Terça-feira, 18 de Junho de 2013

As boas novas da Turquia


Daniel Pipes (Resumo)
Como interpretar os recentes distúrbios nas ruas de Istambul e noutras 65 cidades turcas? Especificamente, será que esses distúrbios são comparáveis aos levantamentos árabes que vem ocorrendo há dois anos e meio para cá na Tunísia, Líbia, Egito, Síria, Iémen e Bahrein?

Até certo ponto, parece que não há relação, dado que a Turquia é um país bem mais adiantado, usufruindo de uma cultura democrática e uma economia moderna. Mas duas conexões as une: a autocracia e a Síria.
Os turcos divertem-se retratando o Primeiro
Ministro Erdoğan como governante Otomano

A rebelião não surgiu do nada. As tendências ditatoriais do Primeiro Ministro Recep Tayyip Erdoðan preocupavam os turcos mais do que as suas aspirações islâmicas: um «califa informal» e «engenheiro social chefe eleito da Turquia».

Existe uma longa lista de sintomas autoritários sob o domínio do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP de Erdoðan) há uma década no poder: supressão da oposição política, capitalismo de compadrio, manipulação judiciária, detenções injustas, julgamentos de fachada e desrespeito à independência dos poderes.
O que começou como uma contestação localizada sobre a remoção de um pequeno parque na Praça Taksim, no coração de Istambul, rapidamente se transformou numa resistência nacional.

A violenta repressão da polícia provocou já 2300 feridos e duas mortes.

Segundo Erdoðan, uma mesquita será construída em Taksim.

Abdullah Gül, presidente da Turquia e rival de Erdoðan, adoptou uma postura totalmente diferente em relação às manifestações. «Democracia não significa apenas eleições», disse ele. Ao distanciar-se do primeiro ministro, Gül agravou o isolamento de Erdoðan.
Fãs obstinados de clubes de futebol, de torcidas rivais,
fazem o impensável e juntam forças contra Erdoğan.
Parece que a década de tranquilidade eleitoral, estabilidade política e abundantes investimentos externos chegou ao seu termo e uma era nova, mais difícil, começou para o governo do AKP. Os partidos moribundos da oposição talvez possam reerguer-se. Os secularistas poderiam explorar a insatisfação generalizada com facilidade para forçar os cidadãos a tornarem-se moralmente mais correctos segundo a visão islâmica.

Embora seja uma democracia, o governo AKP encarcerou mais jornalistas que qualquer outro país no mundo. Embora secular, impôs, com crescente insistência, diferentes variações de regulamentações islamistas, incluindo a apressada limitação de bebidas alcoólicas, bem como advertências contra exibições de afecto em público.

Mesmo sendo membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Turquia participou em manobras aéreas conjuntas com a China em 2010. Apesar de ser candidata a fazer parte da União Europeia, coopera por debaixo da mesa com a Organização de Cooperação de Xangai, fundada em 1996 pelos líderes chineses e russos como agrupamento anti-OTAN. Embora seja supostamente aliada dos EUA, a Turquia enalteceu o Hamas, organização listada como terrorista.
A polícia de Erdoğan mostrando aos manifestantes pacíficos, quem manda.






Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

O Papa Francisco e o «lóbi gay» no Vaticano
– 10 coisas para saber e partilhar


Jimmy Akin
É certo que o Papa Francisco admitiu a existência de um «lóbi gay» no Vaticano?

Se admitiu, o que é que vai fazer com ele?

O Papa Francisco foi recentemente notícia ao, aparentemente, reconhecer a existência de um «lóbi gay» no Vaticano.  O que foi que disse?

O que é que quis dizer? O que é que vai fazer no futuro?

Eis 10 coisas para saber e partilhar...


1. O que o Papa Francisco disse?

Segundo a imprensa, o Papa disse recentemente:

Na cúria há gente santa, é verdade, há gente santa.

Mas também há uma corrente de corrupção, também há, é verdade.

Fala-se do «lobby gay», e é verdade, está aí… temos de ver o que podemos fazer…

2. Quando e onde o disse?

De acordo com Rocco Palmo:

Estes comentários foram supostamente feitos durante a audiência de uma hora que o Papa concedeu na 5.ª Feira (6 de Junho) a responsáveis da «Confederación Latino Americana y Caribeña de Religiosas y Religiosos» (CLAR).

Uma síntese não assinada do encontro – coligindo uma selecção de citações fortes, mas sem ser uma transcrição integral – foi dada, em exclusivo, e publicada no Domingo à tarde por Reflexión y Liberación, um site dedicado a temas da Igreja e com uma abordagem próxima da teologia da libertação.

Não se tratou, pois, de declarações públicas, o que levanta a questão da sua autenticidade.

