quinta-feira, 30 de julho de 2015


Um eloquente caso de desinformação

da «honesta» esquerda


Carlos Peixoto

Peste grisalha

Alguma esquerda concertada conseguiu arrastar alguns cidadãos de bem para o coro de insultos que indignamente grassa pelas redes sociais contra o cabeça de lista do PSD/CDS no distrito da Guarda, eu próprio.

Para esses, aqui fica a nota de que expressões desinseridas do texto que lhes garante o seu sentido autêntico, são susceptíveis de originar gravíssimos erros na sua interpretação.

Assim sucedeu com a expressão «peste grisalha» que eu utilizei num artigo que em 2013 escrevi no Jornal «I» e que agora, foi recuperado com propósitos eleitoralistas e caluniosos.

Como disse Victor Hugo, «uma calúnia na imprensa é como relva num belo prado, cresce por si própria».

Quem me conhece sabe bem que respeito e lido educadamente com todos, seja qual for a raça, a origem, o sexo, a idade, os credos, o estatuto socio-económico e a ideologia politica de cada um.

Só coléricos desprovidos de juízo podem pensar ou presumir que tenho alguma coisa contra quem é grisalho ou quem tenha cabelos brancos. Tenho-os eu, os meus irmãos, os meus pais e, se Deus quiser, há-de tê-los o meu filho, todos aqueles a quem mais quero.

Qualquer pessoa de bem e de boa fé que lide comigo, sabe que não é o meu exemplo de vida denegrir ou atacar quem quer que seja.

A expressão de que se fala não é minha e, que eu saiba, nunca suscitou a ira de ninguém quando outros a usaram.

Aparece em vários livros e publicações portuguesas e estrangeiras e em diversos estudos académicos que se debruçam sobre questões relacionadas com a demografia, como são exemplo «O envelhecimento da sociedade portuguesa», Maria João Valente Rosa, Fundação Francisco Manuel dos Santos, onde se escreve «O envelhecimento demográfico surge-nos como um processo que é urgente banir, uma «peste grisalha» como é por vezes referido, porventura mais grave para a sobrevivência das sociedades que outras pestes que devastaram populações no passado.» e «Jornalismo de Ciência, Universidade Nova de Lisboa, revistan.org, onde se escreve numa tese de mestrado «A verdadeira discussão de uma estratégia política ainda está por fazer. Apesar dos números, Portugal ainda não está preparado para dar importância à qualidade de vida de uma «peste grisalha» da população e limita-se a discutir uma política de velhice.»

Está bem de ver que esta expressão, de autoria alheia, foi usada apenas e tão só para caracterizar o fenómeno do envelhecimento populacional e os perigos que ele representa para as sociedades contemporâneas.

Nada tem de pessoal, não tem ninguém como destinatário e não tem conotação acintosa ou negativa.

Quem quer ser sério, sabe bem que é assim.

Quem quiser continuar a optar por um misto de ignorância, de malvadez e de oportunismo, continuará a vociferar contra a minha pessoa.

Como disse um dia Oscar Wilde, «O jornalismo moderno tem uma coisa a seu favor. Ao oferecer-nos a opinião dos deseducados, ele mantem-nos em dia com a ignorância da comunidade».

Haja, pois, decência, mesmo daqueles que apostam no assassínio do meu carácter.





segunda-feira, 27 de julho de 2015


Homenagem a António de Oliveira Salazar


https://www.youtube.com/watch?v=0D7_bhlvjvk&feature=youtu.be&t=24







Curso acelerado de História

da Grécia contemporânea na Europa


1985:
Quando a Grécia exigiu mais dinheiro
para aceitar Portugal na CEE

Em Março de 1985, Portugal e Espanha negociavam em Bruxelas a adesão à CEE, mas na altura contavam com um opositor de peso: a Grécia. Os Ibéricos entravam se os gregos recebessem mais fundos.

A manchete do Diário de Lisboa a 28 de Março de 1985 era clara: o acordo estava por um fio «Gregos mantêm veto contra alargamento». Era esta a manchete do Diário de Lisboa a 28 de Março de 1985, quando Portugal e Espanha discutiam em  Bruxelas a entrada na Comunidade Económica Europeia (CEE), antecessora da União Europeia.


Era a Europa dos 10, antes de se tornar o clube dos 12 em 1986.

Convencer os Gregos, contudo, não foi fácil: o então primeiro-ministro, Andreas Papandreou, exigia mais fundos europeus para a Grécia como moeda de troca para aceitar o alargamento.

O processo de adesão de Portugal e Espanha estava há muito em cima da mesa, mas os Gregos levantaram, desde o início, várias objecções, sobretudo em relação às dificuldades de competitividade económica que iriam enfrentar caso Portugal e Espanha entrassem na Comunidade.

Em finais de Março, as negociações continuavam difíceis: «A Grécia entende que a sua economia não poderá fazer face ao alargamento da Comunidade sem receber os subsídios propostos pela Comissão e não aprovados para desenvolver as regiões agrícolas mais atrasadas», escreveu o Diário de Lisboa na altura.

