domingo, 12 de novembro de 2017

Pacheco Pereira, o «historiador» oficial do comunismo, e as suas falácias


Acha ele...

Heduíno Gomes

Pacheco Pereira acaba de publicar no Público o artigo Os Anjos e os Demónios que a Revolução de Outubro de 1917 Solta no Portugal Anacrónico de 2017. Como «historiador» oficial do comunismo na analfabética III República, era uma oportunidade para Pacheco...

Vejamos as maiores.

1 — Logo no título do artigo: há demónios soltos a falar da Revolução de Outubro! Há os que «demonizam» a Revolução de Outubro!

E depois continua no mesmo tom, ele, que está no meio: nem a santifica nem a demoniza...

Conclusão: o comunismo não foi tão mau como isso!

2 — Diz ele sobre o PCP:

«o PCP viola as regras básicas das ‘condições’ leninistas para se ser considerado um partido comunista, a começar pela regra clara de que ‘os comunistas não podem confiar na legalidade burguesa e devem formar em toda parte um aparelho clandestino paralelo que possa, no momento decisivo, ajudar o partido a cumprir o seu dever perante a revolução’».

Com a honestidade a que já estamos habituados deste «historiador», nada nos espanta. Vejamos o que de facto diz Lenin, precisamente condicionando o que Pacheco refere entre aspas, isto é, vejamos a frase completa:

«Em quase todos os países da Europa e da América, a luta de classes está entrando na fase da guerra civil. Em tais condições, os comunistas não podem confiar na legalidade burguesa e devem formar em toda parte um aparelho clandestino paralelo que possa, no momento decisivo, ajudar o Partido a cumprir seu dever perante a revolução.»

Pergunta ao Pacheco: Portugal está na condição de guerra civil?

Isto será bronquite mental de pseudo-historiador e pseudo-analista político ou simplesmente desonestidade?

3 — Diz ele ainda sobre o PCP:

«Que eu saiba, o PCP não tem hoje nenhum ‘aparelho clandestino paralelo que possa, no momento decisivo, ajudar o partido a cumprir o seu dever perante a revolução’».

Pergunta ao Pacheco: — Quem é Pacheco para saber se o PCP faz ou não trabalho clandestino?

O herói dos seus sonhos do romantismo revolucionário...

Conclusões morais da estória.

1 — A falsificação é a regra desta intelectualidade oficial do regime. Pachecos, Rosas, Pimentéis...

2 — Como parolo e aprendiz de feiticeiro fascinado por Cunhal, Pacheco acha que o PCP já não é o que era... De facto o PCP já não é o que era, mas não pelas razões que Pacheco aponta. De facto o PCP afasta-se do leninismo, mas não pelas razões que Pacheco aponta. Mas os sucessores de Cunhal não são melhores nem piores do que Cunhal. São — utilizando a expressão utilizada frequentemente pelo Jerónimo — «farinha do mesmo saco».





quarta-feira, 8 de novembro de 2017

A nova história oficial da Europa apaga o cristianismo e promove o Islão


A Comissão Europeia determinou que a Eslováquia redesenhasse as suas moedas comemorativas, eliminando os santos cristãos Cirilo e Metódio. (Imagem: Moeda – Comissão Europeia, Bratislava, Eslováquia – Frettie/Wikimedia Commons)

Giulio Meotti, Gatestone, 7 de Novembro de 2017

Original em inglês: Europe's New Official History Erases Christianity, Promotes Islam

Tradução: Joseph Skilnik
  • «Os patronos da falsa Europa estão enfeitiçados com superstições do inexorável progresso. Acreditam que a História está do lado deles e esta convicção torna-os altivos e desdenhosos, incapazes de reconhecerem as impropriedades do mundo pós-nacional e pós-cultural que estão concebendo.» — A Declaração de Paris, assinada por dez respeitados estudiosos europeus.
  • A proposta do ministro do Interior da Alemanha «de Maizière» de introduzir feriados oficiais muçulmanos mostra que, quando o assunto é Islão, «o secularismo oficial pós-cristão» está simplesmente engessado.
Há poucos dias, uma parcela dos intelectuais mais prestigiados da Europa, entre eles o filósofo britânico Roger Scruton, o ex-ministro da educação da Polónia, Ryszard Legutko, o conceituado intelectual alemão Robert Spaemann e o professor Rémi Brague da Sorbonne de França, emitiram «A Declaração de Paris». Nesta ambiciosa manifestação, rejeitam a «falsa cristandade dos direitos humanos universais» e a «utópica e pseudoreligiosa cruzada em favor de um mundo sem fronteiras». Contrapondo, defendem uma Europa calcada em «raízes cristãs», inspirada na «tradição clássica», rejeitando o multiculturalismo:

«Os patronos da falsa Europa estão enfeitiçados com superstições do inexorável progresso. Acreditam que a História está do lado deles e esta convicção torna-os altivos e desdenhosos, incapazes de reconhecerem as impropriedades do mundo pós-nacional e pós-cultural que estão concebendo. Além disso, são ignorantes no tocante às verdadeiras origens da decência misericordiosa que eles próprios tanto estimam, assim como nós também estimamos. Ignoram, até mesmo repudiam as raízes cristãs da Europa. Ao mesmo tempo, tomam o maior cuidado para não ofenderem as susceptibilidades dos muçulmanos, que eles imaginam irão adoptar entusiasticamente a sua visão secular e multicultural de mundo».

