quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Como tudo isto funciona…



Ver em:

https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=YxwErypWebE





Sumidades da nossa terra


Passos Coelho visita a Inglaterra e vai jantar com a rainha. E às tantas, pergunta:

— Vossa majestade, a senhora impressiona-me. Como pode estar sempre cercada de gente inteligente? Como é que a senhora faz?

Ela responde:

— É muito simples. Faço um teste de QI regularmente, só para ver se a inteligência deles ainda funciona.

Passos Coelho, surpreendido:

— E como é que a senhora faz isso?

A rainha dá um exemplo. Pega no telefone e liga ao David Cameron:

— Bom dia, David. Tenho um pequeno teste para ti...

David, todo educado:

— Bom dia, Majestade. Tudo bem. Estou pronto para o teste. Pode perguntar.

— Muito bem, David. O teste é o seguinte: — É filho do teu pai e da tua mãe, mas não é teu irmão nem tua  irmã. Quem é?

— Muito simples, Majestade. Sou eu mesmo...

 Bravo, David. Como sempre, inteligente. Até à próxima.

Passos Coelho fica impressionadí­ssimo. De volta a Portugal, decide  pôr em prática a técnica que aprendeu com a rainha.

Telefona ao ministro da educação Nuno Crato e pergunta:

— Nuno, é o Passos Coelho, companheiro. Tenho aqui um  pequeno teste de inteligência para ti.

— Tudo bem, pergunta.

— É o seguinte. É filho da tua mãe e do teu pai, mas não é teu irmão nem tua irmã. Quem é?

— Ah, Passos Coelho, eu não esperava um teste assim, de repente. Tenho que pensar alguns minutos. Telefono-te depois, ok?

— Sem problemas. Até logo.

Ele de seguida liga para o Marcelo, já que ele tem fama de inteligente.

Faz a mesma pergunta que lhe foi feita, ao que o Marcelo responde:

— Ora bolas, Nuno, sou eu mesmo, como é óbvio!...

— Muito bem, perfeito, Marcelo! Obrigado.

E volta a ligar ao Passos Coelho:

— Passos Coelho, podes repetir a tua pergunta, por favor? Creio que tenho a resposta.

— Muito bem: É filho da tua mãe e do teu pai, mas não é teu irmão nem tua irmã. Quem é?

E o ministro da educação, vitorioso:

— Simples!!! É o Marcelo!!!

— NÃÂÂO, estúpido!!! Tens de treinar mais!!! É o David Cameron!!!





quarta-feira, 16 de Abril de 2014

terça-feira, 15 de Abril de 2014

Um interessante trabalho sobre os membros do GOL


O blogue «Do Portugal Profundo» publicou um interessasante trabalho sobre o Grande Oriente Lusitano (GOL), incluindo uma extensa lista dos seus membros. Apresentamos aqui a introdução e o link do blogue, onde pode ver as listas por lojas e por ordem alfabética.



A lista de membros do Grande Oriente Lusitano

Este poste foi refeito, em 3-9-2012, após a publicação da lista de 1950 membros do GOL (de «A» a «Z»), pelos LuzlSecPortugal. Actualizo a lista de membros por loja, a sua localização, e acrescento uma lista por ordem alfabética – as listas originais foram corrigidas nas gralhas e sobreposições.

No dia 1 de Agosto de 2012 um comentador intitulado «António José» publicou no poste «A Maçonaria em Portugal – uma história de corrupção e conspiração», no blogue Casa das Aranhas, de João Silva Jordão, uma lista de 1438 nomes (desde os iniciados pela letra «A» até «Manuel Alfredo Aguiar de Carvalho»), distribuídos por 60 lojas e 6 triângulos, de maçons do Grande Oriente Lusitano (GOL).

Em 1 de Setembro de 2012, o Tugaleaks cita, e linca, uma lista mais completa – de «A» a «Z» – de 1950 membros («irmãos») do Grande Oriente Lusitano, em ordem alfabética, que foi divulgada pelo «colectivo LulzSecPortugal» na manhã de 1 de Setembro. Este grupo refere que a lista teve origem num mail anónimo, cujo conteúdo e remetente publicaram para justificar que não houve hackerismo informático, mas o blogue afirma ter-lhe sido enviada anonimamente, e que transformou numa lista por loja). Os LulzSecPortugal dizem transcrever um mail com o assunto «Lista de nomes pertencentes a lojas maçónicas do GOL», que lhes terá sido enviado em 25 de Junho de 2012 e que, nessa altura, consideraram «irrelevante». O comentário com 3/4 da lista que foi publicado na Casa das Aranhas é de 1 de Agosto.

