sexta-feira, 23 de setembro de 2016


As referências do maçom «cardeal» Ravasi


Heduíno Gomes

Daquele dito «cardeal» responsável pela anticultura anticristã de Bergoglio, já nada espanta. A juntar às suas referências de maçons, juntam-se agora os elogios ao «grande Erasmo», o precursor de Lutero. O «grande Erasmo», aquele que, em toda a verdade, foi acusado de ter «posto o ovo que Lutero chocou».

E assim vai o Vaticano dirigido por Bergoglio e sua equipa.







Filósofo de topo diz:

«Papa deve revogar declarações

«objectivamente heréticas» para evitar cisma»


Josef Seifert

ORIGINAL INGLÊS EM: https://www.lifesitenews.com/news/top-philosopher-pope-must-revoke-objectively-heretical-statements-to-avoid


Tradução automática:

Claire Chretien

21 de Setembro de 2016 (LifeSiteNews) – Josef Seifert, filósofo católico austríaco e amigo íntimo do falecido Papa João Paulo II, disse em uma entrevista que ele espera que o Papa Francis revoga as declarações «objetivamente heréticas» em Amoris Laetitia para evitar «cisma», «heresia», e «a divisão completa na Igreja.»

Falando à Gloria.tv sobre uma carta que escreveu o papa Francis e por um ensaio que ele escreveu descrevendo algumas de suas preocupações com a exortação: Seifert explicou que há quatro conclusões que se pode tirar de Amoris Laetitia.

Estes quatro conclusões «são radicalmente distintos e, portanto, eu acho que é preciso esclarecer qual é a resposta verdadeira», disse ele.

A primeira conclusão é que continua a ser um sacrilégio para aqueles em estado de pecado mortal sem arrependimento para receber a Sagrada Comunhão, embora nota 351 abre a porta para isso.

Os defensores desta tese «pode-se dizer que o texto não é um documento magisterial, como o Cardeal Burke diz que não é um documento que tem a forma adequada para mudar o catecismo católico [e] a 2.000 anos de idade tradição de disciplina sacramental por alguns AVC [s] de caneta. ... Portanto, nada mudou, basicamente, e o documento talvez tentou mudar algo, mas não muda nada.»

O segundo [conclusão] é o oposto – pelo contrário e em frente absoluta e radical», disse Seifert. «E isso é que cada casal, todos os homossexuais, todas as lésbicas, os adúlteros, todos voltaram a casar, não voltou a casar –. Todos são bem vindos à mesa do Senhor» Ele observou que este é essencialmente a interpretação adotada pelos bispos das Filipinas, que «fez um grande pronunciamento para o efeito.»

«Esta interpretação não pode ser o que o papa realmente significa – não deve ser o que o papa realmente significa, pois leva a inúmeras sacrilégios, todos os tipos de grandes pecadores [vindo] para o Sacramento da Comunhão», disse Seifert. Permitir que isso «abre a porta para transformar a Igreja, templo de Deus, [em] uma espécie de templo de Satanás.»

Seifert chamado Papa Francis para «absolutamente e obrigatoriamente declarar que este [interpretação] é completamente falsa compreensão do ensinamento da Igreja.»

Foro interno seria uma «catástrofe pastoral»

A terceira interpretação possível do Amoris Laetitia é que os casais podem «perceber» com a ajuda de um sacerdote se eles são realmente culpados de as acções que continuamente cometem, que os rótulos da Igreja objetivamente pecaminosas.

«Como isso deve ser aplicada?», Perguntou Seifert. ‘Se um padre dizer para o adúltero,’ você é um bom adúltero, você está em estado de graça, você é [a] pessoa muito piedosa, de modo a obter a minha absolvição sem mudar sua vida e, em seguida, [você pode] ir a Sagrada Comunhão. ... E depois vem outro, e ele diz, 'Oh, e você é um verdadeiro adúltero. Primeiro, você deve confessar, você deve revogar a sua vida, você deve mudar a sua vida, e então você pode ir para a comunhão.’ Quero dizer, como deve ser esse trabalho?»

Este «parece completamente inadequado» e poderia tornar-se uma «catástrofe pastoral», Seifert avisado. Ele disse que também poderia confundir Católica divorciados novamente casados ​​casais, alguns dos quais podem ser contadas por seu sacerdote para ir em frente e receber a Sagrada Comunhão e outros que possam ser contada pelo mesmo padre a viver abstinentemente, a fim de receber a Sagrada Comunhão. Seifert notar que esta terceira conclusão contém «o problema da falácia lógica», que pressupõe que se uma pessoa «não entende que o que ele faz é errado, que ele é inocente e em estado de graça, mas a cegueira para o erro de uma ação pode ser em si gravemente [pecado].»

«É uma falsa suposição de que muitos casais que não encontrar nada de errado com se casar novamente e se divorciando somos todos pecadores inocentes em estado de graça, porque a sua cegueira [ao fato de que eles estão cometendo adultério] em si [Pode ser um pecado] », disse Seifert.