Em 2007, reflectindo sobre a crise cultural do velho mundo, o Papa Bento XVI disse que a Europa está «duvidando da sua própria identidade». Em 2017 a Europa deu mais um passo: criou uma identidade pós-cristã, pró-Islão. Os edifícios governamentais e exposições oficiais da Europa estão efectivamente a apagar o cristianismo e a acolher o islamismo.

Uma espécie de museu oficial foi recentemente inaugurado pelo Parlamento Europeu: «Casa da História Europeia», no valor de 56 milhões de euros. A ideia era criar uma narrativa histórica do pós-guerra em torno da mensagem pró-UE de unificação. O edifício é um belíssimo exemplo de Art Deco em Bruxelas. Conforme realçou o estudioso holandês Arnold Huijgen, o casarão é culturalmente «vazio»:

«A Revolução Francesa parece ser o lugar onde a Europa nasceu, há pouco espaço para qualquer outra coisa que possa tê-la precedido. Ao Código Napoleónico e à filosofia de Karl Marx está reservado um lugar de destaque, enquanto a escravidão e o colonialismo são destacados como o lado mais negro da cultura europeia (...) O que mais impressiona na exibição do museu é que a narrativa não menciona nada sobre a religião, é como se não existisse. Na verdade, nunca existiu e nunca impactou a história da Europa (...) O secularismo europeu não luta mais com a religião cristã, simplesmente ignora todo e qualquer aspecto religioso da vida».

A burocracia em Bruxelas chegou ao ponto de apagar as raízes católicas da sua bandeira oficial, as doze estrelas que simbolizam o ideal de unidade, solidariedade e harmonia entre os povos da Europa. Ela foi concebida pelo designer francês, católico, Arséne Heitz, que ao que tudo indica, se inspirou na iconografia cristã da Virgem Maria. Mas a explicação oficial da União Europeia sobre a bandeira não menciona essas raízes cristãs.

O Departamento Monetário e Económico da Comissão Europeia determinou que a Eslováquia redesenhasse as suas moedas comemorativas, eliminando os santos cristãos Cirilo e Metódio. Não existe nenhuma referência ao cristianismo nas 75 mil palavras constantes no rascunho, cancelado, da Constituição Europeia.

O ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, do Partido Democrata Cristão de Angela Merkel, sugeriu recentemente introduzir feriados oficiais muçulmanos. «Em lugares onde há muitos muçulmanos, porque não pensar em introduzir um feriado oficial muçulmano?», salientou ele.

«A proposta está a avançar» respondeu Erika Steinbach, influente ex-presidente da Federação dos Desterrados – alemães expulsos de diversos países da Europa Oriental durante e após a Segunda Guerra Mundial.

Beatrix von Storch, líder política do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), acaba de tuitar: «NÃO! NÃO! NÃO!»

A proposta de «de Maizière» mostra que quando o assunto é o Islão, o secularismo oficial «pós-cristão» está simplesmente engessado.

Há poucas semanas, a exposição financiada pela União Europeia: «Islão. Também é a nossa história!», foi apresentada em Bruxelas. A exposição mostra o impacto do Islão na Europa. O anúncio oficial sustenta que:

«A evidência histórica apresentada pela exposição, a realidade de uma presença muçulmana antiga na Europa e a complexa interacção de duas civilizações que lutaram uma contra a outra mas que também se entrelaçaram, sustenta um empreendimento educacional e político: ajudar os muçulmanos europeus e não muçulmanos a compreenderem melhor as raízes culturais que têm em comum e cultivar a cidadania que também têm em comum».

Isabelle Benoit, historiadora que ajudou a projectar a exposição, salientou à AP: «queremos deixar claro aos europeus que o Islão faz parte da civilização europeia, que o Islão não é nada novo e que tem raízes que remontam há XIII séculos».

O establishment oficial europeu voltou as costas ao cristianismo. Parece desconhecer até que ponto o velho mundo e o seu povo ainda dependem da orientação moral dos seus valores humanitários, especialmente quando o Islão radical lança uma ameaça civilizacional ao Ocidente. «É como se um pacote tentasse preencher um ‘vazio’», salientou Ernesto Galli della Loggia no jornal italiano Il Corriere della Sera.

«É impossível ignorar que por trás do pacote há duas grandes tradições teológicas e políticas: a da ortodoxia Russa e a do Islão, enquanto por trás do «vazio» há apenas o enfraquecimento da consciência cristã do Ocidente europeu».

É por esta razão que é tão difícil entender a «lógica» que está por trás da animosidade europeia oficial em relação ao cristianismo e a sua atracção por um Islão fundamentalmente totalitário. A Europa poderia facilmente ser secular sem ser militantemente anticristã. É mais fácil entender a razão dos milhares de polacos que acabam de participar numa manifestação em massa ao longo das fronteiras da Polónia para expressar a sua oposição à «secularização e a influência do Islão», que é exactamente a linha oficial da UE.

Durante a Segunda Guerra Mundial os Aliados evitaram bombardear Bruxelas porque ela deveria ser o local do renascimento europeu. Se a elite europeia continuar com este repúdio cultural da sua cultura judaica\cristã\humanista, a cidade poderá vir a ser a sua sepultura.





domingo, 5 de novembro de 2017

Um teólogo escreve ao Papa: Há um caos na Igreja, e o senhor é uma causa.

Teólogo Thomas G. Weinandy

Sandro Magister, Settimo Cielo, 1 de Novembro de 2017

Tradução: FratersInUnum.com

Thomas G. Weinandy é um dos teólogos mais conhecidos. Vive em Washington, no Seminário dos Capuchinhos, a ordem franciscana à qual pertence. É membro da Comissão Teológica Internacional, a comissão que Paulo VI colocou ao lado da Congregação para a Doutrina da Fé para que pudesse valer-se dos melhores teólogos de todo o mundo. É membro desta comissão desde 2014, o que significa que foi nomeado pelo Papa Francisco.

