quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Prefeito recusa-se a retirar da escola
carne de porco do menu
das cantinas escolares – … explica porquê:
Os pais muçulmanos exigiram a abolição da carne de porco em todas as cantinas escolares de um subúrbio de Montreal. O prefeito do subúrbio de Montreal, de Dorval, recusou-se, e o secretário municipal enviou uma nota a todos os pais para explicar porquê ...
«Os muçulmanos devem entender que eles têm de se adaptar ao Canadá e Quebec, aos seus costumes, às suas tradições, ao seu modo de vida, porque é o lugar que escolheram para imigrar. «Devem entender que têm de se integrar e aprender a viver no Quebec.
«Devem entender que devem ser eles a mudar o seu estilo de vida, não os canadenses, que tão generosamente os acolheram.
«Devem entender que os canadenses não são nem racistas nem xenófobos. Aceitaram muitos imigrantes muçulmanos antes (ao passo que o inverso não é verdadeiro, em que os Estados muçulmanos não aceitam imigrantes não-muçulmanos). «Isto não é mais do que outras nações, os canadenses não estão dispostos a abrir mão da sua identidade, e da sua cultura. E se o Canadá é uma terra de acolhimento, não é o prefeito de Dorval que acolhe estrangeiros, mas o povo canadense-Quebecois como um todo.
«Finalmente, eles devem entender que, no Canadá (Quebec), com as suas raízes judaico-cristã, as árvores de Natal, igrejas e festas religiosas, e a religião deve permanecer no domínio privado. O município de Dorval tem o direito de recusar quaisquer concessões ao Islão e à Sharia.
«Para os muçulmanos que não concordam com o secularismo e não se sentem confortáveis no Canadá, há 57 belos países muçulmanos em todo o mundo, a maioria deles sob povoada e pronto para recebê-los de braços abertos halal, de acordo com a sharia. «Se deixou o seu país para vir para o Canadá, e não para outros países muçulmanos, é porque considera que a vida é melhor no Canadá do que noutros lugares. «Faça a si próprio a pergunta, apenas uma vez,» Porque é melhor aqui no Canadá do que de onde vêm?»
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Na origem da presente crise política
Heduíno Gomes
Houve eleições e os resultados são claros e nem foram produzidas tangentes.
Perante estes resultados, que se esperaria de alguém que estivesse na Presidência da República?
Clareza, afastando todas as ambiguidades e ambições ilegítimas.
Que vimos da parte de Sua Excelência?
Declarações de La Palisse, de quem diz ter estudado «todos os cenários». Silêncio que deixa o País em roda livre e os manobradores a brincar com o nosso bolso.
Porquê esta atitude de Cavaco? Porque deu espaço para mais esta confusão?
Porque o seu principal objectivo na vida sempre foi ficar bem na fotografia. O resto que se lixe. Neste momento, não está a pensar em Portugal e no seu dever mas como fica melhor na fotografia.
Vamos ver se ainda faz mais porcaria do que a que já fez com o seu «sábio» silêncio.
Cavaco não é de confiança. Há 30 anos e 4 meses que o digo.
A pouca vergonha e falta de princípios
de certos bispos no sínodo
A divulgação de uma carta privada dirigida ao Papa foi comparada ao caso «Vatileaks» pelo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
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| Thérèse Nyirabukeye,
Moira McQueen e Jeremias Schröder no briefing do sínodo 2015. |
As questões do acesso aos sacramentos por parte das pessoas em uniões irregulares e a melhor forma de acolher os homossexuais continuam a marcar os trabalhos do sínodo sobre a família e esta terça-feira a variedade de opiniões existentes entre os presentes ficou muito clara na pessoa dos três convidados para a conferência de imprensa diária, cada um com uma opinião diferente.
Em primeiro lugar falou o abade beneditino Jeremias Schröder, afirmando que na sua Alemanha natal a opinião pública favorece uma maior abertura.
«Eu sou da Alemanha e parece-me, por exemplo, que a questão dos divorciados que casaram de novo, ou divorciados que vivem uma união estável com filhos, está fortemente presente entre os católicos alemães. Não é uma preocupação, como o é noutros lados, por isso, penso que se poderia encarar, para este caso, uma pastoral regional», afirmou, defendendo que em vez de se procurar uma solução uniforme para toda a Igreja, cada conferência episcopal seja livre de procurar o rumo que melhor serve a sua realidade.
«Também me parece que a compreensão da homossexualidade e a aceitação social da homossexualidade, culturalmente, também é muito diversificada. Por isso, obviamente, também me parece que nesta questão as conferências episcopais deviam ser autorizadas a formular respostas pastorais em sintonia com o que pode ser anunciado e vivido em determinado contexto», reafirmou.
Opinião diametralmente oposta foi manifestada, logo de seguida, por Thérese Nyirabukeye, uma consagrada do Ruanda que trabalha para a Federação Africana de Acção Familiar e é especialista em métodos naturais de planeamento familiar, que manifestou o medo de uma fragmentação da Igreja.
«Espero que os aspectos doutrinais sejam bem conservados e que a aplicação pastoral de um ou outro caso seja sempre feita com referência a uma doutrina e a critérios doutrinais que podem orientar uma opção. Porque também há o risco de se fazer o que se quiser com a Igreja e, assim, se criar um fenómeno de seitas no seio da Igreja Católica. Os padres sinodais devem examinar e ter tempo para estudar bem as consequências e as implicações concretas, relativamente à estrutura e à própria natureza da Igreja», afirmou.
Por fim, com uma opinião de meio-termo, a canadiana Moira McQueen, especialista em Teologia Moral, disse existirem vantagens e desvantagens em ambas as abordagens.
«Há, de facto, um movimento favorável a que algumas questões serem melhor, ou mais facilmente, resolvidas a nível local ou regional. Posso ver nisso algumas vantagens, mas, ao mesmo tempo, ainda nada disto aconteceu ou foi votado. E francamente, apesar de eu ver vantagens, também vejo desvantagens e penso que a Igreja, com a sua sabedoria, terá naturalmente de considerar os dois lados.»
