sábado, 27 de agosto de 2011

Os patos sentados

João Cândido da Silva, Jornal de Negócios
Os milionários norte-americanos e europeus estão a sofrer um ataque de generosidade?
Os milionários norte-americanos e europeus estão a sofrer um ataque de generosidade? Ou será que a actual crise ameaça torná-los tão pobres quanto quaisquer outros cidadãos, o que os motiva a voluntariarem-se para serem mais castigados pelo cobrador de impostos?
O mais provável é que "sim" seja a resposta correcta para as duas questões. E que Warren Buffett, que se queixou de o Fisco dos Estados Unidos dar demasiados mimos aos bilionários, ou os franceses ricos, que divulgaram uma petição a pedir a Nicolas Sarkozy que lhes lance um imposto especial, estarão a proceder à fusão perfeita entre a defesa dos seus interesses e uma atitude de louvável altruísmo.
Acontece que o excessivo endividamento e os elevados défices públicos que pairam como abutres sobre várias economias desenvolvidas estão a ser combatidos com remédios que comprometem, no curto prazo, o crescimento da economia. A confiança deteriora-se, o consumo abranda, os volumes de negócios das empresas encolhem e os activos em que estão aplicadas as grandes fortunas das economias desenvolvidas desvalorizam-se.
Um cenário de conflitualidade originado pelas medidas de austeridade que visam corrigir os erros acumulados é a cereja no topo de um bolo que se adivinha azedo antes, mesmo, de ser provado. As crises geram oportunidades, mas também estão repletas de nuvens negras no horizonte. E se há aspecto que não favorece um bom clima económico é a instabilidade política e social, como qualquer bilionário sabe, quer tenha construído a fortuna à custa do seu esforço ou a tenha simplesmente herdado.
A paciência e a capacidade de sacrifício têm limites. E as medidas que pretendem reequilibrar as finanças públicas e corrigir o trajecto da dívida apostam nas decisões que produzem efeitos mais rápidos, como se vê pelo exemplo de Portugal. As promessas de cortes na despesa para cumprir mais tarde surgem de mão dada com aumentos da carga fiscal que são para aplicar já e sem contemplações. Os maiores apertos caem sobre a classe média e sobre os rendimentos do trabalho. Mas o capital, num mundo globalizado, tem uma mobilidade que lhe permite escapar à dor.
Para os milionários que se estão a oferecer para pagarem uma parte da crise a questão não se colocará, a não ser que a sua hipocrisia viesse a revelar-se proporcional ao valor do seu património. Mas, se um imposto sobre grandes fortunas pode ser perfeitamente justificável sob o ponto de vista da solidariedade numa conjuntura espinhosa para ricos, pobres e remediados, também comporta riscos. A experiência francesa fala por si.
Em meados da década passada, o próprio Governo gaulês reconhecia que a tributação das grandes fortunas tinha levado a que o dinheiro arrecadado pelo Fisco fosse muito inferior ao que voou do país para outros lugares onde a riqueza era tratada com maior simpatia pela administração dos impostos. A certa altura, em média, um milionário por dia abandonava o solo francês para se instalar na Bélgica ou no Reino Unido, onde o seu dinheiro e a sua criatividade empreendedora eram bem-vindos.
Circunstâncias excepcionais exigem medidas excepcionais. Aplicar uma tributação especial sobre os cidadãos mais favorecidos, sobretudo quando estes se mostram disponíveis para o corte de cabelo, pode corresponder à necessidade de distribuir os sacrifícios por toda a sociedade. Mas o perigo de a medida se tornar contraproducente é elevado, a prazo, por causa da ameaça de fuga de capitais.
Em Portugal, os riscos são ainda maiores. Por um lado, porque a perspectiva de apanhar receitas adicionais fáceis de obter é um desincentivo ao combate à fraude e evasão num país em que a economia paralela anda no intervalo entre um quarto e um quinto do produto interno bruto. Depois, o Fisco português dá mais prioridade à cobrança voraz do que à justiça dos critérios com que actua. Rico, para os homens dos impostos indígenas, não é quem tem muito dinheiro mas quem o tem ao alcance do apetite fiscal, como um pato sentado à espera de levar um tiro.




sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O Dia da Infantaria e o discurso que não houve

