sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Bispos ucranianos condenam a «Ideologia de Género»


Plinio Maria Solimeo, IPCO, 16 de Fevereiro de 2017

Encíclica de bispos da Ucrânia denuncia a absurda, totalitária e pseudo-científica tese dos «ideólogos de género» como uma revolta contra a ordem estabelecida por Deus quando criou o homem e a mulher

Uma das mais nefastas ideologias inspiradas pelo demónio para perverter especialmente a infância é a Ideologia de Género. Na loucura generalizada dos nossos dias, não se podia conceber coisa mais absurda nem contra o mais elementar bom senso.


Era preciso que o mundo chegasse ao extremo da decadência e de amoralidade dos nossos dias para que teoria tão nefasta pudesse surgir.

O que é pior, é que a ideologia de género não encontra, mesmo da parte de pessoas tidas como sensatas, a repulsa que deveria causar. Por isso é muito reconfortante saber que os bispos do rito Greco-católico da Ucrânia se ergueram numa só voz contra ela, numa «Carta Encíclica» dirigida a todo o clero daquele sofrido país, àqueles responsáveis pela educação dos filhos e «aos que trabalham na informação e nos currículos educativos, como também aos cientistas, para que proporcionem uma informação real e completa sobre a própria essência do ser humano».

O documento é reproduzido e comentado pelo jornalista Raffaele Dicembrino no site católico italiano La Croce Quotidiano[i], de 14 de Janeiro último, e retransmitido em espanhol em ReligionenLibertad[ii]. É dessas fontes que publicamos esta matéria.

De onze páginas, muito categóricas e com forte linguagem, a «Carta Encíclica» é assinada em nome do Sínodo dos bispos do rito Greco-católico ucraniano pelo Arcebispo Maior desse rito em Kiev, Sviatoslav Shevchuk. [foto ao lado]

Nova ideologia para destruir
a fé e a moralidade cristãs

«Antes havia o regime soviético, que impunha uma visão ateia do mundo — diz Dicembrino, citando o documento —, apresentada como sendo ‘a única científica, e que privava os homens do direito de professar livremente a sua fé religiosa’». Os bispos afirmam que hoje os desafios são similares, pelos «modos ideológicos de destruir a fé católica», pondo em discussão, de maneira escondida, «a fé e a moralidade cristãs». Entre os novos desafios que enfrentamos, «tem um lugar relevante a Ideologia de Género».

Segundo os bispos, essa ideologia «procura destruir a percepção da sexualidade humana como dom de Deus naturalmente vinculado às diferenças biológicas entre homem e mulher», tendo como consequência «introduzir perigosa desordem nas relações humanas».

Os prelados alertam os fiéis ucranianos para que não reajam passivamente aos sofismas desta ideologia, «aceitando como verdade, sem pensar, essas teorias atéias, cujo [falso] fundamento é afirmar a dignidade humana, alcançar a igualdade entre as pessoas, e defender o direito humano à liberdade».

Os bispos Greco-católicos recordam que o plano de Deus delineia a dignidade humana, e põem em evidência as passagens da Bíblia que acentuam e valorizam as diferenças entre o homem e a mulher. Eles recordam que a sexualidade «como dom de ser homem e mulher» cobre, «de maneira íntegra, todas as dimensões da existência da pessoa humana: corpo, alma e espírito». Além do que a pessoa humana, criada à imagem de Deus, «está chamada à eterna comunhão com o Criador», com «livre vontade» — termo amplamente esgrimido pelos que fomentam a Ideologia de Género — «que permite ao homem escolher tanto o bem quanto o mal».

Para os bispos, a Ideologia de Género é um legado da «constante tentação de violar os estatutos de Deus neste âmbito», a qual vem «da queda dos nossos progenitores». Pois, a partir do Pecado Original, o homem «abusa da possibilidade de uma escolha livre, quando tenta libertar-se dos valores tradicionais na área da sexualidade e da vida matrimonial, ao que trata falsamente como um arcaísmo e um obstáculo à igualdade, dignidade e à liberdade». Para a Ideologia de Género, «a diferença entre os sexos seria uma condição prévia para a violência sexual, na família e fora dela», enquanto que, na realidade, a causa desses problemas «não é a sexualidade, mas precisamente a sua percepção distorcida».

Escolher o próprio sexo: eleição pessoal?

O documento torna saliente que, durante milénios, os seres humanos definiram-se sempre com base nos sexos biológicos, varão e mulher, e que só recentemente «pontos de vista mundanos, contrários à fé cristã, à realidade científica objectiva, e à lei natural, passaram a ser difundidos e influentes», fazendo com que a identidade de género «já não seja um dom de Deus», mas uma «escolha individual da pessoa».

Isso a leva a «não compreender o seu profundo chamado ao amor eterno», mas antes a considerar a identidade de género, «uma diversão temporal da existência».

Segundo esta funesta ideologia, a pessoa humana possui uma como que «liberdade incorpórea», da qual é criadora e a partir da qual constrói a sua identidade. Desse modo, todos podem escolher o sexo que queiram, porque à pessoa «oferece-se a possibilidade de não limitar o próprio sexo biológico ao conceito de homem ou mulher, ou ao papel social de homem e mulher, mas antes em escolher o próprio género dentre uma pluralidade de possibilidades». A pessoa já não está determinada «por ser algo», mas antes por «actuar no papel de alguém».

