segunda-feira, 22 de agosto de 2016


Salazar, 48 anos depois


Helena Matos, Observador, 3 de Agosto de 2016

Os nossos líderes quiseram acreditar que bastava dizerem-se anti-salazarista para serem melhores portugueses e saberem o que era melhor para Portugal. Não bastava, como se viu e como se vê.

Quarenta e oito anos depois de Salazar ter saído de cena onde estamos? A quem viveu o PREC basta fazer as contas e perceber que levamos sem Salazar aquele número mágico dos 48 anos que, em 1974, tudo explicavam: era a longa noite dos 48 anos do fascismo, os 48 anos de opressão, os 48 anos de miséria… num crescendo em que os 48 anos pareciam um século.

Salazar morreu oficialmente há 46 anos, a 27 de Julho de 1970. Mas a sua morte política teve lugar dois anos antes quando, no dia 3 de Agosto de 1968, caiu no Forte de Santo António. As histórias da História registam uma queda acidental numa cadeira de lona como a causa do processo que levaria, em Setembro desse mesmo ano de 1968, ao seu afastamento do cargo de Presidente do Conselho.

Para a oposição, cujos líderes eram então jovens, a imagem de Salazar a estatelar-se de costas, era mais um episódio da decrepitude que eles achavam que nunca iriam sofrer. Para o regime a queda da cadeira foi também uma história conveniente pois, caso a queda não tivesse sido acidental, haveria que reconhecer que ela era apenas o culminar de uma doença de que Salazar já dera sinais no Conselho de Ministros que tivera lugar a 12 de Junho de 1968. Nesse Conselho de Ministros, segundo recorda Franco Nogueira, um Presidente do Conselho fisicamente debilitado repetiu, sem aparentar qualquer consciência disso, parte da intervenção que fizera no dia anterior.

Reconhecer que Salazar estivera quase três meses (de 12 Junho – quando ocorre o conselho de ministros em que Salazar manifestamente mostra um quadro de alguma confusão – a 6 de Setembro, quando é hospitalizado) já intelectualmente diminuído em funções era per si embaraçoso mas para cúmulo nesse período, ou mais precisamente a 19 de Agosto, Salazar remodelara o Governo, mexendo em pastas tão importantes quanto o Exército, Marinha, Educação e Finanças. Assim a queda acidental na cadeira tornou-se a versão conveniente para todas as partes.

Mas tenha sido acidente ou sinal de doença, a queda da cadeira nesse Agosto de 1968 é o princípio da morte de Salazar. Rapidamente o salazarismo, que nunca foi uma ideologia, arreigou-se como uma espécie de nostalgia tão mais tranquila quanto garantidamente a tal tempo e modo de viver não se pode regressar e presumo que ninguém verdadeiramente o queira, a começar pelos próprios salazaristas.

Ao lado deste «salazarismo-produto da nostalgia» emprateleirado entre artigos tradicionais que tal como o salazarismo ninguém usa, impôs-se vigorosamente o anti-salazarismo. Durante décadas da nossa democracia, tudo em Portugal foi bom ou mau consoante fosse, ou não, apresentado como salazarista ou «do tempo de Salazar». As mais prosaicas leis ou até simples regulamentos de cargas e descargas ganhavam estatuto de mudança urgente caso alguém descobrisse que tinham sido rubricados por Salazar.

(Quando os tempos impuseram que se gostasse do que, por sinal muito erradamente, fora sendo associado a Salazar – casos do fado, do futebol e também de Fátima – rapidamente se conferiu a esses até aí pilares do salazarismo a aura da expressão popular e da resistência ao Portugal de Salazar. Dada a rapidez das mudanças do campo «do pilar do salazarismo» para o «da resistência ao Portugal de Salazar», espero pelo Verão, certamente próximo, em que veremos a «Cantiga da boa gente» a ser estudada nos acampamentos do BE como «manifesto alternativo feminino qualquer coisa».)


O estatuto de anti-salazarista tornou-se num dos maiores paradoxos da democracia portuguesa: o facto de se ter feito equivaler anti-salazarismo a combate pela liberdade levou a que terroristas, ladrões, violadores e orgulhosos servidores de regimes totalitários estrangeiros (a que alguns até transmitiram informações militares) acabassem a ser apresentados como defensores da democracia, regime que alguns dos anti-salazaristas abominavam ainda mais que Salazar.