A lista publicada pelos LulzSecPortugal, e Tugaleaks, tem algumas gralhas e sobreposições, que, creio, entretanto ter resolvido – mas peço aos leitores que confirmem. Há presumivelmente duas gralhas de origem em duas linhas: a primeira aparece na linha «Eugénio Maria da Cruz Azevedo – Cândido de Azevedo» da Loja «José Estêvão» que penso serem dois nomes na mesma linha, devido à repetição dos «Azevedos», mas se assim for, não se pode saber em que loja milita «Cândido de Azevedo» (pode tratar-se do jornalista Cândido de Azevedo); e a segunda dúvida é na linha «José Manuel Carlos Saraiva Saraiva dos Santos» que parece também truncagem de nomes devido à repetição de «Saraiva».

Para ser mais fácil a consulta, e googlar cada nome, para verificar a relação com os membros da loja e da obediência e conhecer o seu trajecto pessoal, profissional e político, publico no final do poste essa lista de maçons, reorganizada por lojas e triângulos, com indicação geográfica (que peço aos leitores que completem e corrijam), em vez da ordem alfabética geral que aparece na Casa das Aranhas, e noutros blogues que entretanto a republicaram para que não seja apagada. Neste poste, abordo a lista incompleta, a data da lista, a origem da lista, a desinformação, o motivo da publicação; e personalidades de maior relevo da lista. Peço aos leitores que na caixa de comentários do blogue me ajudem a completar e corrigir informação sobre este assunto.

Lista incompleta

A lista está incompleta, pois faltam nomes de personalidades que reconheceram publicamente pertencer ao Grande Oriente Lusitano, os nomes de outras que não o desmentiram. E os nomes de quem pertence secretamente e de quem se desvinculou formalmente embora continue fiel à organização. Assim: este trovão não equivale à publicação em Itália dos nomes da Loja Propagande Due (P2). Aceitando o número de membros indicado em 15 de Junho de 2009, ao sítio Maçonaria em Portugal, pelo na altura grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, António Reis – «perto de dois mil» – e apesar da lista conter nomes de alguns maçons já falecidos, ficariam a faltar possivelmente cerca de quinhentos nomes. O DN, de 31-8-2012, esclarece:


Portanto, ao todo, a lista completa teria 1950 nomes dos maçons do Grande Oriente Lusitano – se é que não foram retirados alguns nomes da listagem (além de outros maçons que conseguiram que o seu nome jamais fosse escrito em qualquer lista). A estes todos somam aqueles que passaram pela organização e obtiveram o oportuno quitte placet.

Presume-se que estejam naquela situação de quite, membros ocultos chamados a altos cargos da magistratura (não apenas os referidos) e a cargos de partidos ou organizações, nos quais a pertença à Maçonaria é mal vista. Há nomes que não constam – porque não quisessem jamais constar  e outros porque, eventualmente, podem ter sido expurgados da lista pelo divulgador. Por isso,  se determinado nome não constar da lista,  isso não significa que esse indivíduo não seja maçon, nem que não fosse. Lembro que são os próprios maçons que reconhecem que «once a Mason, always a Mason». No mesmo sentido, se pode ler no Portugal dos Pequeninos em reacção crítica a esta divulgação: «embora (...) a «qualidade» maçónica nunca se perca»  note-se, em abono da verdade, que o João Gonçalves, que admite fazer parte da lista, já tinha admitido antes ter pertencido à organização, de que reconhece estar «adormecido». Mas nem todos os reconhecidos maçons estão na lista: o director do DN expõe em editorial, de 31-8-2012, o Prof. José Adelino Eufrásio de Campos Maltez, como membro do Grande Oriente Lusitano, mas o seu nome não surge no rol.

