terça-feira, 14 de junho de 2011

Colóquio na SEDES
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Tema: o ensino

Heduíno Gomes
No dia 2 de Junho, teve lugar na SEDES um colóquio sobre o ensino. O moderador foi Fernando Adão da Fonseca (Presidente do Fórum para a Liberdade de Educação), tendo participado Marçal Grilo e Mário Pinto.
Adão da Fonseca 
Marçal Grilo, Ministro da Educação de Guterres, num tom sussurrento que mal se percebia, e estilo sábio pleno de anglicismos do thesaurus de eduquês, deu o mote. Mário Pinto concordou e desenvolveu. E Adão da Fonseca abençoou.

Conceitos fundamentais
Marçal Grilo
Perguntando que educação e qual a mais adequada, responde Marçal Grilo que «Há ideologia a mais e pragmatismo a menos» no ensino. Este suposto teórico de educação, autor de «tratados» sobre a coisa, dá assim nota da superficialidade tecnocratista com que aborda o tema: ignora que existe uma disciplina que se chama filosofia da educação, donde derivam vários pontos de vista… vários conceitos… várias ideologias pedagógicas…

Mário Pinto
Para Marçal Grilo e Mário Pinto não se trata de distinguir conceitos diferentes na abordagem da educação mas… de ser «pragmático»... Isto é, como se na base da praxis não estivessem os conceitos. Para «teórico» de educação e ex-ministro da pasta da educação não está mal, não senhor. O mesmo temos a dizer sobre Mário Pinto, que celebra assim o casamento entre o pragmatismo e o cristianismo!

Sistema nacional de ensino
Marçal Grilo opõe-se à existência de um sistema nacional de ensino, no que foi acompanhado por Mário Pinto e Adão da Fonseca, o Presidente do Fórum para a Liberdade de Educação, cuja guerra é precisamente a mesma.
Mário Pinto acha que a responsabilidade da educação não é também da competência do Estado mas apenas «dos pais e da sociedade». Dos pais entendemos. Mas o que quererá dizer «da sociedade»? O que será para ele «a sociedade»? Quem a representa? Algum grupo ou seita a que pertença? Mário Pinto escuda-se atrás de uma retórica liberal e pseudo-cristã de ataque ao «monopolismo do Estado» e de defesa da «liberdade de escolha da família» para pôr em causa precisamente a organização das famílias no seio da Nação tendo em vista alcançarem em conjunto um bom sistema de ensino para todos.
A anarquia proposta por Mário Pinto vai ao ponto de ouvirmos frases impensáveis como estas: «O aluno faz propostas e a escola escolhe.» ou «A escola está sensível à escolha do aluno.». Acha também que as escolas, presume-se que primárias e secundárias, devem possuir «currículos alternativos como as universidades». É este o seu «modelo de liberdade».
Na perspectiva de todos estes senhores, Portugal não necessitaria de um sistema nacional de ensino, não o reconhecem como peça fundamental a médio e longo prazo de um plano estratégico nacional. Para estes senhores, o que é bom não é um bom plano mas a «diversidade», isto é, a espontaneidade. «Não precisamos de um estado central educador e tutelar» mas de «projectos próprios».
De salientar que a grande batalha de Adão da Fonseca e do seu Fórum para a Liberdade de Educação, para além de comungar das aberrações das «novas pedagogias», é precisamente a tal autonomia das escolas, ao ponto de cada uma dever ter os seus próprios programas. Traduzindo isto por miúdos, o que estes «generosos» e «patriotas» pretendem é deixar o ensino nacional afundar-se no caos e criar colégios privados com ensino de qualidade para os seus rebentos, isto é, a mediocridade de ensino para o povão e o bom ensino para os ricos.
E Marçal Grilo, co-responsável da mediocridade actual, vem lamentar a falta de exigência no (seu) ensino endossando a responsabilidade aos pais! (Terei ouvido bem ou o homem descarrilou?)

Ensino secundário técnico
Marçal Grilo, numa atitude verdadeiramente delirante de traumatizado com algum episódio ocorrido durante o Estado Novo ou a autojustificar-se por ter sido, com Veiga Simão, um dos coveiros do ensino técnico, ataca-o. Ora, coisa que qualquer pessoa de bom senso faz é lamentar a destruição deste ramo de ensino. Mas Marçal Grilo, hábil na demagogia, faz dele uma caricatura destrutiva e fora do tempo e fica todo ufano.

História do ensino em Portugal
Mais uma vez Marçal Grilo prefere a falsificação à verdade, agora no que toca ao esforço do Estado Novo para fazer sair Portugal do atraso com que o herdou. Fazendo tais caricaturas, Marçal Grilo revela ou uma total ignorância da história do ensino em Portugal (então cale-se!), ou uma grande desonestidade, ou ambas.
Perante a notável obra do Estado Novo em matéria de extensão do ensino, traduzida em números concludentes no aumento de escolaridade e na construção de infra-estruturas, e ainda na alta qualidade dos seus programas e manuais, vir tratá-lo de obscurantista, como ele veio, não é de gente conhecedora ou séria.
Também desdenhar da utilização de regentes escolares e imputar a criação «dessa figura» ao Estado Novo é dupla ignorância ou desonestidade: primeiro, «essa figura», no seu entender obscurantista e medíocre, não foi criada por capricho de ninguém mas como solução de emergência para lutar contra o analfabetismo, tendo as regentes escolares cumprido a sua missão enquanto eram produzidos professores primários em quantidade suficiente; segundo, esse real mérito não pertence de facto ao Estado Novo, que apenas continuou a sua utilização, mas à I República. Dupla asneira.