Parecendo «negação do inferno ‘deve ser corrigida' pelo amor de clareza»

De acordo com Seifert, a quarta interpretação possível do Amoris Laetitia é as pessoas podem dizer em sã consciência que seu primeiro casamento era inválido, mesmo se um tribunal eclesiástico tem dito de outra forma, e, portanto, pode se divorciar, «casar» novamente, e receber os sacramentos, mantendo uma relação sexual com sua segunda esposa.

«Não deve ser deixada à consciência do indivíduo para julgar ou não o seu casamento era válido, e também não o julgamento de um único sacerdote, porque a julgar ... a existência de um sacramento requer uma investigação cuidadosa e isso é [exatamente ] a tarefa de tribunais da Igreja e, portanto, a pessoa simplesmente não pode ... em consciência dizer, eu não era casado e agora eu me casar novamente », Seifert explicou. Ele também disse que a noção de que uma pessoa pode declarar por si mesmo que seu casamento era inválido foi condenado pelo Concílio de Trento e, portanto, não está em harmonia com o ensinamento da Igreja.

É «objetivamente herética» afirmar, como Amoris Laetitia faz, de que alguém pode ser simplesmente incapaz de viver de acordo com as exigências do Evangelho, disse Seifert. Amoris Laetitia sugere que as pessoas podem «reconhecer que é a vontade de Deus para viver em uma adúltera relacionamento»", mas «que contradiz claramente bastante alguns dogmas do Concílio tridentino e claramente contradiz Veritatis Splendor e outros ensinamentos solenes da Igreja», disse ele.

Seifert ressaltou que ele não estava chamando o papa herege, simplesmente apontando que ele fez declarações heréticas que devem ser corrigidos.

«Ele diz que ninguém está condenado para sempre ... que, no contexto pode ser interpretada de diferentes maneiras, mas é difícil interpretá-lo de qualquer outra forma de negação do inferno», disse ele. Cristo «nos adverte para o grande perigo, real de condenação eterna», como têm muitos santos e da Virgem Maria nas aparições aprovadas pela Igreja, «e, portanto, para o papa a convidar as pessoas em um estado grave de pecado para ir para os Sacramentos e ao mesmo tempo dizer que ninguém será condenado para sempre, eu acho que os riscos para ser entendido que ele nega a possibilidade de condenação».

«Então eu disse ao papa que ele tem que em primeiro lugar, esclarecer que ele não queria negar o inferno nesta declaração, o que seria contra a Sagrada Escritura, e contra vários [dogmas]», disse Seifert. Mesmo se o Papa Francis não significa que a declaração parece ser uma negação do inferno, «Eu acho que muitas pessoas entendem-lo dessa forma e ele deve dizer claramente o que é a verdade do Evangelho e não parecem negar o inferno» ele disse. Isso deve ser feito de «uma questão de clareza e para o cuidado pastoral.»

Seifert dirá «mesmo se eu estou morto para ele»

Papa Francis só iria «crescer na estima e respeito no mundo» se ele retraída as declarações em Amoris Laetitia que aparentemente contradizem a doutrina católica, disse Seifert. Se ele «persiste nisso», então não há o «risco de cisma.»

«Para evitar o cisma e evitar heresia e para evitar a separação completa na Igreja, eu acho que é necessário que o papa ... ser dito [estes] problemas» e revogá-las, disse Seifert.Seifert ressaltou que ele não é o único acadêmico Católica elevando o alarme sobre Amoris Laetitia. Professor Robert Spaemann, uma das principais professor de filosofia alemã e amigo próximo do Papa Bento XVI Emérito, e Dr. Jude P. Dougherty, o decano emérito da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica da América, ambos levantaram sérias preocupações com a exortação. O primeiro chamou-lhe uma «violação» com a tradição católica e este último escreveu que a ambiguidade Papa Francis 'significa’ «o que foi determinada antes tornou-se problemática.»

«Mesmo se eu estou morto para ele, eu acho que tem que falar porque não se pode permanecer em silêncio quando se sente que as verdades importantes que também são muito importantes para a salvação eterna dos fiéis são obscurecidos ... no documento», disse Seifert.












Criança é morta por eutanásia na Bélgica



Jurandir Dias

A eutanásia é, a seu modo, uma consequência do aborto. O aborto trouxe um enfraquecimento da família e é praticado pelas mesmas razões, ou seja, o casal não quer ter filhos para poder gozar mais a vida, divertir-se livremente, ir à praia etc. sem ter o trabalho de cuidar de crianças.

Morreu na Bélgica a primeira criança por eutanásia. A notícia não poderia ser mais estarrecedora. A informação foi prestada pelo presidente da Comissão Federal para a Eutanásia, Wim Distelmans.[i]

Em 2014, o Parlamento Socialista da Bélgica aprovou uma lei iníqua que permite que os médicos pratiquem a eutanásia – eufemismo para não dizer assassinar – em crianças com doenças ditas incuráveis e que causam muito sofrimento. A lei permite que os menores procurem a eutanásia. Mas as crianças que serão sacrificadas teriam que «possuir a capacidade de discernimento». Que criança, nos tormentos das dores, será capaz de discernir se quererá ou não ser morta?

A eutanásia existe na Bélgica desde 2002, quando o governo socialista daquele país a aprovou para os anciãos.