Um dia mais tarde, a 29 de Março, as principais divergências eram sanadas e o acordo celebrado com «tostas e vinho espanhol».

O ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Giulio Andreotti, que liderou as negociações, foi recebido com cânticos pelos jornalistas espanhóis quando entrou na sala para revelar a boa-nova:

«Tenho o prazer de vos anunciar que agora temos uma Europa dos ‘Doze'», disse Andreotti na conferência de imprensa, ladeado pelo seu homólogo espanhol, Fernando Môran, e pelo ministro das Finanças português, Ernâni Lopes.

O ministro português viria, depois, a afirmar que Portugal tinha conseguido «resultados de primeira grandeza que nos permitem encarar melhor o futuro da economia portuguesa a médio-prazo».

O «preço» que os Gregos exigiram para não avançarem com o veto, uma decisão anunciada desde a cimeira de Dublin em 1984, seria conhecido na edição seguinte do jornal.

«Preço do veto grego fixado esta tarde» era o título da manchete do Diário de Lisboa. O jornal explicava que a «Grécia fez depender a retirada do seu anunciado veto do aumento da ajuda às suas regiões mais desfavorecidas através dos PIM [Programas Integrados do Mediterrâneo]».

Na prática, os gregos exigiram como contrapartida para aceitar a entrada de Portugal e de Espanha na CEE «um auxílio adicional no quadro das verbas para os PIM: dois mil milhões de dólares (cerca de 350 milhões de euros). Qualquer coisa como 1 750 milhões de euros, foi o preço do «sim» da Grécia.


Fonte: Diário de Lisboa





quinta-feira, 23 de julho de 2015


O grande e doloroso problema de consciência

de Rui Rio


Heduíno Gomes

Rui Rio finalizou a sua entrevista à RTPI (22.7.2015) expondo um grande e doloroso problema de consciência: acha que Sócrates é culpado mas dá por ele próprio a pensar se não estará a ser manipulado...

Esta é a parte da tragicomédia fluvial.

O grave é o ataque que fez à justiça, com questões laterais, como se a acusação fosse demorada não pela complexidade da investigação mas por... mau funcionamento e sabe-se lá o quê!...

O candidato do grupo cavaquista a Belém ataca pelos flancos a justiça que está a lutar contra a corrupção. Pretende assim condicioná-la, o que se traduz na prática na defesa objectiva daquilo que todos conhecemos.

Que nos poderia oferecer este Rio no cargo de «Supremo Magistrado da Nação» senão a reposição de impunidade para a ladroagem da classe política, que durou todo este tempo da III República e que uma nova geração de magistrados está a enfrentar?

Ó Socrates, desde o n.º 44, envia já o teu apoio à candidatura do Rio!






sábado, 11 de julho de 2015


E se Laura Ferreira fosse de esquerda?


Inês Teotónio Pereira, ionline, 11 de Julho de 2015

A mulher do primeiro-ministro deixou-se fotografar numa visita oficial sem peruca ou lenço para esconder os efeitos da quimioterapia a que tem sido sujeita, e a esquerda indignou-se, pasme-se!

A tolerância da esquerda com a diferença e a doença é comovente. Já sabíamos que são incontestável património da esquerda temas como pobreza, ambiente, cultura e grupos que tenham em comum serem minorias (desde que exóticas). Ser de esquerda, nos dias de hoje, é estar sentado num sofá, numa sala decorada ao estilo minimalista, a assistir ao «Borgen», a beber um gin tónico cheio de folhas e bolinhas lá dentro e, no intervalo da série, discursar com a companheira ou companheiro sobre cultura, ambiente, desigualdades sociais e minorias (exóticas). É assim desde que a esquerda é esquerda chique e, numa época mais recente, desde que o PSR inovou o espaço público – vulgo muros – com desenhos giros de carneiros para ilustrar o inimigo comum – vulgo os outros.

Têm sido tempos penosos, mas todos sobrevivemos ao crescimento desta esquerda mordaz, folclórica e vazia sem grandes indigestões. Até que a moda alastrou ao centro e hoje o PS, encalhado numa espécie de complexo social, se rendeu aos encantos desta forma de fazer política. Os comediantes e os espectáculos podem agora ser vistos em vários palcos que vão desde a blogosfera ao plenário da Assembleia da República. Sim, temos estoicamente sobrevivido a tudo isto sem grandes sobressaltos.

