quinta-feira, 26 de março de 2015


Bergoglio assinala o 8 de Março


Heduíno Gomes

Assinalando o «Dia Internacional da Mulher» (8 de Março), fomentado pela comunista feminista Clara Zetkin, Bergoglio produziu declarações na onda da ideologia feminista dominante. As suas palavras – insinuantes, «inatacáveis» mas venenosas, como de costume – afastam-se nitidamente da ideia cristã da família e do papel da mulher na família e na sociedade, já bem explicada por todos os papas, destacando-se Pio XI sobre a matéria [ver a Encíclica Casti connubii  (31 de Dezembro de 1930), sobre o matrimónio cristão].

Mais uma para a conta de Bergoglio, a lançar achas para a fogueira onde arde a família e a Civilização cristã.








segunda-feira, 23 de março de 2015

Conferência: Colombo ou Colon?

[Clique na imagem para visualizar o convite]

domingo, 22 de março de 2015


Demagogia simplesmente de merda

do Cavaco de saias


L. Lemos

Para quem não sabe, Manuela Ferreira Leite é bisneta e neta de maçons, sendo o bisavô um dos que desgraçaram as finanças de Portugal no fim do século XIX e princípio do século XX.

Desgraçar as finanças de Portugal já lhe está na massa do sangue. Pois não terá sido o Cavaco de saias, durante o cavaquismo, um dos responsáveis pela delapidação dos fundos europeus e pela destruição da nossa agricultura e das nossas pescas?

Entretanto, o Cavaco de saias é uma dessas «figuras» banqueteadas pelo sistema.

Como agora lhe foram o bolso, na sua reforma dourada (dada a crise por que passamos, da responsabilidade do Sócrates, Guterres mas também da sua trupe cavaquista), a mulher aproveita todos os tempos de antena não para criticar com razão o que há a criticar no actual governo mas para se vingar. Isso já não é bonito nem honesto. E não terá ela própria sido uma vampira fiscal, que até criou esse imposto monstruoso chamado PEC (Pagamento Especial por Conta)?

Mas, pior, esse mono do cavaquismo, a propósito dos cofres do Estado cheios, vem trazer à baila a política financeira do Estado Novo, estabelecendo paralelos idiotas, mentindo descaradamente em matéria que tem a obrigação de conhecer, num exercício de demagogia inultrapassável. Conscientemente, claro, e não como qualquer intoxicado pela propaganda abrilista sobre a história de Portugal do século XX.

Simples demagogia de merda. Com todas as letras.






sábado, 21 de março de 2015


A vergonha do presbiterianismo americano



Após três décadas de debate, os membros do colégio da Igreja presbiteriana dos EUA decidiram nesta terça-feira 17 de Março de 2015, mudar a definição de matrimónio na constituição da Igreja presbiteriana para incluir o casamento homossexual, informou o jornal «The New York Times».

Pastora lésbica ministrando culto comprova o fim do presbiterianismo
do falso reformador e herege 
John Knox.
Com a mudança nos documentos da Igreja presbiteriana, o casamento deixa de ser «entre um homem e uma mulher» para passar a ser «entre duas pessoas, tradicionalmente um homem e uma mulher».

A modificação, aprovada pela maioria das 171 subsecções regionais, já havia sido recomendada no ano passado [Igreja presbiteriana dos EUA autoriza os pastores a celebrar casamento gay] pela assembleia-geral dos presbiterianos.

«Finalmente a Igreja presbiteriana, nos seus documentos constitucionais, reconhece plenamente que o amor de gays e lésbicas é digno de ser celebrado pela comunidade da fé», disse o reverendo Brian Ellison, director da Rede Aliança de Presbiterianos, que defende a inclusão gay na Igreja presbiteriana.

«Ainda há desacordo, e eu não quero minimizar isso, mas acho que estamos aprendendo que é possível discordar e continuar juntos», acrescentou Ellison.

Com cerca de 1,8 milhões de fiéis nos EUA, a Igreja presbiteriana é a maior das denominações presbiterianas do país, mas perdeu adeptos nos últimos anos, à medida que adoptou posições teológicas consideradas mais à esquerda. Houve uma onda de defecções a partir de 2011, quando a instituição autorizou a ordenação de homossexuais como pastores.

A saída de presbiterianos mais conservadores e as mudanças culturais no país, com maior aceitação dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, facilitaram a aprovação das mudanças desta terça-feira, avalia «The New York Times».





sexta-feira, 20 de março de 2015


A chamada «capacidade de comunicação»

de Bergoglio


Heduíno Gomes

Há quem chame às habilidades de Bergoglio «capacidade de  comunicação».

Mas desde quando é que se pode chamar capacidade de comunicação à descida do nível doutrinal para o nível e colagem ao politicamente correcto?

É que a boa comunicação terá de encerrar o bom conteúdo! Porque capacidade de comunicação também Hitler tinha...

Desde quando é que se pode chamar capacidade de comunicação ao atropelo da doutrina cristã para agradar ao mundo?

João Paulo II não teria uma grande capacidade de comunicação? E quem era ele para não julgar?

Eis a diferença...

Indiscutível capacidade de comunicação.
Para o bem ou para o mal?






Vaticano aprova uso da força

contra o Estado Islâmico

Mas poder-se-á bombardear?...


Heduíno Gomes

Segundo a Rádio Renascença, «o embaixador do Vaticano nas Nações Unidas aprova uma acção militar contra o movimento Estado Islâmico no Iraque e na Síria, uma posição invulgar, uma vez que, tradicionalmente, o Vaticano opõe-se ao uso da força.»

Bergoglio já tinha dito que era preciso «Travar o Estado Islâmico» mas que não estava a dizer para bombardear.

Será que afinal se pode bombardear?

