segunda-feira, 25 de julho de 2016


Quem irá escrever o futuro de França?


Daniel Pipes, Washington Times, 7 de Junho de 2016

Dois romances franceses de grande repercussão, diferentes quanto ao tom e ao timing, retratam duas influentes visões de França no futuro. Não se trata apenas de boa leitura (ambos já foram traduzidos para o inglês), juntos estimulam o pensamento sobre a crise da imigração no país e as mudanças culturais.

Jean Raspail (1925-) imagina a invasão racial vinda pelo mar, por meio de jangadas e botes partindo do subcontinente indiano navegando vagarosamente, inexoravelmente rumo ao Sul de França. No Le Camp des Saints (O Campo dos Santos, 1973), primordialmente documenta a impotente reacção francesa, tomada pelo pânico, à medida que a horda (palavra usada 34 vezes) «continua engrossando ainda mais as suas fileiras».

É uma perfeita fantasia anti-utópica sobre a raça branca e a vida europeia que corresponde aos receios articulados por ninguém menos que Charles de Gaulle, o principal político de França pós-guerra, que dava cordial acolhimento a cidadãos franceses não brancos, «desde que permanecessem uma pequena minoria. Senão, a França deixará de ser a França. Afinal de contas, somos todos, acima de tudo, um povo europeu de raça branca».

Camp também antecipa a noção da «Grande Substituição» (Le Grand Remplacement) conceptualizada pelo intelectual francês Renaud Camus, que antecipa a rápida substituição «do histórico povo do nosso país por povos de origem imigratória que são em grande medida não europeus». É o mesmo receio, a grosso modo – dos imigrantes passarem o povo francês autóctone para segundo plano e apoderarem-se do país – que inspira o partido Frente Nacional, que já atinge índices de 30% dos votos nas pesquisas de opinião e continua crescendo.

Michel Houellebecq (1956-) conta a história, não de um país (França), mas de um indivíduo (François) em estado de Soumission (Submissão, 2015). François é um professor já cansado, decadente, do movimento decadente da literatura francesa. Não tem família, amigos nem ambição; embora tenha somente quarenta e poucos anos, a sua vontade de viver deteriorou-se e chegou ao tédio a ponto de se alimentar de pratos prontos e uma sucessão de troca de parceiros sexuais.

Quando um político muçulmano, ostensivamente moderado, inesperadamente se tornar presidente de França em 2022, uma série de mudanças radicais na vida francesa tomarão forma rapidamente. Numa guinada, o que começa de forma sinistra (um corpo num posto de gasolina) mais do que depressa se torna em algo bom (deliciosa comida do Médio Oriente). Atraído por uma boa e recompensadora oferta de trabalho com a vantagem de poder conhecer e casar com várias estudantes, todas cobertas com véus, François imediatamente abandona os seus antigos costumes e converte-se ao Islão, que lhe promete recompensas de uma vida sumptuosa, exótica e patriarcal.

Se por um lado o romance de 1973 nunca menciona a palavra Islão ou muçulmano, em contrapartida o romance de 2015 adapta-se às duas – começando pelo título: Islão que em árabe significa «submissão». Da mesma forma, o primeiro livro tem como foco a raça enquanto o segundo praticamente não toma conhecimento dela (a prostituta favorita de François é do Norte de África). A tomada do poder da primeira obra termina de forma diabólica, a outra de forma agradável. O primeiro livro é um tratado político apocalíptico disfarçado de entretenimento, o segundo apresenta uma visão literária e sardónica no tocante à perda de força de vontade sem também expressar qualquer ânimo em relação ao Islão ou aos muçulmanos. O primeiro documenta uma agressão o segundo um consolo.

Os romances capturam duas importantes e praticamente contraditórias correntes do pós-guerra: a atracção exercida pela Europa livre e rica nos povos remotos e empobrecidos, principalmente muçulmanos; e a atracção de um Islão vigoroso em vez de uma Europa pós-cristã enfraquecida. Em ambos os casos, a Europa – apenas 7% do território mundial, contudo a região dominante por cinco séculos, de 1450 a 1950 – está prestes a perder os seus costumes, cultura e convenções sociais, tornando-se uma mera extensão ou até dependente do Norte de África.

Os romances sugerem que a alarmante preocupação expressada há décadas (multidões de pessoas furiosas e violentas de pele escura) tornam-se um lugar comum e até benignas (as universidades do Médio Oriente pagam salários mais altos). Sugerem que o clima de pânico já passou, sendo substituído por uma época de graciosa capitulação.

