terça-feira, 19 de setembro de 2017

«A Importância da Cultura Portuguesa na Defesa Nacional»









Parceiro Institucional

O Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa tem a honra de convidar V. Exª para participar no Ciclo de Conferências «A Cultura e a Defesa Nacional», promovida pela Secção de Ciências Militares.

A sessão terá lugar no dia 26 de Setembro de 2017 pelas 17h30 no Auditório Adriano Moreira.

Será orador o TCor. João José Brandão Ferreira que desenvolverá o tema:

«A Importância da Cultura Portuguesa na Defesa Nacional»
Rua das Portas de Santo Antão, 100 1150-269 LISBOA Tel.: 21 3425401/5068 geral@socgeografialisboa.pt www.socgeografialisboa.pt





segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O frade-feijão está com Bergoglio, claro...

Bento Domingues com o ex-Grão Mestre do GOL (maçonaria irregular) António Reis,
o artesão do chamado «casamento» entre indivíduos do mesmo sexo.

Luís Lemos

Bergoglio entrou com pezinhos de lã mas, a cada bacorada que produzia, a sua máscara foi caindo. Hoje, são muitos mais os católicos que percebem os seus propósitos e até os mais ingénuos começam a acordar...

Entretanto, ao início, os bergoglistas limitavam-se a enaltecer o apóstata. Mas, à medida que aumentou a reacção às frequentes calinadas de Bergoglio, os seus apaniguados vêem-se na necessidade de atacar os defensores da doutrina cristã.

É o caso do frade-feijão Bento Domingues, que acaba de publicar no Público (17.9.2017) um artigo  com o objectivo de atacar os críticos do apóstata...

Este velhaco deste Bento Domingues, maçonzito e membro da seita «Nós Somos Igreja» (uma seita internacional do tipo ILGA disfarçada de católica), com a sua máscara de crente, já rejubilava com a eleição do seu comparsa Bergoglio e por cada calinada do chefe. Contudo, agora, com o aumento da resistência interna a Bergoglio, já sente a necessidade de vir atacar os defensores coerentes da doutrina cristã.

Bento Domingues na sua linha anticristã e submarxista. 
Não deixa de ser curiosa a conversa do hipócrita.

Não deixa de ser curiosa a conversa do hipócrita.

As posições dos papas legítimos, seguindo a doutrina cristã, eram atacadas por este submarxista como se fossem anticristãs. Isto é, começando por ele próprio, não havia obediência ao papa.

Agora, que o seu anticristianismo relativista, maçónico, mundialista, submarxista e até homossexualista é vomitado em Roma, já quer a obediência dos católicos, isto é, já quer os católicos obedeçam ao «papa», isto é, ao apóstata Bergoglio, que usurpou a cadeira de Pedro.

É natural que sejam indivíduos como este a defender tanto o apóstata Bergoglio.

( Depois, além deste frade-feijão, aparecem também uns tantos graxistas que por aí vemos sempre do lado dos que mandam, antes prò-João Paulo II e prò-Bento XVI — que mandavam — e agora prò-Bergoglio — que manda. Esta é outra raça de gente que também não é de confiança. )






terça-feira, 12 de setembro de 2017

Petição dirigida à: População portuguesa e entidades governativas


Petição contra a ofensiva e ditadura homossexualista
na sociedade civil através da chamada «Comissão para a Cidadania
e a Igualdade de Género»


Ex.mo Senhor Presidente da República,

Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República,

Ex.mo Senhor Primeiro-Ministro,

Ex.mo Senhor Presidente do Tribunal Constitucional,

1 — Diversos sectores do Estado português e certas instituições privadas beneficiando de apoios e protecções do Estado têm vindo a ser infiltrados pelo lóbi que se opõe à família natural e promove a ideologia homossexualista «do género», a qual, como é sabido, pretende que o sexo de cada pessoa é uma opção de cada um e não aquele com que nasce, condição que o lóbi qualifica simplesmente de género.

2 — Esses sectores do Estado e essas instituições tornaram-se assim instrumentos desse lóbi, que os utiliza para influenciar as pessoas através dos mais variados canais e exercer uma ditadura do seu pensamento sobre a esmagadora maioria dos Portugueses.

3 — A chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género» é o principal instrumento do lóbi homossexualista no Estado. Através dos seus próprios conceitos homossexualistas, pareceres homossexualistas e pressões homossexualistas, exerce uma ditadura homossexualista sobre a sociedade civil, as empresas, os meios de comunicação, os professores, as crianças, as famílias, as pessoas, os candidatos a cargos políticos e até sobre o próprio legislador. Toda esta ditadura homossexualista procura destruir a família natural e afecta a harmonia familiar, a educação, a saúde mental das crianças, jovens e adultos, a economia e até põe em causa a defesa nacional.

4 — Recentemente, esta chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género» exerceu pressão sobre uma empresa editorial para retirar do mercado dois livros, um destinado a meninos e outro destinado a meninas. Para além do já referido aspecto de destruição da identidade sexual das crianças e consequentemente do tecido social e nacional, trata-se de um grave atentado à liberdade das pessoas e à liberdade de educação, um acto apenas qualificável como homonazi.

5 — O Ministro Adjunto Eduardo Cabrita prontificou-se a dar imediata cobertura política a esta chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género», confirmando assim a sua adesão à política do homonazismo e a comunhão de interesses que une todos os do lóbi.

6 — Esta ditadura homossexualista viola a liberdade das pessoas, direitos expressos na Constituição da República Portuguesa, que os membros do lóbi tanto proclamam prezar mas que afinal pretendem violar. Especificamente, os ditadores homonazis violam o número 5 do Artigo 36.º, os números 1 e 2 do Artigo 37.º, os números 1 e 2 do Artigo 41.º  e o número 2 do Artigo 43.º  da Constituição da República Portuguesa.

7 — Acresce que esta manobra ditatorial para uniformizar a educação das crianças segundo os conceitos homossexualistas viola também o direito natural, inalienável e inegociável das famílias a escolherem a educação a dar aos seus próprios filhos, direito aliás expressamente proibido ao Estado no já referido número 2 do Artigo 43.º da Constituição da República Portuguesa.

8 — Acresce ainda que o direito dos pais a escolherem a educação para os seus filhos é um direito acima de quaisquer  normas estabelecidas por mentes doentes de quaisquer burocratas de uma qualquer comissão ou administração.