Ora bem, vamos lá definir os meios e acções e entregar a lista ao estado-maior general...






quinta-feira, 19 de março de 2015


O bonzinho João Carlos Espada:

Os europeus são mesmo muito maus!...


Heduíno Gomes

O liberalzinho João Carlos Espada chegou à conclusão de que o mundo é muito mau.

Escreve ele no Público (16.3.2015):

«Enquanto o discurso da esquerda continua a investir contra a ‘direita neoliberal’, uma velha direita autoritária, antiliberal e xenófoba reemerge paulatinamente em vários países europeus.»

Aqui, o bonzinho do senhor Espada diz tudo ou quase tudo.

1. A esquerda não deveria investir contra o neoliberalismo. Muito tolerantemente, deveria aceitá-lo.

2. A opor-se ao liberalismo, à direita, seria apenas da parte de «uma velha direita autoritária, antiliberal e xenófoba», e de mais ninguém. És de direita e não és liberal, levas logo com o carimbo de «uma velha direita autoritária» e«xenófoba». (Uns anátemas a que se habituou no seu tempo de UDP)

3. Como é que esses tais católicos seus amiguinhos, que andam com ele ao colo, nomeadamente na Universidade Católica, e que são supostamente – porque oficialmente – antiliberais,  se acharão perante a referida rotulagem?

4. Prosseguindo, no mesmo artigo, o senhor Espada insurge-se contra aquilo a que chama «xenofobia» e, ao mesmo tempo, contra o multiculturalismo. Ele acha que o multiculturalismo  tem de ser «bem interpretado», isto é, com a sua prolixa subjectividade e liberal relativismo. Tá visto: o senhor Espada, que dantes estava «sempre, sempre, ao lado do povo», quer agora estar bem com Deus e com o diabo.

5. E o pior é que os europeus estão a pender para a tal «velha direita autoritária» e «xenófoba». O liberalzinho João Carlos Espada está assustado porque o mundo é muito mau. E sabe o liberalzinho João Carlos Espada porque estão os europeus a pender para a tal «velha direita autoritária» e«xenófoba»? Porque a esquerda é uma fraude. Porque o liberalismo é uma fraude. Porque o multiculturalismo, mesmo «bem interpretado», é uma fraude. Porque o academismo é outra fraude.

6. A conclusão é que ao prolixo senhor Espada falta uma bússola. Hoje como ontem.

Atenção!

O senhor Espada é professor de ciência política!

Mais, numa universidade católica!







terça-feira, 17 de março de 2015

Boletim nº 2 da Associação Cristovão Colon

[Clique na imagem para visualizar o documento]

quinta-feira, 12 de março de 2015

terça-feira, 10 de março de 2015


Há lugar para gente normal na política?


Helena Matos, Observador, 8 de Março de 2015

Que os partidos tenham à sua frente «gente normal» parece-me bem mais tranquilizador do que aqueles momentos em que estão entregues a pessoas que pairam acima das circunstâncias prosaicas da vida.

Conta-se, não sei se com fundamento ou sem ele, que a vida política de Cavaco Silva esteve para acabar quando a sua mulher percebeu que um jornalista andara a fazer perguntas aos operários de uma pequena obra que decorria na casa do então primeiro-ministro. Aquilo a que estamos agora a assistir é à aplicação aos actuais líderes do PSD e do PS do escrutínio dos detalhes do quotidiano a que até agora praticamente só se sujeitara de forma tão sistemática Cavaco Silva.

Enquanto escrevo, as dívidas de Passos Coelho à Segurança Social fazem manchete. Entretanto no blogue Portugal Profundo publica-se uma investigação sobre o local de residência de António Costa em 2013 e 2014. Mais ou menos em simultâneo assistimos também ao ressuscitar dos problemas do apuramento dos montantes de contribuição autárquica pagos por Costa no século passado e a uma onda de indignação com o facto de Passos ter sido alvo de processos de execução fiscal.

Lendo e ouvindo as notícias sobres estes casos (e presumo que nas próximas semanas outros surgirão a um ritmo pendular) deparo com incumprimentos, imprevidência e naturalmente com o reverso do mundo kafkiano constituído pela nossa administração – ou seja aquele volúvel «vamos a um suponhamos» na hora de calcular os montantes de IMI e segurança social e em que mesmo depois de tudo pago parece que continuamos sempre em falta – mas não encontro tentativa alguma de usar em benefício próprio o poder que se deteve ou detém. E aqui chego à dúvida que dá título a este texto: há lugar para gente normal na política? Ou seja, gente com família, flutuações nos rendimentos, documentos mal preenchidos, multas…? Não sei, e é aí que para mim está parte da questão.

Na política, como em tudo, as pessoas com vidas perfeitas causam-me grandes reservas. Em primeiro lugar porque para se ter uma vida perfeita do ponto de vista político é cada vez mais necessário ter sido sempre funcionário público (ou do partido), de preferência com direito a um serviço de secretariado, para culpar pelos eventuais erros e atrasos, e motorista a quem imputar os excessos de velocidade e estacionamentos em locais indevidos. Ora essa vida perfeita é de temer num político: coisas tão corriqueiras quanto o sistema para pagamento das SCUTS ou as inúmeras obrigações fiscais e administrativas a que estão sujeitos empresas e cidadãos só podem ter saído da cabeça de quem está de má fé ou de quem vive no universo protegido e artificial que se sustenta do Estado e a quem tudo parece legítimo na hora de lhe arranjar mais sustento e poder.