No último mês de Maio, enquanto estava em Roma para uma sessão da comissão, surgiu a ideia de escrever a Francisco uma carta aberta para lhe confiar a inquietude, não só sua, mas de muitos fiéis, pelo crescente caos que há na Igreja, que considera ser causado, em boa parte, pelo próprio Papa.

Rezou muito, inclusive no túmulo de Pedro. Pediu a Jesus que lhe ajudasse a decidir escrever ou não a carta e que lhe desse um sinal… E ele chegou um dia depois, conforme o que havia pedido na oração, e que agora relata da seguinte forma:

> «There was no longer any doubt that Jesus wanted me to write…»

Ao ter sido confortado pelo céu, o padre Weinandy decidiu escrever a carta. Em meados do Verão passado, enviou-a ao Papa Francisco. E hoje, festa de Todos os Santos, torna-a pública no portal americano de informação religiosa Crux e imediatamente depois, em Roma, em quatro idiomas, em Settimo Cielo [e, em português, no FratresInUnum.com, graças à gentileza de um nobre amigo].

Padre Weinandy, de 71 anos, leccionou nos Estados Unidos em diversas universidades, em Oxford durante doze anos e em Roma na Pontifícia Universidade Gregoriana.

Foi, durante nove anos, director executivo do Secretariado para a Doutrina da Conferência Episcopal Norte-americana.

* * *

Santidade:

Escrevo esta carta com amor à Igreja e sincero respeito por o vosso ministério. Vós sois o Vigário de Cristo na Terra, o Pastor do Seu rebanho, o Sucessor de São Pedro e, portanto, a rocha sobre a qual Cristo construiu a Sua Igreja. Todos os católicos, sejam clérigos ou leigos, devem dirigir-se a Vós com lealdade e obediência filiais fundamentadas na Verdade. A Igreja  dirige-se a Vós com espírito de fé, com a esperança de que Vós a guieis no amor.

No entanto, Santidade, o Vosso Pontificado parece estar marcado por uma confusão crónica. A luz da fé, a esperança e o amor não estão ausentes, mas muito frequentemente estão obscurecidos pela ambiguidade das vossas palavras e acções. Isto faz com que entre os fiéis haja cada vez mais inquietação, enfraquecendo a sua capacidade de amor, de alegria e de paz.

Permiti-me dar alguns exemplos.

O primeiro refere-se à disputa em relação ao Capítulo oitavo de Amoris Laetitia. Não necessito compartilhar as minhas próprias preocupações sobre o seu conteúdo. Outros, não só teólogos, mas também cardeais e bispos, já o fizeram. A preocupação principal é a vossa maneira de ensinar. Em Amoris Laetitia, as vossas indicações parecem às vezes intencionalmente ambíguas, convidando tanto a uma interpretação tradicional do ensinamento católico sobre o matrimónio e o divórcio, como também a uma interpretação que parece levar consigo uma mudança neste ensinamento. Como Vós mesmo, com grande sabedoria, observa, os pastores devem acompanhar e animar as pessoas que se encontram em matrimónios irregulares; mas a ambiguidade persiste em relação ao significado real desse «acompanhamento». Ensinar com uma falta de clareza pode inevitavelmente levar a pecar contra o Espírito Santo, o Espírito da Verdade. O Espírito Santo foi entregue à Igreja e sobretudo a Vós, para dissipar o erro, não para fomentá-lo. Além disso, só onde há Verdade pode haver verdadeiro amor, porque a Verdade é a luz que liberta os homens e as mulheres da cegueira do pecado, uma obscuridade que mata a vida da alma. No entanto, Vós pareceis censurar e inclusive ridicularizar aqueles que interpretam o Capítulo oitavo de Amoris Laetitia segundo a Tradição da Igreja, rotulando-os de fariseus apedrejadores representantes de um rigorismo sem misericórdia. Este tipo de calúnia é alheia à natureza do Ministério Petrino. Parece que alguns dos seus conselheiros se dedicam lamentavelmente a este tipo de atitude. Este comportamento dá a impressão de que o vosso ponto de vista não pode sobreviver a um escrutínio teológico, e por isso deve ser sustentado mediante argumentos ad hominem.

Segundo. Muito frequentemente as vossas formas parecem menosprezar a importância da Doutrina da Igreja. Uma e outra vez Vós vos referis à Doutrina como se fosse algo morto, algo útil somente para ratos de biblioteca, que estão longe das preocupações pastorais da vida diária. Aqueles que vos criticam foram acusados – e são palavras vossas – de fazer da Doutrina uma ideologia. Mas é precisamente a Doutrina cristã – incluindo as suteis distinções relacionadas às crenças fundamentais como a natureza trinitária de Deus, a natureza e a finalidade da Igreja; a Encarnação; a Redenção; os sacramentos – que liberta o homem das ideologias mundanas e garante-lhe que está pregando e ensinando o Evangelho verdadeiro, doador de Vida. Aqueles que subestimam a Doutrina da Igreja separam-se de Jesus, Autor da Verdade. E o único que resta então é uma ideologia; uma ideologia que se conforma com o mundo do pecado e da morte.

