sábado, 7 de abril de 2018

Cardeal Burke: «A situação é intolerável. Não é apenas possível, mas necessário criticar o Papa»



Emmanuele Barbieri, Adelante la Fe, 5 de Abril de 2018

«O que aconteceu com a última entrevista com Eugenio Scalfari durante a Páscoa excede todo o tolerável», disse o cardeal Raymond Leo Burke numa entrevista com Ricardo Cascioli publicado na La nuova quotidiana bussola em 4 de Abril.

«Esse ateu pretende anunciar uma revolução no ensino da Igreja católica, diz falar em nome do Papa, e negar a imortalidade da alma humana e a existência do Inferno provocou um tremendo escândalo, não só para muitos católicos, mas também para muitos leigos que respeitam a Igreja católica e os seus ensinamentos, mas não compartilham «disse o cardeal norte-americano, um dos quatro signatários do dubia em 2016» na verdade, a resposta da Santa Sé para a reacção do escândalo, que tem produzido em todo o mundo, tem sido extremamente inadequado. Em vez de reafirmar claramente a verdade sobre a imortalidade da alma humana e do Inferno, a mentira é simplesmente que algumas das palavras citadas não são do Papa. Não diz que o Sumo Pontífice não concorda com as ideias erradas, e até mesmo heréticas, expresso por essas palavras, ou que as repudiam por serem contrárias à fé católica. Jogar dessa maneira com a fé e doutrina, no mais alto nível da Igreja, é justamente a causa de escândalo entre os pastores e os fiéis».

Para uma pergunta de Cascioli sobre o silêncio dos seus pastores, o cardeal Burke responde: «A situação tem sido agravada pelo silêncio de muitos bispos e cardeais que compartilham o dever do Papa para assegurar a Igreja universal. Alguns simplesmente permaneceram em silêncio. Outros fingem que não é o menos grave. E outras fantasias, propagar uma nova Igreja, uma Igreja que empreende inteiramente uma nova venture, sonhando, por exemplo, com um novo paradigma para a Igreja ou uma prática pastoral, conversão radical do mesmo, fazendo nova planta. Há também os promotores entusiastas da suposta revolução na Igreja católica. Os fiéis que perceberam a gravidade da situação reagiram com perplexidade com a falta de orientação doutrinal e disciplina pelos seus pastores. E para quem não entende a gravidade da situação, essa falta deixa-os confusos e vulneráveis ​​a erros perigosos para a alma deles. Muitos que entraram em plena comunhão com a Igreja católica depois de serem baptizados, de uma comunhão eclesial protestante, porque essas comunidades abandonaram a fé apostólica, sofrem intensamente com esta situação: percebem que a Igreja católica está seguindo o mesmo caminho de abandono da fé. Esta situação leva-me a pensar mais e mais sobre a mensagem de Nossa Senhora de Fátima, que nos adverte do mal Pior ainda do que os males mais graves causadas por a propagação do comunismo ateu colocado pela apostasia da fé dentro da Igreja. O número 675 Catecismo da Igreja Católica ensina que «Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por um teste final que irá abalar a fé de muitos crentes» E que ‘A perseguição que acompanha a sua peregrinação na Terra irá desvendar o mistério da iniquidade na forma de um engano religioso oferecendo aos homens uma solução aparente para os seus problemas no preço da apostasia da verdade'».

O cardeal Burke aponta possíveis iniciativas: «Em tal situação, os bispos e cardeais têm o dever de anunciar a verdadeira Doutrina. Ao mesmo tempo, devem guiar os fiéis, para oferecer reparações para as ofensas a Cristo e o ferimento do seu Corpo Místico, a Igreja, onde a fé e a disciplina não são devidamente salvarguadadas e promovidas pelos pastores. O grande canonista do século XIII Enrico da Susa Ostiense, para a grave situação de como corrigir um pontífice romano que age de forma contrária à forma como força o seu ministério, diz o Colégio Cardinalício, é de facto um mecanismo de controle dos erros papal Se o papa não exerce bem o seu ofício para o bem das almas, não é apenas possível, mas necessário criticá-lo. Essa crítica deve conformar-se aos ensinamentos de Cristo sobre a correcção fraterna (Mt 18,15-18). Primeiro, O fiel ou pastor deve expressar a sua crítica em particular para que o pontífice possa ser emendado. Se o Papa se recusa a corrigir a sua maneira deficiente de ensinar ou agir, a crítica deve ser tornada pública, porque o bem da Igreja e do mundo depende dela. Alguns criticaram aqueles que tenham manifestado publicamente críticas do Sumo Pontífice, como se fosse uma manifestação de rebeldia ou desobediência, mas perguntar, com o devido respeito à confusão ou erro de correcção de posição não é um acto de desobediência, mas de obediência a Cristo e, portanto, também ao seu Vigário na Terra.»

(Traduzido por Bruno de la Inmaculada para Adelante la Fe)




Ó Bergoglio, se não é verdade, trata de desmentir...



Notícias ao Minuto, 29 de Março de 2018

«O inferno não existe», diz o Papa Francisco

A frase foi dita pelo Papa a um ateu, no Vaticano.

«O Inferno não existe», disse o Papa Francisco a um ateu de 93 anos no Vaticano, Eugenio Scalfari, fundador de um dos principais jornais da Itália.

Numa conversa informal, o Sumo Pontífice respondeu a todas as questões de Eugénio. E, perante a negação da existência de Inferno, o Papa explicou ainda que as almas dos pecadores simplesmente desaparecerão e ficarão impunes, conta o britânico Metro.

O tema da referida conversa tem sido alvo de polémica em Itália e já levou, inclusive, o Vaticano a esclarecer o que Eugénio Scalfari relatou.

