sábado, 18 de Outubro de 2014


À atenção do BdP, regulador bancário!



Se pusermos Ricardo Salgado no banco dos réus, o mais provável é que o Banco dos Réus comece a dever dinheiro a toda a gente





sexta-feira, 17 de Outubro de 2014


Francisco, o sínodo e os que ficaram à porta


Sandro Magister

Dois esposos que batem à porta do sínodo

Ludmila e Stanislaw Grygiel ensinam no Instituto Pontifício de Estudos do Casamento e da Família, criado pelo Papa Karol Wojtyla, seu amigo de toda a vida.Não foram convidados. Mas eles teriam muito para dizer aos padres sinoidais. E disseram-no. Com clareza e coragem.

Ler mais.


Em francês:



Em inglês:



Em italiano:



Em castelhano:

http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1350891?sp=y






quinta-feira, 16 de Outubro de 2014


Resistir à tendência herética


Roberto de Mattei




O relatório Erdö apaga de repente o pecado e a lei natural. No Sínodo, roturas, desentendimentos teológicos, desacordo de ideias sobre o pecado  e a redenção.




http://www.ilfoglio.it/articoli/v/121899/rubriche/sinodo-famiglia-resistere-alla-tendenza-eretica.htm




Sínodo: afinal, a culpa das confusões

é do tradutor de valutando...


Luís Lemos

Tudo tranquilo, pessoal! Afinal a culpa das confusões geradas no sínodo e em torno do sínodo é apenas de um reles e incompetente tradutor que traduziu mal valutando!

Sabem, valutando foi traduzido por valorizando, quando «seria mais correcto» traduzir por «tendo em conta». E isso «poderá ter feito toda a diferença na forma como se reagiu ao documento, embora este não seja o único ponto de discórdia sobre o seu conteúdo». (É esta a descoberta da fantástica Rádio Renascença e de outras renascenças que existem por esse mundo dito cristão e mesmo católico, descoberta esta que não deve ser confundida com aquilo de tapar o sol com uma peneira.)


Sim, pessoal, «ter em conta» os invertidos não é propriamente «valorizar» os invertidos, é apenas acarinhá-los, é praticar a caridade e a tolerância, é ser verdadeiramente cristão, é não pretender julgar!

Calma, pessoal!

O barco está na boa rota.

O homem do leme está firme e claro no seu posto.

Os seus imediatos, por ele nomeados, e da sua confiança, mantêm-se firmemente fiéis à rota.

Durmamos tranquilos. Como eles e os redactores da RR nos recomendam.







Uma tal Teresa Leal


Luís Lemos


A gaja pensará que é boa?

Para conhecer a competência dos que comandam o PSD, queira ler o link que se segue.

E antes fique a saber que esta sujeita, na AR, foi uma das maiores promotoras do aborto, do chamado «casamento» dos maricas e das fufas, e ainda da adopção de crianças por esses anormais. Leia mais...


http://contraprovas.wordpress.com/2012/02/09/teresa-leal-coelho-a-despedida-do-ccb-e-do-slb/





quarta-feira, 15 de Outubro de 2014


A inacreditável discriminação no sínodo!


Nuno Serras Pereira, 14. 10. 2014

O «relatório intercalar» foi fundamentalmente redigido por hierarcas escolhidos a dedo pelo Papa Francisco. Provocou estranheza que apesar de já ter dois relatores, Baldisseri e Bruno Forte, claramente partidários de uma «revolução» a que chamam «abertura» ou «desenvolvimento doutrinal» – mas que na verdade é uma inversão das verdades contidas na Sagrada Escritura e na Tradição, proclamadas e explicitadas constantemente pelo Magistério da Igreja – à última da hora, de supetão» tenha nomeado mais seis relatores, todos eles, com a mesma configuração ideológica dos já referidos.

Esse «relatório preliminar» lançado à comunicação social, sem conhecimento nem autorização dos Padres Sinodais, foi, objectivamente, redigido e publicitado com o propósito de condicionar os trabalhos sinodais. Entre outras coisas, podemos verificar que esse texto demonstra uma verdadeira obsessão que se exprime pelo empenho em inverter ou falsificar a verdade doutrinal em relação aos, como eles dizem, homossexuais, à contracepção, à não admissão dos adúlteros «divorciados recasados», e, pela sua eloquentíssima ausência, ao aborto.