3. Mas terá mesmo dito o que dizem que disse?

A minha impressão é que sim. As citações têm muito o aspecto de serem do Papa Francisco, abordam os seus temas típicos, e mostram uma franqueza desarmante que é muito dele.

Além disso, a Sala Stampa do Vaticano fez aquilo que, na gíria do Watergate, se pode chamar uma «confirmação não-confirmativa». Rocco aponta:

Chamado a reagir e comentar, o porta-voz do Vaticano padre Federico Lombardi declarou à CNN que «foi uma reunião privada.

Não tenho comentário a fazer».

ACTUALIZAÇÃO

Está a ser noticiado que o site que originalmente publicou a conversa está a «demarcar-se» da parte relativa ao lóbi gay. Pode ler mais sobre isso aqui.

Com efeito foram acrescentadas algumas nuances, no entanto a demarcação não foi total. Alegadamente a conversa foi transcrita de memória e não a partir de qualquer gravação, por isso diz-se que as expressões «não se podem atribuir ao Santo Padre, com segurança» (o itálico é meu).

Isto não nega ou retira veracidade à história. Não dizem que ele não disse.

Dizem que se baseia na memória e, por tanto, não é 100% fiável (particularmente quanto às palavras exactas), mas não é a mesma coisa que dizer que a afirmação nunca foi feita.

Pessoalmente, sempre imaginei que o relato era baseado na memória e não numa gravação, e dado que a fonte é a memória de várias testemunhas que estiveram presentes, a minha convicção é que a afirmação foi feita, mesmo que persista a interrogação sobre quais as palavras exactas que empregou.

4. O que quis dizer com «lóbi gay»?

Não é claro.

Qualquer grupo considerável de pessoas pode ter pessoas que têm atracção pelo mesmo sexo (SSA – same sex attraction) e uns poucos dentre essas que actuam conduzidos por essa atracção.

Tais pessoas podem ter sabido da existência de outras nas mesmas condições e terem formado uma rede de algum tipo.

Mas uma rede assim não é a mesma coisa que um «lóbi».

Uma rede de conhecimentos só é um «lóbi» quando tenta influenciar decisões de algum modo. Se o que fizessem fosse usar o conhecimento recíproco para obter relacionamentos sexuais, isso não faria deles um «lóbi».

5. O que poderia um «lóbi» tentar fazer?

Um objectivo óbvio de longo prazo seria tentar influenciar o ensinamento da Igreja sobre o comportamento homossexual.

Se é esse o seu objectivo, então não estão a ter grande êxito. A Igreja tem sido muito firme sobre esse assunto.

A Congregação para a Doutrina da Fé publicou vários documentos que abordam o tema mantendo o ensinamento tradicional da Igreja, apesar da crescente oposição cultural.

Também podem tentar influenciar procedimentos como, por exemplo, os relativos à admissão ao sacerdócio de pessoas com orientação homossexual.

Se é isso que pretendem, também aí não tiveram grande êxito.

Pouco depois de ter sido eleito Bento XVI, a Santa Sé fixou como guia que pessoas com orientação homossexual estável e profundamente radicada não devem ser admitidas ao sacerdócio.

Um campo onde podem ter tido algum êxito é através da influência sobre a trajectória de casos individuais – p. ex. ajudando-se reciprocamente, procurando mutuamente a subida na carreira, procurando colocar os seus membros em posições de influência, procurando trazer pessoas que conhecem fora para dentro do Vaticano, e actuando para colocar homossexuais em posições influentes fora do Vaticano.

6. Que dimensão tem o «lóbi gay»

Como dissemos, qualquer grupo considerável de pessoas tem dentro de si pessoas que sentem atracção por pessoas do mesmo sexo (SSA), assim como qualquer grupo considerável de pessoas inclui uns poucos que serão alvo de alguma tentação.

Se o grupo for de tamanho suficientemente considerável, haverá sempre alguém que cede à tentação.

O Estado da Cidade do Vaticano emprega cerca de 2.000 pessoas, e num grupo com essa dimensão, é inevitável que haja pessoas com SSA, incluindo algumas que actuaram ou actuam nesse sentido.

«Quantos» é uma pergunta interessante, mas não há grande maneira de saber.

Em todo o caso, não devemos assumir que seja um número massivo.

Afinal, o Papa Francisco disse:

«Na cúria há gente santa, é verdade, há gente santa.»

Depois, anotou:

Mas também há uma corrente de corrupção, também há, é verdade.

Esta «corrente de corrupção» é, aparentemente, na sua perspectiva, menor do que o grupo de pessoas santas.

Então, aparentemente dentro da «corrente da corrupção», acrescentou:

Fala-se do «lóbi gay», e é verdade, está aí…

Isto sugere que o «lóbi gay» pode ser apenas uma parte da «corrente de corrupção», que em si pode ser pequena em comparação com o grupo muito maior de pessoas santas que trabalha na cúria.