Querem impor essa ideologia totalitária

Para a «Carta Encíclica», o pior de tudo não são estas teorias aloucadas, mas que elas sejam «impostas de maneira agressiva à opinião pública, introduzidas gradualmente na legislação, forçando — e aumentando — a sua visibilidade em âmbitos distintos da vida humana, sobretudo na educação e no crescimento» das crianças.

Deste modo, «as Ideologias de Género começam a adquirir as características de uma ideologia totalitária, e são similares às teorias utópicas que, no século XX, não só prometeram criar o paraíso na Terra, mas procuraram ao mesmo tempo introduzir, mediante a força, o seu modo de pensar, erradicando qualquer outro ponto de vista alternativo».

A pessoa geralmente não se dá conta de que, «ao apoiar a Ideologia de Género, está a repudiar a ideia de que o seu género sexual foi criado por Deus. E, por conseguinte, põe em dúvida o facto de que Deus criou o homem varão e mulher».

Sobretudo, com a Ideologia de Género nega-se «a existência de um Criador», e «a verdade de que os homens foram feitos à Sua imagem», pondo em discussão a complementariedade dos homens e mulheres, e mesmo a instituição do matrimónio.

Ideologia sem base científica

O mais absurdo é que a Ideologia de Género «não corresponde sequer a dados científicos objectivos», mas baseia-se antes em «hipóteses subjectivas e declarações pseudo-científicas, feitas pelas partes interessadas». Isto, além de fomentar muitas formas de «identidade sexual ou comportamentos que não correspondem de todo à natureza humana», levam melhor «à promiscuidade e à progressiva desmoralização da sociedade».

Os bispos tornam saliente que as Ideologias de Género também «destroem o conceito de família como comunidade formada por pai e mãe, na qual as crianças nascem e crescem», porque esta é apresentada só como «uma forma possível de família».

O último parágrafo da encíclica recomenda especialmente educação e estudo, porque a sociedade «não conhece em profundidade as questões de género». Entretanto, é necessário não sucumbir à pressão social, e trabalhar «juntos para defender a dignidade de cada pessoa, reafirmando as características próprias naturais dadas por Deus, e protegendo com firmeza o desenvolvimento da comunidade da família como fundamento da revelação divina».

Para isso é necessário informar-se, e compreender «o verdadeiro objectivo de algumas propostas ou apelos», porque «o ser humano não pode trair a sua vocação e destruir a dignidade humana em favor de duvidosos projectos políticos e sociais, mesmo que estes sejam apresentados como um sinal de progresso e modernidade».

Esperamos que este lúcido apelo dos bispos Greco-católicos ucranianos encontre eco em muitos outros episcopados, em particular aqui, nesta Terra de Santa Cruz.



http://www.religionenlibertad.com/iglesia-ucraniana-compara-ideologia-genero-con-las-ideologias-54475.htm






Para Prémio Nobel o «aquecimento global é uma nova religião»


Ivar Giaever, Prémio Nobel de Física 1973.

Luis Dufaur, IPCO, 15 de Fevereiro de 2017

Ivar Giaever, Prémio Nobel de Física 1973 renunciou à famosa American Physical Society (APS) em 13 de Setembro de 2011 como forma de condenar a posição oficial da associação em favor do «aquecimento global».

Giaever é professor emérito do Rensselaer Polytechnic Institute, em Troy, Nova York, e da Universidade de Oslo.

Em 2007, a APS adoptou uma declaração oficial segundo a qual as actividades humanas estão a mudar o clima da Terra.

«As evidências são incontestáveis: O aquecimento global está ocorrendo», afirmava o documento repelido pelo Prémio Nobel.

«Se não forem empreendidas acções mitigadoras provavelmente acontecerão rupturas significativas nos sistemas físicos e ecológicos da Terra, nos sistemas sociais, atingindo a segurança e a saúde humana. Precisamos reduzir as emissões de gases de efeito de estufa a partir de agora», martelava o documento.

Giaever enviou nessa altura um e-mail para Kate Kirby, chefe da APS, explicando que «ele não podia cooperar com essa declaração» quando a temperatura global continua «surpreendentemente estável».

Na APS, explicou o cientista, pode-se discutir todos os temas científicos, menos um que é tratado como tabu intocável: «o aquecimento global deve ser tratado como evidência indiscutível»?

«A alegação de que a temperatura da Terra passou de 288,0 para 288,8 graus Kelvin em cerca de 150 anos, se for verdade significa que a temperatura tem sido surpreendentemente estável, e a saúde humana e a felicidade melhoraram indiscutivelmente neste período de ‘aquecimento’», acrescentou o Prémio Nobel.

«Aquecimento global», guerra ao desflorestamento, etc.:
dogmas de uma nova religião

Para o Prémio Nobel, «o aquecimento global tornou-se uma nova religião»«Ouvimos muitas advertências semelhantes sobre a chuva ácida, há 30 anos e o buraco de ozono há 10 anos ou o desflorestamento», defende ele apontando profecias catastrofistas que não se verificaram.