O número de mortes por eutanásia na Bélgica está a subir rapidamente, com um aumento de 25% em 2012. Estudos recentes indicam que até 47% de todas as mortes assistidas não foram descritas; 32% de todas as mortes assistidas foram feitas sem pedido e os enfermeiros estão a matar os seus doentes sem o conhecimento dos médicos.[ii]

Alguns especialistas belgas estão a apoiar a extensão da eutanásia para crianças com deficiência, porque dizem que isso já está a ser feito. Os mesmos médicos especialistas sugerem que a extensão da eutanásia vai resultar num aumento de 10 a 100 mortes por ano.

Tudo isto causa uma enorme insegurança entre as pessoas. Na Holanda, um dos primeiros países a aprovar a eutanásia, os idosos cruzam a fronteira e vão tratar-se na Alemanha onde a lei da eutanásia não é tão radical. Agora, também a criança doente se sentirá gravemente ameaçada. E pensará se a sua existência não será um peso para a família e que os seus pais, mediante conselho pernicioso de um médico, não venham a terminar com a sua vida.


*    *     *

A eutanásia é, a seu modo, uma consequência do aborto. O aborto trouxe um enfraquecimento da família e é praticado pelas mesmas razões, ou seja, o casal não quer ter filhos para poder gozar mais a vida, divertir-se livremente, ir à praia etc. sem ter o trabalho de cuidar de crianças.

A criança executada pela eutanásia «alivia» a família de gastos com hospitais e do trabalho de acompanhamento familiar naquele momento crucial. Por isso se mata o filho ou a filha e depois vai divertir-se.

Como isto é diferente daquela mãe ou pai que passam noites sem dormir, rezando pela recuperação da saúde do seu filho ou filha, ao lado do seu leito de dor, consolando-a, dando forças para suportar os sofrimentos!

Os outros filhos olharão para os pais e dirão: como os meus pais são maravilhosos, como eles são dedicados. A minha mãe é uma heroína, acompanhou o meu irmãozinho até o fim. Que exemplo!

É neste momento de sofrimento que a família se une melhor; há maior solidariedade entre as pessoas.

Contudo, não são assim os pais que matam os seus filhos. Eles procuram principalmente o prazer, o gozo da vida. Procuram eliminar qualquer forma de sofrimento. Eles são o fruto de uma sociedade descristianizada. Para eles não importa o quinto mandamento que diz «não matarás», assim como os demais.

Prevendo a eutanásia para crianças, em 1936…

Na coluna «7 dias em revista» do Legionário, n.º 212, de 4 de Outubro de 1936Plinio Corrêa de Oliveira comentava um facto então pioneiro: em Perth (Austrália) um pai matou o próprio filho por motivos de saúde. Transcrevemos a seguir o texto na íntegra:

«Pela primeira vez, desde que o mundo se governa pelos princípios da civilização de Jesus Cristo, um pai mata o seu filho por motivos de saúde.

Trata-se do Sr. Sullivan, de Perth, na Austrália, que levou a passear o seu filho de três anos matando-o inesperadamente com um tiro. O próprio infanticida conduziu depois o pequeno cadáver à polícia, e declarou que a razão do crime que praticara era que o seu menino sofria de doença incurável.

Não era lícito a esse pai desnaturado, matar o seu filho, qualquer que fosse o pretexto por ele invocado. Mas façamos abstração disto, e consideremos a questão sobre outro aspecto. O Sr. Sullivan é «chauffeur», portanto pessoa relativamente desprovida de recursos. Será tão seguro que autorize o infanticídio o diagnóstico do médico de 2.ª classe, a quem provavelmente o Sr. Sullivan consultou? Será realmente incurável essa moléstia? Com os progressos que a medicina vem fazendo, não é bem possível que, daqui a alguns anos, o menino pudesse ser curado?

Em nada disto refletiu o Sr. Sullivan.

*   *   *

O Sr. Sullivan, em si, não interessa. A sua atitude vale apenas como sintoma de uma civilização.

A tal ponto o mundo descristianizado está perdendo o senso da caridade, que diversos escritores europeus já sustentam a inutilidade e, mais do que isso, a nocividade dos estabelecimentos de assistência à doença na infância.

Se a criança doente é um ser inferior, por que razão há-de o Estado sobrecarregar-se com a sua educação? Não seria melhor deixar morrer esses galhos quase secos, para que a seiva afluísse mais abundante, para os galhos sãos?

Se algum dia esse pensamento conquistar o mundo, os casos como o do Sr. Sullivan serão numerosíssimos.»

Nesse dia, a Igreja certamente já terá voltado para as catacumbas. E, no Brasil, as pessoas do povo matarão os seus filhos, nunca a conselho médico, mas por indicação de (satanistas)…»


[i] https://br.sputniknews.com/sociedade/20160917/6344864/eutanasia-crianca-belgica.html – acessado em 20 de Setembro de 2016.

[ii] http://www.lifenews.com/2016/09/19/first-child-dies-after-belgium-approves-measure-allowing-doctors-to-euthanize-children/ – acessado em 20 de Setembro de 2016.






quarta-feira, 21 de setembro de 2016


Paulo Vieira da Silva:

menos um socialista dentro do PSD


Heduíno Gomes

Tem sido noticiada e divulgada uma carta de demissão de um membro do PSD, o autêntico social-democrata Paulo Vieira da Silva.

