sábado, 1 de Novembro de 2014


«Ils sont fous ces» Sínodos?


Nuno Serras Pereira, 31. 10. 2014



Cardeal Francis George


Isto vai por tópicos, por causa das dificuldades que tenho em escrever.


1 A convocação de um sínodo intermédio sobre a família, conjugada com entrevistas de Francisco e o concistório, denotavam uma estratégia precisa. Pelo menos, foi isso que me disse um amigo que andou pela extrema esquerda e depois pelo comunismo e que se confessa ateu. Chamou-me tapadinho e à restante Igreja de ceguinhos ingénuos que não estavam a topar nada do que se preparava. E adiantou-me que aquilo que vinha de Roma não passava, sempre segundo ele, de uma estratégia bem delineada com um objectivo bem claro. Evidentemente, refutei tais asserções assegurando-lhe que na Igreja importava muito considerar atentamente o elemento sobrenatural, coisa que para ele e os seus era inteiramente desconhecida. Sorriu desdenhosamente e acrescentou que eles sempre tinham obtido os resultados que queriam – questões fracturantes – daquela maneira.

2 – Quando telefonei, neste mês de Outubro, a um dos meus irmãos, que vive, segundo a terminologia actual, em situação irregular (casou pela Igreja e teve dois filhos, divorciou-se e «recasou» pelo civil e teve mais dois filhos; tornou a divorciar-se e tem um filho), para felicitá-lo pelo seu aniversário, nem me chegou a agradecer os parabéns antes logo me interpelou: «Mas o que é que se passa em Roma? Os Bispos estão loucos? (sic). Quem que os anda a subornar? (sic).» Subornar?!?! Exclamei eu chocado, adiantando que não era disso que se tratava. Mas logo ele replicou desfiando-me casos de suborno a Bispos,  Cardeais e Papas em várias fases da história da Igreja – este meu irmão sabe mais de quase tudo do que eu... Mas o que mais me espantou foi a indignação dele pelo que se passava (nota bene: frequentou durante sete anos um colégio de jesuítas. Tempos houve em que todos os jesuítas eram Católicos) – tinha a perfeita consciência de que vivia em estado de adultério, que era impensável receber a Sagrada Comunhão e que eram escândalosas as propostas doidivanas de passar a admitir à mesma «divorciados recasados». Foi esta conversa que me decidiu a rabiscar o que agora redijo. Não por causa dos supostos, hipotéticos, subornos, mas sim pela exasperação manifestada.

3 – Linguagem – Importa muito atender à linguagem que é usada não só pela novidade das expressões que, de um modo geral, tendem a transmitir outros conteúdos, mas também às expressões tradicionais que, em determinado contexto, veiculam uma substância diferente. Pode também acontecer, não poucas vezes, que se recorra a citações do magistério de outros Pontífices, usando-as para concluir coisas contrapostas a esse mesmo magistério. E, ainda, tanto dizer uma coisa como o seu contrário de modo a deixar as pessoas desconcertadas e confusas. Alguns exemplos:

a) Na relação final deste sínodo (em italiano e inglês), n.º 52, a propósito do acesso aos sacramentos da Confissão e da Comunhão Eucarística de «divorciados recasados» fala-se da «disciplina actual» (itálico meu) que o impede. Disciplina? Assim, sem mais? Então por que é que as mais altas instâncias eclesiásticas nos andaram a falar de «doutrina» e de «desenvolvimento doutrinal»? Será que porque se tratava patentemente de uma inversão da Doutrina Apostólica e, portanto, fazendo parte do Depósito da Fé sobre a qual a Igreja não tem poder, é que agora se recorre a este termo para dar a entender que pode ser mudada?

E se é disciplina, não será necessário esclarecer se é de âmbito eclesiástico ou, pelo contrário, de Direito Divino e, por isso, imutável? O Cardeal De Paolis, a par de outras eminências, afirma que é de Direito Divino. O que de resto, se interpreto bem, sempre, durante dois mil anos, foi crido pela Igreja, e que no ano 2000 foi confirmado por uma Declaração do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, de acordo com a Congregação para a Doutrina da Fé e com a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. De facto no ponto n.º 1 afirma: «A proibição feita no citado canon (915), por sua natureza, deriva da lei divina e transcende o âmbito das leis eclesiásticas positivas: estas não podem introduzir modificações legislativas que se oponham à doutrina da Igreja.» (negrito meu); e no n.º 2: «Qualquer interpretação do cân. 915 que se oponha ao conteúdo substancial, declarado ininterruptamente pelo Magistério e pela disciplina da Igreja ao longo dos séculos, é claramente fonte de desvios.» (negrito meu); finalmente no n.º 4 acrescenta-se: «Considerando a natureza da já mencionada norma (cfr. n. 1), nenhuma autoridade eclesiástica pode dispensar em caso algum desta obrigação do ministro da sagrada Comunhão, nem emanar directrizes que a contradigam.» (negrito meu). Se nenhuma autoridade ecclesiastica o pode fazer, isso significa que nem Bispos, em sínodos ou concílios, nem a Suma Autoridade Papal o poderá.

