse muitas coisas com que não concordava. Atrevo-me a dizer isto pois já o vi criticar, em público, Sua Santidade, o Papa.

E nem se entende, à face do que disse, como é que se ofereceu para acompanhar as tropas, como capelão, em 1961…

Por outro lado, D. Januário apelou muito à Paz. Está certo, nós devemos apelar á Paz. Mas lembro ao Sr. Bispo que a paz sem justiça não é paz, é iniquidade; que a paz dos cemitérios só interessa aos mortos e que a cobardia ou a recusa à defesa nos leva para a “paz” dos escravos. O “céu”, Excelência, só existe no céu, não na terra. Se a terra é o inferno ou não, deixo aos teólogos decidir…

Por isso exigir a Paz vale tanto como afirmar na Constituição da República que todos nós temos direito à saúde, ao trabalho, à habitação, etc., olhe temos direito a tudo… mas, de facto, temos muito pouco e temos que lutar por isso.

Não se compreende até, que o senhor, como Bispo das FAs e de Segurança, não exige o imediato regresso dos militares que temos espalhados por esse mundo fora a correrem, como Mouzinho dizia, “perigos, fomes e sedes…”

E queira fazer o favor de notar que nenhum deles está a defender as suas fronteiras físicas ou a segurança da população a que pertence. Como, “de facto”, e “de jure”, estiveram as centenas de milhares de jovens portugueses que lutaram na refrega que ora invocamos – como, aliás, muitos mais o tinham feito nos últimos cinco séculos.

Finalmente o senhor bispo veio invocar os exemplos da Igreja, durante o citado conflito. Foi mais uma vez infeliz e amargo.
Começou por louvar a acção dos Bispos de Nampula, Beira e Luanda na sua oposição ao regime. Concedamos-lhe a graça da boa intenção, isto é, de terem pautado a sua actuação pelo melhor que sentiam para o seu rebanho. Só lhe faltou elogiar os padres da Lixa, Felicidade Alves e Fanhais que, de tão bons católicos que eram, rapidamente deixaram o ministério. Saudou ainda os religiosos que ajudavam as populações gentílicas e ignorou, convenientemente todos aqueles que estando em nossa casa, ajudaram a, e à subversão.
Mas o Sr. Bispo sabe tão bem como eu, que a esmagadora maioria da hierarquia, dos padres e religiosos e ainda os capelães (já agora, foi a I República que acabou com a assistência religiosa às tropas…), se mantiveram firmes na defesa da causa nacional portuguesa. Porque é que nem sequer lhes fez referência?
E, Sr. D. Januário, convenhamos que a Santa Sé, sobretudo durante o ministério de Paulo VI, não se portou bem para com Portugal. Afinal, nós é que somos a “Nação Fidelíssima”, não eram os movimentos marxistas que lutavam contra nós…
A Santa Sé, indo nos mitos dos ventos da História, deixando de acreditar que o governo de Lisboa perseverasse, passou a balancear e a fazer jogo duplo para tentar manter a influência em todos os tabuleiros. Foi pragmático mas não foi bonito nem cristão. Aliás, nada disto era novo para nós: durante muitas décadas, por via da Propaganda Fidei e outras, tentaram retirar-nos o Padroado do Oriente, cujo magistério exercemos, diligentemente, durante séculos.
Por tudo isto, Sr. Bispo D. Januário, tanto nós como o Altíssimo temos muito que lhe perdoar. E estamos dispostos a fazê-lo: Ele porque a sua misericórdia é infinita, e nós por dever de cristandade. O problema é que V.Exª se tem mostrado relapso ao arrependimento.
Parafraseando uma frase assassina com que o Prof. Salazar brindou D. António, Bispo da Invicta e vosso alter ego, “possui demasiada cultura para a inteligência que tem”, também se poderá dizer que V. Ex.ª tem demasiados conceitos na cabeça e demasiado errados, para aquilo que consegue processar.
Respeitosamente,
Seu
João José Brandão Ferreira
TCor/Pilav (Ref.)