Quem vive fora desse casulo estatal confronta-se com os tectos para os recibos verdes, os meandros dos actos únicos, as facturas de que teve de pagar IVA mas que nunca lhe foram pagas, as multas porque não entregou a tempo o anexo X do modelo Z ou trocou o PEC com o PPC, a saber Pagamento Especial por Conta e Pagamento por Conta, duas denominações que só fazem sentido para o seu criador… Caso o político em causa tenha sido empresário a possibilidade de aparecer um papelinho entregue fora de prazo aumenta exponencialmente. A transformação da classe política numa espécie de casta superior dos quadros do universo Estado, quando não numa promoção para quadros partidários, não é alheia a esta quase impossibilidade técnica de quem está fora do casulo passar no escrutínio.

Em segundo lugar a perfeição causa-me dúvidas porque frequentemente não passa de uma ficção e uma ficção criada por quem tem poder para seu próprio benefício. Querem que recorde a perfeição mais que perfeita encarnada por Ricardo Salgado? E o curriculum ganhador de Sócrates? E já esqueceram a bajulação de que estes homens foram alvo por gente que andava de dedo em riste a acusar os outros? Em geral os maiores problemas escondem-se atrás das maiores perfeições. Mais perverso ainda, o problema dos perfeitos é que ao serem descobertas as suas imperfeições, para não lhes chamar outra coisa, continuam a manter contra a evidência dos factos, as suas narrativas perfeitas de vidas perfeitas e de decisões perfeitas. Não é por acaso que ouvir Bava e Ricardo Salgado na AR ou ler as declarações indignadas de Sócrates com a situação fiscal de Passos Coelho nos põe simultaneamente entre o riso e o choro. Afinal já não se trata de mentir ou falar verdade mas sim de manter para lá do razoável uma narrativa de que já sobra apenas aquele patético protagonista.

Que os partidos tenham à sua frente «gente normal» parece-me bem mais tranquilizador do que aqueles momentos em que estão entregues a pessoas que pairam acima das circunstâncias prosaicas da vida. Mas não se pode também subestimar a vulnerabilidade que tal representa face aos corruptos – que imediatamente nivelam tudo pelo seu nível, invariavelmente baixo – e aos radicais. O radicalismo cresce também porque os radicais conseguem alimentar no eleitorado a ideia de que todos, à excepção deles, são corruptos.

Não sei se ainda vamos a tempo mas parece-me essencial que nesta campanha eleitoral que já anda por aí se recupere a normalidade, ou seja, que líderes normais discutam os problemas das pessoas normais. O culto da excepcionalidade arrebata muita gente mas é meio caminho andado para o desastre.





segunda-feira, 2 de março de 2015


A família Salgado na Câmara de Lisboa

O arquitecto Manuel Salgado, vereador da CML com o pelouro do urbanismo, autorizou a demolição do quartel de bombeiros mais moderno de Lisboa (em Benfica, ao lado do Colombo, de paredes meias com o Hospital da Luz (BES), pois este hospital pretende expandir a sua área.

Este quartel custou há poucos anos cerca de 12 milhões de euros.

Agora aqui vai o melhor.

1. O arquitecto Manuel Salgado, vereador da Câmara de Lisboa, é autor do projecto de expansão do Hospital da Luz;

2. O arquitecto Manuel Salgado é primo direito do Ricardo Espírito Santo Salgado.

E esta?...

Este mundo é realmente uma aldeia não acham?






















sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015


Acabou-se o «conto de crianças»


Maria de Fátima Bonifácio

(extractos)

Em poucos dias desmoronou-se aquilo a que Passos Coelho chamou, com toda a propriedade, «um conto de crianças». Não sei porquê, a expressão causou por aí muita indignação e suscitou manifestações de um pudor institucional inusitado: em suma, não era digna de um Estadista. A deslocada sobranceria de Passos não oferecia mistério: era apenas um torpe subterfúgio para ofuscar a cobardia do próprio governo, que como um servo obediente e agradecido sacrificara desnecessariamente Portugal ao diktat da pérfida Alemanha. O Syrisa daria ao Mundo o exemplo de como se arrasa um «tigre de papel». Passos que olhasse e cobrisse a cara de vergonha.

Durante duas semanas, nós todos olhámos, lemos, ouvimos. Ao que assistimos foi a um espectáculo de arrogância provocadora, seguido, no dia 20 de Fevereiro, de uma sumária capitulação. Ninguém a resumiu melhor do que Manolis Glezos, o lendário patriarca do Syrisa: «Rebaptizar a troika de 'instituições', o memorando de entendimento de 'acordo' e os credores de 'parceiros', em nada altera a situação prévia, tal como trocando o nome de carne pelo de peixe.» O venerando eurodeputado pelo Syrisa declarou que as concessões já feitas tinham passado além dos limites, pois que nem se obtivera a «remoção da austeridade», nem «a abolição da troika e respectivas consequências». Dito isto, pediu desculpa ao povo grego por ter contribuído para a sua «ilusão».

(...)

O problema do Syrisa, e da dupla Tsipras/Varoufakis em particular, é que a maioria dos que votaram neles não são revolucionários. Mais de 70% dos gregos pronunciaram-se repetidamente a favor da permanência no Euro, que lhes proporcionou desafogo, benesses e lazer como nunca tinham gozado. Acreditaram no «conto de crianças» com que Tsipras deliberadamente os enganou a fim de conquistar o poder. Fê-lo convencido, talvez, de que na época pós-modernista (e, portanto, pós-marxista), quando a classe operária ou desapareceu ou se aburguesou e o consumismo se converteu na única paixão universal, a revolução teria de ser feita à revelia do «povo», cuja única e provisória utilidade reside nos votos que concede a troco de promessas falsas e até delirantes.

(...)