9 — Perante tais violações dos direitos das pessoas e das famílias e atentados à saúde física e mental das crianças, jovens e adultos, à Constituição e à defesa nacional, a União das Famílias Portuguesas vem reclamar:

a) a demissão imediata do Ministro Adjunto Eduardo Cabrita;

b) a extinção imediata da chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género»;

c) a suspensão de todos os projectos do Estado baseados na ideologia homossexualista do «género»;

d) a proibição de qualquer órgão do Estado exercer a ditadura homossexualista do «género»;

e) o fim dos apoios e protecções do Estado a quaisquer instituições privadas promotoras da ideologia homossexualista do «género».


Lisboa, 25 de Agosto de 2017
                                                  
A União das Famílias Portuguesas
Atenciosamente,

Acabei de assinar a Petição contra a ofensiva e ditadura homossexualista na sociedade civil através da chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade em CitizenGO , endereçada à População portuguesa e entidades governativas.

Penso que se trata de um tema importante e ficaria grato se você também assinasse a petição.

Aqui está o link:



Muito obrigado!





sábado, 9 de setembro de 2017

O caso Seifert: Quem se separa da Igreja?



El pasado 31 de agosto, monseñor Javier Martínez Fernández, arzobispo de Granada, tras suspender de sus labores docentes al filósofo austriaco Josef Seifert, lo ha expulsado de la Academia Internacional de Filosofía, entre cuyos fundadores se encuentra, pero que actualmente depende de la archidiócesis.

Hay que tener presente que el profesor Josef Seifert está considerado uno de los mayores filósofos católicos contemporáneos. Su curriculum y su bibliografia ocupan numerosas páginas. Pero ante todo es de destacar su fidelidad al Magisterio pontificio, que le ha valido ser elegido miembro de la Pontificia Academia para la Vida. Cualquier universidad católica consideraría un honor tenerlo en su cuerpo docente. ¿Cual es el motivo de la drástica medida tomada con él? Según un comunicado del la archidiócesis, el motivo de su expulsión es un artículo en el que el profesor Seifert hacía una súplica a propósito de la exhortación postsinodal Amoris laetitia del papa Francisco. En el artículo de marras, Seifert ha solicitado al papa Francisco que se desdiga de una afirmación de Amoris laetitia a partir de la cual, en pura lógica, puede derivar la disolución de toda la enseñanza moral católica.

Seifert cita la afirmación de Amoris laetitia según la cual la conciencia de los matrimonios adúlteros o, dicho de otro modo, irregulares, «puede reconocer no sólo que una situación no responde objetivamente a la propuesta general del Evangelio. También puede reconocer con sinceridad y honestidad aquello que, por ahora, es la respuesta generosa que se puede ofrecer a Dios, y descubrir con cierta seguridad moral que esa es la entrega que Dios mismo está reclamando en medio de la complejidad concreta de los límites, aunque todavía no sea plenamente el ideal objetivo» (AL, n.º 303).

O sea, comenta Seifert, que además de definir el estado objetivo de pecado grave como «todavía no plenamente el ideal objetivo», Amoris laetitia afirma que podemos saber con «una cierta seguridad moral» que Dios mismo nos pide que cometamos actos intrínsecamente malos, como el adulterio o la homosexualidad activa. El filósofo austriaco plantea ante este punto lo siguiente:

«Yo pregunto si puede la pura lógica fallar cuando nos preguntamos bajo estas premisas: si solo un caso de un acto intrínsecamente inmoral puede ser permitido e incluso querido por Dios, ¿no debe esto aplicarse a todos los actos considerados intrínsecamente malos? Si es cierto que Dios puede querer que una pareja de adúlteros viva en adulterio, ¿no debería entonces también el mandamiento ‘¡No cometerás adulterio!’ ser reformulado (…) ¿No deben eliminarse también los otros nueve mandamientos, la Humanae Vitae, Evangelium Vitae y todos los documentos, dogmas y concilios pasados, presentes y futuros de la Iglesia que enseñan la existencia de actos intrínsecamente malos? (…) ¿No deben entonces, desde la pura lógica, considerarse buenas y dignas de alabanza la eutanasia, el suicidio asistido o el suicidio mismo, la mentira, el robo, el perjurio, negar a Cristo o traicionarlo como San Pedro, o el asesinato, en determinadas circunstancias y después de un debido discernimiento a causa de la complejidad de cada situación concreta?». A continuación dirige la súplica al papa Francisco: «Rogaría a nuestro supremo Padre espiritual en la Tierra, el ‘dulce Cristo en la Tierra’, como llamó Santa Catalina de Siena a un pontífice, bajo cuyo reinado vivió aunque lo criticara duramente (…) que retire dicha afirmación. Si sus consecuencias lógicas conducen inevitablemente a nada menos que a la total destrucción de las enseñanzas morales de la Iglesia Católica, ¿no debería el ‘dulce Cristo en la Tierra’ retirar dicha afirmación? Si dicha tesis lleva como consecuencia lógica convincente al rechazo del hecho de que haya actos que deben ser considerados intrínseca y moralmente malos bajo cualquier circunstancia y en cualquier situación, y si esta aseveración llegara a desvirtuarse, siguiendo la Familiaris Consortio y la Veritatis Splendor, así como la Humanae Vitae y muchas otras enseñanzas solemnes de la Iglesia, ¿no debería ser revocada? (…) ¿Y no deberían todos los cardenales, obispos, sacerdotes, monjes y vírgenes consagradas, y cualquier laico en la Iglesia, interesarse vivamente por este problema y unirse a esta súplica apasionada de un humilde laico, un simple profesor de filosofía y, entre otras materias, de lógica?». No ha habido la menor respuesta a la cuestión presentada por el profesor Seifert. El comunicado de la archidiócesis de Granada se limita a afirmar que la postura del filósofo «daña la comunión de la Iglesia, confunde la fe de los fieles y siembra desconfianza en el sucesor de Pedro, lo que al final no sirve a la verdad de la fe, sino a los intereses del mundo». La diócesis granadina añade que «adoptó como suyos, desde el primer momento, la aplicación del texto pontificio preparada por los obispos de la Región de Buenos Aires», es decir, de seguir las pautas de los obispos argentinos que en su documento, aprobado por el papa Francisco, consienten a los adúlteros el acesso a la comunión.

La actitud del arzobispo de Granada se resume en la prohibición de hacer preguntas que, según el filósofo Eric Voegelin, caracteriza a los regímenes totalitarios. En base al mismo criterio se expulsa de la Pontificia Academia para la Vida a los católicos fieles a la ortodoxia de la Iglesia empezando por el propio Seifert, los maestros más ortodoxos son expulsados de los colegios y universidades católicos y los sacerdotes fieles a la Tracición son transferidos a otras parroquias y en algunos casos suspendidos a divinis.

