terça-feira, 16 de outubro de 2012

Debates sobre as
últimas campanhas ultramarinas


 João J. Brandão Ferreira

«O ‘desenrascanço’ português não é mais do que
a arte da improvisação elevada a ciência».
Do autor


Sob a forma de colóquios, seminários, painéis, etc., têm-se multiplicado, nos últimos 15-20 anos, as sessões públicas onde se procura debater as derradeiras campanhas ultramarinas (1954-1974), em que todo o povo português participou, com especial empenho das FAs. 
É sobretudo sobre a acção destas que têm versado a maioria das iniciativas realizadas, cabendo à Instituição Militar ou a órgãos relacionados com a Defesa e Segurança, a parte de leão na sua organização e execução.
O objectivo tem sido, em termos gerais, o de deixar testemunhos que permitam a futura elaboração da História daqueles conflitos e a passagem de testemunho às novas gerações. É um objectivo louvável, a todos os títulos.
Estas iniciativas surgiram tardiamente. Digamos que, com 20 anos de atraso.
As razões são sobretudo políticas e ideológicas.
De uma situação anterior a 1974, em que era muito difícil, fora dos órgãos competentes do Estado, discutir a situação vivida pela Nação, passou-se para outra, dois anos depois, em que se impôs uma ditadura de pensamento que abominava tudo o que tinha ocorrido no passado recente e, até, muitas das coisas do passado remoto.
Os combatentes foram, então, relegados para a prateleira da ignomínia e do esquecimento e a resposta à guerra que nos impuseram, foi carimbada como injusta e iníqua. E tiveram a infâmia de escrever isto mesmo, nos livros de História!
A lavagem ao cérebro, o condicionamento psicológico e a cobardia moral foi de tal ordem, que só há poucos anos se começaram a levantar as barreira à auto – censura e a haver direito ao contraditório.
O caminho que já se fez ainda está muito aquém, porém, daquele que falta fazer.
O que se passou a fazer nos últimos 15/20 anos, não obedeceu a nenhum plano – salvo raras excepções de que se realça o trabalho da Comissão para o Estudo das Campanhas de África – surgiu de iniciativas singulares que ficam ao arbítrio das personalidades que lideram, no momento, diferentes órgãos/instituições.[1]
Daí que, até hoje, os resultados sejam apenas parcelares, repetitivos, aleatórios e descoordenados. Não estou a dizer que sejam medíocres, sem valor ou mal-intencionados; tudo o que foi feito é importante e tem merecimento. Estou apenas a tentar chamar a atenção para a falta de eficiência, dispersão de esforços e falta de sistematização, que coarta a existência de obras de referência e a elaboração de sínteses de conhecimento que permitam o estabelecimento de doutrina e consolidem ensinamentos.
Vamos tentar ilustrar o ponto com o ocorrido no último seminário ocorrido no Instituto de Estudos Superiores Militares (IESM), em 20 de Junho, sobre a “Força Aérea em África, 1959-1975”. Este seminário foi antecedido por um outro, em Abril, referente à acção das FAs, em termos gerais, no citado conflito, a que se seguirão mais duas sessões dedicadas, respectivamente, à Marinha e à FA.
Aquele seminário durou um dia e tratou de operações aéreas, construção de aeródromos, acção dos paraquedistas, transporte aéreo, etc., e algumas conclusões. Ora um dia não dá para tratar sequer, um dos sub - temas, quanto mais a actuação de toda a FA num período de 16 anos!
As conclusões serão assim, e inevitavelmente, parcelares e pontuais e, se colocarmos a questão do que se vai fazer com elas creio que ninguém, em boa verdade, saberá responder.
Havendo algum dinheiro e vontade, ficarão registadas em publicação própria e arquivadas à espera que outras se lhes juntem, fruto de iniciativas futuras. Do mesmo modo que as de agora se vão justapor às anteriores, sem nunca se confrontarem…
Depois nota-se uma coisa assaz interessante: para além de haver uns “habitués”que circulam por estas iniciativas, a assistência tende a dividir-se pelos eventos que menos lhes deveriam interessar. Explicitando, cerca de 95% dos ouvintes do seminário em apreço, eram da FA, ou seja é uma assistência que, à partida, está por dentro (ou devia estar), dos assuntos que vão ouvir. Supostamente teriam pouco a aprender.
Quem poderia ter algo a aprender seriam os militares da Armada e do Exército e, naturalmente, os civis (nomeadamente os ligados à Defesa), mas estes primaram pela ausência.
Isto tem sido recorrente.
Ora o desconhecimento que os Ramos têm da acção, uns dos outros é de grande infelicidade pois está na origem de muitos problemas chamados “corporativos”, desentendimentos e preconceitos. Ninguém, aliás, pode amar o que desconhece…
Do mesmo modo, quando a maioria dos oradores são conotados com uma determinada visão da guerra, logo tal afasta os que não se revêm nessa visão e vice-versa.
Ou seja existem, neste âmbito como noutros, um conjunto de “trincheiras” que devem ser desmontadas.
Noutra perspectiva, ao lado de temas que têm sido muito debatidos – caso das operações, por ex. – outros existem que quase nunca foram aflorados, como é o caso do serviço de informações, a assistência sanitária e o serviço postal militar.
E estamos apenas a falar do âmbito militar, já que tudo aquilo que envolveu e condicionou as operações militares, raramente tem sido objecto de estudo e debate mesmo no campo das universidades e instituições civis).
Ora tendo a ofensiva contra a Nação Portuguesa sido global e global a sua resposta, os demais âmbitos têm que ser todos estudados e integrados, sob pena de jamais percebermos o que verdadeiramente se passou e de se poder ter uma visão de conjunto do maior conflito que afectou Portugal em todo o século XX.
E estes âmbitos são, basicamente, o Político/Estratégico; o Diplomático; o Económico/Financeiro; Social e Psicológico, além do óbvio âmbito militar.
Entre todos adquire especial importância o “psicológico” – que foi o que deitou tudo a perder – dado que percorre transversalmente todos os outros, sendo que, no caso em apreço, assume extraordinária relevância a questão da “Justiça da Guerra” e do Direito na, e em fazer a guerra.
Esta questão representa o Alfa e o Ómega de tudo e sem as contas estarem feitas neste particular, nada estará devidamente aferido e concluído.
Desta questão, todavia, não há quem não fuja dela como o diabo da Cruz.
E não há “desenrascanço” que nos salve.
 [1] Estranhamente (ou talvez não), nunca se constituiu nenhuma comissão para analisar e documentar o conflito que levou à perda do Estado da Índia, apesar de este ser anterior às campanhas de África…

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Filme desrespeitoso ao cristianismo
ganha prémio no festival de Veneza.