A data da lista

A data da lista não é indicada. No DN, de 30-8-2012, o jornalista Rui Pedro Antunes escreveu sobre este caso: «DN sabe que a lista é anterior a 2004» (sic). Este é o tipo de jornalismo que se faz em Portugal: para proteger uma organização, o jornalista não escreve «uma fonte da organização declarou ao nosso jornal que...», nem sequer «uma fonte garante que...», mas empenha o próprio jornal atestando como verdadeiro o que a fonte lhe indica!... Analisou o jornalista a lista dos membros do Grande Oriente Lusitano em 2004 e confrontou-a com a de  2005, a de 2006, a de 2007, a de 2008, a de 2009, a de 2010, a de 2011, e a de 2012?... Ou concluíu, a partir do argumento, que eventualmente lhe pode ter sido apresentado, da morte do juiz do Tribunal Constitucional Luís Nunes de Almeida, em 6-9-2004 – ou da alegada expulsão, por falta de pagamento de quotas, de António Vitorino daquela obediência em 2006, por quotas em atraso? Ou, se confiou na eventual informação do ex-grão-mestre António Reis de que a filtragem da lista pode ter resultado de uma «’intrusão no sistema informático’ da obediência», acreditou que o alegado pirata foi buscar uma lista velha de 2004 em vez da lista actual?...

O honrado comentador Floribundus, que também aqui participa na caixa deste blogue, explicou no blogue do José que «soube que a lista foi elaborada para a comemoração da república» e que «por essa razão constam obreiros falecidos como o GM Comandante Simões Coimbra» – ou seja manter-se-iam os nomes de maçons falecidos recentemente. A comemoração do centenário da República ocorreu desde 2010, o que traria a elaboração da lista pelo menos para 2009... O que é razoável pensar é que os falecidos sejam abatidos ao efectivo como os cadernos eleitorais das freguesias...

Note-se que na lista constam nomes de gente muito nova, por exemplo, na loja «Lusíadas Renascida» (de Braga?) ou na loja «Luz e Harmonia» (de Lisboa?), que dificilmente poderia ter entrado na organização em 2004. Se assim for, é uma mentira grosseira a desculpa que a lista foi elaborada em 2004 (de António Reis, uma das fontes que prestou declarações ao jornalista Rui Pedro Antunes do DN, de 31-8-2012, página 8, ou de outra fonte da maçonaria consultada, embora se saiba que é vulgar, em Portugal, a mesma fonte aparecer no mesmo artigo identificada e sem identificação na parte mais delicada). Note-se ainda que na revista Sábado, n.º 161, de 31-5-2007, numa reportagem histórica de António José Vilela e Fernando Esteves, intitulada «As ligações poderosas da Maçonaria», se noticia que Carlos Zorrinho, do PS, «entrou há pouco para o GOL»...

Compreende-se o motivo do argumento da desactualização, que se junta ao argumento da origem pidesca: são argumentos dos maçons e seus defensores para desvalorizar e desacreditar a revelação. Mas é um absurdo utilizar a alegada desactualização da lista para retirar a condição de maçom (uma vez maçon, sempre maçon) aos que lá constam: a desactualização apenas indicaria que os novos recrutados não constam, não que os mencionados não sejam ou fossem. Com base na informação disponível, creio que a lista foi elaborada em 2009 ou 2010.