Um novo «Vatileaks»?
A questão da carta endereçada ao Papa, assinada por 13 cardeais que se mostraram preocupados com o rumo e o modo de funcionamento do sínodo, voltou a ser notícia esta terça-feira.
Na segunda-feira, o cardeal Pell, primeiro signatário da carta, tinha confirmado a sua existência mas disse que a versão que chegou à imprensa contém incorrecções tanto no texto como na lista de signatários.
O director da Sala de Imprensa da Santa Sé afirmou, na abertura da conferência de imprensa, que este assunto nunca devia ter vindo a público. «O cardeal Pell declarou que foi entregue uma carta reservada ao Papa e devia permanecer reservada. E que aquilo que publicaram não corresponde ao texto nem aos signatários que assinaram a carta ao Papa. Por isso, quem – passados tantos dias – deu este texto e esta lista de nomes para publicação, cumpriu um acto de distúrbio, alheio à vontade dos signatários. É preciso, pois, não se deixar condicionar.»
«Que possa haver observações sobre a nova metodologia do sínodo, não surpreende. Mas, uma vez estabelecida, todos se empenham a realizá-la da melhor maneira. O clima geral da Assembleia é, sem dúvida, positivo», concluiu o padre Federico Lombardi.
Também o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Müller, criticou em entrevista à imprensa italiana esta terça-feira a divulgação da carta, afirmando que esta pode ser comparada a um novo «vatileaks» e dizendo que quem divulgou a carta apenas pode ter intenção de criar discórdia e um clima de suspeição entre os colaboradores do Papa Francisco.
domingo, 11 de outubro de 2015
Suicídio colectivo da Europa
F.S.
A Europa é como um edifício cujas fundações têm vindo a
ser minadas de forma sistemática e programática nas últimas décadas. A
ideologia revolucionária que, de forma paciente, vem levando a cabo este
trabalho não tem o apoio da maioria das populações mas avança praticamente sem
oposição. Porquê?
A resposta de certo modo é simples: uma máquina de
propaganda colossal que tem nos grandes media (televisões, música, cinema e
imprensa) os seus veículos privilegiados e uma fórmula mágica para fazer
avançar a sua agenda – o relativismo moral.
O relativismo moral corrói as bases morais de uma
sociedade, a sua identidade e convicções, proporcionando condições favoráveis à
revolução. Não é por acaso que «moral» significa tanto costumes e valores como
força mental. Nenhuma civilização histórica se fundou sob a dúvida, a incerteza
ou o cepticismo. Ninguém combate por coisa nenhuma. Quem não possua convicções
e valores não tem força mental para suportar os desafios e até os sacrifícios
que a vida apresenta e requer. Está sempre mais perto da desistência e do
conformismo. O que é válido para um individuo é-o em maior grau para uma
sociedade.
Nas nossas sociedades o radicalismo revolucionário dos
anos 60 e 70 (tanto na Europa como nos Estados Unidos que fazem parte da mesma
civilização Ocidental) não se impôs como norma moral porque existia ainda uma
matriz conservadora forte. No entanto ele produziu o resultado desejado que era
o de abalar os alicerces morais do Ocidente e questionar os seus valores,
abrindo caminho ao relativismo moral.
![]() |
| 73% dos franceses tem uma visão negativa na
presença islâmica na Europa. Na foto, oração colectiva de muçulmanos numa rua de Paris. |
É também importante perceber que o relativismo moral não
é o fim em si mesmo da mentalidade revolucionária. Ele é um meio para promover
a «igualdade» dos valores mas o objectivo final é substituir os valores antigos
pelos revolucionários. Só os ingénuos – e existem muitos, que se prestam ao
papel de serem instrumentos da revolução – acreditam no relativismo moral. Um
indivíduo teria que ser criado num laboratório esterilizado da vivência humana
para poder ser moralmente asséptico, moralmente neutro.
O relativismo foi e continua a ser um instrumento que
serve para tornar aceitáveis práticas aberrantes ou até moralmente hediondas
como o aborto, introduzindo propositadamente a confusão e pervertendo a
linguagem para criar um véu que oculta a realidade. O exemplo mais claro disso
é o do aborto, uma morte espontânea ou forçada que os seus promotores
apresentam como «direito das mulheres» ou até como parte dos «direitos reprodutivos das mulheres».
Na fase em que nos encontramos, o relativismo está em
vias de ser ultrapassado e de dar lugar a um discurso abertamente anti-valores
morais e religiosos (já dominante entre as elites «bem-pensantes», ou seja
aquelas que têm acesso aos grandes media). Um exemplo claro disso é o que se
passa com a homossexualidade. O objectivo é suprimir todo o discurso que não
seja de apologia da homossexualidade e respectivas uniões, inclusivamente por
via legislativa. Foi assim inventado o «crime» da «homofobia» que é tão
simplesmente a instituição do delito de opinião. Os programas curriculares das
escolas estão já a endoutrinar as crianças e em breve as Igrejas serão forçadas
a ministrar o matrimónio a pessoas do mesmo sexo sob pena de ilegalização.
No entanto, está ainda por determinar qual será o ponto
de chegada desta senda revolucionária porque o assalto aos valores europeus
conhece nos nossos dias uma nova frente que é a da ameaça da religião de Maomé.
Esta prescreve a conversão forçada ou exploração económica dos não-muçulmanos e
a aplicação universal da sharia ou lei islâmica, que entre outras provisões
estende as normas sobre blasfémia aos não-crentes em Maomé.