Três conclusões
De todas estes doutorados disparates, ressaltam três conclusões.
Primeira, tais candidatos a especialistas em educação revelam grave défice em várias matérias essenciais à pedagogia. Como podem entender a pedagogia se não entendem a natureza humana nem a sociedade, por exemplo pretendendo colocar os próprios educandos a escolher os programas, ou seja, em auto-educadores?
Segunda, do ponto de vista nacional, tais políticos revelam uma completa irresponsabilidade. Na competição internacional, que será duma nação que não organize para a excelência o seu sistema de ensino de maneira a levar mais longe as suas crianças e jovens?
Terceira, do ponto de vista humanista, tais pessoas revelam pouca sensibilidade. Onde pararão os sentimentos cristãos daqueles que se estão nas tintas para o bem comum e apenas procuram o negócio no complexo pedagogico-industrial ou o ensino de qualidade (pensam eles...) para os seus?













Ainda as comemorações do 10 de Junho

Heduíno Gomes
Como complemento ao artigo de João J. Brandão Ferreira «O 10 de Junho e os combatentes», há a acrescentar alguns pormenores significativos.
Um dos oradores na Conferência que teve lugar na Gulbenkian foi António Telo, professor na Academia Militar. Começando por declarar que se limitaria a citar factos e não tomaria posição, como se fosse historiador isento, a verdade é que escolheu os factos à sua maneira e acabou mesmo por… tomar partido.
António Telo foi um dos tais que pôs em causa a justeza de Portugal responder à guerra com a guerra.
António Telo defendeu as teses capitulacionistas e a jeito dos americanos sobre o Ultramar de Botelho Moniz, criticando-o apenas por ter sido ingénuo na sua luta com Salazar.
António Telo foi um dos que entendeu a «solução» 25A.
E é António Telo é formador dos jovens oficiais, que por ele ouvem contar umas histórias e moldam a sua perspectiva de vida, patriotismo e dever militar a partir de tais balelas! Formador ou intoxicador?
Puseram os pontos nos ii João J. Brandão Ferreira e Jaime Nogueira Pinto.
No dia 10 de Junho, junto ao Monumento aos Combatentes, houve vários discursos normais na circunstância. Contudo, um houve que destoa pela circunstância e pela falta de verdade: o de Jorge Cabrita, um chefe da PSP, que, apesar do verniz que lhe aplicou, deixou transparecer o alinhamento com a esquerdalha, na linguagem e nas ideias.
Ah, importantíssimo, ainda foi lida uma mensagem igualmente ambígua de Cavaco, o rolha N.º 3 (sendo que o n.º 1 era o Costa Gomes e o n.º 2 o Eanes).



segunda-feira, 13 de junho de 2011

O 10 de Junho e os combatentes

João J. Brandão Ferreira
(síntese)
A Comissão Promotora do Encontro Nacional dos Combatentes, organiza uma romagem anual de homenagem aos Combatentes do Ultramar, junto ao respectivo monumento, em Belém, no dia de Portugal. Este ano promoveu, também, uma conferência sob o tema “A Presença de Portugal em África”, ao longo dos séculos, que teve lugar na véspera, na Fundação Gulbenkian.

A conferência foi presidida por Adriano Moreira. Sobre a subversão e a guerrilha com que nos defrontámos em África, entre 1961 e 1974-1975, lá se ouviram as mesmas frases recorrentes. Estas ideias, além de constituírem mitos, funcionam como uma espécie de autojustificação psicológica e tranquilizadora de consciências, para quem contribuiu, não se opôs ou se acomodou à vergonhosa retirada de “pé descalço”, com que terminou a nossa centenária permanência naquele continente (e em Timor). Vamos analisar quatro frases feitas.

“Uma guerra subversiva não pode ser ganha”.
Mentira, os ingleses ganharam na Malásia e no Quénia; as guerrilhas lançadas por Castro e Guevara, nas Américas Central e Sul, foram quase todas derrotadas; até os EUA teriam ganho a guerra do Vietname se tivessem tido a coragem e o discernimento de impor a censura nos media. Nós já tínhamos subjugado a guerrilha em Angola e estávamos muito longe de a perder na Guiné e Moçambique.

Não entendemos ou reagimos aos “ventos da História”.
Os ditos ventos são sempre soprados por quem tem poder em cada época e fartaram-se de soprar contra nós, durante séculos. O ataque, em 1961, foi apenas mais um. Temos, de facto, que estar sempre atentos a tais ventos e responder em função dos nossos interesses, não dos outros. E isso quer dizer agir e lutar dentro das nossas possibilidades e em todos os tabuleiros. Para isso necessitamos de ter Poder. A alternativa a isto é sermos escravos e bananas.

“Os militares garantiram ao poder político o tempo necessário para estes encontrarem uma solução para o conflito”.
Este argumento afigura-se-me tosco e tem uma lógica invertida. Juro que não entendo como isto se faz. Os chefes militares (quando? todos ou alguns?) vão ter com o Governo e dão-lhe um prazo? E como se calcula o tempo considerado suficiente? Dois anos? Cinco anos? Treze anos de guerra em África é muito mas os 80 anos que durou a guerra com os holandeses são aceitáveis? A Guerra da Restauração durou 28 anos: o que teria acontecido se nos tivéssemos cansado ao fim de treze? Isto tem alguma lógica ou aceitabilidade? Quando vão tropas, hoje, para o Afeganistão, ou outro lugar qualquer, o CEMGFA tem uma conversa prévia com o MDN e dá-lhe um prazo?
A um oficial ou sargento do quadro permanente não ficará muito mal estar a “queixar-se” do tempo que dura um conflito? Ele escolheu a profissão e pode ter que combater desde que se forma até que se reforma!

