segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

sábado, 27 de dezembro de 2014


Oitenta habitantes de Olivença

pedem para ser portugueses


Lusa

Oitenta habitantes de Olivença adquiriram recentemente a nacionalidade portuguesa, tendo sido entregues mais 90 pedidos junto do Estado português para obter a dupla nacionalidade.


Em Olivença fala-se português desde a Idade Média, embora o seu uso se encontre hoje reduzido às camadas mais idosas.

Oitenta habitantes de Olivença (Espanha) adquiriram recentemente a nacionalidade portuguesa, tendo sido entregues mais 90 pedidos junto do Estado português para obter a dupla nacionalidade, anunciou nesta sexta-feira a associação Além Guadiana. A associação tem sido a entidade «canalizadora» deste processo, uma vez que tem como missão «divulgar e preservar» naquele território, que considera «singular e bicultural», o património e a cultura portuguesa.

«Além de outros oliventinos que possam ter adquirido a nacionalidade portuguesa por outras vias, há 80 pessoas com dupla nacionalidade. E já estão solicitados mais 90 pedidos para obter a nacionalidade portuguesa», explicou Eduardo Machado, um dos fundadores da Além Guadiana.

De acordo com o responsável, que falava à Lusa à margem da apresentação dos resultados obtidos com esta iniciativa, numa unidade hoteleira em Olivença, «muitos destes novos pedidos» que estão em curso são de descendentes de oliventinos (naturais de Olivença, historicamente disputada entre Portugal e Espanha) que já adquiriram a nacionalidade portuguesa.

Os cidadãos que já obtiveram a dupla nacionalidade possuem ascendência portuguesa, sendo a associação um «veículo» que contribui para que todo o processo seja concluído com sucesso. Aliás, uma das atividades «mais importantes» da associação, formada em 2008, tem sido o acompanhamento do processo de adquisição da nacionalidade portuguesa para os oliventinos que o desejarem. «Nós fomos uns meros canalizadores desta vontade popular», sublinhou.

Eduardo Machado explicou que o processo burocrático junto do Estado português «não é complicado», apesar de longo. Em Olivença fala-se português desde a Idade Média, embora o seu uso se encontre hoje reduzido às camadas mais idosas, quando estão em «ambiente familiar». A presença portuguesa em Olivença é evidente em vários locais, sendo um dos maiores exemplos a Igreja de Santa Maria da Madalena, o único espaço religioso espanhol de estilo manuelino. O templo, obra da arquitectura portuguesa do século XVI, rico na talha dourada, na azulejaria e nos elementos marítimos, é visitado diariamente por centenas de turistas.

Olivença está localizada na margem esquerda do rio Guadiana, a 23 quilómetros da cidade portuguesa de Elvas e a 24 quilómetros de Badajoz (Espanha).





quarta-feira, 24 de dezembro de 2014


Teresa Leal Coelho e a maçonaria


perspectivas

Teresa Leal Coelho faz parte do sistema político que a maçonaria coordena. O problema é que ela é feminista (no sentido de «feminazista»), e enquanto tal não pode tolerar o «sexismo da maçonaria».


O que incomoda Teresa Leal Coelho, no que diz respeito à maçonaria, é a forma e não o conteúdo da associação secreta. Se as lojas maçónicas masculinas aceitassem mulheres e fizessem lá uns bacanais semi-públicos com elas, teríamos a Teresa Leal Coelho a defender a maçonaria no «parlamento».

O secretismo, na maçonaria, é uma norma — em relação à qual se pode emitir um juízo de valor. Mas não é o secretismo da maçonaria, entendido em si mesmo, que incomoda a Teresa Leal Coelho: é o secretismo masculino que a incomoda.

Uma vez que o conceito de «secretismo feminino» é uma abstracção, Teresa Leal Coelho (na sua condição de «feminazista») sente a necessidade de destruir qualquer tipo de secretismo.






As falácias do «inocente» Sócrates

e dos seus amigos


As últimas horas de Sócrates em liberdade

José António Saraiva, Sol, 18 de Dezembro de 2014

Sócrates partiu para Paris na manhã de quarta-feira, dia 19 de Novembro. Tudo indica que, nessa altura, já soubesse que a sua detenção estava iminente.

Na véspera tinha almoçado com o ex-procurador-geral da República, Pinto Monteiro. O almoço fora marcado com urgência, de um dia para o outro. Pinto Monteiro tinha um exame médico nessa manhã e avisou que poderia chegar atrasado. Sócrates não se importou, e disse que esperaria o tempo que fosse preciso. Acabou por esperar uma hora no restaurante.

Basta isto para perceber que não se tratava de um almoço de circunstância, como tentou fazer crer o ex-PGR. O pretexto alegadamente apresentado por Sócrates era oferecer a Pinto Monteiro um exemplar autografado do seu livro. Mas este fora publicado um ano antes e Pinto Monteiro até já o tinha, pois estivera presente no lançamento. Parece, pois, totalmente inverosímil Sócrates marcar um almoço de urgência para esse fim.