Em causa está o facto de o jornalista, apesar de já estar aposentado, ter publicado no jornal a conversa que teve com o Papa Francisco. Uma conversa reconstruída de memória, já que o discurso do Santo Padre não foi gravado.

VER LINK:
https://www.noticiasaominuto.com/mundo/983403/o-inferno-nao-existe-diz-o-papa-francisco?utm_source=notification&utm_medium=push&utm_campaign=983403






Os crimes dos ocupantes russos vêm de longe


Estátua «Komm Frau» (Vem Cá, Miúda!).

A estátua Komm Frau (Vem Cá, Miúda!), da autoria do estudante de belas-artes Jerzy Szumkzyk, representa um soldado russo ameaçando com arma e violando uma mulher grávida e foi erguida em 2013 na cidade polaca de Gdansk, antiga cidade alemã de Dantzig, em homenagem aos 2 milhões de mulheres estupradas pelas oficialesca e soldadesca soviéticas no final da 2.ª Guerra Mundial (1944-1945), quando o Exército Vermelho entrou na Alemanha.

O governo russo ordenara aos seus oficiais e praças que violassem todas as mulheres entre 8 e 80 anos que encontrassem pela frente quando chegassem ao território inimigo, que na época abrangia a Alemanha e parte da actual Polónia.

Tratou-se do maior estupro colectivo já registado na história e foi cometido pelas forças armadas de um sistema «salvador dos povos», conforme está documentado pelo Prof. Antony Beevor no livro Berlin: the downfalll, e pelo Prof. Ingo von Münch no livro Frau, Komm.

Isto é, o povo foi «libertado» da barbárie nazi alemã pela barbárie comunista russa.

Entre as duas barbáries, qual a mais criminosa?

A estátua Komm Frau (Vem Cá, Miúda!) no seu enquadramento.
O livro Frau, Komm!  (Vem Cá, Miúda!).





sexta-feira, 23 de março de 2018

O cônsul Aristides Sousa Mendes, a Verdade e a Mentira



Edição: Editora Apolo 70, Junho de 2013  ‧  ISBN: 9789892042909

SINOPSE
O embaixador Carlos Fernandes, diplomata de carreira e professor universitário, com vasta obra publicada, foi sempre um moderado, na sua vida privada e na pública. E é-o neste livro. Nunca quis entrar na política, mais ou menos partidária, para que foi convidado desde muito novo. Só quis servir o Estado, isto é, toda a comunidade portuguesa organizada como tal, e não apenas uma fracção dela. E serviu-o durante muitos anos e intensamente, como se verifica pelo seu extraordinariamente vasto curriculum vitae, tendo tido actividade notável na negociação dos acordos no seio da EFTA, na Conferência da Haia de Direito Internacional Privado, e sido até pioneiro na elaboração e negociação dos acordos sobre protecção no trabalho e segurança social dos emigrantes, e na transferência de presos condenados e a cumprir prisão no estrangeiro.

Cansado de ler e ouvir tão abundantes como mirabolantes fantasias a respeito de A. de Sousa Mendes, enquanto cônsul de Portugal em Bordéus, em Junho de 1940, fantasias que este nunca invocou nem sugeriu, além de pressionado por vários amigos, dado que ele é, actualmente, a única pessoa viva que, ainda no MNE, conviveu com Sousa Mendes, e, crê-se, a única dos que sobre ele escreveram que o conheceu pessoalmente, decidiu escrever este livro, repondo a verdade sempre que o julgou necessário, sem deixar de evidenciar simpatia pessoal, não profissional, por este cônsul de Portugal, dadas as circunstâncias de tempo, lugar, e psicológicas em que actuou.

É, como verificarão, um livro muito bem documentado, e, sem dúvida, a queda de um mito, não de um anjo, já que esta descreveu-a o grande Camilo Castelo Branco de forma inexcedível.

O leitor vai encontrar aqui vasta informação relevante que certamente desconhecia, porque, propositadamente, se tem omitido ou deturpado, por razões políticas e económicas, que aborrecem a verdade.

Aristides, ao contrário do que se tem propalado, não deu 30.000 vistos dos quais 10.000 a judeus nos dias da ira, mas apenas entre 600 e 650, nunca tendo sido exonerado de cônsul de Portugal nem aposentado por Salazar, recebendo até morrer o seu vencimento como tal.

Desde alguns descendentes de Aristides até ao influente político americano de origem açoriana Tony Coelho, passando por grupos judaicos amestrados para isso, e por Jaime Gama e outros políticos portugueses, tem-se elevado uma monstruosa montanha mitificadora à base de falácias que não engrandecem quer Aristides quer a Assembleia da República, quer o Governo e o Presidente da República que para isso contribuíram.





quarta-feira, 21 de março de 2018

O mito Aristides...


Quem conhece o livro do embaixador Carlos Fernandes, «A Verdade e a Mentira» no qual mostra a real «história» do cônsul de Bordéus, vai gostar de ler o excerto que anexo, escrito por um historiador britânico Neill Lochery, prof. catedrático no University College London. No excerto é mostrada a generosidade do governo e portugueses para com os refugiados durante a II Guerra, assim como a fantasia dos «30 mil vistos» do referido personagem.

Neill Lochery
Testemunhos de Lisboa

Outros refugiados que tinham vindo para Lisboa, oriundos dos lugares mais distantes, não adoptaram uma postura tão descontraída. Na verdade, as reacções dos refugiados a Lisboa eram em larga medida ditadas pelas penosas viagens que tiveram de fazer até alcançar a capital portuguesa. Muitos chegavam demasiado traumatizados para terem uma perspectiva da «cidade da luz», ou por causa das experiências porque tinham passado às mãos dos nazis, ou devido às dificuldade com que tinham deparado ao atravessarem a Espanha, ou ainda pelo medo constante de serem enviados de volta à Europa ocupada pelos alemães.