Finalmente, a cereja em cima do bolo: “a solução para a guerra era política e não militar”.
Confesso que entendo este argumento como o mais mirabolante de todos. Sendo a guerra, na máxima clausewitiana, a continuação da política por outros meios, pretenderiam os autores da frase a continuação da guerra através da política? O mais curioso de tudo é que a maioria dos autores deste portento, di-lo com o ar mais sério do mundo e, a seguir, cala-se, como que aliviado depois de ter proferido uma sentença absoluta! Mas, no fundo, o que querem dizer? Que propostas apresentam?
Pois é, afirmar que a solução é política e não militar que dizer tudo e não quer dizer nada… Por definição entrar-se numa guerra ou colocar-lhe um fim, é essencialmente uma decisão política – e, neste particular, anunciar que a decisão da guerra é política e não militar, transforma-se num pleonasmo…
A decisão política sobre um conflito deve ser feita tendo em conta os nossos interesses, não os do inimigo. E sendo comum aceitar-se ser a guerra uma coisa má, existe uma pior, que é justamente perdê-la.
Disse ainda o Prof. A. Moreira (e tem-no repetido amiúde), que os portugueses, desde Afonso Henriques, funcionaram sempre “em cadeia de comando” e isso explica que o povo fosse sempre cumprindo os desígnios nacionais. Eu julgo entender o que o ilustre professor quer dizer (embora nunca o explicite), mas penso que não é a verdade toda. A verdade toda é que essa cadeia de comando foi interrompida, em 1820, para só voltar a ser reposta em 1926 (melhor dizendo, em 1932), tendo-se perdido, novamente, em 1974.
E agora, volta-se à cadeia de comando ou…. a quê?

domingo, 12 de junho de 2011

Cavaco, o Repovoador

Heduíno Gomes
Depois de ter encerrado tudo quanto era maternidade no interior do País, de ter estoirado com a agricultura a troco alcatrão e jeeps e de ter dificultado a vida às pessoas com umas direcções regionais longínquas e sem acessos (distribuídas a uns boys), Cavaco, com a lata do costume, vem falar de repovoar o interior.
(Discurso do dia 10 de Junho de 2011)

«Apuramento das responsabilidades»
-- diz Barreto

Heduíno Gomes
«Apuramento das responsabilidades» [ de quem conduziu Portugal à calamitosa situação e de quem promoveu a corrupção e incompetência da classe política ], diz Barreto, o convidado de Cavaco para botar faladura.
Sabendo nós das culpas que tem no cartório quem o convida para palrar, das duas, três.

Ou o Cavaco está a fazer uma autocrítica por interposta pessoa – o que não está de acordo com o facto de nunca se enganar;
ou o orador está a trair quem o convidou – o que parece pouco curial, ainda por cima da parte de quem não apresenta grande coragem para enfrentar o mal, quanto mais para ser ingrato com o protector;

ou são dois grandessíssimos hipócritas combinados nos discursos – o que destoa destas duas pessoas tão santinhas.

Mistério.


O dia de Santo António Barreto

Heduíno Gomes
Começa a ser fatídico, enjoativo e sonolento ouvir em cada 10 de Junho a conversa do santinho António Barreto: conversa moralista e aparentemente crítica sobre a política e os políticos vinda de alguém que dá provas de ser tão mau como os que critica.

Merecerá alguma confiança um sujeito que edita livros na linha da decadente III República, nomeadamente a promover as tais «liberdades» dos invertidos?

Merecerá alguma confiança um sujeito que pensa nos moldes dos mitos ideológicos e antivalores morais que imperam, como ficou patente na série televisiva que produziu, na qual mentiu descaradamente sobre a vida social e política antes de 1974 e promoveu a decadência moral? (Ele deixou o PCP em 1968 apenas porque a União Soviética invadiu a Tchecoslováquia mas a mentalidade continuou a mesma do Rumo à Vitória de Cunhal, que ainda perdura na sua actual visão sobre Portugal de antes de 1974.)

Merecerá alguma confiança um sujeito que sistematicamente se opõe à clarificação política e moral (a que chama «crispação»), comportando-se como um oportunista politicamente correcto e um vulgar relativista?

Porque o tipo faz uma conversa de santinho para agradar,  politicamente correcta, agora até já há para aí uns patós que começam a falar dele como candidato às próximas eleições presidenciais. Para que tudo fique na mesma.

Depois de Eanes, Sampaios e Cavacos, tudo é possível e louvado nesta III República.



A cereja no bolo-rei

Heduíno Gomes
Já nos vamos habituando às anedotas de Cavaco. Depois de um discurso a assobiar para o lado sobre a crise de que é co-responsável, sua excelência foi comer cerejas, isto é, pôr a cereja no bolo-rei: mais umas tentativas de fazer humor... seco.
O que vale é que o Presidente de 23% dos Portugueses já só engana no máximo… 23% dos Portugueses!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A moral viscosa de Passos Coelho