Camp causou furor na Direita quando do lançamento do livro, os dois livros, no entanto, abordam temores muito mais disseminados nos dias de hoje; a republicação de Camp em 2011 saltou para o topo da lista de best sellers em França e Submissão  simultaneamente tornou-se o best seller n.º 1 quatro anos depois em França, Itália e Alemanha.

Um hiato de quarenta anos separa os dois livros; se saltarmos mais 42 anos, que tipo de história poderá contar um romance futurista publicado em 2057? Intelectuais como Oriana Fallaci, Bat Ye'or e Mark Steyn assumiriam a vitória do Islão e a caça aos poucos remanescentes franceses da fé cristã. A minha previsão, no entanto, é praticamente contrária a essa: um relato que assume o fracasso da grande substituição de Camus, imaginando a violenta repressão aos muçulmanos (nas palavras de Claire Berlinski) «libertando os franceses da ofuscação da História europeia» acompanhada pela reafirmação nativista francesa.

Original em inglês: Who Will Write France's Future?

Tradução: Joseph Skilnik





quinta-feira, 21 de julho de 2016


ATENTADO EM NICE


Mas queremos mesmo isto na Europa?





Maria João Marques, Observador, 20 de Julho de 2016

A culpa é dos indivíduos que escolhem matar e violar, bem como da religião e da ideologia que a tal os inspira. Mas têm cúmplices, que os tratam como crianças inimputáveis e ainda dão lições de moral.

É daquelas pessoas que dá palmadinhas compadecidas nas costas do muçulmano que violou a rapariga ocidental de minissaia, afinal veio de uma cultural onde é normal maltratar mulheres, e por cá está desempregado? Acha, como Ana Gomes, que a culpa dos atentados terroristas na Europa é da austeridade? Defende que os pobres diabos, sejam violadores ou terroristas, têm de ser compreendidos, assimilados, receber muito dinheiro dos estados sociais europeus e, sobretudo, desculpados? Considera que os vilões verdadeiros são os que denunciam que os costumes islâmicos são aberrantes, concretamente para a condição feminina, e não podem ser tolerados na Europa? De cada vez que há denúncia de vilanias islâmicas, prefere escrutinar o mensageiro para tentar repudiar a mensagem? Vê como de uma lógica cristalina clamar contra o patriarcado e o heteropatriarcado e, simultaneamente, recusar aceitar que as comunidades islâmicas na Europa têm propensão para violar e brutalizar mulheres, e acumular com defesa de regimes que enforcam ou afogam gays? Repete vinte vezes por dia o mantra «o islão é uma religião de paz»?

Pois bem, é conveniente reconhecer que as pessoas iluminadas que responderam sim a dez por cento destas questões são cúmplices do caldo culpabilizante das vítimas que propicia os crimes dos islâmicos. Duvido que o à vontade criminal fosse tão grande se não notassem a solidariedade dos iluminados. Se não desconfiassem que a sua origem os vai livrar de investigações ou acusações mal um idiota útil grite xenofobia. Se não percebessem que a sociedade europeia se deixa vitimizar.

Vamos rever a matéria. O mais importante religioso muçulmano de Portugal é acusado pela mulher (que aparece com a cara ensanguentada em fotografias – certamente foi contra uma porta, como é costume) de violência doméstica. O que sucede? Os jornais param rapidamente de falar sobre o assunto e o Presidente da República dos afectos escolhe fazer na mesquita do acusado uma cerimónia no início do seu mandato.

Na Suécia, as violações por imigrantes de primeira e segunda geração, sobretudo de origem islâmica, são de tal ordem que o país já é conhecido por «capital de violações do Ocidente». Mas as autoridades escondem tanto quanto podem a origem dos violadores e chegam a culpar as mulheres por serem violadas: é que as desmioladas adoptam comportamentos não tradicionais ao papel do género feminino. Há até uma política sueca de esquerda – Barbro Sorman, em gritante necessidade de transplante cerebral – que defendeu no twitter que uma violação feita por um sueco é mais grave do que outra cometida por um imigrante. Afinal é «normal os refugiados quererem violar mulheres» e que aos suecos se exige que cumpram «standards mais altos que os imigrantes».