Ao deparar com tamanha adversidade, resolvi ler o ameaçador texto da «demarcação» de  Paulo Vieira da Silva com o laranjal.

Queixa-se, e com razão, de algumas maleitas do PSD, nomeadamente de algumas políticas liberais, que já conhecemos.

Verifiquei então que o homem apresenta várias referências tais como Bernstein, Willy Brandt, Anthony Giddens (para quem não o conhece: sociólogo inglês dos invertidos), Helmut Schmidt,  Olof Palme...

Percebo então que o homem é ainda um verdadeiro social-democrata, com todas as letras, em 2016.

Apesar de, lamentavelmente, não apresentar outras referências da social-democracia, como, por exemplo, o fundador da própria teoria, Karl Marx (que, aliás, não gostava que assim chamassem à sua teoria), ou Vladimir Ilitch Ulianov, dito Lenin, o chefe do famoso Partido Operário Social-Democrata da Rússia, fiquei tranquilo com tanta social-democracia, pois coisa que não sou é social-democrata. Já fui, já, há muito. Mas curei-me.

Resumindo, fico contente pois, como dizia um dos famosos citados, «o partido reforça-se depurando-se dos elementos oportunistas». É menos um social-democrata, isto é, socialista, que temos de aturar dentro do PSD.






As opções políticas e morais de Bergoglio


«Momento triste» ou de alívio no Brasil?


Entre os brasileiros, o alívio ocorreu porque o impeachment de Dilma significou uma interrupção
de 13 longos anos de hegemonia do PT, durante os quais a esquerda governante promoveu no Brasil uma destruição sem precedentes do ponto de vista moral, político e económico.

Adaptado de Gonzalo Guimarães

Uma carta particular do Papa Francisco chegou às mãos da presidente Dilma Rousseff poucos dias antes de seu impeachment pelo Senado Federal. A missiva também chega num momento em que o PT naufraga no descrédito, na corrupção e no seu fanatismo ideológico pró-castrista.

Não foi em vão que a revista esquerdista «Carta Capital» comentou: «Qualquer um percebe que se trata de um apoio» do Pontífice a Dilma Rousseff. O Papa Francisco, talvez não satisfeito apenas com esse apoio, declarou que o Brasil está passando por um «momento triste».

Estas são as opções políticas e morais do «misericordioso» Bergoglio.

Esta é a «misericórdia» de Bergoglio.

Confirma-se.






A anormalidade da seita

da ideologia do «género»


https://www.youtube.com/watch?v=6BpN1aGIP08






terça-feira, 20 de setembro de 2016


A verdadeira origem das divisões na Igreja


Roberto De Mattei

Na estratégia de comunicação da Santa Sé, fica-se com a impressão de que se misturam informações, desinformações, verdades, meias verdades e até mentiras. A história da Igreja é escrita por entrevistas, discursos improvisados, artigos em blogs para-oficiais, indiscrições mediáticas, deixando o campo aberto a todas as interpretações possíveis e dando origem à suspeitade que a confusão é planejada.

Ettore Gotti Tedeschi
Dois exemplos recentes. O primeiro diz respeito à destituição, em 2012, do presidente do Istituto per le Opere di Religione-IOR [o «Banco do Vaticano»], Ettore Gotti Tedeschi (foto). No derradeiro livro de Bento XVI, as Últimas conversas com Peter Seewald, o «Papa emérito» assume a responsabilidade pela remoção de Gotti Tedeschi, devido, segundo ele, à necessidade de «renovar os líderes» do Banco Vaticano. Mas o secretário  do Papa demissionário, Mons. Georg Gänswein, havia declarado anteriormente que o mesmo Bento XVI não havia tido conhecimento dessa destituição e «ficou surpreso, muito surpreso pelo acto de retirada da confiança ao professor». Andrea Tornielli referiu-se a isso num artigo de 22 de Outubro de 2013, intitulado Bento XVI ficou muito surpreso com a demissão de Gotti Tedeschi. Em 9 de Setembro de 2016, o mesmo vaticanista, sem reparar a contradição, apresenta a nova versão, com o título Ratzinger: foi minha a ideia de mudar os dirigentes do IOR em 2012. Qual é a verdade? Por certo alguém está mentindo e a confusão permanece.

Mais grave é o segundo caso. Em 5 de Setembro, o site Infocatolica publicou uma carta enviada pelo Papa Francisco aos bispos da região pastoral de Buenos Aires, em resposta ao documento Criterios básicos para la aplicación del capítulo VIII de Amoris laetitia. Neste documento, que visa proporcionar ao clero portenho alguns critérios relativos ao oitavo capítulo da exortação, os bispos argentinos afirmam que, com base na Amoris laetitia, os divorciados recasados podem ter acesso à comunhão sacramental, mesmo quando convivem more uxorio, sem a intenção de praticar a castidade. O Papa Francisco manifestou o seu apreço por essa directiva, escrevendo aos prelados que «o texto é muito bom e explica de modo excelente o capítulo VIII da Amoris laetitia. Não há outra interpretação. E estou certo de que fará muito bem». Abriram-se de imediato as polémicas e a carta pontifícia desapareceu misteriosamente do site. Tanto é assim que muitos duvidaram da sua existência, até que o L’Osservatore Romano confirmou a sua autenticidade.