Terceiro. Os fiéis católicos estão desconcertados pela vossa escolha de alguns bispos, homens que não só estão abertos àqueles que têm pontos de vista contrários à fé cristã, mas que também os apoiam e inclusive os defendem. O que escandaliza os fiéis e inclusive a alguns irmãos bispos não é só o facto de que Vós nomeeis estes homens como Pastores da Igreja, mas que permaneçais calado ante o seu ensinamento e prática pastorais, debilitando assim o zelo de muitos homens e mulheres que defenderam a autêntica Doutrina católica durante muito tempo, às vezes arriscando a sua própria reputação e bem-estar. O resultado: muitos fiéis, em representação do sensus fidelium, estão a perder a confiança no seu Pastor Supremo.

Quarto. A Igreja é um Corpo, o Corpo Místico de Cristo, e o Senhor vos encarregou a Vós a missão de promover e fortalecer a sua unidade. Mas as vossas acções e palavras parecem dedicar-se, frequentemente, a fazer o oposto. Alentar uma forma de «sinodalidade» que permite e fomenta várias opções doutrinais e morais dentro da Igreja só pode levar a uma maior confusão teológica e pastoral. Esta sinodalidade é insensata e na prática é contrária à unidade colegial dos bispos.

Santo Padre, tudo isto me leva à última preocupação. Vós frequentemente falais sobre a necessidade de que haja transparência dentro da Igreja, exortando sobretudo nos dois últimos Sínodos, a que todos, especialmente os bispos, falem francamente e sem medo ao que pudesse pensar o Papa. Mas, vós conseguistes perceber que a maioria dos bispos do mundo estão surpreendentemente silenciosos? Porquê? Os bispos aprendem rápido. E o que muitos aprenderam no vosso Pontificado é que Vós não estais aberto a críticas, mas que vos molesta ser objecto delas. Muitos bispos estão silenciosos porque desejam ser-vos leais e, por conseguinte, não se expressam – pelo menos publicamente; outra questão é se não o fazem privadamente – a preocupação que lhes causa o vosso pontificado. Muitos temem que, se falarem francamente, serão marginalizados. Ou algo pior.

Constantemente me interrogo: «Porque Jesus deixa que tudo isto ocorra?» A única resposta que consigo dar-me é que Jesus quer manifestar quão débil é a fé de muitas pessoas que estão dentro da Igreja, inclusive de muitos – demasiados – bispos. Ironicamente, o Vosso Pontificado deu a liberdade e a confiança para aqueles que têm um ponto de vista pastoral e teológico prejudicial saíssem à luz e expusessem a sua maldade, que antes estava oculta. Reconhecendo esta maldade, a Igreja humildemente necessitará renovar-se e assim seguir crescendo em santidade.

Santo Padre, rezo constantemente por Vós. E seguirei rezando. Que o Espírito Santo vos guie na direcção da luz da verdade e da vida do amor, para que possais dispersar a maldade que nestes momentos está ocultando a beleza da Igreja de Cristo.

Sinceramente em Cristo,

Thomas G. Weinandy, O.F.M., Cap.

31 de Julho de 2017

Festa de Santo Inacio de Loyola





segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O quê, senhor cardeal-Patriarca? Estarei a ouvir bem?...


Diário de Notícias / Lusa, 28 de Outubro de 2017

Patriarca de Lisboa vê Lutero
como «grande fonte de inspiração»

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa caracteriza Martinho Lutero como «um reformador que procurava voltar
às fontes bíblicas»

Martinho Lutero, figura central da Reforma Protestante há 500 anos, é «uma grande fonte de inspiração» para o cardeal patriarca de Lisboa. Manuel Clemente considera que há que «valorizá-lo dentro deste ambiente geral de Reforma do século XVI».

«O regresso às fontes bíblicas, o contacto directo com os evangelhos, há o sentido de uma experiência pessoal mais coerente, e Lutero integra-se dentro desta constelação e, nesse sentido, ele e os outros reformadores do século XVI são para nós, homens do século XXI, uma grande fonte de inspiração», afirma.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa caracteriza Martinho Lutero como «mais um reformador que procurava voltar às fontes bíblicas directamente, [com] uma grande apropriação pessoal na leitura e no sentimento dessa mesma Bíblia».

«Se lhe fôssemos perguntar, ao princípio, se ele estava a pensar que ia provocar uma ruptura no catolicismo mundial ou na Igreja mundial, ele, ao princípio, não estaria à espera disso», afirma, sublinhando que «há muitas coisas que, mesmo no âmbito do catolicismo, foram definidas a seguir que antes não eram tão claras mesmo para o próprio Lutero».

O cardeal patriarca de Lisboa lembra, por isso, que Martinho Lutero surgiu no seio de um movimento que «toca toda a cristandade do final da Idade Média e do princípio da Idade Moderna», numa parte da Europa «mais urbanizada e onde circulavam pessoas e ideias».

«Dentro deste contexto, houve vários movimentos de reforma, isto é, de tentativa de retomar a forma inicial do cristianismo, que é o que a palavra essencialmente quer dizer. Tinham acesso às fontes evangélicas, liam as cartas de Paulo, liam os actos dos apóstolos com as vidas primitivas das comunidades cristãs», recorda.

Manuel Clemente vinca que «alguns desses movimentos de Reforma cortaram com Roma, outros mantiveram-se em Roma», tendo originado, mais tarde, a reforma do Concílio de Trento que «deu basicamente aquela maneira de viver católica» que persiste até hoje.

A 31 de Outubro, os protestantes celebram os 500 anos do dia em que Martinho Lutero fixou à porta da Catedral de Vitemberga 95 teses criticando a actuação do papa e do alto clero, lançando as bases de uma nova religião cristã, o protestantismo.