Deixemos de lado o tom colonialista deste discurso: são uns selvagens que não cabem nos altos padrões da civilização Ocidental. Iluminemos antes uma política de esquerda de um país europeu que vê como menos grave um imigrante não querer cumprir o articulado legal para crimes violentos do país que o acolhe – e os jornalistas que não incomodem mais os violadores muçulmanos.

Na Alemanha os abusos sexuais na passagem de ano foram abafados tanto quanto se pôde: os números, a origem dos abusadores, a existência dos crimes. No norte de Inglaterra a polícia preferiu conviver com adolescentes abusadas e prostituídas a investigar homens de origem paquistanesa.

Estamos nisto. Os atentados terroristas são culpa de George W. Bush e Tony Blair e Durão Barroso e da invasão do Iraque – esta é a tese desse equívoco parlamentar do PS que se chama Tiago Barbosa Ribeiro. Que França seja particularmente visada pelos terroristas, quando de forma ostensiva criticou e se distanciou e não participou da invasão do Iraque, não atormenta estas almas intelectualmente desafiadas. (Que se lembre que o 11 de Setembro de 2001 venha antes da dita invasão em 2003 também só se pode atribuir a picuinhice de gente islamofóbica da minha extracção.)

As violações e os abusos sexuais são culpa das mulheres, claro, que não se tapam nem facilitam nesta tarefa de permitir aos homens islâmicos lidar com as mulheres na Europa da maneira como estavam acostumados nos países de origem das suas famílias. Não somos acomodatícias e é bem feito que sejamos punidas por isso.

Um muçulmano que batia na mulher mata dezenas com um camião na Promenade des Anglais em Nice. Não teve nada a ver com ser islâmico: o pobre coitado devia sofrer com o patrão e tinha objecção de consciência ao fogo de artifício. Um refugiado afegão de 17 anos mata uns tantos num comboio na Alemanha. Apesar da surpreendente coincidência de ser islâmico (ninguém estava à espera), aposto que não foi religiosamente motivado, devia enjoar quando anda de comboio, ou o maquinista não o deixou visitar a locomotiva ou outra razão semelhante. E já temos um muçulmano (hein? quem diria?) a esfaquear uma mulher e meninas porque estavam com roupa escassa. Mas – novamente – não houve motivações religiosas nenhumas, ora essa, deve ter sido algum caso de bikinifobia.

A culpa, evidentemente, é dos indivíduos que escolhem matar e violar, bem como da religião e da ideologia que a tal os inspira. Mas têm cúmplices, que os tratam como crianças inimputáveis e ainda dão lições de moral. Pessoalmente não estou acima de sugerir a atribuição vitalícia de bolsas compulsivas para estudarem pinguins de Humboldt (nas ilhas de guano) a quem me periga a segurança e os direitos elementares com a apologia do islão na Europa.





quarta-feira, 20 de julho de 2016


O intelectualóide Barreto a baralhar os factos



Heduíno Gomes

António Barreto Publicou no DN (17.7.2016) o artigo Às Armas! a criticar António Costa. Como bom intelectual, aproveita para, na introdução, tecer várias considerações de natureza histórica e política, passando assim perante o comum dos mortais por pessoa sabedora.

O artigo, que pode ser visto na net (http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/antonio-barreto/interior/as-armas-5289285.html ), é um chorrilho de disparates, incoerências e mesmo falsificações da história.

Então a Espanha dos Filipes fez-nos bem?

Então a Inglaterra dos piratas ajudou Portugal?

Então as invasões napoleónicas vieram desenvolver-nos?

Então o comunismo internacional não nos impôs sacrifícios?

Então os eurocratas ajudam-nos no desenvolvimento?

Então os especuladores financeiros mundiais não nos afectam?

Então — e deixo esta para o fim — a América não queria sacar Angola? E será verdade que alguma vez esse facto real foi utilizado por Portugal (anos 60) para justificar alguma estagnação e recuo de Portugal — estagnação e recuo apenas na cabeça de Cunhal e seus ainda hoje pupilos mentais, como Barreto —, aliás num momento em que Portugal era a segunda economia que mais crescia no mundo?


E agora pergunto eu.

Então para criticar a miséria dos políticos que temos — tanto à esquerda como à «direita» — será preciso preceder as críticas de uns tantos disparates, falsificações e idiotices?

Isso mesmo. Disparates, falsificações e idiotices. Como se depreende com a alusão às queixas em relação à América, Barreto não passa de um intelectualóide pouco inteligente demonstrando continuar agarrado à versão de Cunhal sobre Portugal espelhada no /Rumo à Vitória\ (1965). Barreto exprimiu claramente esse seu apego às teses do /Rumo à Vitória\ naquela série para a RTP /Um Retrato Social\, onde revelou também uma grande habilidade de manipulador de estatísticas.

