sábado, 8 de outubro de 2011

Omens sem H

Nuno Pacheco
Espantam-se? Não se espantem. Lá chegaremos. No Brasil, pelo menos, já se escreve "umidade". Para facilitar? Não parece. A Bahia, felizmente, mantém orgulhosa o seu H (sem o qual seria uma baía qualquer), Itamar Assumpção ainda não perdeu o P e até Adriana Calcanhotto duplicou o T do nome porque fica bonito e porque sim.
Isto de tirar e pôr letras não é bem como fazer lego, embora pareça. Há uma poética na grafia que pode estragar-se com demasiadas lavagens a seco. Por exemplo: no Brasil há dois diários que ostentam no título esta antiguidade: Jornal do Commercio. Com duplo M, como o genial Drummond. Datam ambos dos anos 1820 e não actualizaram o nome até hoje. Comércio vem do latim commercium e na primeira vaga simplificadora perdeu, como se sabe, um M. Nivelando por baixo, temendo talvez que o povo ignaro não conseguisse nunca escrever como a minoria culta, a língua portuguesa foi perdendo parte das suas raízes latinas. Outras línguas, obviamente atrasadas, viraram a cara à modernização. É por isso que, hoje em dia, idiomas tão medievais quanto o inglês ou o francês consagram pharmacy e pharmacie (do grego pharmakeia e do latim pharmacïa) em lugar de farmácia; ou commerce em vez de comércio. O português tem andado, assim, satisfeito, a "limpar" acentos e consoantes espúrias. Até à lavagem de 1990, a mais recente, que permite até ao mais analfabeto dos analfabetos escrever sem nenhum medo de errar. Até porque, felicidade suprema, pode errar que ninguém nota. "É positivo para as crianças", diz o iluminado Bechara, uma das inteligências que empunha, feliz, o facho do Acordo Ortográfico.
É verdade, as crianças, como ninguém se lembrou delas? O que passarão as pobres crianças inglesas, francesas, holandesas, alemãs, italianas, espanholas, em países onde há tantas consoantes duplas, tremas e hífens? A escrever summer, bibliographie, tappezzería, damnificar, mitteleuropäischen? Já viram o que é ter de escrever Abschnitt für sonnenschirme nas praias em vez de "zona de chapéus de sol"? Por isso é que nesses países com línguas tão complicadas (já para não falar na China, no Japão ou nas Arábias, valha-nos Deus) as crianças sofrem tanto para escrever nas línguas maternas. Portugal, lavador-mor de grafias antigas, dá agora primazia à fonética, pois, disse-o um dia outra das inteligências pró-Acordo, "a oralidade precede a escrita". Se é assim, tirem o H a homem ou a humanidade que não faz falta nenhuma. E escrevam Oliúde quando falarem de cinema. A etimologia foi uma invenção de loucos, tornemo-nos compulsivamente fonéticos.
Mas há mais: sabem que acabou o café-da-manhã? Agora é café da manhã. Pois é, as palavras compostas por justaposição (com hífens) são outro estorvo. Por isso os "acordistas" advogam cor de rosa (sem hífens) em vez de cor-de-rosa. Mas não pensaram, ó míseros, que há rosas de várias cores? Vermelhas? Amarelas? Brancas? Até cu-de-judas deixou, para eles, de ser lugar remoto para ser o cu do próprio Judas, com caixa alta, assim mesmo. Só omens sem H podem ter inventado isto, é garantido.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

5 de Outubro, 1143: Tratado de Zamora

Paulo Mendonça, em Área Militar (5 de Outubro de 2006)

Comemora-se hoje, dia 5 de Outubro de 2006, o 863.º aniversario do tratado de Zamora.

Bandeira de Portugal em 1143
Nesta data, naquele ano do século XII, os selos reais, reconheciam pela primeira vez o Reino de Portugal, e D. Afonso Henriques como seu suserano.
A data é da maior importância para a História do País, dado representar e demonstrar no papel e em documentos escritos, a determinação de D. Afonso Henriques e dos homens livres, especialmente da burguesia da região de entre Douro e Minho, que nunca aceitou que a capital da antiga Gallaecia, situada em Braga, se tivesse transferido de Braga para a actual cidade de Lugo na Galiza, onde a nobreza visigótica estava protegida pelas muralhas romanas.
Desde aí, que a norte e a sul do Minho se criou uma cisão entre um povo outrora homogéneo, e que resultou numa guerra civil entre portugueses e galegos, que acabou com a separação e a criação do Reino de Portugal.
O Rei de Leão e Castela, um suserano medieval, tinha dificuldade em manter os seus vários domínios e preferia dar-lhes autonomia e garantir a sua lealdade que com a manutenção de unidades nacionais, que na altura não faziam sentido, como aliás não fazem hoje.
Com o Sul aberto à reconquista contra os árabes, o reino português teve por isso a possibilidade de se expandir para sul, atingindo o Algarve no século seguinte, e deixando o Reino de Leão enclausurado entre Portugal e Castela e marcando assim a sua destruição e absorção por parte do seu vizinho castelhano.
O Estado Português comemora no entanto a implantação da República Portuguesa. Um regime imposto aos portugueses por um golpe de estado feito contra a vontade do povo e do qual se aproveitaram organizações mais ou menos criminosas como a maçonaria, ou abertamente criminosas como a Carbonária, que dois anos antes tinha dado ordens para o assassínio do Monarca.
O golpe foi também dado com o objectivo a médio prazo e em conjugação com as organizações congéneres em Espanha, destituir a monarquia de Afonso XIII e criar finalmente a República Ibérica de raiz Hispânica.
De muitos pontos de vista, a comemoração do 5 de Outubro de 1910 é a comemoração de um crime, e a conclusão da primeira fase dos planos da Maçonaria portuguesa, propostos pela geração de 70, absolutamente crente que Portugal tinha chegado ao fim e que já nada restava que não fosse o suicídio e o desaparecimento do País.
Apenas alguns meses depois, começaram os primeiros contactos com a Inglaterra com vista a perguntar se esse país se oporia à absorção, e apenas a I Guerra Mundial complicou os planos da maçonaria, que no entanto aproveitou para enviar o exército para morrer na França, quando se sabia que o exército era essencialmente monárquico.
Numa altura em que de novo as organizações maçónicas de forma cada vez mais aberta conspiram para assassinar Portugal, é sintomático que se comemore o crime, e se esqueça o acto fundador na Nação a que temos orgulho de pertencer.
A República, embora não referendada, transformou-se em instituição legítima, mas a sua legitimidade ganharia se houvesse coragem de perguntar aos portugueses se de facto a querem, e se respeitasse a História do País, lembrando o acto fundador de 1143 e da conferência de Zamora, da qual resultou o tratado que transformou Portugal numa realidade até hoje.