b) Num tempo em que tudo quanto é informação, imprensa, cinema, séries televisivas, espectáculos, música, educação infantil e juvenil, etc., propagandeia a ideologia «gay», os Bispos Sínodais mostram-se preocupados:

i) com o acolhimento que lhes é dado nas paróquias, porque «algumas famílias experimentam ter em si pessoas com orientação homossexual» (negritos meus)? Mas quanto muito maior número de famílias têm problemas muito graves a que os Bispos nem acenam!!? A que vem esta preocupação súbita sobre uma questão que de há muito não se põe. A Igreja sempre acolheu, perdoou e acompanhou qualquer pecador. E então nos dias de hoje se há coisa de que ninguém (enfim, poderá haver raríssimas excepções) se possa queixar é de que essas pessoas não gozem de atenção pastoral. Verdadeiramente problemático é hoje um certo tipo de «acolhimento» que em vez de chamar ao arrependimento e à conversão, pelo contrário, confirma e alimenta o comportamento «homossexual». Aliás, é notório que um dos mais graves problemas na Igreja de hoje é o da existência de uma «mafia gay» dentro dela, mesmo entre sacerdotes, bispos e cardeais;

ii) O facto de se usar o termo «orientação» homossexual é, infelizmente, muito significativo, pois denota claramente que aquela tentativa, por parte do Arcebispo Forte (que tem uma filosofia e teologia débeis e a puxar para o historicismo) e do jesuíta António Spadaro de introduzir a ideologia «gay» no relatório intermédio, consegue, de algum modo, o seu objectivo, embora de um modo camuflado, para quem não estuda estas coisas. De facto, o termo «orientação» sexual, ou homossexual, introduz malignamente uma distinção/divisão dos seres humanos entre heterossexuais e homossexuais. Ora, como o afirmou um socialista ateu, Lionel Jospin (ex-primeiro-ministro francês), a humanidade não se divide entre homossexuais e heterossexuais, mas sim entre homens e mulheres. Só existem duas identidades, a saber, a masculina e a feminina. Aceitar o termo «orientação homossexual» significa objectivamente, quer, subjectivamente, se queira ou não, admitir que a «homossexualidade» é uma identidade que define a pessoa. Não é por acaso que o Cardeal Marx referindo-se à diferença entre os relatórios, o intermédio e o final, afirmou que se «deram dois passos em frente e um atrás». A maioria dos fiéis, ignorante e ingénua no respeitante à Tradição e ao Magistério constante e universal da Igreja regozijou-se de contentamento porque julgou ter obtido uma vitória por ocasião da refutação e correcção do relatório intermédio (também no que dizia respeito à Comunhão dos «divorciados recasados»). Não nego que alguma coisa se tenha conseguido, mas na sua ingenuidade, portanto em boa-fé, deixaram passar, praticamente, o mesmo. Não é por acaso, de facto, que os dissidentes, manifestaram uma enorme alegria; para o verificar basta ler as declarações jubilosas dos mesmos que as agências informativas noticiaram. Estará a hierarquia da Igreja, no seu geral, consciente das implicações gravíssimas que essa aceitação ideológica acarreterá, subvertendo-a, para a recepção distorcida da Revelação transmitida pela Sagrada Escritura e pela Tradição? Não o parece. A esse ponto da, impropriamente, chamada «homossexualidade» voltarei mais adiante.

4 – O Cardeal G. Pell, um prelado muito inteligente, culto e informado, tendo plena consciência do que disse e conhecendo muito bem quem está por detrás da proposta para conceder a Sagrada Comunhão a «divorciados recasados», «dentro de condições bem precisas» (ao que chega a dissimulação e a hipocrisia… ), afirmou categoricamente que essa tentativa não passa de um «cavalo de tróia» para abrir a Comunhão a toda a gente: conviventes, uniões de facto, «uniões homossexuais», adúlteros, etc.

Claro que uma proposição de escancarar a Comunhão a toda e qualquer pessoa que objectivamente – e até publicamente – viva em pecado mortal repugnaria de pronto à maioria do episcopado Católico. Por isso, se recorre a casos limites, extremos, sentimentalões, como o fez o P. Spadaro, S.J. repetindo o exemplo que Francisco dera na sua entrevista às revistas jesuítas. O que depois se alarga, diria que indiscriminadamente, ao afirmar-se na relação final, n.º 52, citando o Catecismo, que se deve aprofundar a questão da imputabilidade e responsabilidade atenuada ou anulada por motivos psíquicos ou sociais – fala-se também de situações «irreversíveis» e de «obrigações morais para com os filhos que viriam a padecer sofrimentos injustos». Mas a verdade é que se levarmos isto a sério então as implicações serão devastadoras, por variadíssimas razões. Sempre por tópicos apresento algumas:

a) Um famoso filósofo francês colocou-se numa situação considerada irreversível, uma vez que durou vinte anos, acabando por regressar e se reconciliar com a sua esposa. Terá sido pecado deixar a/s concubina/s para voltar para a sua mulher?

b) Um casal tem três filhos, um abortado, outro de 3 anos e o outro de 1 ano. Como geralmente 80% dos casais onde há um aborto provocado acabam por divorciar-se, assim aconteceu com este. Ela deixou-o, «casou» pelo civil com outro; têm 3 filhos um de 2 anos outro de três e outro de 7 anos. Está arrependida do aborto, sente-se em paz. Mas 3 anos depois cai em si, reconcilia-se com o marido, que tinha deixado uma outra mulher com quem vivia. Se já era admitida à confissão e à Eucaristia será que voltar para o verdadeiro marido é pecado? Mas as obrigações morais para com os filhos do casamento civil e o sofrimento injusto? E então os filhos do primeiro casamento não padecerão também injustamente? Ou será melhor, de acordo com os dois pais, viver em bigamia de modo a estar presente em ambos os lares?

c) Será pecado um homem ou uma mulher renunciarem ao segundo «marido» ou «esposa» e aos filhos para, não por puro desinteresse pelos mesmos, pegarem na sua cruz e seguirem Jesus? Será que a exigência de Jesus Cristo, segundo os critérios da mentalidade actual, é um pecado nefando? Não será pelo contrário que somente admitir essa hipótese é blasfemo e sacrílego?

d) Não será uma grave iniquidade dar péssimo exemplo escandalizando os filhos por viver em adultério?

e) Um mafioso, bem conhecido do povo que tinha medo de o denunciar, antes de casar, obrigou a amásia a fazer um aborto de um filho de ambos. Está agora casado, com cinco filhos, está arrependido do aborto e da corrupção bem como dos homicídios que praticou, mas encontra-se numa situação «irreversível», pois sabe que se se recusar à corrupção e aos assassínios decididos por seus chefes será liquidado, deixando a mulher viúva e os filhos órfãos, o que lhes acarreterá um «sofrimento injusto». Por que é que não poderá aceder aos sacramentos da Confissão e da Comunhão Eucarística?

f) O considerar a «irreversabilidade» e a nulidade ou atenuação da imputabilidade por questões psíquicas ou sociais, no contexto em que é feito, não corresponderá a uma negação daquela Verdade perene e insofismável de que a Graça de Deus pode vencer qualquer situação de pecado?

g) Quando se generalizam as atenuações e anulações da imputabilidade e da responsabilidade, que ultimamente só Deus conhece, não se estará a negar a liberdade humana e a Omnipotência do Amor Redentor de Deus, isto é da Sua Misericórdia Infinita? É que se assim for então nunca se poderá negar a Sagrada Comunhão a ninguém, como o afirmou há dias um sacerdote, doutorado em teologia moral, numa entrevista radiofónica, aqui em Portugal.