Os intelectuais que dominam os meios de comunicação e fabricam o pensamento dominante não são melhores do que os Costas. Aliás, alimentam-se dos orçamentos dos Costas. Tanto os Costas como essa intelectualidade contribuem para o afundamento de Portugal.






domingo, 17 de julho de 2016


Anarquia no Vaticano

Bergoglio acha que o caos faz bem à Igreja...


As manobras de Bergoglio para destruir a Igreja continuam.

Tudo o que venha dali já não surpreende
absolutamente nada.






quinta-feira, 14 de julho de 2016


Crítica a Amoris laetitia de Bergoglio

por 45 teólogos e filósofos católicos

de todo o mundo


Edward Pentin

O texto em inglês em: http://www.ncregister.com/blog/edward-pentin/catholic-scholars-appeal-to-pope-francis-to-repudiate-errors-in-amoris- laet/#ixzz4EBnp8IyD



O texto em italiano em: http://www.corrispondenzaromana.it/critica-alla-amoris-laetitia-di-45-teologi-e-filosofi-cattolici-di-tutto-il-mondo/


[ Tradução automática: ]

Um grupo de estudiosos católicos, prelados e clérigos enviou um apelo ao Colégio dos Cardeais pedindo que eles petição Papa Francis para «repudiar» o que vêem como «proposições erróneas» constantes no Amoris laetitia.


Em um comunicado divulgado hoje, os 45 signatários do apelo dizem Amoris Laetitia  pós-sinodal do Papa (documento de síntese) sobre o recente Sínodo sobre a Família, que foi publicado em abril contém «uma série de declarações que podem ser entendidas no sentido de que é contrário à fé católica e da moral».

O documento de 13 páginas, traduzido em seis idiomas e enviada ao cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio dos Cardeais, bem como 218 cardeais e patriarcas individuais, cita 19 passagens na exortação que «parecem entrar em conflito com as doutrinas católicas».

Os signatários descritas como prelados católicos, estudiosos, professores, autores e clérigos de várias universidades pontifícias, seminários, faculdades, institutos teológicos, ordens religiosas e dioceses de todo o mundo então ir para a lista «censuras teológicas aplicáveis ​​especificará a natureza e grau dos erros» contidos no Amoris laetitia.

Uma censura teológica é um juízo sobre uma proposição sobre a fé católica ou a moral como contrária à fé ou pelo menos duvidosa.

A declaração diz que aqueles que assinaram o apelo pediram ao Colégio dos Cardeais, na sua qualidade de conselheiros oficiais do Papa, «se aproximar do Santo Padre com um pedido que ele repudiar os erros listados no documento de forma definitiva e final, e afirmar com autoridade que Amoris Laetitia não requer qualquer um deles para ser acreditado, ou considerados como possivelmente verdadeira».

«Nós não estamos acusando o Papa de heresia», disse Joseph Shaw, um dos signatários do apelo que também está atuando como porta-voz para os autores, «mas consideramos que numerosas proposições em Amoris Laetitia pode ser interpretado como herético em cima de uma leitura natural o texto. Declarações adicionais cairia sob outras censuras teológicas estabelecidas, como escandaloso, errônea na fé, e ambígua, entre outros.»

Tal é o clima em grande parte da Igreja de hoje, um dos principais organizadores do recurso disse ao Register que a maioria dos signatários preferem permanecer anônimos publicamente porque «temem represálias, ou eles estão preocupados com repercussões na sua comunidade religiosa, ou se eles têm uma carreira acadêmica e uma família, eles temem que possam perder os seus empregos.»

Entre os problemas que eles citam na exortação, os signatários acreditam Amoris laetitia «mina» o ensinamento da Igreja sobre a admissão aos sacramentos para os católicos divorciados e recasados ​​civilmente. Eles também acreditam que contradiz o ensinamento da Igreja que todos os mandamentos pode ser obedecido, com a graça de Deus, e que certos atos são sempre errado.

Shaw, da Universidade de Oxford acadêmica, disseram os signatários esperam que, «em busca do nosso Santo Padre um repúdio definitivo desses erros, nós podemos ajudar a dissipar a confusão já provocada por Amoris laetitia entre os pastores e os fiéis leigos.»