Portanto, não devemos entrar em pânico.

7. «Onde é que eu já ouvi isto antes?»

Um possível membro do «lóbi gay» foi tirado do armário pelos media italianos em 2007.

Foi rapidamente demitido das suas funções.

Mais recentemente, na esteira do escândalo VatiLeaks, o Papa Bento nomeou uma comissão de três cardeais para realizar uma investigação, e nas vésperas do recente conclave a imprensa italiana começou a relatar que a comissão tinha encontrado provas de «lóbi gay» dentro do Vaticano.

Na época, havia rumores de que este lóbi teve alguma coisa a ver com a renúncia do Papa Bento XVI.

Observadores do Vaticano pensam que é improvável que tenha tido qualquer papel directo.

O Papa Bento XVI indicou que a sua renúncia se devia à falta de energia necessária para governar a Igreja do modo que ele pensava justo, e não há razões para duvidar disso.

É possível, porém, que os resultados da investigação dos cardeais tenha sido um factor que contribuiu para a convicção de que fazia falta um Papa com maior vigor para enfrentar a magnitude dos desafios que se apresentam.

8. Onde teve o Papa Francisco informação sobre o «lóbi gay»?

Provavelmente, encontrou-a nas 300 páginas do relatório que se diz ter sido preparado pela comissão de cardeais criada por Bento XVI.

Antes do conclave, havia dúvidas sobre se os resultados do relatório seriam partilhados com os cardeais eleitores.

O relatório completo, ao que parece, não foi, mas o relatório foi  aparentemente entregue ao Papa Francisco, após a sua eleição, e é sem dúvida uma das suas fontes de informação.

9. E agora, o que é que vai acontecer?

Estamos para ver. Segundo os comentários que ele próprio fez:

«temos de ver o que podemos fazer…»

O simples facto de ter feito estes comentários pode ser visto como um primeiro passo para resolver a situação.

Ao fazer estes comentários, o Papa Francisco pode ter previsto que acabariam por se tornar públicos, e pode ter pretendido que fosse como uma espécie de tiro de aviso ao «lóbi gay».

Por outras palavras: amigos, basta. Comecem a tirar o cavalo da chuva.

Isto pode ser entendido tanto quanto à actividade sexual ilícita por membros da rede como qualquer tentativa de influenciar a partir dela.

Mas há mais coisas que podem ser feitas.

10. Que mais se pode fazer?

Não é de esperar (em circunstâncias normais) que a Santa Sé venha publicamente demitir os membros desta rede, indicando a razão, tendo em conta a vaga de publicidade negativa que isso iria causar.

No entanto, pode bem decidir desmontar a rede removendo ou reafectando os seus membros, sem declarar publicamente as razões.

O facto de o Papa Francisco estar a preparar uma grande limpeza interna e provavelmente uma reestruturação da Cúria Romana (os departamentos que o ajudam a governar a Igreja) seria uma excelente oportunidade para executar esse plano.





Domingo, 16 de Junho de 2013

Petição pública


«Não a greves de professores
em dias de exames e avaliações»


http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=P2013N70079





Sexta-feira, 14 de Junho de 2013

Forças no Próximo-Oriente: Israel feliz


Daniel PipesThe Washington Times (resumo)

Demografia

Para manter a população de um país é necessário que as mulheres, em média, dêem à luz 2,1 filhos. Israel tem um índice de natalidade de 2,65, sendo assim o único país avançado a exceder a reposição. (O país que chega mais perto é a França com 2,08, e graças aos filhos de imigrantes). Apesar dos religiosos e dos árabes responderem de alguma forma por esse índice robusto, os judeus seculares são a chave.
Israel tem mais crianças per capita que
qualquer outro país do primeiro mundo.
Economia

Durante a recessão entre 2008 e 2012, Israel desfrutou de um crescimento de 14,5% do produto interno bruto, tendo a maior taxa de crescimento económico entre os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). (As economias adiantadas, no conjunto, tiveram uma taxa de crescimento de 2,3%, com o peso dos Estados Unidos de 2,9% e a zona do Euro de 0,4% negativo).

Investigação

Israel investe 4,5% do produto interno bruto em investigação, a mais alta percentagem do mundo.

Energia

Segundo os especialistas, pelas  descobertas de gás e petróleo, «a Terra Prometida, do ponto de vista de recursos naturais, poderia ser, palmo a palmo, o país mais rico em energia do mundo».
Gás natural do campo Tamar em Israel
acaba de chegar aos consumidores.
Defesa

Com a Síria e o Egipto absorvidos pelos problemas internos, a ameaça que esses países apresentavam, por ora, praticamente desapareceu. Graças a tácticas inovadoras, os ataques terroristas foram quase eliminados. As Forças de Defesa de Israel contam com recursos humanos excepcionais e encontram-se na vanguarda da tecnologia militar.