Mas em relação a estas obsessões há uma que se destaca, porque já aparecia também no «Instrumento de trabalho», e me espanta grandissimamente, a saber: por que se trata, num sínodo sobre a família, o tema das pessoas com inclinações e/ou práticas intrinsecamente desordenadas em relação a outras do mesmo sexo? Quando me ponho a cogitar sobre isto, se é que eu tenho alguma capacidade de pensar, conjecturo que será, talvez, porque essas pessoas são filhos, irmãos, tios, sobrinhos, netos e, por vezes, pais. Mas estas hipóteses não me convencem, pois se assim fosse ter-se-ia igualmente que tratar de uma infinidade de situações, igualmente desordenadas. Por exemplo, os alcoólicos, os toxicodependentes, os ladrões, os mafiosos, os cleptomaníacos, os viciados no jogo, as prostitutas, os pedófilos, os hereges, os ateus, os maçons, os homicidas, os assassinos em série, os advogados da eutanásia, os abortistas, os polígamos, os poliamorosos, os neonazis, os ditadores, os terroristas, etc. É claro, ou alguém tem dúvidas?, que toda esta gente é pessoa. E como, dizia Bruno Forte, sendo pessoas, têm a dignidade de criaturas de Deus, criadas à Sua imagem e semelhança. Por isso, seguindo o mesmo raciocínio, a Igreja tem de os acolher, fazê-los participantes das actividades eclesiais, dando-lhes cargos como sucedeu com um «homossexual», vivendo em união de facto com outro, em Viena, por decisão, contra a do Pároco, do Cardeal da capital austríaca. Se aguçarmos as nossas mentes de modo a ficarmos tão sagazes como alguns dos prelados que agora discorrem sobre a família poderemos mesmo encontrar «elementos de santidade» em toda esta gente que o Sínodo clamorosa e escandalosamente discrimina. Abaixo a discriminação! Viva a igualdade!





terça-feira, 14 de Outubro de 2014


Alpoim Calvão:

Homem de guerra e português do Império


Jaime Nogueira Pinto

Conheci Guilherme Alpoim Calvão no início dos anos 70, quando ele, no rescaldo do raid sobre Conacri, a chamada operação Mar Verde, estava numa semiclandestinidade burocrática no Porto de Lisboa, na Polícia Marítima, ou coisa que o valha.

Quem mo apresentou foi o meu sogro, Luís d’Avillez. Almoçámos numa tasquinha do Parque Mayer, e Calvão desfiou-me a história da expedição a Conacri, da preparação, das confusões, traições e imprevistos dessa madrugada de Novembro de 1970; mas também do sucesso – dos militares portugueses ali presos, que conseguira libertar.

Era uma história em que viviam a imaginação e o atrevimento operacionais e outras coisas importantes e apaixonantes para um miúdo como eu, aficionado de romantismos imperiais e de aventuras de «cães de guerra» que aqui se combinavam com the fog of the war e as suas voltas e azares.

Nascido em Chaves em Janeiro de 1937 e logo a seguir levado para Moçambique, Calvão fizera o Curso da Escola Naval e frequentara especialidades de Mergulho e Combate na Grã-Bretanha. Oficial Fuzileiro, fizera várias comissões de serviço na Guiné, nas quais se distinguira como combatente e comandante e que lhe valeriam as mais altas condecorações nacionais, entre elas a Torre e Espada.

Alpoim Calvão era, como Jaime Neves e Heitor Almendra, um militar – homem de guerra, com uma mistura rara de inteligência operacional, coragem física, iniciativa e sobretudo um carisma único de levar os homens – os seus homens, o seu pessoal – para onde quisesse, até às portas e labirintos do Inferno, se preciso fosse.

Depois da revolução do 25 de Abril tentou, na medida do possível – medida que hoje sabemos que era curta – salvar o que podia ser salvo do Império e do País. Calvão conhecia a maioria dos revolucionários do MFA, as suas folhas de serviços e capacidades e por isso tinha-os na devida (não muito elevada) consideração. Mas não desistiu.

Foi por isso que conspirou e participou no 11 de Março, afinal uma maquinação e provocação esquerdista, para antecipar e sabotar a reacção conservadora nas Forças Armadas. Depois do fracasso anunciado, escapou para Espanha.

Voltei a encontra-lo aí, ele no MDLP, eu mais ligado a outro dos movimentos clandestinos anticomunistas que então se organizavam.

Esses movimentos tiveram um papel importante na articulação da resistência popular que, respondendo à violência com a violência, equilibrou o balanço de forças em Portugal e permitiu o 25 de Novembro e o Thermidor que se lhe seguiu.

Alpoim Calvão serviu-me de inspiração para uma das personagens de Novembro, em que, ficcionando e imaginando, procurei contar uma parte e uma percepção – a do outro lado, do «nosso» – desse tempo de exílios, lutas e melancólicos balanços da História.

Regressado a Portugal, Calvão reintegrou-se na vida civil e normal do país pós-imperial. Como era um homem de acção e com grande força de viver, não se remeteu, como muitos outros, a uma nostálgica e passiva contemplação mórbida de passados gloriosos, amaldiçoando sistematicamente o presente.

É difícil para as gerações que vieram depois da Guerra e do Império compreender o ethos, a vida e o sentido da vida de homens como Alpoim Calvão. São, somos, de «outro país», o que não quer dizer que não entendamos e que até possamos gostar deste.