Se esta identificação entre anti-salazarismo e liberdade gera equívocos quando falamos do período em que Salazar esteve no governo (1928-1968), para o período da I República o resultado é anedótico pois pretende-se que os líderes da I República não só estavam imbuídos de um presciente anti-salazarismo como que o próprio regime republicano se regia pelas regras institucionais nossas contemporâneas. Resultado: assuntos como a repressão das greves na I República – que nesta versão dos factos não é suposto ter acontecido – e o voto das mulheres no Estado Novo – sim, no Estado Novo, para grande irritação da oposição, as mulheres passaram, embora com limitações, a poder votar e ser eleitas – acabam a causar a maior estranheza e incompreensão. A guerra que Portugal travou entre 1961 e 1974 em África é adjectivada como colonial porque decidida por Salazar. Já o esforço militar que Portugal travou em África durante a I Guerra é apresentado como defesa patriótica dos territórios ultramarinos.

Avaliar o passado em função da posição tomada por Salazar em cada contexto leva-nos a paradoxos como os atrás enumerados e, ironicamente, exime Salazar daquelas que são as suas óbvias responsabilidades políticas. Afinal Salazar, como muitos dos líderes não democráticos que se acreditam intelectual e moralmente muito acima dos seus contemporâneos, sejam eles seus apoiantes ou opositores, conduziu o regime que edificara para um beco sem saída ou de que a única saída seria um golpe.

Daqui resultou o inevitável: a natureza autoritária do regime condenava Portugal a ficar, mais cedo ou mais tarde, politicamente nas mãos dos militares o que no caso do então Ultramar seria trágico pois ao reprimir a formação de líderes políticos no âmbito partidário, o regime deixou o lugar de representantes daqueles territórios para os líderes dos auto-denominados movimentos de libertação que de libertação nada tinham e a quem, sobretudo no caso de Angola e São Tomé, faltava muito para serem movimentos fosse do que fosse.

Os moldes em que decorreu aquilo a que se chama descolonização resultam assim não de uma derrota militar mas sim da natureza ditatorial do Estado Novo – sem líderes políticos fortes no então Ultramar (não os havia nem os podia haver porque o regime não o permitia) o destino daqueles territórios e de quem neles habitava acabou como tinha acabar: a ser decidido, em 1974, em reuniões e plenários de oficiais, sargentos e praças. Naquilo a que então se chamava metrópole o desfecho foi outro porque nestas coisas a Geografia conta e os EUA (nessa época) também.

A democracia recuperou Salazar. O homem que o marcelismo progressivamente afastara de cena em 1968 e enterrara em 1970, que pouco a pouco fora ficando reduzido a umas breves notícias sobre a fundação que levava o seu nome e a missas por sua intenção voltou ao centro da retórica política. Afinal, descobria a nomenclatura do novo regime, era difícil viver retoricamente sem Salazar. Sem o poder culpar. Sem o poder julgar. Sem o poder invocar… E assim ao longo destes 48 anos tivemos o salazarista, o anti-salazarista e por fim o salazarento que até rima com bafiento.

Mas agora que a máquina fiscal detém mais informação sobre as nossas vidas do que a PIDE alguma vez conseguiu sobre os cidadãos, mesmo os que caíam na sua alçada, agora que já vimos como a decrepitude física e intelectual chega a todos, agora que estamos a caminho de mais uma falência, agora que os populismos tomaram conta da agenda, é mais que chegado o tempo de nos confrontarmos com o óbvio: boa parte da mediocridade do nosso presente e muitos dos nossos actuais bloqueios nascem do facto de boa parte dos líderes da nossa democracia e das nossas elites terem acreditado e feito acreditar que bastava declararem-se anti-salazarista para serem melhores portugueses e saberem o que era melhor para Portugal. Não bastava, como se viu e como se vê.





sexta-feira, 5 de agosto de 2016

terça-feira, 2 de agosto de 2016

sábado, 30 de julho de 2016


O Bergoglio diz que não...

Nice: prossegue a guerra de religião




Roberto de Mattei, Il Tempo, 16 de Julho de 2016

O Papa Francisco tinha razão quando há mais de um ano afirmou que a Terceira Guerra Mundial já havia começado e que está sendo travada «em fragmentos». Mas é preciso acrescentar que se trata de uma guerra de religião, pois os motivos dos que a declararam são religiosos e até os homicídios perpetrados em seu nome são de índole ritual.

Francisco qualificou o massacre de Nice de acto de violência cega. Ora, a fúria homicida que induziu o condutor do caminhão a semear a morte na orla marítima não foi um acto irracional de loucura, mas fruto de uma religião que incita ao ódio e instiga à violência. Os mesmos motivos religiosos desencadearam as carnificinas do Bataclan de Paris, dos aeroportos de Bruxelas e Istambul e do restaurante de Dacca. Por mais bárbaros que tenham sido esses atentados, nenhum deles foi cego, mas foi parte de um plano lucidamente exposto pelo Estado Islâmico nos seus documentos.