A sociedade israelita confirmou a sua prontidão para combater num conflito prolongado. O diferencial de poder entre Israel e seus vizinhos árabes continua a crescer.

O problema nuclear iraniano pode ser menos terrível do que parece. Segundo os estrategos, com o poder destrutivo imensamente superior do arsenal nuclear israelita e com o crescente sistema defensivo de mísseis, uma batalha nuclear causaria certamente grande destruição em Israel, mas o Irão seria completamente destruído. A recuperação iraniana não seria possível no sentido convencional do termo.

Diplomacia

O êxito do movimento «boicote, desinvestimento e sanções» é muito limitado. Um órgão da ONU aprovou mais uma condenação. Contudo, Israel mantém relações diplomáticas com 156 dos 193 membros das Nações Unidas. Em termos globais, Israel está realmente bem integrado.

Opinião pública americana

Em sondagens de opinião realizadas nos Estados Unidos, principal aliado de Israel, o Estado judeu bate os palestinos por 4-1. Apesar das universidades serem realmente hostis, no conjunto da população a relação é diferente.

Unidade interna

As tensões entre os asquenazitas e os sefaraditas diminuíram com o tempo devido a uma combinação de casamentos mistos e a polinização cruzada das culturas.

A questão da falta de participação dos religiosos está finalmente a ser abordada.

Artes

Os israelitas deram contribuições culturais impressionantes, especialmente na música clássica, tornando Israel uma «mini superpotência nas artes».
A Israel Philharmonic Orchestra (Orquestra Filarmônica de Israel),
fundada em 1936 é uma respeitada instituição cultural. 




Quinta-feira, 13 de Junho de 2013

A política de terra queimada sobre a família


Marta Gaspar

A aprovação da lei da co-adopção com votos a favor, abstenções e até ausência de inúmeros deputados da maioria PSD-CDS na Assembleia demonstra que, ao serviço de interesses que pugnam pela destruição da célula familiar (pai, mãe e filhos), foi dado mais um passo na instituição de uma pseudo-ética resultante dos caprichos e das vontades de políticos ao serviço de lobbies da minoria e não ao respeito pelo voto e pela consciência dos Portugueses.

Tal como havia já resultado da aprovação da lei de despenalização do aborto (cujas consequências são conhecidas e inclusive denunciadas pelos especialistas intervenientes na sua execução), a perigosa relativização dos valores e da essência da pessoa humana, também nesta matéria, teve um avanço capital.

A formatação das consciências é a principal arma dos políticos do sistema, procurando tornar aceitáveis e dignas de crédito todas as medidas, leis e critérios que desejam instituir nas sociedades, à luz de um projecto e de uma nova ordem maquiavélica de estruturas que transcendem o território nacional.

A Assembleia da República não está mandatada para votar matérias de consciência e definir os valores essenciais da sociedade. Em matéria política fundamental, rege a lei constitucional, boa ou má; em matéria de valores fundamentais sobre os quais assenta e se organiza a sociedade, rege a lei natural.

Aqui regista-se a primeira subversão de todo este processo, consistindo na captura da sociedade e do pensamento colectivo segundo o qual a matéria agora sujeita a legislação é matéria ordinária que visa eliminar uma fonte de discriminação. Não é! É a defesa de um interesse minoritário, com prejuízo de direitos que não constam de lei nem têm de constar, porque neles se funda a ordem jurídica e os direitos constitucionais ou legalmente consagrados, porque do domínio da ordem natural, isto é, direitos inalienáveis das crianças e do ser humano.

A despenalização do aborto e uma política totalmente alienada quanto a incentivos económicos e sociais às famílias para poderem ter mais filhos, aliadas ao apoio a uma cultura hedonista, são, para já, uma achega ao problema demográfico, que regista uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo. A aprovação do chamado «casamento» entre pessoas do mesmo sexo e da lei da co-adopção é a cereja no bolo.

Chocante e inaceitável é o reflexo destas irresponsabilidades, egoísmos  e espírito de destruição nos mais inocentes: as crianças. Não só as que tentam sobreviver nos ventres das mães, bem como aquelas que são vítimas de um Estado que, não resolvendo os problemas do bem comum, também no campo da família, quer legislar e usurpar o papel desta instituição natural. A adopção não é um direito dos pais nem um dever do Estado. A adopção é apenas a possibilidade de encontrar para a criança uma resposta que a ajude a superar o seu eventual infortúnio de orfandade, algo que naturalmente só é possível no quadro de uma referência que inclua o pai e a mãe.