No ano passado, o papa Francisco foi à Suécia participar no lançamento das comemorações dos 500 anos, num sinal do diálogo entre católicos e protestantes.





sábado, 21 de outubro de 2017

Conferência na Universidade do Minho


Caros amigos e interessados no tema Cristóvão Colon,

No próximo dia 27 o nosso membro Walter Gameiro estará na Universidade do Minho para divulgar e debater as questões em torno da 1.ª viagem de Colon às Américas, nomeadamente sobre quais as ilhas efectivamente alcançadas.

Qual a ilha de Guanahani a que Colon chamou S. Salvador?

Seria a ilha de Watling ou alguma outra, de entre as 10 candidatas?

Samuel Elliot Morison estava certo ou errado quanto a este aspecto?

E quanto a outros aspectos que transmitiu no seu livro, considerado uma referência?

Esperamos a vossa presença


Associação Cristóvão Colon





quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Saiba porque razão Bergoglio é um falsoPapa... Leia as 30 respostas



1 — Na publicação de L’Avennire, periódico dos bispos italianos disse, na sua «Gazeta de 7 de Janeiro de 2015» que Bento XVI foi objecto de uma traição e de uma conjura, mediante as quais o forçaram a demitir-se.

2 — Na página 2, da secção editorial a cargo de Marco Tarquinio, lê-se: «teve ambientes que, por razões de poder e perseguição, traídos e desenhados para matar o Papa Ratzinger, obrigou-o a demitir-se».

3 — Por sua vez, o jesuíta Arnaldo Zenteno, no número 3 do seu «Informe», revelou que quando o recém eleito Francisco foi a Castel Gandolfo para visitar o Papa Bento XVI, este último lhe confidenciou que uma das causas que influenciaram a sua renúncia foi constatar as ameaças que recebeu, pois já tinham decidido que o iam matar.

4 — Foi por isso que, numa jogada para neutralizar o atentado, o Papa Bento XVI tornou pública a sua renúncia e assim desarmou a intenção de homicídio. Isso, já por si, faz com que uma eleição não seja «livre».

5 — Mas mais grave que a ameaça de morte (pois Bento XVI nunca temeu dar a vida por Cristo), foi a ameaça de um cisma, pois lhe fizeram saber que tinham uma lista de sacerdotes, religiosos, bispos e cardeais modernistas prontos a constituírem uma Nova Igreja separada de Roma se ele não aceitasse as suas exigências.

6 — O problema está em que, ao ter renunciado em parte por essa pressão (declarou no seu discurso de anúncio não ter idade e as forças necessárias algo «grave» da Igreja), a decisão do Papa Bento XVI não foi totalmente livre, pelo que canonicamente o acto é nulo por inexistência.

7 — O «Team Bergoglio», fizeram lobbing ilegítimo para facilitar o caminho ao candidato argentino, a qual comprometeu a legitimidade da eleição. Os católicos precisam de saber todos estes factos que ocorreram na altura, porque eles estão às escuras.

8 — A Constituição que rege os conclaves, a Universi Dominici Gregis, estabelece penas de excomunhão latae sententiae (quer dizer automática, sem necessidade de declaração por parte de ninguém) para os cardeais que promovem votos a favor de algum outro cardeal (Art.º 81, 82, 83).

9 — Além disso, os responsáveis desse lobbing foram excomungados de imediato, segundo o Direito Canónico e deixaram de fazer parte da Igreja. Mais ainda, a Constituição assinala que também a pessoa que aceitou esse lobbing ficaria excomungada. Quer dizer, o próprio Bergoglio estaria, segundo o Direito Pontificio, fora da Igreja no momento da sua eleição.

10 — Por isso, segundo o Direito Canónico, desde o início que o antiPapa Francisco está excomungado da Igreja Católica.

11 — No seu discurso de despedida da Curia, em 27 de Fevereiro de 2013, antes de retirar-se para Castel Gandolfo o Papa Bento XVI falou da vocação que recebeu de Deus, ao ter sido eleito Papa em 19 de Abril de 2005. Ali disse (parágrafo 23) que o chamamento que recebeu de Cristo es ad vitam, e que nunca poderá renunciar a ele (como sempre o entenderam todos os Papas na história da Igreja).

12 — Além disso, o Papa Bento XVI estabeleceu diante dos órgãos jurídicos da Igreja que ele conservaria a sotaina branca, que manteria o apelido de «Sua Santidade», conservaria as chaves de Pedro no seu escudo e continuaria sendo Papa, acrescentando simplesmente o apelido «emérito».

13 — Isto é muito significativo pois, quando o Papa Gregório XII renunciou, voltou a ser cardeal, e quando o Papa Celestino V renunciou, voltou a ser monje religioso. Não o decidiu assim Bento XVI.

14 — Mais ainda... No livro «El Gran Reformador» de Austen Ivereigh, revela como um grupo de quatro cardeais liberais (Walter Kasper, Karl Lehmann, Godfried Danneels y Cormac Murphy-O´Connor) se associaram para orquestrar ilicitamente uma campanha a favor da eleição de Bergoglio, depois de este último ter aceite ser beneficiário dessa confabulação.

15 — Mas mais dois livros dão a conhecer graves irregularidades que se cometeram no Conclave que elegeu Francisco. O primeiro é o livro de Elisabbeta Piqué (biógrafa autorizada de Bergoglio desde a Argentina) intitulado «Francisco, vida y revolución».