A indigestão deu-se esta semana. Esta semana, Laura Ferreira, mulher do primeiro-ministro da maioria de direita – o tal que vai todos os dias para casa magicar planos sádicos para roubar dinheiro às pessoas, tornar os pobres mais pobres, vender o país ao estrangeiro, expulsar portugueses e que, ainda por cima não tem ar de gostar de gin com folhas e bolinhas –, dizia eu que a mulher do primeiro-ministro se deixou fotografar numa visita oficial sem uma peruca ou um lenço para esconder os efeitos da quimioterapia a que tem sido sujeita. E, pasme-se, a esquerda indignou-se. Sim, a esquerda das minorias (exóticas, é verdade), dos desprotegidos, dos mais frágeis, acha – aliás, tem a convicção profunda – que Laura Ferreira só pode aparecer em público disfarçada, escondendo o cancro e sem aparentar qualquer vestígio de que está a fazer um tratamento doloroso. Porquê? Porque não escondendo está a provocar uma onda de sensibilização e isso não é mais do que um instrumento político para ajudar o marido a ganhar votos. Logo, o primeiro--ministro está a usar o cancro da mulher para ganhar votos. Sim, chegou o dia da indigestão. Do vómito, mesmo.

A esquerda tem o problema de achar que o mundo pensa como ela: através de um copo de gin. Esta esquerda gosta de falar das minorias (exóticas, é certo), da pobreza e da doença, mas na medida em que a pobreza, a doença e as minorias sejam conceitos e não pessoas. E Laura Ferreira, por ter casado com quem casou, está automaticamente excluída do conceito e não pode fazer parte do grupo de pessoas que comovem a nossa esquerda. Assim como o ministro das Finanças alemão, que por ser alemão, ser das Finanças e de direita, também não faz parte do grupo de pessoas com deficiência que comovem a esquerda e até pode ser satirizado com a sua cadeira de rodas, como fez António no «Expresso» da semana passada.

Laura Ferreira tem um cancro, tem um cancro e não tem medo, vaidade ou vergonha de mostrar que o tem. Quando a esquerda de Estrela Serrano, dos blogues e de outras personalidades de referência vê um asqueroso aproveitamento político onde só há coragem, isto não só revela o tamanho da sua hipocrisia, intolerância e incoerência, como, pior ainda, revela até onde pode chegar o pensamento estratégico desta gente. E se Passos Coelho fosse de esquerda, será que a sua mulher já podia aparecer sem lenço?






Laura Ferreira e a turba asquerosa


Ana Sá Lopes, Jornal i, 10 de Julho de 2015

A cabeça rapada de Laura Ferreira, sentada ao lado do marido, Pedro Passos Coelho, deu origem a uma miserável onda de asco na blogosfera e nas redes sociais, indigna de pessoas decentes.

Uma mulher absolutamente discreta tem um cancro. Passou, naturalmente, momentos pavorosos enquanto não viu luz ao fundo do túnel. Sobreviveu. Apareceu em público optando por não disfarçar uma sequela da quimioterapia, a queda de cabelo, com perucas ou lenços. A cabeça rapada de Laura Ferreira, sentada ao lado do marido, Pedro Passos Coelho, deu origem a uma miserável onda de asco na blogosfera e nas redes sociais, indigna de pessoas decentes. Toda a gente sabe que as redes sociais estão cheias de hooligans, mas desta vez a iniquidade estendeu-se a grandes especialistas em várias especialidades, a começar por Estrela Serrano, ex-assessora do Presidente da República Mário Soares e professora na Escola Superior de Comunicação Social, um centro de formação das novas gerações de jornalistas.

Tendo por base a fotografia da primeira página do «Correio da Manhã» de quarta-feira – absolutamente normal, um jornalista digno desse nome não deveria esconder a opção radical de Laura em expor a sua cabeça rapada –, a professora doutora que já foi membro da Entidade Reguladora para a Comunicação Social afirma que «a mediatização da doença de Laura Ferreira e o sentimento de compaixão que a sua imagem sem cabelo provoca prestam-se a uma leitura política, sobretudo em época pré-eleitoral, em que os políticos tentam aproximar-se das pessoas através de sinais de proximidade, emoção e humanidade».

Estrela Serrano acusa Passos Coelho de utilizar o cancro da mulher com fins políticos. Não é a primeira figura nacional com ligações ao PS que aparece em público a fazê-lo. Tendo em conta que Passos Coelho viveu o seu drama familiar na maior das discrições (sim, falou nisso na biografia, como é natural numa biografia), estas acusações de aproveitamento político de uma tragédia são de uma sordidez assustadora, reveladora do pior que existe no género humano. Discuta-se Passos no plano político: na minha opinião, é responsável pela degradação do país. Insinuar que utiliza a sua tragédia pessoal é injusto, miserável e revelador de uma falta de inteligência e de compaixão assinaláveis.





quinta-feira, 9 de julho de 2015


Adriano Moreira elogia Sampaio da Nóvoa...