Quarta-feira, 12 de Junho de 2013

Papa Francisco:
É dever do cristão envolver-se na política
embora ela seja «muito suja»

O Papa Francisco, ao responder a uma das perguntas feitas por um dos jovens que recebeu na Sala Paulo VI, no encontro com alunos e ex-alunos dos colégios jesuítas da Itália e Albânia (7 de Junho), explicou que é um dever, uma obrigação do cristão, envolver-se na política embora ela seja «muito suja», porque aí se pode trabalhar pelo bem comum. «Nós não podemos fazer como Pilatos e lavar as mãos, não podemos».

«Devemos participar na vida política porque a política é uma das formas mais altas da caridade, porque busca o bem comum. E os leigos cristãos devem trabalhar na política.»

«Alguém me dirá: ‘mas não é fácil’. Também não é fácil ser sacerdote. Não são coisas fáceis porque a vida não é fácil. A política é muito suja, mas eu pergunto-me: Porque será suja? Porque os cristãos não estão imbuídos do espírito evangélico».

O Santo Padre assinalou também que «é fácil dizer ‘a culpa é dos outros’... e eu, o que faço? É um dever! Trabalhar pelo bem comum é dever de um cristão! E, muitas vezes, para trabalhar, o caminho a seguir é a política».





Terça-feira, 11 de Junho de 2013

Amor ao sindicalismo!


Rui Dias Costa

Lendo, ouvindo e vendo as posições, as atitudes e os termos desrespeitosos com que as centrais sindicais e muito particularmente os seus principais dirigentes vêm defendendo aquilo que consideram a defesa dos legítimos interesses dos «trabalhadores», tenho-me questionado sobre o seguinte:

1 – Porque será que os dirigentes sindicais se eternizam nesses lugares? Será por altruísmo e por puro e desinteressado interesse à causa?

2 – Seria bom conhecer quanto tempo útil de trabalho tiveram esses dirigentes nas suas profissões de origem se é que alguma vez as tiveram.

3 – Seria também interessante saber quantos deles estão com salários em atraso ou «desempregados»?





Segunda-feira, 10 de Junho de 2013

Papa Francisco:
A «linguagem socialmente educada»
é a da «hipocrisia» e «da corrupção»


Na Missa que presidiu na manhã de ontem (4 de Junho) na Casa Santa Marta, o Papa Francisco assinalou que os cristãos não utilizam uma «linguagem socialmente educada», propensa à hipocrisia, mas são porta-vozes da verdade do Evangelho com a mesma transparência das crianças.

A hipocrisia é a linguagem preferida dos corruptos. A cena evangélica do tributo a César, e a pergunta trapaceira dos fariseus e dos partidários de Herodes a Cristo sobre a legitimidade daquele tributo, deu ao Papa motivo para a sua reflexão de hoje em continuidade com a homilia da segunda-feira.

A intenção com a que se aproximam de Jesus, afirmou, é a de fazê-lo «cair na armadilha». A pergunta se é lícito ou não pagar o imposto a Cesar é exposta «com palavras suaves, com palavras belas, com palavras ‘adocicadas’». «Pretendem – adicionou – mostrar-se amigáveis». Mas tudo é falso. Porque, explicou Francisco, «eles não amam a verdade, mas somente a si mesmos e assim tentam enganar, envolver os outros na mentira. Têm o coração mentiroso, não podem dizer a verdade».

«A hipocrisia é precisamente a linguagem da corrupção. Quando Jesus fala aos seus discípulos, diz que o seu modo de falar deve ser ‘sim, sim’ ou ‘não, não’».

«Estes querem uma verdade escrava dos próprios interesses. Podemos dizer que há um amor: mas é o amor de si mesmos, o amor a si mesmos. Aquela idolatria narcisista que os leva a trair os outros, os leva aos abusos da confiança».

«E a mansidão que Jesus quer de nós não tem nada a ver com esta adulação, nada a ver com esta forma ‘açucarada’ de avançar. Nada disso! A mansidão é simples; é como aquela de uma criança. E uma criança não é hipócrita, porque não é corrupta. Quando Jesus nos diz: Quando disserem ‘sim’, que seja sim, e quando disserem ‘não’, que seja não! com espírito de crianças, refere-se ao contrário da forma de falar destes».

A última consideração do Santo Padre referiu-se a uma «certa fraqueza interior», estimulada pela vaidade, que faz com que «gostemos que digam coisas boas de nós». Os «corruptos sabem disso e tentam enfraquecer-nos com essa linguagem».

«Pensemos bem: qual é a nossa linguagem hoje? Falamos com verdade, com amor, ou falamos um pouco com aquela linguagem social de seres educados, dizendo coisas belas, mas que não sentimos?»





Domingo, 9 de Junho de 2013

Sábado, 8 de Junho de 2013

Coitadinhos dos «gayzinhos»!