No Verão de 1940, Lisboa não estava preparada nem organizada para acolher os milhares de refugiados que chegavam à cidade. O Ministério dos Negócios Estrangeiros em Londres estava, através da embaixada em Lisboa, a fazer pressão sobre Salazar para não permitir que as agência de resgate de emergência operassem na cidade. Os britânicos temiam – sem qualquer fundamento, como mais tarde se viria a descobrir – que, sendo a maior parte desses refugiados que chegavam a Lisboa constituída por judeus, estes quereriam seguir para a Palestina. Antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial, o governo britânico impusera duras restrições quanto ao número de judeus que podiam entrar na Palestina. As restrições foram decretadas para apaziguar os árabes, e tentar impedir que os governos árabes apoiassem activamente os nazis. A última coisa que o governo britânico precisava em 1940, é que Lisboa fosse usada como posto intermediário dos esforços sionistas, no sentido de encaminhar mais refugiados judeus para uma nova vida na Palestina. Salazar resistiu à pressão britânica e permitiu que as agências de resgate de emergência se instalassem em Lisboa para prestarem apoio aos refugiados. Assim que estes se instalavam na capital, as autoridades portuguesas permitiam-lhes que agissem com uma certa liberdade. As únicas imposições de Salazar foram as seguintes: não seria permitido aos refugiados ter residência permanente no país, estavam impedidos de estabelecer contactos com figuras da oposição (comunistas) enquanto permanecessem na cidade. Este último ponto era importante dado que muitos judeus eram incorrectamente tidos como apoiantes do comunismo.

A maior parte dos refugiados que chegavam ao último ponto de saída da Europa, fugia de França por Bordéus ou por Marselha. Salazar tinha tentado em vão, impedir que a crise dos refugiados alcançasse Lisboa. A seu ver, o País era demasiado pobre para fazer frente a um afluxo súbito de refugiados, muitos dos quais praticamente sem dinheiro quando chegavam à capital portuguesa. Receava, igualmente, ofender os alemães ao permitir a entrada de um elevado número de judeus em Portugal. Conhecia também as medidas duras que o regime do general Franco adoptara contra os refugiados em Espanha. Muitos deles eram enviados para o que se assemelhava a verdadeiros campos de concentração, que tinham sido construídos durante a guerra civil de Espanha. As acções do cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, que emitiu cerca de três mil vistos (e não 10 mil, como por vezes é referido), encurralaram Salazar, forçando-o a aceitar os refugiados. Uma vez chegados a Portugal, eram tratados com muito mais humanidade que na vizinha Espanha.

O caso de um dos refugiados que receberam apoio de Aristides Sousa Mendes, veio a revelar-se uma das razões para a demissão do cônsul. Henri de Rothschild, judeu e membro de uma das mais ricas famílias do mundo, viu-se numa situação difícil. Forçado a fugir de Paris quando os alemães entraram na cidade, o coleccionador de arte chegou a Lisboa tendo deixado os seus quadros na capital francesa. A ligação dos Rothschilds a Portugal já vinha detrás. Nathan Rothschild, um dos do mundo financeiro no início do séc. XVIII tinha ajudado a financiar o exército do duque de Wellington durante a Guerra Peninsular (1808-1814). Nathan fizera fortuna através do contrabando de ouro entre os beligerantes durante essa guerra. Mas agora, Henri Rothschild estava falido e para piorar a situação, ao chegar a Lisboa queixou-se ao embaixador britânico Walford Selby, dizendo que Aristides Sousa Mendes tinha exigido «pagamentos especiais» em troca da emissão do seu visto. Selby decidiu escrever a Salazar para apresentar uma queixa formal pelas acções do cônsul português em Bordéus. Fosse como fosse, considerando o que Aristides Sousa Mendes fizera em Bordéus, seria provável que mais cedo ou mais tarde, o cônsul viesse a ser punido por Salazar; no entanto, a intervenção de Henri Rothschild dava a Salazar legitimidade internacional para agir contra Aristides Sousa Mendes.

Extracto das pags. 72 a 75 do livro «Lisboa, a cidade vista de fora, 1933-1974» do historiador britânico, Neill Lochery, prof catedrático no University College London (http://www.neill-lochery.co.uk/), editado pela Editorial Presença em Novembro de 2013.





sábado, 17 de março de 2018

Luís Montenegro, a maçonaria e a boa política



Heduíno Gomes

Numa página afecta ao PPD, foi referida a aspiração de Luís Montenegro a substituir Rui Rio e a sua condição de maçon.

A maçonaria é o que sabemos. Estou frontalmente em oposição à sua filosofia subjectivista e relativista e às suas práticas políticas liberais, de corrupção, decadentes e mundialistas. Além de achar super-ridículo tudo aquilo dos rituais.

Depois há os maçons. Já o grande especialista em maçonaria Leão XIII dizia que é preciso saber distinguir a maçonaria, com o seu arsenal ideológico e orgânico venenoso, dos seus membros a título individual.

Leão XIII (1810-1903)

Efectivamente, há maçons de vários tipos. Os maçons mais seguidores da doutrina, cujas políticas são as da decadência (foi por iniciativa do Grão-Mestre do GOL, em 2009, e nessa qualidade, António Reis, que vemos a adopção do chamado «casamento» entre pessoas do mesmo sexo), do multiculturalismo e do mundialismo; os maçons incoerentes oportunistas, sem ideais, certos ou errados, que lá estão apenas por interesses de carreira, negócios ou outros menos claros; os maçons críticos, que fogem pontualmente à cartilha doutrinal e são abordáveis em certas matérias concretas, e até tomam algumas posições políticas em defesa da Civilização, da identidade nacional e do bem comum; e os maçons líricos, que se alimentam de chavões abstractos, de ideais errados, umas pessoas porreiras que não compreendem os erros da doutrina maçónica nem fazem a menor ideia da teia em que estão envolvidos e que andam lá a fazer o papel de «idiotas úteis», a fazer número para os barões das lojas se amanharem e os grandalhões dominarem.