Heduíno Gomes

Adriano Moreira elogia Sampaio da Nóvoa. Se dúvidas houvesse sobre o indivíduo, teríamos agora ficado esclarecidos.






terça-feira, 7 de julho de 2015


Patriotas & parasitas


Alberto GonçalvesDiário de Notícias, 5 de Julho de 2015

Na sexta-feira, os deputados do Bloco de Esquerda levantaram cartazes em que se lia «Solidariedade com a Grécia». Como se o gesto não fosse suficientemente engraçado, submeteram em simultâneo à Assembleia da República um voto com pedido semelhante. Dado que alguns parlamentares têm vergonha na cara, o voto acabou rejeitado. Mas ficou a divertidíssima intenção de condenar as «pressões indevidas que tentam condicionar a escolha livre e democrática do povo». Em português, isto significa que os gregos são livres de escolher a maneira de outros os sustentarem. Quanto à liberdade dos outros, o BE foi omisso. Para cúmulo, que se saiba nenhum dos deputados contribuiu para a campanha iniciada pelo britânico que, através de crowdfunding, procura ajudar a pagar os 1,6 mil milhões da dívida grega. Da última vez que vi, a recolha ia nos 1,6 milhões. Faltava um bocadinho, um bocadinho que, desconfio, não se alcança com cartazes e votos solidários. Nem com lirismo.

O lirismo dominou o encontro «A crise europeia à luz da Grécia», debate também realizado na sexta-feira e abrilhantado pela ausência de divergências. O calibre dos nomes envolvidos explica o estilo e o consenso: Louçã, Pacheco Pereira, Manuel Alegre, o Prof. Freitas, um economista da CGTP e, claro, os imparáveis deputados do BE. A bem da síntese, eis o tom geral: a Europa é uma ditadura (valha-nos Deus); a Grécia simboliza a democracia (desde tempos imemoriais, para não falar do velho esclavagismo e da pedofilia clássica); os gregos resistem ao poder do dinheiro (excepto quando é dado); os gregos, à imagem dos jogadores da bola, levantam a cabeça (excepto para pedir); os gregos são dignos (na medida em que o parasitismo é um critério de dignidade); os gregos, em suma, são patriotas – já os alemães que preferem a Alemanha ou os portugueses que preferem Portugal são traidores. Seja em que país for, patriota é o sujeito que dá a vida ou, vá lá, levanta um cartaz pela Grécia.

A Grécia ou, diga-se em nome da exactidão, o Syriza, o que não é exactamente o mesmo. Há dias, o ministro Varoufakis disse preferir perder um braço a prejudicar a Grécia. Ora o homem não é maneta e, com uma perna às costas, nos intervalos das poses para retratos ao piano já transformou a situação que os gregos viviam há seis meses numa saudade. O pedaço que falta aos senhores do Syriza é uma cabeça em que caiba coisa diferente de ideologia, infantilidade, ressentimento, fanatismo e todos os ingredientes da toleima de que nos lembrarmos.

E é isso, não os «gregos» ou a «Grécia», que move os apoiantes do Syriza. Nos plenários excitados de Lisboa, Caracas ou Moscovo, é o currículo marxista e maoista do bando que seduz (por pudor, não menciono os neonazis da coligação). A retórica da «democracia» é, naturalmente, cosmética, quase irónica: gosta-se do Syriza porque o Syriza representa a enésima esperança de derrubar o «capitalismo», ou o «sistema», ou a «Europa», ou o que quer que defina o Ocidente que, afinal, se abomina. Os «gregos» são os «trabalhadores» ou o «povo» do costume: cobaias mais ou menos voluntárias de uma experiência que invariavelmente corre mal. O referendo, e a reacção dos «democratas» ao referendo, decidirá se corre ainda pior.





quinta-feira, 2 de julho de 2015


Grécia: a Europa é o dinheiro dos outros


Rui Ramos, Observador, 1 de Julho de 2015

O que os gregos poderão ajudar-nos a descobrir é que a Europa, como o socialismo, também acaba quando acaba o dinheiro dos outros

Não me peçam para adivinhar o fim desta história. Com os bancos fechados, um pagamento falhado ao FMI, a população em fila diante das caixas automáticas, e um confuso referendo marcado para domingo, vai a Grécia ficar no euro, ou sair? Ninguém sabe. Nem Juncker, nem Tsipras, nem Merkel, nem Obama. Ninguém, nos bastidores, está a puxar os cordelinhos. Ninguém tem um plano, ninguém percebe bem o que está a acontecer, ninguém sabe o que vai acontecer.

Talvez o «corralito» fosse fatal – até quando podia o BCE assistir os aforradores gregos em fuga? E talvez o referendo de Tsipras fosse previsível – já tinha sido o truque de Papandreou para ganhar tempo em 2011. Mas alguém estava à espera de ver o presidente da Comissão Europeia a apelar ao «sim», isto é, a concorrer às eleições gregas? A Comissão Europeia é agora um partido? Temos, neste momento, o duvidoso privilégio de assistir a algo de obviamente caótico.

Sim, o Syriza é parte grande do problema. Há quem, no Syriza, nunca tenha desistido de armar uma revolução à velha maneira. Esta foi a sua oportunidade. Resta saber se os gregos querem o socialismo. A crer nas sondagens, preferem o euro. Mas não nos fiquemos pelos restos mortais do leninismo de 1970. Porque antes do Syriza, houve Samaras, a antecipar a eleição do presidente da república. E antes de Samaras, Papandreou, o primeiro a inventar o referendo. Na Grécia, o facto é este: à esquerda e à direita, ao centro e nos extremos, ninguém ali acha que pode governar com a verdade.