Varoufakis, depois das provocações e fanfarronadas iniciais, percebeu que se defrontava com outros 17 países que nem se impressionaram com a sua premeditada informalidade, nem se amedrontaram com a sua variegada chantagem, nem estavam dispostos a contemporizar com as extravagantes e exorbitantes exigências de Atenas (...) As exigências mais lunáticas caíram ainda antes do início das negociações, como simplesmente «não pagar» (lembram-se ?), ou no mínimo mais um perdão parcial da dívida, a pura e simples eliminação da troika, o encerramento do programa de resgate em curso sem prévia avaliação e aprovação pelas «Instituições», e o incondicional «empréstimo-ponte», para aliviar o garrote financeiro e dar tempo a que o governo se orientasse.

À segunda reunião do Eurogrupo, no dia 20, tudo caiu por terra, permitindo que Schäuble tranquilizasse por carta o Bundestag: «A Grécia compromete-se a colaborar com a União Europeia, com o Banco Central Europeu e com o FMI», nomeadamente «nas reformas estruturais que promovam o crescimento económico e a criação de emprego.» Mais: a Grécia «Não poderá implementar unilateralmente qualquer medida que ponha em risco as metas orçamentais definidas, a estabilidade financeira do país e a recuperação económica».

(...)

Sobra a triste figura que nisto tudo fez, e continua a fazer, a esquerda radical portuguesa. Com o seu habitual coração de ouro, acusou o governo e a direita de falta de solidariedade para com a Grécia. Mas que razões tínhamos nós para ser «solidários» em vez de simplesmente colaborantes, como fomos, numa solução consensual que viesse a encontrar-se ? (...)

(...)

O que fez a Grécia que justificasse o tratamento especial que exigia ? Quanto à solidariedade que lhe devemos, estamos conversados: em Março de 1985, a Grécia pura e simplesmente vetou a adesão de Portugal à CEE, com receio da concorrência que o nosso País lhe pudesse fazer na repartição dos dinheiros europeus. E apenas retirou o veto quando obteve de Bruxelas um financiamento adicional ao abrigo dos «Programas Integrados do Mediterrâneo», como aliás já reclamara desde o ano anterior. Ou seja: Bruxelas teve, literalmente, de comprar à Grécia a adesão de Portugal !

Mas isto são rancores meus. A esquerda radical, com a vasta generosidade e elevação de espírito que a caracterizam, aclamou, como tanto lhe convinha, a vitória do Syrisa, em que via o prenúncio do seu próprio sucesso. (...)





quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015


Cristo crucificado, escândalo para

os muçulmanos e loucura para os laicistas...


Roberto de Mattei

Marcher contre la Terreur (Marchar contra o Terror) [foto], foi o título com o qual o «Le Monde», o «Corriere della Sera» e os grandes jornais ocidentais apresentaram o enorme desfile laicista de 11 de Janeiro. Nunca um slogan foi mais hipócrita do que este, imposto pelos meios de comunicação maciça como reacção ao massacre ocorrido em Paris a 7 de Janeiro.


Com efeito, que sentido faz falar de «terror» sem adicionar a este substantivo o adjectivo «islâmico»? O ataque à redacção de «Charlie Hebdo» foi perpetrado sob o grito de «Allah akbar!» para vingar Maomé ofendido pelas caricaturas, mas com uma visão bem definida do que estava por detrás das Kalashnikov terroristas: a visão muçulmana do mundo.

Só agora os serviços secretos ocidentais começam a levar a sério as ameaças de Abu Muhammad al-Adnani [foto], contidas num comunicado multilingue difundido em 21 de Setembro de 2014 pelo diário online «The Long War Journal»:

«Conquistaremos Roma, espezinharemos as suas cruzes, faremos escravas as suas mulheres com a permissão de Alá, o Altíssimo», declarou aos seus sequazes o porta-voz do «Estado Islâmico», que não se limitou a repetir que exterminará os «infiéis» onde quer que eles estiverem, mas que revelou também o modo pelo qual o fará:


«Colocai explosivos nas suas estradas. Atacai as suas bases, irrompei nas suas casas. Cortai-lhes as cabeças. Que eles não se sintam seguros em lugar algum! Se não conseguirdes arranjar explosivos ou munições, isolai os infiéis americanos, franceses ou os seus aliados, sejam eles quem forem. Esmagai os seus crânios a golpes de pedra, matai-os à facada, atropelai-os com os vossos carros, atirai-os aos precipícios, sufocai-os
ou envenenai-os».

Ilude-se quem pensa que a guerra actual não é a que declarou o Islão ao Ocidente, mas apenas uma guerra travada dentro do mundo muçulmano, e que a única salvação consiste em ajudar o Islão moderado a derrotar o Islão fundamentalista, como escreveu o observador Sergio Romano no «Corriere della Sera» de 11 de Janeiro, apesar de ser considerado pessoa inteligente.

Na França, o slogan mais repetido é o de evitar a «amálgama», ou seja, a identificação do Islão moderado com o radical. Mas o fim comum a todo o Islão é a conquista do Ocidente e do mundo. Quem não partilhar esse objectivo não é um moderado, simplesmente não é um bom muçulmano. As divergências, quando existem, não dizem respeito ao fim, mas ao meio: os muçulmanos da Al Qaeda e do Estado Islâmico abraçaram a via leninista da acção violenta, enquanto a Irmandade Muçulmana utiliza a arma gramsciana (*) da hegemonia intelectual. As mesquitas são o centro de dinamização da guerra cultural, que Bat Ye’or define como soft-jihad, enquanto que pelo termo hard-jihad ele define a acção militar para aterrorizar e aniquilar o inimigo. Pode discutir-se, e certamente discute-se dentro do Islão, sobre a escolha dos meios, mas há unanimidade quanto ao objectivo final: a disseminação da Sharia (a lei corânica) pelo mundo.