«Não há outra interpretação». A posição do Papa Francisco sobre os divorciados recasados, já expressa no voo de regresso da ilha de Lesbos, neste ponto parece definitivamente clara. Mas se esta é a sua opinião, porque não exprimi-la de forma clara e explícita, em vez de confiá-la a uma nota de rodapé na Amoris laetitia e a uma carta privada que não vai ser publicada? Será talvez porque da primeira forma a contradição com o Magistério perene da Igreja seria pública e formal, enquanto se quer chegar a mudar a doutrina da Igreja de modo ambíguo e sub-reptício?

A impressão é de que estamos diante de uma manipulação das informações, o que  produz no seio da Igreja precisamente aquelas tensões e divisões que o Papa lamentou no seu discurso em Santa Marta no  dia 12 de Setembro: «Divisões ideológicas, teológicas, que laceram a Igreja. O diabo semeia ciúmes, ambições, ideias, mas para dividir (…). As divisões fazem com que se veja esta parte, essa outra parte contra esta e… Sempre contra! Não é o óleo da unidade, o bálsamo unidade».

As divisões, no entanto, nascem da linguagem ambígua do demónio e são vencidas principalmente pela verdade, a verdade da fé e da moral, mas também pela rectidão da linguagem e do comportamento, o que significa renúncia a toda mentira, falsificação ou reticência, seguindo o ensinamento do Evangelho: «Seja a vossa palavra sim, sim; não, não; o que não for isso vem do Maligno» (Mt 5, 37).






Uma semana em Portugal


Alberto Gonçalves, Diário de Notícias, 18 de Setembro de 2016

Uma das gémeas Mortágua, família cuja notoriedade define o país, mostrou quem realmente governa isto e anunciou um novo imposto sobre o património imobiliário («para apanhar quem escapa ao IRS»).

O PCP, que em matéria de assaltos não gosta de ficar à porta e invade furioso a horta, quer alargar o imposto ao património mobiliário, ou seja colocar a mão literalmente na massa.

A CGTP, que lutou pela «escola pública» (?), luta agora pelos trabalhadores despedidos dos colégios privados que se empenhou em fechar.

O secretário de Estado que viajou à conta da GALP não se demite do cargo mas demite-se de tutelar a GALP.

O Presidente dos «afectos» ouviu um par de «homólogos» estrangeiros jurarem-lhe pela pujança da economia indígena e não percebeu o sarcasmo.

O — passe a expressão — primeiro-ministro exibiu o imaginário que lhe habita a cabecinha e, em momento de típica erudição, sugeriu a Pedro Passos Coelho que vá caçar Pokémons.

O — desculpem o termo — ministro das Finanças, que cá dentro compete em boa disposição com o dr. Costa, andou lá fora a jurar que trabalha imenso para evitar um segundo «resgate», que na verdade seria o quarto.

Os portugueses que ainda não enlouqueceram já nem duvidam da necessidade do resgate, mas duvidam que o tenhamos quando precisarmos dele. O problema é que os portugueses que ainda não enlouqueceram são uma minoria de resistentes. E um problema maior é que, aos poucos, a resistência perde razão de ser: a cada semana, o ambiente em curso convida à resignação e ao abandono. De acordo com as sondagens, cinquenta e tal por cento dos cidadãos registam os sinais e acham que a coisa vai no bom caminho.

No meio da desagregação geral, a opinião publicada aflige-se com a entrevista de um juiz (pretexto para exaltar o eng. Sócrates), as memórias de um antigo assessor (pretexto para criticar Cavaco) e os mexericos do arq. Saraiva (pretexto para demolir Passos Coelho). Portugal é uma casa em chamas onde os moradores só se preocupam com a fechadura que range. Não tarda, estamos a olear a porta reduzida a cinzas. E a culpar a «direita», a «Europa» e a Via Láctea pelos estragos. A Via Láctea não é nossa amiga.





segunda-feira, 19 de setembro de 2016


As perseguições mafiosas

ao juiz Carlos Alexandre


António José Vilela e Fernando Esteves, Sábado, 26 de Março de 2015


O juiz de instrução Carlos Alexandre não tem tido uma vida fácil. Nos últimos 10 anos, já o ameaçaram, invadiram-lhe a casa, tentaram atropelar-lhe a mulher e agora envenenaram-lhe o cão.

O animal de nome Bart, que lhe tinha sido oferecido pelo procurador João de Melo, morreu envenenado com remédio dos ratos. Durante semanas, o cão agonizou e acabou por morrer na semana passada. Suspeita-se que alguém tenha atirado para o quintal da casa do juiz um alimento misturado com veneno para ratos.

Estes casos já não são estranhos para o magistrado judicial que há mais de 10 anos lida com os processos mais complexos relacionados com criminalidade violenta e económico financeira. Quando estava colocado na Polícia Judiciária Militar, Carlos Alexandre chegou a ser ameaçado e temeu até ser agredido dentro das instalações daquela força policial que dependia hierarquicamente do ministro da Defesa Nacional. Na altura, Paulo Portas era o titular do cargo e o juiz tinha ordenado que o seu chefe de gabinete fosse colocado sob escuta por causa de um alegado negócio de compra de material militar.