O Syriza terá os seus comunistas. Mas se também teve todos os votos que arranjou na última eleição, não foi pela conversão marxista do eleitorado, mas porque, de facto, o Syriza é apenas a máscara radical da velha oligarquia e dos velhos interesses. A oligarquia e os interesses querem tudo, incluindo mais impostos, desde que não haja reformas, nem mudanças, nem, sobretudo, uma administração fiscal independente. É curioso como, nas últimas semanas, as posições se inverteram a respeito da austeridade: agora é o Syriza a propor aumentos de impostos, como em Portugal, e o FMI a dizer que não resulta. A única coisa que o Syriza não quer é o que já a direita grega não queria, nem a esquerda moderada: limitar as distribuições com que os partidos políticos mantêm as suas clientelas, ou remover os constrangimentos que geram rendas para os seus amigos.

O poder político na Grécia é um poder fundamentalmente deficitário, tolerante da evasão fiscal e das posições de renda, e que só foi viável até agora através da sua dependência da Europa. Não é uma herança levantina: é o que se desenvolveu na Grécia graças aos subsídios de Bruxelas e ao crédito barato do euro, e que ainda se mantém com os empréstimos dos seus parceiros europeus e do BCE.

A ironia desta história é que a Europa esperou mudar a Grécia, e mudou-a para pior, ao poupar os seus oligarcas à pressão mais efectiva, que não é aquela que consiste em sermões europeus, mas a que provém de contribuintes cansados, credores sem confiança, e empresários e trabalhadores frustrados. As propostas europeias das últimas semanas têm consistido em reformas graduais em troca de liquidez. O Syriza não pode aceitar. Por razões ideológicas? Sim, mas também pelas mesmas razões por que Samaras e Papandreou resistiram a propostas idênticas: porque receia perder poder, isto é, decepcionar aqueles a quem tem servido e enfrentar aqueles a quem mentiu. A oligarquia grega invoca as dificuldades sociais, a soberania nacional ou a democracia. São apenas véus para disfarçar a nudez do seu egoísmo.

Vai a Grécia obrigar-nos finalmente a reescrever a história da integração europeia? Para além dos ideais e das geopolíticas, a integração foi também o jogo sujo de burguesias predadoras, que tentaram usar o projecto da UE como um meio para extrair recursos a outros países. A enorme dívida da Grécia, que a economia grega nunca poderia ter gerado por si própria em condições de mercado, é apenas a medida do sucesso da oligarquia de Atenas em abusar dos seus parceiros europeus. Graças à guerra fria e aos equilíbrios franco-alemães, houve sempre razões na União Europeia para fechar os olhos a estas e outras golpadas (como a da Política Agrícola Comum, por exemplo).

Ainda hoje quase todos os cálculos políticos e exercícios analíticos consistem em tentativas de dramatizar este e aquele aspecto desta história, a fim de esconder o essencial. Somos convidados a recear um «passo atrás» na integração europeia, a tremer perante o «perigo de contágio», a desconfiar das manobras de Putin. Vale tudo, para não pensarmos naquilo que mais importa: a corrupção da integração europeia, que é também a corrupção da democracia, como se vê agora na Grécia, onde o Syriza e os seus aliados de extrema-direita tentam convencer os gregos de que se podem outorgar a si próprios, através do voto, o direito de exigir aos outros contribuintes europeus que continuem a pagar-lhes as despesas. O que os gregos poderão ajudar-nos a todos a descobrir é que a Europa, como o socialismo, também acaba quando acaba o dinheiro dos outros.





quarta-feira, 24 de junho de 2015


Vamos referendar o Acordo Ortográfico!


Heduíno Gomes

Em boa a verdade, a ortografia não é assunto que se referende por constituir matéria a ser tratada por especialistas — competentes e não por broncos ou vendidos a interesses —, no exercício da autoridade do Estado que defenda a identidade nacional — Estado que não temos.

Esta acção política do referendo não é propriamente para decidir da correcta ortografia mas apenas se destina a travar esse crime contra a língua portuguesa iniciado por Santana Lopes-Cavaco e continuado pelos sucessivos políticos medíocres que nos têm governado ao longo destes decénios.

Eis os elementos essenciais sobre a iniciativa.


Recolha de assinaturas está em marcha.

Personalidades das áreas da política, artes, cultura e académicos estão a recolher assinaturas para um referendo ao Acordo Ortográfico  (AO1990) e questionam sobre a matéria os candidatos a cargos políticos nas próximas eleições.

Finalmente, os cidadãos podem pronunciar-se sobre um assunto que sempre foi decidido e imposto sem lógica.

Da lista fazem parte escritores, professores e cientistas, políticos, comentadores, jornalistas, todos juntos numa iniciativa que nasceu em Abril passado num fórum realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com o título «Pela Língua Portuguesa, diga NÃO ao Acordo Ortográfico de 1990».