Bernardo Motta, Espectadores
É de se pasmar...
Passos Coelho, aquando da promulgação da Lei do Aborto, manifestou publicamente o seu apoio à dita. Agora, em entrevista dada recentemente à Rádio Renascença, mostra uma posição mais ambígua...
«O presidente do PSD recorda que esteve “há muitos anos do lado daqueles que achavam que era preciso legalizar o aborto - não era liberalizar o aborto, era legalizar a interrupção voluntária da gravidez -, porque há condições excepcionais que devem ser tidas em conta” e não se deve “empurrar as pessoas que são vítimas dessas circunstâncias para o aborto clandestino”.»
Está à vista a estratégia: Passos Coelho quer puxar para o PSD alguns votos do CDS. Mas os eleitores dotados de valores morais que estejam indecisos entre PSD e CDS não se podem deixar enganar. Passos Coelho, procurando passar a imagem de preocupação pela manifesta generalização ("liberalização") do aborto, pelos vistos insiste na sua legalização. Ou seja, insiste na ideia insana de quem um crime pode ser legal. Já para não falar nas famigeradas "condições excepcionais", pois se matar um ser humano inocente é um acto claramente imoral, não se vê onde estão as ditas condições de excepção, ou seja, não se entende quais são as circunstâncias que tornam legítimo matar um ser humano inocente.
Os eleitores não se podem deixar enganar. A moral de Passos Coelho é a mesma de José Sócrates. São políticos profissionais, relativistas, que consideram que a moral se define por consensos alargados e por referendos. Refugiam-se em chavões ambíguos, procuram ao mesmo tempo parecer modernos e responsáveis, e acabam por não ser nem uma coisa nem outra.
E, finalmente, fazem-nos de parvos. Ao que parece, segundo Passos Coelho, algumas mulheres, antes da famigerada lei de 11 de Fevereiro de 2007, eram "empurradas" para o aborto clandestino. Ou seja, não viam outra alternativa para as suas gravidezes senão a de as destruir, matando os seus filhos. E o Estado, que deve fazer, segundo Passos Coelho? Ora é claro: ajudá-las a matar os seus filhos. Isso sim, é serviço público. Não um aborto clandestino, um aborto sem o preenchimento do formulário DS-1845, um aborto sem a assinatura de uma junta médica, sem o carimbo da clínica da Yolanda. Um aborto decente tem todas essas formalidades e mais algumas. Isso é que é um aborto decente.
Assim, que deve o Estado fazer às mulheres que se sentem "empurradas" para o aborto? Ora, deve "empurrá-las" para o aborto legal! Está fora de questão prestar apoio à gravidez e à maternidade! Está fora de questão ajudá-las em questões jurídicas (quando são ameçadas por namorados, familiares ou patrões), ou dar-lhes fraldas e papa para o bebé. Isso não é moderno. Essas tarefas de apoio à maternidade ficam para aqueles grupos de extremistas católicos, para os "talibans da vida".
O Estado presta um nobre serviço: o aborto legal! A destruição legal de seres humanos inocentes, em ambiente hospitalar controlado, e tudo pago pelos contribuintes. Isso é que é modernidade! Mas Passos Coelho, o pós-moderno, para além de querer esse aborto moderno, quer regulamentá-lo mais um bocadinho. Torná-lo um bocadinho menos chocante para os eleitores mais sensíveis, talvez trocando alguns abortos à oitava semana com Mifepristone (RU-485) por abortos à primeira ou segunda semana com Levonorgestrel (vulgo, "pílula do dia seguinte")... Mas sobretudo, o que Passos Coelho quis, com esta entrevista calculista na Rádio Renascença, foi enganar uns quantos potenciais eleitores do CDS, levando-os a votar, de forma incauta, no PSD. Apesar de as sondagens o sugerirem, nem todos os eleitores são parvos.



segunda-feira, 30 de maio de 2011

A História de Portugal que não foi
porque o Homem morreu

Heduíno Gomes
Como está o PPD-PSD, todos sabemos.
Como seria com Carlos Mota Pinto, podemos ter uma ideia a partir do documento de 1985, abaixo apresentado, que fazia parte do plano de trabalho para dotar o PPD-PSD da orientação e instrumentos necessários a Portugal.
O Homem morreu e sucederam-lhe os pigmeus: Cavaco e seus clones. 
Passaram 26 anos.
Os problemas do PPD-PSD são os mesmos.
Os problemas de Portugal também.
E a solução também.


(Projecto)
O PAÍS, O PARTIDO, A MUDANÇA

Editorial do Presidente para o Povo Livre e a ser reeditado como manifesto para a mobilização da base.

O PAÍS

A situação do País é grave.
As empresas sentem dificuldades. O desemprego. A pobreza. A habitação. A assistência. A droga. O ensino. A identidade nacional.

As causas.
As utopias. O esbanjamento. A incompetência. O academismo. Os interesses egoistas dos grupos e a manipulação da sociedade.
As consequências previsíveis.
A bancarrota. A dependência económica e polltica em relação ao estrangeiro. A derrocada da democracia.

Mudar o rumo dos acontecimentos.
O povo português quer a mudança. Encontrar a perspectiva certa. Unir as forças construtivas. Abrir um novo capítulo na história de Portugal.

O PARTIDO

Para realizar a mudança é fundamental que o próprio Partido seja o motor.
Pela implantação popular de que desfruta e consequente expressão eleitoral de que dispõe. Por ser a expressão genuinamente popular e democrática da Nação. Por consubstanciar os interesses profundos de justiça e de progresso dos portugueses. Por possuir as forças internas necessárias à construção e à mudança.

O Partido não está, infelizmente, preparado para a mudança.
O Partido não tem um programa claro (tem um programa inútil, carregado de preconceitos ideológicos, irrealista, esquerdizante, socializante).
O Partido não possui uma organização sólida. O Partido não possui organismos sectoriais dinâmicos que apliquem a sua política.
O Partido não segue uma directriz clara. O Partido está dividido pela influência de interesses meramente pessoais e de grupos que o dilaceram no topo e se servem da base, que pacientemente tem assistido à sua utilização abusiva, a uma delapidação de energias do Partido e do País.