terça-feira, 4 de outubro de 2011

A política faz-de-conta do contraterrorismo de Obama

Daniel Pipes
No início de Agosto, com trombetas e tambores, a Casa Branca disponibilizou um documento com directrizes sobre os métodos para prevenir o terrorismo, alegando ter demorado dois anos para ser elaborado. Assinado pelo próprio Barack Obama com a retórica alardeando "a força das comunidades" e a necessidade de "melhorar a compreensão da ameaça que o extremismo violento apresenta", o documento parece anódino.
Mas sob a capa, encontra-se uma abordagem contraprodutiva e perigosa quanto ao contraterrorismo. A importância desse trabalho consiste na sua firme posição no lado errado de três debates distintos sobre o contraterrorismo, com a direita responsável (e alguns liberais sensibilizados) de um lado e os islamitas, esquerdistas e multiculturalistas do outro.
O primeiro debate diz respeito à natureza do debate do problema. A direita responsável aponta para uma imensa ameaça, o islamismo, um movimento ideológico global que provocou cerca de 23 000 ataques terroristas no mundo desde o 11 de Setembro. Os islamitas negam que a sua ideologia gere violência e classificam esses 23 000 atentados como actos praticados por criminosos, loucos ou muçulmanos desorientados. Esquerdistas ocidentais e multiculturalistas concordam, trazendo sua formidável estrutura, criatividade, fundos e instituições para apoiar a negação da responsabilidade dos islamitas.

Peter King
Audiências realizadas este ano pela Câmara dos Deputados dos EUA ilustram esta diferença. Peter King (Republicano de Nova Iorque), presidente da Comissão da Segurança Interna, insistiu em lidar exclusivamente com a radicalização de muçulmanos. O democrata no mais alto posto no partido, Bennie Thompson do Mississipi, é uma excepção. Observa que "há uma variedade de grupos extremistas internos mais predominantes nos Estados Unidos do que os extremistas islâmicos, incluindo neonazis, extremistas ambientais, grupos contrários aos impostos e outros". Ele solicitou que as audiências sejam "um exame de base ampla sobre os grupos extremistas internos, independentemente de suas respectivas bases ideológicas".
King rejeitou o pedido, argumentando que "embora houvesse grupos extremistas e actos aleatórios de violência política através da nossa história, os atentados da Al Qaeda do 11 de Setembro e a ameaça permanente contra a nossa nação da Jihad Islâmica são singularmente diabólicas e ameaçadoras à segurança da América".
Bennie Thompson

O segundo debate diz respeito quanto à maneira de identificar o inimigo. Os partidos responsáveis e de Direita em geral, conversam sobre o islamismo, a jihad e o terrorismo, assim sendo, o relatório do Departamento de Polícia de Nova Iorque 2007, Radicalization in the West: The Homegrown Threat, (Radicalização no Ocidente: A Ameaça Autóctone) refere-se em sua primeira linha à ameaça "do terrorismo baseado no islamismo". Os islamitas e seus aliados falam sobre qualquer outro assunto - o extremismo violento, Al-Qaeda e as Redes Associadas (apelidada de AQAN), operação de contingência no exterior, desastres causados pelo homem e (o meu favorito) a "luta global pela segurança e o progresso". As forças do multiculturalismo realizaram profundas incursões: Uma inquirição do Departamento de Defesa dos EUA investigou o ataque em massa de 2009 no Ft. Hood realizado pelo major Nidal Hasan, que matou 14 pessoas e, o relatório a respeito, Protegendo a Força, não menciona o nome do terrorista nem reconhece sua evidente motivação islamita.
O terceiro debate diz respeito à resposta adequada. O público multiculturalista, da Esquerda Islamista, encontra a solução na parceria com os muçulmanos, juntamente com a ênfase nos direitos civis, processos justos, sem discriminação, boa vontade e impedimento de retrocesso. A Direita responsável concorda com essas metas, mas considera-as auxiliares à ampla gama de métodos militares e de imposição da lei, tais como espionagem, prisões, longas detenções, rendições, deportação, perseguição e encarceramento.
Nestes três debates encontra-se um relatório iludente da Casa Branca de 4.600 palavras, mal escrito, mal organizado, defendendo veementemente a posição islamita-esquerdista-multiculturalista.
A natureza do problema? "neo-nazis e outros grupos de ódio anti-semitas, de supremacia racial e grupos terroristas nacionais e internacionais".
O nome do inimigo? O papel em si jamais menciona o islamismo. Seu título, Fortalecendo Parceiros Locais para Evitar o Extremismo Violento nos Estados Unidos, evita mencionar até mesmo o terrorismo.
A resposta adequada? "Assim como respondemos às questões de segurança da comunidade [como a violência de gangues, tiroteios em escolas, drogas e crimes de ódio] por meio de parcerias e redes de funcionários do governo, prefeituras, policiais, organizações comunitárias e atores do sector privado, assim devemos abordar a radicalização para a violência e o recrutamento de terroristas por meio de relações semelhantes, aproveitando algumas das mesmas ferramentas e soluções".
Levantar questões de segurança comunitária revela a grave deficiência conceitual que o Los Angeles Times classifica como "implausível". O relatório elogia o "Modelo Abrangente sobre Gangues" do Departamento de Justiça, considerando-o uma estrutura flexível que "reduziu graves crimes relacionados a gangues". Bela notícia na batalha contra as gangues! Mas gangues executam operações criminosas e a violência islâmica é guerra ideológica. Membros de gangues são arruaceiros, os islamitas são fanáticos. Compará-los distorce o problema com o qual estamos lidando. Sim, ambos usam de violência, mas aplicar a técnica de um no outro é o mesmo que pedir aos pasteleiros que aconselhem o corpo de bombeiros.
A frase que começa com Fortalecendo, que reconhece o perigo do islamismo, e fixa-se num pequeno grupo, assevera que a"Al-Qaeda e suas filiadas e partidárias representam a principal ameaça terrorista ao nosso país". Ela ignora os restantes 99 porcento do movimento islamita que nada tem a ver com a Al-Qaeda, como o movimento Wahhabi, a Irmandade Muçulmana, Hizb ut-Tahrir, o governo iraniano, Hamas, Hisbolá, Jamaat ul-Fuqra, sem falar nos assim chamados solitários. A republicana Sue Myrick (republicana da Carolina do Norte) observa correctamente que o documento "levanta mais perguntas.... do que oferece respostas".
As raízes intelectuais do Fortalecimento tiveram início numa iniciativa fundada em 2004 por George Soros, o Promising Practices Guide: Developing Partnerships Between Law Enforcement and American Muslim, Arab, and Sikh Communities (Guia de Práticas Promissoras: Desenvolvendo Parcerias Entre os Agentes da Lei e as Comunidades dos Muçulmanos Americanos, Árabes e Sikh) por Deborah A. Ramirez, Sasha Cohen O'Connell e Rabia Zafar. Esses autores apresentaram a sua visão de forma inequívoca: "As ameaças mais perigosas nessa guerra [contra o terrorismo] estão arreigadas na bem sucedida propagação do medo e do ódio direccionados contra culturas e povos com os quais não estamos acostumados". A ameaça mais perigosa de todas, segundo o comunicado, não é o terror islamita, com os milhares de fatalidades mas sim um suposto preconceito amplamente difundido por americanos contra as minorias. Conforme destaquei em 2004, "O guia pode apresentar-se como ajuda ao contraterrorismo, mas o seu verdadeiro propósito é o de desviar a atenção da segurança nacional para privilegiar algumas comunidades em especial".
Embora o documento inquestionavelmente enfatize os valores constitucionais americanos e a necessidade de se fazer parcerias com os muçulmanos, não diz uma palavra sequer sobre a necessidade de se distinguir entre muçulmanos islamitas e anti-islamitas. O Fortalecimento refina o deplorável facto dos islamitas dominarem a liderança dos americanos muçulmanos organizados e que seus objectivos se identificam mais com os terroristas do que com o contraterrorismo. O temor justificado do republicano King de que o documento da Casa Branca condena a "legítima crítica no que diz respeito a determinadas organizações ou elementos radicais da comunidade muçulmana americana", algo imperativo para que se possa distinguir amigos de inimigos.
Realmente, a disposição da administração Obama em fazer parceria com muçulmanos que rejeitam a ordem constitucional explica as exultantes respostas das organizações islamistas a este documento. O Council on American-Islamic Relations (Conselho de Relações Americano Islâmicas), uma organização de fachada que apoia o terrorismo, tece elogios ao referido documento como "objectivo e holístico", o Conselho Muçulmano de Relações Públicas de mesma linha, considerou-o "muito útil".
Em contrapartida, Melvin Bledsoe, pai do convertido ao islamismo Carlos Bledsoe, que em 2009 alvejou e matou um soldado no centro de recrutamento militar em Little Rock, Arkansas, disse o seguinte: "Enquanto escamotearem, nunca irão resolver o problema". Ed Husain do Conselho de Relações Exteriores classificou-o de "pouco preocupante", tendo sido concebido principalmente com o intuito de "não ofender os muçulmanos".
Em suma, uma organização ligada a terroristas extasia-se quanto ao faz de conta da política contraterrorista da administração, enquanto o pai lutuoso de um terrorista desconsidera-o com escárnio. Isso nos diz tudo.
E agora, o que fazer com a consagração de um estudo ornamentado como política nacional? Não há atalhos: aqueles que desejam uma genuína política de contraterrorismo precisam actuar para afastar a esquerda e os multiculturalistas do governo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Os barretes do Barreto
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Ignorante ou mentiroso?