João José Brandão Ferreira
Comemorou-se mais uma vez – e resta saber até quando se irá comemorar – o 14 de Agosto, dia da Infantaria e aniversário da Batalha de Aljubarrota, onde se evoca o patrono da Arma, o Condestável D. Nuno Álvares Pereira, em boa hora santificado por S. Santidade o Papa Bento XVI.
Quase ninguém deu pela data (nem sequer a população de Mafra, onde se realizou a cerimónia) e os poucos que deram, foi porque o Ministro da Defesa (MDN) foi lá e alguns jornalistas foram no seu encalço.
Cerimónia militar digna, certinha e austera, com um bom discurso do Director Honorário da Arma, Tenente General Vaz Antunes e a ausência das “patrulhas Nun’Àlvares” (uma competição desportivo/militar entre representantes de todas as unidades de Infantaria), por … já não haver verba.
O Ministro esteve presente e a sua presença e palavras merecem alguns comentários.
Em primeiro lugar por ter assumido, desde logo, as medidas que foram tomadas na mesma semana – a proibição do início do ensino básico no Colégio Militar; o congelamento das promoções e a suspensão/revisão dos últimos acertos remuneratórios - e a afirmação de que dará a cara pelo que se vier a passar - é um acto de coragem e de carácter que abona a figura do Ministro. Quer se concorde ou não com as medidas.
De facto as medidas anunciadas e o modo como foram feitas são infelizes e intoleráveis. Fica já retribuída a frontalidade.
Só relativamente ao CM, há qualquer coisa que ainda me escapa… Ressalta, por seu lado, mais uma vez, a “ingenuidade” com que os militares lidam com os políticos tomando-os, maioritariamente, por pessoas de bem…
Voltando ao discurso do Sr. Ministro: mandou o governo anterior pedir desculpa aos militares, mas não especificou exactamente em quê? (bom, a lista é enorme…). Veremos como estará este governo, no fim do seu ciclo. As recordações dos governos PSD/AD, relativamente à Defesa Nacional, não são nada boas conseguindo, em muitas áreas, ser ainda piores do que os socialistas!
E as recentes tomadas de posição de uns e outros, vão no sentido de passar para a opinião pública que as FAs se comportam como um “Estado dentro do Estado”, jogando em atitudes de “facto consumado” e a quererem eximir-se aos sacrifícios que estão a ser exigidos ao país na actual situação de crise financeira e económica.
Ora os militares cumprem a lei – ao contrário de anteriores governos - estão fartinhos de dar para este peditório, vai para uns 25 anos – enquanto a maioria da população e sobretudo toda a classe política e empresarial do Estado, folgava sem baias, critério ou senso.
Por isso, senhor ministro, vão ter que pedalar muito até que possam ter moral para se exibirem como réstia de exemplo. E, já agora, não fica bem alegar a “troika” como desculpa para as medidas tomadas ou a tomar. A troika não devia dar ordens no nosso país, e o âmbito da soberania devia ser para eles, estritamente “off limits”.
Neste particular todos os militares deveriam fazer o máximo de oposição.
O inteligente D. Quixote
O seu discurso, Dr. Aguiar Branco, até estava a ser enxuto, mas terminou mal. Lembro-me de ter ouvido dizer algo como isto: “Estou plenamente convencido de que as FAs e os militares cumprirão todas as suas missões, quaisquer que sejam os meios de que disponham”.
Eu não sei se o MDN teve tempo para reler o que escreveu e só posso concluir pela negativa, pois ninguém no seu estado normal, diria uma barbaridade daquelas. É que mesmo em tempo de guerra, as cartas de comando estipulam, normalmente, que o combate decorrerá “até ao esgotamento dos víveres e munições”…
É certo que o posicionamento e discurso público, das chefias militares dos últimos – seguramente – 20 anos, tem ajudado a esta “festa”. Porquê? Porque aceitaram sempre os cortes efectuados, sem oposição que se visse (lembro-me apenas do Alm. V. Matias); bateram sempre na tecla do fazer mais com menos; mais e melhor; poupar, racionalizar, encaixar danos.
Nunca pararam nada; nunca afirmaram publicamente constrangimentos, receios ou perigos; nunca traçaram uma fronteira. Com medos e receios vários, recusaram sempre assumir que não há “dinheiro a menos, mas missão a mais”, quando não fizerem pior, que foi desentenderem-se uns com os outros, em vez de se darem as mãos.
Ora estas atitudes só têm dado razão e encorajado os políticos a cada vez mais estrangularem o aparelho militar da Nação. Isto tem sido assim e desafio seja quem for a desmentir-me.
Por tudo isto o discurso, que faltou, reza assim:
“Oficiais, sargentos, praças e civis aqui presentes, caros camaradas, três palavras apenas.
O nosso país, Portugal, está colocado numa das mais perigosas esquinas da sua vetusta História. Quer isto dizer, inclusive, que a nossa sobrevivência como entidade, individualizada no concerto dos povos e respectiva identidade, está em perigo real.
Segundo, as FAs, à parte do facto de terem dado origem ao actual regime, em 25/4/74, por acção ou omissão, não têm quanto à situação presente qualquer responsabilidade.
Terceiro, as FAs, como instituição nacional por excelência, têm sido reduzidas, desvirtuadas, diminuídas e atacadas, sem descanso, nos últimos 30 anos. Têm aguentado com estoicismo e no cumprimento da lei e do dever militar, todos os constrangimentos financeiros, administrativos e em pessoal, determinados pelo poder político, bem como, as tentativas de subversão soezes, nos seus fundamentos e na sua dignidade, por numerosos políticos, meios de informação e pessoas individuais e colectivas.
Porém, a sua postura que se pretende ética – sem embargo dos desentendimentos corporativos que nos têm prejudicado e dividido – colocaram a Instituição Militar no limiar da sobrevivência. Ora tal não é de todo aceitável nem admissível, pois põe em causa a perenidade da Pátria.
Por último, os militares e as FAs conscientes dos perigos da situação actual, não declinarão as suas responsabilidades últimas na defesa da independência da Nação quer a ameaça venha de fora ou se desenvolva no seu seio, e em serem o último garante da unidade do Estado.
E assim o devemos afirmar e defender como manda o lema da Escola Prática de Infantaria: “AD UNUM”, até ao último”.
Este discurso não foi feito e nenhum chefe militar, certamente, alguma vez o fará – embora fique aqui já feito.
Mas vai, mais tarde ou mais cedo, ter que ser intuído e assumido.

 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Reunião de apresentação do elmo de D. Sebastião

No dia 7 de Agosto, teve lugar na Quinta Wimmer, em Belas, uma reunião de apresentação do elmo do rei D. Sebastião.
Foram palestrantes o embaixador Jorge Preto («D. Sebastião e o mito lusíada que ele inspirou»), Rainer Daehnhardt («O regresso do elmo e o que as ‘feridas’ nos contam») e o Ten. Cor. Pilav. João José Brandão Ferreira («A importância do reaparecimento do Elmo de D. Sebastião na nossa geração»). Houve simultaneamente uma exposição de objectos ligados à temática de D. Sebastião, de contextualização da sua época, e de 18 ampliações de fotografias “a mostrar os 89 golpes de armas brancas e os embates de fragmentos de uma granada sofridos”.



«Morrer sim, mas devagar»