sábado, 12 de março de 2011

Templo histórico em Espanha profanado
com rito satânico

O Bispado de Almeria (Espanha) iniciou os trabalhos de reabilitação da antiga igreja de Las Salinas de Cabo de Gata, profanada durante o último fim de semana com grafitis simulam um rito satânico.
O templo, construído 1907, permanecia fechado ao culto desde ano 2004 pelo risco de desmoronamentos. O acto de vandalismo ocorreu depois da vitória da diocese em um longo litígio judicial com uma empresa privada que tentou convertê-lo em discoteca e centro turístico enquanto se esperava a permissão oficial das autoridades de Andaluzia para iniciar a reabilitação da igreja como lugar de culto, entretanto concedida.
Na segunda-feira 7 de Março, o interior do templo amanheceu cheio de figuras e grafitis esotéricos satânicos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Pérolas dos nossos políticos e intelectuais (24)
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Marcelo felicitou efusivamente o PCP
pelo seu 90.º aniversário
José Cruz

Sobre mais essta marcelice, basta ler:

Pérolas dos nossos políticos e intelectuais (23)
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Cavaquismo, a nova faceta de António Barreto
José Cruz
O intelectual do regime António Barreto, que pretende passar por uma consciência crítica, deu mais uma achega à clarificação da sua posição perante a crise, os lóbis e a corrupção moral do regime.
Entrevistado por Ana Lourenço na SIC Notícias a propósito do discurso de Cavaco na tomada de posse, Barreto revela-se... cavaquista. De facto, ele já tinha sido, a convite de Cavaco, o discursante oficial do regime no dia 10 de Junho, o que selou a transferência da «consciência crítica» para a órbita do cavaquismo. Juntaram-se definitivamente dois sonsos contra Portugal.

Jovens de todos os países, manifestai-vos e rebelai-vos!

Heduíno Gomes
Segundo Cavaco, no seu discurso de posse do segundo mandato, os jovens devem manifestar-se e rebelar-se. Contra quem?
Não sei se ele estava a pensar num gajo que enganou os jovens com a qualidade do ensino, que os tentou corromper com promessas de carreira política, que hipotecou as suas vidas estoirando em jeeps e alcatrão a massa que veio de Bruxelas, estoirando a agricultura e as pescas, lixando as finanças públicas com o monstro das despesas do Estado, etc., etc.
Se Cavaco estava a pensar nessa personagem, a manif não deve ser na Avenida da Liberdade mas sim na Praça Afonso de Albuquerque.
Aí sim!





As eurocratas de Bruxelas
exigem mais mulheres em cargos de chefia

No âmbito das comemorações do Dia da Mulher, Viviane Reding lança um ultimato às empresas e ameaça estabelecer sistema de quotas em 2012. Para ela, a presença do sexo feminino nas administrações «traz mais benefícios» (por exemplo, na estiva).
A vice-presidente da Comissão Europeia, Viviane Reding, deu um ano às empresas europeias para que coloquem mais mulheres em cargos de poder, sob pena de Bruxelas estabelecer um sistema de quotas em 2012 (é a democracia de Bruxelas).
No âmbito das comemorações do Dia da Mulher, Viviane Reding fez um ultimato às companhias para que autoregulem a incorporação das mulheres nos conselhos de direcção. Para Reding, a presença do sexo feminino nas administrações "traz mais benefícios" às empresas (e a gaja é muito amiga das empresas!).
Segundo Viviane Reding, a comissão europeia vai "vigiar o que se passa nas cúpulas das empresas no próximo ano" e, caso a situação se mantenha igual, serão tomadas medidas.
Segundo os últimos números do Eurostat, só 12 por cento dos membros dos conselhos de administração são mulheres.
Também o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, aproveitou o dia para assinalar, em conferência de imprensa, "a importância da integração da mulher para alcançar os objectivos económicos da UE" (ele devia era tomar conta d...).
 