Tenho vários amigos críticos e líricos (amigavelmente digo-lhes isto) que gosto de desafiar... Tanto no GOL como na Regular...

Os de cima e os de baixo....

Onde se situará o Montenegro?

Confesso que não conheço suficientemente o Luís Montenegro para classificá-lo numa das quatro categorias que aponto.

Independentemente da sua crença religiosa ou falta dela, será uma pessoa de família e defensor dos valores da família natural e da actual causa escaldante que é a da vida, contra o abortismo e a eutanásia, ou tolera e contribui para a ditadura da ideologia homossexualista do género e para a cultura da morte? À primeira vista, parecem-me as primeiras hipóteses.

Defenderá a identidade e a independência nacional ou a subjugação ao estrangeiro, o multiculturalismo e o mundialismo?

Defenderá a seriedade na política e no Estado ou tapará a corrupção dos maçons envolvidos?

Como digo, parece-me... Apenas me parece pois não o conheço suficientemente bem.

Assim me parecendo, a priori nada me repugna um diálogo e cooperação política com o maçon Luís Montenegro ou outros maçons nas mesmas condições, independentemente da sua obediência ou loja, para atingir objectivos concretos de defesa da Civilização, de Portugal e do bem comum. Desde que... como digo...

Adolfo e Cristas: a chefia homossexualista.

Dito isto, e em conclusão e em geral, prefiro um maçon que seja firme defensor dos valores da Civilização, da Nação e do bem comum a um papa-missas idiota, mole, cobarde, politicamente correcto, carreirista e oportunista relativamente às mesmas questões, o qual, eventualmente não sendo membro da maçonaria, negoceia com eles abdicando dos valores que defenderia se fosse um cristão coerente. Assim, a título de exemplo, prefiro lidar com um desses maçons do que com Cristas ou Passos Coelho.

Dito isto, ainda, e porque a questão Luís Montenegro veio a propósito da sua hipotética aspiração a substituir Rio e da sua condição de maçon (alegada condição...), cabe perguntar se Rui Rio também é maçon. Afiançam-me que não... A assim ser, Rio tem 5 pontos de crédito. Mas cerca-se de maçons do pior que há e perde 5 pontos. E defende a liberalização do aborto e perde mais 5 pontos. E defende a eutanásia e perde outros 5 pontos. Saldo negativo e parece não ser maçon...

Contabilizando apenas os aspectos referidos — e há outros —, qual somará mais pontos positivos, Luís Montenegro ou Rui Rio? Contabilidade que me interessa fazer.

Elina Fraga e Rio: homossexualismo, abortismo e eutanasismo.






sábado, 10 de março de 2018

Pacheco manipulando as palavras, em defesa da «civilização» sem valores éticos, da dita «civilização» da esquerda, isto é, da barbárie




Heduíno Gomes

Num extenso artigo publicado no Público sobre a extinção das livrarias e o valor do livro físico (3 de Março de 2018) que bem se poderia resumir a meia-dúzia de linhas, Pacheco Pereira termina o penúltimo parágrafo com uma frase que até parece lapidar:

(...) «é preciso combater essa degradação daquilo que era um valor civilizacional (sim, há valores civilizacionais...) que era caminhar do fim do analfabetismo para uma qualificação da leitura como modo de dominar melhor o mundo e a vida de cada um.»

Ora bem... Vejamos o conteúdo da frase.

Pacheco Pereira afirma que existem «valores civilizacionais», e envia uma mensagem pedagógica antecipada aos seus camaradas da esquerda. Mas certo.

Pacheco Pereira afirma que a alfabetização é um valor civilizacional. Digo eu, tal como a roda, em abstracto, que também serviu para Hitler, Stalin e Brejnev construírem tanques. Mas certo.

Pacheco Pereira afirma que a qualificação da leitura é um valor civilizacional. Digo eu, tal como a imprensa de Gutenberg, em abstracto, que também serviu para editar e pôr o pessoal a ler Das Kapital, o Mein Kampf  e as cartilhas liberais, nomeadamente onde ele publica. Mas certo.

E onde constará no seu artigo a referência ao fundamental da Civilização, que são os seus valores éticos e políticos?

Bem, Pacheco Pereira não diz...  Mas nós conhecêmo-los.

Ei-los.

1 — Apoio ao cavaquismo, e até envolvimento na coisa, isto é, apoio aos «valores éticos» do pragmatismo e amoralismo tecnocratista.

2 — Apoio aos abortistas.

3 — Apoio à eutanásia.

4 — Oposição geral à ética cristã, que constitui a base da Civilização ocidental.

5 — Apoio político à esquerda, fora e dentro do PPD, que comunga, toda ela, destas mesmas posições de Pacheco Pereira.

Em conclusão, Pacheco Pereira fala de civilização apenas para inglês ver, apenas a tentar apoderar-se da palavra para subverter o conceito. Mais uma manipulação das palavras, em que Pacheco Pereira é fértil.





sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Carta aberta a Rui Rio



Caro companheiro Rui Rio,

Acabaste de ser eleito Presidente da Comissão Política Nacional do PPD numa eleição em que grande parte dos militantes votou num dos candidatos para que o outro não ganhasse, sendo que muitos deles nem isso fizeram.

Calhou-te a ti o brinde ou a fava, segundo o ponto de vista.

É bom que a consciência desta realidade te acompanhe durante o teu mandato para gerires da melhor maneira os destinos do Partido.

Nós, reunidos no movimento de reflexão Portugal Laranja, — em que participam quer daqueles que votaram em ti, quer no outro candidato, ou em nenhum, apenas em função de apreciações meramente subjectivas face ao que julgaram ser mais conveniente para o que todos queremos para o PPD e para Portugal — move-nos a defesa do conjunto de valores e políticas que reputamos de essenciais para o bem-estar dos Portugueses.