Dos jornais

O Festival de Cinema de Veneza premiou o filme controvertido «Paradise: Faith» (Paraíso: Fé) que mostra uma esposa católica masturbando-se com um crucifixo.

No sábado, 8 de Setembro os organizadores decidiram premiar o filme do austríaco Ulrich Seidl, onde se vê uma mulher flagelando-se e o seu marido mulçumano a tirar os símbolos religiosos de casa com uma bengala.

O filme é parte de uma trilogia que será distribuída nos Estados Unidos pela empresa Strand Releasing que planeia projectá-lo nas salas de cinema no início do próximo ano.

Sobre o prémio e o filme, o presidente da Liga Católica nos Estados Unidos, Bill Donohue, afirmou que «uma das marcas dos enganadores culturais é a propensão para insultar os cristãos, especialmente os católicos, e depois declarar que a sua ofensa é criativa».

«Se alguém quer saber porque é que o filme ‘Paradise: Faith’ ganhou um prémio de um jurado especial, permitam-me poupá-los à necessidade de ler sobre isso: ganhou porque mostra uma devota católica masturbando-se com um crucifixo».

O filme começa com uma mulher, Anna Maria, interpretada por Maria Hofstaetter, chorando com o busto nu diante de um crucifixo. Ela vai andando de joelhos pela casa rezando o terço. Costuma também ir de porta em porta levando uma imagem de 60 centímetros da Virgem Maria com a qual converte as pessoas.

Maria Hofstaetter, assim como o director, Ulrich Seidl, foram criados como católicos. Admite que «quando era jovem rebelei-me contra a autoridade da Igreja Católica». Entretanto, assinala Bill Donohue, ela afirma que tem «profundos valores cristãos».

Bill Donohue critica que os que dizem ter valores cristãos «aqueles que, evidentemente, permitem masturbar-se com um crucifixo».

Bill Donohue cita o que disse Seidl quando assinala que «durante séculos o catolicismo suprimiu a sexualidade e, é óbvio, isto gerou um movimento contrário».

Isto explica, prossegue Bill Donohue «a razão pela qual (Seidl) pode dizer que ‘é correcto mostrar a mulher masturbando-se usando uma cruz, como se estivesse fazendo um acto de amor a Jesus. Só porque é um tabu não quer dizer que não se possa mostrar’».

«Mas quanto valor é preciso para insultar os católicos?», questiona o líder da Liga Católica.

«De qualquer modo, Seidl é um mentiroso. No seu país, Áustria, prendem os que negam o Holocausto. Não aprovamos isso, mas um verdadeiro quebrantador de tabus também romperia este. Entretanto, não esperem que Seidl o faça: os enganadores culturais não têm coragem para romper tabus que não sejam seguros», conclui o presidente da Liga Católica.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Drogas: Grito de revolta


 Rui Rangel, Carlos Fugas e Manuel Pinto Coelho
Juiz desembargador e psicólogos alertam para a banalização do uso de drogas como consequência de uma gritante falta de visão política
Em Portugal é legal a substância — sais de banho — que Rudy Eugene, de 31 anos, apelidado de «canibal de Miami», consumiu antes de ser apanhado a comer a face de um sem-abrigo norte-americano e ser abatido a tiro.
Esta substância psicadélica é uma entre muitas outras causadoras nos nossos jovens de estados de coma, crises de pânico e ansiedade, problemas cardíacos e surtos psicóticos, que se encontram inocentemente nas mais de 30 smartshops — lojas de venda encapotada de drogas legais — espalhadas pelo nosso país desde 2007, com a conivência irresponsável dos responsáveis pelas políticas da droga em Portugal.
O uso de drogas é hoje visto em Portugal como um estilo de vida, um direito humano.
Embora tenha falhado na sua missão de ajudar os heroino-dependentes a abster-se do seu opiáceo, a manutenção dos mesmos em programas de substituição tem sido celebrada como um sucesso.
Como consequência de uma gritante falta de visão política, o uso de drogas banalizou-se no nosso país e o uso de haxixe, de ecstasy, de cocaína e das drogas das smartshops entre outras é cada vez mais considerado como uma banal actividade recreativa.
Varrido da agenda política, os nossos governantes consideram estranhamente a toxicodependência apenas o 14.º problema na tabela de preocupações dos portugueses!
Prevenção, que deveria querer dizer informar aconselhando as pessoas a evitar o seu uso devido aos seus efeitos danosos, deixou de existir.
No nosso país, as autoridades ditas ‘de saúde’ têm preferido enfatizar os perigos da comida em excesso, do tabaco e do jogo…
A dependência às drogas passou, a partir da lei da descriminalização em 2001, a ser oficialmente considerada uma doença crónica do cérebro, tendo sido a ideia do tratamento orientado para a abstinência substituído pelo conceito de ‘redução de danos’.
Equiparada à diabetes, é enfatizado que assim como estes doentes precisam de insulina, os heroino-dependentes precisam de heroína. Deste modo, a solução escolhida tem sido distribuir, à custa do erário público, metadona e buprenorfina, mantendo-os cativos ao Serviço Nacional de Saúde.
Neste clima, não é de estranhar que os estabelecimentos que oferecem tratamentos livres de drogas (orientados para a abstinência) estejam a sentir as maiores dificuldades para serem reconhecidos e financiados pelas autoridades de saúde, correndo muitos deles o risco de encerramento por estrangulamento financeiro, com a consequência lógica do redireccionamento dos seus utentes para os programas de substituição (engrossando as estatísticas oficiais de utentes em ‘tratamento’)…
O consumo de drogas tornou-se assim um estilo de vida até à morte e uma vida livre de drogas um objectivo a longo termo nunca atingido pela maioria dos toxicodependentes, perversamente monitorizados pelo seu sistema de saúde para o resto das suas vidas.
Estando as drogas, todas elas, cada vez mais disponíveis, o seu preço cada vez mais baixo, a percepção do risco da parte dos seus utilizadores bem como a sua aceitação pelo grande público cada vez maior, então é natural, como consequência, que o seu uso tenha disparado.
O movimento Ter Esperança é Fazer Diferente pretende fazer soar o alarme na sociedade portuguesa, soltar um grito de revolta e consciencializar as pessoas que não é uma inevitabilidade o uso de drogas e que uma vez escolhido o mau caminho a interrupção do seu consumo é possível.
O recado aos nossos jovens só pode ser um: Drogas? Não. Mantenham-se firmes. Nem agora nem nunca! Comprar drogas é estar a ajudar as mafias, o terrorismo e a sua violência.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Porque estou em desacordo