Adolfo Hitler (um católico!) não terás tu sido injustiçado por algum sacerdote católico-fariseu-fundamentalista-arrogante-legalista que te tenha dito que não podias comungar ou que até te tenha negado a Sagrada Comunhão? Vinde Obama, Nancy Pelosi, J. Biden, Boko Harem e membros da Isis (ou lá como é que se chama) alegremente à mesa da Sagrada Eucaristia porque provavelmente a vossa imputabilidade e responsabilidade está atenuada ou anulada.

h) Já pressinto que me argúem de comparar estupidamente os pecados sexuais com outros de maior gravidade. Defendo-me com um jesuíta, o P. António Vieira, que num dos 9 sermões sobre Santo António, percorrendo a Sagrada Escritura mostra como os pecados de si mais graves têm como raiz a concupiscência sexual ou a cobiça. É, aliás, evidente que um Obama e compinchas «católicos» são mais gravemente responsáveis por um número de assassínios de inocentes e destruição de famílias, pela promoção do aborto provocado, do infanticídio e da agenda lgbtqi, muito mais elevado do que os outros terroristas; só que as suas consequências não aparecem nas televisões nem na imprensa, e talvez por isso não parecem preocupar os membros sinodais.

i) De caso limite em caso limite se chegará inevitavelmente à Comunhão generalizada de todo e qualquer católico independentemente da situação em que se encontre. Teremos assim que um adúltero se aproximará do Sacramento da Reconciliação ou Penitência não porque arrependido desse pecado continuado e habitual mas somente para confessar que respondeu mal aos seus subordinados ou que se irritou com as más notas de algum dos seus filhos e, em seguida, ir de «consciência tranquila» receber a Sagrada Comunhão; ou um par de sodomitas que vão à Confissão não porque arrependidos da sua convivência promíscua mas, sei lá, porque um se recusou em determinado momento em satisfazer o desejo de penetração do companheiro, submetendo-o assim à «inevitabilidade» de ir procurar na noite um estranho que o satisfizesse na sua volúpia venérea. Cuidam que exagero? Pois eu vos digo que isso já acontece.

5 – No número 41 da mesma relação de que tratamos fala-se dos aspectos ou elementos positivos das convivências sexuais e casamentos civis, subentende-se, entre baptizados. Bravo!! Muito bem!! Mas por que não referir os elementos positivos de satanás?, de facto é um anjo que, embora decaído, não perdeu a sua natureza angélica. E por que não reconhecer os aspectos positivos de Hitler que aumentou a natalidade entre os alemães, pôs a indústria e a economia em situação próspera, e com as experiências do dr. Mengel nos prisioneiros nos campos de concentração alcançou conhecimentos que nos trouxeram benefícios?

6 – Por que é que afirmo que a introdução da «homossexualidade» (a propósito, já disse e escrevi, ou não, que nem a homossexualidade nem a heterossexualidade existem?) no documento, juntamente com a palavra «orientação» indicam uma aceitação eclesial e, consequentemente, uma permissividade de acesso aos sacramentos da Confissão e da Comunhão para quem assim habitualmente vive, sem qualquer propósito de emenda. A resposta é muito simples, é que isso é já o que se passa num número considerável de paróquias, universidades e outras comunidades eclesiais, muitas delas dirigidas, entre outros, por padres jesuítas. Só falta vencer as resistências ainda existentes e estender a «desbunda» a toda a Igreja.

Já sei que me apontarão o número 56 da mesma relação na qual se fala da inaceitabilidade das pressões de organismos internacionais que condicionam a ajuda financeira aos países mais pobres à introdução de leis que reconheçam o «casamento» entre pessoas do mesmo sexo. É verdade, mas reparem bem que se fala de pressões que impõem condições mas não se recusa, ou melhor não consta a rejeição, em absoluto do «casamento» entre pessoas do mesmo sexo, mas somente que isso seja imposto por pressões económico financeiras.  Mas mesmo que tivessem repugnado categórica e peremptoriamente esse pseudocasamento entre pessoas do mesmo sexo, é muito para reparar que nada se diz sobre a chamadas «uniões civis» entre essas mesmo. Estas ditas uniões sodomitas são praticamente em tudo equiparadas ao casamento, excepto no nome.

7 – O ex-Cardeal de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, não é, enquanto Cardeal, o Papa Francisco, mas como é sobejamente conhecido propôs, então, ao episcopado da Argentina a «solução» das «uniões civis» entre pessoas do mesmo sexo para obviar ao «casamento». Esse mesmo Cardeal, como tem sido noticiado por vaticanistas, mandava que o clero da sua Diocese desse a Sagrada Comunhão não só aos «divorciados recasados», mas também aos conviventes more uxore não casados, enfim, à balda, como diz a gente nova.

8 – Eu não sou, já se sabe, nem a quarta pessoa da Santíssima Trindade, nem Papa, nem Cardeal, nem Bispo, nem teólogo, nem sequer licenciado. Sou a escória imunda que todos sabem; mas nessa pestilência que sou vos adianto que me sinto nauseado com o que me cheira a uma infâmia nefanda e anti-Crística. À honra e glória de Cristo. Ámen.





quinta-feira, 30 de Outubro de 2014


Quando alguns ainda ateimam

na chachada da «social-democracia»...