O porta-voz do EI, Abu al-Adnani, numa gravação difundida pelo Twitter em fins de Maio, lançou um apelo ao assassinato na Europa em nome de Alá, com estas palavras: «Quebra-lhe a cabeça com uma pedra, assassina-o a facadas,  atropela-o, atira-o de um lugar elevado, estrangula-o ou envenena-o.» E o Corão não se expressa de modo diverso ao falar dos infiéis. O que sim constitui sintoma de loucura cega é continuar fechando os olhos para esta realidade.

É uma ilusão crer que a guerra ora travada não foi declarada pelo Islão ao Ocidente, mas que é uma guerra intestina do mundo muçulmano, e que a única forma de se salvar é ajudando o Islão moderado a derrotar o fundamentalista. Mas falar de Islão moderado é cair em contradição, porque os maometanos que se secularizam e se integram na sociedade ocidental deixam de ser muçulmanos, ou se tornam muçulmanos não observantes ou maus muçulmanos. Um verdadeiro muçulmano pode renunciar à violência por oportunismo, mas sempre considerará legítimo fazer uso dela contra os infiéis, porque assim ensina Maomé.

A guerra actualmente em curso é uma guerra contra o Ocidente, mas também contra o cristianismo, porque o Islão quer substituir a religião de Cristo pela de Maomé. Por isso, o objectivo final da sua conquista não é Paris nem Nova York, mas Roma, centro da única religião que o Islão se propõe aniquilar desde a sua origem. A guerra contra Roma remonta ao nascimento do próprio Islão, no século VIII. Roma era o objectivo dos árabes que em 830 e 846 ocuparam, saquearam e depois se viram obrigados a abandonar a Cidade Eterna. Roma era o ponto de mira dos muçulmanos que em 1480 decapitaram os 800 cristãos de Otranto e degolaram os nossos compatriotas em Dacca em 2016.

Trata-se de uma guerra religiosa, declarada pelo EI à irreligiosidade ocidental e à sua religião, que é o cristianismo. E à medida que este se seculariza, vai abrindo caminho para o seu adversário, que só pode ser derrotado por uma sociedade com uma identidade religiosa e cultural forte. Como observa o historiador inglês Christopher Dawson, o factor de coesão de uma sociedade e de uma cultura é o impulso religioso: «As grandes civilizações não dão à luz as grandes religiões como uma espécie de subproduto cultural; as grandes religiões são a base sobre as quais se sustentam as grandes civilizações. Uma sociedade que perdeu a sua religião está fadada a perder cedo ou tarde a sua cultura.»

Esta guerra religiosa já é uma guerra civil europeia, porque se combate no interior das nações e das cidades de um continente invadido por milhões de imigrantes. Ouve-se com frequência que, face à invasão, devemos construir pontes em vez de levantar muros; mas só se defende uma fortaleza sitiada subindo a ponte levadiça, e não baixando. Alguns começam a dar-se conta.

As autoridades francesas previram a irrupção de uma guerra civil destinada a ser travada antes de tudo no interior dos grandes centros urbanos, onde a multiculturalidade impôs a impossível convivência de grupos étnicos e religiosos diversos. Em 1 de Junho passado, um comunicado do Estado-Maior francês anunciou oficialmente a criação de uma força convencional do Exército, o Comando terrestre para o território nacional (COM TN), destinado a combater a jihad em território francês. Baptizado de Au contact, o novo modelo estratégico compõe-se de duas divisões sob um comando único, com um total de aproximadamente 77 mil homens dispostos a enfrentar o perigo de uma insurreição islâmica.

Ante esse perigo, além das armas materiais, utilizadas em todo o conflito para exterminar o inimigo, são também e sobretudo necessárias as armas culturais e morais, consistentes na consciência de que somos herdeiros de uma grande civilização que definiu a sua identidade ao longo dos séculos precisamente combatendo o Islão. Instamos respeitosamente o Papa Francisco, Vigário de Cristo, a ser o porta-voz da nossa história e da nossa tradição cristã face ao perigo que nos ameaça.






A Amoris laetitia abre os braços da Igreja

e da sociedade para a demolição programada

do casamento e da família


Apelo aos bispos, aos sacerdotes
e aos movimentos de leigos silenciosos

http://ipco.org.br/ipco/wp-content/uploads/2016/07/Amoris-laetitia-IPCO.pdf







Bispos polacos contra Bergoglio

Isto está a aquecer...