16 — Elisabbeta Piqué soube, pelo mesmo Francisco, o que sucedeu dentro do Conclave. O outro livro é do famoso vaticanista Antonio Socci «Non è Francesco» (O Papa não é Francisco).

17 — As revelações de Elisabbeta Piqué são tão consideradas como provenientes de Francisco que o Osservatore Romano, Jornal Oficial do Vaticano, publicou o capítulo em que se narra a forma como se desenrolou o Conclave. Também o mesmo fez a Radio y Televisão Vaticana.

18 — É que Bergoglio, ao ser eleito Papa, sentiu a ameaça de excomunhão – que recai sobre qualquer cardeal por revelar o sucedido no Conclave – uma vez que isso já não o afectava, e narrou à jornalista como sucederam as coisas dentro da Capela Sixtina.

19 — Mas há mais razões para a eleição de Bergoglio ter sido nula, porque nessa eleição houve mais votos do que cardeais.

20 — Eis a narrativa: «No Conclave, à tarde de 13 de Março, na quarta votação do dia, apareceram 116 votos, quando só havia 115 cardeais na sala. Um cardeal meteu um papel de voto a mais. Essa quarta votação foi ganha pelo cardeal Angelo Scola de Milán ( a mesma Conferência Episcopal Italiana emitiu um boletim felicitando Sacola por ter sido eleito Papa).

21 — A mesma Conferência Episcopal Italiana emitiu um boletim felicitando Sacola por ter sido eleito Papa. Mas isto não agradou a Bergóglio e aos seus comparsas mações, que logo o chamaram a dizer que tinha havido um engano e como tal, tinha de haver nova votação, a fim de elegerem Bergoglio, como tinham planeado.

22 — Ora, tendo ido contra as disposições da Constituição, a quarta votação foi declarada nula e obrigaram o cardeal Angelo Scola, recém eleito João XXIV, a renunciar e a regressar à Capela Sixtina, e procedeu-se a uma QUINTA (5.ª) votação, na qual saíu eleito Jorge Mário Bergoglio.

23 — E aqui surge uma NOVA IRREGULARIDADE, porque a Constituição estabelece (Art.63) que SÓ PODE HAVER 4 VOTAÇOES POR DIA, duas de manhã e duas de tarde.

24 — A situação de que a designação de Bergoglio é inválida é clara, segundo dizem os canonistas, se atendermos ao artigo 76, o qual afirma que:

25 — «Se a eleição se levada a cabo de forma for diferente ao que está prescrito na presente Constituição ou se não se tiverem observado as condições estabelecidas A ELEIÇÃO É, por si mesma, NULA E INVÁLIDA, sem que intervenha nenhuma declaração a propósito, pelo mesmo, ESTA NÃO CONFERE NENHUM DIREITO À PESSOA ELEITA.

26 — Este cúmulo de evidências levou o cardeal George Pell a declarar que Francisco é o antiPapa 38 na história da Igreja, e não o Papa 266, como a imensa maioria crê.

27 — Poder-se-ia continuar a enumerar factos que demonstram que Francisco não é um Papa legítimo da Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, mas sim um HEREJE, que usou de meios ilegítimos para se sentar na CÁTEDRA DO APÓSTOLO PEDRO, 1.º Papa da Igreja que o Próprio Cristo fundou.

28 — Segundo a doutrina de S. Roberto Belarmino, S. Francisco de Sales (Doutor da Igreja), e que susteve os Papas a partir de Paulo IV, QUANDO UM PAPA CAI EM HERESIA, AUTOMATICAMENTE DEIXA DE SER PAPA E ESTÁ FORA DA IGREJA, ao proclamar teses que são contrárias à Fé.

29 — O próprio São Francisco de Assis, disse: «Haverá um Papa eleito não canonicamente que causara um grande cisma na Igreja». E eis que se cumpre a sua profecia.

30 — Mas também a beata Ana Calalina Emmerick (religiosa Agustina) disse: «Vi uma forte oposição entre dois Papas, e vi quão funestas serão as consequências da falsa igreja (…). Isto causará o maior cisma que alguma vez se viu na história». Mais uma profecia que se cumpre.

Fonte de Informação: http://www.ultimostiempos.org/7-noticias/171-antipapa




domingo, 8 de outubro de 2017

A Correctio Filialis encontra um aliado involuntário em Joseph Ratzinger



Carlos Esteban, Ifovaticana, 7 de Outubro de 2017

Cuando cuatro cardenales hicieron pública su respetuosa petición al Papa para que aclarara determinados puntos oscuros de la exhortación Amoris Laetitia, las famosas Dubia, el anuncio inició un debate en sordina sobre cuestiones centrales para la fe que afectan a tres sacramentos e incluso al concepto mismo de pecado.

Pero el segundo capítulo de esta saga, la «correctio filialis» firmada por una cuarentena de teólogos y pensadores a los que se han sumado muchos otros, plantea un nuevo debate en la Iglesia: ¿es lícito por parte de los fieles criticar las enseñanzas de un Pontífice?

De hecho, el grueso de los ataques por parte de los teólogos de corte y sus aliados mediáticos ha consistido, más que en responder a las gravísimas acusaciones que contiene el escrito, a cuestionar la licitud de la medida en sí, así como a desdeñarla aludiendo al reducido número de los firmantes y a su escaso brillo en un sector, el teológico, por lo demás jerarquizado de acuerdo a criterios más periodísticos que objetivos.

Pero los partidarios de la corrección han encontrado un aliado de peso, si bien absolutamente involuntario por lo que sabemos, en el Papa Emérito y predecesor de Francisco: Benedicto XVI.