Além do referendo, os promotores querem também perguntar às forças políticas e aos candidatos presidenciais o que pensam sobre o Acordo, se o utilizarão no exercício do cargo caso sejam eleitos, de que forma Portugal se deve de desvincular (se for o caso) e em que sentido votarão a iniciativa de referendo na Assembleia da República.

A iniciativa tem 52 mandatários. O referendo, segundo a Constituição (artigo 115.º 2) pode resultar de iniciativa de cidadãos dirigida à Assembleia da República. São necessárias 75 mil assinaturas.


Onde Assino?

https://referendoao90.wordpress.com/documentos-para-recolha-de-assinaturas/

https://referendoao90.wordpress.com/





domingo, 21 de junho de 2015


A Igreja Católica infiltrada

por marxistas e homosexuais


Mais uma confirmação do que já é sabido há muito tempo.

https://www.youtube.com/watch?v=MGcB8P4wHWk&feature=youtu.be

«Padre» Frederico, lembram-se?
Alguns dos Fredericos chegaram a bispos e mesmo a cardeais.
Aí estão eles a fazer doutrina nos sínodos «sobre a família»...






quinta-feira, 18 de junho de 2015


A propósito das boas almas que pretendem

que a Europa receba milhões de africanos


Heduíno Gomes

1 – Quando em menos de 6 meses deste ano chegam à Hungria 57 mil imigrantes clandestinos, como é que é? Somos todos uns gajos porreiros. Com um coração tamanho de África. Politicamente correctos. Multiculturalistas e tudo. Nações para o lixo. Estabilidade social, às urtigas. Economia dos países que se aguente. Venham todos, que nós acolhemos.

É assim, não é? Digam lá não só os «amigos do povo» (a que Lenin se referia) mas os amigos de todos os povos! (Isto é uma laracha especial para os antigos ditos leninistas.)

2 – Um burocrata do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados diz que pedir asilo é um direito inalienável, não é? Diz pedir, não é? Ainda bem! Não diz ter direito a exigir, pois não? Safa!

Pedir foi o que eu fiz na Bélgica, em 1966. Obtive o asilo político porque a Bélgica me concedeu. Porque me concedeu.  Então? E agora, como é que é a regra?

(Esta é dedicada à manipulação de palavras do burocrata da ONU e da competência do jornalista do Público e dos seus colegas da Agência France Presse e da Reuters que compuseram a peça na mesma onda do burocrata da ONU.)

3 – Asilo, por que razão? Afinal, asilo ou imigração económica mascarada de asilo? Outra questão pertinente para quem pretende governar o mundo – ou mandar uns bitates sobre a governação do mundo – meditar. Principalmente para o Guterres, Sampaio e todos os candidatos a Madres Teresas de Calcutá. Quem sabe se o Bergoglio os vai canonizar a todos mesmo em vida?!

Eu fico triste comigo próprio. Como é que há gente tão boazinha e eu tenho um coração tão duro?!

4 – A ONU. Diz isto e aquilo. Amanhã, até pode dizer coisas ainda mais disparatadas do que aquelas que já disse no passado e do que as que diz hoje, tão do agrado do Freitas e do Adriano Moreira. Mas as declarações da ONU farão prova de verdade? O pensamento resultante da salada sovieto-maçónica-terceiro-mundista é a verdade?






A lógica causa-efeito segundo Bergoglio


Heduíno Gomes

Numa conversa privada com o bispo austríaco Andreas Laun, no início deste ano, segundo o próprio bispo num artigo, Bergoglio condenou duramente a «ideologia de género».

Não entendo! Então não podíamos julgar os invertidos e podemos julgar a «ideologia do género»? Não se pode julgar o efeito mas pode julgar-se a causa?...






quarta-feira, 17 de junho de 2015


Redacção – Declaração de Amor

à Língua Portuguesa


Teolinda Gersão, Junho, 2012

Tempo de exames no secundário, os meus netos pedem-me ajuda para estudar português. Divertimo-nos imenso, confesso. E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas, mas as ideias são todas deles.

Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia «ele está em casa», «em casa» era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito. «O Quim está na retrete»: «na retrete» é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos «ela é bonita». Bonita é uma característica dela, mas «na retrete» é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um «complemento oblíquo». Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo «complemento oblíquo», já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum, o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento, e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, «algumas» é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.

No ano passado se disséssemos «O Zé não foi ao Porto», era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.

No ano passado, se disséssemos «A rapariga entrou em casa. Abriu a janela», o sujeito de «abriu a janela» era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?

A professora também anda aflita. Pelos vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português, que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12.º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer. Dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em «ampa», isso mesmo, claro).

Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou: a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.

E pronto, que se lixe, acabei a redacção – agora parece que se escreve redação. O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impor a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.

E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.