TEXTO EM INGLÊS: http://www.thetablet.co.uk/news/5920/0/polish-bishops-vow-to-refuse-communion-to-divorced-and-remarrieds


TRADUÇÃO AUTOMÁTICA:

Bispos polacos prometem se recusar
a comunhão a divorciados e recasados

Christopher Lamb, The Tablet, 28 de Julho de 2016

Anúncio destaca as tensões entre Francis e hierarquia do polonês após o porta fechada reunião ontem à noite.

Um bispo sênior disse que a Igreja na Polónia irá se recusar a comunhão aos católicos divorciados e recasados, apesar de o documento marco da família do papa Francis, que abriu a possibilidade.

Arcebispo Stanislaw Gadecki, o Presidente da Conferência Episcopal Polaca ', disse que dar a comunhão não pode ser autorizada após um período de discernimento pastoral - algo que Francis tem defendido - acrescentando que, se os divorciados recasados ​​teve um primeiro casamento válido eles não podem receber a Eucaristia.

As declarações foram feitas poucas horas após a chegada do Papa em Cracóvia para um encontro mundial de jovens católicos e destacou as tensões entre a hierarquia de Francis e na Polónia. "Este [comunhão para divorciados novamente casados] não pode ser resolvido em um confessionário em dois minutos ou mesmo um par de anos ", o arcebispo disse aos jornalistas em uma coletiva de ontem à noite. "Este é um caminho para os sacerdotes e os leigos a caminhar juntos sabendo que, se um casamento tem sido validamente celebrado não há motivo para administrar a comunhão aos divorciados recasados.

"O arcebispo citou documento de João Paulo II sobre a família - onde a comunhão para divorciados novamente casados ​​foi efetivamente excluída -. ​​E disse que o texto de Francisco, emitido na sequência de duas reuniões sinodais, tinha tomado em consideração as recomendações da hierarquia Polish  Estes, acrescentou, " reter a verdade do evangelho que não podemos deliberadamente ultrapassar preceito de Cristo contra o divórcio ".

Arcebispo Gadecki também apontou para o desejo de Francisco para as igrejas locais para ter uma palavra a dizer:  "O Santo Padre diz que as leis gerais são muito difíceis de cumprir em cada país - o Papa fala sobre a descentralização, ou seja, as conferências em países individuais podem interpretar encíclicas papais olhando para suas próprias situações religiosas e culturais ", disse o arcebispo Gadecki em um briefing a jornalistas na noite passada.

No dia da sua chegada, o Papa teve um encontro de portas fechadas com os bispos, onde há discursos foram feitas - no passado Francis usou tais reuniões no México e nos Estados Unidos a censurar hierarquias nacionais. Mas, dado que o legado do seu antecessor polonês João Paulo II se agiganta durante a sua visita, o Papa procurou evitar quaisquer confrontos públicos.

Durante sua visita à Polônia Francis citou regularmente João Paulo II e na noite passada repetiu a frase palavra de ordem do papado Wojtyla - "não tenha medo" - ao cumprimentar uma multidão de jovens. A figura de João Paulo II também paira sobre a visita papal à Polônia dado que Francis é aqui para o Dia Mundial da Juventude, um evento criado pelo Papa polonês.

Esta manhã Francis viajou para Czestochowa, cerca de 90 milhas de Cracóvia, para marcar o 1050 aniversário do que é conhecido como o Baptismo da Polónia. Lá, ele orou em frente à famosa imagem da Virgem Negra, no mosteiro de Jasna Gora e depois celebrou uma missa ao ar livre para centenas de milhares se reuniram em frente.


Houve uma grande preocupação durante a procissão de entrada quando o Papa tropeçou e caiu no chão, enquanto ainda segurando o turíbulo. Mas ele foi ajudado a se levantar e foi bem o suficiente para continuar com a celebração da missa, sem assistência médica.  Durante a homilia, o Papa disse que Deus não é algo que nos livros de história, mas uma realidade concreta na vida das pessoas.  "O Senhor não quer a ser temido como um soberano poderoso e distante. Ele não quer manter-se no seu trono no céu ou nos livros de história ".

Esta tarde ele vai voltar para Cracóvia para saudar oficialmente os cerca de 400.000 jovens católicos que se reuniram para o evento que está sendo acompanhado por cerca de 800 bispos e 70 cardeais.  Na sexta-feira ele vai viajar para o local do antigo campo de concentração nazista de Auschwitz, onde vai orar em silêncio e se reunir com alguns sobreviventes do Holocausto.

O Tablet Roma Correspondente Christopher Lamb está em Cracóvia para o Dia Mundial da Juventude





segunda-feira, 25 de julho de 2016


Quem irá escrever o futuro de França?