¿Qué les pasará a los cardenales si llegan a hacer su corrección fraterna? Esta lógica represiva abre las puertas al cisma en la Iglesia. El único argumento que pueden utilizar los fanáticos de Amoris laetitia contra los críticos de dicho documento es el endeblísimo de la «ruptura de la comunión». Pero quienes plantean objeciones a la exhortación pontificia, invocan la doctrina inmutable de la Iglesia y no tienen la menor intención de abandonar. Si por su fidelidad al Magistero son sancionados oficialmente, quien los sanciona realiza un acto de autoseparación de dicho Magisterio. Los artículos del profesor Josef Seifert están motivados por el amor a la Iglesia y sobre todo a la Verdad. El prelado que lo  castiga se aparta de la ley natural y divina que prohíbe sin excepciones ni concesiones el adulterio, el homicidio y otros pecados graves. Al acusarlo de romper la unidad con el Papa, el prelato demuestra que existe un magisterio del papa Francisco incompatible con el Magisterio de la Iglesia de siempre. Monseñor Martínez Fernández ha castigado al profesor Seifert porque éste pedía al Papa, con tono humilde y respetuoso, que se desdijera de una afirmación que conduce al adulterio y a la dissolución de la moral.

Por consiguiente, en la diócesis de Granada, como en la de Malta, las de Argentina y tantas otras de la Cristiandad, para estar en comunión con el papa Francisco es preciso admitir, al menos en ciertas ocasiones, la licitud del adulterio y de otras transgresiones a la ley moral. El papa Francisco es el sucesor de San Pedro, pero Nuestro Señor no dice: quien me ame debe seguir ciegamente al sucesor de San Pedro, sino: «si me amáis, guardaréis mis mandamientos» (Jn. 14, 15-21). Si el Pastor Supremo se apartase de los mandamientos de Dios e invitara a la grey a seguirlo, los fieles deberían apartarse de él, porque «hay que obedecer a Dios antes que a los hombres» (Hch. 5, 29). Si estar en comunión con el papa Francisco significa estar obligado a abrazar el error, quien quiera permanecer en la verdad de Cristo está obligado a apartarse del papa Francisco. Esto es lo que afirma públicamente monseñor Martínez Fernández, arzobispo de Granada.





segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A guerra dos géneros e as falsificações científicas


Mário Amorim Lopes

O pénis é uma construção social? Há uma perspectiva machista dos icebergs? Um ensaio de Mário Amorim Lopes discute a «ciência» que pretende sustentar a guerra dos géneros e o politicamente correcto.
  1. A calçada portuguesa e o machismo…
  2. …e uma perspectiva machista para o iceberg
  3. As teorias sobre o sexo como «construção social»
  4. O problema é… a Biologia
  5. O papel da escola de Frankfurt
  6. Dos livros da Porto Editora à Google
  7. A ditadura do politicamente correcto
Em 1996, o físico e professor universitário (New York University e University College of London) Alan Sokal submeteu um artigo científico para uma reputada revista de estudos culturais pós-modernos, a Social Text. Obstante a prosaica área científica, até aqui nada de surpreendente. No artigo, Sokal postula que a gravidade quântica (ramo da física teórica que procura explicar a gravidade à luz da mecânica quântica) é uma construção social e linguística, teoria que pelos vistos não surpreendeu os editores da revista, que a publicaram.

Em Maio do corrente ano, dois outros académicos, Peter Boghossian e James Lindsay, decidiram renovar a partida académica e submeteram um trabalho para a Cogent Social Sciences, revista indexada nos principais meios de divulgação científica. Defendem os autores que o órgão genital masculino, o pénis, é, em boa verdade, uma construção social. Fazem-no «através de um criticismo discursivo pós-estruturalista detalhado e do exemplo das alterações climáticas».

O artigo, referem ainda no resumo, «questiona a prevalente e prejudicial mistificação social de que os pénis são melhor entendidos como órgãos sexuais masculinos, e atribuir-lhe-á um papel mais adequado enquanto tipo de desempenho masculino». Dadaísta? Era esse um dos objectivos — testar a filtragem do nonsense na arbitragem por pares nas revistas do género. O artigo foi aceite e publicado, tendo sido removido apenas após os próprios autores fazerem a denúncia do caso.

A calçada portuguesa e o machismo…

Também eu próprio não resisti à tentação de fazer uma partida académica, que mais do que uma partida visava denunciar a epistemologia muito questionável desta área de estudos. Imaginei uma absurda teoria social que não podia ser falsificada, preparei um abstract e submeti para uma reputada conferência feminista sobre estudos de género.

A minha teoria era a de que a tradicional calçada portuguesa está impregnada de preceitos machistas e misóginos. Para dar consistência à teoria apresentei duas evidências: (i) as mulheres têm mais dificuldade em andar neste tipo de pavimento, especialmente as que usam saltos-altos; (ii) a calcetagem é uma profissão maioritariamente de homens, logo dominada pelo sexo masculino — a escolha da palavra dominada não foi inocente.

O engraçado desta teoria é que é um catch-22: não pode ser provada (em bom rigor epistemológico, nenhuma teoria pode ser provada), pois não tenho um registo histórico onde o inventor da calçada deixou por escrito que era esse o seu propósito; mas também não é possível falsificá-la, porque também não há evidência em sentido contrário — naturalmente que o inventor da calçada não deixou um papel escrito a dizer que a calçada não é misógina e discriminatória.

Uma dupla de académicos testou a filtragem do nonsense na arbitragem por pares nas revistas do género. O artigo foi aceite e publicado, tendo sido removido apenas após os próprios autores fazerem a denúncia do caso.

Ademais, eu poderia argumentar, à imagem do que é feito por tantos outros académicos desta área, que isso era a vontade latente, ainda que não expressa ou assumida, que resulta de o calceteiro que se lembrou de usar pedra cal branca e preta ter vivido numa sociedade patriarcal. Uma epistemologia séria e rigorosa descartaria imediatamente a minha teoria precisamente por não resultar das premissas e não ser falsificável. 

abstract foi aceite para apresentação na conferência, que teve lugar em Junho deste ano em Montreal, Canadá

.…e uma perspectiva machista para o iceberg

Se estes artigos procuram denunciar situações caricatas a que estes estudos dão origem, outros há que são efectivamente sérios, ou pretendem ser, embora frequentemente não pareçam. Por exemplo, Valerie De Craene, num artigo publicado também este ano no Journal of Gender, Place & Culture, argumenta que os geógrafos ignoram os seus corpos, a sua sexualidade e o seu erotismo, escondendo até, imagine-se, os seus desejos sexuais do resto da comunidade científica, e como tudo isto influencia a carreira de investigação. A investigadora partilha até, num exercício de reflexividade, a sua experiência como mulher-investigadora desejada, e como isso influenciou a sua carreira científica. Finalmente, o artigo tem uma secção dedicada a clubes de swing.