 
Daniel Gouveia

 

Tem-se tentado impor o chamado Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro de 2007, por decreto nada democrático já que a maioria dos portugueses não concorda, ratificado por um presidente da República que declarou publicamente não saber quantos cantos têm Os Lusíadas.
Repudio tal pseudo-acordo, por razões abaixo ilustradas com exemplos coligidos de vários protestos e outros da minha lavra, baseadas em princípios linguísticos agora espezinhados com incompreensível ligeireza e pacóvia subserviência a critérios demográficos e pretensamente comerciais.
Critérios demográficos como estes só provam que a democracia não é tão boa como parece. Assim como uma maioria não esclarecida pode conduzir, pelo voto, a uma decisão que os esclarecidos vêem logo ser errada, não são 150 milhões de falantes brasileiros que invalidam ser a língua portuguesa cultivada, no seu estado mais puro, por apenas 10 milhões. Ninguém é dono de uma língua, organismo vivo e mutável, mas governe-se cada um com a sua variante e não obriguemos os fundadores a enterrar a sua.
Os critérios mercantilistas caem pela base, se a ideia era vender no Brasil livros escritos em português de Portugal e vice-versa. Por muito «acordada» que esteja a língua, lá diz-se «pegar um ônibus» e cá «apanhar um autocarro».
Reconhecendo que acordos ortográficos sempre os houve, no sentido de melhorar a assimilação da língua por quem a aprende e pratica, a diferença é só esta: os anteriores foram elaborados por quem a respeitava e este não foi. A Etimologia – ciência que identifica a família a que as palavras pertencem, permitindo deduzir significados das que não conhecemos – mantém-se válida em toda a parte, menos entre os «acordistas» que dela fizeram tábua-rasa, produzindo o efeito contrário: falseando, pela grafia, a família a que as palavras pertencem, torna-se ambíguo o seu significado.
O pseudo-acordo prescreve que, se um falante pronunciar o «c» ou o «p»mudos, escreve-os; se não pronunciar, não escreve. Mas é omisso quanto à influência que essas consoantes mudas exercem sobre a vogal antecedente. Vejamos a palavra espectador. Como os portugueses pronunciam o «c», cá continuaria a escrever-se espectador. Mas como não o pronunciamos em espectáculo, onde a função do «c» era a de abrir o«e», passaríamos a escrever espetáculo (consequentemente, a ler com «e»fechado). Nalguma imprensa portuguesa apressada já se vê escrito espetador(em desrespeito pelo pseudo-acordo), confundindo-se assim aquele que vê com aquele que espeta. Ou seja: uma palavra que tinha o mesmo étimo (raiz de origem linguística) agora tem dois: o latino «spectare» e o gótico «spittu» donde vem o verbo português «espetar». Por outras palavras: deixou de haver regras claras e seguras.
Quando virmos escrito «Primeiro ato», como saberemos se estamos perante o primeiro acto de uma peça teatral, ou a afirmação de alguém que, antes do mais, ata qualquer coisa?
E como convencer um aluno de que os naturais do «Egito» não são «egícios»?
O prefixo «de-» significa, segundo os dicionários, «movimento descendente, de negação, separação ou cessação»:degradar significa descer em qualidade; decapitar, cortar a cabeça; decepar, cortar um membro do corpo. Logo, detetar(com «e» fechado, em vez de detectar, que tinha o «c» exactamente para abrir o «e») significará cortar as tetas à fêmea de um mamífero. Do mesmo modo, teto deixa de ser a cobertura da casa para a significar o masculino de teta.
Multiplicando exemplos, ainda que não exaustivamente, ator passa a radicar-se no verbo atar e coletivo radicará em colete, peça de vestuário, e não na noção de conjunto traduzida por colectivo(com «e»aberto, e para isso estava lá o «c»).
Na mesma linha, a conceção de uma coisa refere-se a ela ser concedida e haver um erro ortográfico, ou à sua concepção? Será que ouvindo afetar se supõe que algo provoca aftas? E correto terá a ver com coreto, dito por quem carregue nos «rr», ou com correcto, com o «e» bem aberto? E, ouvindo «adotar verbas», referir-se-á o falante à dotação das ditas (verbas a dotar), ou à adopção delas?
Se, num hotel, ouvirmos alguém ler uma missiva de um responsável dizendo«Queira perdoar, mas a culpa é da receção»(se esse alguém respeitar as regras da leitura, pronunciará os «e» fechados), ficamos sem saber se a falta se deve ao pessoal da recepção, ou à recessão económica que a todos aflige.
A queda dos acentos nas formas verbais provoca equívocos terríveis. Como distinguir, na escrita, o sentido de frases como: «Filho, para para pensar»?Trata-se de um pai gago, ou está a dizer ao filho para parar antes de pensar? Ou estoutra, que até pode provocar um desastre: «João, para o carro!» É uma ordem para o João se dirigir ao carro, ou para travá-lo?
E como se distinguirá, na escrita, o sentido de «Pensamos e pensamos que isto está mal»? É uma insistência em pensarmos que algo está mal? Ou pensávamos no passado e continuamos agora a pensar que algo está mal? Ou, ao contrário, pensamos agora e já assim pensávamos?
A frase «Confirmamos mas não confirmamos o que dissemos» fará, porventura, as delícias de muitos políticos, mas pessoas normais passam por loucas se assim forem lidas. O caso poderia complicar-se ainda mais em «acusamos mas não acusamos o réu», ou «desculpamos mas não desculpamos a ofensa».
Um dos objectivos apregoados pelo pseudo-acordo é aproximar a escrita da linguagem falada. Para quando, então, uma próxima revisão do pseudo-acordo, segundo a qual nós escreveremos raptare os brasileiros «rapitar», ou talvez «ràpitá»? Ou, voltando à palavra espetador, os brasileiros escreverão «icepetadô»?
Em suma, como já vi escrito jocosamente, «não me pelo pelo pelo de quem para para»regressar ao bom português.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A patente da asneira


José Ribeiro e Castro


Como se preserva a utilização da língua portuguesa
quando se afasta a sua exigência?