Daniel Pipes, Washington Times, 7 de Junho de 2016

Dois romances franceses de grande repercussão, diferentes quanto ao tom e ao timing, retratam duas influentes visões de França no futuro. Não se trata apenas de boa leitura (ambos já foram traduzidos para o inglês), juntos estimulam o pensamento sobre a crise da imigração no país e as mudanças culturais.

Jean Raspail (1925-) imagina a invasão racial vinda pelo mar, por meio de jangadas e botes partindo do subcontinente indiano navegando vagarosamente, inexoravelmente rumo ao Sul de França. No Le Camp des Saints (O Campo dos Santos, 1973), primordialmente documenta a impotente reacção francesa, tomada pelo pânico, à medida que a horda (palavra usada 34 vezes) «continua engrossando ainda mais as suas fileiras».

É uma perfeita fantasia anti-utópica sobre a raça branca e a vida europeia que corresponde aos receios articulados por ninguém menos que Charles de Gaulle, o principal político de França pós-guerra, que dava cordial acolhimento a cidadãos franceses não brancos, «desde que permanecessem uma pequena minoria. Senão, a França deixará de ser a França. Afinal de contas, somos todos, acima de tudo, um povo europeu de raça branca».

Camp também antecipa a noção da «Grande Substituição» (Le Grand Remplacement) conceptualizada pelo intelectual francês Renaud Camus, que antecipa a rápida substituição «do histórico povo do nosso país por povos de origem imigratória que são em grande medida não europeus». É o mesmo receio, a grosso modo – dos imigrantes passarem o povo francês autóctone para segundo plano e apoderarem-se do país – que inspira o partido Frente Nacional, que já atinge índices de 30% dos votos nas pesquisas de opinião e continua crescendo.

Michel Houellebecq (1956-) conta a história, não de um país (França), mas de um indivíduo (François) em estado de Soumission (Submissão, 2015). François é um professor já cansado, decadente, do movimento decadente da literatura francesa. Não tem família, amigos nem ambição; embora tenha somente quarenta e poucos anos, a sua vontade de viver deteriorou-se e chegou ao tédio a ponto de se alimentar de pratos prontos e uma sucessão de troca de parceiros sexuais.

Quando um político muçulmano, ostensivamente moderado, inesperadamente se tornar presidente de França em 2022, uma série de mudanças radicais na vida francesa tomarão forma rapidamente. Numa guinada, o que começa de forma sinistra (um corpo num posto de gasolina) mais do que depressa se torna em algo bom (deliciosa comida do Médio Oriente). Atraído por uma boa e recompensadora oferta de trabalho com a vantagem de poder conhecer e casar com várias estudantes, todas cobertas com véus, François imediatamente abandona os seus antigos costumes e converte-se ao Islão, que lhe promete recompensas de uma vida sumptuosa, exótica e patriarcal.

Se por um lado o romance de 1973 nunca menciona a palavra Islão ou muçulmano, em contrapartida o romance de 2015 adapta-se às duas – começando pelo título: Islão que em árabe significa «submissão». Da mesma forma, o primeiro livro tem como foco a raça enquanto o segundo praticamente não toma conhecimento dela (a prostituta favorita de François é do Norte de África). A tomada do poder da primeira obra termina de forma diabólica, a outra de forma agradável. O primeiro livro é um tratado político apocalíptico disfarçado de entretenimento, o segundo apresenta uma visão literária e sardónica no tocante à perda de força de vontade sem também expressar qualquer ânimo em relação ao Islão ou aos muçulmanos. O primeiro documenta uma agressão o segundo um consolo.

Os romances capturam duas importantes e praticamente contraditórias correntes do pós-guerra: a atracção exercida pela Europa livre e rica nos povos remotos e empobrecidos, principalmente muçulmanos; e a atracção de um Islão vigoroso em vez de uma Europa pós-cristã enfraquecida. Em ambos os casos, a Europa – apenas 7% do território mundial, contudo a região dominante por cinco séculos, de 1450 a 1950 – está prestes a perder os seus costumes, cultura e convenções sociais, tornando-se uma mera extensão ou até dependente do Norte de África.

Os romances sugerem que a alarmante preocupação expressada há décadas (multidões de pessoas furiosas e violentas de pele escura) tornam-se um lugar comum e até benignas (as universidades do Médio Oriente pagam salários mais altos). Sugerem que o clima de pânico já passou, sendo substituído por uma época de graciosa capitulação.

Camp causou furor na Direita quando do lançamento do livro, os dois livros, no entanto, abordam temores muito mais disseminados nos dias de hoje; a republicação de Camp em 2011 saltou para o topo da lista de best sellers em França e Submissão  simultaneamente tornou-se o best seller n.º 1 quatro anos depois em França, Itália e Alemanha.