E se no caso da geografia se pode argumentar que a componente humana é parte integrante da área científica, pelo que não é despiciente o papel do observador no objecto ou fenómeno observado, confesso que tenho mais dificuldade em perceber de que forma é que um iceberg pode ser interpretado numa perspectiva feminista (o que implica que também existe uma perspectiva machista para o iceberg).

Mark Carey e colegas, num artigo publicado na revista Progress in Human Geography (Impact Factor 2016: 5.776), convidam-nos a estudar os icebergs usando uma framework glaciológica feminista, desta forma promovendo uma «ciência equitativa» e uma interacção «humano-gelo» mais «justa». Ou então o artigo de Teresa Lloro-Bidart, publicado na revista Gender, Place & Culture — A Journal of Feminist Geography, onde a autora argumenta que uma determinada estirpe de esquilos originária da zona de Los Angeles é vítima de racismo e discriminação generalizada por parte dos media, pois estes alimentam-se do lixo doméstico e de outros detritos humanos. A autora postula esta conjectura recorrendo, palavras da própria, a «teorias feministas pós-humanistas» e a «estudos feministas de alimentação».

As teorias sobre o sexo como «construção social»

O que tem isto tudo a ver com o recente episódio que envolveu a Porto Editora, dois malfadados livros que «perpetuam o papel e a discriminação de género», a intervenção de uma entidade chamada «Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género» e este longo prelúdio? Infelizmente, muito. Toda a teoria que sustenta a tese da igualdade de género está assente em teorias sociológicas que radicam precisamente do mesmo corpo científico, neste caso a do construcionismo social, e para as quais é completamente alheia, e até dispensável, o contributo da biologia. Tudo é um artefacto social, e não é menos artefacto o sexo das pessoas.

O conceito de «género», que procura substituir o antiquado «sexo» que a biologia havia determinado, é então uma construção social, que subleva a importância da genitália e de outros determinantes fisiológicos e neurológicos, e os condiciona àquilo que é o devir social do indivíduo na sociedade.

Se isto parece um mero apetrecho discursivo para promover a inclusão daqueles que nascem fora da concepção binária de sexo, na verdade esta ideia de que o género é um papel que se escolhe e atribui pode ter nefastas consequências. Na Noruega, nos anos 70, as crianças hermafroditas e transsexuais, as quais fruto de uma disfunção genética não era possível determinar, à nascença, o sexo preponderante, viam o seu género ser escolhido pelos pais. Afinal, se o género é uma construção social, sendo a genitália uma pequena diferença anatómica sem relevo neurobiológico, então era indiferente se seriam homens ou mulheres.

Em alguns casos a cirurgia de mudança de sexo era efectuada antes mesmo de atingirem a puberdade, quando alterações hormonais posteriores acabavam por tornar preponderante um dos sexos. A natureza discorda, e foram demasiados os casos de crianças cujo género escolhido pelos pais afinal não era aquele no qual elas se identificavam mais tarde.

Toda a teoria que sustenta a tese da igualdade de género está assente em teorias sociológicas que radicam precisamente do mesmo corpo científico, neste caso a do construcionismo social, e para os quais é completamente alheia, e até dispensável, o contributo da biologia.

Assim, e à luz das teorias vigentes dos estudos de género, a única coisa que separa homens e mulheres é o papel que alguém, geralmente os pais e a família, no limite a sociedade, lhes atribuiu. Tradicionalmente, a sociedade ocidental era patriarcal e misógina, tendo atribuído um papel secundário à mulher. Esta «heteronormatividade patriarcal», como os estudiosos desta área lhe chamam, condicionou todas as escolhas subsequentes, pelo que as diferenças entre géneros resultam de um devir sociológico que as criou. Desta forma, se o rapaz escolhe uma bola ou uma espada e a rapariga uma princesa é porque sempre foi esse o papel social que foi atribuído a cada um dos géneros, mas poderia ser o exacto oposto. Ou assim pensam alguns cientistas sociais.

O problema é… a Biologia

A história terminaria aqui não fosse a biologia, a psicologia evolutiva e as neurociências, que teimam em encontrar diferenças fisiológicas e neurológicas entre os sexos. Em estudos efectuados com recém-nascidos, que ainda estão num estágio de desenvolvimento cognitivo pré-social e como tal ainda não são influenciados pelo meio, verifica-se que existem preferências inatas e inerentes ao sexo pelo tipo de brinquedo que escolhem (Jadva, Hines, & Golombok, 2010; Alexander, Wilcoxm & Woods, 2009). Isto é, a esmagadora maioria dos rapazes tende a escolher brinquedos tipicamente masculinos (heróis e vilões, carros e bolas) e as raparigas brinquedos tipicamente femininos (princesas, casas de bonecas).

Esta evidência mantém-se para diferentes países e culturas, assim como para diferentes períodos temporais (são analisadas várias coortes). A excepção? As meninas que nascem com uma anomalia endócrina que as faz produzir testosterona a níveis típicos dos rapazes. Nesse caso as meninas escolhem brinquedos tipicamente masculinos (Berenbaum & Hines, 1992).

Mais fascinante ainda, há estudos que mostram que os nossos primos biológicos mais próximos, os primatas, exibem exactamente as mesmas preferências «estereotipicamente sexistas», na terminologia dos defensores da teoria de género, que nós, humanos — ou isso, ou há mesmo determinantes biológicos que condicionam as escolhas (Hassett, Siebert, & Wallen, 2008; Alexander & Hines, 2002).

Não é absoluto que homens e mulheres sejam iguais, queiram ser iguais, tenham as mesmas preferências ou queiram ter as mesmas preferências.

A ideia de que pode existir um livro que traduz melhor as preferências femininas e outro que traduz melhor as preferências masculinas não é, portanto, descabida. Não é absoluto que homens e mulheres sejam iguais, queiram ser iguais, tenham as mesmas preferências ou queiram ter as mesmas preferências. Arrumado este ponto, há quem argumente que, vis-à-vis, o livro para meninas tem 3 exercícios mais complexos do que o dos rapazes, enquanto que o dos rapazes tem 6. Ou seja, os autores estariam a assumir que as raparigas são menos inteligentes.

Esta conclusão não está longe da teoria estapafúrdia das pedras da calçada portuguesa serem machistas. Cada livro tem mais de 80 exercícios, 160 se considerarmos os dois. Falamos, portanto, de uma diferença no grau de dificuldade em 1.875% dos exercícios, o que só por má-fé se pode achar que foi deliberado, e não um acaso estatístico. Novamente, a tese não pode ser falsificada. É a palavra dos autores contra a dos que lançaram o auto-de-fé.