O Islão é em qualquer caso um substantivo verbal que se pode traduzir como «submissão». A submissão para evitar o Terror, que é o cenário do futuro europeu imaginado pelo romancista Michel Houellebecq no seu último livro [«Soumission», foto] apressadamente retirado das livrarias francesas. Não ao Terror significa, para os nossos políticos, não à submissão violenta dos jihadistas e sim a uma submissão pacífica, que conduz suavemente o Ocidente a uma condição de inferioridade.


O Ocidente diz-se disposto a aceitar um Islão com «face humana», embora na realidade o que ele rejeita no Islão não seja apenas a violência, mas também o seu absolutismo religioso. No entanto, existe no Ocidente uma licença para matar, não em nome de valores absolutos, mas em nome do relativismo moral. Por isso, o aborto é praticado de forma sistemática em todos os países ocidentais, sem que tenha sido condenado por nenhum dos Chefes de Estado que participaram em Paris na marcha contra o Terror. Com efeito, o que é o aborto senão a legalização do Terror, do Terror promovido, encorajado e justificado pelo Estado? Então que direito têm os líderes ocidentais de se manifestarem contra o Terror?

No jornal «La Repubblica» de 13 de Janeiro de 2015, enquanto Adriano Sofri, ex-chefe da Lotta Continua (**) celebra a Europa que renasce sob a Bastilha (***), a filósofa pós-moderna Julia Kristeva (de quem o cardeal Ravasi é simpatizante), afirma que «a praça Iluminista salvou a Europa» e que «diante dos riscos que corriam, a liberdade, a igualdade e a fraternidade deixaram de ser conceitos abstractos para se encarnarem em milhões de pessoas».

Mas quem inventou o Terror senão a França republicana, que o utilizou para esmagar toda a oposição à Revolução Francesa? A ideologia e a prática do terrorismo apareceram pela primeira vez na História com a Revolução Francesa, sobretudo a partir de 5 de Setembro de 1793, quando o «Terror» foi colocado na ordem do dia pela Convenção e se tornou parte essencial do sistema revolucionário. O primeiro genocídio da História [o da Vandeia], foi perpetrado em nome dos ideais republicanos da liberdade, igualdade e fraternidade. O comunismo, que pretendeu completar o processo de secularização inaugurado pela Revolução Francesa, levou a aplicação do Terror à escala planetária, causando mais de 200 milhões de mortes em menos de 70 anos. E o que é o terrorismo islâmico senão uma contaminação da «filosofia do Corão» com a prática marxista-iluminista importada do Ocidente?

Desde a sua fundação, «Charlie Hebdo» é um jornal em que a sátira foi posta ao serviço de uma filosofia de vida libertária, cujas raízes provêm do Iluminismo anti-cristão. O jornal satírico francês tornou-se famoso pelas suas caricaturas de Maomé, mas não se devem esquecer as suas repugnantes caricaturas blasfemas publicadas em 2012 para reivindicar as uniões homossexuais. Os editores de «Charlie Hebdo» podem ser considerados a expressão extrema mas coerente da cultura relativista difundida agora em todo o Ocidente, assim como os terroristas que os assassinaram podem ser considerados a expressão extrema mas coerente do ódio que tem o vasto mundo islâmico contra o Ocidente.

Aqueles que afirmam a existência de uma Verdade absoluta e objectiva são equiparados pelos neo-iluministas aos fundamentalistas islâmicos. No entanto, é o relativismo que se equipara ao islamismo, porque ambos estão unidos pelo fanatismo. O fanatismo não é a afirmação da verdade, mas o desequilíbrio intelectual e emotivo que nasce do distanciamento da verdade. E só há uma Verdade em que o mundo pode encontrar a paz, ou seja, a tranquilidade na ordem: Jesus Cristo, Filho de Deus, em função de Quem todas as coisas devem ser ordenadas no Céu e na Terra, para que se alcance a paz de Cristo no Reino de Cristo. Este deve ser o ideal de todo o cristão, conforme ensinou o Papa Pio XI na sua encíclica Quas Primas de 11 de Dezembro de 1925.

Não se pode combater o Islão em nome do Iluminismo e menos ainda em nome do relativismo. Contra ele, só se pode opor a lei natural e divina, ao mesmo tempo negada pelas raízes do relativismo e do Islão. É por isso que devemos erguer esse Crucifixo que o secularismo e o islamismo rejeitam, fazendo dele a nossa bandeira de vida e de acção. Dizia São Paulo que «Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios» (I Cor 1, 23). Tal como o Apóstolo, poderíamos nós agora dizer: «Pregamos Cristo crucificado, escândalo para os muçulmanos e loucura para os laicistas».


(*) Métodos propostos pelo comunista Antonio Gramsci, conforme explicado no nosso artigo «A «educação sexual» e a nova perseguição «democrática», ateia e psiquiátrica»

(**) Lotta Continua (Luta Contínua) é um movimento maoista de Turim, da qual uma facção se juntou às organizações terroristas.

(***) Bastilha: Fortaleza que os republicanos franceses de 1789 consideravam um «baluarte do regime» para encarcerar opositores políticos, mas que na realidade só tinha oito prisioneiros que não eram políticos e nem sequer eram maltratados. A sua «libertação» a 14 de Julho do mesmo ano, tornou-se demagogicamente um importante feriado nacional na França, mais ou menos como o 25 de Abril foi impingido a Portugal.

Fonte: 
Correspondance Européenne, 20-01-2015





terça-feira, 17 de fevereiro de 2015


Cientistas demonstram que o Sudário de Oviedo

tem a mesma origem

que o Santo Sudário de Turim




Marta Jiménez

A equipa de pesquisa do Centro Espanhol de Sindonologia (EDICES), em colaboração com a Universidade Católica de Murcia (UCAM), confirmaram que o Sudário de Oviedo, o pedaço de pano que envolveu a cabeça de Jesus Cristo depois da sua Paixão, contém o mesmo tipo de pólen que o Sudário de Turim, o pano que cobriu o corpo do Senhor.