«O aquecimento global tornou-se uma nova religião. Nós frequentemente ouvimos falar do número de cientistas que o apoiam. Mas o número não é importante:… Só importa saber se os cientistas estão correctos. E, realmente nós não sabemos no que é que consiste o efeito real da actividade humana sobre a temperatura global», acrescentou.

Giaever é um dos cientistas mais proeminentes citados no Relatório histórico da Comissão do Meio Ambiente e Obras Públicas do Senado dos EUA.

Figura entre os 400 «cientistas dissidentes» que denunciaram em manifesto o mito do «aquecimento global» e que aumentaram para 700.

Giaever também foi um dos mais de 100 signatários da carta de 30 de Março de 2009 ao presidente Barack Obama, criticando a sua postura sobre o aquecimento global.

É de se desejar que o novo presidente americano Donald Trump que mostra sensibilidade para posições afastadas do utopismo «verde» reconheça agora os méritos de cientistas como Giaever.

Figura de destaque numa legião de cientistas objectivos que vêm sendo menosprezados e até punidos pelo radicalismo ambientalista instalado na administração pública americana.





quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Eutanásia e o «mito da autonomia»



Diogo Costa Gonçalves, Observador, 11 de Fevereiro de 2017

A solidariedade é sentida como o primeiro e mais expressivo dever de humanidade. Por isso se rebela a inteligência e o coração contra os muros que se erguem e contra os mortos que ninguém chora.

Uma só coisa é certa no debate da eutanásia: está em causa uma fronteira civilizacional. Ultrapassá-la ou defendê-la, depende da perspectiva.

A questão de fundo é inelutável: a centralidade da autonomia, como valor antropológico e jurídico.

É em nome da autonomia que se reclama o direito a decidir quando e em que circunstâncias podemos pôr termo à própria vida; é em nome da autonomia que se exige a assistência médica nesse momento singular; é em nome da autonomia que se postula uma leitura dignificante, altruísta, humanizadora do que até há bem poucos anos era sinal de barbárie… E é também em nome da autonomia que se condena qualquer visão diferente, catalogada como intolerante e sem direito de cidadania, porque, justamente, parece ameaçar a auto-determinação do sujeito.

Sucede, porém, que a autonomia é um mito: um novo dogma moderno com pouca sustentação na realidade. Não, não somos autónomos! Não o é o bebé recém-nascido, nem o idoso, nem o doente terminal. Nem sequer o adulto na plena posse das suas faculdades. Talvez gostássemos de o ser. Talvez até estivéssemos dispostos a queimar incenso no altar da velha Aytomatia grega… mas não somos autónomos!

Pelo contrário: o que é próprio da nossa experiência humana é a contingência, a fragilidade, a necessidade e a dependência face ao outro. Não há segundo da nossa existência em que não estejamos nas mãos de alguém.

Essa vulnerabilidade genética que todos experimentamos, não é aviltante. Pelo contrário: está associada ao que de mais belo e digno tem a nossa condição humana. Somos tanto mais humanos quanto mais somos dos outros e para os outros.

No mundo das ideologias, é possível conceber muitos sujeitos autónomos, mas na realidade da vida – da nossa vida concreta de todos os dias – é impossível encontrar uma única pessoa que o seja realmente.

Por isso, a solidariedade é sentida como um dever: o primeiro e mais expressivo dever de humanidade. Por isso se rebela a inteligência e o coração contra os muros que se erguem e contra os mortos que ninguém chora.

Ora, é justamente aqui que reside a falácia da eutanásia.

Ao reclamar uma plena autonomia para o sujeito, o que se está a fazer é a negar a solidariedade como um dever irrenunciável. Quando aquele que depende de mim pode morrer, que obrigação terei eu de lhe assegurar a vida?

Se a dependência é vista como um fardo, como uma indignidade, o direito a uma morte rápida e indolor transforma-se facilmente num dever de morrer dignamente, de não ser pesado, de não onerar o outro com a minha existência.

Não tenhamos dúvidas: é isto o que está em debate na eutanásia. O sofrimento do outro – por quem, infelizmente, poucos realmente se interessam – é apenas um pretexto emocional para a discussão… tudo mais (menos cuidados paliativos, mais consentimento informado, etc.) são minudências de uma discussão que só não vê quem não quer.





domingo, 12 de fevereiro de 2017

A inexplicável Vendeia


Helena Matos, Observador, 5 de Fevereiro de 2017

Os dias da «inexplicável Vendeia», essa revolta que os revolucionários nunca compreendem e sempre procuraram esquecer: como pode o povo revoltar-se contra a revolução feita em seu nome?

Uppsala. Malmo. Nordstan. Podiam ser (e talvez até sejam) nomes de uma qualquer estante Ikea. Mas são também nomes de locais onde, nos últimos meses, na Suécia têm acontecido crimes muitos deles de natureza sexual praticados por emigrantes ou refugiados, provenientes de países maioritariamente muçulmanos. Num dos casos, que envolveu um rapaz, a polícia viu-se cercada e bateu em retirada deixando a vítima nas mãos dos seus agressores. Noutro os agressores violaram uma rapariga, filmaram e colocaram online o filme onde nem faltavam os seus rostos sorridentes.