Heduíno Gomes
António Barreto vai facturar mais uns cobres na televisão. Ele vai mais uma vez explicar-nos, a nós, Portugueses, «quem somos»...

O editor de livros a defender os invertidos, na apresentação da sua série televisiva, começa por, com aquele ar dramatico-sofredor, declarar que 400 mil diplomados no ensino superior ainda é pouco. Pelos vistos, o crânio acha que as caixas dos hipermercados ainda têm poucas doutoras! 
Ignorante ou mentiroso, eu?!
Continuando, afirmou que, quando nasceu, havia em Portugal 40% de analfabetos, que «se dizia que se lutava contra o analfabetismo mas que não se fazia nada».
Será que o crânio que vomita números «científicos» por todo o lado não conhece as estatísticas da educação do século XX, que até constam na tese de doutoramento da Filomena Mónica (a provar o contrário do que a senhora doutora pretende, pelo que não é uma tese de doutoramento mas uma antítese...)?
Quando é que este intelectualóide dos anos 60 -- que continua a analisar os factos pela bitola do Rumo à Vitória de Cunhal -- deixará de intoxicar as novas gerações com a sua pseudo-ciência social?
Ignorante ou mentiroso? Ou talvez as duas coisas pois é demais para ser só ignorância.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Regionalismos, autonomias & independências

Heduíno Gomes
Conhecemos o argumentário «colonial» dos independentistas da Madeira ou Açores, na versão mais boçal ou mais intelectual. Como se no continente não tivesse havido e não houvesse ainda pobreza, toda ela resultante do atraso estrutural de Portugal, toda ela da responsabilidade dos políticos do prec, da I República, do século XIX e por aí atrás.
Dito isto, há que reponderar a «brilhante» ideia autonómica de Sá Carneiro. Está à vista a que tal originalidade conduziu: localismo exacerbado, demagogia do «colonizado», clientelismo e caciquismo, faraonices, chulice financeira ao cont’nent’, chantagem política, apologia do independentismo, ataque à unidade nacional.
Mas não será racional, dada a descontinuidade dos territórios adjacentes em relação ao continente, atribuir-lhes certas autonomias administrativas? Claro que sim, apesar das comunicações de hoje diluírem as distâncias. Mas, atenção, o mesmo argumento dos autonomistas se poderá aplicar aos outros grupos de ilhas do arquipélago dos Açores em relação a Ponta Delgada, pelo que cai logo por terra a razão de ser de uma e não três regiões autónomas nos Açores. A loucura não tem limites. Pois se o Relvas fez um mapa para a chamada «regionalização» que contemplava a terra dele como centro de uma região…
Que estatuto deveriam então ter as ilhas adjacentes?
A solução mais equilibrada é afinal a tradicional, anterior à grande originalidade de Sá Carneiro, eventualmente com alguma actualização: um distrito no arquipélago da Madeira e três distritos no arquipélago dos Açores correspondendo aos três grupos do arquipélago. A actualização seria termos distritos autónomos em vez de comuns.
Claro que a isto se opõem os manipuladores da política, os caciques locais que pretendem a desintegração do Estado, tanto nas ilhas como no continente, e que não se calam com a dissolução dos distritos e criação de regiões para alimentar a classe política local.
Já chega administração do território à medida da classe política dos Cavacos, Dias Loureiros, Duartes Limas, Coelhos (ambos), Relvas, Santanas, Sócrates, etc., etc., etc., etc., etc.!

domingo, 25 de setembro de 2011

A adequada resposta da Nação à chantagem do primitivo

C. da Câmara
No meio de algumas verdades sobre a classe política e outras, Alberto João Jardim utiliza sistematicamente, além do seu primitivo comportamento, a chantagem da independência da Madeira. Ora tal ideia nem a brincar deve ser alvitrada.
A resposta a tal irresponsabilidade deve ser claramente dada pelas Forças Armadas portuguesas, nomeadamente pela Armada. Para que as veleidades acabem.



sábado, 10 de setembro de 2011

Não esquecemos!

Polémica por doador de esperma ter 150 filhos
nos Estados Unidos

O diário New York Times difundiu esta semana a história de Cinthya Daily, uma mulher que descobriu que o bebé que concebeu há sete anos com sémen de um doador tem pelo menos 150 meio-irmãos, um caso que evidência como o milionário negócio da fecundação artificial está fora de controlo.