Heduíno Gomes

Como se deveria chamar o PSD senão PPD ?

Quando alguns ainda ateimam na chachada da «social-democracia», eis que um socialista francês coloca o problema do anacronismo do socialismo, que poderemos traduzir para social-democracia, uma forma sintética de dizer socialismo democrático. Por maioria de razão, o PSD, que já nem se reivindica do socialismo nem pretende aderir à Internacional Socialista, como outrora (isto para os que não sabem), não se deveria chamar «social-democrata». Poderia, por exemplo, regressar ao seu primitivo nome: Partido Popular Democrático.

Assentava-lhe melhor, sem fazer a triste figura de se dizer socialista, apesar de alguns, com a cultura política que o Partido lhes dá, nem perceberem...


MANUEL VALLS,  O ICONOCLASTA
PARA O PRIMEIRO-MINISTRO FRANCÊS, SOCIALISMO É DO SÉCULO XIX

Nouvel Obs perguntou: «Deve o PS mudar de nome?»

Valls respondeu: «Por que não?»

Foi a frase que ficou. Mas não é nada de novo. Dizia Valls em 2008: «Partido Socialista já não significa nada. O socialismo foi uma ideia maravilhosa e uma estupenda utopia. Mas era uma utopia inventada contra o capitalismo do século XIX.» Atrás da resposta está a ideia de «uma casa comum de todas as forças progressistas», à semelhança do PD italiano, de Renzi. A entrevista foi um ataque aos tabus da ala esquerda do PS que faz obstrução ao seu Governo: «É preciso acabar com a esquerda passadista, amarrada a um passado esgotado e nostálgico.»





terça-feira, 28 de Outubro de 2014


A vida nababesca

do proletário Fidel Castro.

Em parte com grana brasileira.

Parte com o tráfico de drogas

para os E.U.A


Irapuan Costa Junior

Foi publicado em França, no dia 28 de Maio, o livro «A Vida Secreta de Fidel» (Paralela, 224 páginas, tradução de Júlia da Rosa Simões), escrito por Juan Reinaldo Sánchez e pelo jornalista francês Axel Gyldén. Sánchez foi, durante 17 anos, o principal guarda-costas de Fidel. Gyldén é um jornalista do «L’Express», que escreveu em 2007 sobre o Brasil o livro «Le Roman de Rio» (não foi traduzido; a edição francesa pode ser encomendada no portal da Livraria Cultura.

Fidel e o seu então guarda-costas, o autor do livro Juan Reinaldo Sánchez

Sánchez, caído em desgraça por ter um irmão que se asilou em Miami (Fidel achou que ele soube da fuga e não a impediu), foi destituído e preso por dois anos. Conseguiu fugir de Cuba e conta «segredos» da vida oculta do ex-ditador. Um deles refere-se à vida luxuosa levada por Fidel, inteiramente às escondidas dos miseráveis cubanos, que sofriam – e sofrem – com falta de tudo. Um dos segredos mais bem guardados até hoje é o da existência da luxuosa ilha de Fidel, Cayo Piedra. Cayo Piedra fica próxima à costa de Cuba, em frente à Playa Girón (onde desembarcaram os rebeldes mandados por John Kennedy, em 1961).


A vida miserával dos cubanos

Local de um antigo farol, demolido nos anos de 1960 com obras decididas pelo «Líder Máximo» para o seu conforto, na ilha existe uma luxuosa casa para uso exclusivo de Fidel, uma casa de hóspedes, aquartelamento da sua segurança, piscinas, central de energia eléctrica, abrigos subterrâneos, um viveiro de golfinhos (!), porto e outras construções. Era nos seus arredores que Fidel praticava o seu desporto preferido, a caça submarina. O que fazia com um grande séquito, como fazia Luis XV, quando caçava nas florestas de Versailles, conta Sánchez.

A casa de Fidel na ilha Cayo Piedra

Embora dispondo de uma casa de hóspedes, para que os cubanos não soubessem do seu luxo, para que não saíssem notícias, Fidel levou poucos convidados a Cayo Piedra, fora do seu círculo mais íntimo. As excepções foram Gabriel García Márquez e o dirigente comunista alemão Erich Honecker.

Para se deslocar para Cayo Piedra, Fidel usava o seu iate, não menos luxuoso, o Aquarama II, sucessor do Aquarama I, apreendido a familiares de Fulgêncio Batista, quando este fugiu de Cuba, e do Tuxpan, também luxuoso, e de cuja existência poucos cubanos souberam.

Outra revelação de Sánchez diz respeito às várias casas de Fidel por toda a ilha: são duas dezenas, onde moram a mulher de Fidel desde 1961, Dalia Soto Del Valle, seus filhos, amantes, ou casas que simplesmente serviam de pousada aleatória para o ditador, sempre temendo um atentado.

Revela o ex-guarda-costas a existência de um sósia de Fidel, Silvino Álvarez. A função de Silvino era enganar os cubanos, quando Fidel adoecia. Como o ditador não queria perder a imagem de sempre forte e saudável, fazia Silvino circular por Havana no seu carro Mercedes-Benz, quando estava doente, para que os pobres cubanos não soubessem que o «Líder Máximo» estava acamado.

Sánchez acompanhou Fidel em quase todas as suas viagens, em Cuba e no exterior (inclusive no Brasil, quando da investidura do ex-presidente Fernando Collor), nos anos em que esteve ao seu serviço. Dinheiro nunca foi problema nessas deslocações, até porque Sánchez transportava uma mala cheia de dólares (cerca de 250 000) para as despesas do ditador. Fidel só consumia (e fazia-o diariamente) o caro uísque Chivas Regall, que tinha sempre à mão, e só se deslocava em luxuosos carros Mercedes-Benz 500 blindados.