A origem da lista

A publicação da primeira lista (com 3/4 do efectivo filtrável, num comentário da Casa das Aranhas, um blogue português de confissão islâmica, sem notoriedade política, num poste sobre os malefícios da Maçonaria, parece ter sido um trabalho meticuloso interno, de sapa, uma espécie de explosivo de detonação programada para rebentar depois das férias de Agosto (a lista foi publicada no dia 1-8-2012), eventualmente com chamada de aviso a alguém dos jornais para notarem a lista e a colocarem na ventoinha para aquecer a rentrée. Parece poder ter sido filtrada por alguém que queria atacar outros (de «A» a «M»), mas proteger, por exemplo, um Manuel (a lista termina só há alguns nomes começados por Manuel na lista e daí para a frente nada...) – o ionline, de Manuel Cruz contactou, em 30-8-2012, a fraterna Procuradoria-Geral da República sobre a «eventual abertura de um inquérito» (!?...), mas, segundo o jornal da edição de hoje, esta respondeu que «não tem conhecimento oficial do teor da notícia» e, portanto, «não se pode pronunciar»... O mesmo ionline, de 31-8-2012, cita uma fonte da organização (António Reis?) que elucida que «só o grão-mestre» tem acesso à lista completa dos nomes do Grande Oriente Lusitano, mas que a lista também é distribuída aos candidatos a grão-mestre, aquando de eleições internas. Será uma bicada eventual com destinatário oculto, apesar do disfarce, para disfarçar uma seta venenosa contra o próprio grão-mestre Fernando Valadas Fernandes que tem a responsabilidade de guardar o segredo dos nomes – e respectivo poder... (veja-se a ameaça latente de divulgação de nomes contra um ataque de uma alegada Loja Pátria na notícia «Maçons querem expulsar Relvas», Expresso, 1-9-2012 (clicar na notícia no linque temporário). Se esta filtragem foi um ataque interno, pode ter como resposta a divulgação dos outros 512 nomes que completam a lista, os quais foram proporcionados ao DN. Porém, o DN, através de Rui Pedro Antunes, em reportagem no DN, de 31-8-2012, na página 8 da edição impressa (não se encontra em linha), publica que

«O DN tem a lista completa que vai até ao «Z» e onde figuram mais 512 maçons, que incluem também políticos e figuras de destaque na sociedade.»

O facto de o jornalista Rui Pedro Antunes referir que viu a lista e escrever que nos restantes 512 nomes há «políticos e figuras de destaque na sociedade», que não identifica, parece significar que DN abafa esses 512 nomes e os esconde do povo. Mas, se não for o DN que publique, outro será, pois quem sofreu o ataque quererá responder com as demais letras do alfabeto...

Já depois de ter publicado a primeira versão deste poste, obtive a notícia da publicação da lista dita «completa», de «A» a «Z», pelos LulzSecPortugal, no sábado 1-8-2012, referida no Tugaleaks, com 1950 nomes: ou seja com mais 512 nomes. Como disse, os LuzlSecPortugal afirmam ter recebido a lista em 25-7-2012, mas só a publicaram agora, depois da amplificação mediática de 30-8-2012. Porém, nesta era de net e meios variados, o autor do mail, se quisesse, poderia tê-lo feito circular para outro sítio: não o fez porque não quis. E quando esse alguém quis, alguém preveniu os média tradicionais e estes largaram a história nas ondas e pespegaram-se no papel.

Não é provável a intrusão informática: os nomes da lista dos irmãos não haviam de ser guardados, imprudentemente, num disco rígido de um computador com acesso à internet...E, se assim fosse, os hackers obteriam todos os nomes da lista/organização e não seriam selectivamente omitidos alguns.

É muito difícil interpretar uma organização opaca, por onde entram apenas as frestas de luz que abrem os seus veneráveis, habilitados com mais informação – desde logo o grão-mestre que a deve saber toda. As muito raras ocasiões em que a luz perpassa as cortinas, isso deve-se a conflitos de poder interno, que o lado aflito sente necessidade de exteriorizar para recuperar terreno, para ameaçar a outra parte, para reclamar apoio e protecção. A vingança do perdedor é rara porque é inútil: os movimentos fazem-se para obter resultados e quando esses resultados não são possíveis, é vulgar a retirada em silêncio (conforme me explicou um professor, em 1987, que faria Licio Gelli). Assim, a filtragem de nomes – que consta ser o maior crime interno – acontece porque alguém de dentro a faz.

Tal como noutros casos, mais importante do que verificar quem está na lista, é verificar quem não está. Quem não está na lista? Não está Miguel Relvas, nem Carlos Carreiras, nem António Nunes (da ASAE), nem António Costa Pinto, da Universalis (à qual pertence o grão-mestre Fernando Lima Valadas Fernandes); nem Carlos Monjardino nem José Magalhães (ver António José Vilela, A Sábado mostra os segredos da Maçonaria, Sábado, de 12-1-2012), nem Armando Vara (já agora, não é crível que o seu amigo José Sócrates não tenha sido iniciado nesta obediência, pois além disso foi genro de um venerável maçon, José Manuel Silva Carvalho Fava, mesmo se não é mencionado). Interpretar qual foi a facção que promoveu a revelação dos nomes, daqueles nomes, neste contexto actual de guerra em larga escala no poder político, que contaminou o reduto interno com provocações e ameaças, é trabalho de que só os veneráveis e espertos conseguirão polir.