Quantas notícias temos visto ou lido sobre estes casos acontecidos na Suécia, um país que víamos como seguro e tolerante mas onde nos últimos tempos o número de agressões tem aumentado? Estas agressões acontecidas na Suécia, ou melhor dizendo o silêncio que se abate sobre elas, é tão mais estranho quanto recentemente o assassínio de uma jovem na Islândia fez com que pelos jornais desta Europa fora se multiplicassem as chamadas de atenção sobre o homicídio que chocara o país que não tinha crimes. Será que os suecos não se têm chocado? Na verdade eles tinham poucos crimes. Ou será que o facto de os jovens apontados como autores do crime da Islândia serem gronelandeses tornou muito mais fácil a divulgação dos seus actos e também dos seus rostos?

Nas últimas décadas as lideranças da Europa e dos Estados Unidos produziram toneladas de legislação para, diziam, promover a igualdade, combater a discriminação, todas as formas de fobia e, obviamente, o machismo e o racismo. Assim que umas leis eram postas em prática logo outras mais perfeitas as vinham completar. A multiplicação das leis era acompanhada pela divisão dos crimes em grupos, subgrupos, alíneas… Mas todo este edifício de leis, comissões e programas foi feito a pensar num modelo em que o homem, branco, católico, conservador encarnava o papel do machista, do racista, do reaccionário…

Quando o agressor é outro e sobretudo quando o agressor vem dos grupos que os libertadores do povo têm como seus protegidos (e potenciais futuros eleitores) então o que antes tinha de ser imediatamente denunciado passa a ser prontamente silenciado. E assim ignoram-se agora as agressões praticadas por refugiados/emigrantes muçulmanos na Suécia tal como se ignorou durante anos e anos o que estava a acontecer nos bairros periféricos de França, quer com a radicalização dos muçulmanos, quer com a violência dos bandos de jovens de que são exemplos os acontecimentos deste ano em Juvisy (não, não foi notícia por cá) ou as reviravoltas oficiais para que não sejam conhecidos os números das viaturas incendiadas nas datas festivas naquele país.

Para que se perceba melhor, em Juvisy, nos arredores de Paris, um bando armado com paus e sabres tomou conta de um bairro numa noite de sábado para domingo, em Janeiro deste ano. O que então ali se viveu foi definido pelas autoridades como «guerrilha urbana». Já quanto ao número de viaturas incendiadas é preciso ter em conta que queimar carros se tornou numa espécie de actividade recreativa em França. Revelar os números das viaturas queimadas na noite da passagem de ano é um clássico do mês de Janeiro para o governo que em França estiver em funções. Este ano, para compor os números, o ministro do Interior francês até inventou uma nova categoria de carros queimados: os queimados por fogo colocado directamente. Deste modo ficavam de fora aqueles que tinham ardido simplesmente porque estavam ao lado dos que tinham sido incendiados. Esta nova categorização permitiu ao ministro deixar de fora 295 carros ardidos e dar graças porque apenas tinham sido incendiadas 650 viaturas e não 945!

Tal como os camponeses da Vendeia não viam libertação alguma nas perseguições à Igreja Católica ou na substituição da monarquia pelos comités revolucionários, também o povo neste início do século XXI não vê libertação alguma no multiculturalismo. Antes pelo contrário aquilo que o poder apresenta como sinal de tolerância pode em muitos casos traduzir-se num pesadelo para as suas vidas. Como o foi, por exemplo, para os habitantes de Calais, uma cidade portuária francesa de 70 mil habitantes que chegou a contar com 9 mil refugiados/emigrantes que ali permaneciam meses ou até anos na esperança de passar para Inglaterra. (Quando a poeira assentar avaliar-se-á o impacto que as imagens do caos de Calais tiveram na opção dos britânicos pelo Brexit.)

Mas seja no século XVIII seja no XXI, os libertadores do povo invariavelmente diabolizam qualquer tentativa de explicação sobre as consequências na vida do povo de todas aquelas leis perfeitas, aquelas decisões pioneiras, aqueles voluntarismos precursores. E finalmente acontece o que tem de acontecer: chegam os dias da «inexplicável Vendeia», essa revolta que os revolucionários nunca compreendem e sempre procuraram esquecer: como pode o povo revoltar-se contra uma revolução feita em seu nome?

Em 2016 e 2017 o povo não pega em armas como fez em França entre 1793 e 1796. Simplesmente vota. E a cada votação – Brexit, Trump, referendo na Colômbia… – as élites reagem com a estupefacção dos clubes de iluminados de Paris perante a revolta dos camponeses da Vendeia. No śeculo XVIII sabemos como tudo acabou: a revolução triunfou sobre a «inexplicável Vendeia» (mesmo que à custa de um massacre) para em seguida os revolucionários começarem a combater entre si.