Ora o mais curioso e intrigante nos nossos dias é que a
esquerda europeia e norte-americana, que tanto combate os valores da religião
cristã, seja hoje a grande defensora do Islão. As grandes estrelas de Hollywood
e as figuras mais progressistas da esquerda ocidental surgem hoje com um
discurso de defesa do Islão bem preparado, ainda que assente em argumentos
ingénuos ou dissimulados e factos enumerados de forma parcial e selectiva. A
conclusão que desejam popularizar é a de que o problema não reside na religião
mas na interpretação extremista da mesma. É de facto uma posição tanto mais
desconcertante quanto hoje todos sabem o que se passa na Arábia Saudita, país
fundador, guardião dos lugares santos e da doutrina do Islão, e no Irão, país
bastião dos xiitas, assim como no Paquistão, país fundado para acolher os
muçulmanos da Índia, ou tantos outros. Não se percebe pois onde existe esse
Islão moderado que os apologistas proclamam.
Por outro lado, o Islão militante é bem visível e já
chegou à Europa e aos Estados Unidos, com atentados, ameaças de morte e ataques
impiedosos aos alegados blasfemos ou simples infiéis. Sob a pressão e ameaça do
Islão militante, o Ocidente já aceitou a auto-censura, capitulando naquilo que
alegadamente seria um valor sacrossanto das sociedades democráticas: a
liberdade de expressão. A Europa capitula igualmente na sua soberania, ao
abdicar do controlo das suas fronteiras.
Sendo impossível determinar quais as intenções finais da
esquerda revolucionária, entre a qual as evidências nos forçam a incluir Angela
Merkel e François Holande (que continuam a promover o fluxo descontrolado de
muçulmanos para a Europa, ao mesmo tempo que permitem que os cristãos,
«esquecidos e traídos»[1], sejam perseguidos e assassinados no Médio Oriente), nem
por isso deixamos de ver com clareza as consequências da sua acção: a
destruição da cultura e das bases morais da civilização Ocidental. A esquerda
está objectivamente a destruir todos os valores tradicionais da Europa ao mesmo
tempo que promove o expansionismo islâmico. As
incongruências são óbvias mas as consequências são imprevisíveis.
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Quando os vejo a apoiar a causa,
fico a desconfiar...
Heduíno Gomes
Quando vejo um político a ser muito «compreensivo» com o gangue homossexualista, fico na dúvida se estará a ser oportunista para recolher uns míseros votos ou se será militante de causa própria. As duas hipóteses são pertinentes...
Ora bem. Obama era um deles. Afinal, a dúvida acabou: o tipo é mesmo!
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Oito pecados de campanha
Alberto Gonçalves, Diário de Notícias, 27 de Setembro de 2015
Currículos
Dos submarinos à «roubalheira» do BPN, passando pelo «buraco gigantesco» do Novo Banco que o programa do PS «acomodará» sem dramas, as notícias das sondagens levaram o Dr. Costa a investir na sofisticação dos argumentos. Mas nenhum vence o de acusar Passos Coelho de passar por empresas «de objecto social obscuro». É justo, dado que o Dr. Costa passou a vida inteira numa empresa cujo «objecto social» é claríssimo: o PS, especializado em estrafegar as contas públicas e deixar-nos a factura. Também por isso é ridículo sugerir que o desespero das «saídas» profissionais orienta a campanha do homem. Desde que os amigos de Sócrates e os amigos de Seguro sofram de amnésia, o Dr. Costa tem o futuro garantido. E ainda há a Quadratura do Círculo.
Economia
Mais engraçado do que o esforço de certos media
para esconder os sinais de (alguma, sosseguem) recuperação económica só o
desgosto da oposição ao recebê-los. Antes, o aumento do desemprego, a subida da
dívida, as quedas no rating e o tombo das exportações provavam o advento do
Apocalipse. Agora, as tendências inversas ou não existem ou não contam ou não
são credíveis. Típico: nada ofende tanto um «activista» contra a pobreza quanto
um novo-rico. Ou um ex-pobre.
Empates
Por obra e graça da licenciatura que em
embaraçosos tempos adquiri (com nota 19 a Estatística, lindo menino), sei o que
é uma margem de erro e um intervalo de confiança. Até o teste do chi-quadrado
me é familiar. Mas não é preciso um curso para estranhar que os comentários às
sondagens insistam tanto na questão do «empate técnico». Claro que,
tecnicamente, o tal empate é plausível: tão plausível quanto, em certos casos,
a maioria absoluta da coligação, cuja possibilidade ninguém refere. É o velho
tique de confundir a análise com o desejo. E o velhíssimo problema do
enviesamento na amostra dos analistas, a que o jargão do ramo também chama
excentricidade. É uma palavra adequada.
Governo
Por hábito e preguiça, todos se queixam do que
se discute na campanha. Ninguém se preocupa com o que a campanha discute. Um governo?
Não parece. À «direita», a coligação só se aguentaria com uma maioria
parlamentar que hoje se mostra improvável. À esquerda, o PS só alcançará a
maioria mediante posteriores acordos, alianças ou fusões com os dois partidos
comunistas. Entre a balbúrdia e a demência, nada do que sair do 4 de Outubro
promete ir muito além dos seis meses da lei. Por isso, é preciso calma: no
fundo, as «eleições mais importantes da história da democracia» contam pouco.
Em Abril ou Maio, se o que aí vem não for de fugir entretanto, cá estaremos.
Metáforas
Apesar de a CNE considerar tratar-se de uma
metáfora, o PCTP removeu os cartazes que berravam «Morte aos traidores!». É
pena, e mais um passo na legitimação da hipocrisia reinante. Afinal, o PCTP era
o único partido comunista com a sinceridade suficiente para confessar, ainda
que metaforicamente, o desejo de tantos: matar os «traidores», leia-se os
lacaios do capital, a burguesia, nós todos. Serve de consolo o facto de a
retirada dos cartazes não significar o fim da ambição que move aquele bando de
potenciais assassinos (metáfora). Nem da carreira do respectivo chefe, um
sujeito com ar de quem não toma banho desde 1973 (metáfora) que, em países
exóticos, passa por advogado (metáfora).
Revelações
Numa almoçarada do Bloco, Catarina Martins
afirmou, com alarme, que a escola pública nunca começou tão tarde quanto agora.