Desinformação

Sem citar fonte, nem mesmo dizer que houve uma fonte, o jornalista Rui Pedro Antunes, escreveu em 30-8-2012, «o DN sabe que a lista é anterior a 2004...». O jornalista não diz que como é que «o DN» soube, se foi o director que lhe disse que sabia, nem como confirmou o que afirma saber. É uma afirmação quase tão mal apanhada como a do desinformador que assinou «Carlos Fernandes», que tentou desacreditar a filiação maçónica daqueles 1438 nomes, com o ataque pessoal ao autor do blogue Casa das Aranhas:

«O autor deste blog, o Sr. João Silva Jordão foi agente da ex-PIDE/DGS em Benguela, Angola, assim se compreendendo a lista pidesca de maçons que publica, a coberto do nome ficticio de António José».

O ataque habitual de descredibilizar a mensagem com um ataque ao mensageiro. O problema não é o argumento da Pide já ser velho e relho, é a resposta fulminante do autor (João Silva Jordão):

«Caro Sr. Não fui eu que publiquei a lista, tenho 24 anos, nunca fui a Angola. Quando eu nasci já a PIDE não existia. João»...

E, já agora, ao contrário do que diz a reportagem do DN, de 31-8-2012, Relvas não consta da primeira lista porque esta esteja desactualizada, mas só chega até parte dos Manuéis... Mas na segunda lista, de «A» a «Z» Miguel Relvas também não está.

Motivo da publicação

Publico e escrutino a lista dos nomes associados a cada loja e cada triângulo e procuro descobrir a sua localização (peço aos leitores ajuda na localidade de cada uma e corrijam alguma informação incorrecta). A indicação dos membros também é  vantajosa para perceber a localização de cada loja, pois rara é a que tem sítio da Internet, muito poucas referências há a cada loja e menos ainda à localidade. Por exemplo, a loja Vitorino Nemésio, atendendo aos nomes que a compõem, será dos Açores, como o nome sugere. Essa triangulação geográfica dos nomes é útil para perceber redes de influência e poder.

Faço-o por imperativo patriótico e porque a filiação maçónica se tornou, em Portugal, um factor político de grande relevo na ocupação de lugares do Estado e do poder, mas é escondida do povo, que finalmente percebe o comportamento de clã e de preferência antidemocrática dos «irmãos» face aos demais indivíduos, conforme estabelece a «obediência». O escrutínio de figuras de relevo político e social é uma função democrática indispensável na sociedade actual. Todo este trabalho era evitável se a organização e os seus membros tornassem pública, voluntariamente, a sua filiação maçónica, não a escondendo da comunidade humana que integram, nem sequer daqueles que procuram representar. É por causa deste secretismo, que numa sociedade livre só se compreende por causa de actividade de recrutamento de pessoas influentes, de realização de negócios, de entronização em cargos e de controlo opaco do poder, que é fundamental que se legisle a exigência democrática o registo obrigatório de interesses (incluindo a filiação em organizações secretas) dos titulares e candidatos a cargos políticos e do Estado. Quem não deve, não teme.