O papel da escola de Frankfurt

Mas a maior crítica é a de que os livros promoviam a «discriminação de género». Dado que os sexos são efectivamente diferentes, podemos assumir que se tratam dos partidários da teoria da igualdade de género (se por esta altura acha que isto do igualitarismo de género lembra teorias económicas e sociais marxistas, não é por acaso — quase todo o trabalho sobre estudos de género tem origem intelectual na escola de Frankfurt, onde se sediavam conhecidos filósofos alemães que procuravam complementar o marxismo clássico com uma teoria crítica, antipositivista, e de onde é originário o politicamente correcto discursivo). A discordância é de salutar, especialmente no meio académico.

A universidade reúne várias escolas, e até nas ciências naturais existem teorias que são mutuamente exclusivas. É desta dialéctica de correntes de pensamento que o conhecimento progride. Nem todo o novo conhecimento é cumulativo, no sentido em que resulta de um pequeno acrescento face ao postulado anteriormente — bem pelo contrário, arriscaria dizer que os grandes saltos resultam sempre de mudanças de paradigma radicais (Copérnico, Newton, Darwin, Einstein, etc.).

A Porto Editora disputa o mercado dos livros escolares, e certamente não quer comprar uma guerra. A dimensão do país, ou a falta dela, por vezes obriga à subserviência ao poder político.

O fenómeno seria inconsequente, ou até um bom pretexto para promover a discussão, não tivesse a Porto Editora, após «recomendação» da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, tutelada pelo Governo, retirado os livros do mercado. Recomendação de jure, obrigação de facto, porque a Porto Editora disputa o mercado dos livros escolares, e certamente não quer comprar uma guerra. A dimensão do país, ou a falta dela, por vezes obriga à subserviência ao poder político.

Dos livros da Porto Editora à Google

Este incidente com a Porto Editora não é caso isolado. Ainda recentemente, James Damore, engenheiro informático da Google com um mestrado em sistemas de biologia de Harvard, escreveu um ensaio de 10 páginas onde fundamenta, de uma forma racional e amparada de evidência científica (mas não da correcta), que existem diferenças significativas entre os sexos, e isso, argumenta, poderá explicar o porquê de as mulheres estarem sub-representadas em empresas tecnológicas.

Não o fez num estilo panfletário, fundamentou a sua posição, deu referências científicas (posteriormente confirmadas por psicólogos evolucionistas, neurocientistas e pedopsiquiatras), discutíveis certamente, mas isso era de somenos — a sua opinião era conflituante com a igualdade de género, pelo que havia que acender as fogueiras. Foi despedido.

Também recentemente, Chico Buarque, cantor brasileiro assumidamente de esquerda, foi acusado de machismo por dedicar dois versos de uma música do seu mais recente álbum a um homem que larga mulher e filhos para ir ter com a amante, e houve mesmo quem o tentasse banir no Brasil. No Reino Unido, a música Blurred Lines, do Robert Thicke e Pharell, está banida em mais de 20 universidades, pois é, dizem os alunos que intercederam, misógina. As mesmas universidades e os mesmos alunos que querem retirar dos currículos filósofos brancos, pois estes compactuaram (?) com o colonialismo. 

A possibilidade de ideias ou livros terem de ter o selo de aprovação de uma entidade é análogo àquela que era a função do Secretariado Nacional para a Informação no tempo do Estado Novo.

Em Portugal, o cantor C4 Pedro foi obrigado a retirar um videoclip do YouTube pois era, garantem as feministas portuguesas, misógino e discriminatório. Não se trata, portanto, de discórdia, de pluralismo ou de discutir ideias conflituantes, de não comprar aquilo de que não se gosta (quem desgosta dos livros tem bom remédio — não compra). Trata-se, sim, da imposição de uma determinada visão, e de cercear tudo aquilo que vá contra a corrente dominante, o que, em última análise, implica censura. É a ditadura do politicamente correcto.

A ditadura do politicamente correcto

A possibilidade de ideias ou livros terem de ter o selo de aprovação de uma entidade é análogo àquela que era a função do Secretariado Nacional para a Informação no tempo do Estado Novo. Todos os regimes despóticos, aliás, sabiam que controlar a informação, seja sob a forma de ideias, crónicas ou livros, era fundamental para regular o pensamento e as acções.

Aqueles que hoje advogam e forçam a ditadura do politicamente correcto também o sabem. Sabem que o discurso é uma forma eficaz de condicionamento e imposição social e ideológica. Mas é também censura, é também uma clara violação dos mais elementares direitos e liberdades de uma democracia liberal.

Nunca George Orwell fez tanto sentido: «Se liberdade significar alguma coisa, significa o direito de dizer aquilo que outros não querem ouvir».

Não é admissível que numa sociedade aberta e livre haja quem se ache no direito de coartar a opinião dos outros, e, mais grave ainda, de impor aquela que é a sua visão, para tal silenciando ou perseguindo politicamente. O caso da censura por parte da CIG, já de si condenável, já levou a sugestões inenarráveis como acabar com a secção de brinquedos para meninos e para meninas, como se uma menina estivesse proibida de comprar uma bola ou um Action Man, e o dia chegará em que exigirão o fim das secções de roupa para homem e para mulher.

Se é grave que aconteça no meio académico, é gravíssimo que chegue ao ponto de determinados livros serem retirados do mercado. Nunca George Orwell fez tanto sentido: «Se liberdade significar alguma coisa, significa o direito de dizer aquilo que outros não querem ouvir».





sexta-feira, 25 de agosto de 2017

... em questões políticas... e outras...



O Livro das Imagens

Os católicos não devem seguir
o papa Bergoglio em questões políticas

Nenhum católico está obrigado a sacrificar-se, a si ou aos seus, para benefício de um inimigo que o quer destruir. O que o papa Bergoglio proclama em termos políticos é uma absoluta novidade e não tem qualquer fundamento na tradição católica. Logo, não deve ser seguido porque ao papa não cabe inovar a seu belo prazer.

Sobre este assunto é importante ler o que escreveu Carl Schmitt que, não sendo teólogo, foi um dos mais importantes pensadores católicos na área da filosofia política. Assim, diz-nos ele que

«Os conceitos amigo e inimigo são para tomar no seu sentido concreto, existencial, e não como metáforas ou símbolos, não misturados e lavados através de representações económicas, morais e outras, muito menos psicologicamente, num sentido privado-individualista, como expressão de sentimentos e tendências privados. Eles não são contraposições normativas e 'puramente espirituais'. O liberalismo procurou, num dilema que para ele é típico (...) entre espírito e económico, dissolver o inimigo, dissolvendo-o num concorrente, do lado dos negócios, e num opositor na discussão, do lado do espírito.»