Não nos move, portanto, a obediência a qualquer grupo de interesses, de políticas indefinidas, alinhamentos erráticos ao sabor dos egos, guerras antinacionais Norte-Sul, tudo sempre ignorando os superiores interesses de Portugal e dos Portugueses.

Sim, frontalmente, nós pretendemos interpretar as consciências caladas de dezenas de milhares de militantes e de milhões de eleitores do Partido, sempre esperançados nas mudanças para bem do País mas sistematicamente frustrados com aquilo que se tem resumido a uma dança de cadeiras.

Não nos ocupamos neste momento da táctica do Partido face ao inimigo, que é a esquerda, nesta ou naquela circunstância política. A táctica é para ser avaliada na circunstância.

Tão-pouco é agora a estratégia que tem a prioridade das nossas preocupações. Ela só pode ser definida depois de se definir o modelo de sociedade que se quer, com os seus próprios valores.

O que nos preocupa sumamente neste momento é precisamente o que qualquer dirigente do Partido possa querer como modelo de sociedade, isto é, que valores defende ou atropela.

Nós, militantes reunidos no movimento de reflexão Portugal Laranja, expressamos a nossa inequívoca defesa dos princípios e objectivos políticos que entendemos que o Partido deveria procurar independentemente das conjunturas que passam e das direcções efémeras que desfilam. Eis os princípios que nos norteiam e objectivos que prosseguimos. Cá dentro e lá fora.

1 — Valores da Civilização — Defendemos a Civilização europeia e a sua matriz ética, a vida humana desde a concepção até à morte natural, a família natural como única forma de família, a moral pública e o bem comum.

2 — Portugal na Europa e no mundo — Queremos uma Europa de identidade europeia, de cultura europeia e das nações europeias e a integração de Portugal nesse espaço e nas alianças ocidentais, salvaguardando sempre a nossa independência política, cultura, língua, identidade, tradições e economia, e em união com a diáspora portuguesa.

3 — Natureza do Estado — Opomo-nos ao socialismo e ao liberalismo, defendemos o Estado forte, independente de capelinhas e baronatos regionalistas, financeiros ou outros, o Estado regulador, nomeadamente na moral e na economia, bem dimensionado para as suas funções, firme e decidido e agente da moral pública e da ordem pública.

4 — Papel do Estado  — Defendemos o Estado claramente assumido como superior protector da Civilização, da Nação e do bem comum.

Pensamos ainda que o Partido deve tomar seriamente como sua tarefa a formação dos seus militantes para que estejam à altura de agir na política com rigor e eficácia a defender estes valores.

São, no fundo, estas as preocupações da larga maioria dos militantes. Por estes princípios e objectivos nos batemos.

Podes, pois, contar com a nossa total disponibilidade para defender estas políticas e nunca o seu contrário, não aquilo que conduziu às mordomias, ao marasmo económico, à degradação da educação, à crise moral, ao suicídio demográfico, ao abastardamento da língua, à perda da independência nacional.


Lisboa, 15 de Fevereiro de 2018

A Comissão Coordenadora de Portugal Laranja





quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

NATO, Guerra Fria, Turquia, Rússia e a Europa. O essencial da entrevista a Jens Stoltenberg

Em entrevista à RTP, Jens Stoltenberg apresenta
a estratégia «dual» da organização para responder a Moscovo.
|Pedro Nunes – Reuters

Christopher Marques, RTP, 29 de Janeiro de 2018

O secretário-geral da NATO garante que a organização está pronta para defender qualquer aliado. Em entrevista à RTP, Jens Stoltenberg apresenta a estratégia «dual» da organização para responder a Moscovo: a busca pelo diálogo mas mostrando firmeza contra a ingerência russa, nomeadamente na Crimeia. O responsável garante ainda que os EUA estão empenhados na NATO e elogiam o aumento do investimento em defesa feito por Portugal.

O secretário-geral da NATO considera que o principal desafio da organização é o facto de se enfrentarem actualmente «muitos desafios complexos ao mesmo tempo». Na conversa com o jornalista Paulo Dentinho, Jens Stoltenberg faz nomeadamente referência aos conflitos que assolam o Norte de África, o Médio Oriente, para além da luta contra o autoproclamado Estado Islâmico.

A estes soma-se o papel «mais assertivo a leste» que a Rússia vai assumindo, as ameaças cibernéticas e o desenvolvimento do poderio nuclear da Coreia do Norte. «Há muitos desafios ao mesmo tempo e daí que a NATO esteja a adaptar-se, a mudar e implementar a maior adaptação na NATO desde o fim da Guerra Fria», explica o responsável máximo da organização.

Jens Stoltenberg lidera desde 2014 a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN-NATO), a aliança militar que nasceu depois da Segunda Guerra Mundial, num período em que o mundo se dividia entre pró-russos e pró-americanos.

O mundo mudou. O muro de Berlim caiu e o ocidente aproximou-se da Rússia, já depois da queda da União Soviética. A aproximação inverteu-se nos últimos anos, com as relações entre o bloco ocidental e a Rússia a deteriorarem-se.

Na conversa com Paulo Dentinho, Jens Stoltenberg rejeita que a NATO esteja a enfatizar a tensão com a Rússia na Europa de Leste, recordando o papel da Aliança Atlântica no combate ao terrorismo, nomeadamente a «maior operação militar de sempre» da NATO que decorre no Afeganistão.

«Trabalhamos para fazer face aos desafios vindos de leste, mas também de desafios vindos de sul. Além disso, por exemplo, o que fazemos para combater as ameaças cibernéticas não está relacionado com o leste, norte, sul ou ocidente. Está relacionado com o domínio cibernético, algo relevante para todos nós, onde quer que estejamos», sublinha o líder norueguês.