O pólen chegou até aos nossos dias preso a um coágulo de sangue e provém da espécie Helicrysum, utilizada nos unguentos para envolver os cadáveres dos sepulcros judeus durante o século I da era cristã.

Alfonso Sánchez Hermosillo, director do EDICES, explicou que «este tipo de pólen tinha um preço mais elevado do que o ouro e demonstra que o cadáver recebeu o tratamento que teria recebido uma pessoa muito influente e poderosa. Segundo os Evangelhos, utilizou-se uma quantidade importante e valiosa de mirra e óleos para envolver o corpo de Jesus Cristo».

O chefe da secção de Histopatologia Forense do Instituto de Medicina Legal de Murcia, considera que a descoberta é mais uma conformidade de primeira categoria afim de associar-se à crescente lista destacada pelo estudo científico destas relíquias da Paixão, atribuída a Jesus de Nazaré.

Manchado de sangue e com algumas queimaduras de velas, este pano de forma rectangular é um dos objectos funerários que envolveram o Senhor descritos por São João no Evangelho. Este objecto, junto ao Santo Sudário, teria sido recolhido pelo apóstolo que estava com São Pedro ao descobrir que o sepulcro de Jesus estava vazio.

O Santo Sudário de Oviedo representa assim uma das relíquias mais importantes da Igreja católica que actualmente estão guardadas na Câmara Santa da Catedral de Oviedo (Espanha).

A pesquisa foi realizada através de um microscópio electrónico de varredura de última geração da UCAM. Marzia Boi, a polinóloga do EDICES, o Centro Espanhol de Sindonologia, explicou que o pólen tem a mesma forma que o encontrado no Sudário de Turim.

Da mesma maneira, a perita descarta que o pólen proceda de uma contaminação posterior à época de Cristo, uma vez que está pegado ao sangue; ou seja, chegou à relíquia, ao mesmo tempo que o sangue, não de forma aleatória em qualquer momento ao longo da sua história. Este dado é muito importante pois permite provar a autenticidade do Sudário de Oviedo, e negar que se trate de uma falsificação.

Pesquisas anteriores demonstraram vários aspectos que relacionam as duas relíquias. O Sudário de Oviedo e o Santo Sudário apresentam manchas de sangue humano do grupo AB, e além disso as manchas deste sangue encaixam-se perfeitamente com as manchas de sangue do rosto do Santo Sudário, o que só pode ser explicado se os dois panos cobriram a mesma face.

O Santo Sudário tem impresso o rosto e o corpo maltratados de um homem que coincide com a descrição do Senhor. Segundo a História da Igreja, os primeiros cristãos levaram consigo o Sudário para preservá-lo da perseguição.

Desde Jerusalém e ao longo dos séculos, atravessaram Edesa, Constantinopla, Atenas, Lirey, Chambery e finalmente, chegaram a Turim, onde hoje em dia, foi objecto de numerosas investigações, e onde encontraram que este trajecto descrito pela História da Igreja, coincide com a procedência dos 57 tipos de pólen que aparecem incrustados no tecido.

Durante a sua permanência em França em 1632, o Sudário foi recuperado de um incêndio. Isto não permite aos cientistas de hoje datar com segurança a sua origem, já que as mudanças químicas que se produzem numa reacção química como a combustão, falsificam os resultados da prova de datação com rádio C-14.





sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015


Jornalistas ou criados?


Luís Lemos

António Ribeiro Ferreira, no jornal i (13.2.2015), compõe uma miserável peça pro-Putin, a justificar o imperialismo russo.

Já sabíamos que o fulano era um dos comensais à mesa dos aventais.

Já sabíamos que o fulano segue a directiva do GOL a favor do chamado «casamento» dos mariconços e fufas.

Já sabíamos que o fulano é a favor da adopção de crianças por essa estirpe.

Já sabíamos que o fulano fala da família natural como «famílias ditas normais».

Ficámos agora a saber que também joga xadrez no tabuleiro de Putin.

Quanto vales, ó «jornalista» por encomenda?

Fixem a cara do bicho.







Petição Pública de apoio aos patriotas ucranianos



Apoio à reabilitação de militares ucranianos

Para: Ex.ma Senhora Presidente da Assembleia da República,


Ex.ma Senhora Presidente da Assembleia da República,

Os subscritores do presente Manifesto dirigem o seu apelo ao Estado Português para que subsidie os tratamentos e a reabilitação de alguns militares e combatentes-voluntários do exército ucraniano feridos no conflito armado na Ucrânia, em hospitais públicos ou privados em Portugal, em número e de acordo com as possibilidades existentes.

Estes militares, muitos de forma voluntária, arriscaram as suas vidas e à custa da sua saúde não só defendiam a integridade do seu país mas também contribuíam para que o conflito armado não se alastrasse para o resto do território da Ucrânia, não chegasse mesmo às portas da União Europeia, conseguindo evitar deslocações de refugiados para países da mesma. Eles estão a travar a luta para reestabelecer a paz na Europa.

Os peticionários têm conhecimento através das declarações das instituições governamentais ucranianas à comunicação social que 15 países recebem militares ucranianos para os tratamentos e a reabilitação. De acordo com os dados de Dezembro de 2014, setenta e três combatentes recebiam os tratamentos na Polónia, onze em Israel, oito na Croácia, quatro na Eslováquia, cinco no Reino Unido, treze na Letónia, quatro nos Estados Unidos da América, cinco na Alemanha. Vários países oferecem medicamentos e equipamento médico, deslocam os seus profissionais de saúde à Ucrânia para prestar apoio, avaliação e realização de cirurgias.