 
Num acto precipitado, o Governo decidiu aderir ao Acordo de Londres, substituindo quase integralmente o Português pelo Inglês no registo em Portugal de patentes europeias. É um gesto gratuito sem ganhos para a economia portuguesa. E uma enormidade para a política externa da Língua, ferindo com danos irreversíveis o Português como língua completa e global.

Dá ideia que quem inspirou o Governo quis aproveitar-se do geral desconhecimento destes meandros e sua impenetrável tecnicidade. Daí, o anúncio de três objectivos de que não se atinge um único. Não podia haver pior pontaria.
1.º objectivo: diz o Governo que “visa [a] promoção do investimento estrangeiro em Portugal”.
Mas a redução de custos com a tradução em Português é irrisória (cerca de 1.500 euros) no conjunto de um investimento, usualmente com custos muito elevados. E a insegurança jurídica decorrente de infracções mais prováveis e decisões judiciais mais incertas só pode redundar em desincentivo.
2.º objectivo: a “preservação da utilização da língua portuguesa enquanto língua de acesso à informação sobre as patentes europeias que sejam validadas em Portugal, garantindo que as mesmas ficam integralmente disponíveis para consulta em Português”.
Tem que ler-se três vezes o texto para ter a certeza de que se leu bem e não estão a gozar connosco.
Como é que se preserva a utilização da língua portuguesa quando se afasta precisamente a sua exigência? Na verdade, a ideologia subjacente a esta adesão é o absoluto desprezo do Português e sua desvalorização e apagamento enquanto língua de Ciência e Tecnologia, bem como a rendição ao império total do Inglês nestes domínios.
Qual a explicação para tão temerária afirmação? Apenas a fé que, como cuidado paliativo, o Governo proclama numa ferramenta informática de tradução automática, que anuncia para 2011. Mas informações seguras indicam que o INPI já verificou que não possui qualidade, nem fiabilidade mínimas; e não estará em condições de ser utilizada antes de 2015.
3.º objectivo: a “criação de um espaço europeu que seja composto por um maior número de Estados em que os cidadãos e as empresas portuguesas possam investir com custos substancialmente reduzidos”.
Fantasia! As empresas portuguesas nada ganham face à situação actual em que Portugal é parte da Convenção de Munique, mas não do Acordo de Londres. O novo regime, se pode beneficiar (pouco) empresas estrangeiras em Portugal, não representa qualquer benefício para empresas portuguesas no resto da Europa.
Acresce que o que o Governo pouparia às patentes estrangeiras não corresponde ao corte de uma esquisitice burocrática inútil. Antes à eliminação radical de um serviço de óbvio interesse geral: a tradução para Português das patentes, indispensável à divulgação científica e tecnológica em língua portuguesa, à presença do Português na inovação científica e técnica internacional e à segurança jurídica dos registos em Portugal.
Enfim, o Decreto causaria ainda prejuízos consideráveis no respectivo sector profissional, prevendo-se o fecho de 15% a 20% dos escritórios, o despedimento de 50% dos trabalhadores e a perda de actividade de 90% dos tradutores especialistas. É mais um contributo do Governo para a crise… Mais falências, mais inactividade, mais desemprego.
Impõe-se, assim, o que o CDS já propôs: que o Governo reveja a questão, através de uma proposta de Resolução à Assembleia da República; e que o Presidente da República defenda a nossa língua e a nossa economia, não assinando um tão estrangeirado Decreto.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Esta, não conseguem pô-la de cabeça para baixo!

A III República e a sua bandeira
de cabeça para baixo


A educação e a visão de Estado

do Chefe de Estado Cavaco no 5 de Outubro


Heduíno Gomes
No seu discurso moralista do 5 de Outubro, como sempre, Cavaco deu «bons conselhos»…
Entre esses «bons conselhos» figuravam alguns sobre a educação.
Que recomenda o mestre?
«Mais investimento».
Como se o problema central e actual da educação fosse o investimento.
Há anos, num Conselho Nacional do PSD, tentei explicar ao então Primeiro-Ministro onde estava o busílis da questão do sistema de ensino. Mas era demasiada areia para a camioneta do «professor». Aliás, vemos bem hoje os frutos do seu governo na educação (e não só…), com Roberto Carneiro, Couto dos Santos, Deus Pinheiro e companhia.
Agora, em Belém, repete as mesmas frases feitas. No papel de chefe-supremo da III República, que é dizer, desta classe política que andou todos estes anos a rapinar-nos e a arruinar Portugal.
E Cavaco, actor do sistema durante10 anos + 2 presidências, a assobiar para o lado e a pretender passar por consciência moral de toda esta miséria...
P.S.
Como não poderia deixar de ser, o escriba do regime e especial engraxador Luís Delgado teria de elogiar o discurso do Cavaco.