Ler mais em:

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Educação
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Da doença mental pedagogista e igualitarista
ao egoísmo liberal

Heduíno Gomes
Vivemos há decénios sob o domínio dos doentes mentais pedagogistas e igualitaristas na educação, que produziram a miséria de ensino que conhecemos. Eis que agora os liberais ganham fôlego e pretendem tomar o seu lugar para conduzirem o sistema à anarquia total (sim, ainda é possível haver mais anarquia do que a que existe!), bem calculada ao sabor dos interesses do complexo pedagogico-industrial e das famílias com posses para colocar os seus rebentos nos colégios ricos.
Curiosamente, esta guerra tem vindo a ser especialmente travada por um certo número de católicos de salão atrás do «Fórum para a Liberdade de Educação», que assim demonstra bem os seus sentimentos caridosos a coçar-se para dentro. Esta seita pseudo-cristã está-se simplesmente borrifando para uma estratégia nacional, para um sistema nacional de ensino de qualidade para todos e ainda mais para as crianças e jovens que não sejam os seus. Agora, a esses católicos de salão juntam-se as hostes liberais.
Que pretendem eles?
Demos a palavra ao liberalóide João Carlos Espada, que, em recente artigo no Público, sintetiza o pensamento de Nuno Crato, igualmente expresso no livro Mudar, de Passos Coelho.
1 – Na educação tem de haver «concorrência». «A chave do milagre sueco chama-se concorrência.» – suposto milagre, dizemos nós.
2 – O Estado não tem nada a ver com a educação – dentro da paranóica perspectiva liberal.
3 – Cada chafarica deve poder instituir o seu sistema de ensino, portanto sem sistema nacional, sem plano estratégico nacional, sem sistema nacional de ensino. A palavra mágica é «autonomia das escolas» – não apenas nos aspectos administrativos mas em tudo, incluindo os curriculares, exames, etc.
Voltaremos oportuna e abundantemente ao assunto. Entretanto, ver:
http://maislusitania.blogspot.com/2011/03/perolas-dos-nossos-politicos-e_08.html
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Vítor gastar

João Cândido da Silva

Há por aí um "reality show" em que ganha quem conseguir perder mais peso durante o tempo de duração do concurso.


Há por aí um "reality show" em que ganha quem conseguir perder mais peso durante o tempo de duração do concurso. Entre os contribuintes e o Estado, decorre há vários anos uma competição semelhante. O problema é que não jogam todos com as mesmas regras.
Neste passatempo desequilibrado, uns têm de emagrecer mesmo que não queiram ou não possam. E enquanto definham, o mais anafado de todos os concorrentes não só decide como, quando e quanta massa devem os outros perder, como se permite continuar a engordar ao ritmo das promessas sucessivas de que amanhã é que há-de começar a fazer dieta. O problema é que o amanhã nunca chega.
O documento de estratégia orçamental apresentado pelo ministro das Finanças tem, pelo menos, uma virtude. Mostra como as metas de redução do défice e da despesa pública inscritas em sucessivos programas de estabilidade e crescimento nunca foram cumpridas. Os governos sucederam-se desde a adesão de Portugal à Zona Euro, as garantias de que a doença das finanças públicas iria ser alvo de extermínio também foram renovadas ano após ano, mas nem o Estado emagreceu, nem os contribuintes deixaram de ser explorados, sempre a caminho de ficarem apenas com pele e osso.


Em todos estes anos que já se contabilizam por uma década, o Estado traçou metas reluzentes de saneamento das suas contas, mas alimentou falsas expectativas e foi sempre cedendo às tentações que lhe foram lançadas ao caminho pelos grupos de pressão. Portou-se como a vítima de obesidade que bebe um copo de leite magro ao pequeno-almoço para ajudar a engolir a bola de Berlim com creme. Isto nos dias de apetite moderado.
O documento que estabelece os objectivos da política orçamental para os próximos anos promete, novamente, romper com o círculo vicioso que matou a credibilidade do país e que o força, agora, a um internamento de desintoxicação. A análise da informação permite perceber que, já este ano, o contributo da redução da despesa para reduzir o saldo negativo das finanças públicas será superior ao que virá da receita, apesar do golpe que o Governo se propõe perpetrar nos bolsos de quem sustenta as administrações públicas. E conclui-se, também, que esta tendência se manterá até 2015.


A experiência passada aconselha a que se veja para só depois se poder acreditar. E uma atitude prudente como esta ainda ganha mais justificação caso se recorde que, antes de chegarem ao poder, os seus actuais inquilinos despachavam a resolução dos problemas com o vago combate ao desperdício e aos gastos injustificados, tendo já ficado claro que a primeira coisa que não quiseram desperdiçar foi a oportunidade de sacar mais dinheiro onde este estava a jeito de ser sugado.
A meta de chegar daqui a quatro anos com o défice próximo do zero é ambiciosa. Nunca foi atingida num regime democrático que inscreveu no seu código genético a original equação que permite distribuir riqueza antes, mesmo, de esta ser criada e que se transformou numa espécie de derradeira república socialista soviética, com uma economia devastada.

Para inverter o trilho de empobrecimento e libertar recursos para retomar uma trajectória de crescimento, é preciso, desta vez, que o candidato mais necessitado de fazer dieta cumpra de forma escrupulosa os objectivos que anunciou. A esperança que resta é que o ministro das Finanças não queira chegar ao final do mandato com a alcunha de "Vítor gastar".
 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A mais grave das crises