Os ucranianos valorizam o bom acolhimento que receberam em Portugal desde sempre, e agradeceram a ajuda que lhes foi dada com a sua integração, o seu conhecimento, o seu bom empenho e trabalho para o bem do país para onde vieram viver, assim foram estabelecidos laços bem fortes entre as duas nações. Esperamos que o Estado Português apoie a Ucrânia nesta altura tão difícil.

Por tudo isto os peticionários consideram essencial a colaboração e a ajuda de Portugal no tratamento e reabilitação dos militares feridos.

Agradecendo antecipadamente a atenção de V. Exa., apresentamos os nossos melhores cumprimentos.


Primeiros peticionários:

Iuliia Voroshylova (investigadora científica, Grupo de jovens ucranianos em Portugal «Synytsia»), Vasyl Bundzyak (padre ortodoxo de patriarcado de Kyiv, Braga), Pavlo Sadokha (Presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal), Andriy Veber (Presidente da Delegação de Vila Nova de Gaia da Associação dos Ucranianos em Portugal), Nuno Miguel Trindade Lourenço (advogado, Alenquer), Tetiana Franchuk (Grupo de jovens ucranianos em Portugal «Synytsia»), Olena Nesterenko Afonso (professora de línguas, Coimbra), Svitlana Oksyuta (professora de música, Porto), Galyna Ilyuk (professora de música, Santo Tirso), Olena Dvoininova (Directora da escola ucraniana Cirilo-Metódio em Braga, doutorada em História)


Para assinar: http://peticaopublica.com/?pi=petreabilitacao






terça-feira, 10 de fevereiro de 2015


Sua Vaidade, o possível Paulo VII.

A campanha eleitoral de Ravasi.


Sei apenas que o Papa que virá não deverá ser este homem que dança em torno do bezerro de ouro, ou seja, isto que é o cardeal Ravasi. Rezem, portanto;

rezem não só para que o Espírito Santo destrua as lógicas mundanas à qual alguns obscuros cardeais são devotados há anos, sob a direcção do Camerlengo.

Francesco Colafemmina em Fratres in Unum.com

«O progresso técnico é rápido, mas é inútil sem um idêntico progresso na caridade. Antes, é mais que inútil, porque nos disponibiliza uns meios mais eficazes para retroceder». Não, não são palavras do Papa, nem muito menos de qualquer ilustre moralista católico. São do grande intelectual inglês Aldous Huxley, autor, dentre outros livros, do romance «Admirável mundo novo», que ilustra uma sociedade materialista, onde a concepção, a morte e o matrimónio são barreiras naturais a serem infringidas, românticas recordações do passado. Hoje a Igreja está num impasse: escolher o progresso da caridade? Ou o progresso tout court? O Cardeal Ravasi é uma expressão desta segunda estrada, que está em condições de pacificar a Igreja com o mundo, fechando-a para a sua autêntica missão.

Cardeal Gianfranco Ravasi.

Talvez, para os mais ingénuos, seja conveniente recuperar um pouco a história do personagem. Terminados os tempos da convention de Publitalia ou do Banco Popular de Sondrio, Monsenhor Ravasi mofava nas salas da biblioteca ambrosiana, onde, entre um programa televisivo dominical e um artigo matinal em Avvenire[1], escrevia dezenas e dezenas de livros inúteis, com os quais inchava o próprio narcisismo de papel. Deprimido em 2005 pela malícia do cardeal Re, o qual, para refutar a sua nomeação para bispo de Assis tinha tirado de fora do seu barrete um artigo do Sole24Ore de 2002 com o título chocante de «Não ressuscitou, se elevou», Ravasi reegueu-se apenas em 2007, graças ao inculpável Monsenhor Piacenza. Sim, porque se Piacenza não tivesse sido nomeado secretário da Congregação para o Clero, dificilmente Ravasi teria entrado novamente pela porta de serviço do Vaticano.

Instalou-se, assim, na Pontifícia Comissão para os Bens Culturais, que, para ele, sempre foi menos importante do que o seu verdadeiro trampolim de lançamento: o Pontifício Conselho para a Cultura. Lançamento que se consolidou, no entanto, somente graças ao cardeal Bertone, seu autêntico sponsor, do qual, então, se tornou confidente. Bertone queria que ele fosse, nada mais nada menos que, arcebispo de Milão. Mas o Papa queria Scola. A condição acertada foi conceder-lhe acesso ao cardinalato. Aconteceu em Novembro de 2010 e, nessa ocasião, o grande narcisista conseguiu receber os cumprimentos e saudações na Sala Regia, a poucos passos do trono do Papa, prontamente removido. Ali, o possível Paulo VII teria exibido a sua nova púrpura sem, entretanto, ruborizar-se por a sua excelsa vaidade. Bertone insistiu por Milão, mas o Papa designou-o em Junho de 2011. O neo-cardeal Ravasi ficou ainda muito feliz. Já tinha inventado o seu «Átrio dos Gentios», plataforma astuta donde podia programar o seu próprio e utopístico pontificado.

Não me prolongarei comentando a experiência intercultural e filo-gnóstica de Ravasi. Para desmontar as suas complexas articulações basta estarmos conscientes da sua natureza instrumental. Graças ao barracão do «Átrio dos Gentios», o Cardeal pôde tornar-se conhecido fora de Itália, suprir o seu desfalque pastoral através de um tipo de pastoral ad usum agnosticorum bem mais eficaz para os media e aos opinion makers. Além disso, pôde recolher numerosos fundos, certamente não numa conta junto ao IOR e sob o título de uma associação de direito pontifício, mas numa das suas contas no Banco Popular de Sondrio (sede de Lodi), coisa da qual é possível certificar-se consultando o site do Átrio (www.cortiledeigentili.com).