Ou seja: o papa Bergoglio, sempre tão crítico do liberalismo e do neo-liberalismo, adopta uma posição similar. Para ele não há inimigos, mas quando muito concorrentes no mercado espiritual onde, por via da sua dinâmica, o islamismo parece levar a melhor. O papa Bergolgio, em vez de afirmar as posições católicas, cai no erro do relativismo e coloca todas as crenças como semelhantes no dito mercado onde já nem vale a pena a discussão — se todas são legítimas para quê qualquer debate? Entronca aqui a recusa papal do proselitismo católico.

Em seguida, Schmitt acrescenta que

«Se se tem ou não por lamentável, se se acha talvez um resíduo atávico de tempos bárbaros que os povos se agrupem ainda, realmente, segundo amigo e inimigo, se se espera que a diferenciação venha um dia a desaparecer da Terra, se é talvez bom e correcto fingir, por razões educativas, que já não haja mais nenhuns inimigos, nada disso entra aqui em consideração. Não se trata aqui de ficções e de normatividades, mas da realidade.»

Ora, a realidade mostra-nos que a existência das categorias de amigo e inimigo continuam válidas. O desejável não se confunde com o real. Não é por negarmos os factos que eles desaparecem, ao contrário do que quer fazer crer a agenda pós-moderna cultivada da esquerda ao Vaticano. Para a esquerda cosmopolita e multiculturalista, para o papa Bergoglio, a distinção referida pode representar um anacronismo, um resquício de eras bárbaras («medievais», como gostam de dizer os ignorantes iluminados), mas não é por isso que deixa de estar presente e fazer sentido. Tal como ontem, o catolicismo e o Ocidente continuam a ter inimigos que os querem destruir. E não cabe ao católico deixar-se conduzir inocentemente ao matadouro. O católico pode aceitar o martírio — se ele for inevitável — mas não o procura de forma inconsciente. Isso seria suicídio e, consequentemente, pecaminoso.

«O inimigo não é, portanto, o concorrente ou o opositor em geral. O inimigo também não é o opositor privado que se odeia com sentimentos de antipatia. O inimigo é, apenas, uma totalidade de homens eventualmente combatente, isto é, combatente segundo uma possibilidade real, a qual se contrapõe a uma totalidade semelhante. O inimigo é apenas o inimigo público, pois tudo aquilo que tem relação com uma tal totalidade de homens, em particular com todo um povo, se torna por isso público. O inimigo é hostis, não inimicus em sentido mais amplo (...). A passagem muito citada 'amai os vossos inimigos' (Mateus 5, 44; Lucas 6, 27) diz 'diligite inimicos vestros (...) e não: diligite hostes vestros; não é do inimigo político que se fala. Também no combate milenar entre a cristandade e o islamismo nunca um cristão chegou ao pensamento de que, por amor aos sarracenos ou aos turcos, se tinha de entregar a Europa ao Islão, em vez de defendê-la».

Portanto, aquilo que o papa Bergoglio proclama vai contra toda a tradição, não só do catolicismo político mas das próprias Escrituras. A cristandade, como comunidade, sempre se defendeu da ameaça exterior — mesmo que pontualmente tenham existido alianças entre príncipes cristãos e muçulmanos. A ideia de se permitir que o Continente seja invadido sem qualquer reacção, a não ser a estúpida complacência, é algo de absolutamente inédito e não deve ser acatado.

«Não é preciso odiar pessoalmente o inimigo em sentido político e só na esfera do privado faz sentido amar o seu 'inimigo', isto é, o seu opositor. Aquela passagem bíblica toca tanto menos a contraposição política quanto mais quer destacar as contraposições entre bem e mal ou entre belo e feio. Sobretudo ela não quer dizer que se deve amar os inimigos do seu povo e apoiá-los contra o seu próprio povo.» (Carl Schmitt, O Conceito do Político (trad. de Alexandre Franco de Sá), Lisboa, Edições 70, 2015).

O papa Bergoglio não defende o seu povo, o povo católico. O papa Bergoglio, caso espantoso, coloca os interesses do seu povo abaixo dos interesses alheios. Logo, o papa Bergoglio não pode ser seguido pelo seu povo, nomeadamente em questões políticas nas quais se revela faccioso.

Como refere Carl Schmitt, não temos de odiar pessoalmente o inimigo. A Igreja não odeia pecadores, mas o pecado. Do mesmo modo não cabe aos católicos odiarem o inimigo enquanto pessoa. Mas cabe-lhes defender a sua comunidade e a sua Igreja. Sobretudo quando ocupada por quem não parece disposto a fazê-la permanecer.

O papa Bergoglio é intelectualmente desonesto. Serve-se da ignorância doutrinal de muitos católicos para fazer passar a ideia segundo a qual o que ele diz é doutrina da Igreja, não só em termos teológicos mas sobretudo políticos. Ao invés de ser uma referência, não se distingue de um vulgar político que usa e abusa da retórica e da ilusão.





quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Península Ibérica (Al-Andaluz) declarada lugar de reconquista para o Islão



O mito da tolerância e da paz multicultural medieval em Al-Andaluz

António Justo

Um dos focos do terrorismo é a Península Ibérica «Al-Andaluz». Esta é «a terra da guerra», como anunciava já o médico Ayman Al-Sawahiri (vice-chefe da organização terrorista Al Qaida em 2006 ao declarar a guerra santa contra Al-Andaluz (Península Ibérica), especificando: «O objectivo da jihad é libertar os territórios que já foram a terra do Islão, desde Al-Andalus até ao Iraque.»

Há duas semanas, antes do atentado de Barcelona, o Estado Islâmico (EI) apelava nos seus sites à «reconquista de Al-Andalus» (HNA,19.08.2017) e anunciava um atentado nos próximos dias, chegando a usar, em 29 de Julho passado, a expressão «fogo sobre Al-Andaluz»; Al-Andaluz era a expressão usada pelos árabes quando se referiam à Península Ibérica, dominada pelos mouros (desde 711 a 1249 a zona de Portugal e desde 711 a 1492 grandes zonas de Espanha).

A tradição islâmica (Sharia) divide o planeta em fronteiras religiosas: a «terra da paz» (Dar el-Islam) que são as regiões onde os muçulmanos dominam, e a «terra da guerra» (Dar al-Harb), as terras onde o Islão ainda não domina. O sonho árabe é a reconquista árabe de Espanha contra a reconquista ocidental em Espanha.