A grande questão já não é quando acontecem as novas Vendeias mas sim durante quanto tempo as élites irão tolerar essas inexplicáveis Vendeias que lhe saem das urnas. Presumo que mais rapidamente se aniquilarão entre si do que serão capazes de parar para pensar sobre a origem dessas Vendeias que elas fabricaram com a sua arrogância. Por aqui e por ali vão chegando vozes que apelam à resistência contras as maiorias eleitorais…

Nada disto prenuncia algo de bom e tudo isto já se viu no passado. Para que tudo se assemelhe ainda mais a esse final do século XVIII nem sequer falta em França a destruição do que era o melhor dos candidatos, o conservador Fillon. (Há sempre um bom candidato conservador arredado nestas cavalgadas para o irreparável.)

Ao sair de cena o candidato que melhor podia evitar uma vitória de Le Pen, os eleitores franceses podem levar-nos a outra «inexplicável Vendeia». Mas que só é inexplicável para quem não quis ver nem ouvir.


PS. Os falsos recibos verdes. Os precários. Os falsos precários. Os verdadeiros precários. Os precários que não sendo precários afinal são precários…PS, PCP e BE acreditam que a cada novo funcionário público corresponde um novo voto. Só resta saber a qual dos três caberá o voto do premiado com a integração na função pública. Dada a óbvia terra de promissão eleitoral em que está transformada a função pública não hesito em lançar daqui o que me parece ser o futuro slogan das esquerdas: a cada português tem de corresponder um posto de trabalho com contrato efectivo na função pública.





A eutanásia e a democracia fugitiva




Germano de Sousa

A Eutanásia é uma questão civilizacional! Autorizar a morte de um doente ou facilitar o seu suicídio, por um médico, a pedido daquele, mesmo que por razões ponderosas – chame-se-lhe Eutanásia, ou o que se quiser – sem uma reflexão de toda a comunidade e sem um referendo que claramente expresse o seu sentir, desestrutura e atinge a identidade dessa comunidade. O B.E. com o beneplácito de parlamentares de outros partidos, atarefa-se na legalização da eutanásia na A.R.. Apesar da Eutanásia não constar do programa de nenhum dos partidos desses deputados e sem mandato para isso do povo português, recusam o referendo. Confrontados nos jornais, alguns deles argumentam, «que a Eutanásia é um assunto que diz respeito às liberdades fundamentais» e como tal querem legislar sem ouvir os portugueses! Quem os autoriza a falar em nome destes sem previamente terem avisado ao que vinham?  E o referendo sobre o aborto? A liberdade da mulher dispor do seu «ventre» não era também uma liberdade fundamental? Estarão estes parlamentares com receio de auscultarem o povo que os elegeu? Um deles, há um ano atrás, afirmava mesmo que o objectivo do referendo «é o oposto da democracia. Uns quantos a imporem a todos as suas próprias opções, regras e decisões de vida!!» Como se uma decisão sobre a Eutanásia, tomada apenas no parlamento não  configurasse uma minoria a  impor a todos as suas próprias opções e decisões de vida? Que democracia fugitiva é esta que nos querem impor?

Se houver referendo votarei contra a legalização da morte. Não o faço por razões religiosas ou teológicas. Faço-o por razões éticas e deontológicas que para mim sobrelevam qualquer lei ou religião. As mesmas que me levaram quando Conselheiro do C.N.E.C.V. a subscrever positivamente o parecer sobre o Testamento Vital ou que, enquanto Bastonário da O.M., me fizeram opor a qualquer forma de encarniçamento terapêutico (Distanásia). A ética médica implica a realização de valores que encarnam os direitos que todos os seres humanos deveriam primordialmente usufruir. Entre estes está o direito a viver com dignidade. Do princípio ao fim. Viver o fim com dignidade significa a ausência de sofrimento físico. Significa também a ausência de sofrimento moral e psíquico, pois a angústia do doente que sabe estar o fim de vida muito próximo e a solidão que sente (haverá acto mais solitário que morrer?), torna obrigatório também aqui, que o médico cumpra o princípio ético de tudo fazer pelo bem-estar e dignidade do seu doente. Que tem o direito a terapêuticas paliativas que lhe diminuam o sofrimento, mesmo que contribuam indirectamente para um não prolongar artificial da vida. Que tem o direito a consentir ou recusar essas terapêuticas. Que tem o direito a um fim de vida digno e conforme à sua condição de ser humano. Porém, o respeito por esses direitos, não permite ao médico descurar outro dever ético fundamental e estruturante da sua profissão. O de jamais atentar contra a vida do doente mesmo que o faça em nome desses direitos. Eliminar a dor física ou moral não pode significar eliminar o portador da dor. Ou seja, mesmo invocando intuitos piedosos o médico não pode jamais praticar a eutanásia. Sob pena de negar os alicerces da sua profissão e da relação médico-doente! Sob pena de se negar a si mesmo! O respeito máximo dos médicos pela vida humana é um valor absoluto que não admite subterfúgios. Assim o impõe o Juramento de Hipócrates na sua forma clássica e a Declaração de Genebra, na sua última versão de 2006.





Poderia surgir uma «Antimaria» similar ao Anticristo que as Sagradas Escrituras anunciam?