Jura? Antes da adesão à CEE, e da mania de que a modernidade consiste em
encarcerar fedelhos, o ano lectivo começava sem excepções em Outubro. À força
de repetir mentiras assim desastradas, a Dra. Catarina subiu a «revelação da
campanha». A política caseira beneficia de imensas «revelações». Por acaso, são
quase sempre do Bloco de Esquerda (há meses, a revelação era a filha de Camilo
Mortágua), e raramente produzem uma afirmação que sobreviva ao escrutínio da
realidade. Os jornalistas e comentadores que atribuem a distinção saberão
explicar o primeiro facto, embora não convenha questioná-los sobre o segundo.
Rua
É na «rua», no «contacto directo com o
eleitorado», que os líderes políticos «sentem» que a sua «mensagem» está «a
chegar às pessoas». Não importa se as pessoas são cinco transeuntes incomodados
pela interpelação dos senhores do Livre ou uma excursão de tristes, com
autocarro e merenda, paga pela junta de freguesia vizinha para abrilhantar as
recepções ao Dr. Costa ou ao Dr. Passos. Os líderes ouvem gritar o seu nome e,
naturalmente, fingem concluir que o povo os venera com zelo. Alguns, os
chamados casos perdidos, começam a acreditar de facto.
Sócrates
Todos garantiam que, sobretudo depois de ser
transladado para casa, José Sócrates influenciaria decisivamente a campanha.
Até ver, surgiu sob a forma de exemplo a evitar no primeiro debate entre Passos
e Costa, e, em fotografia anónima, num pastiche da Última Ceia. Não é
impressionante: é o possível de alguém que, sob o aplauso de oportunistas,
julgou ter a importância que nunca teve. E é, se não me engano, o estertor de
um morto político. Claro que Sócrates ainda vai a tempo de aparecer, com
auréola e pizza, à janela da Rua Abade de Faria ou em desabafos na imprensa. Mas já será o recurso cenográfico de um zombie.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Viva a Catalunha independente!
Heduíno Gomes
Além de todas as nações terem direito à sua independência, tudo o que seja desmantelar o centralismo castelhano só nos interessa.
Contudo, há por aí uns analistas políticos, alguns deles versados em constitucionalismo ou em europeísmo, que arranjam mil argumentos contra esse direito dos catalães.
Uns dizem que, pela constituição madrilista, não pode ser. Argumento espectacular!
Outros dizem que a União Europeia não deixa. O Big Brother não deixa!
Outros ameaçam o Barça de não poder jogar na liga espanhola. Como se o Barça deixasse de ser o Barça!
Enfim, uma ementa de argumentos, desde fiscais a defesa nacional, como se tudo não tivesse solução.
E depois há os mais inteligentes que dizem que, para Portugal, seria melhor uma Espanha unificada! Estes inteligentes, está-se mesmo a ver que ou são adiantados mentais ou recebem avença de Madrid.
Os cães ladram e a independência catalã avança.
Próxima etapa: Euskadi.
Seguintes: Galiza e Andaluzia.
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
625 mil católicos pedem a Bergoglio
para pôr fim à confusão moral no sínodo
Ler
o abaixo-assinado já assinado por 625 mil católicos,
8 cardeais e
170 bispos de 160 países.
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Protectorado
Vasco Pulido Valente,
Público, 18 de Setembro de 2015
À esquerda e à direita anda por aí muita gente
indignada por causa do protectorado de que Portugal sofreu e, segundo alguns
patriotas sem mancha nem tumor, continua a sofrer. Isto deixa um indivíduo de
boca aberta por duas razões.
Primeiro, porque de maneira geral foram esses
mesmos patriotas que levaram Portugal ao protectorado de Bruxelas. Depois, pela
total ignorância da história deste pobre país desde pelo menos o fim do século
XVIII. Toda a gente se esqueceu que em 1807 a Inglaterra meteu D. João VI num
barco e o despachou para o Brasil? Ou que Junot acabou corrido por um corpo
expedicionário inglês? Ou que o embaixador de S. M. Britânica tinha assento de
jure no Conselho de Regência que ostensivamente governava o Reino?
E ninguém se lembra que na guerra contra os
franceses (que durou até 1814) o general Beresford comandava o exército
português com a ajuda de umas dezenas de oficiais que trouxera de Inglaterra e
que o nosso Tesouro pagava? E também ainda não é claro para a cabecinha
nacional que o triunfo do liberalismo em 1834 não passou de uma conveniência da
Inglaterra que ela, de resto, financiou e forçou as potências conservadoras,
como por exemplo a Áustria, a engolir? E o progressismo indígena também se
esqueceu que a guerra da «Patuleia» se resolveu com a intervenção da esquadra
inglesa (ao largo do Porto e em Setúbal), por uma invasão de um exército
espanhol assalariado por Londres e por um «protocolo» de Palmerston, que
determinava quem podia, ou não podia, entrar no governo?
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Diz-me com quem andas...
Porque será que gostam tanto dele,
desde Portugal às Filipinas, passando por Itália?...
Até poderia não estar filiado... mas o pensamento é igual...
domingo, 13 de setembro de 2015
Debate decisivo:
Passos Coelho é o vencedor!
João Lemos Esteves, Sol, 10 de Setembro de 2015
1. Os jornais de ontem deram, merecidamente, amplo destaque ao debate entre Passos Coelho e António Costa. Merecidamente, porque se tratou de um facto histórico: pela primeira vez, o debate foi conduzido por jornalistas das três estações de televisão generalistas, transmitido em simultâneo nas três estações (será, portanto, um êxito de audiências) e foi o único debate televisivo entre os dois candidatos a primeiro-ministro. A maioria esmagadora dos comentadores afirmava, então, que Pedro Passos Coelho partia em vantagem porque é o primeiro-ministro em exercício de funções: já António Costa partia em desvantagem pelo simples facto de que sobre ele recaía o ónus de mostrar que merece a confiança dos portugueses.