Calvão não era um «prisioneiro do passado». Aí há 10 anos, em 2004, decidiu arrancar para a Guiné-Bissau com uma empresa destinada a empregar os seus antigos fuzileiros ou os seus descendentes. Fê-lo com outro combatente de África, o Francisco Van Uden, naquele espírito – também ás vezes  incompreensível para estranhos –  de que os que gostávamos de África, não éramos necessariamente colonialistas opressores: gostávamos daquelas pessoas e daquelas terras. E continuámos ou voltámos a gostar quando de «nossas» passaram a ser «deles».

Voltando a esta história.

Quando soube dessa decisão, telefonei-lhe e convidei-o para almoçar no Alecrim às Flores. E não resisti a dizer-lhe:

«Comandante, eu tenho muito respeito e admiração por si; mas mesmo assim, conhecendo-o há muitos anos, sabendo quem o Senhor é e o que vale, acho extraordinário que na sua idade e com os seus problemas de saúde (ele tinha uma insuficiência renal), volte agora para a Guiné, para Bolama!».

A resposta veio pronta:

«Sabe, Jaime, quando ando por aí e vejo alguns dos meus amigos e camaradas Almirantes na reforma e lhes pergunto o que estão a fazer, eles respondem-me:

«Olha, estou a fazer horas para ir buscar a minha mulher ao cabeleireiro», ou «para trazer os netos da ginástica»… E eu digo cá para mim: ninguém me apanha nessa!».

Não apanharam.





sexta-feira, 10 de Outubro de 2014


«A Plan for the Improvement of English Spelling»


A Plan for the Improvement of English Spelling by Mark Twain or M. J.Shields

For example, in Year 1 that useless letter «c» would be dropped to be replased either by «k» or «s», and likewise «x» would no longer be part of the alphabet. The only kase in which «c» would be retained would be the «ch» formation, which will be dealt with later.

Year 2 might reform «w» spelling, so that «which» and «one would take the same konsonant, wile

Year 3 might well abolish «y» replasing it with «i» and Iear 4 might fiks the «g/j» anomali wonse and for all. Jenerally, then, the improvement would kontinue iear bai iear with Iear 5 doing awai with useless double konsonants, and Iears 6-12 or so modifaiing vowlz and the rimeining voist and unvoist konsonants.

Bai Iear 15 or sou, it wud fainali bi posibl tu meik ius ov thi ridandant letez «c», «y» and «x» — bai now jast a memori in the maindz ov ould doderez — tu riplais «ch», «sh», and «th» rispektivli.

Fainali, xen, aafte sam 20 iers ov orxogrefkl riform, wi wud hev a lojikl, kohirnt speling in ius xrewawt xe Ingliy-spiking werld.

Mark Twain (1), 1835-1910

«The heart of our trouble is with our foolish alphabet.
It doesn't know how to spell and can't be taught.»
 – Mark Twain

[Transcrição (e imagem de ecrã) de «The I18n Guy web site», página A Plan for the Improvement of English Spelling by Mark Twain or M. J. Shields.]

(1) – Não existem provas irrefutáveis de que este texto seja mesmo da autoria de Mark Twain. Outras citações do mesmo referem M. J. Yilz como autor, em carta ao jornal «The Economist» (1971).



[Uma adaptação possível]


Plano para melhorar o sistema ortográfico do Português

Por exemplo, no 1.º ano, essa letra inútil que é o «C» akabava e seria substituída ou pelo «K» ou pelo «S», da mesma forma que o «X» deixaria de fazer parte do alfabeto. O úniko kaso em que «C» se manteria seria na forma «CH», a qual se eliminaria também mais tarde.

No 2.º ano poder-se-ia reformar a letra «U», por forma a que «quem» e «um» fikassem kom a mesma konsoante, enquanto no 3.º ano também se poderia abolir o «U», trokando-o por «O»,

e no 4.º ano já se poderia akabar kom a konfozão entre «G» e «J» de oma vez por todas. De forma jeral, por konseginte, teríamos então melhorias kontínoas, ano após ano,

e xegaríamos ao 5.º ano já sem a xatise das konsoantes doplas, até qe nos anos 6 a 12, o asim, já poderíamos finalmente akabar kom o oso das restantes vogais e konsoantes sonoras e modas.

Aí pelo désimo qinto ano seria finalmente posível pasar a otilizar as letras redondantes «C», «L» e «N» — nesa altora já oma simples recordasã dos velos do Restel — em sobstitoiçã de «CH», «LH» e «NH», respektivamente. Por fim, segados ao term de 20 ans de reform.





quinta-feira, 9 de Outubro de 2014


Vencer a crise demográfica


Pedro Vaz Patto

Parece que os nossos principais dirigentes políticos estão finalmente a despertar para a gravidade da crise demográfica, talvez a mais grave das crises estruturais com que se depara hoje o nosso País. As taxas de natalidade atingem níveis dos mais baixos da nossa história e dos mais baixos do mundo. E ultrapassam as mais pessimistas das previsões anteriores.

Discutem-se agora várias medidas que possam inverter essa tendência, desde reformas fiscais que acolham o sistema do quociente familiar (em que as taxas são calculadas em função do número de filhos, pois estes fazem diminuir a capacidade contributiva), a várias formas de conciliação do trabalho e da vida familiar, ou ao combate ao desemprego juvenil e à precariedade do emprego juvenil.