«Não voltámos à guerra fria»

A relação do ocidente com a Rússia tem piorado ao longo dos últimos anos. O ocidente tem acusado a Rússia de realizar ciberataques e campanhas de propaganda nas redes sociais, interferindo mesmo em actos eleitorais. A este conflito virtual com consequências reais soma-se o papel russo no conflito militar ucraniano.

Convidado a adjectivar este novo conflito entre o ocidente e Moscovo, Stoltenberg aponta apenas que a Rússia está «mais assertiva» e a usar «muitas ferramentas diferentes».

«Usaram as forças armadas contra a vizinha Ucrânia mas também na Geórgia. E há muitos relatórios sobre as tentativas da Rússia de interferir em processos políticos domésticos, com propaganda, com desinformação e também com ciberferramentas», confirma o secretário-geral da NATO.

Apesar da tensão com Moscovo, Stoltenberg garante que não se regressou ao período que antecedeu a queda do Muro de Berlim. «Não voltámos à Guerra Fria, mas também não estamos na parceria estratégica que tentámos estabelecer após o final da Guerra Fria», assume.

O líder norueguês considera que esta «parceria estratégica» falhou porque Moscovo «decidiu tentar restabelecer esferas de influência e, de certa forma controlar os seus vizinhos como vimos na Geórgia, Moldávia e na Ucrânia». Uma luta que a NATO promete combater.

«Nunca aceitaremos que uma grande potência como a Rússia tenha o direito de controlar vizinhos ou estabelecer qualquer tipo de esfera de influências», garante, prometendo uma abordagem firme mas que tente reduzir a tensão.

A estratégia com a Rússia

Uma das pedras angulares deste clima de tensão com Moscovo é o conflito ucraniano e a anexação da Crimeia à Federação Russa em 2014. Apesar do conflito, Stoltenberg acredita que é possível «combinar a defesa, dissuasão e diálogo» no que considera ser uma abordagem «dual» com Moscovo.

«A Rússia é nossa vizinha. A Rússia está cá para ficar. Não queremos uma nova Guerra Fria, não queremos uma nova corrida ao armamento. Temos de ser firmes quando a Rússia emprega a força contra um vizinho, como fez com a Ucrânia. A Rússia tem de perceber que não pode fazer nada semelhante a qualquer aliado da NATO, esteja onde estiver. Mas também queremos ter um diálogo significativo com a Rússia», explica.

É com este diálogo em vista que Stoltenberg recorda as reuniões do Conselho NATO/Rússia que tiveram já lugar. Apesar de ainda terem ocorrido poucos encontros, o dirigente da Aliança Atlântica enfatiza a existência de «um diálogo com a Rússia» onde se falam precisamente de questões como a Ucrânia.

Para o responsável, é necessário enviar uma «mensagem clara à Rússia»: «a forma como se comportou na Ucrânia, com a violação do direito internacional e da integridade e soberania de uma Nação a quem já tinham garantido as fronteiras antes, tem de ter consequências».

Com o diagnóstico feito, Stoltenberg apresenta o caminho mais rápido para a melhoria das relações entre o ocidente e a regime de Vladimir Putin. «A melhor maneira de melhorar relações entre a NATO e a Rússia é a Rússia deixar de violar o direito internacional. Nós estamos dispostos a trabalhar com eles mas têm de respeitar a soberania e a integridade territorial de todos os membros, incluindo o Reino Unido», afirma.

Solução para a Ucrânia

O secretário-geral da NATO considera que a solução para o conflito ucraniano não é militar mas política. Na entrevista à RTP, o responsável recorda que «a solução política está nos acordos de Minsk», numa referência ao protocolo assinado em 2014 entre Kiev, Moscovo, Donetsk e Lugansk sob o amparo da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.

«O que temos visto é que os acordos de Minsk não são cumpridos. Os acordos de Minsk exigem que todas as tropas estrangeiras se retirem da Ucrânia e de Donbass, do leste da Ucrânia. Não é o que acontece. A Rússia continua lá, a apoiar os separatistas, e isso é uma violação clara dos acordos», afirma.

Confrontado com a acusação russa de que há nações ocidentais a vender armamento à Ucrânia, Soltenberg recorda que Kiev é um «governo soberano numa nação soberana» e «tem o direito de comprar armas para se defender».

«A NATO não fornece armas porque não as temos. Mas alguns dos aliados da NATO vendem e fornecem à Ucrânia. A grande diferença é que a Ucrânia tem um governo legítimo em Kiev. A integridade territorial e a soberania da Ucrânia são violadas na Crimeia e no Leste da Ucrânia por forças apoiadas pela Rússia e pela presença das capacidades militares russas», insiste.

Questionado sobre um eventual receio de Moscovo perante a presença de tropas atlânticas no Leste da Europa, Stoltenberg realça que a mobilização só surgiu depois do conflito na Ucrânia. «É uma consequência directa das acções agressivas da Rússia contra a Ucrânia», justifica.

O secretário-geral da NATO rejeita ainda a ideia de que a Rússia tenha receio por estar rodeada por nações da NATO, depois da adesão de países como a Polónia, a Letónia e a Lituânia a partir de 1999.

«São nações soberanas e independentes que decidiram, através de processos democráticos, que queriam aderir à NATO. Não é uma provocação ou uma ameaça para a Rússia. É o resultado de decisões democráticas por nações soberanas», afirma.

«Defender qualquer aliado»

Questionado sobre se a NATO seria capaz de seguir uma estratégia semelhante à adoptada pela Rússia na Crimeia nos países bálticos, Jens Stoltenberg responde positivamente. «A NATO está preparada para defender qualquer aliado contra qualquer ameaça. Esta é a mensagem principal da NATO», recorda.

