quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O politicamente correcto está em todas

Henrique Raposo, A Tempo e a Desmodo, Expresso

Depois de ter treslido Freud e Rousseau, a cáfila patifória do ministério da educação chegou a três conclusões imbecis:
a) Os cabulões, preguiçosos ou vadios não podem ser responsabilizados pelos seus erros de carácter ou de comportamento, pois são meras vítimas do meio em que vivem;
b) A educação deve evitar quaisquer tipos de constrangimentos, contrariedades ou dificuldades de percurso sob pena de traumatizar a miudagem e abalar a sua auto-estima.
c) Uma vez que toda a autoridade tende inevitavelmente para o autoritarismo, torna-se perfeitamente legítimo todo o tipo de resistência e desafio.
São estes 3 pressupostos cretinos que estão na origem do descalabro a que chegaram os sistemas educativos ocidentais. O desprezo pela autoridade, pela cultura geral, pela objectividade do saber, pela responsabilidade e mérito individuais, que o politicamente correcto tem cultivado nos últimos 20 anos, explica as medidas que tem vindo a ser tomadas no âmbito da educação: a destruição da avaliação séria dos alunos, as absurdas dificuldades burocráticas à reprovação dos cábulas, o servilismo e a subserviência sabujas perante a grosseria e a insolência, a complacência infinita perante a preguiça, o aviltamento do estatuto dos professores e o desprezo pelas disciplinas culturais e formativas são as consequências visíveis da acção destes patifes disfarçados de "especialistas" da educação.


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