Ouve-se dizer que ao Estado não compete convencer as pessoas a ter mais filhos (essas seriam opções puramente privadas), mas apenas remover os obstáculos que impedem as pessoas de ter os filhos que desejariam ter e que, de acordo com vários inquéritos, seriam suficientes para assegurar a renovação das gerações (mas será mesmo assim?).

Todas essas medidas que se discutem são importantes e algumas delas tiveram algum sucesso noutros países (em França ou nos países nórdicos, por exemplo).

Penso, porém, que a crise demográfica só será vencida com uma mudança cultural, uma mudança de mentalidade.

Na verdade, as gerações precedentes, que não conheceram este problema, não experimentaram adversidades menores do que as de hoje (apesar de então o emprego ser mais estável). A natalidade não é muito maior em países economicamente mais prósperos, ou nos estratos sociais mais abastados. Continua muito baixa em países com generosos apoios às famílias com filhos, como a Alemanha. E mesmo em França e nos países nórdicos, em que as taxas de natalidade são ligeiramente mais elevadas, estas não chegam para assegurar a renovação das gerações.

A crise demográfica só será vencida com a consciência de que a vida é sempre um dom e uma riqueza, que compensa sacrifícios e renúncias. Já alguém disse que é o maior dom que recebemos e, por isso, o maior que podemos dar. É ilusório pensar que se vence a crise demográfica sem qualquer forma de renúncia a algum bem-estar material ou tempo livre, ou sem contrariar a mentalidade individualista, hedonista e consumista que hoje impera.

Por outro lado, não se vence a crise demográfica sem vencer a crise da família. A rejeição do casamento como doação total e compromisso definitivo não pode deixar de traduzir-se na rejeição da natalidade. A fuga diante de escolhas definitivas, o viver projectado apenas no imediato, sem um projecto que envolva toda a vida, leva também à recusa da que é, talvez, a mais irreversível das opções: a de ter filhos. São famílias coesas e estáveis as que optam por uma descendência mais numerosa.

Esta mudança de mentalidade que permitirá vencer a crise demográfica não depende certamente do Estado, ou de medidas políticas. Mas não estão em causa simples opções privadas sem reflexos sociais: Esses reflexos estão agora à vista de todos. Não é apenas o futuro da Segurança Social, ou do Estado Social, que está em causa, é o futuro de uma Nação.

E se é certo que não é o Estado a moldar essa mentalidade, também é certo que muitas das suas políticas dão um sinal, contêm uma mensagem cultural que pode contribuir para vencer a crise demográfica, ou, pelo contrário, para a agravar. Quando se facilita o aborto, quando se facilita o divórcio, quando se equipara o casamento à união de facto, ou uma união naturalmente fecunda a uma união entre pessoas do mesmo sexo, a mensagem cultural que daqui deriva certamente não é de valorização da vida e da família, certamente que não contribui para vencer a crise demográfica.





terça-feira, 7 de Outubro de 2014


Um santo descartável


Nuno Serras Pereira

No último Consistório o Santo Padre Francisco convidou, a sabendas, o cardeal W. Kasper para dissertar sobre um tema todo ele dirigido a uma conclusão frontalmente oposta à Sagrada Escritura, à Tradição da Igreja e, em particular, ao Magistério do Papa Bento XVI e ao de S. João Paulo II. Na senda desta palestra de duas horas, ou mais, foi estampada em livro, publicitado por Francisco.

Agora a maioria dos bispos germânicos, liderados pelo cardeal Marx, presidente da conferencia episcopal alemã, assinaram um documento apoiando as mesmas teses. Entretanto, o cardeal Kasper, perante a discordância das suas opiniões, manifestada por cinco cardeais de vários continentes, acusa-os publicamente de guerrearem o Papa, uma vez que, segundo ele, sua Santidade lhe manifestara, por duas vezes, a concordância com as suas teses.

Sandro Magister, um vaticanista influente e reconhecido internacionalmente, garante que um número significativo de sacerdotes, de Buenos Aires, afirmam que o então cardeal Bergoglio os aconselhava a dar a Sagrada Comunhão aos adúlteros (a expressão é minha, ou melhor é da Igreja de sempre), casados validamente pela Igreja, que se tinham divorciado civilmente e contraído um «casamento» civil (aquilo a que impropria e perigosamente se chama «divorciados recasados»).

Tudo isto, a ser verdade, é dito e feito em nome da pastoral misericordiosa que, segundo eles, pelos vistos, é incompatível com a Doutrina, isto é, com a Verdade; como se a pastoral não fosse consequência da Doutrina e com ela coerente, ou como se a Misericórdia não fizesse parte da Doutrina, mas, pelo contrário lhe fosse contraposta.