Mais tarde, já colocado no Tribunal Central de Instrução Criminal,  invadiram-lhe a residência e deixaram-lhe uma velha pistola à vista que estava guardada numa gaveta. O juiz achou que se tratava de um aviso. Apesar de ter segurança 24 horas por dia, outros dois acontecimentos viriam a deixá-lo bastante preocupado, sobretudo porque em causa esteve a mulher Felisbela, que terá sido objecto de duas tentativas de atropelamento quando passava numa passadeira para peões.

Agora foi a vez do cão da família.






PETIÇÃO



Rogério de Moura enviou-lhe a seguinte Petição.

Caros Amigos,

Acabei de ler e assinar a petição: «APOIO AO JUIZ CARLOS ALEXANDRE » no endereço http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT82973

Pessoalmente concordo com esta petição e cumpro com o dever de a fazer chegar ao maior número de pessoas, que certamente saberão avaliar da sua pertinência e actualidade.

Agradeço que subscrevam a petição e que ajudem na sua divulgação através de um email para os vossos contactos.

Obrigado.

Rogério de Moura

Esta mensagem foi-lhe enviada por Rogério de Moura (rdemoura007@gmail.com), através do serviço http://peticaopublica.com em relação à Petição http://peticaopublica.com/?pi=PT82973






Carlos Alexandre incomoda


A folha de serviço


Eduardo Dâmaso, Sábado, 15 de Setembro de 2016

O juiz Carlos Alexandre já foi alvo de denúncias anónimas sobre contactos com jornalistas que nunca teve. Foi obrigado a um striptease salarial e a relatar a inspectores judiciais todos os rendimentos da família. Foi vasculhado por causa de um empréstimo de 4 mil euros num programa de TV dirigido por Sandra Felgueiras, filha da famosa arguida Fátima Felgueiras, que fez outro programa onde explorava alegadas «coincidências» entre as decisões do juiz e as notícias de um jornalista.

Foi «aconselhado», por superiores, a suavizar decisões sobre o crime de branqueamento em processos relacionados com Angola. Viu processos de obras em casa espiolhados e decisões suas achincalhadas por desembargadores da Relação de Lisboa que passaram mais de uma década em comissões de serviço nomeados pelos amigos políticos, com base em opiniões e não em argumentação jurídica. Viu os filhos ameaçados com pistolas deixadas em cima das respectivas fotografias.

Nunca teve uma repreensão do Conselho Superior de Magistratura. Tem quase trinta anos de serviço público, centenas de decisões acolhidas pelo direito e uma folha de serviço impecável. Tudo isso é indiferente aos pregadores evangélicos como Louçã e a outros que o macaqueiam, que reduzem tudo ao interesse indisfarçável que prosseguem e que não é outro senão safar Sócrates, mesmo que isso leve Ricardo Salgado, Oliveira e Costa e Duarte Lima na mesma água do mesmo banho a deitar fora. Todos vítimas do malandro Carlos Alexandre e do iníquo Estado de direito em que vivemos… Grandes democratas!






O «caso» Carlos Alexandre


Elogio dos vermes


José Mendonça da CruzCorta-Fitas, 14 de Setembro de 2016


O juiz Carlos Alexandre deu uma entrevista em que explicou quem era, e tudo o que disse de si está solidamente comprovado pela sua vida, a sua carreira, e o testemunho de quem o conhece ou com ele trabalhou. Mas o juiz Carlos Alexandre cometeu um erro grosseiro de avaliação: avaliou mal o país e o tempo em que vive, incomensuravelmente mais rascas do que julga ou desejaria. Compreende-se, pois, que logo lhe tenham caído em cima os barões do país pardo e da corrupção, obviamente acolhidos e aclamados na comunicação social avençada, e inevitavelmente acompanhados daqueles idiotas úteis que seguem qualquer carroça de pruridos politicamente correctos, na ilusão de mostrar equilíbrio e equidistância.

O juiz Carlos Alexandre avaliou mal.

Declarou-se católico praticante, e disse que a fé o estrutura e fortalece. Ofendeu o credo «laico» da redutora acepção socialista, menosprezou jacobinos e maçons.

Contou com alegria que tem uma família sólida e tradicional, com a qual se sente feliz. Desconsiderou, pois, as virtudes fracturantes.

Revelou serenamente que trabalha muito, ganha pouco, e vive uma vida de austeridade e contenção. Mostrou-se, portanto, displicente com uma governação que virou a página da austeridade, que defende a redução do horário de expediente para os trabalhadores (desde que do sector público), e celebra o fausto, (desde que reservado a quem tem políticas para as pessoas). E, pior, desprezou as nobres carreiras daqueles defensores da coisa pública que, à força do seu dinâmico optimismo, saltaram do Clio para o Mercedes S, do apartamento para o palacete e a casa de férias, da mediania para o enriquecimento sem causa ou explicação, do anonimato para a gloriosa inutilidade de algum observatório ou fundação.