La persona, en realidad, no el Papa, ya que deberíamos hablar de Joseph Ratzinger, que ya en 1969 sostenía que criticar las declaraciones papales no solo era posible, sino aun necesario, si el Pontífice se desviaba del Depósito de la Fe y la Tradición Apostólica.

Ya Papa, Benedicto XVI incluyó estos mismos comentarios en una antología de sus escritos publicada en 2009 bajo el título ‘Fe, Razón, Verdad y Amor’. En ellos, el ahora Papa Emérito explica literalmente que las críticas a los pronunciamientos papales «serán posibles e incluso necesarias, siempre que estas carezcan de apoyo en la Escritura y el Credo, es decir, en la fe de toda la Iglesia».

Cuando no se dispone ni del consenso de toda la Iglesia ni de evidencias claras en las fuentes, no es posible una decisión definitiva vinculante. Si se tomara una de manera formal, carecería de las condiciones para tal acto, y por tanto habría que cuestionar su legitimidad».

Los límites de la infalibilidad papal y la obligación de cualquier fiel de resistir doctrinas contrarias al Depósito de la Fe han sido temas que parecen haber preocupado a Ratzinger a lo largo de toda su carrera eclesial. Así, en 1998, como Prefecto para la Doctrina de la Fe, escribía: «El Romano Pontífice, como todos los fieles, está sujeto a la Palabra de Dios, a la fe católica, y es garante de la obediencia de la Iglesia; en este sentido es servus servorum Dei. No toma decisiones arbitrarias, sino que es portavoz de la voluntad del Señor, que habla al hombre en las Escrituras, vividas e interpretadas por la Tradición; en otras palabras, el ‘episkope’ de la primacía tiene límites fijados por la ley divina y por la constitución divina e inviolable de la Iglesia que se halla en la Revelación. El Sucesor de Pedro es la roca que garantiza una rigurosa fidelidad a la Palabra de Dios frente a la arbitrariedad y el conformismo: de ahí la naturaleza martirológica de su primado».





segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Aquilo que fez e que quer fazer o «Papa Jesus II», o Demolidor



Antonio Socci, Libero, 24 de Setembro de 2017

Nenhum papa até agora tinha ousado atribuir-se o nome de São Francisco de Assis, o «outro Cristo». Bergoglio fê-lo. Mas ele –no livro entrevista que acaba de ser publicado, com Dominique Wolton, «Politique et societé» – como uma «excusatio non petita» (porque ninguém lhe havia pedido) diz em tom de brincadeira que não foi um acto de soberba, mas, ao contrário, de humildade, porque teria podido chamar-se «Jesus II». Obviamente, sublinha que está brincando (também Arlecchino se confessou que estava brincando…) [ndt.: em italiano, Socci faz referência ao Arlequim, personagem teatral que usava máscaras para dizer, em forma de piada, as verdades que não podiam ser ditas doutro modo. Em português soa como «toda a brincadeira tem um fundo de verdade»].

Mas descortina piadas sobre a presunção dos argentinos («Sabe qual é o melhor negócio? Comprar um argentino pelo seu valor e vendê-lo pelo valor que ele pensa ter»). Acrescenta que um argentino se suicida jogando-se do alto do seu Ego…

Em suma, exibe muita auto-ironia sobre o Ego dos argentinos, e assim tenta dar a entender que ali existe um problema. Talvez um problemão, aquele que há muitos anos tentou – inutilmente – resolver com a psicanalista.

Talvez seja este o seu modo, inclusive, de pedir ajuda. Mas, a essa altura, o homem parece ser um prisioneiro da máquina de guerra que se chama Egolatria na forma de uma papolatria planetária.

O característico deste pontificado é, de facto, a enormidade das ambições.

Bergoglio parece querer «refundar» a Igreja e quase propor-se, de verdade, como um «papa Jesus II», coisa que significa, porém, dispensar o próprio verdadeiro Fundador, Cristo, o qual – conhecendo os seus – percebeu que as suas palavras e os seus mandamentos permanecem para sempre e não mudam com o tempo (Mt 24,35).

Jesus chegou a fulminar o primeiro papa chamando-o de «Satanás», quando Pedro se pôs a raciocinar «segundo os homens e não segundo Deus» (Mc 8, 33). O risco sempre existe. Assistimos hoje à refundação bergogliana que «corrige» o próprio Jesus, adequando-o aos tempos e aos homens.

Em Amoris Laetitia, pretende, de facto, ser mais misericordioso que Cristo (que era um rigorista, ao contrário dos fariseus, que eram «bergoglianos») [ndt.: aqui, Socci refere-se ao facto, já comentado anteriormente, que os fariseus defendiam o segundo casamento, aferrados à casuística, enquanto Cristo aboliu o divórcio em todos os casos].

A ambição do papa argentino foi, inclusive, declarada por um dos seus mais estreitos colaboradores, numa entrevista ao «Corriere della sera», em 10 de Maio de 2015.

IRREVERSÍVEIS

O seu braço direito, Dom Victor Manuel Fernández, disse textualmente: «É necessário saber que ele (Bergoglio) pretende reformas irreversíveis».

Uma frase que pode ter uma interpretação muito revolucionária e heterodoxa para a Igreja.

De facto, a Igreja pertence a Jesus Cristo, não ao papa. Os papas são apenas os seus custódios temporários, não os proprietários: não têm um poder que se estende pelos séculos dos séculos, como Cristo.

Por definição, «irreversível» é apenas a Lei de Deus, que está nas Sagradas Escrituras e no magistério constante da Igreja.