Que confusão, ele acrescentou, «pode ​​ser dissipado eficazmente apenas por uma afirmação inequívoca do autêntico ensinamento católico pelo Sucessor de Pedro».

Várias interpretações e críticas de Amoris laetitia ter seguido a sua publicação. Em particular, cardeais têm debatido se ou não o documento é magistral.Cardeal Christoph Schönborn, que apresentou o documento em abril, acredita firmemente que é, dizendo La Civilta Cattolica na semana passada que «não há falta de passagens na Exortação que afirmam o seu valor doutrinário fortemente e de forma decisiva.»

Cardeal Raymond Burke, no entanto, acredita que o documento contém passagens que não estejam em conformidade com os ensinamentos da Igreja e é, portanto, não magisterial, algo Papa Francis «deixa claro» no texto.

Na semana passada, o arcebispo Charles Chaput, de Filadélfia emitiu orientações pastorais para a implementação Amoris laetitia em que ele esclareceu passagens na exortação que apareceu ambígua no cuidado pelas almas dos católicos que vivem em situações difíceis ou objetivamente pecaminosas. Dom Chaput fez parte da delegação norte-americana de padres sinodais no Sínodo sobre a Família em outubro passado.

Leia mais em: http://www.ncregister.com/blog/edward-pentin/catholic-scholars-appeal-to-pope-francis-to-repudiate-errors-in-amoris-laet/#ixzz4EKo9iO4t




quarta-feira, 13 de julho de 2016


Jornalista espanhol arrasa

ao defender a selecção das críticas


Javier Martin, jornalista do diário desportivo espanhol As, saiu em defesa da Selecção Nacional, depois das muitas críticas a que a equipa das quinas foi sujeita ao longo deste Europeu. Na sua crónica intitulada de «O normal é que ganhe Portugal», o jornalista espanhol começa por definir os pontos a favor.

«Portugal tem tudo a favor: joga em casa do adversário, com um público contra, um árbitro contra (já o vimos na semifinal) e o ex-chefe da casa de apostas, Platini contra».

Depois realçou os pontos contra, com muitas farpas à prestação francesa neste Europeu.

«Tem também contra toda a crítica desportiva europeia, que vê no futebol da França a quintessência, embora a Roménia os tenha assustado, tal como a Albânia e a Alemanha bailou diante deles, antes e depois de uma grande penalidade suspeita».

De seguida Martin arrasou a crítica francesa e espanhola que se atiraram a Portugal. Em relação aos franceses, Martin recorda Thierry Henry e Jerôme Rothen, que praticamente disseram que os gauleses já venceram. Já os espanhóis, o jornalista ataca-os defendendo que estes mudam de opinião demasiado depressa.

«A crítica francesa está com nojo de Portugal porque, dizem, é aborrecido, certamente arrebatados com o jogo francês nos meinhos nos treinos; Rothen, um medíocre, fala mal de Portugal e o exemplo de desportivismo, Henry – o mão da vergonha –  também subestima Portugal; e o que dizer da crítica espanhola? A Croácia tornou-se a melhor selecção quando venceu a Espanha, mas três dias depois defraudou as expectativas. É que Portugal tinha-os vencido. Transmutação semelhante aconteceu com o País de Gales, da excelência à vulgaridade, segundo os críticos, depois de passar pelo filtro português».

Martin remata com a seguinte frase:

«Os jogadores portugueses não são os melhores, ainda que alguns de segunda linha brilhem na Liga francesa; nem são mediáticos, mas são bons, alguns muito bons e um extraordinário. Com tal desprezo e o pouco que acompanha a sorte dos campeões, é normal que ganhe Portugal».

Veja mais em: http://www.adeptosdebancada.com/nacional/jornalista-espanhol-arrasa-ao-defender-a-selecao-das-criticas/#sthash.1kc1gQn8.dpuf






Carácter português supera

a fragilidade francesa



Portugal e os Portugueses vistos por um estrangeiro, por ocasião da vitória
de Portugal sobre a França na final do Euro 2016.

(Original em inglês)

http://www.politico.eu/blogs/the-linesman/2016/07/portuguese-character-trumps-french-frailty/

. . . . .

(Tradução automática)

Carácter português supera
a fragilidade francesa

Uma equipe tinha a vontade de vencer.
O outro teve apenas je ne sais quoi.