O juiz Carlos Alexandre apresentou-se, em resumo, (e a sua vida e carreira, repete-se, parecem confirmar que é assim) como um homem sério e bom, incorruptível, estranho ao deslumbramento das mordomias, do dinheiro a rodos, dos pied à terre em Paris. Mais grave ainda: o juiz pareceu manifestar uma inabalável fé na Justiça, mesmo naqueles casos a que o programa do PS chama perseguição a políticos (seus).

Eis, pois, em pormenor e por extenso, o mais álacre manifesto contra o tempo novo português.

Que juiz deve servir, então, se Carlos Alexandre, que vai tão ao arrepio do miasma, não serve?

É fácil. Algum magistrado fiel como Santos Silva ou Silva Pereira; impoluto como Rocha Andrade; sensato, contido e escrupuloso como Costa; intocável como Ferro Rodrigues; polido como Galamba; sério como César; equidistante como Rangel; insuspeito como Nascimento; trabalhador como Nogueira; crível como Centeno; e que, no entanto, fosse frugal... como Sócrates.





sábado, 17 de setembro de 2016


E para já!…








«O Papa contra Hitler»:

Uma recensão e um pedido


Brad Miner

O que é que Pio XII sabia sobre o regime nazi na Alemanha, e será que fez o suficiente para o combater? Terá feito o suficiente para salvar os judeus de serem massacrados pelos nazis, tanto em Roma e no resto da Europa? Estas e outras questões continuam em aberto, mas podem ser esclarecidas se o Papa Francisco quiser.

O canal National Geographic (NatGeoTV, para os amigos) está a transmitir um novo «ecodrama» chamado «O Papa vs. Hitler», sobre o braço de ferro entre Pio XII e Adolfo Hitler. O filme recorre a uma dúzia de bons historiadores, o principal dos quais é Mark Riebling, autor de «Church of Spies». Outros peritos consultados incluem o padre George W. Rutler, Eric Metaxas e Nigel Jones. Poderia nomeá-los a todos, mas mais vale avançar com a recensão.

Respondendo à primeira questão apresentada em cima: O Papa sabia muito. «O Papa vs. Hitler» demonstra que Pio XII se esforçou por boicotar o regime nazi logo desde o início. E mesmo antes disso, uma vez que, enquanto secretário de estado do Vaticano, foi ele o principal autor de «Mit brennender Sorge» (Com Ardente Preocupação 1937), a única das encíclicas de Pio XI que não foi originalmente publicada em latim. Trata-se de uma forte condenação dos ataques dos nazis à Igreja e aos judeus alemães convertidos ao catolicismo. Mas não diz nada sobre a desapropriação, deportação e detenção de judeus por parte do regime. (O primeiro dos campos de morte começou a operar em 1939).

Houve uma primeira tentativa de assassinato de Hitler, levada a cabo por membros da Abwehr, a divisão de informação do exército alemão. O Papa Pio XII deu-lhe o seu apoio. Mas o plano acabou por não ser bem-sucedido e depois disso as acções do Papa a este respeito tornaram-se mais circunspectas. Na verdade, todas as nobres conspirações contra Hitler falharam.

Nas palavras de Nigel Jones: «É quase como se o Diabo estivesse do seu lado».

Pois… Sim.

Antes, durante e depois da guerra, o Papa Pacelli foi avisado de que quaisquer intervenções mais fortes da sua parte levariam a um aumento das já pesadas restrições contra a Igreja e os católicos nos países ocupados pelos alemães.

Este estilo de programa, claro, mistura imagens de arquivo, especialistas e encenações de eventos históricos. E nesse sentido é um exemplo bem conseguido. A meu ver, é também uma avaliação globalmente positiva de Pio XII. Mas não totalmente. O rabino Shmuley Boteach diz que entre os historiadores existe um «consenso» de que a Shoah (o holocausto) «não poderia ter tido a magnitude» que teve se o Papa tivesse condenado mais firmemente a solução final nazi. O historiador britânico Geoffrey Robertson concorda: «A condenação do Papa teria tido repercussões em todo o mundo».

Não duvido que isso seja verdade, mas uma visita ao Museu Americano do Holocausto em Washington D.C., mostra que os relatos sobre os crimes dos nazis eram frequentemente ignorados ou desvalorizados, tanto pelo New York Times como pela Administração Roosevelt.

Uma boa parte de «O Papa vs. Hitler» lida com as conspirações falhadas contra o Führer, o que é interessante do ponto de vista histórico, embora bastante conhecido, sobretudo no que diz respeito à tentativa mais famosa, com nome de código Valquíria, levada a cabo pelo coronel Claus von Stauffenberg no dia 20 de Julho de 1944. Quase que foi bem-sucedida. Stauffenberg devia ser um católico devoto (os historiadores divergem neste ponto), mas neste caso não recebeu qualquer apoio ou encorajamento do Vaticano. Então porque é que aparece no filme?

Talvez porque na véspera de colocar a mala-bomba perto de Hitler, Stauffenberg foi-se confessar e, segundo Riebling, pediu e recebeu a «Absolvição de São Leão». É a primeira vez que ouço falar de tal coisa: perdão dos pecados antes de uma batalha, dada por vezes a soldados.

Resumindo, parece claro que Pio XII não era «o Papa de Hitler», como tem sido apelidado por alguns.