O mito de Al-Andaluz: estímulo para uns
e força alienadora para outros

A região da Catalunha (província de Barcelona) é uma terra preferida por radicais muçulmanos para aí viverem. Na Espanha há 800 mesquitas e na sua sombra há também «mesquitas de garagem» onde a pregação do ódio produz frutos. O dia 22 de Agosto seria, para já, uma data propícia para mais atentados!

A lembrança da era dourada muçulmana em Espanha (Al-Andaluz) é um mito para os muçulmanos no seu sonho de voltar ao fulgor da sua Idade de Ouro e, para não muçulmanos, é o mito da suposta era de paz e tolerância entre o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. O sonho árabe corresponde às suas coordenadas de religião política e ao sonho de um império a realizar; da parte europeia, o desejo mitificado de um tempo de paz e tolerância que provem de um trauma de séculos de convívio e de relações frustradas com o vizinho muçulmano – temos, sociologicamente, a experiência dolorosa de uma humilhação, ainda no inconsciente, a procurar refugiar-se na ilusão de uma sublimação.

Os muçulmanos estão na origem, de facto, de um grande desenvolvimento na Península Ibérica e na Europa, através da filosofia como tradutores/comentadores das obras dos clássicos gregos (os escritos gregos da antiguidade foram traduzidos para árabe, hebraico e latim em Córdoba), das ciências da medicina (Albucasis, Averróis), das novas técnicas de agricultura, da concentração em aglomerados citadinos e da sua própria arquitectura.

Uma certa tolerância dos potentados muçulmanos do Al-Andaluz, foi conseguida então pelo facto de não terem posto em prática o que a Doutrina islâmica exigia (Corão, Ditos do Profeta e Sharia). Então como hoje surgiram movimentos de radicalismo (jihadistas) que pretendem pôr em prática o que a Doutrina muçulmana e o exemplo de Maomé requer.

O filósofo judeu Moisés Maimónides de Córdoba, propôs uma interpretação alegórica das passagens da Tora de maneira a, nas Escrituras sagradas, termos uma verdade simbólica para os filósofos e teólogos e uma verdade física para o povo (verdade literal!).

O sistema muçulmano perseguiu o seu grande filósofo Averróis que foi um luzeiro na medicina e na filosofia, na qualidade de comentador de Aristóteles. A sua acentuação da razão e a interpretação alegórica dos textos sagrados (semelhante a Maimónides) não agradavam nem aos senhores muçulmanos nem aos senhores cristãos, tendo sido desterrado pelo soberano muçulmano.

medievalista Francisco Garcia Fitz, constata que «a tolerância na Espanha muçulmana», em que as três culturas se respeitavam mutuamente, não passa de um «mito multicultural» e não corresponde à verdade histórica. Cristãos e judeus eram tidos como inferiores e eram marginalizados, embora considerados minorias protegidas («dhimmis»). Na Espanha, como ainda hoje na Turquia, estavam impedidos de obter tarefas de liderança no exército ou na administração política.

As relações entre grupos religiosos eram caracterizadas por conflitos religiosos, políticos e de raça como conclui Darío Fernández-Morera no ensaio The Myth of the Andalusian Paradise, e que «nos melhores tempos só podia ser controlado através do poder tirânico dos governantes».

A outra parte da realidade muçulmana em Espanha

Tanto a demonização como a divinização de uma época ou cultura estão ao serviço da guerra das corporações e da estupidificação de espíritos indiferenciados.

Nesta época, Al-Andaluz era um centro de muita criatividade e de alto nível científico e intelectual. O sistema económico era favorável à formação de elites.

Os não-muçulmanos (Ahl al-Dhimma) eram discriminados e oprimidos. O historiador Bernard Lewis constata: «As sociedades islâmicas nunca reconheceram a igualdade nem fingiram fazê-lo [...] Sempre houve discriminação, de modo permanente e naturalmente necessário, como algo inerente ao sistema e institucionalizado pela lei e pela prática

Cristãos e judeus pagavam impostos específicos — um imposto individual e um imposto sobre a terra — que eram muito mais opressivos do que os impostos aos muçulmanos. As comunidades cristã e judaica estavam proibidas de exercer a sua religião em público, não podiam construir novas igrejas nem expressar em público as suas opiniões sobre religião. Muhammad I (823–886) mandou destruir todas as igrejas construídas depois de 711. Judeus e cristãos tinham de usar vestes que os distinguiam dos muçulmanos; nos séculos XI e XII houve também conversões forçadas, deportações e emigrações maciças de refugiados para a Espanha cristã.

O historiador Francisco Garcia Fitz: «As operações militares do governante Almanzor no século X e as expedições jihad dos Almorávidas e Almohitas no século XII, contra os territórios cristãos, eram uma correspondência às Cruzadas Cristãs na luta contra o Islão». Neste pano de fundo, continua o historiador: «a ideia idílica de uma Espanha muçulmana como local de encontro para três culturas parece mais ser a resposta a uma necessidade actual. Os modelos de relações interculturais que a nossa sociedade precisa, não devem ser buscados na Idade Média. Porque o que lá se encontra é o outro lado da realidade: política de exclusão, que culminou em violência e expulsão». «A «tolerância na Espanha muçulmana é um mito».

No fim do Califado em1031, a convivência deteriora-se, chegando a haver um pogrom contra os judeus de Granada, onde milhares foram assassinados. Muitos judeus, entre eles Moisés Maimónides, refugiaram-se em áreas mais tolerantes no Mediterrâneo Oriental ou nos reinos cristãos emergentes no Oeste da Espanha.

O domínio muçulmano terminou como começou…. Rivalidades, no século VIII, entre cristãos tinham facilitado a entrada dos muçulmanos na Península Ibérica e rivalidades, no século XIII, entre muçulmanos facilitaram a reconquista cristã. Em 1492 o último rei Abu Abdalá (Boabdil), capitulou perante os Reis Católicos, Fernando e Isabel.