Tunku Varadarajan

CET 7/11/16, 01:04

Actualizada 7/11/16, 14:01 CET

O simplista e superficial será tentado a descartar as finais do Euro 2016 como um final monótono a um torneio monótona e pobre. Eles vão estar faltando uma enorme ponto sobre finais de campeonatos - e cerca de futebol em si.

Portugal derrotou a França por 1-0, e a modéstia do placar obscurece uma infinidade de coisas: drama, fortaleza, pungência, perversidade, resistência e determinação. O que não obscurecer o fato de que esta foi a maior conquista de Portugal como nação desde o dia em que foi admitido na Comunidade Económica Europeia em 1986.

Com todos os pré-match falar deste jogo sendo uma colisão de frente entre as estrelas as duas equipes "- Antoine Griezmann e Cristiano Ronaldo - que era fácil esquecer que o futebol é um jogo de equipa. Um lembrete de que a verdade veio cruelmente aos 25 minutos, quando Ronaldo estava maca para fora do campo.Portugal, você teria pensado, era agora uma equipa órfão. O que seria dos homens deixados no campo, sem o seu jogador da estrela, sua cintilante talismã?

Ronaldo tinha sido ferido no 8º minuto depois de um robusto, mas não extravagante, resolver por Dimitri Payet. Seu joelho dobraram e ele caiu no relvado, provocando uma luta grotesca de vaias dos torcedores franceses. Ele saiu a coxear do campo para o tratamento, então mancou de volta novamente, apenas para diminuir para o relvado mais uma vez. Os fãs franceses repetiu sua erupção de vaias - cacophonic e implacável, uma forma hedionda para tratar um homem ferido; mas o cavalheirismo não é a força de multidões franceses, que poderia aprender uma coisa ou duas a partir de alguns dos fãs que estiveram em seu meio de mais nações desportivas.

Era um paradoxo, mas Portugal cresceu em força com a saída de Ronaldo; e a França, que parecia invencível até aquele momento, parecia ter o ar sugado para fora dela. Era como se a partida de seu maior inimigo tinha deixado sem pistas sobre quem o adversário era agora.

Portugal malha-se em cota de malha; e como o francês disparou suas flechas, eles não conseguiram furar a defesa Português. O heróico Rui Patrício, na baliza, era como um personagem de Os Lusíadas.


O futebol era raramente muito, exceto quando Éder marcou magicamente no minuto 110; e não foi sempre edificante. Em momentos como este, especialmente nos finais de grandes torneios, é melhor não pensar do jogo puramente como o futebol. Pense nisso, em vez disso, como um drama humano mais amplo, um teste de caráter, e de todas as habilidades e artes de sobrevivência e de penetração.

Então eu não acho que de Pepe - Doughty, vilão, desconexo, Pepe histriônica - apenas como um jogador de futebol empacotamento backline de Portugal. Eu o vi como um soldado, um sobrevivente, um repulsor de hordas que avançavam. Eu não acho que de Nani - insatisfatórios, muitas vezes decepcionante Nani - como a frente mais provável para marcar um golo para Portugal; Eu pensava nele como o batedor que forayed profundamente em território inimigo em busca de fendas e caminhos.

O francês entrou em campo, deve-se dizer, com um certo suporte, intitulada, e sentia-se, a meio do jogo, que eles estavam indo para uma punição. Eles desperdiçaram oportunidades em abundância, e Didier Deschamps vai lamentar sua má gestão de Paul Pogba e sua desconfiança de Anthony Martial. Ele também vai lamentar, eu suspeito, a ausência de Karim Benzema, excluído do elenco por razões morais blousy. França perdeu a agitação da Big Benz; França perdeu a sua vanguarda.

O Português, por sua vez, jogou fiel ao tipo nacional e histórico. Deles é uma terra que sempre usou seus escassos recursos com sabedoria, astuciosamente, esticando-os ao máximo grau. Como poderia um pedaço de terra no extremo ocidental da Europa continental construir para si um império de tal magnitude. Há uma dourness de determinação, uma fortaleza defensiva, uma obstinação incansável ao Português que lhes serviu bem no império e os serviu no campo de futebol na noite de domingo.

Este, lembre-se, foi a última potência européia para produzir a independência às suas colónias africanas. Houve uma obstinação para a sua longevidade colonial, assim como houve uma obstinação de seu futebol na noite passada. A bela francesa, com suas habilidades e emoções e seus pavão-jogadores, não poderia quebrar o espírito do Português. A equipe francesa não tem a determinação para uma sucata prolongado. Seu desejo de "ganhar muito" era muito sufocante.