Nuno Serras Pereira
Muitas vezes me pergunto como é possível que o desaforo fanaticamente propagandístico dos sectários do «orgulho homossexual» tenha conseguido induzir um tão intenso e profundo complexo de culpa paralisante na população em geral e, em particular, nos católicos. A sua vitimização sistemática não passa de uma enorme fraude, de uma farsa monstruosa sem, salvo raras excepções, qualquer fundamento histórico substantivo. Pelo contrário, em geral, têm sido eles os autores das mais violentas perseguições, das mais lascivas predações de inocentes, dos mais desumanos atropelos da dignidade e direitos da pessoa humana, das piores tiranias e dos mais graves totalitarismos. Enquanto nos inchamos de pena dos «tadinhos» (consolando-nos narcisicamente com sentimentos de falsa piedade) e lhes escancaramos as portas, dando-lhes rédea solta para violarem a vida, integridade e inocência das crianças, e espatifarem a família; somos «misericordiosamente» indiferentes aos verdadeiros sofredores, que tanto carecem da nossa atenção e socorro. Só para dar um exemplo, todos os anos, TODOS, são assassinados violentamente, cem mil cristãos por causa da sua Fé. Onde estão as televisões, os debates, as declarações, as votações? Onde está a nossa solicitude? Onde!?

Uma das mais espantosas manipulações propagandísticas na história da humanidade que certamente provocará grandes espasmos de assombro nos nossos descendentes é a gigantesca mentira das perseguições e do holocausto dos homossexuais por parte dos nazis. Querem eles desse modo equipararem-se aos milhões de judeus que, esses sim foram aniquilados de forma pavorosa, diabólica. Ora o nazismo que perpetrou essa abominável aniquilação, cujo objectivo era o extermínio do judaísmo como primeira etapa para logo eliminar o cristianismo, foi, desde o início e sempre, um movimento essencialmente homossexual, composto de quadros e chefias homossexuais. E se perseguiu uma minoria de outros homossexuais fê-lo por razões meramente políticas, em virtude de essa pequena porção se opor, meritoriamente, à sua agenda. Importa, porém, notar que eles não foram mortos mas sim levados para campos de trabalho forçados. Os nazis tinham dez mil campos de concentração, sendo que seis deles eram de extermínio. Nenhum dos homossexuais, presos por razões puramente políticas, embora se invocasse como pretexto para a sua condenação a sua condição sexual, foi levado para os campos de morte. De modo que os carrascos responsáveis pela singular e brutal hecatombe que se abateu sobre o mundo eram uma corja extremamente organizada de homonazis, ou gaynazis, que mesmo depois de derrotada deixou raízes subterrâneas que estão na origem da actual ideologia «gay». Quando os carrascos se fazem passar por vítimas e as multidões ignaras neles acreditam, então defendem-nos e promovem-nos julgando ingenuamente que combatem a discriminação quando na verdade lhes abrem o caminho para a mais dura tirania e para o mais cruel totalitarismo, que, como outrora, se abaterá também sobre pessoas com desejos desordenados por outras do mesmo sexo, mas que não partilham dos delírios fanáticos e das alucinações patológicas dos ideólogos e militantes «gayzis» e «géneronazis».

O martírio de muitos cristãos às mãos desta gente, ao longo da história da Igreja, arrepia pelos extremos de crueldade a que recorrem para se vingarem da pureza que os repudia.

Mas são eles sempre, «tadinhos», as vítimas, as maiores vítimas, as únicas vítimas!

O seu desmedido descaramento e a desmarcada capacidade de distorcer a verdade dos factos, desviando as atenções das velhacarias que realizam de modo a poderem culpabilizar os outros é aterradora.

Exemplo relativamente recente disso mesmo é o enorme escândalo da «pedofilia na Igreja». Este é o nome pelo qual são conhecidas as organizadas infiltrações sistemáticas e os abusos que delas resultaram por parte de homossexuais na Igreja Católica, nas últimas décadas. De facto é espantoso como é que ninguém argúi os homossexuais culpados, enquanto tais, mas acusa e condena a Igreja. A homossexualidade é inocente, é vítima, apesar de ser a causadora, a Igreja é a culpada, não obstante ser, fundamentalmente, vítima.

Se há instituição que nunca tergiversou na condenação doutrinal da homossexualidade, que sempre advogou, em comunhão com a Revelação de Deus, que o acto sexual só é legítimo no casamento (acto conjugal), uno e indissolúvel, entre um homem e uma mulher, essa é sem sombra de dúvida a Igreja Católica. Esta nunca se limitou somente a ensinar esta verdade mas também se empenhou em conceder os auxílios necessários para a viver, bem como prestou sempre os cuidados e as «medicinas» adequadas aos que enfermavam de dificuldades particulares em viver ordenadamente o amor humano.