Um hiato de quarenta anos separa os dois livros; se saltarmos mais 42 anos, que tipo de história poderá contar um romance futurista publicado em 2057? Intelectuais como Oriana Fallaci, Bat Ye'or e Mark Steyn assumiriam a vitória do Islão e a caça aos poucos remanescentes franceses da fé cristã. A minha previsão, no entanto, é praticamente contrária a essa: um relato que assume o fracasso da grande substituição de Camus, imaginando a violenta repressão aos muçulmanos (nas palavras de Claire Berlinski) «libertando os franceses da ofuscação da História europeia» acompanhada pela reafirmação nativista francesa.

Original em inglês: Who Will Write France's Future?

Tradução: Joseph Skilnik





quinta-feira, 21 de julho de 2016


ATENTADO EM NICE


Mas queremos mesmo isto na Europa?





Maria João Marques, Observador, 20 de Julho de 2016

A culpa é dos indivíduos que escolhem matar e violar, bem como da religião e da ideologia que a tal os inspira. Mas têm cúmplices, que os tratam como crianças inimputáveis e ainda dão lições de moral.

É daquelas pessoas que dá palmadinhas compadecidas nas costas do muçulmano que violou a rapariga ocidental de minissaia, afinal veio de uma cultural onde é normal maltratar mulheres, e por cá está desempregado? Acha, como Ana Gomes, que a culpa dos atentados terroristas na Europa é da austeridade? Defende que os pobres diabos, sejam violadores ou terroristas, têm de ser compreendidos, assimilados, receber muito dinheiro dos estados sociais europeus e, sobretudo, desculpados? Considera que os vilões verdadeiros são os que denunciam que os costumes islâmicos são aberrantes, concretamente para a condição feminina, e não podem ser tolerados na Europa? De cada vez que há denúncia de vilanias islâmicas, prefere escrutinar o mensageiro para tentar repudiar a mensagem? Vê como de uma lógica cristalina clamar contra o patriarcado e o heteropatriarcado e, simultaneamente, recusar aceitar que as comunidades islâmicas na Europa têm propensão para violar e brutalizar mulheres, e acumular com defesa de regimes que enforcam ou afogam gays? Repete vinte vezes por dia o mantra «o islão é uma religião de paz»?

Pois bem, é conveniente reconhecer que as pessoas iluminadas que responderam sim a dez por cento destas questões são cúmplices do caldo culpabilizante das vítimas que propicia os crimes dos islâmicos. Duvido que o à vontade criminal fosse tão grande se não notassem a solidariedade dos iluminados. Se não desconfiassem que a sua origem os vai livrar de investigações ou acusações mal um idiota útil grite xenofobia. Se não percebessem que a sociedade europeia se deixa vitimizar.

Vamos rever a matéria. O mais importante religioso muçulmano de Portugal é acusado pela mulher (que aparece com a cara ensanguentada em fotografias – certamente foi contra uma porta, como é costume) de violência doméstica. O que sucede? Os jornais param rapidamente de falar sobre o assunto e o Presidente da República dos afectos escolhe fazer na mesquita do acusado uma cerimónia no início do seu mandato.

Na Suécia, as violações por imigrantes de primeira e segunda geração, sobretudo de origem islâmica, são de tal ordem que o país já é conhecido por «capital de violações do Ocidente». Mas as autoridades escondem tanto quanto podem a origem dos violadores e chegam a culpar as mulheres por serem violadas: é que as desmioladas adoptam comportamentos não tradicionais ao papel do género feminino. Há até uma política sueca de esquerda – Barbro Sorman, em gritante necessidade de transplante cerebral – que defendeu no twitter que uma violação feita por um sueco é mais grave do que outra cometida por um imigrante. Afinal é «normal os refugiados quererem violar mulheres» e que aos suecos se exige que cumpram «standards mais altos que os imigrantes».

Deixemos de lado o tom colonialista deste discurso: são uns selvagens que não cabem nos altos padrões da civilização Ocidental. Iluminemos antes uma política de esquerda de um país europeu que vê como menos grave um imigrante não querer cumprir o articulado legal para crimes violentos do país que o acolhe – e os jornalistas que não incomodem mais os violadores muçulmanos.

Na Alemanha os abusos sexuais na passagem de ano foram abafados tanto quanto se pôde: os números, a origem dos abusadores, a existência dos crimes. No norte de Inglaterra a polícia preferiu conviver com adolescentes abusadas e prostituídas a investigar homens de origem paquistanesa.