Pedro Vaz Patto
Pouco a pouco, vai crescendo a consciência da crise demográfica que atravessamos, em Portugal e na Europa. Trata-se de uma crise estrutural que, mais do que a crise financeira, compromete o nosso futuro. Aliás, o próprio financiamento do Estado há-de ser cada vez mais problemático, face ao aumento das despesas e à diminuição das receitas que o envelhecimento da população necessariamente acarreta.
O programa do actual governo aborda a questão, apontando para um debate nacional a seu respeito, mas não indicando soluções concretas e imediatas. O ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, no livro Portugal na Hora da Verdade (Gradiva, 2011) realça a dimensão estrutural do problema e sugere algumas medidas, salientando que as despesas que possam envolver são necessárias, em contraste com as muitas sugestões de eliminação de despesas públicas que também constam desse livro. Mas essas medidas são ainda pouco precisas ou insuficientes.
A imigração poderá atenuar o problema por algum tempo, mas não o resolverá: porque seria necessário um número de imigrantes muito superior àquele que as sociedades europeias estão preparadas para acolher; porque os imigrantes também tendem a reduzir o número de filhos e porque Portugal parece ter deixado de ser destino privilegiado de migrações (parece até que voltou a ser país de emigração).
Não será certamente a atribuição isolada de subsídios por ocasião do nascimento de crianças a influenciar a decisão de ter filhos. Há outros exemplos bem sucedidos de políticas que favorecem a natalidade. O sistema fiscal francês, por exemplo, assente no chamado quociente familiar (a fixação de taxas em função do rendimento dividido pelo número de filhos), associado a outras medidas, contribui para uma taxa de natalidade das mais elevadas (ou das menos baixas) da Europa. Assim também o regime de licenças de paternidade e maternidade na Suécia.
Há que favorecer a conciliação entre o trabalho e a vida familiar. E há que contrariar a tendência crescente para a precariedade laboral: nesse contexto a decisão de ter filhos é natural e permanentemente adiada.
Mas a chave da resolução do problema reside noutro plano. Por muito generosas e adequadas que sejam as medidas económicas e sociais de promoção da natalidade, elas não serão suficientes. Essa chave situa-se no plano da cultura e da mentalidade. Nenhuma das políticas acima referidas permitiu a algum dos países da Europa atingir uma taxa de natalidade que garanta a renovação das gerações. Dados recentes indicam que a queda da natalidade na Alemanha, uma das mais sólidas economias europeias, com generosas políticas de fomento da natalidade, não deixa de se acentuar.
Se olharmos à nossa volta, vemos que as famílias que optam por um número de filhos acima da média não o fazem por ter mais recursos ou facilidades do que as outras. Fazem-no, na maior parte dos casos, por uma opção consciente em favor da vida.
Antes de mais, há que acreditar na família como um projecto duradouro, assente num compromisso de doação total, não na volatilidade dos sentimentos. Só nesse contexto é razoável a decisão de ter filhos. As mais recentes alterações legislativas, que facilitam em extremo o divórcio e fazem do casamento o mais instável dos contratos, veiculam uma mensagem cultural de sinal contrário. Há que contrariar esta e outras mensagens deste tipo.
Importa contrariar a mentalidade que acentua o individualismo e rejeita os incómodos e sacrifícios que os filhos necessariamente acarretam. Mas há também uma mentalidade de aparente altruísmo que importa contrariar. A que se nota em expressões como esta: «aos meus filhos quero dar o melhor, e só posso dar o melhor a um». O melhor que se pode dar aos filhos é, porém, a possibilidade de conviver com vários irmãos, e assim beneficiar da melhor escola de socialidade (com as dificuldades inerentes a qualquer socialidade -- é certo).
Saber que a vida é sempre um dom que compensa todos os sacrifícios – só com esta consciência pode ser vencida a crise da natalidade.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

As maravilhas do liberalismo


O alarve da Argentina

Lembram-se do Menem da Argentina? Vejam como, agora por aqui, as palavras são as mesmas! E os resultados serão (já estão a ser), naturalmente, os mesmos!

O alarve de cá
Ver o vídeo:


 

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Cavaco e a defesa da família

Heduíno Gomes
Já sabíamos que Cavaco promulgou sem tossir leis abjectas contra os valores da família natural e da vida – aborto e chamados «casamentos» entre invertidos. Sem tossir.
Agora o sujeito quer massacrar as famílias com impostos sobre as sucessões, aquilo que naturalmente deveria passar de geração em geração, e que representa afinal uns tarecos para a esmagadora maioria das famílias portuguesas. Como é sabido, para se safarem desse massacre, os grandes arranjam sociedades anónimas e outros artifícios…
É o tecnocrata Cavaco em todo o seu esplendor.
Mas atenção! Ele também sabe defender a família! A sua!
Vejam lá se ele próprio não pensou em si e na sua família quando se serviu do PSD…
Vejam lá se ele não comprou umas acçõezitas baratas…
Vejam lá se ele não pôs também a filha a comprar umas acçõezitas baratas…
Vejam lá se ele não transmitiu essa sabedoria ao seu genro, Luís Montez, para sacar umas massas para a família mesmo à custa de arrastar os jovens de outras famílias para a degradação moral (alcoólica e não só) nesses antros «musicais» que promove… (Se o sogro não transmitiu ao genro, então é porque se juntou a fome à vontade de comer.)




sábado, 27 de agosto de 2011

Sem populismo...
........... mas com decência!!!


É preciso que se saiba:
...Os portugueses comuns (os que têm a sorte de ter trabalho) ganham cerca de
metade (55%) do que se ganha na zona euro. ...
Mas os nossos gestores recebem, em média:
Mais 32% do que os americanos.
Mais 22,5% do que os franceses.
Mais 55 % do que os finlandeses.
Mais 56,5% do que os suecos.
...E são estas "inteligências" que chamam a nossa atenção afirmando:
"Os portugueses gastam acima das suas possibilidades".

Os patos sentados

João Cândido da Silva, Jornal de Negócios
Os milionários norte-americanos e europeus estão a sofrer um ataque de generosidade?
Os milionários norte-americanos e europeus estão a sofrer um ataque de generosidade? Ou será que a actual crise ameaça torná-los tão pobres quanto quaisquer outros cidadãos, o que os motiva a voluntariarem-se para serem mais castigados pelo cobrador de impostos?
O mais provável é que "sim" seja a resposta correcta para as duas questões. E que Warren Buffett, que se queixou de o Fisco dos Estados Unidos dar demasiados mimos aos bilionários, ou os franceses ricos, que divulgaram uma petição a pedir a Nicolas Sarkozy que lhes lance um imposto especial, estarão a proceder à fusão perfeita entre a defesa dos seus interesses e uma atitude de louvável altruísmo.
Acontece que o excessivo endividamento e os elevados défices públicos que pairam como abutres sobre várias economias desenvolvidas estão a ser combatidos com remédios que comprometem, no curto prazo, o crescimento da economia. A confiança deteriora-se, o consumo abranda, os volumes de negócios das empresas encolhem e os activos em que estão aplicadas as grandes fortunas das economias desenvolvidas desvalorizam-se.
Um cenário de conflitualidade originado pelas medidas de austeridade que visam corrigir os erros acumulados é a cereja no topo de um bolo que se adivinha azedo antes, mesmo, de ser provado. As crises geram oportunidades, mas também estão repletas de nuvens negras no horizonte. E se há aspecto que não favorece um bom clima económico é a instabilidade política e social, como qualquer bilionário sabe, quer tenha construído a fortuna à custa do seu esforço ou a tenha simplesmente herdado.
A paciência e a capacidade de sacrifício têm limites. E as medidas que pretendem reequilibrar as finanças públicas e corrigir o trajecto da dívida apostam nas decisões que produzem efeitos mais rápidos, como se vê pelo exemplo de Portugal. As promessas de cortes na despesa para cumprir mais tarde surgem de mão dada com aumentos da carga fiscal que são para aplicar já e sem contemplações. Os maiores apertos caem sobre a classe média e sobre os rendimentos do trabalho. Mas o capital, num mundo globalizado, tem uma mobilidade que lhe permite escapar à dor.
Para os milionários que se estão a oferecer para pagarem uma parte da crise a questão não se colocará, a não ser que a sua hipocrisia viesse a revelar-se proporcional ao valor do seu património. Mas, se um imposto sobre grandes fortunas pode ser perfeitamente justificável sob o ponto de vista da solidariedade numa conjuntura espinhosa para ricos, pobres e remediados, também comporta riscos. A experiência francesa fala por si.
Em meados da década passada, o próprio Governo gaulês reconhecia que a tributação das grandes fortunas tinha levado a que o dinheiro arrecadado pelo Fisco fosse muito inferior ao que voou do país para outros lugares onde a riqueza era tratada com maior simpatia pela administração dos impostos. A certa altura, em média, um milionário por dia abandonava o solo francês para se instalar na Bélgica ou no Reino Unido, onde o seu dinheiro e a sua criatividade empreendedora eram bem-vindos.
Circunstâncias excepcionais exigem medidas excepcionais. Aplicar uma tributação especial sobre os cidadãos mais favorecidos, sobretudo quando estes se mostram disponíveis para o corte de cabelo, pode corresponder à necessidade de distribuir os sacrifícios por toda a sociedade. Mas o perigo de a medida se tornar contraproducente é elevado, a prazo, por causa da ameaça de fuga de capitais.
Em Portugal, os riscos são ainda maiores. Por um lado, porque a perspectiva de apanhar receitas adicionais fáceis de obter é um desincentivo ao combate à fraude e evasão num país em que a economia paralela anda no intervalo entre um quarto e um quinto do produto interno bruto. Depois, o Fisco português dá mais prioridade à cobrança voraz do que à justiça dos critérios com que actua. Rico, para os homens dos impostos indígenas, não é quem tem muito dinheiro mas quem o tem ao alcance do apetite fiscal, como um pato sentado à espera de levar um tiro.




sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O Dia da Infantaria e o discurso que não houve

João José Brandão Ferreira
Comemorou-se mais uma vez – e resta saber até quando se irá comemorar – o 14 de Agosto, dia da Infantaria e aniversário da Batalha de Aljubarrota, onde se evoca o patrono da Arma, o Condestável D. Nuno Álvares Pereira, em boa hora santificado por S. Santidade o Papa Bento XVI.
Quase ninguém deu pela data (nem sequer a população de Mafra, onde se realizou a cerimónia) e os poucos que deram, foi porque o Ministro da Defesa (MDN) foi lá e alguns jornalistas foram no seu encalço.
Cerimónia militar digna, certinha e austera, com um bom discurso do Director Honorário da Arma, Tenente General Vaz Antunes e a ausência das “patrulhas Nun’Àlvares” (uma competição desportivo/militar entre representantes de todas as unidades de Infantaria), por … já não haver verba.
O Ministro esteve presente e a sua presença e palavras merecem alguns comentários.
Em primeiro lugar por ter assumido, desde logo, as medidas que foram tomadas na mesma semana – a proibição do início do ensino básico no Colégio Militar; o congelamento das promoções e a suspensão/revisão dos últimos acertos remuneratórios - e a afirmação de que dará a cara pelo que se vier a passar - é um acto de coragem e de carácter que abona a figura do Ministro. Quer se concorde ou não com as medidas.
De facto as medidas anunciadas e o modo como foram feitas são infelizes e intoleráveis. Fica já retribuída a frontalidade.
Só relativamente ao CM, há qualquer coisa que ainda me escapa… Ressalta, por seu lado, mais uma vez, a “ingenuidade” com que os militares lidam com os políticos tomando-os, maioritariamente, por pessoas de bem…
Voltando ao discurso do Sr. Ministro: mandou o governo anterior pedir desculpa aos militares, mas não especificou exactamente em quê? (bom, a lista é enorme…). Veremos como estará este governo, no fim do seu ciclo. As recordações dos governos PSD/AD, relativamente à Defesa Nacional, não são nada boas conseguindo, em muitas áreas, ser ainda piores do que os socialistas!
E as recentes tomadas de posição de uns e outros, vão no sentido de passar para a opinião pública que as FAs se comportam como um “Estado dentro do Estado”, jogando em atitudes de “facto consumado” e a quererem eximir-se aos sacrifícios que estão a ser exigidos ao país na actual situação de crise financeira e económica.
Ora os militares cumprem a lei – ao contrário de anteriores governos - estão fartinhos de dar para este peditório, vai para uns 25 anos – enquanto a maioria da população e sobretudo toda a classe política e empresarial do Estado, folgava sem baias, critério ou senso.
Por isso, senhor ministro, vão ter que pedalar muito até que possam ter moral para se exibirem como réstia de exemplo. E, já agora, não fica bem alegar a “troika” como desculpa para as medidas tomadas ou a tomar. A troika não devia dar ordens no nosso país, e o âmbito da soberania devia ser para eles, estritamente “off limits”.
Neste particular todos os militares deveriam fazer o máximo de oposição.
O inteligente D. Quixote
O seu discurso, Dr. Aguiar Branco, até estava a ser enxuto, mas terminou mal. Lembro-me de ter ouvido dizer algo como isto: “Estou plenamente convencido de que as FAs e os militares cumprirão todas as suas missões, quaisquer que sejam os meios de que disponham”.
Eu não sei se o MDN teve tempo para reler o que escreveu e só posso concluir pela negativa, pois ninguém no seu estado normal, diria uma barbaridade daquelas. É que mesmo em tempo de guerra, as cartas de comando estipulam, normalmente, que o combate decorrerá “até ao esgotamento dos víveres e munições”…
É certo que o posicionamento e discurso público, das chefias militares dos últimos – seguramente – 20 anos, tem ajudado a esta “festa”. Porquê? Porque aceitaram sempre os cortes efectuados, sem oposição que se visse (lembro-me apenas do Alm. V. Matias); bateram sempre na tecla do fazer mais com menos; mais e melhor; poupar, racionalizar, encaixar danos.
Nunca pararam nada; nunca afirmaram publicamente constrangimentos, receios ou perigos; nunca traçaram uma fronteira. Com medos e receios vários, recusaram sempre assumir que não há “dinheiro a menos, mas missão a mais”, quando não fizerem pior, que foi desentenderem-se uns com os outros, em vez de se darem as mãos.
Ora estas atitudes só têm dado razão e encorajado os políticos a cada vez mais estrangularem o aparelho militar da Nação. Isto tem sido assim e desafio seja quem for a desmentir-me.
Por tudo isto o discurso, que faltou, reza assim:
“Oficiais, sargentos, praças e civis aqui presentes, caros camaradas, três palavras apenas.
O nosso país, Portugal, está colocado numa das mais perigosas esquinas da sua vetusta História. Quer isto dizer, inclusive, que a nossa sobrevivência como entidade, individualizada no concerto dos povos e respectiva identidade, está em perigo real.
Segundo, as FAs, à parte do facto de terem dado origem ao actual regime, em 25/4/74, por acção ou omissão, não têm quanto à situação presente qualquer responsabilidade.
Terceiro, as FAs, como instituição nacional por excelência, têm sido reduzidas, desvirtuadas, diminuídas e atacadas, sem descanso, nos últimos 30 anos. Têm aguentado com estoicismo e no cumprimento da lei e do dever militar, todos os constrangimentos financeiros, administrativos e em pessoal, determinados pelo poder político, bem como, as tentativas de subversão soezes, nos seus fundamentos e na sua dignidade, por numerosos políticos, meios de informação e pessoas individuais e colectivas.
Porém, a sua postura que se pretende ética – sem embargo dos desentendimentos corporativos que nos têm prejudicado e dividido – colocaram a Instituição Militar no limiar da sobrevivência. Ora tal não é de todo aceitável nem admissível, pois põe em causa a perenidade da Pátria.
Por último, os militares e as FAs conscientes dos perigos da situação actual, não declinarão as suas responsabilidades últimas na defesa da independência da Nação quer a ameaça venha de fora ou se desenvolva no seu seio, e em serem o último garante da unidade do Estado.
E assim o devemos afirmar e defender como manda o lema da Escola Prática de Infantaria: “AD UNUM”, até ao último”.
Este discurso não foi feito e nenhum chefe militar, certamente, alguma vez o fará – embora fique aqui já feito.
Mas vai, mais tarde ou mais cedo, ter que ser intuído e assumido.