domingo, 7 de outubro de 2012

De pernas para o ar

Fernanda Leitão

(Reproduzido em Moldar a Terra, http://www.moldaraterra.blogspot.pt/)
Os dias que desembocaram no 5 de Outubro de 2012 foram um verdadeiro fim de festa, com acontecimentos e pormenores que por muito tempo ficarão na memória do povo.
Começou com António Borges, um homem de mão do Goldman Sachs, a passar rodas de “ignorantes” aos empresários, com a desfaçatez de quem considera Miguel de Vasconcelos um menino de coro se comparado com a sua pessoa. Logo depois Victor Gaspar anunciou medidas de austeridade tais que pulverizam a classe média e empurram Portugal para o abismo. E fê-lo raivosamente, como quem atira pedras aos governados, a dar-se ares de pimpão, respaldado pelo Moedas do Goldman Sachs. Logo depois, no debate parlamentar, quando um deputado do PC lia a carta do líder do CDS aos seus militantes condenando a austeridade excessiva, Passos Coelho e Relvas, ao lado de um Paulo Portas calado e cabisbaixo, e de um Álvaro amarrotado como um papel sem préstimo, riam-se sem pudor nem maneiras. Foi uma cena de inacreditável baixeza.
Chegado o país à última celebração estadual da República, por decisão do governo bota-abaixo que o PSD e o CDS ofereceram a Portugal, a opinião pública ficou a saber que o primeiro-ministro trocava a celebração caseira por uma daquelas reuniões no estrangeiro onde é sempre um verbo de encher. E que o Presidente da República não queria a cerimónia no largo da Câmara de Lisboa, como sempre foi desde 1910, preferindo o escondido recato do Pátio da Galé, e mesmo ali só para convidados. Ao comprimento e à largura de Portugal, foi dito alto e bom som pelo “melhor povo do mundo” que o PR e o governo fugiam às garantidas vaias e apupos.
Umas imagens televisivas da Eslováquia mostraram Passos Coelho e Paulo Portas, caminhando apressados como quem foge da própria sombra, com o dirigente do CDS a declarar que a coligação está firme, “claro”. Não há que ter dúvidas: o país está entregue a uns garotões que mascaram a incompetência e o medo com a tosca desenvoltura da insolência.
Na varanda do município, o PR hasteou a bandeira de pernas para o ar. Pouca sorte a da bandeira verde-rubra: já foi pisada em Londres  (1), numa manifestação contra a presença de Marcelo Caetano, já foi arrastada pelo chão em África, na hora derradeira da presença secular de Portugal. E agora, o azar quis que desse ao mundo a imagem de Portugal: virado do avesso. No Pátio da Galé, aconteceu o ponto final: António Costa fez um discurso de PR e o PR fez um discurso descolorido de representante de um governo partidário a desfazer-se em bocados. E, apesar da horda de seguranças, o “melhor povo do mundo”, na pessoa de duas bravas mulheres, deixou os convidados em silêncio atordoado e o PR a engolir em seco: uma senhora de meia -dade que gritava o seu desespero pelo desemprego e uma pensão de 200 euros, que era ali a voz de milhões, e uma jovem cantora lírica que entoou um cântico de resistência e foi ali o prolongamento de toda uma juventude prestes a explodir.
Haverá quem, não se revendo neste regime, se regozije com este descalabro. Eu não me regozijo. Amo demasiado Portugal para não sofrer com toda esta lama que o salpica e com a tremenda desgraça que atinge o povo a que pertenço.
Mas acredito que o “melhor povo do mundo” se levantará como uma só pessoa e salvará Portugal desta vergonha e de uma ditadura. Não há União Europeia nem Merkel, nem o grande raio que parta os que vivem da desgraça alheia, que possa impedir um povo de tomar em mãos o seu futuro.

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(1) Refere-se a um suposto e divulgado acto de Mário Soares em Londres. Isto não corresponde à realidade. Corresponde sim a «críticas» de quem não tem capacidade política para mais nem honestidade intelectual. É daquelas mentiras postas a circular por uma direita estúpida (sim, não é só a esquerda que é estupida!) que, repetidas que são, acabam por fazer fé. E muitas pessoas repetem a mesma história como se fosse verdade, como aqui neste artigo é o caso.

A uma direita consequente não será preciso inventar para criticar Mário Soares. Ou será? A verdade não será suficiente para criticar os socialistas?
É como aquela história de uma suposta carta de Rosa Coutinho a Agostinho Neto, que andou a circular na net. Para criticar esse traste seria preciso inventar? Só a direita estúpida o faria, e ainda por cima com o rabo de fora.
Mais uma vez, sobre o caso, é pena que um bom artigo contenha tal «voz corrente» que já enjoa ouvir.

(Nota da Redacção)





segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Poema

Afonso Lopes Vieira
 1878-1946)










Se um inglês ao passar me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
se tens agora o mar e a tua esquadra ingente,
fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente.
Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa,
fui eu que t'as cedi num dote de princesa.
e para te ensinar a ser correcto já,
coloquei-te na mão a xícara de chá...

E se for um francês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa
de ter sido cigarra antes da Provença.
Rabelais, o teu génio, aluno eu o ensinei
Antes de Montgolfier, um século! Voei
E do teu Imperador as águias vitoriosas
fui eu que as depenei primeiro, e ás gloriosas
o Encoberto as levou, enxotando-as no ar,
por essa Espanha acima, até casa a coxear

E se um Yankee for que me olhar com desdém,
Num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Quando um dia arribei á orla da floresta,
Wilson estava nu e de penas na testa.
Olhava para mim o vermelho doutor,
— eu era então o João Fernandes Labrador...
E o rumo que seguiste a caminho da guerra
Fui eu que to marquei, descobrindo a tua terra.

Se for um Alemão que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Eras ainda a horda e eu orgulho divino,
Tinha em veias azuis gentil sangue latino.
Siguefredo esse herói, afinal é um tenor...
Siguefredos hei mil, mas de real valor.
Os meus deuses do mar, que Valhala de Glória!
Os Nibelungos meus estão vivos na História.

Se for um Japonês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Vê no museu Guimet um painel que lá brilha!
Sou eu que num baixel levo a Europa á tua ilha!
Fui eu que te ensinei a dar tiros, ó raça
belicosa do mundo e do futuro ameaça.
Fernão Mendes Zeimoto e outros da minha guarda
foram-te pôr ao ombro a primeira espingarda.
Enfim, sob o desdém dos olhares, olho os céus;

Vejo no firmamento as estrelas de Deus,
e penso que não são oceanos, continentes,
as pérolas em monte e os diamantes ardentes,
que em meu orgulho calmo e enorme estão fulgindo:
— São estrelas no céu que o meu olhar, subindo,
extasiado fixou pela primeira vez...
Estrelas coroai meu sonho Português!