2. Pura mentira. Nada mais errado. O debate seria sempre muito mais fácil para António Costa do que para Pedro Passos Coelho. Porquê? Por uma razão muito simples: ser oposição é muito fácil – ser Governo é muito difícil. Ser oposição e ganhar eleições é fácil – são os Governos que perdem eleições e não as oposições que as ganham. O líder da oposição pode adoptar um discurso de frases cativantes, pomposas, dizer tudo e o seu contrário, criticar o que o Governo fez, branquear as suas responsabilidades na criação das dificuldades da Nação, como um todo, e de cada português individualmente considerado. Ora, um primeiro-ministro que sucedeu ao pior primeiro-ministro da História de Portugal – só comparável a Vasco Gonçalves – e teve de aplicar um programa de grande austeridade teria necessariamente de partir para o debate em desvantagem. Nós percebemos por que razão se deixou passar a ideia de que António Costa partia em desvantagem: descer as expectativas em relação a António Costa para o cenário de o debate lhe correr mal.
3. Dito isto, nós admitimos que ficamos perplexos quando ouvimos e lemos comentadores a declararem que António Costa ganhou claramente o debate. Claramente o debate? Das duas, uma: ou já tinham um guião pré-preparado para debitar, sucedesse o que sucedesse no debate; ou, como estamos fora de Portugal, porventura, a diferença de longitude impediu que o debate chegasse aqui, como chegou às casas dos portugueses. Talvez o debate chegou aqui à Alemanha adulterado pela distância geográfica… É a única explicação.
4. Mais perplexos ficamos ainda quando começamos a consultar os tópicos de discussão, nos programas televisivos, e constatamos que o grande tema é discutir…as falhas de Pedro Passos Coelho! Não se discute o debate: discute-se somente as falhas de Pedro Passos Coelho! E então as falhas de António Costa? E as gafes de António Costa? E a relação entre António Costa e José Sócrates? A falta de coragem de António Costa em se demarcar do legado de José Sócrates? E o facto de António Costa não saber um número de cor daqueles que apresenta no cenário macroeconómico? E o facto de António Costa não explicar nada sobre o que propõe para o futuro de Portugal, remetendo todas as respostas para o cenário macroeconómico cujo autor foi Mário Centeno – nem foi António Costa? Parece que António Costa vai ter de se reunir muitas vezes com Mário Centeno nos próximos dias para aprender a lição: é que Costa ainda não estudou o que Mário Centeno (o candidato oficioso do PS a Primeiro-Ministro) lhe preparou.
5. E quais as gafes que António Costa cometeu? Uma flagrante, logo no início do debate: Costa apresentou um gráfico em que alegava que todos os Governos, excepto o de Passos Coelho, tinham alcançado um crescimento económico positivo. E destacou um: o Governo de José Sócrates que deixara um crescimento económico de 1,9%. Como? A primeira declaração de António Costa foi para defender o legado de José Sócrates. Ridículo. Ainda para mais, defender um Governo que deixou um crescimento económico de 1,9% – mas que levou Portugal à bancarrota. É normal que ninguém, de todas as ilustres figuras que já analisaram o debate, se tenha referido a esta gafe flagrante e ridícula? Elogiar o legado de José Sócrates porque Portugal cresceu 1,9%, mas com uma divida pública asfixiante, a caminho da bancarrota, é normal? É preciso seriedade na política. E há muita gente que não está a ser séria.
6. Mais: começar o debate elogiando o legado de José Sócrates mostra uma faceta de António Costa gravíssima – mostra que António Costa, como José António Saraiva já escreveu diversas vezes aqui no SOL, prefere agradar ao partido do que conquistar os portugueses. Entre o país e o partido, António Costa preferiu o partido. Entre os portugueses e os socialistas, António Costa prefere os socialistas. É incrível como nenhum comentador dedicou uma palavra a mais uma revelação desta faceta de António Costa. Quem prefere os seus camaradas – e o seu camarada Sócrates, que lançou o sofrimento em muitas famílias portuguesas e levou Portugal a uma situação de vexame, praticamente sem dinheiro para pagar aos funcionários públicos como afirmou Teixeira dos Santos, na altura criticado por António Costa, comentador da «Quadratura do Círculo» – aos portugueses, não merece ser primeiro-ministro. Não pode ser primeiro-ministro.
7. Segundo erro colossal de António Costa: a impreparação de António Costa quanto à matéria da segurança social – e quanto ao «seu» (leia-se de Mário Centeno) programa. Aliás, a irritação e o desconforto revelado na expressão de Costa mostram à exaustão o desconhecimento gritante que tem sobre esta matéria fundamental para o nosso futuro colectivo. Por exemplo: António Costa, confrontado com o argumento de Passos Coelho de que a sua proposta é um plafonamento vertical, refere que a redução da TSU é uma medida conjuntural que não pode ser confundida com uma reforma estrutural. Mas, no seu programa, esta medida é qualificada e inserida na parte dedicada à reforma da Segurança Social! O que leva a duas conclusões:
2. António Costa tem escondida na manga, para apresentar uma vez eleito, uma reforma da Segurança Social que vai desagradar muito aos portugueses. António Costa está a esconder muita coisa…
8. Mas a frase foi dita por
António Costa. Meu caro leitor, ouviu alguém, nos vários debates ao debate, a
referi-la? Não: só se aludiu aos erros de Passos Coelho e à…sua falta de
empatia! Veja-se ao que chegámos…
9. Terceiro erro colossal de
António Costa: o Novo Banco. Confrontado com esta questão, Costa refere que o
Governo prejudicou os portugueses e que os contribuintes vão pagar a resolução
do Banco. Mas, habilidosamente, Costa desviou de imediato o assunto. Porquê?
Porque não sabe o que dizer – e muito menos saberia o que fazer. Até porque
António Costa foi um defensor fanático da nacionalização do BPN que é uma das
causas do desequilíbrio das finanças públicas portuguesas. Um verdadeiro
sorvedouro do dinheiro dos trabalhadores portugueses e das empresas
portuguesas. Mesmo Clara de Sousa, em pleno debate, chamou a atenção para o
facto de Costa não responder – este ainda tentou balbuciar uma resposta, mas
calou-se de imediato.