Vamos preparar o Partido para a mudança.
Vamos elaborar um programa claro, realista, que exprima as necessidades da Nação, do povo português.
Vamos dotar o Partido de uma sólida organização e de organismos que apliquem esse programa quer a nível nacional quer pontualmente.
Vamos clarificar o Partido. Que os interesses pessoais e de grupos fiquem à porta e que os militantes destacados para funções no Estado ou no Partido apliquem escrupulosamente a política do Partido, que queremos e procuramos que seja a política útil aos portugueses como pessoas, como famílias e como nação.
Quem assim não entende o Partido não entende a voz da sua base nem a voz dos portugueses. Essas pessoas devem tomar a iniciativa de ressituar-se a si próprios no quadro do Partido e mesmo em relação ao eleitorado junto do qual têm beneficiado da caução do Partido.
Queremos um partido com um programa claro. um partido construtivo. dinâmico. unido e forte para mudar Portugal [frase do Presidente para o poster previsto no Plano de Actividades no ponto 2.3 v)].
Desejo a unidade do Partido, mas a unidade assente no seu fortalecimento e clarificação. Apelo ao bom senso de todos. Mas lanço um apelo muito especial à base e aos quadros para que me ajudem nesta necessária e urgente tarefa.

(Clicar sobre as imagens para ver o original fac simile deste documento de 1985)



domingo, 29 de maio de 2011

A presença portuguesa em África

C O N V I T E
A Comissão Executiva do XVIII Encontro Nacional de Combatentes, a Revista Militar e a Associação de Auditores dos Cursos de Defesa Nacional têm a honra de convidar V.ª Ex.ª para a Conferência “A Presença Portuguesa em África”, que se realiza no dia 9 de Junho de 2011, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

AACDN

10H00 -Sessão de abertura
Professor Doutor Adriano Moreira; General Espírito Santo; Drª. Isabel Meirelles;TenGen. Vizela Cardoso

10H45 -1º Painel
“A estratégia de ocupação e o encontro civilizacional”;
Moderador -Almirante Vieira Matias
Prof. Dr. Rui Ramos
“Linhas de força da ocupação de posições em África pelos portugueses, na perspectiva estratégica e do desenvolvimento económico e humano, desde o século XVI ao fim da década de cinquenta do século XX. Conceito de espaço de interesse, face ao ambiente físico, social e político e às capacidades reais”.
Prof. Dr. José Carlos Oliveira
“Elementos históricos sobre as migrações africanas nos territórios do Ultramar Português”.
Prof. Dr. Pereira Neto
“Exemplos de interacção cultural. Relações dos portugueses com outros povos em África.
Encontros civilizacionais”.

14H30 -2º Painel
“A evolução da situação desde as vésperas do século XX”, Moderador -TenGen. Jesus Bispo
TenCor. José Brandão Ferreira
“Alterações nas condições de segurança no Ultramar Português na sequência do Congresso de Berlim de 1884/5; influência das forças europeias em presença. Papel das forças indígenas e de outros agentes do Estado ou de particulares na defesa da soberania nacional”.
Prof. Dr. Jaime Nogueira Pinto
“Evolução da posição da comunidade internacional quanto às idéiasde colonização e de descolonização. Efeitos práticos no terreno. Posição do regime português”.
Prof. Dr. AntonioJosé Telo,
“Processo de decisão política nacional para o início das operações militares em África no ano de 1961”.

17H00
Debate Final e Conclusões

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Introdução à conferência doTenCor. José Brandão Ferreira
A Comissão Executiva do XVIII Encontro Nacional dos Combatentes deci¬diu prestar homenagem a todos os portugueses, civis e militares, que em Á¬fri¬ca se sacrificaram pela sustentação do Império, promovendo uma confe¬rên¬cia, em con¬junto com a Direcção da Revista Militar e a Associação de An¬tigos Auditores dos Cursos de Defesa Nacional, no dia 9 de Junho de 2011, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Para o efeito procedeu a convite a académicos eméritos para o tratamento dos temas que pareceram mais adequados aos fins em vista, e que irão pro¬por¬cionar a reflexão sobre os méritos do legado civilizacional deixado em Á¬fri¬ca pelos portugueses. Por razões evidentes da exiguidade do tempo foi da¬da¬ prioridade a Angola, Moçambique e Guiné, onde decorreram as últimas operações militares do Império, não esquecendo igualmente o preito de ho¬me¬nagem aos que defenderam a soberania naci¬onal noutros territórios ultra¬ma¬rinos.
A Conferência terá duas partes, sendo a primeira dedicada à ocupação dos ter¬ri¬tó-rios na senda das Descobertas, que custaram muitas vidas de cidadãos nacionais, especialmente provocadas por doenças, assim como ao alarga¬men¬to progressivo do espaço em conformidade com as capacidades nacio¬nais, sem prejuízo da manutenção das posições costeiras ameaçadas por for¬ças estrangeiras, em particular europeias. A presença portuguesa neste espaço fez vingar os direitos históricos reivindicados por Portugal quando os apeti¬tes das outras potências, muito mais poderosas, se tornaram ostensivos, prin¬ci¬pal¬mente a partir do Congresso de Berlim de 1884/5. A reacção nacional ao Ultimato inglês veio provar que a tarefa ciclópica de construção de um Im¬pério que aquela ocupação constituiu, de facto, um desígnio nacional.
Este andamento dos portugueses, funcionários, empresários, comerciantes, mi¬li¬ta-res e missionários, foi algumas vezes contemporâneo, noutras antece¬deu, as migrações dos povos africanos. O processo da conquista deu origem a cho¬ques, submissões, reconhecimento de direitos, típicos de processos se¬mel¬han¬tes ocorridos ao longo da História em todas as partes do Mundo.
Importa-nos uma descrição objectiva das situações então ocorridas de acordo com os valores do tempo histórico, desmascarando enfoques que não visam a verdade, mas que se verificam, muitas vezes para denegrir a importância da presença portuguesa, num jogo de poder invisível.
Interessa reflectir sobre os encontros ocorridos entre os portugueses e os a¬fri¬ca¬nos, traduzidos em negociações amigáveis, que constituíram verdadei¬ros encontros civilizacionais. O legado mais importante deixado por Portu¬gal foi o início da constituição de Nações nos territórios definidos à custa de vidas humanas e do reconhecimento internacional dos direitos históricos so¬bre esses territórios. E é o resultado daqueles encontros e deste legado que tor¬narão indestrutíveis os laços que actualmente unem Portugal a todos os paí¬ses onde se fala a língua portuguesa.
A segunda parte da Conferência trata do esforço militar realizado por portu¬gue¬ses e africanos, civis e militares, indígenas e forças expedicionárias, nas lutas pela definição dos limites territoriais e pela consolidação da soberania, a partir dos finais do século XIX e durante a primeira década do século XX, assim como os novos problemas políticos que conduziram à Guerra do Ultramar.