 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Reunião de apresentação do elmo de D. Sebastião

No dia 7 de Agosto, teve lugar na Quinta Wimmer, em Belas, uma reunião de apresentação do elmo do rei D. Sebastião.
Foram palestrantes o embaixador Jorge Preto («D. Sebastião e o mito lusíada que ele inspirou»), Rainer Daehnhardt («O regresso do elmo e o que as ‘feridas’ nos contam») e o Ten. Cor. Pilav. João José Brandão Ferreira («A importância do reaparecimento do Elmo de D. Sebastião na nossa geração»). Houve simultaneamente uma exposição de objectos ligados à temática de D. Sebastião, de contextualização da sua época, e de 18 ampliações de fotografias “a mostrar os 89 golpes de armas brancas e os embates de fragmentos de uma granada sofridos”.



«Morrer sim, mas devagar»

A IMPORTÂNCIA DO REAPARECIMENTO
DO ELMO DE D. SEBASTIÃO
NA NOSSA GERAÇÃO
João J. Brandão Ferreira
Passou a ser recorrente, entre nós, atacar a figura do nosso rei D. Sebastião – nome único entre todos os nossos reis e também no mundo – que de “Desejado” por todos, como ficou para a História, passou a ser considerado, por muitos, como o símbolo do erro e da leviandade.
Tudo porque arriscou uma partida difícil e perdeu uma batalha que quase esteve ganha. Acaso a tivesse ganho seria hoje um herói?
Creio que aquela imagem começou a ser construída no século XIX, pela historiografia emergente da Convenção de Évora - Monte, quase toda ela Liberal e Maçónica, e que se prolongou pela I República, da qual também saiu ferido o infeliz rei D. João VI, cuja figura está a ser lenta e justamente recuperada.
Não nos fica bem tratar, deste modo, o jovem Rei – Menino, que parece, afinal, ter morrido velho… Em primeiro lugar porque a jornada de África, sendo discutível, não era desprovida de nexo estratégico. Não acreditamos que se tratasse de ocupar todo o Marrocos – para o que, sozinhos, nunca disporíamos de forças suficientes – mas sim jogar em apoios que permitissem deter o Império Otomano em rápida expansão nos Balcãs e no Norte de África, onde já tinham chegado a áreas argelinas – lembra-se que os Turcos só foram parados às portas de Viena em 1529 e, mais tarde, em 1683.
Lembro ainda que a batalha de Lepanto, que quebrou a expansão naval turca, no Mediterrâneo, se dera, em 1571. O perigo não tinha findado, porém, recordando-se a acção dos Cavaleiros do Santo Sepulcro de Jerusalém, a partir da ilha de Malta (e a importância da ajuda nacional nesse âmbito), e a decisiva contribuição da esquadra portuguesa na vitória do Cabo Matapam, contra os Turcos, em 1707, 130 anos depois de Alcácer Quibir…
Acresce a tudo isto o constante perigo que representava para a navegação cristã (e para as populações do litoral), a pirataria Berbere e também a “concorrência”espanhola, que cada vez intervinha mais no litoral norte africano, desde Carlos V, como são exemplos os ataques a Tunis e Argel, onde também participaram fortes esquadras portuguesas.
No Reino também se assistiu a uma mudança de política, relativamente à ideia de abandono de praças em Marrocos, posta em prática no reinado de D. João III, sobretudo após as Cortes de 1562 e da extraordinária defesa ao formidável cerco que os Mouros puseram a Mazagão, nesse mesmo ano.
A situação política em Marrocos era, outrossim, favorável: havia guerra civil e um dos principais contentores aceitou fazer uma aliança com Portugal.
É certo que o monarca português cometeu erros, sendo o maior de todos, o de se colocar à testa do Exército sem ter assegurado descendência – embora tal se devesse, em muito, à pressão dos acontecimentos; não avaliou bem as intenções do seu tio Filipe II, de Espanha – que o traiu – e, durante a batalha foi mais um combatente voluntarioso em detrimento da acção de comando na direcção da contenda.
Mesmo a critica de se ter afastado da costa perdendo assim a protecção da frota não colhe, já que o ataque a Larache, um dos principais objectivos da expedição, era muito difícil de fazer por mar, para o que se contava com os 50 navios e os 5000 homens prometidos por Filipe II, e que nunca vieram. Já o “timing” da expedição, no pino do verão marroquino, é menos sustentável, se bem que decorresse dos atrasos sucessivos a que a prontidão do Exército foi sujeita. Houve também dificuldades de recrutamento de tropas, sobretudo no Norte de Portugal, o que obrigou ao recurso de mercenários alemães, italianos e espanhóis o que tornou o Exército algo heterogéneo. A carriagem era, ainda, muito pesada tornando difíceis as deslocações.
Sem embargo, Sebastião não nos desmereceu: começou por preparar a campanha com antecedência, para o que reformou toda a legislação militar, incluindo a primeira concepção moderna de serviço militar obrigatório; depois, combateu bem e com denodo; deu o exemplo, e pagou com a vida ou o desterro – e tudo indica que foi esta última hipótese que ocorreu – a sua audácia e crenças. Dele disse o grande Mouzinho, na sua esplêndida carta ao Príncipe D. Luís Filipe: “…mas a morte de valente, expiatória e heróica, redime os maiores erros. Bem merece ele o nome de soldado…”
O desfecho da batalha pode não redimir totalmente a figura do jovem Rei, mas salvou para sempre a sua imagem. De tal modo que se entranhou no imaginário nacional, um peculiaríssimo estado de alma – à revelia de toda a racionalidade - e que só os portugueses entendem: o “sebastianismo”, essa saudade das glórias passadas, misturado com a esperança da redenção do porvir.
Deve ainda ter-se em conta que não foi por D. Sebastião ter sido derrotado em Alcácer Quibir, que Filipe II se apoderou da coroa portuguesa – a nossa Marinha, por ex., ficou intacta: foi pelo caquectismo e pusilanimidade do velho Cardeal D. Henrique, e porque a maioria do alto clero e alta nobreza se deixou seduzir e corromper pelos ideais iberistas e pela prata de Sevilha! Uma lição de que nos deveríamos lembrar hoje, todos os dias…