Como disse em poste passado, em Portugal, a Maçonaria é o próprio poder. Da política aos média (agora até o diário i...), do Estado às empresas públicas e institutos públicos, os tentáculos da  Maçonaria são prevalecentes, como se percebe do apego comum ao Estado, em lugares dirigentes ou bem remunerados, de uma grande parte dos nomes da lista. A Maçonaria não é, nem nunca foi, na prática, um clube de pensamento ou uma fraternidade de homens livres em busca da perfeição, mas uma rede de favorecimento, de protecção, de controlo e de ramificação do poder, para usar à disposição dos seus membros. É por causa disso que, para além das pranchas e dos rituais, valem os contactos, a cooptação, o conluio e a protecção de membros, muitos antes do grito in extremis «A mim, filhos da viúva!»). A relação profissional muito frequente em cada loja, que é observável da googlagem dos nomes – e mais denunciada na agregação de jovens licenciados, que se organizam como candidatos a tachos do poder, como se pode perceber em certas lojas –, dos cargos e contractos que ocupam e dos que em rede vão ocupar na administração pública e em lugares de marajás, explica mais do motivo da adesão do que o aperfeiçoamento pessoal ou a militância ateísta ou a fraternidade humana. Nem podem ser reduzidos a clubes de jantares quinzenais porque fora das sessões a sua influência e o seu alcance são tremendos. Contudo, não deve confundir-se a natureza antidemocrática e elitista da organização, e a troca de favores e protecção, com a generalidade dos seus membros. Nesta lista, há pessoas muito sérias e honestas, cuja pertença há-de ter como motivo uma filosofia política e a fraternidade, como seria mais frequente nas origens – mas esses, como se percebe, estão em minoria e foram isolados.

A fraternidade maçónica que define políticas, garante protecção e proporciona cargos e negócios não deve ser escondida do povo. E um homem não pode ser mais do que outro homem só porque é maçon e tem o dever antisocial de preferir os seus irmãos sobre o mérito dos outros, coitados, que desconhecem a organização.

Mais. A situação de membros proeminentes da Maçonaria, especialmente a maçonaria irregular de pendor antireligioso do Grande Oriente Lusitano, representarem partidos cujos valores de matriz cristã e eleitorado, como os do PSD e CDS-PP, se opõem a uma condição que ocultam, mentem ou disfarçam, é  uma aberração não só moral como política. Por exemplo maior, é insustentável que o PSD e o Governo sejam nesta altura dominados por uma obediência secreta, nas costas do povo português que abomina a condição antidemocrática e anticristã da Maçonaria. Qualquer homem é livre de seguir a filosofia e militar na organização que entender, mas é moral e politicamente inadmissível que usurpe uma representação social, prosseguindo secretamente valores e formas de exercício do poder, intrinsecamente contrários ao eleitorado que o suportou.

Personalidades de maior relevo
da lista de 1950 nomes do Grande Oriente Lusitano

Na lista, abundam as personalidades de grande relevo político e social. Destaco (e peço aos leitores que me ajudem no radar, indicando na caixa de comentários do blogue, outras personalidades importantes):
  • PS: António Almeida Santos, António Arnault, João Soares (o pai foi iniciado no Grand Orient de France),  Jorge Coelho, António Vitorino, João Cravinho, Carlos Zorrinho, Jorge Lacão, Capoulas Santos, Alberto Martins, José Conde Rodrigues, António Castro Guerra, Edmundo Pedro, Luís Parreirão, Elísio Summavielle, José Miguel Boquinhas, José Lamego, Torres Couto, João Proença, Vitalino Canas, Rui Carlos Pereira, Vítor Ramalho, Vasco Franco (a Câmara Municipal de Lisboa é um viveiro...), Rui Oliveira e Costa (Eurosondagem), Rui Cunha – e José Almeida Ribeiro (que não é do PS mas que foi a eminência parda do socratismo).
  • PSD: Almeida Henriques (secretário de Estado Adjunto da Economia e do Desenvolvimento Regional e presidente da Câmara da católica Viseu…), Emídio Guerreiro, Luís Campos Ferreira, Rui Gomes da Silva, Luís Fontoura, José Vieira de Castro, Fernando Condesso, Francisco Moita Flores.
  • CDS-PP: Abel Pinheiro (além de Nuno Magalhães, salvo pelo gongo do «N»...).
  • militares: muitos, mas entre os de maior relevo, Vasco Lourenço, Costa Braz, Rodrigo Sousa e Castro, Costa Neves, Carlos (Alberto Idães Soares) Fabião, Campos de Andrada, Sanches Osório, e ainda o contra-almirante Silva Ribeiro e o coronel Luís Alves de Fraga. E polícias como o ex-director da PSP Oliveira Pereira, além do juiz Mário Belo Morgado que também chefiou esta polícia.
  • imprensa: Emídio Rangel, Henrique Monteiro, António Ribeiro Ferreira, Afonso Camões, António Borga, Orlando Raimundo, Rui Romano, António Valdemar.
  • diplomacia: José Fernandes Fafe, Fernando Reino, Américo Rodrigues Madeira Bárbara.
  • universidade: muitos, entre eles, e além do falecido A. H. Oliveira Marques, Manuel de Almeida Damásio (líder da universidade Lusófona), Luís Reto (do ISCTE),  Jorge de Sá (da Aximage), António Montenegro Fiúza (Lusófona), Manuel Van Hoof Ribeiro (professor de Sócrates no ISEL, a quem deu 18 valores), José Jorge Letria, Moisés Espírito Santo e José Faria e Costa (ex-presidente do Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informação da República).
  • advocacia: muitos, entre eles, Ricardo Sá Fernandes, Nuno Godinho de Matos, Rodrigo Santiago, António Pinto Pereira, Diamantino Lopes. José António Barreiros, cuja coragem é de louvar, não consta da lista porque já não pertence à organização.
  • médicosLesseps dos Reis, Santana Maia, Salvador Massano Cardoso – e não consta José Germano Rego de Sousa, que o Público, de 12-11-2001, dizia que «pertence ao Grande Oriente Lusitano».
  • outros: o ex-presidente timorense José Ramos Horta, Estêvão José Pedro Kachiungo (ex-candidato à presidência da Unita), Vitorino Hossi (ex-Unita e actual ministro luandense), Vidal de Oliveira, José Nuno Martins, Mário Zambujal, Alfredo Tropa, os cantores Carlos Mendes e Fausto, Paulo Sargento, José Troufa Real (o arquitecto da Igreja-Mesquita do Restelo) e António Boronha, dirigente desportivo que se notabilizou na defesa de Carlos Cruz.
É de crer que, como disse, seja omitida a filiação maçónica de altos cargos do poder político, judicial, militar e dos média, e que tenham sido expurgados nomes desta lista.