Mas não é só a vida luxuosa de Fidel, seus familiares e próximos que Sánchez revela. O livro ilumina o julgamento stalinista do general Arnaldo Ochoa, fuzilado por ordem de Fidel, juntamente com outros graúdos do comunismo cubano. Cuba necessitava desesperadamente de divisas, depois de acabar o subsídio soviético que sustentava a depauperada economia da ilha. Segundo Sánchez, foi de Fidel a ideia de se associar ao cartel de Medelín, chefiado por Pablo Escobar, e traficar via Cuba para os EUA grandes quantidades de cocaína e maconha. Havia nessa operação um subproduto: Fidel achava que contribuía para o enfraquecimento moral da nação norte-americana, no que, aliás, não estava de todo errado.

Dilma recebida por Fidel na sua luxuosa residência

Sánchez testemunhou pelo menos numa ocasião um grande traficante americano veraneando com a família em Cuba, directamente autorizado por Fidel. Quando a CIA, que havia detectado a rota do tráfico, se aprestava a fazer uma denúncia internacional, Fidel foi avisado pela inteligência cubana, alertada por os seus agentes na Flórida (o serviço secreto cubano era tido como excelente, superado apenas pela americana CIA, pelo SDECE francês, pelo MI-5 britânico e pelo Mossad israelense).

Fidel não perdeu tempo e matou dois coelhos com uma só cajadada. O general Ochoa tinha-se tornado um grande herói nacional, o que incomodava excessivamente Fidel. Com­batente na Sierra Maestra, lutara no Congo com Che Guevara, na Ve­nezuela, na Etiópia, na Nicarágua e em Angola, sempre a mando de Fidel. Além de ser popular, Ochoa cometera outro pecado capital. Em Angola, no campo de batalha, onde conhecia a situação, desobedecera a ordens de Fidel, que resolvera orientar as operações, embora estivesse a milhares de quilómetros das tropas, e, claro, não tivesse o conhecimento local. Ditador algum tolera ser desobedecido, mesmo que esteja errado. Sánchez tinha ouvido algumas conversas entre Fidel e Raúl com críticas à ascensão e à independência de Ochoa. Foi então que se montou o espectacular julgamento (de Ochoa e do ministro do Interior, José A­brantes). No fim do julgamento, Ochoa surgiu como o grande culpado do tráfico de drogas, e foi rapidamente fuzilado. (Abrantes, condenado a longa pena de prisão, morreu dois anos depois, em condições suspeitas, na sua cela).

Fidel, Lula e Raúl: encontro de «estadistas» latinos à beira da piscina

Fidel dava ordens diariamente ao juiz fantoche que presidia ao tribunal, para que tudo saísse a contento. E Fidel saiu do julgamento como o homem que não tolerava desvios, ficando ainda livre da sombra de Ochoa.

Raúl Castro é alcoólico, relata Sánchez. O problema parece ter surgido logo após a vitória da revolução, quando Raúl, por exigência de Fidel, supervisionou a carnificina dos fuzilamentos, e participou mesmo em alguns. Agravou-se o problema depois da execução de Ochoa, de quem Raúl era amicíssimo. Raúl conteve-se com a vodka a pedido e mesmo exortação de Fidel, a quem nunca negou absolutamente nada. Há muito mais no livro de Sánchez, que acaba de ser traduzido pela Paralela, selo da Companhia das Letras. É um caso raro, porque livros críticos à ditadura dos siameses Fidel e Raúl são escassos no Brasil. Os admiradores de Fidel e do regime cubano dirão que se trata de mentiras, e obviamente vão ignorar até mesmo as fotografias com que Sánchez ilustra o livro.





segunda-feira, 27 de Outubro de 2014


Brasil:

A «festa» vai continuar. Depois queixem-se...


O comandante do exército general Enzo Peri...coloca a Presidente da República em xeque-mate e em decisão extremamente delicada para duas opções do s...eu governo: ou demite o general ou extingue em definitivo a CNV (Comissão Nacional da Verdade).


Seja lá qual for a opção escolhida, Dilma perde o controlo das FFAA nunca mais será a suprema comandante das FFAA...

Abrem-se assim os caminhos para que as FFAA tomem medidas urgentes no que estabelece a constituição federal (art. 142) face ao estado caótico da Nação que cai de joelhos diante da fúria golpista comunista. O momento é extremamente grave pois está estabelecida a supremacia das FFAA que não é mais subalterna ao ministro da defesa nem à Presidência da República.

Para seu conhecimento, leia sobre o acontecimento gerador da gravíssima crise institucional, aberta entre o Comando das FFAA, Ministério da Defesa e Presidência da República noutra publicação de 22/08/2014 – Jornal O Globo – transcrita nesta página também em 22/08/2014.

Nesta publicação, consideramos oportuna e bem actual, fazermos uma análise de dois momentos: O primeiro ocorreu nos primeiros dias de Junho quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso esteve numa reunião com o Comando Militar do Sudeste (SP) e saiu de lá extremamente preocupado com o que «estava para vir»... assim definiu o que pode ouvir... o que transcrevemos a seguir. O segundo ocorre em 22 de Agosto de 2014, quando se abre a crise entre o Comando da Força e o Executivo.

Se tiver um pouco de juízo… leia tudo o que se segue e prepare-se para o que vem depois!! Não venham dizer mais tarde que não sabiam ou que não foram avisados. Compartilhe ao máximo para se transformar em mais um aviso de abrangência nacional pois temos a obrigação de evitar uma guerra civil sangrenta, o que mancharia a nossa história. (Roberto Mezian 27/06/2014).

«Só para lembrar... que ainda estamos vivos, estamos nas ruas e de olho em tudo! Aos desavisados, aos que desejam o caos, aos que ferem a Constituição Federal, aos que minam por decretos ilegítimos a democracia brasileira.