A IMPORTÂNCIA DO REAPARECIMENTO
DO ELMO DE D. SEBASTIÃO
NA NOSSA GERAÇÃO
João J. Brandão Ferreira
Passou a ser recorrente, entre nós, atacar a figura do nosso rei D. Sebastião – nome único entre todos os nossos reis e também no mundo – que de “Desejado” por todos, como ficou para a História, passou a ser considerado, por muitos, como o símbolo do erro e da leviandade.
Tudo porque arriscou uma partida difícil e perdeu uma batalha que quase esteve ganha. Acaso a tivesse ganho seria hoje um herói?
Creio que aquela imagem começou a ser construída no século XIX, pela historiografia emergente da Convenção de Évora - Monte, quase toda ela Liberal e Maçónica, e que se prolongou pela I República, da qual também saiu ferido o infeliz rei D. João VI, cuja figura está a ser lenta e justamente recuperada.
Não nos fica bem tratar, deste modo, o jovem Rei – Menino, que parece, afinal, ter morrido velho… Em primeiro lugar porque a jornada de África, sendo discutível, não era desprovida de nexo estratégico. Não acreditamos que se tratasse de ocupar todo o Marrocos – para o que, sozinhos, nunca disporíamos de forças suficientes – mas sim jogar em apoios que permitissem deter o Império Otomano em rápida expansão nos Balcãs e no Norte de África, onde já tinham chegado a áreas argelinas – lembra-se que os Turcos só foram parados às portas de Viena em 1529 e, mais tarde, em 1683.
Lembro ainda que a batalha de Lepanto, que quebrou a expansão naval turca, no Mediterrâneo, se dera, em 1571. O perigo não tinha findado, porém, recordando-se a acção dos Cavaleiros do Santo Sepulcro de Jerusalém, a partir da ilha de Malta (e a importância da ajuda nacional nesse âmbito), e a decisiva contribuição da esquadra portuguesa na vitória do Cabo Matapam, contra os Turcos, em 1707, 130 anos depois de Alcácer Quibir…
Acresce a tudo isto o constante perigo que representava para a navegação cristã (e para as populações do litoral), a pirataria Berbere e também a “concorrência”espanhola, que cada vez intervinha mais no litoral norte africano, desde Carlos V, como são exemplos os ataques a Tunis e Argel, onde também participaram fortes esquadras portuguesas.
No Reino também se assistiu a uma mudança de política, relativamente à ideia de abandono de praças em Marrocos, posta em prática no reinado de D. João III, sobretudo após as Cortes de 1562 e da extraordinária defesa ao formidável cerco que os Mouros puseram a Mazagão, nesse mesmo ano.
A situação política em Marrocos era, outrossim, favorável: havia guerra civil e um dos principais contentores aceitou fazer uma aliança com Portugal.
É certo que o monarca português cometeu erros, sendo o maior de todos, o de se colocar à testa do Exército sem ter assegurado descendência – embora tal se devesse, em muito, à pressão dos acontecimentos; não avaliou bem as intenções do seu tio Filipe II, de Espanha – que o traiu – e, durante a batalha foi mais um combatente voluntarioso em detrimento da acção de comando na direcção da contenda.
Mesmo a critica de se ter afastado da costa perdendo assim a protecção da frota não colhe, já que o ataque a Larache, um dos principais objectivos da expedição, era muito difícil de fazer por mar, para o que se contava com os 50 navios e os 5000 homens prometidos por Filipe II, e que nunca vieram. Já o “timing” da expedição, no pino do verão marroquino, é menos sustentável, se bem que decorresse dos atrasos sucessivos a que a prontidão do Exército foi sujeita. Houve também dificuldades de recrutamento de tropas, sobretudo no Norte de Portugal, o que obrigou ao recurso de mercenários alemães, italianos e espanhóis o que tornou o Exército algo heterogéneo. A carriagem era, ainda, muito pesada tornando difíceis as deslocações.
Sem embargo, Sebastião não nos desmereceu: começou por preparar a campanha com antecedência, para o que reformou toda a legislação militar, incluindo a primeira concepção moderna de serviço militar obrigatório; depois, combateu bem e com denodo; deu o exemplo, e pagou com a vida ou o desterro – e tudo indica que foi esta última hipótese que ocorreu – a sua audácia e crenças. Dele disse o grande Mouzinho, na sua esplêndida carta ao Príncipe D. Luís Filipe: “…mas a morte de valente, expiatória e heróica, redime os maiores erros. Bem merece ele o nome de soldado…”
O desfecho da batalha pode não redimir totalmente a figura do jovem Rei, mas salvou para sempre a sua imagem. De tal modo que se entranhou no imaginário nacional, um peculiaríssimo estado de alma – à revelia de toda a racionalidade - e que só os portugueses entendem: o “sebastianismo”, essa saudade das glórias passadas, misturado com a esperança da redenção do porvir.
Deve ainda ter-se em conta que não foi por D. Sebastião ter sido derrotado em Alcácer Quibir, que Filipe II se apoderou da coroa portuguesa – a nossa Marinha, por ex., ficou intacta: foi pelo caquectismo e pusilanimidade do velho Cardeal D. Henrique, e porque a maioria do alto clero e alta nobreza se deixou seduzir e corromper pelos ideais iberistas e pela prata de Sevilha! Uma lição de que nos deveríamos lembrar hoje, todos os dias…
Em síntese, apesar da sua pouca idade em Alcácer – 24 anos – D. Sebastião não nos deixou ficar mal, não fugiu, não desertou do combate, não traiu. Deu o exemplo, pôs-se à frente das tropas, combateu com bravura, não desmereceu dos seus maiores, não envergonhou a nobreza, o clero e o povo. Sebastião agiu de boa mente e com boas intenções.
Não era um “louco”ou um doente com deformações, como quiseram fazer crer. O seu reinado tinha sido um bom reinado: ocorreram um número elevado de vitórias militares, em três continentes; estabeleceram-se muitas medidas para o saneamento da economia e finanças e, até, da moral e dos costumes, e o próprio Rei se interessou pessoalmente pela administração da Justiça.
Ao contrário do que também quiseram fazer crer, o jovem rei não era incapaz de conceber e não se opôs a casar-se. Opôs-se sim, a casar com quem lhe destinavam e, ou, nos moldes em que o propunham. Neste âmbito é necessário recordar toda a má política seguida por seu tio, o sempre presente Filipe II.
O “Desejado”passou, desde o seu desaparecimento, a representar a esperança da redenção da Pátria, de tal modo que o povo se recusou sempre a acreditar, contra tudo e contra todos, na sua morte.
A sua figura foi um pilar fundamental da resistência à usurpação filipina e inspiradora da Restauração da Independência; foi um sustentáculo da Fé e da coesão, foi a luz que nunca se extinguiu no fim da esperança. “Da Lusitana antiga liberdade…” no dizer de Camões.
Configurou o mito da Fénix renascida, agregou vontades e deu um sentido para o futuro; ao mesmo tempo que ajudava a suportar os sacrifícios e as humilhações do longo calvário de 60 anos em que estivemos sujeitos a Madrid.
D. Sebastião nunca morreu entre nós, esteve sempre presente na mente do povo e dos grandes portugueses, nas artes e na literatura. É um ícone do nosso imaginário!
De facto, a acreditar no que D. Sebastião representa, é conseguir ultrapassar-nos a nós próprios.
O elmo de combate, em boa hora recuperado, que hoje está entre nós, e que reúne muitos indícios que podem levar a concluir, sem rebuço, que é aquele que o nosso Rei usou na malograda batalha – e disso é mister fazer prova junto da comunidade académica e cientifica - é o que nos resta d’ Ele, é um símbolo d’ Ele, é uma imagem que podemos recriar d’ Ele.
Hoje D. Sebastião, o seu espírito e o que ele representa, é-nos mais necessário do que nunca. Regressados às fronteiras do século XIII, se bem que enriquecidos com os Arquipélagos Atlânticos, poderíamos manter-nos uma pequena potência mas, em vez disso, deixámo-nos escorregar, por via de lideranças incompetentes e antipatrióticas – que nós temos tolerado - para um quase estado exíguo, que vive desmoralizado e de mão estendida.
E não temos mais retaguarda estratégica…
Três grandes perigos/ameaças impendem sobre o nosso país: o federalismo europeu, o iberismo – que aquele potencia em extremo – e, sobretudo, o desleixo nacional, o baixar das guardas, a perda de referências e de auto – estima.
A União Europeia – recordo que nem o Conde Duque Olivares se atreveu a substituir-nos a moeda – só pode evoluir em três sentidos: ficar a patinar na situação cacofónica em que está, e nós com ela; fazer uma fuga para a frente e avançar de qualquer maneira na integração económica, social e política - e Portugal desaparece como Estado, primeiro, e com o passar do tempo, como Nação; ou implode, e cada um irá por si, estilhaçando-se em conflitos e egoísmos algo catastróficos. Qualquer dos cenários é mau e devemos preparar-nos rapidamente para fazer face a qualquer um desses cenários.
O que passa, obviamente, por preparar o abandono desta organização internacionalista cujos fins são indefinidos. A Europa só nos interessa enquanto preservar a individualidade da Nação Portuguesa. Não menos do que isso. Qualquer outra solução representa o nosso epitáfio!
Os perigos do Iberismo aumentaram exponencialmente pois todas as defesas que criámos ao longo dos tempos foram todas derrubadas desde a experiência funesta que iniciámos em 1986.
O “fraco rei faz fraca a forte gente”, não é apenas uma frase lapidar camoniana, é uma verdade incontornável de todos os tempos. Vamos ter que ter grande coragem, liderança e perspicácia estratégica para conseguirmos sobreviver a tudo isto.
Creio termos que regressar à matriz nacional e a acreditar no velho espírito da casa lusitana. Em síntese, reaportuguesar Portugal!
Para isso nada melhor para nos inspirar do que a figura do Rei menino que quis a glória da terra que lhe deu o berço. O seu elmo de batalha aí está a significar a sua intemporalidade e transcendência. Ele nos fará correr mais rápido o sangue nas veias, de modo a que nos disponhamos a enfrentar quaisquer perigos.
Com ele se levantará a altaneira “raça” portuguesa e não haverá Adamastor que nos detenha.
Uma nota final:
D. Sebastião está, pois, vivo entre nós; o que ele representa está vivo, viva então em nós o “Desejado”!
E se os seus restos mortais foram inumados em Limoges, como estudos recentes parecem atestar, e existindo forte possibilidade de se conhecer a urna em que estiveram depositados, então só nos resta pugnar, junto do governo francês, para que a dita urna e toda a memoralistica que se possa vir a identificar, regresse a Portugal.
Devemos, então, enviar uma escolta de cadetes das Academias Militares, para o acto de tomada de posse, enviar tudo para o porto mais próximo e embarcar num navio da esquadra portuguesa, que faria o transporte para Portugal. A Cruz de Cristo, das asas dos caças da Força Aérea, será protecção segura após entrada em águas nacionais. O desembarque seria no Restelo, após salvar a artilharia; seguir-se-ia guarda de honra e “Te Deum” nos Jerónimos e festa em todo o país.
D. Sebastião é um dos nossos maiores, deve regressar à Pátria. É um dever e uma dívida de todos nós.
Viva o Desejado!
Arraial, Arraial, por Portugal