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Parabéns, camarada Abel (Durão Barroso)!


Renegado Vilar (Heduíno Gomes)

Pensava eu que o único direitista, traidor à classe operária, reaccionário, neo-revisionista, e não sei que mais, era o renegado Vilar! Afinal, o camarada Abel, (Durão Barroso, não confundir com o guarda Abel), finalmente, reconhece que no ensino do Estado Novo havia uma cultura de excelência! Quando se diz do Estado Novo, entenda-se de Salazar, e de Carneiro Pacheco e José Hermano Saraiva, os seus dois melhores ministros da Educação Nacional do Estado Novo e de todos os tempos.

Nunca é tarde para reconhecer a verdade. E melhor ainda nesta época de demagogia abrilista.

Barroso reconheceu a verdade quanto ao ensino.

E a economia e finanças?

E a segurança das pessoas e bens?

E a estratégia nacional?

E a defesa da identidade nacional, nomeadamente da língua?

E a decência na sociedade?

E a moralidade dos políticos do regime?

... ... ...

Reconhecer a realidade, dar a mão à palmatória quando se andou por caminhos tolos, é uma questão de inteligência e de honestidade intelectual. A alguns falta a inteligência. A outros falta a honestidade. E a outros faltam as duas coisas.

Parabéns, camarada Abel!

Os Pachecos Pereiras, os Espadas, as Zitas Seabras é que não têm cura!
Que lhes faltará?

José Manuel Durão Barroso
António de Oliveira Salazar
António Carneiro Pacheco
José Hermano Saraiva





A Rampa Deslizante


Pedro Vaz Patto

A recente aprovação da legalização da eutanásia de crianças na Bélgica tem suscitado comentários e reacções.

As propostas iniciais de legalização da eutanásia começam por apresentar esta prática como um recurso excepcional e estritamente enquadrado, como corolário do respeito escrupuloso pela liberdade de quem a pede. Que tal objectivo seja atingido, não resulta, porém, das experiências dos países que enveredaram por tal legalização.

Há cerca de dois anos, e a propósito do décimo aniversário dessa legalização na Bélgica, foi publicado um manifesto, Dez anos de eutanásia, um feliz aniversário?, subscrito por médicos de diferentes especialidades, mas também juristas, filósofos e teólogos de várias religiões.