10. Mas nem com o reparo de Clara
de Sousa, os nossos doutos comentadores e brilhantes intelectuais da nossa
praça acharam este momento infeliz de António Costa um facto relevante do
debate. Ui, se fosse com Passos Coelho, imaginamos o que teria sido… Estes
preferem alegremente proclamar que António Costa falou do futuro. De propostas
concretas. Quais? Não dizem.
11. E qual foi o melhor momento de
António Costa para estes ilustres comentadores? Pois bem, caríssimo leitor,
foi…prepare-se…a farpa ao programa de incentivo de jovens emigrantes! Ui, que
grande medida de futuro! Já podemos estar descansados: com esta medida, o nosso
futuro é brilhante! Nota: futuro, em português, significa o que está para vir,
o que virá. Não o que já aconteceu, como foi o caso do dito programa. Para
isso, em português, temos uma palavra: passado ou, se preferirmos, um palavra
mais erudita – pretérito.
12. Tudo isto dito e ponderado,
façamos uma análise fria e racional. Quem ganhou o debate? Passos Coelho esteve
muito bem na primeira parte, com António Costa francamente mal. António Costa
equilibrou após o intervalo, com Passos Coelho ainda a liderar. No final,
António Costa conseguiu um ligeiríssimo ascendente sobre Passos Coelho.
13. Ou seja: Passos Coelho venceu
dois terços do debate – António Costa apenas um. Vitória de Pedro Passos
Coelho, portanto. Os portugueses, como pessoas invulgarmente inteligentes e
sensatas que são, saberão tirar as suas próprias conclusões, independentemente
do politicamente correcto.
Ainda o debate
João Marques de Almeida, Observador, 11 de Setembro de 2015
Costa fez um debate cheio de truques e de piadas, daqueles que marcam pontos entre os seus militantes (e bem precisava disso para evitar a apatia do PS). Mas os indecisos são o oposto dos militantes.
Há dois objectivos óbvios num debate entre dois candidatos a primeiro-ministro: não perder votos e conquistar votos dos indecisos (ou convencer abstencionistas a votar no seu partido/coligação). No primeiro confronto, Costa ganhou, mas Passos não perdeu. Comportando-se de acordo com o habitual, o PM fez o necessário para conservar os eleitores da coligação. Não brilhou, mas não terá perdido um único voto. Com o PS em perda nas sondagens, era fundamental para Costa travar essa tendência e mobilizar o partido e o seu eleitorado. Costa conseguiu-o e esta foi a sua grande vitória. Os socialistas estão muito mais animados depois do debate, sobretudo depois de uma manhã em que acordaram com uma sondagem com o seu partido cinco pontos atrás da coligação. Costa animou as hostes com uma estratégia ofensiva, atacando o PM durante todo o debate. Foi eficaz e sobretudo fez o tipo de ataques e de comentários que entusiasmam os militantes. O primeiro objectivo de Costa foi claramente atingido: mobilizou o partido para a campanha.
Foi este sucesso que levou muitos comentadores a referirem-se imediatamente a uma «vitória de Costa», começando com o comentador mais popular da TVI, Marcelo Rebelo de Sousa. Embora o diagnóstico de Rebelo de Sousa não seja inteiramente objectivo, porque Costa é o seu candidato a PM; tal como Marcelo é o verdadeiro candidato presidencial do líder do PS. Conhecem-se bem, foram educados na mesma escola (Faculdade de Direito de Lisboa) e partilham alguns valores sociais-democratas. Acima de tudo, fazem parte da oligarquia política de Lisboa, para quem Passos Coelho é um «outsider» (não frequentou as escolas certas nem tem as amizades políticas adequadas). Embora o debate não tenha tratado do tema, já se percebeu que a estratégia preferida de Marcelo e de Costa seria a construção de um bloco central entre os dois, um em Belém e outro em São Bento.
O segundo objectivo de Costa foi separar-se claramente de Sócrates e as várias referências do PM ao antigo líder socialista serviram a sua estratégia. Mas aqui alcançou apenas uma vitória parcial. No lado positivo, deve salientar-se o modo determinado como Costa está a cortar com o legado de Sócrates no PS. Uma tarefa muito difícil, mas mais uma vez Costa está a ser eficaz. Mas o corte com Sócrates não é completo. Situa-se mais ao nível das pessoas e da ética política (fundamental) do que das políticas económicas. Foi isso, de resto, que permitiu que Costa estivesse o debate todo a fugir de Sócrates e Passos todo o tempo a encosta-lo ao antigo PM socialista. E é engraçado assistir ao modo como Sócrates não deixa Costa fugir. As imagens do grupo de Sócrates e dos seus amigos a assistirem ao debate valem mais do que mil palavras.
Mas o modo como Costa não se descolou da política económica do último governo socialista (e afirmar que não vai construir TGVs e pontes é insuficiente) foi a sua derrota e foi a vitória de Passos. E aqui chegamos ao segundo objectivo do debate: convencer os indecisos e os abstencionistas. Há duas razões que explicam as indecisões: zanga com Passos e falta de confiança no PS. Para ganhar as eleições, Passos deve convencer todos aqueles que se enfureceram e cortaram com a coligação a regressarem. Para isso conta com duas coisas: a melhoria da economia e uma imagem de determinação, de confiança e de seriedade como PM. Por isso, Costa negou a recuperação económica e atacou a credibilidade e seriedade de Passos. Mas aqui Costa falhou por uma simples razão: tem a realidade contra ele. Insistiu assim no passado da troika, ignorando o presente do pós-troika. Ao fazê-lo, implicitamente reconheceu o sucesso do governo e a melhoria da economia. Costa está a fazer campanha como se a troika ainda estivesse em Portugal e como se estivéssemos em Abril de 2014. Mas estamos em Setembro de 2015.