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A Presidente da Assembleia da República dá a Mota Amaral
uma prenda de luxo.

A BANDALHEIRA CONTINUA.
ESQUECERAM QUE OS OTÁRIOS PAGAM E OS POLÍTICOS
ROUBAM O NOSSO DINHEIRO DISTRIBUINDO OS PREVILÉGIOS PELOS AMIGALHAÇOS.
APRESENTAVAM A NOVA PRES. ASSEMBLEIA COM OS MAIORES LOUVORES.
ESTAMOS A VER. FORÇA, ASSUNÇÃO ESTEVES! DISTRIBUA O NOSSO DINHEIRO QUE O GOVERNO DO PASSOS VAI SACANDO!
MISERÁVEL!
O apertar do cinto é só para alguns, ou seja, sempre os mesmos.
Isto é um verdadeiro escândalo!
A presidente da Assembleia da República acaba de atribuir a Mota Amaral, na qualidade de ex-presidente do Parlamento, um gabinete, uma secretária, um BMW 320 e um motorista.
O despacho é assinado por Assunção Esteves, e remete para o articulado que regulamenta o funcionamento dos serviços da Assembleia da República, a Lei de Organização e Funcionamento dos Serviços da Assembleia da República (LOFAR), publicada em anexo à Lei n.º 28/2003, de 30 de Julho, e do n.º 8, alínea a), do artigo 1.º da Resolução da Assembleia da República n.º 57/2004, de 6 de Agosto, alterada pela Resolução da Assembleia da República n.º 12/2007, de 20 de Março.
O facto está a ser divulgado na Internet, e está a ser apresentado como uma prova de que a Assembleia da República não aplica a si mesma os cortes que, na atual crise, o governo tem vindo a impor aos portugueses.
Os e-mails que já correm na Internet sobre este assunto apresentam como título "Poupar????? É só para alguns....."
Transcreve-se o despacho em causa:
"Despacho n.º 1/XII — Relativo à atribuição ao ex-Presidente da Assembleia da República Mota Amaral de um gabinete próprio, com a afectação de uma secretária e de um motorista do quadro de pessoal da Assembleia da República.
Ao abrigo do disposto no artigo 13.º da Lei de Organização e Funcionamento dos Serviços da Assembleia da República (LOFAR), publicada em anexo à Lei n.º 28/2003, de 30 de Julho, e do n.º 8, alínea a), do artigo 1.º da Resolução da Assembleia da República n.º 57/2004, de 6 de Agosto, alterada pela Resolução da Assembleia da República n.º 12/2007, de 20 de Março, determino o seguinte:
a) Atribuir ao Sr. Deputado João Bosco Mota Amaral, que foi Presidente da Assembleia da República na IX Legislatura, gabinete próprio no andar nobre do Palácio de São Bento;
b) Afectar a tal gabinete as salas n.º 5001, para o ex-Presidente da Assembleia da República, e n.º 5003, para a sua secretária;
c) Destacar para o desempenho desta função a funcionária do quadro da Assembleia da República, com a categoria de assessora parlamentar, Dr.a Anabela Fernandes Simão;
d) Atribuir a viatura BMW, modelo 320, com a matrícula 86-GU-77, para uso pessoal do ex-Presidente da Assembleia da República;
e) Encarregar da mesma viatura o funcionário do quadro de pessoal da Assembleia da República, com a qualificação de motorista, Sr. João Jorge Lopes Gueidão;
Palácio de São Bento, 21 de junho de 2011
A Presidente da Assembleia da República, Maria da Assunção Esteves.
Publicado
DAR II Série-E — Número 1
24 de Junho de 2011"

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Afinal só as moscas é que mudaram...

Com este monopólio açambarcador tem forçosamente de haver desemprego para os que não são «génios», isto é, não são amigos dos poderosos.
O «amiguismo» impera, e não se notam diferenças entre este e os Governos de Sócrates…
Ler mais em:

terça-feira, 26 de julho de 2011

As estrelas cadentes e decadentes

João J. Brandão Ferreira
A actriz Amy Winehouse morreu.
Numa sociedade “equilibrada” ler-se-ia no seu epitáfio o cristianíssimo “paz à sua alma”. Epitáfio cristão, simples e … pudico.
Ler em:



Motivações do terrorista de Oslo são anticristãs

As motivações do homem que assumiu a autoria dos atentados de Oslo, Anders Behring Breivik, não têm nada a ver com o cristianismo, nem sequer com ramos do cristianismo fundamentalista, explica o sociólogo da religião Massimo Introvigne, representante da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) para a luta contra o racismo e as discriminações contra os cristãos.
Behring, segundo informa Introvigne, expôs as suas reivindicações e ideologia no livro 2083 – Uma Declaração de Independência Europeia, assinado com o pseudónimo de Andrew Berwick, e difundido num site codificado na internet em 22 de Julho, poucas horas antes dos atentados.
“A autenticidade do texto – explica Introvigne – parece confirmada pelo facto de incluir detalhes sobre a vida privada e familiar de Breivik e sobre a preparação do atentado, cujo objectivo, entre outras coisas, nunca é mencionado, que só o terrorista podia conhecer e é coerente com outros escritos de Breivik.”
“Este texto, de 1500 páginas, é, numa terceira parte, uma antologia de escritos de outros autores contra o Islão e a imigração, entre os quais se encontra o blogger norueguês Fjordman, verdadeiro pai intelectual do terrorista, de quem cita um escrito, segundo o qual depois da Idade Média o cristianismo – cujos únicos aspectos eram de origem pagã – converteu-se para a Europa n‘uma ameaça pior que o marxismo’”.
Outra terceira parte dos escritos do volume oferece material autobiográfico de Breivik, detalhes sumamente minuciosos sobre as armas, as tácticas militares e explosivos, e um alucinante diário sobre a preparação do atentando.
“A parte mais interessante – afirma Introvigne – é a ideológica, que explica as motivações do atentado e as ideias de Breivik.”
O terrorista teria fundado, em 2002, em Londres, com outros activistas, a Ordem dos Pobres Companheiros de Cristo do Templo de Salomão, inspirado nos graus Templários da Maçonaria.
Esta suposta Ordem estaria aberta “aos cristãos, cristãos-agnósticos e ateus-cristãos”, quer dizer, a todos que reconhecem a importância das raízes culturais cristãs, “mas também “das judaicas e iluministas”, assim como “das pagãs e nórdicas”, por se oporem aos verdadeiros inimigos, o Islã e a imigração.
“Longe de ser um fundamentalista cristão – esclarece Introvigne – Breivik, baptizado na Igreja Luterana da Noruega, define-se um ‘cristão cultural’, cujo apelo à herança cristã tem uma função instrumental anti-islâmica.”
As igrejas, segundo o terrorista, não estão dispostas a lutar contra o Islão. Por isso, ele propõe um Grande Congresso Cristão Europeu, do qual nasça uma nova Igreja Europeia e anti-islâmica. E ameaça directamente o Papa Bento XVI, pois “abandonou o cristianismo e os cristãos na Europa e deve ser considerado um Papa covarde, incompetente, corrupto e ilegítimo”.
Os “justiceiros templários” de Breivik deveriam promover três fases da “guerra civil europeia”, explica o sociólogo.
“Na primeira (1999-2030), deveriam despertar a consciência adormecida dos europeus através de ‘ataques das células clandestinas’, desencadeando a acção de grupos que utilizam o terror: grupos pequenos, inclusive de uma ou duas pessoas”.
Na segunda fase (2030-2070), deve-se passar à insurreição armada e aos golpes de Estado. Na terceira (2070-2083), à verdadeira guerra contra os imigrantes muçulmanos.
Breivik está consciente de que os ataques da primeira fase transformarão os conspiradores em terroristas odiados por todos, mas esta é a forma do “martírio templário” que ele busca. Os objectivos dos ataques iniciais são os partidos políticos: o Partido Trabalhista Norueguês, em primeiro lugar, mas também aponta contra os partidos europeus que boicotariam de diferentes maneiras a guerra contra o Islão. Ele aponta ameaças contra partidos políticos italianos cúmplices desta acusação e contra Bento XVI.
Breivik reitera que não é um nazi (“se há uma figura que odeio é Adolf Hitler”), devido à ideologia politico-religiosa pró-semita e pró-israelita do terrorista. Ele sonha com uma grande aliança dos povos nórdicos e dos judeus para lutar contra o inimigo pelo qual é obcecado: o Islão.
“Fica por ver se é verdade ou puro delírio – conclui Introvigne – a afirmação de que os neo-templários de Breivik não se reduzem apenas a ele, mas que abarcam outras pessoas que, segundo o texto, estariam a ser treinadas na África e noutros lugares pelos criminosos de guerra sérvios, a quem o terrorista considera heróis. Se fosse verdade, a ameaça contra a Itália e o Papa deveria ser levada a sério.”

Obrigado, GR

Corrigido.
H.G.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Acordo ortográfic​o

Eduardo Lucas Coelho
Prezada Lusitânia: Embora não sendo especialista de ortografia, também sou contra o denominado «acordo ortográfico», pelas razões substanciais que têm sido invocadas, entre outras. O «acordo ortográfico» é numa palavra indesejável do ponto de vista de Portugal. E creio que também o é do ponto de vista dos denominados Países de língua portuguesa.Posto isto, um aspecto que tem sido descurado é o da roupagem jurídica do «acordo», o tratado respectivo e seu valor. Com efeito, o acordo tem a forma de um tratado internacional. Será o tratado válido? Terá o tratado entrado em vigor? Se qualquer destas perguntas tiver resposta negativa, estamos bem. Se não, não estamos tão bem. Agora, as estratégias contra o «acordo ortográfico» - contra, evidentemente, porque o «acordo ortográfico» é indesejável - têm de ser concebidas em sintonia com as duas hipóteses. Não se ganha nada em andar a misturá-las, como tem sido feito.Escusado será dizer que a questão é muitíssimo urgente, pois o governo ora deposto - mas não em boa hora, porque a hora tardou demais - já deu passos importantes no sentido da aplicação do acordo. Com os mais cordiais cumprimentos.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Camarada Januário

«Os pobres fizeram revoluções e fizeram muito bem.»
(Entrevista à RTPN, 20.7.2011)

Vindo de quem vem, já nada nos espanta!
José Cruz

terça-feira, 12 de julho de 2011

«Acordo ortográfico»
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Omens sem H

Nuno Pacheco, Público
Espantam-se? Não se espantem. Lá chegaremos. No Brasil, pelo menos, já se escreve "umidade". Para facilitar? Não parece. A Bahia, felizmente, mantém orgulhosa o seu H (sem o qual seria uma baía qualquer), Itamar Assumpção ainda não perdeu o P e até Adriana Calcanhotto duplicou o T do nome porque fica bonito e porque sim.
Isto de tirar e pôr letras não é bem como fazer lego, embora pareça. Há uma poética na grafia que pode estragar-se com demasiadas lavagens a seco. Por exemplo: no Brasil há dois diários que ostentam no título esta antiguidade: Jornal do Commercio. Com duplo M, como o genial Drummond. Datam ambos dos anos 1820 e não actualizaram o nome até hoje. Comércio vem do latim commercium e na primeira vaga simplificadora perdeu, como se sabe, um M. Nivelando por baixo, temendo talvez que o povo ignaro não conseguisse nunca escrever como a minoria culta, a língua portuguesa foi perdendo parte das suas raízes latinas. Outras línguas, obviamente atrasadas, viraram a cara à modernização. É por isso que, hoje em dia, idiomas tão medievais quanto o inglês ou o francês consagram pharmacy e pharmacie (do grego pharmakeia e do latim pharmacïa) em lugar de farmácia; ou commerce em vez de comércio. O português tem andado, assim, satisfeito, a "limpar" acentos e consoantes espúrias. Até à lavagem de 1990, a mais recente, que permite até ao mais analfabeto dos analfabetos escrever sem nenhum medo de errar. Até porque, felicidade suprema, pode errar que ninguém nota. "É positivo para as crianças", diz o iluminado Bechara, uma das inteligências que empunha, feliz, o facho do Acordo Ortográfico.
É verdade, as crianças, como ninguém se lembrou delas? O que passarão as pobres crianças inglesas, francesas, holandesas, alemãs, italianas, espanholas, em países onde há tantas consoantes duplas, tremas e hífens? A escrever summer, bibliographie,tappezzería, damnificar, mitteleuropäischen? Já viram o que é ter de escrever Abschnitt für sonnenschirme nas praias em vez de "zona de chapéus de sol"? Por isso é que nesses países com línguas tão complicadas (já para não falar na China, no Japão ou nas Arábias, valha-nos Deus) as crianças sofrem tanto para escrever nas línguas maternas. Portugal, lavador-mor de grafias antigas, dá agora primazia à fonética, pois, disse-o um dia outra das inteligências pró-Acordo, "a oralidade precede a escrita". Se é assim, tirem o H a homem ou a humanidade que não faz falta nenhuma. E escrevam Oliúde quando falarem de cinema. A etimologia foi uma invenção de loucos, tornemo-nos compulsivamente fonéticos.
Mas há mais: sabem que acabou o café-da-manhã? Agora é café da manhã. Pois é, as palavras compostas por justaposição (com hífens) são outro estorvo. Por isso os "acordistas" advogam cor de rosa (sem hífens) em vez de cor-de-rosa. Mas não pensaram, ó míseros, que há rosas de várias cores? Vermelhas? Amarelas? Brancas? Até cu-de-judas deixou, para eles, de ser lugar remoto para ser o cu do próprio Judas, com caixa alta, assim mesmo. Só omens sem H podem ter inventado isto, é garantido.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O extermínio dos Ucranianos no inverno de 1932-1933