João Abelhudo, 8.º ano, turma C (c de c…r…o, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática).





domingo, 14 de junho de 2015


Uma grande chafurda e muitos chafurdeiros


Padre Nuno Serras Pereira

As sentenças fétidas, nauseabundas e repugnantes que alguns bispos e cardeais têm expectorado convulsivamente desde que Francisco desenfreou os gnóstico-racionalistas capitaneados pelo tanto-diz-como-desdiz, Kasper de seu nome (conhecido, entre outras enormidades, por rebelar-se contra a Dominus Jesus, síntese do essencial da Fé, não só têm provocado uma enorme confusão mas também um enormíssimo escândalo – no sentido próprio deste termo, a saber, influenciar e conduzir os outros ao pecado e, acrescente-se, grandíssimo pecado, corrompendo a Fé, os Sacramentos, a Lei Divina e a Moral Natural. E, gigantesca e tristíssima ironia, tudo isto se passa no governo (reparar bem que escrevi governo e não Magistério) de um Papa que sistematicamente ruge contra a corrupção, sendo que a mais grave entre todas é a da Fé, da recta Doutrina, ou seja da Verdade critério único da Caridade e da Misericórdia.

O mal diluviano que se tem abatido cruelmente sobre os católicos e demais humanidade por estes vómitos diabólicos perdurará durante muitas décadas senão mesmo alguns séculos sobre o povo de Deus e todos aqueles a quem este é vocacionalmente enviado em missão, independentemente do resultado do próximo Sínodo sobre a Família e daquilo que o Santo Padre venha a dizer ou decidir.

É um mistério o que vai no íntimo e no pensamento de Francisco. Até agora, quer como Arcebispo de Buenos Aires quer como Papa, é sentir comum que no seu Magistério nada há de heterodoxo. No entanto, não se pode ignorar que faz nomeações de bispos que publicamente advogam ensinamentos contrários aos do Magistério perene da Igreja. Por outro lado, deparamo-nos com bispos e cardeais que afirmam que o Papa lhes disse tal e tal coisa e outros que afirmam que Francisco lhes disse exactamente o contrário. De modo que nos é impossível saber se estes prelados mentem ou se o Papa (infelizmente, os Papas podem pecar; a infalibilidade nada tem a ver com impecabilidade) diz a cada um aquilo que acha que eles querem ouvir. Ou, talvez mais provavelmente tratar-se-á de um problema complicado de comunicação. O que a ser assim deveria rápida e profissionalmente ser resolvido.

Finalmente há as entrevistas e alguns improvisos que só vêm acrescentar perplexidades e confusões.

Quando, por exemplo, o Papa em conferência de imprensa, na viagem apostólica às Filipinas, afirma que «o povo nunca se engana», só podemos concluir que esta asserção é falsa. Ou então, por exemplo, concluiríamos que o povo na Irlanda ao votar sim ao falsamente denominado casamento entre pessoas do mesmo sexo, no referendo, tinha razão, pois o povo nunca se engana. Teria sido por isso que o Santo Padre tão loquaz em tantos assuntos se absteve de se pronunciar sobre o horror que ali se passou?


Como será possível que um Sumo Pontífice num encontro com deficientes e suas famílias diga que diante da crucifixão de Seu Filho Nossa Senhora terá pensado que o Anjo da Anunciação era um aldrabão?!?! Ele há coisas que eu não entendo, de todo.

O Povo de Deus, a Igreja, o Corpo Místico de Cristo não se deixe confundir. Essas aparentes novidades que querem introduzir na Igreja são erros e heresias muito velhas. A Sagrada Escritura, a Tradição da Igreja e o Magistério da mesma desde há muito que têm doutrina estabelecida e irreformável, infalível. Não há Papa, nem Concílio, nem muito menos um Sínodo que possa mudar o que é irreformável. Mesmo se este Papa o quisesse fazer, o que está por demonstrar, a Providência Divina encarregar-se-ia de o impedir.





terça-feira, 2 de junho de 2015

domingo, 31 de maio de 2015


Será que Francisco prega contra o Papa?


Padre Nuno Serras Pereira

Quem acompanhe com alguma regularidade as intervenções do Santo Padre logo se dará conta de que nelas são constantes, insistentes, invectivas tremendas, advertências desassombradas, exortações rigoristas, denúncias inflexíveis, rígidas ameaças escatológicas, terríveis vozes proféticas, grandes brados apocalípticos – botando pesadas e espantosas responsabilidades sobre os visados – contra a idolatria do dinheiro, a riqueza acumulada, a corrupção económico-política...

Quem acompanhe com alguma periodicidade as pregações do Papa Francisco de imediato reparará que nelas são sistemáticas, persistentes, as increpações formidáveis, as ásperas acusações, as exortações severas, as duras denúncias,  as advertências ríspidas contra os rigoristas, os inflexíveis, os rígidos, os que sobrecarregam os outros...

Para mim, certamente por limitação minha, isto constitui um grande enigma.





terça-feira, 26 de maio de 2015


A crise da Igreja na Alemanha


Apesar da Conferência Episcopal Alemã ter virado contra a doutrina cristã, existem naturalmente bispos que se mantém fiéis. Seis destes acabam de se manifestar.