Eu não sei se é verdade que há padres, em Buenos Aires, que garantem fundamentadamente que o seu arcebispo, Jorge Bergoglio, os aconselhava a dar a Comunhão a adúlteros, mas posso adiantar que caso o fizesse incorria em pecado grave induzindo outros ao sacrilégio. O mesmo sucederia, na hipótese publicitada, de ter, enquanto Papa Francisco, aconselhado, telefonicamente, uma argentina civilmente «casada» a comungar livremente.

Volto a afirmar que não posso saber se estas coisas são verdadeiras ou se, pelo contrário, são falsos testemunhos. Mas sempre posso asserir que a infabilidade pontifícia nada tem a a ver com uma garantia de impecabilidade. De resto, que ao longo da história houve Papas que pecaram muito e muito gravemente, não é novidade, julgo eu, para ninguém. Acresce que a infabilidade pontifícia também não significa infabilidade governativa, pois os Papas podem errar nas decisões que dizem respeito ao governo da Igreja. Não é verdade que eminentes historiadores da Igreja, fidelíssimos à mesma, entre os quais não poucos jesuítas, fazem críticas, por vezes severas, a diversos Pontífices? Sirva como exemplo o Papa Clemente XIV, franciscano conventual, que extinguiu a Companhia de Jesus (Jesuítas) e encarcerou o seu Geral. Mas se se pode criticar um pontificado passado, não se poderá criticar um presente? E será porventura possível que, v. g., o Papa Clemente XIV venha a ser reabilitado e, pelo contrário, um pontificado de um Papa jesuíta possa vir a ser duramente ajuizado – caso, sei lá, surjam novos dados – ? Não faço a mínima ideia, se há coisa que não sou é futurologista.

S. João Paulo II, que afirmou de si próprio ser o Papa da vida[1] e também o da família, aprofundou, em plena coerência, com a Tradição e a Sagrada Escritura, os temas da sexualidade, do casamento e da família. No dia em que ia estabelecer o Instituto João Paulo II para estudos sobre o matrimónio e a família, o Maligno quis impedi-lo matando-o por mão do terrorista que disparou sobre ele na praça de S. Pedro, a 13 de Maio. Salvando-o Nossa Senhora, parece que queria salvar também o Instituto. Nestes trinta anos, notáveis teólogos de várias partes do mundo têm produzido (a par de duas universidades) esplêndidas obras, singularmente inspiradas, que têm mergulhado ainda mais nos tesouros do Evangelho do casamento e da família, a partir do Magistério de S. João Paulo II.

Nos Sínodos dos Bispos costumam participar, entre outros, os chamados peritos. Pois, ficam os leitores a saber que o Cardeal Baldisseri, nomeado pelo Papa Francisco para o efeito, responsável pela escolha dos ditos peritos, não convidou nenhum, mesmo nenhum, entre aqueles pertencentes ao referido Instituto e às universidades a que aludi. Não admira pois que ande por aí a dizer, para quem o queira ouvir, que «detesta» o Instituto e seus teólogos; e ainda que se «nos textos (do Sínodo) vai ficar tudo na mesma, ... na prática tudo vai mudar» – são várias as fontes, que considero autorizadas e fidedignas, que mo reportaram. Pelos vistos, S. João Paulo II é descartável...

Para quem tenha dúvidas, caso alguém as tenha, reitero a minha fidelidade, assim Deus me ajude, ao Magistério do Papa Francisco, enquanto for Papa. E, pela Graça de Deus permaneço fiel, e espero sê-lo até à morte, ao Magistério de S. João Paulo II.


[1] João Paulo II, Citado in Pontificia Academia Pro Vita, AA. VV., Evangelium Vitae - five years of confrontation with the society … , p. 398, Libreria Editrice Vaticana, pp 548, 2001






terça-feira, 30 de Setembro de 2014


Lenda do milagre de Ourique


Muito se tem falado, discutido e escrito sobre o já famoso milagre de Ourique. Porém, a nós, interessa-nos apenas o verdadeiro aspecto lendário de cada história – aquele meio-termo que se situa sempre entre a realidade e o sonho, entre o natural e o sobrenatural, entre a banalidade das coisas correntes e a poesia das coisas raras. Por essa razão, voltando as costas às polémicas acesas em torno do caso, vamos contar aqui apenas a lenda – sem dúvida uma das mais belas lendas de Portugal.

A batalha de Ourique tem sido considerada por muitos «a pedra angular da monarquia portuguesa». Diz-se que foi aí que pela primeira vez os nobres aclamaram D. Afonso Henriques rei de Portugal.


Fins de Julho de 1130. D. Afonso Henriques, já com a retaguarda coberta por castelos e cidades cristãs, já na posse de Leiria, de Ourém, Penela, Almourol, Zêzere e Cera – que depois adoptou o nome de Tomar – julgou-se apto a poder aventurar-se pelo território dos mouros, levando as suas armas pelo Alentejo, talvez na direcção de Silves. Reuniu os seus homens e lançou-se ao caminho.