Lembramos que estamos mais vivos do que em 64 e que nenhuma ideologia é capaz de «converter os militares» dentro das Forças Armadas Brasileiras... O abalo vai ser forte e quem não acreditar é melhor começar a rezar! Podem-se preocupar, podem-se desesperar aqueles que, políticos ou não, permitiram que a Nação chegasse ao actual estado de degradação político institucional».«Não queremos choros e lamúrias, não queremos arrependimentos e amnistias...

Preparem-se e não digam que não foram exaustivamente avisados! O recado está dado!»

Palavras duras, de alerta e de aviso aos canalhas, corruptos e traidores da Pátria. Cuidado, pois os homens dos botões dourados já marcham nas ruas.

Fernando Henrique Cardoso passou mais de duas horas numa reunião de portas fechadas com o linha-dura e democrata, Comandante Militar do Sudeste, general João Camilo Pires de Campos. Fernando Henrique Cardoso saiu da reunião com o semblante nervoso e tenso. O que será que o general linha-dura e de quase dois metros de altura e olhar directo disse para Fernando Henrique Cardoso? Seria o decreto de Dilma que extingue o Congresso Nacional o motivo da reunião?


Se o decreto 8 243 for aprovado teremos um governo que governará o País por meio de decretos e através de assembleias bolivarianas. A democracia seria totalmente extinta e a Nação inteira estaria sob uma ditadura do proletariado.

O clima é o mesmo de 1964, quando o governo de João Goulart exercia um forte domínio sobre os movimentos revolucionários. Quando Jango incentivou as greves e fez ameaças à democracia. Quando Jango espalhou e insuflou o ódio na sociedade no intuito de gerar um conflito de classes. Quando Jango promovia discursos insanos e dementes incentivando a desapropriação e a invasão de terras e empresas.

Há dias num programa de televisão, o apresentador Ratinho disse com educação: «Cuidado com os homens de botões dourados!».

Já Fernando Gabeira foi mais objectivo e disse: «Esquerdistas! Cuidado que a polícia está a chegar!» Seriam estes sinais de alerta para aqueles que ridicularizam o povo e a justiça? O que estaria realmente a acontecer por trás das cortinas do poder que ainda não sabemos?

Há exactamente 25 dias Fernando Henrique Cardoso disse que os brasileiros não sabem o risco que correm. A preocupação de Fernando Henrique Cardoso com certeza tem a ver com alguma coisa ligada a uma possível reacção militar do Alto Comando do Exército. Não há muito tempo que outro general Valmir Fonseca Azevedo disse que o Brasil corria o sério risco de uma guerra civil e que aqueles que não acreditassem numa acção militar seria melhor rezarem ou irem para Cuba, pois muita gente poderia ser fuzilada na praça pública, um recado directo para os corruptos e traidores da Pátria que se escondem por trás da democracia, ou melhor dizendo: Os caras vermelhas do PT.

O general Valmir Fonseca Azevedo não está no activo, mas tem uma grande influência dentro do Alto Comando Militar. Também de linha duríssima, o general não poupa o governo comunista de Dilma Rousseff e inúmeras vezes escreveu artigos contra os desmandos do governo para a Revista Militar. Para Gabeira, um ex-terrorista e ex-comunista dizer o que disse e para Fernando Henrique Cardoso pedir uma reunião conjuntamente com o general João Camilo é sinal de que alguma coisa muito séria estaria ocorrendo nos bastidores do País. No curral do PT os porcos já chafurdam as suas cabeças entre os próprios excrementos e na falta de coragem passarão a comê-los como última refeição. A hora do pau estaria chegando!

No Brasil dos corruptos e bandidos políticos, ainda há patriotas que ostentam o brasão da justiça, da dignidade, da honra e da moral. Venha o que vier, o povo patriota estará sempre do lado da Lei e da Ordem. O Brasil cansou-se de «ismos», comunismo, socialismo, liberalismo, modernismos e «ismos» e mais «ismos». O Brasil cansou-se das roubalheiras, cansou-se da corrupção, cansou-se de politicagem, cansou-se de políticos safados, de políticos corruptos, de juízes vendilhões, de marginais que se escondem por trás da democracia. O Brasil cansou-se de comunidades controladas e dominadas por marginais do tráfico, cansou-se das drogas, da vagabundagem, cansou-se dos bandidos, dos menores infractores, da violência urbana, das invasões de terras, da violência e da destruição familiar.

O Brasil cansou-se da pedofilia, dos estupros incentivados pelo governo, da homofobia, do gaysismo, do coitadismo, do racismo. O Brasil cansou-se da impunidade política, da corrupção da justiça vendida, das obras superfacturadas, das obras inacabadas, dos crimes de lesa pátria, dos rombos nas contas do governo, nos saques bilionários nas estatais, nos escândalos na política, das conspirações, dos crimes cometidos pelo governo contra o povo brasileiro, do inchaço do governo que onera o Estado brasileiro em biliões de reais. O Brasil cansou-se das tramóias, das lavagens de dinheiro, dos mensalões, dos propinodutos (falcatruas), dos desvios de verbas, das obras financiadas pelo governo do PT com dinheiro do povo brasileiro para beneficiar países comunistas e daí, ligados ao Foro de São Paulo. O Brasil cansou-se de traição, de mentiras, das farsas, das pesquisas compradas, dos media corrompida, da liberdade controlada, da censura velada, das perseguições, do policiamento do Estado, dos projectos empurrados com a barriga, de obras inacabadas e inauguradas oficialmente pela «cara de pau» e pela horda de canalhas que só pensam no poder.

O Brasil cansou-se de tanto atraso, cansou-se da falta de saúde, de hospitais decentes, de escolas decentes, de ensino de qualidade, de segurança pública, de estradas asfaltadas e bem cuidadas, de portos modernos, de aeroportos seguros e eficientes, de saneamento básico em todas as regiões deste país, de qualidade de vida e de projectos que realmente desenvolvam esta Nação de milhões de brasileiros. O Brasil está cansado, enojado, furioso e revoltado. O recado está dado, preparem-se pois haverá ranger de dentes!





domingo, 26 de Outubro de 2014


O «estupefactável» Presidente da Cáritas

a Ministro das Finanças, já!