Según la autora, de existir la «Antimaría sería así:
esas mujeres no le darían importancia a los niños.
Serían obscenas, vulgares e iracundas»

ReligiõnenLibertad, 11 de Fevereiro de 2017

Al igual que tanto las Escrituras como los Padres de la Iglesia hablan claramente de la existencia del Anticristo que llegará al final de los tiempos ahora surge también la hipótesis entre los expertos de la posible llegada también de una «Antimaría». Esta tesis es planteada por Carrie Gress en un artículo que recoge Cary Filii News:

Carrie Gress, madre de cuatro hijos a quienes educa en régimen de homeschooling, doctora por la Catholic University of America y profesora de Filosofía en la Pontifex University, abre esta posibilidad Sus colaboraciones han aparecido en los principales medios católicos de referencia en Estados Unidos (entre ellos Aleteia, New Advent, Zenit, EWTN Radio y The National Catholic Register), y ha escrito obras de apologética, como Conversiones a empujoncitos. Una guía práctica para que tus seres queridos vuelvan a la Iglesia; sobre temática familiar, como El gran cambio de imagen: el poder transformador de la maternidad; y, con George Weigel, uno de los principales biógrafos de San Juan Pablo II, Ciudad de Santos. Una guía del peregrino a la Cracovia de Juan Pablo II.

En mayo de este año, Carrie publicará en Tan Books su primera obra específicamente consagrada a la Virgen: La Opción Mariana: la solución de Dios para una civilización en crisis. Preparando esta obra, explica en un artículo en The National Catholic Register, estudió a fondo la idea, tan presente en los Padres de la Iglesia al explicar la Redención, de María como la Nueva Eva, complemento de Cristo como el Nuevo Adán. «Esto me hizo pensar», explica: «Si hay un Anticristo, ¿hay quizá un complemento, una Antimaría?».

«Serían todo lo que María no es»

Gress recuerda que la idea de Anticristo no es sólo la de una persona, sino también la de un movimiento de personas a lo largo de la Historia. ¿Cómo sería entonces esa «Antimaría», de existir? «Esas mujeres», contesta, «no le darían importancia a los niños. Serían obscenas, vulgares e iracundas. Se rebelarían contra la idea de cualquier cosa parecida a una obediencia humilde o al sacrificio por los demás. Serían quisquillosas, frívolas, rencorosas y excesivamente sensuales. También serían egocéntricas, manipuladoras, cotillas, inquietas y ambiciosas. En breve: serían todo lo que María no es».

Carrie no duda de que estamos asistiendo ya a una época de estas características: «El enfoque sobre la maternidad es uno de los primeros signos de que estamos ante un nuevo movimiento. Las madres (tanto las espirituales como las biológicas) son un icono natural de María: ayudan a los demás a saber cómo es María con su generosidad, su paciencia, su compasión, su paz, su intuición, su capacidad para alimentar las almas. El amor de María (y el amor de las madres) ofrece una de las mejores imágenes de cómo es el amor de Dios: incondicional, sanador y profundamente personal».

La desaparición en las mujeres reales del ícono de María

Pero este icono de María «ha ido desapareciendo sutilmente en las mujeres reales» durante las últimas décadas: «Primero con la píldora, y luego con la llegada del aborto, la maternidad ha caído en una trituradora. Se ha convertido en algo prescindible, hasta el punto de que la cultura dominante asiste sin pestañear a la adopción de un niño por dos hombres».

María es un ejemplo de dignidad y un verdadero referente
para las mujeres y jóvenes de hoy
Todas las culturas hasta ahora a lo largo de la Historia, recuerda Gress, consideraron que «una madre es decisiva (incluso en su imperfección) para alcanzar una edad adulta saludable y madurez espiritual», y «ninguna cuultura puede renovarse sin madurez espiritual». La realidad triste de las personas que han crecido sin madre «no hace sino fortalecer el argumento de que los niños necesitan madres». Y de hecho coincide esa devaluación actual de la maternidad con un auge sin precedentes de «traumas emocionales y mentales y rupturas».

Y lo que se consideran «progresos de las mujeres» no parecen haberlas hecho más felices, sostiene, a juzgar por el crecimiento entre ellas de las tasas de divorcio, índices de suicidio, casos de abuso de alcohol y drogas o problemas de ansiedad y depresión.

María, fuente de dignidad e igualdad de la mujer

Si «nuestra cultura tiene una deuda de gratitud con el catolicismo por la noción radical de que las mujeres son iguales a los hombres», fue gracias a la Virgen María, recuerda Gress. No vino de los griegos, que consideraban a las mujeres como «hombres deformes»; ni del judaísmo, donde nunca hubo un movimiento de reivindicación femenina; ni, obviamente, del islam.

Esto decía William Lecky (1838-1903), un pensador irlandés racionalista y no católico, sobre esta verdad histórica hoy olvidada: «Dejó de ser esclava o juguete de los hombres, dejó de estar asociadas a la idea de degradación y sensualidad. La mujer, en la persona de la Virgen Madre, se elevó a una nueva esfera, y se convirtió en objeto de un tributo reverencial. Nació un nuevo tipo de carácter, se fomentó una nueva forma de admiración. En una era dura, ignorante e inculta, este tipo ideal infundió una idea de mansedumbre y purza desconocida para las más orgullosas civilizaciones del pasado».