A notícia desta agressão do infante D. Afonso fez tremer de receio Ismael ou Ismar, que então governava esta parte da Península ainda em poder dos sarracenos. Imediatamente ele convocou os chefes e guerreiros de Sevilha, Badajoz, Elvas, Évora e Beja, bem como os de todas as praças fortes até Santarém. E os sarracenos acorreram de toda a parte. Os exércitos marchavam um contra o outro. Mas por alturas do Campo de Ourique fez-se alto de ambos os lados. Então, João Fernandes de Sousa, camareiro do infante, apressou-se a entrar na tenda do seu senhor. D. Afonso Henriques parecia dormitar, tendo sobre os joelhos o Velho Testamento.

— Senhor... Perdoai-me se vos acordo...

D. Afonso Henriques nem pestanejou. Aflito com o rumor dos homens, lá fora, pois começavam a recear a multidão enorme de mouros que estava em frente e à vista, João Fernandes tocou no ombro do vencedor da batalha de S. Mamede.

— Acordai, Senhor meu!

O Velho Testamento caiu no chão. D. Afonso Henriques olhou o seu camareiro como se o tivesse visto pela primeira vez:

— Que me quereis? Estava a dormir... e a sonhar...

— Perdoai-me se vos interrompi... Mas está lá fora um homem velho que vos quer falar.

— Donde vem?

— Vem daqui perto e insiste em ser recebido por vós.

— Se é cristão, pode entrar.— Está aqui, meu Senhor.

E voltando-se para o velho, João Fernandes indicou com a mão direita a entrada da tenda.

— Por aqui. E não vos demoreis!

O velho entrou, olhando fixamente Afonso Henriques. Este, porém deu quase um salto no escabelo onde estava sentado.

— Senhor! Acabo de vos ver em sonhos! Que me quereis?

— Dizer-vos, Senhor, que deveis ter bom coração, porque vencereis e não sereis vencido. Sois amado do Senhor, porque sem dúvida Ele pôs sobre vós e sobre a vossa geração os olhos da Sua Misericórdia, até à décima sexta descendência, na qual se diminuirá a sucessão. Mas nela, assim diminuída, Ele tornará a pôr os olhos e verá! Ele me mandou dizer-vos que na noite que se seguirá a esta, se ouvirdes a sineta da minha ermida, na qual vivo há sessenta e seis anos, guardado no meio dos infiéis por alto favor de Deus – pois, como ia dizendo, se ouvirdes a sineta, deveis sair fora do arraial, sozinho.

D. Afonso arriscou:

— Devo sair de noite, sem companhia?

O velho voltou à sua fala serena:

— Sim, saireis sozinho, porque Ele vos quer mostrar a Sua grande Piedade.

— Senhor! Se sois um embaixador de Deus, eu vos venero e sabei que tudo farei para ser digno de tão grande mercê!

Sem mais palavras, o velho saiu da tenda. D. Afonso veio aliás dele. Em breve o perdia de vista. Entretanto, inquietos, os soldados discutiam. Logo se aproximou João Fernandes. D. Afonso Henriques perguntou-lhe:

— Que dizem os nossos homens?

— Acham uma temeridade o que ides fazer, Senhor! Os sarracenos têm aqui cinco reis e cinco exércitos para nos combaterem!

— Reúne-os! Quero falar-lhes.

Era quase noite quando D. Afonso Henriques se dirigiu aos seus homens:

— Companheiros! Nem paz, nem trégua, nem fuga se nos consente! É infalível, o pelejar aqui. Cinco exércitos nos cercam. Nós não poderemos ter mais socorros além daquele que nos vier de Deus. Mas n’Ele confio! Ele, Senhor de todos os exércitos, estará connosco! E connosco Ele vencerá em nós, e nós sobre esses homens que O não aceitam porque O não conhecem! Na madrugada de amanhã será a batalha. Encomendemos pois a Deus, esta noite, a nossa causa! E entretanto... esperemos que a hora soe!

Os homens entreolharam-se, sem saberem que dizer. Acreditavam no seu chefe e acreditavam na causa que os trouxera ali. Todavia, a vista da massa imensa do inimigo, muito maior do que eles em número, punha nesses homens um certo receio, perfeitamente humano...

O dia seguinte decorreu sereno. A noite chegou. Nem cá nem no arraial fronteiro havia movimento de tropas. Observava-se um silêncio enervante. De repente, esse silêncio foi cortado pela voz dorida de um sino que tangia ao longe. D. Afonso Henriques, curvado numa oração muda, ergueu-se e dirigiu-se lentamente para fora do arraial. A mão na espada, o olhar vivo e atento, D. Afonso Henriques caminhou sozinho. Já fora das vistas dos seus homens e em plena escuridão, o jovem chefe guerreiro deu conta de um raio resplandecente que surgia do seu lado direito. D. Afonso estacou. Mas o raio de luz foi alargando, alargando iluminando tudo em redor. De súbito, D. Afonso Henriques distinguiu o Sinal da Cruz mais resplandecente que o Sol e Jesus Cristo crucificado nela. De um lado e de outro, grupos de anjos, vestidos de branco, de um branco que resplandecia também!