terça-feira, 8 de março de 2011

Pérolas dos nossos políticos e intelectuais (22)
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As excelências pedagógicas
do grupo de Pedro Passos Coelho
e do seu expert Pedro Duarte
Heduíno Gomes
É só tratar-se de educação e aparece a representar o PSD o grande quadro de Pedro Passos Coelho em ensino: Pedro Duarte. Ouvi-o uma vez na antiga Secção A de Lisboa do PSD a explanar as suas mezinhas para a maleita do sistema de ensino, com as quais este ficaria um mimo. Medidas de gestão, e mais gestão, e mais gestão. Uma espécie de António Barreto mas em menos intelectual. Sobre as questões fundamentais, zero. É a superficialidade a que nos habituaram os nossos actuais políticos, por dever de ofício obrigados a falar do que não sabem e que, por arrogância ou alienação, se recusam a aprender.
Nessa sua memorável (não me sai da memória!) intervenção, o expert Pedro Duarte chegou até a ser cómico: tudo se resolveria com a administração das escolas pelas forças vivas locais: comerciantes, industriais, associações, bombeiros, etc. Fiquei sem saber se as associações columbófilas também teriam assento no alto comité pedagógico do burgo.
Quê de novo do expert?
Levantou-se há dias a questão de eliminar um dos dois professores da já de si ambígua disciplina Educação Visual e Tecnológica, originalidade das pedagajas da 5 de Outubro, originalidade quer pela salganhada do conteúdo da disciplina, quer pelo facto de ser ministrada por dois professores simultaneamente na mesma sala, isto é, com duas autoridades na mesma sala (supor-se-ia haver autoridade numa sala de aula, desculpem-me as pedagajas…).
E que diz o nosso génio pedagógico Pedro Duarte? Com a sua oportunista e primária política de oposição, e de um eleitoralismo sabujo, pretendendo agradar aos interesses corporativos de alguns, diz que deve ser mantida a situação para não enviar para o desemprego um certo número de professores. Que se mantenha pois a aberração. O sistema de ensino propriamente dito, desastroso, como sabemos, e as respectivas vítimas – os alunos – que se lixem.
É este o nível da abordagem dos problemas do ensino pelo grupo de Pedro Passos Coelho e deputadozecos que o representam em S. Bento. Com experts (espertos) destes podem bem os comunistas, socialistas, fenprofes e pedagajas. Enquanto o PSD não se emancipar das ideologias pedagogistas e tecnocratistas nunca poderá ser a solução para os problemas do ensino.

Nota
Eu quero aqui declarar que os direitos de autor do conceito de pedagaja não me pertencem. Pertencem de facto a um professor de Coimbra que não conheço e ao qual rendo mais uma vez a minha homenagem. Traduzindo tão bem a particular realidade, o conceito entrou no meu vocabulário pedagógico, que assim ficou enriquecido. Apenas acrescento que há uns gajos que parecem pedagajas.


Angola: «Esta terra há-de sorrir»

«ESTA TERRA HÁ-DE SORRIR»
QUIS voltar a esta terra
que a guerra entristeceu,
mas onde o céu tem estrelas
e já minha mãe nasceu.

ONDE muitos dos meninos
têm fome, têm medo,
e que do fundo dos olhos
me contaram em segredo:

«ESTA terra há-de sorrir.»
Esse dia chegará.
Da floresta de cabinda
às quedas do Ruacaná,
cantaremos velhos cantos,
dançaremos velhas danças,
com vestidos de alegria
e missangas de esperança.

MENINOS de toda Angola,
poderemos dar a mão.
Vamos esquecer o som
da espingarda e do canhão.
Não haverá quem nos teça
um destino ainda mais duro
e queira escolher por nós
o caminho do futuro.

OS meninos de Benguela
com cantigas viajantes
e os meninos da Lunda
com sorrisos de diamantes.
E os meninos do Huambo,
olhos cheios de mistério,
aprendendo a liberdade,
só que desta vez a sério.

CANTA, eufórico, um tambor,
dança, louca, uma viola
envolvendo num só hino
toda esta terra de Angola.
E então muitos mais meninos
desse e de outros continentes
terão a alma mais solta
e o coração mais quente.

Do CD «Brisa do Sul», de Ana Faria, gravado em 1988
com a participação do coro angolano Boa Esperança.
Para ouvir

Pérolas dos nossos políticos e intelectuais (21)
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Telmo Correia e a democracia do PCP
Heduíno Gomes
Telmo Correia, mais uma vez, deu provas da lucidez política a que nos habituou. Efectivamente, numa mesa redonda na SIC Notícias (7.3.2011), este quadro de Paulo Portas, declarou, em relação ao PCP e ao CDS-PP: «ponto de convergência é a democracia».
Boa, Telmo!
Será que a esmagadora maioria dos membros do CDS-PP e o seu eleitorado subscrevem esta pérola politicamente correcta?
Claro que não! Isto é apenas mais uma manifestação do grupo liberal que se apoderou da direcção do CDS-PP e alberga «tolerantes» politicamente correctos, progressistas, apoiantes do aborto e mesmo do chamado «casamento» entre invertidos. Isto anda tudo ligado...