Os "boys" e a senhora Dona Zita Seabra

Heduíno Gomes
Com o título «Os ‘boys’», a senhora Dona Zita Seabra publicou hoje no JN (29.5.2011) um artigo que me entusiasmou pela sua oposição à corrupção no meio político. Trata-se, de início, de generalidades morais muito correctas. Pensei logo que, afinal, a senhora se teria convertido (à moral na política, na circunstância, bem entendido).
Vou por aí abaixo no artigo e começo a interrogar-me sobre o ponto a que a senhora Dona Zita quer chegar. É que a senhora Dona Zita começa a dar exemplos de imoralidades na política mas queda-se pelas pulhices humanas de um dos gangues. Sobre o gangue que lhe comprou o passe, moita-carrasco.

E a senhora Dona Zita termina magistralmente a sua prosa: «Mas vai dar muito trabalho ao PSD e a Pedro Passos Coelho fazer regressar à política a nobreza de quem quer apenas que esta volte a ser um mero serviço do bem comum e que a esperança regresse a Portugal.»
A senhora Dona Zita parece querer dizer que o gangue que lhe comprou o passe possui nobreza e se preocupa com o bem comum. Penso eu que se trata de um juízo moral sincero e não de uma graxazinha ao poder a que lhe possa cheirar.
E a senhora Dona Zita fala em regresso à nobreza na política. Regresso significa que já houve. Quando, depois do seu querido 25 de Abril, é que houve nobreza? Vá, diga lá quando, que é para ficarmos a saber que referências tem para a moral na política!
E depois cá estamos para concordar ou não. Sim, porque, na classe política de Abril, alguma pessoa séria haverá! Não são todos iguais! Precisamos é de saber quais são as referências aconselhadas pela senhora Dona Zita, para além dos compradores do seu passe.



Comentários ao cruel dilema Sócrates-Passos

Se o tipo não vai a primeiro-ministro, então quem é que vai? O Sócrates?
Abraço,
A.
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Caro amigo A.,
Eh pá, a curto prazo, isto está perdido com qualquer das «soluções». As moscas é que variam. E é preciso que sobre esse Passos Coelho não haja ilusões. O actual sistema não contém qualquer solução válida nem razoável. A ilusão só nos faz perder mais tempo. Os Portugueses andam a passar de ilusão em ilusão e assim não se sai disto. Eu nem votarei em qualquer desses tipos do sistema.
E nem Presidente da República à altura dos acontecimentos temos. Há 26 anos que ando a dizer o que é Sua Excelência, o pessoal não acreditava, a outros convinha-lhes fingir que não acreditavam, e agora parece que alguns começam a perceber que colocaram um carreirista em Belém. Entretanto…
Toda esta falta de pontaria dos Portugueses é consequência da visão imediatista da política. A massa tem desculpa porque é massa. Quem não tem desculpa são os comensais do sistema.
A solução só pode ser -- previamente -- dar a volta por dentro aos partidos modificáveis para bem, correndo com as camarilhas arranjistas que os governam (arranjistas, liberalóides, invertidas e etc.) e dotando-os de doutrina e programas reflectindo o interesse nacional, o bem comum e... a decência!!!
Não existe outra solução. Nem um golpe de Estado, pois já nem temos Forças Armadas para o fazer: temos «generais sentados», como dizia o americano. Algum oficial que pense decentemente, isto é, patrioticamente, está isolado.
Entretanto, tanto me faz que esteja lá o fabuloso Sócrates -- o do actual sistema de ensino miserável, do delapidar da economia, do «casamento» dos invertidos, do aborto e eutanásia, da porno nas televisões, da permissividade nas drogas, do «acordo ortográfico» e da «regionalização» -- como o patético Coelho -- com o seu Programa e corte de Catrogas do cavaquismo ou cavaquismo «crítico», o Coelho dos mesmos sistema de ensino miserável, do delapidar da economia, do «casamento» dos invertidos, do aborto e eutanásia, da porno nas televisões, da permissividade nas drogas, do «acordo ortográfico» e da «regionalização».
Vamos acabar com isto e encontrar uma solução para Portugal ou optar entre os dois baldes iguais com moscas diferentes?
Infelizmente, a questão é simplesmente esta…
Um abraço.
Heduíno