Estamos nisto. Os atentados terroristas são culpa de George W. Bush e Tony Blair e Durão Barroso e da invasão do Iraque – esta é a tese desse equívoco parlamentar do PS que se chama Tiago Barbosa Ribeiro. Que França seja particularmente visada pelos terroristas, quando de forma ostensiva criticou e se distanciou e não participou da invasão do Iraque, não atormenta estas almas intelectualmente desafiadas. (Que se lembre que o 11 de Setembro de 2001 venha antes da dita invasão em 2003 também só se pode atribuir a picuinhice de gente islamofóbica da minha extracção.)

As violações e os abusos sexuais são culpa das mulheres, claro, que não se tapam nem facilitam nesta tarefa de permitir aos homens islâmicos lidar com as mulheres na Europa da maneira como estavam acostumados nos países de origem das suas famílias. Não somos acomodatícias e é bem feito que sejamos punidas por isso.

Um muçulmano que batia na mulher mata dezenas com um camião na Promenade des Anglais em Nice. Não teve nada a ver com ser islâmico: o pobre coitado devia sofrer com o patrão e tinha objecção de consciência ao fogo de artifício. Um refugiado afegão de 17 anos mata uns tantos num comboio na Alemanha. Apesar da surpreendente coincidência de ser islâmico (ninguém estava à espera), aposto que não foi religiosamente motivado, devia enjoar quando anda de comboio, ou o maquinista não o deixou visitar a locomotiva ou outra razão semelhante. E já temos um muçulmano (hein? quem diria?) a esfaquear uma mulher e meninas porque estavam com roupa escassa. Mas – novamente – não houve motivações religiosas nenhumas, ora essa, deve ter sido algum caso de bikinifobia.

A culpa, evidentemente, é dos indivíduos que escolhem matar e violar, bem como da religião e da ideologia que a tal os inspira. Mas têm cúmplices, que os tratam como crianças inimputáveis e ainda dão lições de moral. Pessoalmente não estou acima de sugerir a atribuição vitalícia de bolsas compulsivas para estudarem pinguins de Humboldt (nas ilhas de guano) a quem me periga a segurança e os direitos elementares com a apologia do islão na Europa.





quarta-feira, 20 de julho de 2016


O intelectualóide Barreto a baralhar os factos



Heduíno Gomes

António Barreto Publicou no DN (17.7.2016) o artigo Às Armas! a criticar António Costa. Como bom intelectual, aproveita para, na introdução, tecer várias considerações de natureza histórica e política, passando assim perante o comum dos mortais por pessoa sabedora.

O artigo, que pode ser visto na net (http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/antonio-barreto/interior/as-armas-5289285.html ), é um chorrilho de disparates, incoerências e mesmo falsificações da história.

Então a Espanha dos Filipes fez-nos bem?

Então a Inglaterra dos piratas ajudou Portugal?

Então as invasões napoleónicas vieram desenvolver-nos?

Então o comunismo internacional não nos impôs sacrifícios?

Então os eurocratas ajudam-nos no desenvolvimento?

Então os especuladores financeiros mundiais não nos afectam?

Então — e deixo esta para o fim — a América não queria sacar Angola? E será verdade que alguma vez esse facto real foi utilizado por Portugal (anos 60) para justificar alguma estagnação e recuo de Portugal — estagnação e recuo apenas na cabeça de Cunhal e seus ainda hoje pupilos mentais, como Barreto —, aliás num momento em que Portugal era a segunda economia que mais crescia no mundo?


E agora pergunto eu.

Então para criticar a miséria dos políticos que temos — tanto à esquerda como à «direita» — será preciso preceder as críticas de uns tantos disparates, falsificações e idiotices?

Isso mesmo. Disparates, falsificações e idiotices. Como se depreende com a alusão às queixas em relação à América, Barreto não passa de um intelectualóide pouco inteligente demonstrando continuar agarrado à versão de Cunhal sobre Portugal espelhada no /Rumo à Vitória\ (1965). Barreto exprimiu claramente esse seu apego às teses do /Rumo à Vitória\ naquela série para a RTP /Um Retrato Social\, onde revelou também uma grande habilidade de manipulador de estatísticas.

Os intelectuais que dominam os meios de comunicação e fabricam o pensamento dominante não são melhores do que os Costas. Aliás, alimentam-se dos orçamentos dos Costas. Tanto os Costas como essa intelectualidade contribuem para o afundamento de Portugal.






domingo, 17 de julho de 2016


Anarquia no Vaticano

Bergoglio acha que o caos faz bem à Igreja...


As manobras de Bergoglio para destruir a Igreja continuam.