Luís Lemos


«estupefacto» senhor Fonseca, Presidente da Cáritas.

O Presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio da Fonseca, declara-se à RR «estupefacto» com a proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano, defendendo que gastar em educação, saúde e na protecção social «não é uma despesa, mas sim um investimento».

Nós, que nada temos a ver com a alheia ao bem comum e incompetente classe política
, incluindo a que actualmente se encontra no poleiro, é que não podemos deixar de ficar estupefactos com as declarações económicas e financeiras de certos (ir)responsáveis que falam em nome da Igreja. Mas, à força de tanta matéria para estupefacção, é verdade que vamos ficando habituados. Essa matéria tem vindo há anos e anos a ser produzida por cardeais, bispos e padres. E também por leigos com responsabilidades em órgãos da Igreja. E especialmente por certas organizações da Igreja. Querem parecer bem. É por isso que há por aí uma série de Dons Januários e Dons Manuéis Martins, para citar os mais castiços.

Mas convém que o hábito de os ouvir nas fantasias não prevaleça sobre as nossas consciências sobre a realidade.

Pois o senhor Fonseca, em vez de se reduzir à sua função de ajudar os necessitados, é daqueles que, aproveitando o poleiro da função, não perde uma oportunidade para se armar em comissário político e largar umas biscas financeiras demagógicas, populistas, completamente irresponsáveis, e, diga-se de passagem, por vezes parcas de inteligência. É caso para lhe dizer que se meta na sua vida, isto é, na sua função de executivo de uma organização católica de caridade, pois os católicos não têm de o aturar com a suas posições políticas.

Claro que a capa desta gente é sempre a sua duvidosa bondade cristã (duvidosa neles, não duvidosa a bondade cristã – esclareça-se!).

Até já tivemos um desses bons cristãos, Bagão Félix, que foi Presidente de uma outra bondosa organização dita católica – a Comissão Nacional Justiça e Paz, onde tinha a seu lado um bloquista –, e depois Ministro das Finanças. A coisa não resultou dessa vez. Quem sabe se com o senhor Fonseca em Ministro das Finanças a coisa vai resultar?






quinta-feira, 23 de Outubro de 2014


O artigo do jornal O Diabo

sobre a situação no Vaticano


O Diabo, 21 de Outubro de 2014


« S A N E A M E N T O S »   D E   E S Q U E R D A
J Á   C H E G A R A M   A O   V A T I C A N O

Na sequência do Sínodo da Família, foram já caladas várias vozes discordantes da «modernização»

O Papa Francisco, que se sentou na cadeira de São Pedro com um sorriso angélico de conciliador, começa a dar sinais de estar refém dos «lobbies» radicais da Igreja. A nova moda no Vaticano, agora, é «sanear» quem não concorda com a «modernização», o divórcio e os «casais gay». O PREC instalou-se na Cúria Romana.

Foi uma das frases emblemáticas do cardeal argentino Jorge Bergoglio ao ser entronizado como Sumo Pontífice, em Março do ano passado: o novo Papa pretendia ser «uma ponte entre margens do mesmo rio». Queria conciliar as várias tendências na Igreja Católica, a todas respeitando. Aspirava a um Pontificado de evolução harmoniosa e justa.


Dezanove meses depois, o mesmo Bergoglio mostra uma face infinitamente menos «dialogante». Na sequência do Sínodo da Família, que terminou no último sábado em Roma, foram já caladas várias vozes discordantes da «modernização» apressada defendida pelos «lobbies» esquerdistas. E o Cardeal conservador Raymond Burke acaba de engrossar a lista dos «saneados» ao ser despedido da presidência do Supremo Tribunal Canónico por não pensar como os «progressistas».

A terceira assembleia-geral extraordinária do Sínodo dos Bispos, convocada para debater o tema «Os desafios pastorais da Família no contexto da evangelização», marca uma viragem na política da Santa Sé e uma tentativa de alteração substancial da doutrina da Igreja sobre temas tão controversos como a homossexualidade, o divórcio e o aborto.

Confirmam-se as piores suspeitas: os «sinais de mudança» dados pelo Papa Francisco ao iniciar o seu Pontificado abriram as portas laterais da Santa Sé a elementos radicais defensores da chamada «Teologia da libertação» e a outros grupos de «católicos progressistas» com uma indisfarçável agenda política. No Vaticano, há um Processo Revolucionário em Curso – um PREC que ameaça sacudir os pilares do pensamento cristão e da doutrina católica.

PAGAR CARA A OUSADIA

O caso do Cardeal norte-americano Raymond Burke é paradigmático. Logo que, no início da semana passada, foi conhecida a proposta de relatório preliminar do Sínodo da Família, os sectores mais tradicionais denunciaram a tentativa de radicalização do discurso oficial da Igreja. O Cardeal Burke foi um deles, mas não se ficou pelo protesto: sugeriu uma nova redacção.

Em alternativa a um capítulo em que se afirmava que a homossexualidade tinha «dons e qualidades a oferecer à comunidade cristã», o prelado propôs uma abordagem que enaltecesse a vida humana (e não o aborto), o casamento (e não o divórcio) e a Família (e não as «uniões de facto» entre pessoas do mesmo sexo). Dirigindo-se expressamente a Francisco, o Cardeal recordou que o Papa «não é livre de alterar os ensinamentos da Igreja em relação à imoralidade dos actos homossexuais ou à indissolubilidade do casamento».

Burke pagou cara a ousadia: ainda o Sínodo não tinha terminado e já o Cardeal norte-americano era destituído do cargo de presidente do Supremo Tribunal Canónico do Vaticano. Nos últimos dias, na Santa Sé, corria o rumor de que Burke deverá agora ser nomeado para presidir à Ordem de Malta – um cargo apenas honorífico que o manterá convenientemente afastado das decisões vaticanas.