Os papas estão submetidos a esta lei, não são os donos dela. Estes devem ser como os motoristas do carro que leva a Esposa (a Igreja, a propósito) ao encontro do Esposo (o próprio Cristo).

Se um motorista se apropriasse da Esposa mudando o seu destino e o fizesse de modo irreversível, quer dizer que se colocaria como substituto do verdadeiro Esposo. Como se fosse um «Jesus II».

Mas isso não é permitido ao motorista da Esposa. «Jesus é um esposo ciumento», dizia o Cardeal Biffi.

De facto, o mandato que Jesus deu a Pedro e a todos os seus sucessores não é efectivamente o de «mudar» a Igreja (e muito menos de modo «irreversível»), mas – pelo contrário – de «guardá-la» (guardar o «depositum fidei» confirmando os irmãos na fé).

O papa – por definição – pode ser apenas «conservador», de outra forma não é mais papa. O seu ministério é guardar íntegra a fé da Igreja. Não fazer dela uma prostituta ao serviço do mundo.

COMO UMA ONG DE GEORGE SOROS

Por fim, vamos às mudanças «irreversíveis» do bergoglianismo. A mais vistosa é a transformação da Igreja – aos olhos do povo –, de uma realidade sobrenatural que conduz à salvação eterna, a uma agência humanitária que professa uma religião totalmente social e política, centrada nas migrações de massa como se fossem o Sumo Bem, no ecologismo catastrofista e no abraço acrítico com o Islão. A Igreja bergogliana, centrada sobre estes «direitos humanos», notava há alguns dias Ernesto Galli della Loggia no «Corriere della sera», «sobrepõe-se a outras presenças organizativas, ideológicas e políticas, que não têm nada a ver com a tradição. A começar, obviamente, pelas grandes organizações internacionais como a ONU ou a FAO».

Galli afirma ainda que «uma análoga e ampla sobreposição existe, ademais, em relação aos componentes, por assim dizer, laico-progressistas, próprios do universo ideológico dos Países ocidentais, componentes que, também estes, nada têm a ver com a tradição católica» e que têm programas, especialmente em matéria de costumes, «que decerto são estranhos» à «Igreja de Roma».

Galli della Loggia prossegue advertindo que os temas da Igreja bergogliana se sobrepõem também àquela ideologia humanitária «que hoje anima a transbordante presença pública de algumas riquíssimas e influentíssimas figuras de «filantropos mundialistas» – não teria outro modo de chamá-los: como Soros, Zuckerberg ou Bezos – já erigidos a nível de verdadeiros profetas mediáticos: também estes não apenas estranhos, mas ostensivamente hostis ao cristianismo católico».

Uma tal transformação da Igreja era auspiciada há tempos por todos os seus inimigos. Como Ludwig Feuerbach, que escreveu que para «matar o cristianismo» não serviria recorrer à «perseguição», a qual «ainda mais o alimenta e reforça». A sua destruição pode acontecer apenas de outro modo: «Será através da irreversível transformação interna do Cristianismo em humanismo ateu com a ajuda dos próprios cristãos, guiados por um conceito de caridade que nada terá a ver com o Evangelho».

DEMOLIÇÃO

Então, aqui estamos. Mas, antes é preciso acabar de abater a catedral bimilenar da Igreja católica.

Depois de Amoris Laetitia que – segundo cardeais e bispos católicos – mina três sacramentos fundamentais (a confissão, a eucaristia e o matrimónio), uma outra matança se deu com o recente Motu proprio sobre as traduções dos livros litúrgicos, feito à revelia do Cardeal Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino.

Segundo muitos, abre-se o caminho para legitimar um ataque final à Eucaristia e ao sacerdócio. Corremos o risco de caminhar rumo a uma progressiva fusão com os ritos protestantes, que seria «a abolição do sacrifício» e o fim da própria Igreja católica (a propósito, entre os bergoglianos, já se tornou normal definir «a Reforma protestante como uma bênção para a Igreja»).

Mas em Santa Marta circulam também outras ideias «revolucionárias» (o adjectivo que Scalfari aplica sempre a Bergoglio). Uma das quais é, inclusive, a abolição do próprio Estado do Vaticano, que permitiria ao papa argentino passar para a História como aquele que definitivamente varreu com um só toque a Cúria vaticana e o «poder temporal» da Igreja (argumento a que o próprio Scalfari sempre retorna nos seus colóquios com Bergoglio).

É um objectivo muito difícil. Mas, como toda esta revolução está tumultuando e pondo em guerra boa parte do mundo católico e é previsível que leve a uma sublevação no colégio cardinalício, Bergoglio está fazendo estudar, nas lacunas do Direito Canónico, a excepcionalidade de situações que permitiriam que ele mesmo nomeasse o seu sucessor, desautorizando os cardeais e tornando verdadeiramente «irreversível» a sua revolução.

No fundo, Dom Fernandez já prefigurava algo do género na sua entrevista ao Corriere: «os próprios cardeais podem desaparecer, no sentido em que não são essenciais. Essenciais são o Papa e os bispos».

E ainda: «A Cúria vaticana não é uma estrutura essencial. O Papa poderia, inclusive, ir morar fora de Roma, ter um dicastério em Roma e outro em Bogotá, e talvez conectar-se por videoconferência com os especialistas em liturgia, que morariam na Alemanha» (ndt.: essa mesma ideia já havia sido cogitada por, nada mais, nada menos que, Leonardo Boff, num seu artigo de 2013).

Será assim a Igreja do Papa Jesus II?