Em síntese, apesar da sua pouca idade em Alcácer – 24 anos – D. Sebastião não nos deixou ficar mal, não fugiu, não desertou do combate, não traiu. Deu o exemplo, pôs-se à frente das tropas, combateu com bravura, não desmereceu dos seus maiores, não envergonhou a nobreza, o clero e o povo. Sebastião agiu de boa mente e com boas intenções.
Não era um “louco”ou um doente com deformações, como quiseram fazer crer. O seu reinado tinha sido um bom reinado: ocorreram um número elevado de vitórias militares, em três continentes; estabeleceram-se muitas medidas para o saneamento da economia e finanças e, até, da moral e dos costumes, e o próprio Rei se interessou pessoalmente pela administração da Justiça.
Ao contrário do que também quiseram fazer crer, o jovem rei não era incapaz de conceber e não se opôs a casar-se. Opôs-se sim, a casar com quem lhe destinavam e, ou, nos moldes em que o propunham. Neste âmbito é necessário recordar toda a má política seguida por seu tio, o sempre presente Filipe II.
O “Desejado”passou, desde o seu desaparecimento, a representar a esperança da redenção da Pátria, de tal modo que o povo se recusou sempre a acreditar, contra tudo e contra todos, na sua morte.
A sua figura foi um pilar fundamental da resistência à usurpação filipina e inspiradora da Restauração da Independência; foi um sustentáculo da Fé e da coesão, foi a luz que nunca se extinguiu no fim da esperança. “Da Lusitana antiga liberdade…” no dizer de Camões.
Configurou o mito da Fénix renascida, agregou vontades e deu um sentido para o futuro; ao mesmo tempo que ajudava a suportar os sacrifícios e as humilhações do longo calvário de 60 anos em que estivemos sujeitos a Madrid.
D. Sebastião nunca morreu entre nós, esteve sempre presente na mente do povo e dos grandes portugueses, nas artes e na literatura. É um ícone do nosso imaginário!
De facto, a acreditar no que D. Sebastião representa, é conseguir ultrapassar-nos a nós próprios.
O elmo de combate, em boa hora recuperado, que hoje está entre nós, e que reúne muitos indícios que podem levar a concluir, sem rebuço, que é aquele que o nosso Rei usou na malograda batalha – e disso é mister fazer prova junto da comunidade académica e cientifica - é o que nos resta d’ Ele, é um símbolo d’ Ele, é uma imagem que podemos recriar d’ Ele.
Hoje D. Sebastião, o seu espírito e o que ele representa, é-nos mais necessário do que nunca. Regressados às fronteiras do século XIII, se bem que enriquecidos com os Arquipélagos Atlânticos, poderíamos manter-nos uma pequena potência mas, em vez disso, deixámo-nos escorregar, por via de lideranças incompetentes e antipatrióticas – que nós temos tolerado - para um quase estado exíguo, que vive desmoralizado e de mão estendida.
E não temos mais retaguarda estratégica…
Três grandes perigos/ameaças impendem sobre o nosso país: o federalismo europeu, o iberismo – que aquele potencia em extremo – e, sobretudo, o desleixo nacional, o baixar das guardas, a perda de referências e de auto – estima.
A União Europeia – recordo que nem o Conde Duque Olivares se atreveu a substituir-nos a moeda – só pode evoluir em três sentidos: ficar a patinar na situação cacofónica em que está, e nós com ela; fazer uma fuga para a frente e avançar de qualquer maneira na integração económica, social e política - e Portugal desaparece como Estado, primeiro, e com o passar do tempo, como Nação; ou implode, e cada um irá por si, estilhaçando-se em conflitos e egoísmos algo catastróficos. Qualquer dos cenários é mau e devemos preparar-nos rapidamente para fazer face a qualquer um desses cenários.
O que passa, obviamente, por preparar o abandono desta organização internacionalista cujos fins são indefinidos. A Europa só nos interessa enquanto preservar a individualidade da Nação Portuguesa. Não menos do que isso. Qualquer outra solução representa o nosso epitáfio!
Os perigos do Iberismo aumentaram exponencialmente pois todas as defesas que criámos ao longo dos tempos foram todas derrubadas desde a experiência funesta que iniciámos em 1986.
O “fraco rei faz fraca a forte gente”, não é apenas uma frase lapidar camoniana, é uma verdade incontornável de todos os tempos. Vamos ter que ter grande coragem, liderança e perspicácia estratégica para conseguirmos sobreviver a tudo isto.
Creio termos que regressar à matriz nacional e a acreditar no velho espírito da casa lusitana. Em síntese, reaportuguesar Portugal!
Para isso nada melhor para nos inspirar do que a figura do Rei menino que quis a glória da terra que lhe deu o berço. O seu elmo de batalha aí está a significar a sua intemporalidade e transcendência. Ele nos fará correr mais rápido o sangue nas veias, de modo a que nos disponhamos a enfrentar quaisquer perigos.
Com ele se levantará a altaneira “raça” portuguesa e não haverá Adamastor que nos detenha.
Uma nota final:
D. Sebastião está, pois, vivo entre nós; o que ele representa está vivo, viva então em nós o “Desejado”!
E se os seus restos mortais foram inumados em Limoges, como estudos recentes parecem atestar, e existindo forte possibilidade de se conhecer a urna em que estiveram depositados, então só nos resta pugnar, junto do governo francês, para que a dita urna e toda a memoralistica que se possa vir a identificar, regresse a Portugal.
Devemos, então, enviar uma escolta de cadetes das Academias Militares, para o acto de tomada de posse, enviar tudo para o porto mais próximo e embarcar num navio da esquadra portuguesa, que faria o transporte para Portugal. A Cruz de Cristo, das asas dos caças da Força Aérea, será protecção segura após entrada em águas nacionais. O desembarque seria no Restelo, após salvar a artilharia; seguir-se-ia guarda de honra e “Te Deum” nos Jerónimos e festa em todo o país.
D. Sebastião é um dos nossos maiores, deve regressar à Pátria. É um dever e uma dívida de todos nós.
Viva o Desejado!
Arraial, Arraial, por Portugal