O ex-primeiro-ministro norueguês lembra que a missão da NATO é «evitar um conflito» e não provocá-lo, mantendo sempre a solidariedade entre Estados-membros: «Um por todos, todos por um».

«Esta ideia de defesa colectiva manteve a paz na Europa durante quase 70 anos, um dos mais longos períodos de paz durante séculos na Europa. Iremos continuar a fazê-lo, evitando e prevenindo conflitos e não provocando-os», assegura.

Investimento em defesa

O secretário-geral da NATO considera que os EUA têm mostrado que «estão empenhados nos laços transatlânticos», assinalando que Washington está mesmo a aumentar a presença militar no continente europeu. «Não são só palavras, são factos», afirma Stoltenberg.

O líder da Aliança Atlântica espera agora que os restantes Estados-membros «cumpram o que decidiram», numa referência ao aumento da despesa com defesa tendo por objectivo os dois por cento do Produto Interno Bruto, uma meta que Portugal – e a maioria dos países – não cumpre actualmente.

«Vejo com bons olhos o facto de Portugal ter acabado com os cortes e começado a aumentar. Depois de anos de cortes nas despesas de segurança, vimos um aumento nos últimos dois anos», afirma.

Stoltenberg vê neste aumento uma «expressão do compromisso de Portugal para com a NATO», mas pede «mais» investimento em defesa. O líder defende que o investimento em defesa deve ser flexível e admite que ele próprio, quando exercia cargos políticos na Noruega, defendeu cortes no passado.

«Tal como reduzimos os gastos com defesa quando as tensões diminuíram, também temos de as aumentar quando as tensões se agravam», justifica.

O secretário-geral da Aliança Atlântica admite ainda que é preciso melhorar a forma como se deslocam meios militares entre Estados-membros na Europa. «Vivemos num ambiente de segurança diferente a que temos de fazer frente», justifica, sem comentar a possível criação de um «espaço Schengen militar».

Turquia tem «direito a defender-se»

Questionado sobre a situação política na Turquia e a sua adequação aos valores da NATO, Stoltenberg recorda a localização estratégica do país e o seu papel «crucial» na luta contra o autoproclamado Estado Islâmico. «A Turquia sofreu muitos ataques terroristas, mais do que qualquer outro aliado da NATO, e uma tentativa de golpe sangrenta», afirma.

Ancara tem comprado armamento a Moscovo e tem combatido os curdos, que são apoiados por Washington, Londres e Paris. Stoltenberg insiste que a Turquia tem o direito a defender-se mas assinala que deve fazê-lo de «forma proporcional».

O responsável admite ainda que «a indústria de defesa europeia é demasiado fragmentada», com muitos modelos diferentes do mesmo sistema. Por exemplo, há cerca de 20 tipos diferentes de caças. O secretário-geral da NATO assinala que este é um tema sensível, porque está relacionado com empregos em diferentes países.

Jens Stoltenberg acredita que o fortalecimento da cooperação em matéria de defesa na União Europeia irá contribuir para «resolver a fragmentação da indústria europeia de defesa, tornando-a mais competitiva e reduzindo os vários modelos de cada tipo de arma».


VER LINK:
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/jens-stoltenberg-a-rtp-a-entrevista-na-integra_v1055056







sábado, 6 de janeiro de 2018

Bem-vindo ao Inferno chamado Bruxelas


Batalhão de choque com apoio de um canhão de água e blindado antiprotesto, tentando afastar
arruaceiros do centro de Bruxelas, Bélgica, em 12 de Novembro. Centenas de «jovens»
de origem estrangeira «comemoravam» a classificação para o Mundial de Futebol
da equipa marroquina promovendo tumultos, nos quais 22 policiais ficaram feridos.
(Imagem: captura de tela de vídeo da Ruptly)

Drieu Godefridi, Gatestone Institute, 31 de Dezembro de 2017


Original em inglês: Welcome to the Hell Hole
that is Brussels

Tradução: Joseph Skilnik


  • No mês passado Bruxelas foi alvo de três ondas de tumultos e saques numa gigantesca escala.
  • Ao penetrarmos na espessa nuvem da indignação profissional, a fim de esmiuçarmos a realidade da «capital da Europa», o que se pode observar em muitos aspectos é na realidade um verdadeiro Inferno, onde o socialismo, islamismo, confusão e saques são o lugar-comum.
Quando o então candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump salientou em Janeiro de 2016 que, graças à imigração em massa, Bruxelas estava a transformar-se num Inferno, políticos belgas e europeus unidos entrincheiraram-se nas barricadas dos media afirmando: como ele ousa dizer uma coisa destas? Bruxelas, capital da União Europeia, quinta-essência do mundo pós-moderno, vanguarda da nova «civilização global», Inferno? Indubitavelmente a assimilação dos recém-chegados nem sempre é tranquila, podendo haver atritos de tempos a tempos. Mas não importa, eles tornam saliente o seguinte: Trump é um fanfarrão e seja lá como for ele tem zero probabilidades de ser eleito. Estas eram as opiniões dos ávidos leitores do The New York Times International Edition e assíduos telespectadores da CNN International.

No entanto, Donald Trump, no seu inconfundível e impetuoso estilo, simplesmente estava certo: Bruxelas está a mergulhar rapidamente no caos e na anarquia. Exactamente dois meses depois deste dramático «trumpismo», Bruxelas foi abalada por um execrável ataque terrorista islâmico que tirou a vida a 32 pessoas. Esta é somente a ponta do monstruoso iceberg que se vem  avolumando há mais de três décadas via imigração em massa e loucura socialista.

No mês passado Bruxelas foi alvo de três ondas de tumultos e saques numa gigantesca escala.