P.S.

A um Espanhol, claro está, nunca direi: — Pois bem!
Não concebo sequer que me olhe com desdém.

A RR, de novo

Nuno Serras Pereira
Duas mães em sobressalto, uma psicóloga outra professora de ética, desabaram sobre mim as suas grandes preocupações sobre um programa de um canal televisivo, intitulado dancin’ days, patrocinado, segundo elas, pela Rádio Renascença (RR), e que parece estar a ter muito sucesso entre adolescentes e jovens.
Entre outras coisas relataram-me que havia um pai e um filho que partilhavam a mesma amásia, e também que os ditos episódios televisivos advogavam perversamente a homossexualidade.
Não saberei dizer se os meus amigos se recordam dos tempos em que a (RR), propriedade do Episcopado português, era Católica. Eu que sou (pelo menos mentalmente) contemporâneo de Matusalém, ainda me lembro.
A mim parece-me que, embora já houvesse claros sinais de degradação, a machadada fatal na sua identidade ocorreu quando a RR contribuiu activamente para a vitória do “sim” à liberalização do aborto aquando do último referendo. Desde então a sua putrefacção nauseabunda, disfarçada com o perfume de alguns programas bem cheirosos, tem vindo a alastrar. Trata-se de um quase cadáver coberto de gangrenas.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Motorista do Sr Miguel Relvas (73.466 euros)

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

A propósito do último livro do General Loureiro dos Santos


J. Brandão Ferreira







«As Forças Armadas são o poder da consciência nacional, o braço da Pátria, a Nação em atalaia a vigilância dos túmulos, a segurança do presente e do porvir. Nobreza não há maior que a da sua missão».
Batista Pereira
«Directrizes de Rui Barbosa», 1938
Instituto Superior de Estudos Militares, sala à pinha, imprensa escrita e falada, camaras da televisão. Era dia 30 de Maio de 2012.
Esperava-se gente importante e outros apenas com funções importantes, que apareceram.
Estavam assim reunidos os ingredientes para haver impacto mediático se é que, fora do futebol, isso é possível…
Falaram o General Ramalho Eanes, que apresentou o livro e o autor. Dois bons discursos, se me é permitido opinar.
O principal objectivo do livro – explicar a necessidade de existência das Forças Armadas, numa linguagem (e também no preço e no número de páginas), acessível ao grande público – não deixa, outrossim, de ser uma boa ideia, embora tardia. Uns 25 anos tardia.
Não havendo pastel de bacalhau nem espirituoso dito de honra, cedo as tropas «recolheram a quarteis».
Durante o «destroçar», um senhor general, cujo nome não interessa referir, atirou-me «en passant»: «Quando é que você escreve um discurso destes?»
Não cogito a intenção da frase (o senhor general um dia mo dirá se assim o entender), mas achei curioso e fui ler os discursos.
De facto não escreveria nada daquilo, dadas as circunstâncias actuais, apesar de reafirmar a bondade dos textos e até de relevar a frase com que o autor do livro acabou a sua intervenção: «Até porque as crises financeiras e económicas conseguem levar-nos os anéis, mas as crises de segurança além dos anéis podem arrancar-nos os dedos…, quando não as próprias vidas».
Por isso e apesar daquilo que nos vem sendo matraqueado, desde 1789, sobre a «igualdade», nós somos todos diferentes (graças a Deus e não ao «supremo arquitecto»), o meu discurso seria diferente.
Uma das missões de um chefe militar, quiçá a principal, é a de preparar as suas tropas (e a Nação) para a «guerra que há - de vir», e uma das razões fundamentais de muitos desastres militares, foi justamente esquecer este princípio, sendo o esforço feito no sentido de «combater melhor a guerra que passou»…
Ora o livro e os discursos não estando voltados para o passado vêm sobretudo falar da importância que as FAs devem ter numa sociedade (democrática), o que representa uma «guerra» em que se foram perdendo todas as batalhas, nos últimos 25 anos…
Por isso uma das opções do meu discurso seria tentar explicitar as razões e o porquê dessas derrotas, pois sem tal se perceber não poderemos obter sucesso no futuro, por mais livros que se escrevam e discursos que se façam…
Sobre este assunto já escrevi o suficiente para me fazer doer os dedos (e o espírito) pelo que sobre isso não me vou castigar e aos leitores, novamente.
Colocar na interrogativa algumas decisões, governamentais, tomadas sobre as FAs, nos últimos tempos, sem apontar opções claras, é uma questão de estilo que não discuto. Tem a ver com as tais idiossincrasias das desigualdades humanas.
Já na listagem resumida das «ameaças» foi deixada de fora aquela que tenho por mais importante de todas, pois se não a anularmos, essa ameaça impedirá, de per si, que possamos fazer face a qualquer outra.
Essa ameaça é representada pela classe política que tão mal tem (des)servido o País e o próprio sistema político que a permite. Ambos os factores são causa e efeito um do outro. Esta causa/efeito tende a perpetuar-se.
Deixando de lado incompetências várias, corrupções, negociatas, etc., que também são consequência da causa/efeito e têm que ser dirimidas pela acção política, pela polícia e pelos tribunais, existem dois eixos de orientação política, que se têm que considerar deliberados (pois caso contrário só uma demência avançada os poderia justificar).
Estamos a falar da desconstrução do Estado e da subversão da Nação (tendo presente que o estado é a nação politicamente organizada).
A principal razão para que tal suceda resulta de, em Portugal (e na Europa Ocidental), imperar a ideia «internacionalista» em detrimento do desiderato nacional.
Ora se as principais forças políticas (e quem lhes puxa os cordelinhos – seguramente, não o povo) defendem que o ideal a seguir é sermos cidadãos do mundo, até ver da “Europa” (seja lá o que isso for), o conceito de Nação passa a ser um formidável obstáculo a semelhante objectivo.
O corolário lógico é a sua destruição; o método é subverte-la.
O sucesso tem sido tão grande – podemos apresentar páginas de exemplos que o corroboram – que o país se está a suicidar lenta, mas literalmente. Basta atentar na «diluição» acelerada que a emigração e imigração, potencia, e que a demografia negativa exponencia.
Toda esta trama vai fazendo com que a soberania esteja a ser transferida dos órgãos nacionais que a representam, para as instituições internacionais representadas pela ONU, NATO, etc., e, principalmente a União Europeia.
Isto quer dizer que, se as funções tradicionais do Estado estão em alienação – não se devendo esquecer as privatizações, sem lei nem roque, que nos vão retirar as empresas a energia, a água, a terra, etc., até ficarmos sem nada em mãos portuguesas, para que é preciso o Estado?
Para já o que resta do Estado serve, fundamentalmente, para ser correia de transmissão de poderes exógenos, cobrar impostos e garantir os negócios necessários à sobrevivência de amigos e familiares.
Neste estádio as FAs além de serem desnecessárias (até haver umas «europeias») são outrossim um perigo, pois guardam no seu «ADN» os genes da Nação.
Com isto dito, lembraria ao senhor PM e MDN presentes, que os políticos não foram mandatados para acabar com «aquilo» que Afonso Henriques começou e dura há quase 900 anos.
E lembraria à Instituição Militar e ao povo português, que o dever das FAs é defender a Nação – e não a República como, certamente por lapso, foi referido.
Estas seriam as vertentes principais do discurso que faria.
Pois, pelo andar da carruagem, não iremos ficar só sem os anéis, os dedos e, talvez a vida mas, também, sem a alma.     