Primeiro,
a forma. Costa fez um debate cheio de truques e de piadas, daqueles que marcam
pontos entre os seus militantes (e já vimos que precisava disso para evitar a
apatia do PS). Mas os indecisos são o oposto dos militantes. Não olham para um
debate como um combate de boxe. São pragmáticos (por isso tanto votam no PSD
como no PS), e querem um PM que inspire confiança; nesta altura, um líder
partidário com bons truques de debate não chega.
Depois
as contradições e as mentiras de Costa. Desvalorizou o actual crescimento
económico, «porque é baseado no consumo»; mas afinal o seu programa de estímulo
à economia é assente em mais consumo. Atacou a «precaridade», mas parece que a
maioria dos empregos que quer criar para os jovens são precários. Criticou as
privatizações, mas foi a privatização da ANA que permite sublinhar a sua
credibilidade em termos de redução de despesa na Câmara de Lisboa. Pior do que
estas contradições, mentiu aos portugueses quando disse, mais do que uma vez,
que tinha sido o PSD a trazer a troika para Portugal (até os entrevistadores se
viram obrigados a lembrar Costa que tinha sido o PS). Ainda se auto-elogiou de
uma forma patética dizendo que ganhou três eleições autárquicas em Lisboa, «aumentando
sempre os votos.» Se essa é uma boa qualificação para PM, então Alberto João
Jardim seria o melhor candidato.
Costa
cometeu ainda mais dois erros. Resistiu a qualquer tipo de entendimento com a
coligação, o que mostra uma arrogância e um sectarismo que os indecisos
pragmáticos não apreciam. Finalmente, foi incapaz de reconhecer um único mérito
na governação dos últimos quatro anos. Julgo que teria marcado pontos entre os
indecisos se dissesse, «é verdade os senhores estiverem bem aqui e ali e um
governo por mim chefiado irá procurar melhorar a situação.» Ou se tivesse
garantido, «o meu governo não repetirá certos erros do último governo
socialista». Se o tivesse feito, teria conquistado alguns dos votos dos
indecisos.
Quanto
a Passos, julgo que cometeu dois erros. Não foi convincente a recusar a
acusação de que a austeridade correspondeu a escolhas ideológicas e não a uma
absoluta necessidade. Gostaria que alguém me conseguisse explicar qual é a
ideologia que defende redução da despesa pública e simultaneamente um aumento
de impostos. O segundo erro – talvez porque quis ser demasiado PM – foi não ter
dito claramente que a aplicação do programa de Costa acabará com a troika de
regresso a Portugal. Mas conseguiu uma vitória: com a sua estratégia de colar
Costa a Sócrates, terá impedido que os indecisos voltassem a sentir confiança
num líder socialista. E sem esses votos Costa não ganha. Mesmo que Sócrates
diga que venceu o debate «por 8 a 2».
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Rangel tenta emendar o soneto
Heduíno Gomes
Depois da calinada que deu ao afirmar publicamente e de forma implícita que as magistraturas estão às ordens dos executivos — o que corresponde, nas circunstâncias actuais, a dizer que o Sócrates é um prisioneiro político — o Rangel vem agora, em artigo no Observador, «explicar» o que toda a gente sabe, que existe uma influência do executivo na criação de um ambiente favorável ou desfavorável à acção da justiça.
A questão principal da calinada não é saber se isto tem ou não a sua ponta de verdade. A calinada consiste em estar a ajudar o Sócrates e a comprometer os magistrados que corajosamente têm trabalhado no processo. Será preciso ser muito inteligente para perceber isto?
Ao autor da calinada não faço apelo nenhum. Não vale a pena porque já demonstrou amiúde as suas capacidades, incluindo no referido artigo, como veremos. Aos laranjinhas que o defenderam é que eu aqui lanço o apelo para se libertarem do camisolismo e arrumarem a casa, entregando cargos políticos e a comunicação a gente com dois dedos de testa, para que o trabalho político não seja comprometido com calinadas destas e não se dêem argumentos ao inimigo.
Vejamos agora alguns aspectos do artigo de Rangel a tentar emendar o soneto. Não se pode dizer que a emenda seja pior do que o soneto. De facto, Rangel apenas tenta tapar o sol com uma peneira e omite o aspecto principal, que é o contexto das suas palavras calinóticas. O soneto nem melhorou nem piorou.
1 — Reduz os críticos da sua calinada ao PS e a comentadores. Como ele se engana!
2 — Atribui aos críticos o pecado de não terem lido Montesquieu, que inclui «o poder judicial no estudo do sistema de governo». Assim, Rangel tenta transportar a calinada política para o terreno da ciência política. Se alguém o critica é porque não leu Montesquieu... E quem leu Marx sobre a super-estrutura jurídica poderá criticar Rangel? E o senhor La Palisse?
3 — Escreve Rangel: «O abuso de menores sempre foi crime, mas, apesar de denúncias e indícios vários com décadas, nunca foi perseguido como agora.» Será verdade? Está a esquecer-se do caso Casa Pia ou a valorizar os pseudo-abusos de pais educarem os seus filhos por critérios diferentes das Manuelas Eanes?
4 — Hoje, existe na sociedade portuguesa uma maior consciência da corrupção e exigência de justiça. É um facto. A quem é que Rangel atribui o mérito desta realidade? Não é à imprensa que denunciou casos. Não é às redes sociais que ainda foram mais longe do que a imprensa. Calcule-se, é ao «programa de ajustamento»! Aqui não sabemos se estamos no reino do equívoco ou no da paranóia. Só adiantados mentais conseguem atingir!
5 — E Rangel descreve o cenário onde largou a calinada: «A Universidade de Verão é a iniciativa mais consistente de formação política existente em Portugal. Um mérito quase exclusivo de Carlos Coelho.» Estas frases deste fala-barato da classe política atestam bem a superficialidade e a mediocridade a que estão sujeitos os jovens do PSD. Facto evidente é nunca — mas mesmo nunca — o PSD nem qualquer outro partido do chamado arco da governabilidade ter dado qualquer formação aos seus membros. Se para Rangel a iniciativa de Coelho é a melhor...