Ravasi voou logo para o Twitter (tem também uma conta em inglês e em espanhol), para a blogosfera (hospedado no site do Sole24Ore), utilizou todos os canais possíveis para lançar a própria imagem dialogante, neo-hierofante do vazio que, no diálogo privado de metas, aquisições ou verdade, retarda a própria fé. Três são os vértices desta clamorosa campanha em estilo americano: o encontro Parisiense em 2011 na sede da Unesco com intelectuais agnósticos gritantes, o encontro em Assis com Napolitano[2] em Outubro passado, e o último show de rock para a Plenária do Pontifício Conselho para a Cultura, há duas semanas.

Agnosticismo maçonizante, atlantismo ecuménico decadente e piedoso juvenilismo comercial. Estas são as três dobradiças da plataforma eleitoral ravasiana (e, naturalmente, Bertoniana). O indispensável terceiro-mundismo foi cultivado mediante encontros com conciliáveis diplomatas e artistas.

O que falta a este quadro? É evidente! As virtudes teologais e, destas, particularmente, a caridade. Não se trata de querer cardeais e, sobretudo, papas com o avental, prontos para servir os mais necessitados, a abraçar os doentes, a confortar os desesperados. Não se trata de querer uma Igreja transformada numa opaca ONG, mas de contemplar testemunhas concretas e sinceras de caridade. Caridade não pensada ou dita (intelectual), mas realizada através de acções tangíveis (prática). Inserida, sobretudo, nas estáveis certezas da fé em Cristo. É a «renúncia ao eu», que, por outro lado, é o elemento essencial. Um narcisista não pode ser papa, e isto parece óbvio. Mas, pelo contrário, para muitos comentadores, isto não é evidente. Todos estão ineptos pela magia do progresso, do pó levantado por ele, que é capaz de cegar o coração dos cristãos.

Neste instante, vem-me à mente a imagem de um Papa mudo, porque incapaz de falar, sofredor, mas tenaz, sustentado pela incansável energia da fé. Quanto aquele seu silêncio foi rico de fé, enormemente mais rico do que a vácua redundância de palavras que o cardeal Ravasi está agora[3] despejando sobre o Papa abscondens Bento, no curso das suas meditações quaresmais. Pensem nisto: Bento, também, reconhecendo ter perdido o «vigor do corpo e do ânimo» procura o silêncio da clausura para evitar o quase desaparecimento da sua própria fé. É um sinal para os nossos tempos revolucionários. O (falso) progresso, a confusão das palavras, emoções, imagens e sentimentos, não é aproveitável a ninguém, não serve, sobretudo, em nada para a salvação das almas. É este o centro do ministério sacerdotal. E o futuro Papa deverá ser firme na sua fé, antitético ao (falso) progresso deste mundo, renunciar ao Twitter e ao Facebook, escalar menos os picos da teologia para descer a meio aos seus e confirmar a fé esvaziada dos individualismos, da bricolagem teológica e litúrgica que ameaça não apenas a catolicidade, mas também a romanidade da nossa Igreja. Um Papa «devocional», que adore Deus mediante sinais universais. Um Papa humilde, cuja humildade consista também em levar o peso do próprio múnus até o fim, em ensinar que a Igreja não se inova e moderniza dialogando, confirmando a ambiguidade de uma época dialéctica que evita as certezas e as verdades, mas afirmando. É necessário afirmar o que é a Igreja, quem é a sua cabeça, quem são os seus sacerdotes e quem são os seus leigos. Não é possível vestir uma elitista veste renascimental adornando-se de todos os preciosos acessórios dos nossos tempos, nem tampouco transigir ainda para com o desmazelo litúrgico, ao pauperismo secularizante, à renúncia moral percebida por alguns como o verdadeiro horizonte de uma Igreja «aggiornata».

Mesmo assim, é eficaz no nosso caso a magia de Ravasi, que, mediante fabulações, consegue reunir os extremos, conciliar os opostos, mostrar, através de palavras, hologramas virtuosos, aos quais alguns são induzidos a crer. Por isso, Ravasi é o verdadeiro perigo do futuro conclave. Um perigo crescente, porque aparentemente sem oposição. Do outro lado, não sei se o auspício papal que acabo de descrever acima esteja plasmado apenas no meu coração, ou seja encarnado em qualquer cardeal que, sob o cetim purpúreo e a camisa com abotoaduras de ouro, leve o hábito ou um áspero cilício. Sei apenas que o Papa que virá não deverá ser este homem que dança em torno do bezerro de ouro, ou seja, isto que é o cardeal Ravasi. Rezem, portanto; rezem não só para que o Espírito Santo destrua as lógicas mundanas à qual alguns obscuros cardeais são devotados há anos – sob a direcção do Camerlengo –, mas para que seja eleito verdadeiramente aquele sacerdote ao qual, com palavras admiráveis, se refere o Introito da Missa pro eligendo Summo Pontifice: «Suscitabo mihi sacerdotem fidelem, qui iuxta cor meum et animam meam faciet: et ædificabo ei domum fidelem et ambulabit coram Cristo meo cunctis diebus»[4].


* * *

__________________________________

[1]  Jornal da CEI – Conferência Episcopal Italiana (NdT).

[2] Presidente da República da Itália, do Partido Comunista Italiano (NdT).

[3] O artigo foi escrito durante o retiro quaresmal do Papa e da Cúria Romana, cujo pregador foi o Card. Ravasi (NdT).

[4] «Suscitarei para mim um sacerdote fiel, que agirá conforme o meu coração e a minha alma; e edificarei para ele uma morada definitiva, e andará diante de mim todos os dias» (1Sm 2,35, Missa pro eligendo Summo Pontifice,  Antiphona ad Introitum» (NdT).