terça-feira, 26 de junho de 2012

Apresentação de livro sobre Cristóvão Colon


Fernando Branco vai lançar o seu livro «Cristóvão Colon -- Nobre Português» no próximo dia 28 de Junho às 17h30h na Ordem dos Engenheiros.
Intervirão também o Bastonário da Ordem dos Engenheiros, o Presidente da Associação Cristóvão Colon e a Presidente da Academia Portuguesa da História.
Entrada gratuita, sujeita a inscrição prévia, no link abaixo



segunda-feira, 25 de junho de 2012

O crime dos partidos descarados


Nuno Serras Pereira








«A justa ordem da sociedade e do Estado é dever central da política. Um Estado, que não se regesse segundo a justiça, reduzir-se-ia a um grande bando de ladrões, como disse (Santo) Agostinho … A justiça é o objectivo e, consequentemente, também a medida intrínseca de toda a política. A política é mais do que uma simples técnica para a definição dos ordenamentos públicos: a sua origem e o seu objectivo estão precisamente na justiça, e esta é de natureza ética.» (Bento XVI, Deus Caritas est, nº 28 a).
Impressiona a glacial desvergonha desaforada do psd e do cds com que publicitam, como se fora algo extraordinariamente audacioso e benigno, uma futura apresentação de propostas para cobrar «taxas moderadoras» para as mães grávidas, no caso do psd, que repitam o abortamento de um filho ou, no caso do cds, para toda e qualquer mãe grávida que queira abortar seus filhos, mesmo que se trate da primeira vez. Esta crueza da «maioria absoluta» que parece assim pretender ocultar a sua perversa identidade sinistra revela pelo contrário um maquiavelismo sádico.

(Extracto)

Portugal nas meias finais.........

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Uma burla gigantesca


Uma burla gigantesca, diz José Gomes Ferreira

Para perceber melhor a displicência do PGR neste caso, denunciado por muitos há muito tempo, é melhor ver este vídeo da SICN, em que José Gomes Ferreira diz expressamente que houve um conluio entre várias pessoas para esta desgraça e esta hecatombe na economia nacional. E disse mais:
Que o destemido, ou seja a PGR já vem tarde de mais. E que o presidente da República ainda terá que explicar porque assinou de cruz os diplomas legais.
Esta é a história de um grande conluio...que tem coniventes.José Gomes Ferreira enunciou os conluiados: alguns políticos, bancos, construtoras, consultoras e grandes gabinetes de advogados. Atravessa e está no coração do regime.
Faltou enunciar outros importantes conluiados: os directores de informação das televisões. Os josés albertos carvalhos e assim outras anas lourenços. Estes são responsáveis no conluio porque sabendo do mesmo, tiveram medo de o denunciar. E trataram de se proteger dos tubarões tornando-se dóceis para o poder e o establishment. São jornalistas de terceira categoria, evidentemente.
Aliás, se alguém quiser saber quem são os conluiados basta desenrolar as páginas deste e doutros blogs, ao longo da última meia dúzia de anos. Estão lá todos, mas todos mesmo.
Ver mais aqui

terça-feira, 19 de junho de 2012

Tão queridos que eles são…(os invertidos e seus apoiantes)


L. Lemos

Hoje, o «Rei Ghob» foi condenado a 25 anos de prisão. Foi dado como provado que o invertido assassinou por ciúme.
No dia 27, o DN titula uma notícia: «Sexagenário degolado pelo companheiro».
Há tempos, um «casamento» entre dois deles tinha a particularidade de uma das borboletas ser um chefão da JSD. Pouco depois, o enlace acabou à estalada.
Não há dúvida, tão queridos que eles são…
Tão queridos que se descrevem a si próprios, transpirando amor por todas as glândulas sebáceas e outras. A realidade está bem à vista.
É neste contexto que um grupo de intelectuais resolveu fazer uma petição pública pondo em causa as investigações e portanto as condenações dos seus amigos (e colegas de alguns) do processo Casa Pia. Tudo boa gente, façam eles campanha por este ou por aquele partido, ou seja, prestem eles serviço neste ou naquele bordel!
Registemos os nomes deles para memória futura…
(António-Pedro Vasconcelos, António Vitorino de Almeida, Carlos do Carmo, Clara Ferreira Alves, Eunice Muños, João Soares, Rui Veloso, Ruy de Carvalho, Virgílio Castelo, etc.)

sábado, 9 de junho de 2012

Cavaco dá uma mãozinha à corrupta casa real espanhola



Heduíno Gomes
Num momento em que rebentam os escândalos sobre a corrupta casa real espanhola, eis que surge Cavaco a dar uma mãozinha àquele príncipe manso (que será rei durante três dias) e àquela jornalista oportunista mascarada de princesa.
Ainda se Cavaco os tivesse recebido para reivindicar o retorno de Olivença… Mas nem isso está no perfil de Cavaco.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Greves, controladores e cogitações avulsas