Essas coisas infames que sucederam, cada vez mais raramente, na Igreja também aconteceram em maior número, e continuam num crescendo, nas demais confissões religiosas e em muitas outras instituições tais como escolas, equipas desportivas, etc. Mas disso não se fala, pois não convém e aos predadores homossexuais e aos seus objectivos não só de continuarem os abusos como de tentarem destruir a Igreja Católica, uma vez que é a única força capaz de se opor aos seus objectivos.

E enquanto andamos assim distraídos com as culpas muito graves de membros da Igreja, eles que são os autores e os acusadores dessas mesmas faltas intensificam a sua violenta predação, na adopção, nas escolas e na comunicação social incutindo as ideologias «gay» e do «género».

Os católicos vão a debates televisivos combater, de corda ao pescoço, como quem se reconhece culpado e indigno, elogiando o inimigo, pedindo perdões por ofensas imaginárias, favorecendo a propaganda maléfica. Isto parece-me totalmente insensato. Tão absurdo como as televisões quererem organizar disputas entre nazis e judeus; tão bizarro e desvairado como se houvesse algum judeu que aceitasse prestar-se a essa manipulação.





Sexta-feira, 7 de Junho de 2013

Defender a civilização


Francisco Cansado

Mais do que direitos individuais ou de grupos particulares, o que está verdadeiramente em causa é, em primeiro lugar, a defesa da civilização Ocidental e consequentemente o nosso futuro e o dos nossos filhos.

É preciso reconhecer o veneno que nos estão a administrar e a morte iminente que nos oferecem em troca de uma quimera suicida que não tem volta atrás.
A França teve o discernimento para compreender a armadilha que lhe foi montada e o que está em causa. E, felizmente, está reagindo.

Portugal deve seguir o bom exemplo.





Quarta-feira, 5 de Junho de 2013

Extraordinária desfaçatez


Nuno Serras Pereira
Um dito-cujo casou-se, emprenhou a sua esposa, nasceu-lhes um filho, divorciou-se da mulher, apegou-se sodomiticamente com um macho, «casou-se» ficcionalmente (nos termos da «lei» intrinsecamente injusta que colabora na farsa fraudulenta), por circunstâncias várias fica só ele com a paternidade do filho; agora exige num berreiro de vitimização que o seu cobridor possa co-adoptar o filho, que será um desgraçado se assim não for.

Dois ideólogos homonazis ou gayzis (o livro) decidem, em nome da «homoparentalidade», ter um filho para estabelecerem «família». Encomendam a um estranho a semente, que é introduzida por técnicos numa lésbica amiga; passado o tempo, deu ela à luz a criança, que entregou àqueles dois, que se autoproclamam orgulhosamente pais; um deles adopta «legalmente» a criança; mais tarde entram os dois em estridentes zaragatas, que desembocam no apartarem-se; em nome do «superior interesse» e dos «direitos» do «filho» é gizada e reivindicada a co-adopção.
Após todas estas brutalidades, coisificando friamente as crianças, reclamam, com extraordinária desfaçatez, como salvaguarda imprescindível do «bem» dos «filhos» mais essa violência desumana chamando-lhe co-adopção!

E depois nós é que somos os agressores, violentos ofensores e algozes de seus «filhos»; pois...





Segunda-feira, 3 de Junho de 2013

Simbiose «cato»-liberal

L. Lemos

O blogue Povo, do movimento católico Comunhão e Libertação (Cón. João Seabra, António Pinheiro Torres, Isilda Pegado, Pedro Aguiar Pinto, Aura Miguel & Associados), é dirigido por Pedro Aguiar Pinto. O blogue Povo reproduz enfaticamente os artigos dos liberais do blogue Cachimbo de Magritte (e também de outros liberais dominantes nos meios de comunicação). E em contrapartida o Cachimbo coloca o Povo entre os seus recomendados.
Como se sabe, segundo algumas pessoas, liberalismo e água benta ligam muito bem. Desde que a argamassa traga massa.

Perfeita simbiose «cato»-liberal.

Tudo se conjuga, tudo muito coerente, tudo muito católico, tudo boa gente para resolver os problemas de Portugal.

O cachimbo fumega de liberalismo o povo e o povo arde no cachimbo liberal.





Quinta-feira, 30 de Maio de 2013

A síndrome da presunção
e a doença mental na política

Pedro Afonso

Muitos de nós já se terão questionado: será que o poder transforma as pessoas, alterando-lhes a personalidade, ou será que aqueles que chegam ao poder já apresentam traços ou características de doença psiquiátrica?