O extermínio dos Ucranianos pelos comunistas no inverno de 1932-1933, o «Holodomor».
Sete milhões foram mortos pela fome. A humanidade nunca tinha visto um programa de extermínio tão eficiente como o realizado pelos comunistas.

VER O FILME
http://www.youtube.com/watch?v=4DH9Qntlq2U

Salvador Caetano-Angélico Vieira*

"Diga à gente, diga à gente , como vai este País!"
"Qualquer morte duma pessoa é sempre uma perda. Ora vejam a escala de valores medida pela importância dada pela nossa Comunicação Social dada a 2 portugueses que faleceram na mesma altura. Vale a pena ler e reflectir sobre os valores que regem esta sociedade".

Salvador-Angélico
Angélico Vieira não resistiu ao brutal acidente de viação que sofreu e acabou de falecer. A geração "Morangos com Açúcar" já tem o seu mártir.
Para o caso não interessa nada que o carro circulasse na via pública sem seguro, ou que a maioria dos ocupantes não tivesse colocado o cinto de segurança.
Também parece não interessar a ninguém saber a que velocidade ia a viatura ou se condutor apresentava excesso de álcool ou drogas no sangue. Ninguém falou disso. A comunicação social em peso preferiu a exploração do efeito emocional e ficou por aí.
Mais ou menos na mesma altura morreu o empresário Salvador Caetano. É verdade que o senhor tinha 85 anos e estava doente, mas a histeria mediática à volta do desaparecimento do jovem artista Angélico Vieira, por contraste com a discrição da notícia da morte do empresário nos órgãos de informação dá-nos um excelente retrato da ordem de valores da sociedade actual.
Por aqui se vê que um jovem cantor e actor é muito mais importante do que um homem que subiu na vida a pulso, construiu um império industrial, contribuiu para a produção da riqueza nacional e deu emprego a milhares de pessoas.
Por aqui se vê que para muita gente é mais importante uma novela de duvidosa qualidade, com adolescentes, do que construir fábricas, criar empregos no país e dar pão a inúmeras famílias.
Apesar de tudo entendo muito bem a reacção dos adolescentes neste caso. A culpa desta inversão de valores nem sequer é deles. É da geração anterior, dos pais, que os educaram assim. Para a diversão e não para o trabalho.
* Texto enviado por um amigo de Mais Lusitânia, sem indicação do autor.

domingo, 10 de julho de 2011

Estudem mais, diz ele…

Heduíno Gomes
Não se aguenta a hipocrisia de Cavaco.
Vão plantar batatas, recomenda ele agora. Mas foi ele que liquidou a agricultura.
Vão ao mar, recomenda ele agora. Mas foi ele que abateu a frota pesqueira.
Estudem mais, diz ele agora às agências de rating. Mas foi ele que as andou a elogiar.
O Poço de Boliqueime transformou-se agora num poço de sabedoria.




sábado, 9 de julho de 2011

Mais uma (três!) do génio Nuno Rogeiro

Miguel Oliveira
Com o seu habitual ar de sábio, o ex-direita e entretanto adaptado ao sistema Nuno Rogeiro apresenta na «Sociedade das Nações» alguns produtos culturais da sua escolha. Normalmente coisas exóticas que ele julga serem o cúmulo do saber e do bom gosto, onde abunda a piroseira e pouca coisa se aproveita. Então no capítulo da música há que partir o coco a rir com as suas sugestões.

Na última edição do programa, Nuno Rogeiro apresentou um livro interessante, Os Quadros da História de Portugal, da autoria de João Soares (o pai de Mário Soares, não o filho) e outros. Trata-se da 3.ª edição do livro, sendo a 1.ª edição de 1917 e a 2.ª de 1932.
Comentário sábio do génio: «Curiosamente, o Estado Novo não censurou este livro.»
Aqui o génio diz uma frase e larga três calinadas.
Primeira calinada. O senhor professor doutor universitário não sabe que em 1932 não havia Estado Novo mas sim a Ditadura Nacional, iniciada em 1928 com a eleição de Carmona para a Presidência da República, tendo sucedido à Ditadura Militar, saída do Movimento Nacional do 28 de Maio de 1926, e que o Estado Novo data apenas de 1933 com a Constituição da II República.
Que sabedoria é que o senhor professor doutor transmite aos seus alunos?
Segunda calinada. O senhor professor doutor universitário não sabe que a censura prévia, instaurada pelos militares em 1926, era para a imprensa e não para livros.
Que sabe o senhor professor doutor da história de Portugal dessa época?
Terceira calinada. «Curiosamente» não censurou… Porque haveria a Ditadura Nacional ou o Estado Novo de censurar um livro patriótico, sobre história de Portugal, pois se não censurava os livros a criticar o regime? Terá o senhor professor doutor a noção do que era censurado nessa época? Deve estar a confundir o livro em questão com o Avante!.
Que «verdade histórica», politicamente correcta, é que o senhor professor doutor transmite aos seus alunos?
O que o senhor professor doutor pretendia era ficar bem na fotografia a cinzento. Ficou mal.
Professores destes dão a ideia do estado em que se encontram Portugal e as suas universidades.






sexta-feira, 8 de julho de 2011

Programa de (des)governo

João Louro

Ao ler as generosas 128(133) páginas de programa de Executivo (apenas formalmente poderá ser designado de programa de Governo) não podemos deixar de notar que, apesar de pontualmente aparecerem medidas genéricas que todos subscreveriam, o documento nunca será ponto de partida para a mudança necessária já que insiste em erros graves de natureza estratégica e omissões inexplicáveis que dificilmente permitirão a Portugal sair da crise para a qual o actual Regime arrastou o país.