Primeiro, Marrocos classificou-se para o Mundial de Futebol: entre 300 e 500 «jovens» de origem estrangeira tomaram as ruas de Bruxelas para «comemorar» o acontecimento à maneira deles, saqueando dezenas de lojas no centro histórico de Bruxelas, devastando avenidas desertas da «capital da civilização» e, no meio do quebra-quebra feriram 22 policias.

Três dias mais tarde, uma estrela da música rap das redes sociais chamada «Vargasss 92», cidadã francesa de origem estrangeira, resolveu organizar outra «comemoração» não autorizada no centro de Bruxelas, que rapidamente se transformou em mais um quebra-quebra. Lojas foram novamente destruídas e pessoas foram agredidas sem motivo algum a não ser o de estarem no lugar errado na hora errada. Breves videoclipes do acontecimento foram transmitidos pelas redes sociais, mostrando ao mundo (e aos belgas) a verdadeira face de Bruxelas sem a maquilhagem dos políticos. Não é de se admirar que a elite política da Europa odeie do fundo d'alma as redes sociais. Preferem a imprensa tradicional, politicamente correcta, fortemente subsidiada tanto em França quanto na francófona Bélgica.

Por fim, em 25 de Novembro, as autoridades socialistas que administram a cidade de Bruxelas tiveram a brilhante ideia de autorizar a realização de uma manifestação contra a escravidão na Líbia que rapidamente se precipitou em mais uma confusão: lojas destruídas, carros incendiados, 71 pessoas presas.

Este vale-tudo, sem a menor justificação política, é o novo lugar-comum em Bruxelas. Os políticos podem não gostar desta realidade, consequência do seu lamentável fracasso, mas é, no entanto, uma verdade incomensurável além de inevitável. A nova Bruxelas caracteriza-se por tumultos e saques cometidos por pessoas de origem estrangeira, bem como pela ininterrupta presença de militares fortemente armados nas ruas de Bruxelas, paradigma desde 22 de Março de 2016, dia em que islamistas europeus assassinaram 32 pessoas e outras 340 ficaram feridas no pior ataque terrorista na Bélgica.

Desperta curiosidade saber porque é que estes belos soldados belgas que patrulham as ruas não fazem nada para evitar a bagunça. Pelo simples motivo de que está fora da sua alçada. Se um soldado ferir um saqueador, provavelmente será execrado em público, ridicularizado pelos media, julgado e expulso do exército com desonra.

Seria engraçado se não fosse gravíssimo. Depois dos dois primeiros tumultos desta última série, a televisão estatal belga (RTBF) organizou um debate com a participação de políticos e especialistas de Bruxelas. Entre os participantes estava o senador Alain Destexhe, do movimento reformista de centro-direita (partido do primeiro-ministro belga).

Destexhe é uma figura interessante na política belga. Na Bélgica francófona,  tem sido um dos poucos a dizer publicamente que a imigração em massa que os belgas estão impondo a si próprios é insustentável, que o Islão não pode ser considerado uma religião tão pacífica assim e que as escolas nas quais 90% das crianças são de origem estrangeira e que não falam francês nem holandês em casa, não são a receita ideal para o sucesso. Declarações como estas podem até ser o óbvio em grande parte do mundo ocidental, mas na parte francófona da Bélgica, fortemente influenciada pela visão do mundo dos franceses, foi considerado de extrema-direita, extremista até, racista e outras subtilezas que a esquerda aprecia tachar.

No debate, assim que Destexhe tentou provar que existe uma conexão entre a não integração de muitas pessoas de origem estrangeira em Bruxelas e o alto grau de imigração que já dura décadas, o moderador literalmente gritou com ele salientando que «a migração não é o assunto do debate Monsieur Destexhe! MIGRAÇÃO NÃO É O ASSUNTO, PARE COM ISSO!», antes de dar a palavra a um «poeta sem papas na língua», uma jovem que explicou que o problema é que as mulheres que usam o véu islâmico (que ela mesma usa) não se sentem bem-vindas em Bruxelas. A plateia foi logo estimulada a aplaudi-la. Também no estúdio encontrava-se um político do Partido Verde que afirmou: «ninguém sabe qual é a origem dos arruaceiros». Dica: eles «comemoravam», de maneira idiossincrásica a vitória de Marrocos. Um glorioso momento do surrealismo belga? Nada disso, apenas um típico «debate» político na Bélgica de língua francesa, excepto que normalmente Destexhe não é convidado.

O quadro não estaria completo sem mencionar que justamente na noite em que começou o quebra-quebra, 11 de Novembro, uma associação chamada MRAX (Mouvement contre le racisme, l'antisémitisme et la xénophobie) publicou na sua página no Facebook um apelo para que se denunciasse qualquer caso de «provocação policial» ou «violência policial». Resultado da revolta? Número de policias feridos: 22, número de prisões: zero. MRAX não é só um monte de esquerdistas que simpatizam com os islamistas, recebem pesados recursos pagos com dinheiro dos contribuintes. Os movimentos de direita também são financiados pelos contribuintes? Resumindo numa palavra: não. Em Bruxelas a taxa de desemprego é surpreendentemente de 16,9%, é assombroso também que 90% dos que dependem do Estado de bem-estar social tenham origens estrangeiras e, ainda que os impostos estejam entre os mais altos do mundo, os cofres públicos estão, apesar disso, a sangrar. Um breve flash de mais um fracasso socialista.

Mas há esperança. Bruxelas não se resume em Molenbeek e em tumultos, a municipalidade conta com uma robusta tradição de empreendedorismo, o governo federal da Bélgica, em particular o componente flamengo conhece bem os desafios que precisam ser enfrentados. Mas nada vai mudar se não for reconhecido que, em muitos aspectos, Bruxelas se transformou, da opulenta cidade conservadora e «burguesa» que era há 25 anos, num Inferno.

Ironicamente o que Bruxelas obviamente precisa é de um Donald Trump.