Invasão da Europa
Pedro Rainho, Jornal i, 5 de Setembro de 2015
Serviços de informação não têm forma de controlar quem chega ao continente. Terroristas «vão aproveitar a onda» para entrar, diz especialista.
A Europa prepara-se para acolher centenas de milhares de refugiados. Vários países – e as suas autarquias, municípios, organizações e organismos públicos e privados – manifestaram, nos últimos dias, disponibilidade para dar o seu contributo e minorar a catástrofe humana que se foi avolumando na costa europeia, com a chegada de migrantes em sucessivas vagas. Esses braços europeus abertos são, ao mesmo tempo, uma carta-branca. Ao acolher os refugiados, a Europa escancara também as portas à ameaça do terrorismo.
Foram
detidos por oficiais búlgaros e, nos telemóveis, traziam consigo propaganda do
Estado Islâmico – entre o material havia rezas jihadistas e vídeos de
decapitações realizados pelos membros do grupo extremista. A sensibilidade do
caso obrigou a Agência Estatal Búlgara de Segurança Nacional a entrar em acção
e a assumir a investigação.
Até ao
momento, não passa de um caso isolado. Mas «é preciso que haja a máxima atenção
a estas infiltrações», alerta José Manuel Anes. O especialista em terrorismo
considera prioritário que se prossiga com a acção de apoio humanitário aos
refugiados que continuam a chegar a território europeu, mas não esconde que as
células terroristas a operar em África «vão aproveitar esta onda para entrar na
Europa».
Esse é
um perigo real. Para já, os Serviços de Informação da República (SIRP) são
contidos nas considerações. Fonte oficial das secretas diz ao i que «é
prematuro falar sobre a situação num momento em que a operação tem um cariz
humanitário». «Nesta fase, não nos devemos pronunciar» sobre as eventuais
consequências da entrada de cidadãos estrangeiros em Portugal, sobretudo nas
condições em que os refugiados (sírios, na maioria) deverão chegar.
A
situação está a ser gerida com as habituais pinças políticas, mas a verdade é
que a forma como o processo está a ser politicamente conduzido ao nível da
União Europeia suscita fortes preocupações a quem acompanha as questões de
segurança interna. Há dois anos que os barcos se aventuram Mediterrâneo
adentro, rumo à costa norte do mar. Chegam muitas vezes sem documentos e sem um
historial, um «perfil» que os serviços de inteligência possam ter em conta e
que lhes permita fazer uma triagem entre quem representa um perigo e quem vem
realmente para salvar a própria vida e a dos familiares. «Alguns escaparão ao
controlo das autoridades», admite José Manuel Anes.
E, neste momento, a forma de actuação de grupos extremistas como o
Estado Islâmico – o «terrorismo individual», como refere Anes – dispensa a
existência de um grupo para pôr em prática ataques. «Basta um». O especialista
em questões de terrorismo diz, por isso, que «é fundamental a partilha de
informação entre os diversos países europeus e entre estes e os países do norte
de África».
Aí entra a segunda parte do problema: não existem redes de comunicação
sólidas e seguras com muitos dos países de proveniência dos refugiados. Com
meio milhão de refugiados em território europeu, sem documentos que os identifiquem
e sem serviços de informação do outro lado para dar o devido contexto sobre os
focos de perigo, os serviços de informação estão de mãos e braços atados. Em
Portugal, o princípio é o de esperar para ver. O número mais elevado em cima da
mesa é de três mil refugiados a acolher – onde, como, por quanto tempo são
questões ainda sem resposta. A segurança interna só entrará efectivamente em
acção quando os refugiados chegarem a território nacional.
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Pelo fim imediato da entrada
de refugiados em Portugal
Para: Assembleia da República Portuguesa
CONSIDERANDO QUE:
– Portugal tem mais de 2 milhões de pessoas quase no absoluto limiar da pobreza;
– Portugal tem mais de 150 00 crianças com fome;
– Portugal tem uma taxa de desemprego superior a 20%, entre os quais mais
de 70 000 licenciados;
– Portugal está na cauda da Europa no que diz respeito ao rendimento familiar.
– Portugal apresenta uma taxa enorme, de pessoas conhecidas como «Sem abrigo».
CONSIDERANDO TAMBÉM QUE:
– Os Portugueses têm uma elevada taxa de crédito mal-parado devido à crise instalada o que levou a que:
– Fossem obrigados a entregar as suas habitações, automóveis e restante património aos bancos por falta de pagamentos das prestações ora assumidas;
– Entrassem em listas de incumprimento geridas pela actividade bancária e para-bancária o que:
– Limita-lhes a obtenção de qualquer tipo de empréstimo para refazerem a sua vida familiar e profissional.
LOGO:
Não é justo, sendo mesmo uma afronta aos Portugueses supra-citados (que vivem miseravelmente) e aos outros sobrecarregados de impostos vários que os refugiados tenham, entre outras benesses:
– Subsídio de «integração»;
– Habitação mobilada e equipada;
– Consumo de electricidade gratuito (na medida em que está paga pelo estado)
– Consumo de água gratuito (na medida em que está paga pelo estado)
– Consumo de gás gratuito (na medida em que está paga pelo estado)
– Consumo de telecomunicações gratuito (na medida em que está paga pelo estado)
A somar a isto tudo ainda:
– Formação profissional paga!
ASSIM PRETENDE ESTA PETIÇÃO:
Recolher assinaturas suficientes, no sentido de obrigar a Assembleia da República a proibir a entrada de refugiados em território português.
Os Peticionários:
Salvador Costa e todos os administradores do grupo no Facebook «Pelo fim imediato da entrada de refugiados em Portugal» com endereço em:
Contactos do criador da petição:
Correio electrónico: salvador.costa@gmail.com
Apoie esta Petição. Assine e divulgue.
O seu apoio é muito
importante.
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