Ver pormenores no link:

http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=24047





segunda-feira, 25 de maio de 2015


O efeito Bergoglio


É meia hora de discurso. Vale a pena.

https://www.youtube.com/watch?v=jy2hWggjtrg


Excelente palestra do P.e Linus Clovis (da Arquidiocese de Castries, Ilha de Santa Lúcia, Caribe) num seminário de líderes do Movimento Pró-Vida em Roma, em 8 de Maio de 2015.





domingo, 24 de maio de 2015


De televisão da Igreja Católica

a televisão da Carbonária


Helena Matos em Blasfémias

[Ver a nossa achega final]

Via Corta fitas cheguei a este video do telejornal da TVI apresentado do Museu dos Coches. A finalizar o dito bloco informativo José Alberto Carvalho mostrou o landau onde viajava D. Carlos no dia do regicídio. Aí começa uma singular peça jornalística de apologia do assassínio em nome da República.

Para começar o dia do regicídio é definido como «uma data considerada funesta  para os monárquicos». Já de si é estranho que se restrinja a condenação do assassínio de um chefe de Estado e de um dos seus filhos (já agora o dito chefe de Estado era bem mais tolerante e democrático do que aqueles que lhe sucederam nessas mesmas funções) apenas àqueles que apoiam esse tipo de regime, logo se se mata um rei isso perturba os monárquicos, se se mata um PR isso perturba os republicanos, se se mata um católico o crime é condenado pelos católicos…

Mas o mais extraordinário veio depois. José Alberto Carvalho começa a ler a carta-testamento do Buíça «Meus filhos ficam pobrissimos; não tenho nada que lhes legar senão o meu nome e o respeito e compaixão pelos que soffrem. Peço que os eduquem nos principios da liberdade, egualdade e fraternidade que eu commungo e por causa dos quaes ficarão, porventura, em breve, orphãos» para de seguida afirmar exclamativo e consternado: «Dois dias antes Manuel Buíça  antevia o que lhe podia acontecer» (Coisa extraordinária esta e de uma clarividência única: uma pessoa prepara-se para matar outra que por sinal até é chefe de Estado e supor que não sobrevive a tal intento é uma antevisão profética! Experimente o Zé Alberto armar-se em Buíça por exemplo ao pé de presidentes progressistas  como Hollande ou Obama isto para já não falar de Putin e provavelmente só lhe resta  apresentar o telejornal para os anjinhos.)

Mas o pior estava para chegar. Em modo televisão Carbonária  José Alberto Carvalho conclui «E ainda hoje curiosamente mais de um século  depois estes princípios republicanos ou de humanidade  são ainda objecto de debate. O que queremos e o que estamos dispostos a fazer pelos nossos jovens é o tema de um debate na TVI 24 (…)  Está sempre tudo por dizer em relação ao sonho e à mudança

A avaliar por esta peça da TVI o que podemos fazer pelos nossos jovens é ensiná-los a fazer bombas para em nome dos princípios de humanidade matarem aqueles que os progressistas identificam como maus. E depois poeticamente concluímos «Está sempre tudo por dizer em relação ao sonho e à mudança


A NOSSA ACHEGA FINAL

Desde já, os meus cumprimentos à autora de mais este excelente artigo, autora que aqui reproduzimos frequentemente dado que é daquelas pessoas que diz as coisas para que se entendam...

Em relação a este artigo, uma pequena correcção. Apenas no título. E só na primeira metade do título. De facto, «De televisão da Igreja Católica a televisão da Carbonária» encerra um erro na primeira metade porque a TVI nunca foi da Igreja Católica. Explico.

Eu fui daqueles crédulos que entraram com algum para a Igreja Católica ter uma voz na cultura e na informação. Concretamente, foram 102 mil escudos (número não redondo por razões aritméticas minhas...).

Quando soube que era esse Roberto Carneiro a dirigir a TVI, fiquei de pé atrás, pois já o topava das guerras do ensino. Chegado o dia da primeira emissão, estava atento.

O que vi eu logo no início da primeira emissão da televisão dita católica? Vi o kamarada Carlos Alberto Moniz (entretanto tendo vendido o passe à maçonaria, pois o PCP já não rendia), com outros kamaradas convidados, da área do entretenimento infantil, a «catequizar» a miudagem.

O que vi eu de significativo numa posterior emissão da televisão dita católica? Vi Júlio Isidro a promover os invertidos, entrevistando um deles, com aquele catálogo de «direitos» que hoje se tornou banal invocar mas em que a TVI, televisão dita católica, se tornava precursora.

O que vi mais na televisão dita católica? Vi a apresentação de filmes ironicamente designados por uma pessoa minha amiga como «semi-pornográficos».

O que vi eu no telejornal da RTP ou SIC? Vi, no aeroporto, Roberto Carneiro, presidente da TVI, à chegada a Lisboa, questionado por uma repórter sobre a adequação de tais «filmes ousados» a uma televisão católica, dando uma resposta sábia (como sempre), confessando-se assim publicamente: –– «Mas a TVI não é uma televisão seminarista!». Gostei!

Meus belos 102 contos! Tanto jeito me davam hoje!

                                                                                                       
                                                                                 Heduíno Gomes