O coração de D. Afonso Henriques bateu forte. Num gesto rápido, atirou para o chão a espada e o escudo. Descalçou-se em sinal de vassalagem e lançou-se de bruços, com as lágrimas a correrem-lhe pelo rosto. O peito arfante, nem atinava com o que queria dizer.


— Senhor!... Por que me apareceis?... Que me quereis dizer?... Desejareis, por ventura, acrescentar fé a quem tanta traz no peito? Se o inimigo Vos pudesse ver, como eu Vos estou vendo, talvez esse pudesse acreditar em Vós! Por mim, creio que sois Deus Verdadeiro, Filho da Virgem e do Padre Eterno!

Calou-se D. Afonso Henriques. Ergueu um pouco o busto, olhando uma vez mais a cruz levantada da terra cerca de dez côvados. E então a voz do Senhor fez-se ouvir, serena e bela:

— Afonso! Não te apareci deste modo para acrescentar a tua fé em mim, mas para fortalecer o teu coração neste conflito, e fundar os princípios do teu reino sobre pedra firme. Confia, Afonso, porque não só vencerás esta batalha, mas todas as outras em que pelejares contra os inimigos da minha Cruz. Vai! Vai, que acharás a tua gente alegre, esforçada para a peleja, e pedir-te-ão que entres na batalha com o título de rei. Não ponhas dúvida! A quanto te pedirem, deves conceder facilmente. Eu sou o fundador e destruidor dos reinos e impérios. Em ti e teus descendentes, quero fundar para mim um império, por cujo meio seja meu nome publicado entre as nações mais estranhas. E para que os teus descendentes conheçam quem lhes dá o reino, comporás o escudo de tuas armas com o preço com que eu remi o género humano. Olha para o meu corpo e contempla as minhas chagas! A elas juntarás o preço com que fui comprado aos Judeus. Assim esse reino ser-me-à santificado, puro na fé e amado por minha Piedade!


Calou-se, o Senhor. Os anjos vestidos de branco luzente sorriam. Então D. Afonso Henriques tentou dizer algo:

— Senhor!... Por que méritos me mostrais tão grande misericórdia? Olhai na verdade para os meus sucessores e guardai salva a gente portuguesa! Se acontecer que tenhais contra ela algum castigo, executai-o antes em mim e em meus descendentes, e livrai este povo que amo como único filho!

De novo a voz do Senhor voltou a cortar a escuridão e o silêncio:

— Não se apartará deles nem de ti nunca a minha Misericórdia, porque por sua via tenho em vista grandes searas e a eles escolhidos por meus segadores em terras mui remotas. E agora, volta para a tua tenda. Um novo caminho vai abrir-se!

Calou-se a voz e desapareceu a luz. Um silêncio quase aflitivo deu o braço à escuridão. D. Afonso Henriques ergueu-se. A hora devia ir avançada e no arraial já talvez tivessem dado pela sua ausência. Tomou o escudo e a espada, e voltou serenamente para a sua tenda. Ao chegar, João Fernandes de Sousa e mais três homens da sua confiança esperavam-no com certa impaciência.

— Senhor, como tardastes!

— Estai calmos, que a vitória será nossa. Como estão os nossos homens?

— Bem, Senhor. Ansiosos que a manhã chegue para que seja dado o sinal de combate!

— Pois se estão assim ansiosos, ide reuni-los e prepará-los. Iniciaremos a luta antes mesmo que a manhã desponte!

A batalha travou-se, dura. Desde as primeiras horas da manhã até à noite que os soldados de D. Afonso viam chegar hordas de sarracenos, como se fossem em número jamais capaz de extinguir-se. O arraial era acometido por todos os lados; e dir-se-ia que a sorte não ficaria com eles, quando um troço de cavalaria escolhida, caindo sobre a primeira coluna sarracena, a separou do resto do exército, dizimando-a. Perto, andava Ismael, que ao ver completamente derrotada a sua primeira coluna e vendo o arrojo com que os portugueses lutavam, indiferentes ao perigo, prontos a vencer ou a morrer, encheu-se de um pavor súbito e fugiu. Então o resto do exército, vendo em fuga o seu rei, seguiu-o em debandada. As forças portuguesas foram-lhe no encalço.


O desbarato dos sarracenos foi total. Um monte de cadáveres cobria o terreno desde Ourique até às Cabeças de Reis – onde os cinco reis mouros foram degolados. E em campo aberto, loucos pela vitória, os homens de D. Afonso Henriques aclamaram-no rei pela primeira vez! E ali mesmo o primeiro rei de Portugal resolveu que a bandeira portuguesa passasse a ter cinco escudos em cruz, representando os cinco reis vencidos e as cinco chagas de Cristo, carregadas com os trinta dinheiros por que Judas vendeu o Redentor. A 25 de Julho de 1139, a vitória de Ourique impôs para todo o sempre as cinco quinas na bandeira de Portugal.