Na página 4(9) somos brindados com o que aparenta ser o mote deste Executivo, ideia que a leitura da restante prosa parece confirmar. Vale a pena dedicar uma atenção especial ao que lá está escrito já que de pouco valem as medidas sectoriais se as linhas estratégicas estão incorrectas.

«(...)O programa do Governo reflecte amplamente o mandato que recebeu para a mudança. Trata-se de mudar com realismo e coragem, isto é, sem falácias ideológicas que escondem sempre falsos desígnios. Pelo contrário, o desígnio do Governo é um compromisso com a cidadania, com a solidariedade, com a iniciativa e com a criatividade.(...)»
São reconhecíveis neste texto a argumentação habitual do desgoverno tecnocrático que sem pensamento global estruturado é incapaz de um rumo coerente e é presa fácil senão mesmo colaborante com interesses particulares e agendas nocivas à Nação a coberto de qualquer «relatório» ou «estudo» encomendado. Aqui não teremos mudança nenhuma...

«(...)O Governo pugnará por uma sociedade mais cosmopolita e liberta das tentações periféricas que as mais de três décadas de democracia não conseguiram afastar plenamente e que, entre outros aspectos, se evidenciaram na estagnação económica, no abandono do País por parte de tantos que nele não encontraram as oportunidades que desejavam, assim como na sua crescente marginalização relativamente aos centros de prosperidade e de progresso do mundo globalizado.(...)»

Quem tenha lido «As Crises e os Homens» ou «Juízo Final», não pode deixar de reconhecer imediatamente os sinais típicos do que o embaixador Franco Nogueira classificava de «elites alienadas» que traem habitualmente Portugal.

A tal «sociedade mais cosmopolita» nada mais é que a defesa do deslumbramento bacoco sobre tudo o que é estrangeiro, duma negação da Identidade Nacional, da promoção experimentalismos sociais, dos tiques igualitários a nível cultural e civilizacional (conhecidos por multiculturalismo), revelador de um mal disfarçado «incómodo» em ser português. A Esquerda pode ficar tranquila que os seus retrocessos civilizacionais não serão minimamente beliscados por esta «Direita», por mais graves que sejam as consequências, por pior que seja a situação do país, especialmente a gravíssima crise demográfica que essa sim coloca em risco a sobrevivência da Nação.

A expressão «tentações periféricas» revela os desígnios federalistas europeus e iberistas deste Executivo que, a nossa História o demonstra, sempre se traduzem em perda de independência para Portugal e consequentemente perda de liberdade para os portugueses, a tal liberdade que frequentemente prometem defender. Basta ter a mínima noção de história e da realidade geopolítica de que Portugal faz parte para perceber que o nosso país tem uma posição estratégica no Atlântico, apesar dos graves danos causados pela habitualmente designada «Descolonização», que só pode ser classificada de periférica pelos ignorantes ou traidores para quem o Mundo parece restringir-se à fraude da «União Europeia», cortina de fumo sob a qual se acobertam os iberistas. Adicionalmente, a única ligação à Europa por via terrestre é através do nosso ambicioso vizinho o que aliado à desigual dualidade peninsular transforma numa dupla perda a opção continental a nível estratégico.

O autor deste trecho deixa também implícita uma crítica ao «Estado Novo», pela suposta «estagnação económica» e pelo «abandono do País por parte de tantos que nele não encontraram as oportunidades que desejavam». Para quem denuncia as «falácias ideológicas que escondem sempre falsos desígnios» não deixa de ser curioso como abraça as mentirolas ideológicas da esquerda mais radical, que não encontram sustentação em estatísticas minimamente credíveis ou então não permitem destacar o «Estado Novo» como responsável numa comparação com outros regimes. A «estagnação económica» também é conhecida por corresponder a um crescimento de 241% do PIB per capita entre 1950 e 1973 (média de quase 4% ao ano) sem alienação de soberania, sem endividamento significativo, sem défices orçamentais relevantes, sem privatizações que colocam sectores estratégicos em mãos estrangeiras por vezes com agendas perniciosas, sem intervenções externas vexantes que neste regime sucedem ao ritmo de uma por década e suspeito serão cada vez mais frequentes agora que pouco sobra para vender. A somar a isto, o país combatia e ganhava uma guerra anti-subversiva envolvendo centenas de milhar de efectivos em «frentes» separadas de milhares de quilómetros, contando com a hostilidade activa de uma das super-potências e a má-vontade da outra.

Tendo em conta o passado de emigração e a situação actual de saída de portugueses qualificados e não só para o estrangeiro que dizer do «abandono do País por parte de tantos»?

Ou será que o autor pretende, como a restante esquerda parlamentar, ainda insistir na pesada «herança Salazarista» como a responsável pelo desgoverno abrilino?

Qual será o verdadeiro desígnio deste Executivo escondido pela falácia marxista?

«(...)O Governo assume neste programa um registo de combate sereno e determinado às injustiças. Temos a noção de que Portugal é em muitos planos, e não obstante os progressos realizados, uma sociedade injusta e desigual.(...)»

Não poderia faltar neste Executivo abrilino a já habitual invocação das «desigualdades», bem ao estilo marxista. Há de facto injustiças, mas quantas delas resultam desta obsessão igualitária que acaba sempre por nivelar por baixo?

Será justo alguém que trabalha acabar por ficar com tanto dinheiro ao final do mês como quem recebe o RMG/RSI, esse prémio a quem não trabalha?(na pág. 88(93) aborda-se esta questão mas a «solução» acaba por ser ainda mais burocracia para fiscalizar...)?

Será justo diabolizar as pensões mais elevadas que resultem de descontos para a Segurança Social, quando para além da SS o agora pensionista ainda pagou proporcionalmente mais IRS quando estava no activo?

E que dizer da crescente transformação em impostos indirectos que as taxas de utilização de serviços têm sofrido e vão ainda sofrer, com escalões de acordo com rendimento/património? Afinal de contas porque é que o IRS é progressivo, se mesmo depois de pagar mais em termos relativos e absolutos, se continua a ser perseguido?

E como sustentar a «desigualdade» entre trabalhadores do privado que podem ser despedidos e a segurança para toda a vida dos funcionários públicos perante tal determinação igualitária do Executivo?

Não admira pois que a palavra mérito não passe de destroço perdido num mar de «solidariedade». Não é por acaso, já que o reconhecimento do mérito implica discriminação positiva dos melhores algo que desafia o conceito igualitário e no específico da área fiscal implica que se permita a quem faz algo de valor conservar para si algum desse valor e não despoja-lo como um criminoso. Muito presente está a palavra solidariedade mas sem qualquer sentido cristão já que, não se trata nem de uma acção voluntária nem os principais destinatários são os que necessitam, tratando-se sim de mais impostos para sustentar uma burocracia intocável que devora recursos com impunidade. Não é conciliável mérito com esta «solidariedade», já que o reconhecimento do primeiro traduz-se sempre em «desigualdades» inaceitáveis para o marxismo (e seus derivados) na sua vertigem empobrecedora.