A final será lembrado mais longo em Portugal, onde ele será lembrado por uma eternidade. O resto de nós faria bem para admirar os vencedores para a sua vontade de vencer. Afinal, isso é o que cada equipe veio fazer no Euro 2016.

Será que gosto de cada equipa a jogar futebol a forma como esta equipa Português faz? Certamente não. Mas não gostaríamos cada equipe querer ganhar tão mal como Ronaldo e seu bando de homens fizeram? Eu acho que o que fazemos.Certamente que fazemos.

Reportagem adicional de Satya Varadarajan.

Tunku Varadarajan, contribuindo editor da  POLITICO , está escrevendo a coluna Linesman na Euro 2016.






terça-feira, 5 de julho de 2016


Reparação histórica e omissão histórica



Suzana Toscano 4R — Quarta República, 2 de Julho de 2016

Basta uma simples consulta à Wikipédia ou às inúmeras notícias biográficas de Salgueiro Maia para saber que recebeu, em 1983, a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, e, a título póstumo, o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, em 1992.

A Ordem da Liberdade é uma Ordem honorífica portuguesa, que se destina a distinguir serviços relevantes prestados em defesa dos valores da Civilização, em prol da dignificação do Homem e à causa da Liberdade.

A Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito é a mais elevada ordem honorífica de Portugal. Foi-lhe agora conferida nova distinção, desta vez a Grã Cruz da Ordem do Infante, a qual visa reconhecer a prestação de serviços relevantes a Portugal, no País ou no estrangeiro, ou serviços na expansão da cultura portuguesa, da sua História e dos seus valores.

Entre as muitas e certamente atendíveis razões que podiam justificar este novo agraciamento foi, no entanto, destacada a da necessidade de «reparação histórica» sem qualquer referência às condecorações anteriores, — incluindo na comunicação social — como se cada gesto de renovação de reconhecimento só tivesse brilho se ofuscasse os critérios e homenagens até agora decididas.

A omissão histórica a exigir reparação, a bem da verdade histórica.

Manuel Gomes da Costa
José Mendes Cabeçadas
António Óscar Carmona

















segunda-feira, 4 de julho de 2016


Mistérios das primeiras cartas náuticas

revelados em Lisboa


«Carta Pisana» (século XIII),o mais antigo portulano conhecido, feito num pergaminho.
Os portulanos eram cartas náuticas baseadas nas direcções dadas pelas bússolas
e nas distâncias estimadas pelos pilotos no mar
.

Biblioteca Nacional de França

Maiores especialistas mundiais divulgam descobertas sobre os primeiros mapas de navegação desenhados na Idade Média com base em observações dos homens do mar.


Virgílio Azevedo, Expresso, 2 de Julho de 2016
Jornalista da secção de Sociedade desde 2007. Licenciado em Economia pelo ISEG (Universidade de Lisboa), iniciou a carreira no Expresso em 1982, tendo sido editor das secções de Economia (durante 14 anos) e Europa (durante 4 anos). Coautor do livro «Nuclear: o debate sobre o novo modelo energético em Portugal» (2006, Centro Atlântico).

Emergiram de repente no final do século XIII na região do Mediterrâneo e mostram uma precisão sem precedentes, quando comparados com os mapas actuais. Chamam-se portulanos, termo que tem origem no adjectivo italiano portolano, que significa «relativo a portos» ou «colecção de direcções de navegação». São as primeiras cartas náuticas objectivas, baseadas nas direcções dadas pelas bússolas e nas distâncias estimadas observadas pelos pilotos e marinheiros, e não na imaginação e no simbolismo dos eruditos medievais.

Mas há um mistério que continua por resolver: a sua origem. Foi este o tema que juntou recentemente no Museu da Marinha, em Lisboa, pela primeira vez no mundo, quase todos os maiores especialistas internacionais em cartografia medieval. Joaquim Alves Gaspar, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e um dos organizadores do encontro, sublinha que «o advento dos portulanos tem sido considerado um ponto de viragem maior, não só na História da Cartografia mas também na História da Civilização em geral». Contudo, «pouco se sabe sobre a génese destes espantosos documentos, que têm sido objecto de centenas de estudos desde o século XIX».