Tudo o que venha dali já não surpreende
absolutamente nada.






quinta-feira, 14 de julho de 2016


Crítica a Amoris laetitia de Bergoglio

por 45 teólogos e filósofos católicos

de todo o mundo


Edward Pentin

O texto em inglês em: http://www.ncregister.com/blog/edward-pentin/catholic-scholars-appeal-to-pope-francis-to-repudiate-errors-in-amoris- laet/#ixzz4EBnp8IyD



O texto em italiano em: http://www.corrispondenzaromana.it/critica-alla-amoris-laetitia-di-45-teologi-e-filosofi-cattolici-di-tutto-il-mondo/


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Um grupo de estudiosos católicos, prelados e clérigos enviou um apelo ao Colégio dos Cardeais pedindo que eles petição Papa Francis para «repudiar» o que vêem como «proposições erróneas» constantes no Amoris laetitia.


Em um comunicado divulgado hoje, os 45 signatários do apelo dizem Amoris Laetitia  pós-sinodal do Papa (documento de síntese) sobre o recente Sínodo sobre a Família, que foi publicado em abril contém «uma série de declarações que podem ser entendidas no sentido de que é contrário à fé católica e da moral».

O documento de 13 páginas, traduzido em seis idiomas e enviada ao cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio dos Cardeais, bem como 218 cardeais e patriarcas individuais, cita 19 passagens na exortação que «parecem entrar em conflito com as doutrinas católicas».

Os signatários descritas como prelados católicos, estudiosos, professores, autores e clérigos de várias universidades pontifícias, seminários, faculdades, institutos teológicos, ordens religiosas e dioceses de todo o mundo então ir para a lista «censuras teológicas aplicáveis ​​especificará a natureza e grau dos erros» contidos no Amoris laetitia.

Uma censura teológica é um juízo sobre uma proposição sobre a fé católica ou a moral como contrária à fé ou pelo menos duvidosa.

A declaração diz que aqueles que assinaram o apelo pediram ao Colégio dos Cardeais, na sua qualidade de conselheiros oficiais do Papa, «se aproximar do Santo Padre com um pedido que ele repudiar os erros listados no documento de forma definitiva e final, e afirmar com autoridade que Amoris Laetitia não requer qualquer um deles para ser acreditado, ou considerados como possivelmente verdadeira».

«Nós não estamos acusando o Papa de heresia», disse Joseph Shaw, um dos signatários do apelo que também está atuando como porta-voz para os autores, «mas consideramos que numerosas proposições em Amoris Laetitia pode ser interpretado como herético em cima de uma leitura natural o texto. Declarações adicionais cairia sob outras censuras teológicas estabelecidas, como escandaloso, errônea na fé, e ambígua, entre outros.»

Tal é o clima em grande parte da Igreja de hoje, um dos principais organizadores do recurso disse ao Register que a maioria dos signatários preferem permanecer anônimos publicamente porque «temem represálias, ou eles estão preocupados com repercussões na sua comunidade religiosa, ou se eles têm uma carreira acadêmica e uma família, eles temem que possam perder os seus empregos.»

Entre os problemas que eles citam na exortação, os signatários acreditam Amoris laetitia «mina» o ensinamento da Igreja sobre a admissão aos sacramentos para os católicos divorciados e recasados ​​civilmente. Eles também acreditam que contradiz o ensinamento da Igreja que todos os mandamentos pode ser obedecido, com a graça de Deus, e que certos atos são sempre errado.

Shaw, da Universidade de Oxford acadêmica, disseram os signatários esperam que, «em busca do nosso Santo Padre um repúdio definitivo desses erros, nós podemos ajudar a dissipar a confusão já provocada por Amoris laetitia entre os pastores e os fiéis leigos.»

Que confusão, ele acrescentou, «pode ​​ser dissipado eficazmente apenas por uma afirmação inequívoca do autêntico ensinamento católico pelo Sucessor de Pedro».

Várias interpretações e críticas de Amoris laetitia ter seguido a sua publicação. Em particular, cardeais têm debatido se ou não o documento é magistral.Cardeal Christoph Schönborn, que apresentou o documento em abril, acredita firmemente que é, dizendo La Civilta Cattolica na semana passada que «não há falta de passagens na Exortação que afirmam o seu valor doutrinário fortemente e de forma decisiva.»

Cardeal Raymond Burke, no entanto, acredita que o documento contém passagens que não estejam em conformidade com os ensinamentos da Igreja e é, portanto, não magisterial, algo Papa Francis «deixa claro» no texto.

Na semana passada, o arcebispo Charles Chaput, de Filadélfia emitiu orientações pastorais para a implementação Amoris laetitia em que ele esclareceu passagens na exortação que apareceu ambígua no cuidado pelas almas dos católicos que vivem em situações difíceis ou objetivamente pecaminosas. Dom Chaput fez parte da delegação norte-americana de padres sinodais no Sínodo sobre a Família em outubro passado.

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