        

segunda-feira, 29 de Setembro de 2014


Quando um Estado não se dá ao respeito


Pedro Quartin Graça

Selvagens:
independentistas vão pagar multa
de quatro euros


Os dois independentistas das Canárias, membros do ANC com ligações à Frente Polisário, que, na segunda-feira, protagonizaram um protesto nas Ilhas Selvagens, ficaram alojados num hotel no Funchal, Madeira, não foram detidos e, inclusive, «apanharam uma boleia» da Marinha no seu regresso ao Funchal por não disporem de meios de transporte.

Pela invasão e ocupação do território nacional foram multados em, pasme-se, apenas quatro(!!!) euros, por terem pernoitado nas Ilhas Selvagens, sem autorização da gestão do Parque Natural da Madeira. Foram, ademais, muito bem tratados pela Marinha e pelas autoridades portuguesas.

Eis o resultado da forma ligeira como o Governo de Portugal tratou do assunto. Da forma ligeira e, sobretudo, do erradíssimo entendimento que por parte dos governantes portugueses existiu relativamente ao incidente em causa.

A este propósito, vejam-se as nossas próprias declarações ao Diário de Notícias da Madeira:

«Quando uma parte do território é ocupada e hasteiam uma bandeira que não é nossa o mínimo é enviarem meios aéreos e não um barco» (...) «O Governo reagiu de forma muito lenta e pouco ousada» (...) «os poucos recursos alocados à defesa fazem com que «nos tomem o pulso e façam o que entendem». (...)  «Há uma parte do território ocupado e o Governo português está mudo» (...) «Isto não é mais um incidente, faz parte de uma escalada de incidentes e desta vez até foram mais longe» (...) e, por último, é «inacreditável que um Governo não reaja de forma firme a um desaforo destes». «Quem está a reagir é a sociedade civil», concluímos, não deixando de apontar a «irresponsabilidade total» do Governo da República já que (...) «o facto de se tratar de um movimento separatista não é caso para desvalorizar a questão, já que há vários exemplos destes pelo mundo em que se põe em causa a soberania dos países.»

Esta atitude do Governo português é demonstrativa de uma enorme incapacidade de análise e de total ausência de sentido de responsabilidade que seria expectável por parte de um Governo que encarasse de forma séria a conjuntura geo-estratégica internacional. Estamos, infelizmente, entregues a um grupo de amadores.



COMENTÁRIO:

Daquela inteligência em Ministro da Defesa, que já promoveu exercícios militares com o arqui-inimigo castelhano para poupar dinheiro, o que se esperava?

Sem dúvida que Aguiar Branco é a maior galinha tonta que já passou pela Defesa Nacional desde que Portugal existe. O Botelho Moniz e mesmo o Silvano Ribeiro, este Ministro da Defesa do Vasco Gonçalves, comparados com esta galinha tonta, eram capazes de ser inteligentes e patriotas.





domingo, 28 de Setembro de 2014


Revista Fortune desmente mito

das «grandes riquezas» do Vaticano


A revista norte-americana Fortune, especializada em temas económicos, desmentiu o mito das «grandes riquezas» do Vaticano, e informou que se a Santa Sé fosse uma corporação, nem sequer chegaria perto das 500 mais ricas da sua famosa lista Fortune 500.

No seu artigo intitulado «This pope means business» («Este Papa leva a sério»), a Fortune indicou que «frequentemente é assumido que o Vaticano é rico, mas se fosse uma companhia, não chegaria nem perto da lista Fortune 500».

A Fortune assinalou que o orçamento operacional do Vaticano é de apenas 700 milhões de dólares, e «em 2013 registou um pequeno superávit global de 11,5 milhões de dólares».

A revista estadunidense assinalou, além disso, que a maioria dos activos mais valiosos do Vaticano, «alguns dos maiores tesouros de arte do mundo, estão praticamente sem avaliação e não estão à venda».

«A Igreja Católica é altamente descentralizada financeiramente. Em termos de dinheiro, o Vaticano basicamente está por conta. Essa é uma importante razão pela qual as suas finanças são muito mais frágeis e a sua situação económica é muito mais modesta que a sua imagem de luxuosa riqueza».

O Vaticano, indicou a revista económica, não tem acesso ao dinheiro nem das dioceses nem das ordens religiosas.

Explicou que «cada diocese», em termos económicos, «é uma corporação separada, com os seus próprios investimentos e orçamentos, incluindo as arquidioceses metropolitanas».

A Fortune assinalou que as dioceses de todo o mundo «mandam quantidades importantes de dinheiro para o Vaticano todos os anos, mas a maior parte deste dinheiro é destinada ao trabalho missionário ou às doações de caridade do Papa».

O Vaticano, indicou, «paga salários relativamente baixos, mas oferece benefícios generosos de saúde e aposentadoria».

«Os cardeais e bispos das congregações e dos conselhos muitas vezes não recebem mais de 46 mil dólares por ano».

«Os empregados leigos do Vaticano têm emprego vitalício, e praticamente ninguém se aposenta antes da idade», assinalou.