Os festejos dos 90 anos do PCP

Heduíno Gomes
Passam 90 anos sobre a fundação do PCP. A efeméride deu direito ao dinossauro Domingos Abrantes a dizer das suas na RTP. Este senhor resumiu as características do PCP. Vejamos quais.

I – «Partido da resistência.»
Pois foi, foi o partido da resistência à resistência. Passo a explicar.
Independentemente dos propósitos e opiniões subjectivas dos seus membros, principalmente os mais ingénuos, o PCP foi uma quinta-coluna da União Soviética. Como quinta-coluna foi tratado por governos republicanos e, mais conscientemente, pelo Estado Novo, que realmente resistiu com lucidez a essa quinta-coluna.
Afinal, com o que se sabe hoje, historicamente, quem tinha razão? Os liberais e comunistas ou o Estado Novo, que teve de fazer frente à Comuna da Marinha Grande, à ameaça comunista espanhola e à guerra fria?
Repare-se que, se alguma crítica há a fazer o Estado Novo, é a sua tolerância em relação às formas legais que o PCP utilizou para fazer o seu trabalho de quinta-coluna, como associações-capote, revistas-capote, editoras-capote, etc.
Repare-se também que a correcta intolerância do Estado Novo a esta quinta-coluna soviética foi a mesma que teve em relação à quinta-coluna alemã nazi.
Repare-se ainda que, em relação às forças não-comunistas, o Estado Novo não teve a mesma intolerância. Esse mito do Estado Novo repressor universal caíu.

II – «Partido da implantação da democracia.»
Partido da implantação da democracia… como se implantar a democracia fosse alguma vez um objectivo do seu programa! Como se a «ditadura do proletariado» não fosse o contrário da democracia! Como se não fossem mundialmente conhecidos os gulagues, onde foram exterminadas pessoas em números incomparavelmente superiores aos das vítimas do nazismo! Como se todos nós não tivéssemos o prec na memória! Como se não soubéssemos da oposição do PCP à realização de eleições de 1975!
Não fosse Pires Veloso no Norte e Jaime Neves nos Comandos da Amadora e teríamos hoje em Portugal a completa implantação dessa tal «democracia» à PCP.

III – «Partido da defesa dos trabalhadores.»
Mas que defesa dos trabalhadores?! Aquela do sindicalismo que conduz à falência das empresas e consequente desemprego dos trabalhadores? Aquela que conduziu os trabalhadores à fome em todos os países onde foi implementado o programa do PCP?
Não têm vergonha. Nem coragem tem quem, com o que se sabe hoje do comunismo, para ser politicamente correcto, ainda dá troco à propaganda comunista e aos seus «heróis» «resistentes».

sexta-feira, 4 de março de 2011

Tribunal inglês recusa adopção a casal cristão

Numa sentença que poderia fixar precedentes legais na justiça britânica, em 28 de Fevereiro dois juízes de Nottingham resolveram que um casal de esposos cristãos não poderia adoptar uma criança por estes acharem que o estilo de vida homossexual é inaceitável.
Eunice e Owen Johns, de 62 e 65 anos de idade respectivamente, são cristãos da cidade de Derby e já cuidaram de 15 crianças como pais substitutos no passado. Eles não os adoptavam, mas criavam-nos temporariamente como se fossem filhos seus. Foram agora levados perante um tribunal por um assistente social por ambos condenarem o estilo de vida homossexual. "Os juízes sugerem que a nossa perspectiva pode prejudicar as crianças.“ A sentença também assinala que as autoridades podem exigir aos indivíduos uma "atitude positiva" para as inclinações e o estilo de vida homossexual.
A controvertida norma sobre a orientação sexual em Grã-Bretanha forçou o fecho das agências de adopção católicas, depois da comissão encarregada de velar por seu cumprimento ter estabelecido que estas instituições não podiam rejeitar casais homossexuais como futuros pais adoptivos.