Mas isso leva-nos à segunda questão: Será que o Papa fez o suficiente para livrar os judeus do genocídio? O rabino Boteach reconhece que o Papa escondeu judeus sempre que possível – em mosteiros e em catacumbas – mas quando centenas de judeus de Roma foram detidos e colocados em comboios para seguir para os campos de morte (de entre os quais apenas uma mão cheia sobreviveu), o Papa não reagiu. Se o Papa tivesse ido à estação e dito aos soldados alemães – entre os quais certamente havia alguns católicos – que estavam a colaborar com um pecado mortal, quais teriam sido as consequências?

Bom, esse é o problema, não é? Na história as coisas ou se fizeram ou não se fizeram e apenas podemos julgar o que aconteceu, não o que poderá ter acontecido.

E isso leva-me ao pedido: Papa Francisco, revele por favor o material de arquivo do pontificado do seu venerável antecessor Eugenio Pacelli relativo aos anos da guerra.

Passei vários anos a fazer investigação para um livro (sobre o qual escreverei mais tarde) nos arquivos da diocese de Nova Iorque e compreendo porque é que o material de arquivo deve ser selado durante um certo período. O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, não concorda, porque tem uma visão absolutista de que a verdade nunca deve ser escondida. Isso é um disparate, e não apenas no que diz respeito a dados secretos.

Tanto eu como o meu co-autor (o Sr. Marlin) não pudemos ver vários ficheiros sobre o cardeal John O’Connor, que morreu no ano 2000. Isso pode dever-se ao facto de haver, nesses documentos, afirmações sobre pessoas que ainda estão vivas e que são difamatórias, ou que não são verdade, ou ambos. A regra é esperar 25 anos. Tanto quanto sei, o Vaticano espera 75.

Isso implica reter os arquivos de Pio XII, que morreu em 1958, até 2033. Mas porque não libertar alguns documentos agora? Pelo menos até 1940, com os restantes anos da guerra a serem tornados públicos até 2020? Ajudaria certamente a responder a várias questões e isso é algo que a Igreja deveria querer fazer o mais rapidamente possível.


(Publicado em The Catholic Thing)





quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A preguiça mental contra a acção



Cid Alencastro

Pode parecer surpreendente, mas talvez a preguiça, sobretudo a mental, seja a paixão mais frequente em produzir mentecaptos. Habituando-se a não fazer esforço, a não querer enfrentar o ambiente hostil que o rodeia, a nunca lutar — «dá trabalho»… «dá preocupação»… «exige empenho»… «não é comigo»… — a pessoa acaba por ficar meio aparvalhada e deixa-se levar pela televisão, pela moda, pela opinião dos outros, como uma folha seca que o vento carrega para qualquer lado e acaba por ser pisada como inútil e desprezível. É um néscio, um idiota, um imbecil com o qual não se pode contar para nada de sério ou racional.

A preguiça mental costuma exercer forte tirania em relação aos seus escravos, a ponto de estes preferirem qualquer coisa a terem que lutar ou fazer algum esforço. Disseram-me que o colesterol é produzido por gorduras que aderem às faces internas das veias e impedem o sangue de circular normalmente. A imagem é-me muito cómoda para exprimir esse «engorduramento» das veias do pensamento, que impede a irrigação do cérebro pelo sangue vivo e borbulhante da reflexão bem feita, da observação precisa, da análise objectiva da realidade. E, tudo isso, porque pensar pode levar a conclusões desagradáveis, pode ser um convite à luta, ao esforço, em suma, obriga a sair de entre os lençóis mentalmente «engordurados» da preguiça para o campo de batalha. Se as evidências furam os olhos, o melhor é fechá-los para não ver e não ter que sair das prazerosas comodidades interiores da moleza.

Esse gosto mórbido da inacção mental explica que tenha sido possível aos arautos da esquerda ir introduzindo no convívio social das nações, sem oposição proporcionada, as maiores aberrações intelectuais, como a Ideologia de Género, a generalização da matança de inocentes no ventre materno, os horrores da arte moderna; e, na Igreja, a contestação de doutrinas evidentes, a demolição de cerimónias ancestrais belíssimas, de costumes tocantes. São máquinas de opinião pública que vêm despejando sobre as pessoas esses e outros horrores, como certos tubos enormes despejam asfalto numa via de terra para se constituir ali uma estrada, enquanto o «louco» olha para isso com olhar desagradado, mas aparvalhado.

Alguém dirá: mas muitas pessoas não estiveram de acordo com essas novidades malsãs!

O problema é exactamente esse! A grande maioria dos que não estavam de acordo não quis lutar, limitou-se a um choramingo, a exprimir um desagrado. Preferia que não houvesse essas mudanças, mas deixar as suas comodidades interiores para entrar no campo de batalha ideológico, muitas vezes psicológico, isso não! Ante tal omissão, as muralhas da civilização cristã foram sendo derrubadas uma a uma, sem que os habitantes da cidade de Deus se levantassem corajosamente para impedir a entrada dos inimigos. Hoje estes dominam.

Tudo isso é verdade, pode-se ponderar, mas agora já é tarde, o mundo está entregue e muitos pastores transformaram-se em lobos.