La idea de igualdad pudo arraigar, añade Carrie, porque «María le dio la vuelta a los pecados de Eva».

Los errores del «antimarianismo»

¿Qué nos encontramos hoy, cuando la cultura dominante rechaza ese modelo que fue María en tiempos cristianos? Las mujeres quieren igualdad y respeto, pero para conseguirlos «no siguen la gracia de María, sino los vicios de Maquiavelo: la rabia, la intimidación, la irritación, el acoso. Este impulso agresivo hace que haya quien se enorgullezca de considerarse ‘canalla’, o se sienta ‘empoderada’ vistiéndose como una vagina, o crea que un hijo es algo que te destroza la vida».

«El antimarianismo tiene un auténtico monopolio sobre nuestra cultura», lamenta Carrie: «Casi no hay alternativas en la plaza pública en las que pueda contemplarse una joven. Les quedan pocos modelos. Los titulares de los periódicos y las estrellas de Hollywood le dictan a millones de mujeres y chicas cómo pensar».

Carrie Gress es madre de cuatro hijos y profesora universitaria
Por supuesto que lo mismo sucede con los hombres, a quienes, como sostiene el obispo auxiliar de Los Ángeles, Robert Barron, «se les está robando una adecuada comprensión del eros, ese tipo de amor animado por la belleza y la bondad, eliminado y sustituido por una forma burda de eroticismo».

«Cuando un hombre ama a una mujer», decía el arzobispo Fulton J. Sheen (1895-1979), «cuanto más noble es la mujer, más noble es el amor; cuanto más exige la mujer, más respetable debe ser el hombre. Por eso la mujer es la medida del nivel de nuestra civilización».

Volver a la fuente

«El diablo sabe», añade Carrie, «que todos los signos distintivos de la ‘antimaría’ (rabia, indignación, vulgaridad y orgullos) anulan los grandes dones de la mujer: sabiduría, prudencia, paciencia, paz serena, intuición y la capacidad para una profunda relación con Dios. A cambio, promete poder, fama, fortuna, respeto y placeres rápidos y estériles. Y, como Eva, las mujeres del movimiento antimariano siguen cayendo en sus mentiras».

La solución a este problema, concluye Gress, es «volver a la fuente, regresar a la mujer por medio de la cual toda mujer se dignifica. Por fuerte que sea el movimiento antimariano, María sigue siendo la mujer más poderosa del mundo».





sábado, 11 de fevereiro de 2017

Um enigma chamado Bento XVI



Leandro Bonnin, Ite inflammate omnia, 10 de Fevereiro de 2017

El sábado 11 de febrero se cumplen 4 años de la renuncia de Benedicto XVI. Desde entonces el Papa emérito ha permanecido casi completamente en silencio, dedicado a la oración por la Iglesia.

De entre sus apariciones públicas y sus declaraciones o escritos – que no han sido demasiados – ocupa un lugar por demás importante lo escrito para una publicación sobre Juan Pablo II, con ocasión de su canonización.

Allí señala que, para él, los textos magisteriales más importantes fueron los siguientes:
  • la «Redemptor hominis» de 1979, en la que el Papa «ofrece su síntesis personal de la fe cristiana», que hoy «puede ser de gran ayuda para todos lo que están buscando»;
  • la «Redemptoris missio» de 1987, que «resalta la importancia permanente de la tarea misionera de la Iglesia»;
  • la «Evangelium vitae» de 1995, que «desarrolla uno de los temas fundamentales de todo el pontificado de Juan Pablo II: la dignidad intangible de la vida humana, desde el primer instante de su concepción»;
  • la «Fides et ratio» de 1998, que «ofrece una nueva visión de la relación entre fe cristiana y razón filosófica».
No hay que ser muy perpicaz para darse cuenta de que estos documentos se ocupan de temas sumamente relevantes. Ni es necesario ser muy lúcido para descubrir que en varios aspectos cada una de estas temáticas ha sido minimizada, relativizada o al menos enormemente atenuada – vuelvo sobre ello más adelante –.

Luego de esas suscintas referencias a las encíclicas, Benedicto se extiende un poco más sobre otros dos documentos: Veritatis Splendor y Dominus Iesus.

Y los destaco, porque me parece muy notable como el 2017 parece haberse iniciado con el ataque frontal a aquellos dos textos.

La primera está siendo contestada de una forma tan frontal que asusta. Redactada sobre el entramado del diálogo de Jesús con el Joven Rico, en continuidad con el Catecismo, redime los «Diez Mandamientos» de una apreciación negativa injustísima, que hoy parece estar nuevamente de moda. Las fundamentaciones con que algunas conferencias episcopales u o bispos de diócesis puntuales justifican la comunión de quienes viven en adulterio parecen sacadas textualmente de las doctrinas que aparecen en Veritatis Splendor… condenadas.