Sobre Valores e Legislativas

Rodrigo Faria de Castro
Quem garante que o PSD cumpriria o que o Passos Coelho hipotetizou sobre novo referendo ao aborto? Depois diriam que nem estava no programa de governo... Cuidado com os lobos vestidos de cordeiro!!
Quanto ao PP "CDS só aceita nova consulta popular quando passarem, pelo menos, dez anos sobre a anterior"
O PP tem 5 deputados por Lisboa.
Espera subir desta vez, com cabeça de lista pro aborto e pro "casamento" gay. http://www.ionline.pt/conteudo/65468-teresa-caeiro-nao-se-deve-fazer-experimentalismos-com-criancas-ponto-final
O 6.º deputado é pro "casamento" gay. Logo se o PP cresce em Lisboa- elege mais um deputado antifamília.
Vêm com a conversa que o PPV está a roubar deputados ou a dispersar os votos... Quem rouba são eles: Portugal é Pro Vida!
O 3.º por Lisboa (elegível) também é a favor do "casamento" gay
"Teresa Caeiro, João Rebelo e Assunção Cristas apresentaram declarações de voto, justificando o voto contra pela vinculação ao partido e pela manutenção de uma “posição homogénea” do grupo" http://ww2.publico.pt/Media/revolta-em-surdina-no-ps-no-dia-do-sim-ao-casamento-gay_1416948?p=1
Quem tem ouvidos para ouvir oiça.

Os passos do Coelho sobre o aborto:
um passo à frente, dois passos atrás

Heduíno Gomes
Já estamos habituados a assistir a Passos Coelho mudar permanentemente de opinião. Agora as suas variações foram sobre o aborto.
Primeira impressão: dizendo e desdizendo, parece um tolinho que não sabe o que quer.
Segunda impressão: parece um oportunista à caça dos votos de quem defende a vida.
Terceira impressão: parece um trapalhão a meter os pés pelas mãos.
E gramaticalmente falando:
«Se houvessem cidadãos portugueses que quisessem a realização de um referendo…»

Se o tipo vai a PM, estamos feitos...

Texas:
Lei obriga a realização de ultra-sons antes do aborto

O governador do Texas, Rick Perry, assinou o Projecto de lei 15, para entrar em vigor em Setembro, que exige que uma mulher realize um ultra-sons antes de decidir praticar um aborto.
Perry afirmou que com "esta importante lei se assegurará que toda mulher no Texas que pretende realizar um aborto conheça os factores sobre a vida que leva e entenda o devastador impacto desta decisão".
A lei estipula que um médico realize um ultra-sons 24 horas antes de um aborto e mostre a imagem à mãe, para que ela escute os batimentos do coração do feto.

Cavaco: ganda lata!
(Já sabíamos…)

Heduíno Gomes
Num discurso no centenário do ISEG, critica os políticos por verem apenas o imediato e não se preocuparem com o futuro.
Ó pra ele quando PM!



sexta-feira, 27 de maio de 2011

Colóquio na SEDES
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Suposto tema: a competitividade

Heduíno Gomes
Com Medina Carreira, Alexandre Relvas e António Carrapatoso, teve lugar na SEDES um colóquio sobre o suposto tema da competitividade. E se digo suposto tema é porque mal se falou do assunto. Falou-se, sim, da desgraça em que se encontra o País e do futuro negro que nos espera, com a verdade incómoda que Medina Carreira não permite esconder.
Em contrapartida, ouvimos o optimismo ideológico descabelado de Alexandre Relvas, aquele tecnocrata cavaquista habituado a chafurdar no chiqueiro da política, no caso no laranjal, sempre superficial, com ideias sobre tudo mas sobre nada, falando de números e de pobrezinhos que impressiona pela sabedoria e até comove pela bondade do seu coração. E ele cita mesmo a grande referência que é o «filósofo» bloquista e defensor de maus costumes José Gil a justificar o seu optimismo de princípio! Sim, de princípio! O seu leitmotiv é exportar, coisa que o Estado deve financiar. Pudera, ele exporta vinhos. Sistema de ensino? É tu cá, tu lá, com números e tudo. Assim tipo Deus Pinheiro, Roberto Carneiro, Grilo ou Cavaco. Problema demográfico? Com creches e transportes escolares e já está (vê-se bem nos países da Europa onde isso não falta). Enfim, é um crânio do Cavaquistão.
O outro vendedor de optimismo foi o tecnocrata e liberal confesso António Carrapatoso, sem partido mas a ajeitar-se a uma pasta de «independente». Como é seu costume, lá vociferou contra o Estado, pretendendo reduzi-lo a um faz de conta, entregando aos privados tudo o que compete a um estado moderno. E, fazendo história, pretendeu que «as coisas correram bem» entre 1985 e 1995, isto é, durante o cavaquismo, isto é, durante os governos daquele senhor que, dispondo de maioria absoluta para decidir livremente, criou o monstro, liquidou a agricultura e as pescas, e deu continuidade à burla do ensino que temos.
E são estas as alternativas que se apresentam ao fabuloso Sócrates. Se não se arranja solução, estamos feitos.



quarta-feira, 25 de maio de 2011

Os sacrifícios de cada um na crise
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A múmia de Belém

Resumido de Daniel Bacelar
45 mil são os euros por dia para a Presidência da República, nas contas do Palácio de Belém.
Assim descobriu o DN que a Presidência da República custa 16 milhões de euros por ano.
Dinheiro que, para além de pagar o salário de Cavaco, sustenta ainda os seus 12 assessores e 24 consultores, bem como o restante pessoal que garante o funcionamento da Presidência da República.
A juntar a estas despesas, há ainda cerca de um milhão de euros de dinheiro dos contribuintes que todos os anos serve para pagar pensões e benefícios aos antigos presidentes.
Os 16 milhões de euros que são gastos anualmente pela Presidência da República colocam Cavaco Silva entre os chefes de Estado que mais gastam em toda a Europa, gastando o dobro do Rei Juan Carlos de Espanha (oito milhões de euros). É apenas ultrapassado pelo Presidente francês, Nicolas Sarkozy e pela Rainha Isabel de Inglaterra, que custa 46,6 milhões de euros anuais.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

João César das Neves:
Mais uma prova de bom gosto e … inteligência!