Raymond Burke não é o único «saneado» por defender opiniões conservadoras. Outros prelados tidos como próximos do anterior Pontífice, Bento XVI, foram já destituídos de cargos de relevo na Cúria Romana: o Cardeal Mauro Piacenza, o Arcebispo Guido Pozzo e o Bispo Giuseppe Sciacca são alguns dos mais destacados. E uma espada de Dâmocles pende sobre a cabeça do Cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cujo «pecado» é ser um defensor da doutrina tradicional da Igreja.

Em Portugal, o frade dominicano Bento Domingues, conhecido pelo seu radicalismo esquerdista, veio já defender a política papal de «neutralizar as forças que se opõem à mudança». Les beaux esprits se rencontrent…

No último sábado, num assomo de bom senso cada vez mais raro na Santa Sé, o Sínodo dos Bispos acabou por eliminar do relatório final as referências mais polémicasos radicais não conseguiram ainda conquistar para a sua causa a maioria de dois terços dos votos entre os cerca de 200 prelados participantes.

Mas a recomendação de «compreensão» face ao «fenómeno do divórcio» obteve quase 60 por cento dos sufrágios; e a proposta de «abertura aos gays», ainda que expurgada de um insólito parágrafo de «boas vindas», prevaleceu como princípio caritativo com 65 por cento dos votos.

O Sínodo voltará a debater o tema em 2015.

CHEIRO A ESTURRO

O Sínodo da Família teve uma longa preparação de um ano. No Outono de 2013, o Papa fez distribuir por toda a Igreja um inquérito de 39 perguntas-base tendo em vista a «escolha dos temas» a debater no encontro dos bispos. Preparado pelos serviços do Sínodo, o inquérito foi enviado às Conferências Episcopais de todo o mundo para que o «adaptassem às realidades nacionais». A versão portuguesa acabou por ter um total de 58 perguntas.

Já então nos meios católicos moderados e conservadores cresciam desconfianças sobre as movimentações entusiásticas dos partidos esquerdistas da Europa em torno desta sondagem. O DIABO alertava: «No próprio Vaticano, os «lobbies» radicais da Igreja vão preparando a opinião pública católica para uma «viragem à esquerda» em matérias tão melindrosas como a homossexualidade, as «uniões de facto» e o aborto. O inquérito mundial sobre a Família é mais um passo nesse sentido».

Tornara-se já óbvio, há um ano, que o Sumo Pontífice romano, devido à sua atitude «aberta» e «descontraída», se colocara numa posição vulnerável face às pressões dos «lobbies» esquerdistas, que desde a sua eleição começaram a ocupar lugares-chave nas comissões pontificias.

Na aparência, a sondagem papal era «bem intencionada», ao pretender caracterizar a atitude dos católicos sobre temas relacionados com a Família. No entanto, o conteúdo de algumas perguntas logo suscitou as maiores inquietações, ao tratar casualmente e com estranho à-vontade problemas de grande complexidade e melindre como o «casamento» entre pessoas do mesmo sexo, o uso de contraceptivos artificiais, o acasalamento pré-matrimonial e até o aborto, pedindo opiniões sobre qual a «atenção pastoral» que deveria ser dada a tais casos.

Entre outras peculiaridades, o inquérito admitia que, a uma das perguntas, o fiel católico respondesse «não concordo com o ensinamento da Igreja» ou «tem coisas boas, mas não é para mim». O inquérito indagava sobre se «a coabitação pré-matrimonial é uma realidade pastoral relevante na sua paróquia»Perguntava «que atenção pastoral é possível prestar às pessoas do mesmo sexo que têm crianças ao seu cargo»E pretendia apurar se «o recurso a métodos abortivos é reflectido no sacramento da penitência» (isto é, se as mulheres que abortam referem o facto na confissão)Num Sínodo sobre a vivência cristã da Família, estas perguntas não podiam deixar de cheirar a esturro…

TEÓLOGA LÉSBICA E FREIRA APAIXONADA

Segundo o sociólogo da religião argentino Bernardo Barranco, então citado pel’O DIABO, a eleição de Francisco para a cadeira de S. Pedro correspondera à necessidade de a Igreja enfrentar «uma crise de época» com uma nova imagem, mas «a oportunidade foi imediatamente aproveitada para infiltrar no Vaticano elementos esquerdistas».

Na mesma semana em que o inquérito foi distribuído mundialmente, a teóloga Judith Vásquez, conhecida «lobbista» latino-americana que se assume como «lésbica e feminista», ganhou relevo na imprensa internacional ao defender que o Sínodo deveria adaptar a posição da Igreja «às necessidads da sociedade». E o frade Julián Cruzalta, professor «progressista» de Teologia e «assessor teológico» da organização internacional «Católicas pelo Direito a Decidir», defendia que a Igreja «tem de mudar», sob pena de ficar «isolada do mundo». Uma «cassette» bem conhecida.

A divulgação do inquérito preparatório do Sínodo fez saltar das suas tocas os principais agentes radicais da Igreja. A freira catalã Teresa Forcades, que se apresenta como «feminista» e «anti-capitalista», afirmou (a propósito do inquérito) que «é bom que as pessoas se agitem, para que haja mudanças. Temos uma Igreja que, na sua estrutura, é patriarcal e misógina». Monja beneditina do Convento de Monserrate, em Barcelona, Teresa Forcades, médica de formação, tornou-se rapidamente «a freira da moda» entre os radicais depois de ter defendido «a revolução e a ruptura» na Igreja Católica. A BBC de Londres chamou-lhe «a freira mais radical da Europa».

Curiosamente, a «freira da moda» esteve em Portugal na mesma semana em que a Conferência Episcopal dava início à difusão do inquérito, para participar num colóquio sobre «teologias feministas», aproveitando para defender o «casamento gay» e a adopção de crianças por «casais» homossexuais. Quanto ao aborto, «não rejeita». A desconcertante freira defendeu ainda «a incompatibilidade entre capitalismo e democracia» e confessou a um jornalista que já se apaixonara duas vezes desde a sua entrada no Convento...