«Obrigar o Governo às cedências que rebaixam e às violências que revoltem».
Brito Camacho
                                                                                                     
João J. Brandão Ferreira







Tires, 09:30. Voo de instrução com saída para esta hora. Metereologia excelente, «cavok» (sem restrições de tecto e visibilidade).
Decorria uma greve, intermitente, dos controladores aéreos entre as 07:00-09:00 que continuava das 14:00-16:00 e das 21:00-23:00.
Plano de voo submetido (a horas) para o Espichel; durante o «briefing» fui avisado de que havia demora nas saídas, por causa do controle de Lisboa. Industriei o aluno para tentar coordenar o voo para se ir primeiro a Sintra. Além de proporcionar treino adicional permitia «contornar» a demora com a aproximação de Lisboa, dado que após a descolagem de Tires poderia passar directamente ao controle militar da Base Aérea 1.
Conseguida a autorização para pôr em marcha (eram 0940) e obtida a «clearence» para Sintra com a indicação de que apenas seriamos aceites até às 10:30.
Eram 09:50, dava tempo para uma aproximação por instrumentos, óptimo, continuou-se o «cheklist». 10:00, estávamos prontos para rolar, eis senão quando o controlador informou que Sintra deixou de autorizar a nossa ida, por ter tráfego (!). Estranha coisa esta mas, enfim, nada a que não estejamos habituados.
Deixámos, porém de estar autorizados a prosseguir, já que passámos a número dois para sair e passar ao controle de Lisboa, e não havia estima para quando tal evento se pudesse concretizar. Há mais de meia hora estávamos em número três. Um avião de 30 em 30 minutos, rica média…
Para mais, dado que tínhamos pedido para ir a Sintra e agora queríamos voltar ao plano de voo inicial, teríamos que submeter novo plano de voo. Lá se cortou o motor e se foi cumprir o requisito.
Fizeram-se mais umas poucas tentativas para retomar a marcha, a última das quais às 10:45, sem sucesso e sem previsão de melhores dias. Plano de voo cancelado, avião retornado à sua condição de «exposição estática», papelada feita, tudo arrumado, bom dia e muito obrigado.
Saldo da coisa: uns pecados por pensamentos, palavras e (vontade de) obras, por confessar; meia manhã perdida, para mim e para o aluno; gastos em deslocamentos e nenhum provento; prejuízo para a escola (que tinha reorganizado os seus horários, em função da greve); e este escrito.
O direito à greve (que passou a ser uma espécie de vaca sagrada) e sua regulamentação está consignado na Constituição da República (CR) e não é agora a altura de sobre tal arguir. E é deixado livre à opinião pública julgar da razoabilidade de greves efectuadas por grupos profissionais dos mais bem pagos e com melhores condições de trabalho, existentes na sociedade.
Afinal entre os «trabalhadores» há uns mais iguais do que outros, podendo-se vislumbrar autênticos «baronatos» que não hesitam em sobrepor os seus interesses aos direitos dos outros. Sem sequer ter em conta que os eventuais «culpados» das situações criadas andam de carro com condutor ou deslocam-se em jacto privado. O Zé é que se trama…
Creio que vem nos livros, que uma greve deve ser feita para resolver («in extremis») um problema laboral – e também seria curioso saber qual a posição da Camara de Cascais que é o «dono» do respectivo aeródromo – não se percebendo muito bem onde está o busílis da questão actual.
Fora do âmbito laboral resvala-se para a Política e aí as coisas ficam todas baralhadas (não se devia permitir, por ex., que os sindicatos fossem correias de transmissão de partidos políticos). A situação complica-se ainda mais quando se passa a invocar o «interesse nacional». Ora o interesse nacional é definido pelos órgãos de soberania, para tal mandatados. Os sindicatos não são órgãos de soberania.
Fazerem-se greves em altura de catástrofe financeira nacional e de perda acentuada de soberania, só tem paralelo na falta de responsabilização criminal de responsáveis que em tal, eventualmente, incorreram; na falta de exemplo dos representantes do Estado e na falta de vergonha de quase todos.
Acresce que o Governo, ao não tratar com equidade os cidadãos, abre o flanco a tudo, e ao não negociar com as diferentes entidades/grupos profissionais por bitola idêntica, dá azo à anarquia reivindicativa. Tal leva à lei da selva.
De facto se o Governo cede na TAP e na SATA, porque não há - de ceder na NAV ou na CP?
Isto não tem ponta por onde se pegue!
Ter uma lei da greve que permite paragens intermitentes – nomeadamente nos transportes – o que, na prática, permite estender o período da greve, e suas consequências, muito para além do fixado no pré-aviso, parece ser uma insensatez inaceitável. Trata-se de um resquício do «PREC» que a CR algo marxista e meio tola, anti nacional e, até, anti democrática, aprovada nos idos de 1976, respalda e que, passados 36 anos, ainda não foi corrigida nos seus aspectos fundamentais.
Como é tudo feito «democraticamente» como não nos cansam de dizer, isso vai-nos sossegando o espirito, mesmo que as prisões estejam a abarrotar – sem que os principais violadores da lei, por lá passem – e se tenha acumulado uma divida externa superior à soma de todas aquelas contraídas desde que Afonso, o primeiro, desembainhou a espada.
Dívida que agora todos temos que pagar, mesmo que não consigamos trabalhar como se vê pelo exemplo junto.
A cartilha republicano – carbonária de Brito Camacho voltou a estar em vigor.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Número 3 do Vaticano comenta Vatileaks


Amargura e pena pelo que aconteceu nos últimos dias no Vaticano, mas também determinação e confiança para enfrentar uma situação francamente difícil. Estes são os sentimentos que se percebem no Substituto da Secretaria de Estado, o arcebispo Angelo Becciu - que, por função, trabalha diariamente em estreita relação com o Pontífice - durante uma conversa com «L'Osservatore Romano» sobre o tema que centra a atenção de muitos meios de comunicação em todo o mundo, a detenção no passado dia 23 de Maio, de Paolo Gabriele, ajudante de câmara de Bento XVI, por ter na sua possa um grande número de documentos reservados pertencentes ao Papa.

Clique aqui para ler entrevista completa.