Com este contributo não quero justificar preconceitos com preconceitos. Saber é luz que vai iluminado também os nossos mais obscuros recônditos! Importante é estarmos na disposição de descobrir e servir o espírito da luz, mas sempre conscientes das próprias trevas.





quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Cidades europeias assimilam a Lei da Sharia



Giulio Meotti, Gatestoneinstitute, 20 de Agosto de 2017

Original em inglês: Europe's Cities Absorb Sharia Law

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, proibiu anúncios que promovam «expectativas não realistas no tocante à imagem do corpo e da saúde das mulheres». Agora Berlim está a planear proibir imagens onde as mulheres são retratadas como «lindas mas fracas, histéricas, idiotas, loucas, ingénuas ou governadas pelas emoções». O escritor e jornalista do jornal Der Tagesspiegel, Harald Martenstein, afirmou que é possível que a orientação «tenha sido incorporada do manifesto do Talibã».
  • A ironia é que esta onda de moralidade e «virtude» vem de cidades governadas por políticos esquerdistas desinibidos, que durante anos fizeram campanha a favor da libertação sexual. Virou tema de discussão «feminista» defender a conduta da sharia.
  • Parafraseando o escritor americano Daniel Greenfield: a ironia das mulheres celebrarem a sua própria opressão é tanto de cortar o coração como de estupefazer.
Dias após o Estado Islâmico ter conquistado a cidade de Sirte na Líbia há dois anos, apareceram gigantescos outdoors na fortaleza islamista, alertando as mulheres que deveriam usar hijabs para esconderem o corpo todo e nada de perfumes. Entre outras coisas esses «mandamentos da sharia em relação à hijab» incluíam o uso de tecido grosso e opaco e que a hijab não «lembrasse trajes de infiéis».

Dois anos mais tarde, as três cidades mais importantes da Europa – Londres, Paris e Berlim – estão a seguir a mesma moda da sharia.

Paris disse Au revoir aos anúncios «machistas» em outdoors. A Câmara Municipal de Paris anunciou a proibição depois que a prefeita socialista Anne Hidalgo salientou que a medida denotava que Paris estava «a mostrar o caminho» na luta contra o machismo. O prefeito de Londres, Sadiq Khantambém proibiu anúncios que promovam «expectativas não realistas no tocante à imagem do corpo e da saúde das mulheres». Agora Berlim está a planear proibir imagens onde as mulheres são retratadas como «lindas mas fracas, histéricas, idiotas, loucas, ingénuas ou governadas pelas emoções». O escritor e jornalista do jornal Der Tagesspiegel, Harald Martenstein, afirmou que é possível que a orientação «tenha sido incorporada do manifesto do Talibã».

A ironia é que esta onda de moralidade e «virtude» vem de cidades governadas por políticos esquerdistas desinibidos, que durante anos fizeram campanha a favor da libertação sexual.

Há uma razão para esta campanha grotesca que proíbe essas imagens. Essas cidades possuem consideráveis populações muçulmanas e classe política – a mesma que promove freneticamente o multiculturalismo obrigatório – que deseja agradar ao «Islão». Virou tema de discussão «feminista» defender a conduta da sharia, como faz Linda Sarsour. A consequência é que hoje em dia pouquíssimas feministas se atrevem a criticar o Islão.

Isso está a acontecer em todos os lugares. Cidades holandesas estão «a orientar» as suas funcionárias a não usarem mini-saias. Foi implantado horários somente para mulheres nas piscinas públicas suecas. Escolas alemãs estão a enviar cartas aos pais pedindo que as crianças evitem usar «trajes vistosos».

O primeiro a sugerir a proibição de cartazes e propaganda que «reduzam mulheres ou homens a objectos sexuais» foi o ministro da Justiça da Alemanha Heiko Maas, social-democrata.

«A exigência de cobrir o corpo das mulheres ou domesticar os homens», enfatizou o líder do Partido Liberal Democrata Christian Lindner, «é algo comum nos círculos de líderes religiosos islâmicos radicais, mas não vindo do ministro da Justiça da Alemanha».

Em 1969 a Alemanha estava sufocada devido a uma celeuma sobre a introdução nas escolas do «Sexualkundeatlas», um «Atlas» sobre a ciência sexual. Agora, a meta é dessexualizar a sociedade alemã. O jornal Die Welt comenta:

«Graças ao ministro da Justiça, Heiko Maas, finalmente ficamos a saber porque, na passagem do Ano Novo, na Estação Central de Trens de Colónia, cerca de mil mulheres foram vítimas de violência sexual: por causa da publicidade machista. Muitas modelos erotizadas, muita pele nua nos nossos outdoors, muitas bocas eróticas, muitas mini-saias em revistas de moda, muitos traseiros rebolantes e seios volumosos na publicidade televisiva. Mais um passo na direcção da «submissão».

Em vez de mamilos e nádegas, Die Welt conclui: «devemos exortar o uso da burca ou do véu como faz a Sra. Erdogan»?

As mesmas elites alemãs que sugerem a proibição de outdoors «machistas» censuraram os detalhes aterrorizantes dos ataques sexuais em massa em Colónia. Enquanto isso, uma mesquita liberal em Berlim, que proibiu as burcas e abriu as portas aos homossexuais e às mulheres sem véus, encontra-se agora sob protecção da polícia devido às ameaças dos supremacistas muçulmanos.

As elites europeias estão a adoptar o padrão de dois pesos e duas medidas: orgulham-se em organizar uma exposição de um crucifixo cristão mergulhado em urina e rapidamente capitulam às demandas muçulmanas de censurar caricaturas do Profeta Maomé. As autoridades italianas fizeram esforços hercúleos a fim de evitar que o presidente do Irão, Hassan Rouhani, tivesse um vislumbre da nudez de esculturas milenares dos Museus Capitolinos de Roma.

Parece que o Ocidente está fascinado pelos véus islâmicos. Ismail Sacranie, fundador da Modestly Active, fabricante e designer de burquínis, disse ao jornal New York Times que 35% das suas clientes não são muçulmanas. Aheda Zanetti, libanesa que reside na Austrália, que inventou o burquíni, afirma que 40% das suas vendas são para mulheres não muçulmanas. O público ocidental, que romanceia o islão, está, ao que tudo indica, absorvendo a devoção à Lei Islâmica (Sharia). The Spectator disse que isso é «um novo puritanismo» e «o porquê de certas feministas serem solidárias com o Islão».

Parafraseando o escritor americano Daniel Greenfield: a ironia das mulheres celebrarem a sua própria opressão é tanto de cortar o coração como de estupefazer.

A Europa poderá imediatamente ter que retratar-se diante da prefeita de Colónia, Henriette Reker. Ela foi duramente criticada — vituperada até — por aconselhar mulheres a «manterem distância» de estranhos para evitarem ataques sexuais.

Se o Ocidente continuar a trair os valores democráticos de liberdade individual no qual se baseia a civilização Ocidental, os fundamentalistas islâmicos, como aqueles que impuseram o uso de burcas às mulheres líbias, começarão a impô-las às mulheres do Ocidente. Eles podem até começar com as elites feministas que primeiramente fizeram a revolução sexual para emancipar as mulheres na década de 1960 e que agora estão apaixonadas por uma roupa obscurantista que esconde as mulheres numa prisão portátil.