É provável que ambas as hipóteses sejam verdadeiras, senão vejamos: um estudo (Davidson et al.) publicado em 2006 na revista Journal of Nervous and Mental Disease, após uma revisão de fontes biográficas de presidentes dos EUA entre 1776 e 1974  mostrou que 18 (49%) preencheram critérios que sugeriam doença psiquiátrica. Neste caso, depressão (24%), ansiedade (8%), perturbação bipolar (8%) e alcoolismo (8%) foram as doenças mais frequentemente reportadas. Também há vários relatos de que Winston Churchil sofria de depressão, a que chamava «o cão negro». Existem ainda inúmeros elementos biográficos que levam a suspeitar que, por exemplo, Mussolini, Mao Tse-Tung, Khrushchev e Saddam Hussein sofriam de doença bipolar.

Em 2009, num artigo publicado na prestigiada revista Brain, David Owen, médico e ex-ministro dos negócios estrangeiros inglês, juntamente com o psiquiatra Jonathan Davidson, defenderam a existência de uma doença psiquiátrica, originada pelo exercício do poder, designada por «síndrome da presunção» (Hubris syndrome). Segundo estes autores, esta síndrome, que partilha elementos com o narcisismo e a psicopatia, corresponde a um padrão de comportamento provocado pela exposição a um cargo de poder por um período variável de 1 a 9 anos. Os sintomas identificados são vários: perda de contacto com a realidade, predisposição para ver o mundo como um lugar para a auto-glorificação através do uso do poder, preocupação exagerada com a imagem e a apresentação, forma messiânica de falar acerca do que estão a fazer, utilização recorrente do «nós» em tom majestático, identificação de si próprios (ideias e pensamentos) com o Estado, como se fossem um só, excesso de autoconfiança com desdém perante os conselhos ou críticas dos outros, assumir apenas responsabilidade para um tribunal superior (história ou Deus) ao mesmo tempo que reitera a crença de que será recompensado nesse julgamento.

O ambiente de poder que rodeia a maior parte dos chefes de governo tem um impacto significativo sobre estas pessoas, mesmo as mais estáveis psiquicamente, uma vez que deixam de ter uma vida normal. Vivem muitas vezes em casas sumptuosas do Estado, rodeados de um séquito de aduladores, têm carros com motorista, seguranças, e deslocam-se em ambientes protegidos: de uma suíte VIP de um aeroporto para um palácio governamental, ou para um fórum com a elite empresarial. Ora tudo isto dá um nível de vida e um afastamento dos problemas do dia-a-dia que só algumas pessoas muito ricas podem igualar. Mas mais importante é que este estilo de vida origina ao líder político um grande isolamento. Por conseguinte, este começa a acreditar que não é igual aos outros homens. Fica emerso num mundo de ideias geradas apenas por si próprio, e aos poucos, sem se aperceber, vai perdendo o contacto com o mundo real.

A intoxicação pelo poder é um caminho que nem todos os indivíduos têm capacidade para neutralizar. Muitos acabam por ultrapassar a fronteira entre a decisão competente e a incompetência presunçosa.  Os políticos, tal como os médicos, têm a vida das pessoas que governam nas suas mãos. Nalguns casos a responsabilidade pode ser ainda maior, já que podem decidir se colocam em risco a vida dos seus cidadãos. Por exemplo, podem decidir subtrair os rendimentos das pessoas, através dos impostos, remetendo os mais frágeis para a asfixia da pobreza;  podem criar um clima de insegurança e medo, roubando a esperança no futuro a gerações inteiras; podem cobardemente incentivar a emigração ou de forma inábil obrigarem as pessoas a viver resignadamente num país onde floresce a miséria psicológica.

Importa sublinhar que a síndrome de presunção é um tema controverso e não surge, pelo menos para já, nos manuais de psiquiatria. Mas é curioso constatar que facilmente podemos identificar algumas das características descritas nalguns políticos portugueses. Seja como for, uma das formas mais eficazes de evitar os efeitos devastadores dos políticos presunçosos, é através da detecção precoce dos sinais de «intoxicação pelo poder», tais como: a crença de que o sofrimento de um povo corresponde a lamechices, a utilização obsessiva de agências de comunicação e de eventos organizados para autopromoção, a preocupação excessiva pela imagem, a tentativa de controle da comunicação social, o desdém pelos adversários políticos, a teimosia e a obstinação,  o recurso a retóricas políticas extravagantes e enganadoras, nas quais surgem frequentes contradições, e a persistência perversa numa política que comprovadamente não funciona.

Tal como nas psicoses, os afectados pela síndrome da presunção não reconhecem «estar doentes», já que para eles isso é um sinal de fraqueza. Ou seja, raramente se demitem, devendo por isso serem demitidos. Para bem da sociedade e dos governantes afectados, os médicos que descreveram esta síndrome afirmam que ela tem cura, já que é propensa a desaparecer com o afastamento do poder. Finalmente, e citando Chesterton, a perfeita autoconfiança não é apenas um pecado; a perfeita autoconfiança é uma fraqueza. Os homens que acreditam «demasiado» em si mesmos estão todos fechados nos manicómios.