Heduíno Gomes
Com o título «Sobre-humano», publicou João César das Neves no DESTAK (11.05.2011) um comentário sobre situação nacional e Sócrates.
João César das Neves, como de costume, concentra as culpas da actual miséria em Sócrates, «esquecendo-se» de nomear aqueles co-responsáveis disto tudo que pertencem à sua tribo, e mais concretamente a cavaquista. O mesmo diremos em relação  à honestidade de Sócrates em comparação com a honestidade da restante classe política, nomeadamente a da sua tribo, e mais concretamente a cavaquista.
Já estamos habituados a esse sectarismo não muito cristão.
Mas o homem perde a cabeça e excede-se um tanto, o que certamente deveria ser objecto da sua próxima confissão. Referindo-se a Sócrates, termina ele o seu comentário desta forma sublime, elegante, de bom gosto, inteligente e cristã:
«Nada o afecta e ele segue tão confiante e desafiante como sempre. Ninguém mais conseguiria, após 6 anos de ataques, escândalos e fiascos, manter a pose impoluta do primeiro dia. Isto merecia ser estudado. Quando morrer, o senhor Primeiro-ministro devia doar o corpo à ciência
Comentários para quê? É um comentador cristão!


As eleições e os defeitos humanos na política

Pedro Afonso, Médico Psiquiatra
Mesmo para quem faz do estudo e tratamento da insanidade humana o seu ofício, não pode deixar de ficar perplexo e espantado com a proliferação do destempero na vida política. Segundo o escritor Juan Manuel de Prada, quando os malvados e os tontos alcançam o poder democraticamente podemos afirmar, sem qualquer dúvida, que a sociedade alcançou o grau máximo de corrupção. Considerando que em breve iremos ter um novo governo, convém fazer uma reflexão sobre os defeitos humanos na política, exortando a escolha de políticos virtuosos.
Um dos defeitos humanos na política é o excesso de amor-próprio. É arriscado permitir que um narcisista alcance o poder, já que este, sobrevalorizando as suas reais capacidades, apenas se irá preocupar com fantasias de sucesso ilimitado. Demasiado ocupado com a admiração pública das suas qualidades singulares e com as suas obras grandiosas, este perfil de governante despreza os outros, tornando-se impaciente e arrogante quando as pessoas falam dos seus próprios problemas e preocupações.
A compulsão para a mentira é outro defeito perigoso. Os homens habituados a mentir publicamente com o tempo acabam por mentir em privado, chegando ao ponto de mentirem a si próprios. É desta forma simples e eficaz que se mantêm no exercício do poder, ainda que os resultados da sua incompetência sejam inequívocos. Trata-se de um mecanismo primário de defesa: em vez da verdade dolorosa, escolhe-se a mentira consolatória.
Os distúrbios de memória, convenientemente selectivos, utilizados para fugir às responsabilidades, correspondem a outra imperfeição humana. Esta situação torna-se evidente quando o político num dia promete uma coisa e no dia seguinte, com naturalidade, faz exactamente o contrário, sem que se dê conta de tamanha incongruência. As promessas costumam ser feitas com a mesma convicção de um vendedor de banha da cobra, surgindo invariavelmente a garantia de resolver todos os problemas de uma vez para sempre com base num plano grandioso, seja ele qual for.
A imaturidade intelectual na vida adulta pode revelar-se um defeito pernicioso. Estas pessoas têm um desejo irreprimível de impor aos outros a ideia errada de que “progredir é regredir”. A crença de que somos todos profundamente carentes de direitos, e que estamos dispensados de responsabilidades, tem consequências nefastas. Desta forma fomenta-se a regressão, desvaloriza-se o esforço e promove-se o ócio; constituindo o mecanismo mais rápido para fragilizar uma economia e empobrecer um povo.
A ignorância (e a falta de consciência da mesma) revela-se uma imperfeição humana terrível na política. Tudo se complica quando se associa o desejo de fazer obra e mudar o mundo, característica que é tanto mais perigosa quando se tem parcos conhecimentos do mesmo. Quando um político ignorante, com um profundo desconhecimento da realidade, alcança o poder e tem uma ideia política o mais provável é acontecer um desastre, abrindo-se um caminho inexorável para a tirania; tendo em conta que a tirania é acima de tudo “uma ideia pessoal sobre a realidade”.
A falta de seriedade intelectual e a dissimulação têm-se tornado frequentes como estratégia de aproximação ao poder. Os aduladores, que constituem uma espécie de corte em torno do líder, representam bem este defeito humano tão antigo. Estes indivíduos, desprovidos habitualmente de qualidades que os distingam dos seus semelhantes, fazem juras de fidelidade eterna a quem está no governo. Mas tudo isto é falso, já que estes nómadas da subserviência serão os primeiros a abandonar o líder mal ele caia em desgraça.
Evite-se, pois, escolher políticos com excesso de amor-próprio, mentirosos, sem palavra, imaturos, ignorantes e aduladores, uma vez que foram estes defeitos humanos que atormentaram os nossos antepassados e que tantas vezes levaram a catástrofes políticas, sociais e económicas.