Muito mais haveria a dizer sobre as incoerências entre a anunciada coragem em enfrentar as crises e a baixíssima prioridade concedida à crise demográfica, confirmada não só na ausência de algo concreto no estímulo à natalidade como na omissão relativa ao Aborto e ao papel activo do SNS como carrasco dos nascituros; entre a promessa de promover o Mar como vector estratégico e a mais que certa ausência de meios(NPOs) para a Armada; entre o anunciado reforço da nosso protagonismo na NATO e mais um perigoso corte anunciado para as FAs cujo número de efectivos operacionais começa a parecer ridículo; entre a anunciada defesa das famílias e a cumplicidade real com a agenda homossexual que verá as suas imposições tresloucadas protegidas pela inação deste Executivo; entre o Ensino supostamente mais exigente e a negação das diferenças das capacidades dos alunos presente na obsessão com o sucesso escolar e não com a qualidade dos conhecimentos daqueles que conseguem aprovação; entre a propalada simplificação do código fiscal e os inúmeros incentivos prometidos sectorialmente; entre a liberdade a dar ao privado na actividade económica e os tiques de micro-gestão implícitos nas políticas sectoriais com políticos e burocratas a decidir o que é «bom», «inovador» e «ecológico»(quando o registo deste Regime no apoio aos projectos «vistosos» em detrimento àqueles que realmente produzem riqueza nacional é vergonhoso); entre a promessa de renegociação das PPP existentes e a continuação da utilização desse instrumento de forma a «minimizar o esforço financeiro e aumentar a respectiva eficiência»(pág. 38(43)) facto que está por provar.
O documento não termina sem antes «ratificar» o Acordo Ortográfico e ainda a propósito da cultura, deixar transparecer o modelo de Regionalização a implementar com mais cinco «continentais» candidatos a Jardim ou César.

Suspeito que o Sr. Eng. José «Espanha,Espanha,Espanha» Sócrates tenha no Sr. Dr. Passos «Espanha,Espanha,Espanha,Espanha» Coelho um sucessor à altura, já que as extraordinárias declarações que este último proferiu em Madrid em pleno caso PT/Vivo/Telefónica defendendo que as «parcerias» a nível de Estados se estendessem ao sector privado não foram um acidente antes uma revelação duma alienação que ambos partilham com o Sr. Dr. Paulo «furtivo» Portas e que é mais que confirmada neste programa de Executivo e o seu fascínio sebastianista com a «integração europeia», ou mais correctamente, com a integração ibérica. Este programa é pois mais uma etapa descendente de Portugal rumo a uma nova escravatura felipina e só podemos esperar que a situação piore enquanto estas elites permanecerem no poder.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Lésbicas protagonizam primeiro "divórcio " na Argentina

Um casal de lésbicas protagonizam o primeiro divórcio homossexual na Argentina, desde que o Parlamento modificou o Código Civil para incluir o matrimónio entre pessoas do mesmo sexo em Julho de 2010.
As mulheres identificadas apenas como Ángela e Vanesa, de 46 e 26 anos de idade, «casaram-se» há apenas seis semanas e as bodas monopolizaram a atenção da imprensa por ter sido o primeiro "matrimónio homossexual" celebrado na província de La Rioja, no noroeste argentino.
Segundo vários órgãos de imprensa locais, o divórcio é causado pela infidelidade de uma delas.



domingo, 3 de julho de 2011

A alcateia promove uma loba como se fora ovelha
--- Heresias ao molho

Nuno Serras Pereira
Assunção Cristas em santinha
Pouco tempo depois de ter feito uma declaração de voto favorável ao pseudocasamento entre pessoas do mesmo sexo a deputada Assunção Cristas foi convidada, pelos nossos Bispos, a dar o seu testemunho de política católica diante dos fiéis e das televisões, no terreiro do paço, em Lisboa, como preparação para a Missa celebrada por sua Santidade o Papa Bento XVI, aquando da sua última visita apostólica a Portugal.
No sítio da Inter-rede do secretariado nacional da pastoral da cultura, da responsabilidade do Bispo do Porto, Senhor D. Manuel Clemente, e do seu braço direito P. Tolentino Mendonça, deparamos, seis meses depois da visita do Papa, com um texto, no qual Assunção Cristas testemunha o que é ser “católica na política” (sic).
O P. Tolentino Mendonça sem saber
se lhe entrou qualquer coisa
para o olho ou para o cérebro.
Hoje na revista “única” do semanário “expresso”, página 44, a agora ministra do novo governo, afirmando-se católica praticante e empenhada, que vai à Missa e Comunga, e pertencente a uma equipa de casais de Nossa Senhora, cujo assistente espiritual é o P. Tolentino Mendonça, teima obstinadamente no pseudocasamento entre pessoas do mesmo sexo, em nome de uma “felicidade”, entendida, digo eu, de forma hedonista e utilitarista, dos contraentes e da “fidelidade” à sua, dela, “consciência”, concebendo-a, interpretação minha, como uma entidade solipsista e não como um “órgão espiritual” que escuta e obedece à voz de Deus.
Que o casamento criado e instituído por Deus consista unicamente numa união exclusiva, fiel e fecunda entre um varão entre e uma mulher, até que a morte os separe é uma Verdade de Fé, Revelada por Deus e testemunhada quer na Sagrada Escritura quer na Tradição na Igreja é inegável para qualquer católico. Que a admissão do falsamente chamado casamento entre pessoas do mesmo sexo implique necessariamente a denegação daquela Verdade revelada é tão evidente que não carece de demonstração.
A Palavra de Deus testemunhada na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja considera os actos homossexuais como abominações aos olhos de Deus e adverte repetidamente que aqueles que os praticarem, consciente e livremente, e não se arrependerem nem se converterem “não herdarão o Reino de Deus” – que dessas práticas possa derivar alguma felicidade é um absurdo, que só pode ser afirmado por quem desconhece aquilo em que ela consiste. Uma Verdade, assim atestada e repetidamente ensinada pelo Magistério Ordinário e Universal da Igreja, não pode deixar de ser imutável, infalível e pertencente ao património da Fé. Pelo que, parece-me, podemos concluir tranquilamente que quem advoga ou promove obstinadamente o casamento entre pessoas do mesmo sexo incorre em heresia.
Grande desventura!, grande desgraça!, grande horror!, que não haja por parte dos Pastores um mínimo de caridade, de compaixão, de misericórdia para com uma ovelha transformada em loba, e em vez de a corrigirem antes lhe dão sacrilegamente a Sagrada Comunhão e a apresentam como modelo aos demais fiéis!
Oh infelizes sodomitas (é assim que a Bíblia chama a quem pratica actos sexuais com pessoas do mesmo sexo)!, que sois adulados e iludidos por quem vos devia dizer a Verdade, eminente forma de caridade, e auxiliar-vos a recuperar aquela mesma dignidade que o filho pródigo, de que nos fala o Evangelho, recuperou, depois de a ter perdido.