La relativización de la necesidad de la misión, la justificación de la apostasía en prestigiosos y cuasi oficiales medios católicos, los compromisos con el judaísmo en detrimento de la plena unidad católica, la lectura del Corán en reuniones «católicas» – no me atrevo a llamarlas celebraciones, la exaltación de Lutero como testigo del Evangelio, las propuestas y pedidos de intercomunión, el hecho de que con toda naturalidad se hable de iglesias refiriéndose a comunidades luteranas o protestantes – lo que implica una negación o distorsión del concepto de «Iglesia», constituido enteramente sobre el sacramento del Orden y la Eucaristía como actualización de la Pascua – significan una negación y contestación de hecho a aspectos nucleares de la Dominus Iesus.

Y aunque sea menos perceptible, en las actitudes contrarias a ambos documentos hay en la base una negación de otro de los documentos señalados como más relevantes: Fides et Ratio. Porque, por un lado, hay un discurso irracional, por el cual se nos quiere convencer de que en sus propuestas todo sigue igual siendo enteramente distinto. Que no hay cambios cuando los cambios son evidentes. Que hay una continuidad completa cuando la ruptura es absolutamente clara. Se está negando uno de los fundamentos del ejercicio de la razón: el principio de no contradicción, sin el cual la realidad se vuelve ininteligible. Se niega, por otra parte, la capacidad metafísica de la inteligencia, de tal modo que van desapareciendo las referencias a la «naturaleza humana». como un vestigio de tiempos ya superados. La fe, en estos planteos, ya no aparece como la respuesta al Dios que se revela. Ya no es el acto de aquel que, oyendo, y movido por la gracia, da su asentimiento a la Palabra y al que la y se pronuncia. La fe es puro constructo humano, y la Revelación no es ya un hecho trascendente, irrupción de lo eterno e inmutable en la historia. Por lo tanto, la «doctrina» – nueva malapalabra – y la praxis eclesial son un modelo para armar, completamente ajustable y camaleonizable con el contexto vigente.

Dicho esto, y volviendo al inicio, confieso que el enigma de la renuncia de Benedicto XVI se vuelve aún más grande, al menos para mí. ¿Qué pensará realmente, más allá de lo que pueda o decida decir o callar? ¿O habrá cambiado radicalmente su manera de pensar, en la cumbre de sus días?

No lo sé ni puedo saberlo, y quizá no lo sepa nunca. Lo que sí intuyo es que detrás de todo hay un misterioso designio divino, que incluye también los errores y prevaricaciones humanas.

Si bien pueden encontrar los textos en este artículo de Infocatólica de 2014, los transcribo nuevamente aquí para favorecer su lectura.

E imploro Domino Iesu que su Esposa, la Iglesia, no se deje encandilar por el anhelo del aplauso, por la necesidad de la aprobación del mundo, sino que continúe fiel a su misión de hacer resplandecer en el mundo Veritatis Splendor.


Sobre Veritatis Splendor

La encíclica sobre los problemas morales, la «Veritatis splendor», ha necesitado muchos años de maduración y su actualidad sigue siendo inmutable.

La constitución del Vaticano II sobre la Iglesia en el mundo contemporáneo, frente a la orientación prevalentemente iusnaturalista de la teología moral de la época, quería que la doctrina moral católica sobre la figura de Jesús y su mensaje tuviera un fundamento bíblico.

Esto se intentó mediante alusiones solo durante un breve periodo. Después se fue afirmando la opinión de que la Biblia no tenía ninguna moral propia que anunciar, sino que reenviaba a los modelos morales periódicamente válidos. La moral es cuestión de razón, se decía, no de fe.

Desapareció así, por una parte, la moral entendida en sentido iusnaturalista, pero en su lugar no se afirmó ninguna concepción cristiana. Y puesto que no se podía reconocer ni un fundamento metafísico ni uno cristológico de la moral, se recurrió a soluciones pragmáticas: a una moral fundada sobre el principio del equilibrio de bienes, en el que ya no existía lo que es verdaderamente mal y lo que es verdaderamente bien, sino solo lo que, desde el punto de vista de la eficacia, es mejor o peor.

La gran tarea que Juan Pablo II hizo en esa encíclica fue la de encontrar nuevamente un fundamento metafísico en la antropología, como también una concreción cristiana en la nueva imagen de hombre de la Sagrada Escritura.

Estudiar y asimilar esta encíclica sigue siendo una obligación de grandísima importancia.


Sobre Dominus Iesus

También aquí quisiera poner un ejemplo. Frente a la tormenta que se había creado entorno a la declaración Dominus Iesus me dijo que durante el ángelus pretendía defender sin equívoco el documento. Me invitó a escribir un texto que fuera, por así decir, hermético y no permitiera ninguna interpretación diversa. Debía emerger de forma del todo inequívoca que él aprobaba el documento incondicionalmente.

Por tanto, preparé un breve discurso; no pretendía, sin embargo, ser demasiado brusco y así intenté expresarme con claridad pero sin dureza. Después de haberlo leído, el Papa me pregunto otra vez: «¿Es realmente suficientemente claro?» Yo respondí que sí. Quien conoce los teólogos no se asombrará del hecho que, sin embargo, después hubo quien mantuvo que el Papa había prudentemente tomado distancia del texto.