No encontro em Lisboa, Ramon Pujades, director de investigação do Museu de História de Barcelona, defendeu que a cartografia náutica medieval nasceu na cidade de Génova (Itália). E que foi a partir deste porto mediterrânico «que se difundiram os padrões cartográficos dos portulanos e a técnica de reprodução destas cartas náuticas, desenvolvida por artesãos profissionais em ateliês especializados não apenas na sua reprodução como no seu marketing». Foi por isso «que os portulanos se tornaram relativamente baratos, muito difundidos por várias camadas sociais e tecnicamente homogéneos no século XIV». E surgiram certamente para apoiar o comércio marítimo.

A famosa «Carta Pisana» do Mediterrâneo (na foto) é considerada o portulano conhecido mais antigo, mas não se sabe ao certo a data em que foi desenhada nem o seu autor. Encontrada na cidade de Pisa (Itália), está guardada na Biblioteca Nacional de França, em Paris, e foi recentemente analisada por uma equipa liderada por Catherine Hofmann, investigadora do departamento de mapas da biblioteca, que também esteve no Museu da Marinha em Lisboa.

Datação por Carbono-14

Pela primeira vez foi feita a datação por Carbono-14 da carta náutica, porque está desenhada num pergaminho, material orgânico feito de pele de ovino (cabra, carneiro ou ovelha). A datação por Carbono-14 é um método radiométrico de determinação da idade de objectos que contenham carbono, como o pergaminho. Por outro lado, as tintas de cor verde e vermelha da «Carta Pisana» foram estudadas por microscópio electrónico de varrimento e por raios-X fluorescentes. As conclusões destas análises são paradoxais. O ovino de onde foi extraída a pele terá morrido por volta de 1245, «mas por razões historiográficas não pode ser este ano, porque há uma cidade assinalada na carta, Palamós (Espanha), que não existia nessa altura», argumenta Joaquim Alves Gaspar. E existem outras contradições na toponímia, tanto em Espanha como nas repúblicas italianas, que não batem certo com a datação por Carbono-14. Ramon Pujades admite, por isso, que a «Carta Pisana» tenha sido desenhada sobre um velho pergaminho já usado, o que quer dizer «que as datações do pergaminho e do mapa não podem ser identificadas».

Dois estudos dominam o debate. O primeiro foi feito em 1987 pelo historiador inglês Tony Campbell, investigador e director do Imago Mundi — Jornal Internacional de História da Cartografia. O segundo foi realizado em 2007 por Ramon Pujades. «Há diferenças de opinião entre os cientistas que usam a análise matemática para tentarem identificar a metodologia que está na base da construção destas cartas», explica Tony Campbell.

«E entre os historiadores há igualmente diferentes teorias», acrescenta Campbell. A sua teoria «é baseada na análise comparativa pormenorizada das cartas mais antigas, combinada com a lógica e a analogia». Por exemplo, «comparando um possível mapa mental do Mediterrâneo com o que hoje sabem de cor os taxistas de Londres» sobre o mapa desta grande metrópole. Os portulanos eram, assim, cartas primitivas «que certamente introduziram inovações na cartografia, mas não são matematicamente precisas ou desenhadas com base em princípios científicos». Enfim, são antepassados longínquos da cartografia moderna.

Luís Teixeira: A descoberta do magnetismo da Terra

Cerca de 300 anos depois, com a descoberta do magnetismo terrestre pelos portugueses, tudo mudou na navegação no Mediterrâneo e nos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. Poucos dias antes do encontro do Museu da Marinha, Joaquim Gaspar e Henrique Leitão revelavam num simpósio internacional na Biblioteca Nacional que a carta náutica mais antiga conhecida com linhas isogónicas — formadas por pontos na superfície da Terra com a mesma declinação magnética (diferença em graus entre o norte magnético e o norte geográfico) — teria sido feita pelo cartógrafo português Luís Teixeira, entre 1572 e 1594.

A carta, guardada no Museu da Marinha, representa a margem oriental do Pacífico (Filipinas, Nova Guiné, Ilhas Salomão) e segundo os dois historiadores de ciência da FCUL, «a comparação com os modelos geomagnéticos modernos revela uma significativa aproximação à distribuição espacial da declinação magnética naquela região nas últimas décadas do século XVI», o que significa que «os valores observados pelos pilotos no mar eram usados para calcular as linhas isogónicas». No simpósio, defenderam que este tipo de representação cartográfica «era um sinal da sistemática acumulação de dados feita pelos pilotos portugueses no século XVI, com o objectivo de melhorar a eficácia das técnicas de navegação», ou seja, «de encontrar um método alternativo para determinar a posição de um navio no mar».