Aí se afirma que a legalização da eutanásia não envolve apenas o respeito pela liberdade individual. Representa o aval da comunidade e do corpo médico à opção em causa. A quebra de um interdito fundamental («não matar») que estrutura, como sólido alicerce, a vida comunitária, não pode deixar de afectar a confiança no seio das famílias, entre gerações e na comunidade em geral; e, particularmente, a confiança no corpo médico. Fragiliza, por outro lado, os mais vulneráveis, sujeitos a pressões, em grande medida inconscientes, que os levam a sentir-se obrigados a pedir a eutanásia para não serem um peso para a família e para a sociedade.

O manifesto também confirma o receio de que a quebra desse interdito estruturante nunca poderá ter efeitos limitados e contidos. A noção de «sofrimento insuportável» a que a lei belga recorre (como as de outros países) é subjectiva e tem permitido estender o seu campo de aplicação a sofrimentos psíquicos que não se enquadram na noção de «patologia grave e incurável» a que a legalização supostamente se restringiria.

Suscitaram compreensível clamor os casos de uma mulher que sofria de anorexia nervosa e o de uma outra que sofria de depressão (doenças que podem ser tratadas); o de dois irmãos gémeos, surdos de nascença em vias de ficar cegos; ou a de um professor de medicina com 95 anos, que não era doente terminal, nem sofria de «dor insuportável».

E, agora, foi aprovada, também na Bélgica, a extensão da legalização da eutanásia a casos de crianças (cuja maturidade para decidir seja atestada por psicólogos) e de dementes (que tenham manifestado a sua vontade anteriormente, no exercício das suas faculdades). Num e noutro caso, o respeito pela «sacrossanta» liberdade de quem pede a eutanásia (que nunca seria, de qualquer modo, aceitável quando se atinge a raiz e o fundamento da própria liberdade, que é a vida) é posto em segundo plano.

Dá-se relevo à manifestação de vontade de uma criança, num âmbito de absoluta irreversibilidade, quando não é dado esse relevo, por incapacidade, em âmbitos de muito menor importância (comprar uma casa ou gerir uma conta bancária, por exemplo). Um significativo grupo de pediatras afirmou não ser possível em caso algum considerar essa manifestação de vontade de uma criança verdadeiramente consciente e genuína.

E, no caso de pessoas dementes, também se dá relevo a uma manifestação de vontade não actual, quando é sabido que muitas vezes a vontade de uma pessoa se altera quando a doença progride e o apego à vida vem ao de cima (ou seja: nunca pode haver a certeza de que, no momento da morte, fosse essa a vontade real da pessoa demente).

No caso de pessoas dementes, pode facilmente suceder que a motivação do pedido não seja o previsível sofrimento dessas pessoas (nestes casos, o sofrimento atingirá mais os familiares do que o próprio doente, por este não se aperceber da sua doença), mas antes a vontade de não fazer recair sobre esses familiares um fardo difícil de suportar (fardo que é inegável). E o mesmo pode suceder em relação ao pedido de crianças, que, até de forma inconsciente, podem sentir que são um peso para os pais (disseram-no também, a propósito da nova legislação belga, vários pediatras). Pode, assim, abrir-se a porta a uma morte provocada já não pela compaixão para com o doente, mas para que as pessoas ao redor deste se livrem de um fardo difícil de suportar.

Estas mesmas consequências (a progressiva extensão da eutanásia, incluindo a situações de doentes incapazes de manifestar a sua vontade) já se haviam notado na mais antiga experiência da Holanda, como já resultava do célebre relatório Remmelink, de 1991. E onde também já se aceita, desde há alguns anos, a eutanásia de crianças.

O balanço destas experiências só confirma que quando se derruba um alicerce, a derrocada total do edifício acabará por se verificar; abre-se uma caixa de Pandora, caímos numa rampa deslizante.





sexta-feira, 11 de Abril de 2014

As senhoras SS estiveram distraídas?


Heduíno Gomes

Os jornais noticiaram que, no ano de 2013, houve menos crianças internadas em instituições.

Significa isto que as senhoras da Segurança Social e o IAC da D. Manuela Eanes estiveram distraídas e não cuidaram devidamente do seu ganha-pão, permitindo um rombo no seu complexo social-industrial.


Ó minhas senhoras da SS, inventem lá mais umas violações dos direitos das crianças!