Pinto Monteiro disse que nesse almoço falaram de livros e de viagens. É bem possível. Sócrates deve ter-lhe oferecido o livro  e também lhe disse com certeza que iria viajar para Paris no dia seguinte. Ora, sendo quase certo que esperava ser detido a qualquer momento, quereria possivelmente saber se Pinto Monteiro estava a par de alguma coisa e saberia pormenores do processo. Isto explicaria a urgência do almoço.

Como previsto, Sócrates partiu para Paris na quarta-feira e deveria regressar na quinta. Também é difícil acreditar que esta viagem não tivesse qualquer relação com o processo em curso. O que poderia determinar uma viagem-relâmpago de pouco mais de 24 horas? O que iria Sócrates fazer de tão urgente a Paris?

Na capital francesa, o ex-primeiro-ministro encontrou-se com os seus alegados cúmplices Carlos Santos Silva e Gonçalo Trindade Ferreira, que entretanto tinham ido à pressa a Londres. Um e outro eram apresentados como seus testas-de-ferro em vários negócios.

Ainda em Paris, Sócrates conversou com o responsável da Octapharma em Portugal, Joaquim Lalanda de Castro, com o qual tinha um alegado esquema de entregas mensais de dinheiro. Lalanda receberia 12 mil euros por portas travessas que juntaria aos outros 12 mil que a Octapharma pagava a Sócrates. Este receberia assim 24 mil euros mensais, quantia indispensável para fazer face às suas despesas.

Ao contrário do previsto, José Sócrates não viajou para Lisboa na quinta-feira, pois adiou o voo para sexta. E na sexta voltou a adiar, já com o check-in feito, sendo obrigado a trocar o bilhete de classe executiva por turística, pois a outra estava completa.

Este segundo adiamento teve obviamente que ver com os acontecimentos da noite anterior, em que os seus amigos Santos Silva e Trindade Ferreira haviam sido presos à chegada ao aeroporto de Lisboa.

A partir daí, Sócrates sabia que iria ser o próximo detido. Por isso, o seu advogado João Araújo viajou de urgência de Lisboa para Paris e teve com ele uma demorada conversa em que discutiram o que fazer.

Mesmo sabendo que seria detido na Portela, Sócrates não podia deixar de regressar ao país. O mandado de detenção estava passado, e se ele não viesse haveria um mandado de detenção europeu e o ex-primeiro-ministro seria localizado num qualquer país da Europa e extraditado para Portugal. Além disso, a tentativa de fuga seria um reconhecimento de culpa.

José Sócrates tinha, pois, de regressar a Lisboa, inteirar-se dos crimes de que era suspeito e preparar a defesa.

Se saísse em liberdade, só com termo de identidade e residência, poderia viajar para o Brasil, como estava previsto, e aí as coisas seriam diferentes. No Brasil não existiria o perigo de extradição, como na Europa. Sócrates poderia ficar lá por tempo indeterminado, a pretexto de estar a tratar de assuntos da Octapharma, adiando sucessivamente o regresso a Lisboa. Estes eventuais planos seriam, contudo, gorados pela prisão preventiva decretada pelo juiz Carlos Alexandre.

De qualquer modo, antes de ser detido, Sócrates rodeou-se de cuidados. Na noite de 20 para 21 de Novembro (de quinta para sexta-feira), deu instruções à empregada de limpeza no Edifício Heron Castilho para retirar o computador de sua casa e mudá-lo para outro apartamento.

À chegada a Lisboa, Sócrates seria efectivamente preso. Mas antes de embarcar fizera outra coisa insólita: avisara um jornalista no qual depositava confiança da sua vinda e previsível detenção. Deste modo, pretenderia que a sua prisão fosse rodeada de grande aparato mediático – fazendo recordar o episódio Strauss-Kahn –, causando um escândalo de enormes dimensões.

Mas os agentes esperaram-no discretamente à saída da manga, conduziram-no discretamente através de uma zona reservada do aeroporto, e as únicas imagens que existem são de um carro onde não se sabe quem vai, filmado por um telemóvel ou uma câmara de vídeo do sistema de segurança.

Aqui ficam as últimas 80 horas de José Sócrates em liberdade. Deixo ao cuidado do leitor julgar se o seu comportamento foi o de um homem que não tem nada a esconder - ou se, pelo contrário, Sócrates agiu como um suspeito.

Para mim, o encontro em Paris com Santos Silva e Trindade Ferreira indicia que tinham coisas a combinar antes da detenção; o encontro com o homem da Octapharma indicia que tinham de acertar contas para não caírem em contradição; o encontro com o advogado João Araújo indicia a preparação da defesa; e a ordem à empregada para esconder o computador indicia a tentativa de ocultação de provas.





segunda-feira, 22 de dezembro de 2014


Mais um artista «português»...

(sector cavaquista)


PALAVRAS PARA QUÊ?

O ARTISTA É PORTUGUÊS!

E QUER SER PRESIDENTE DA TAP!!!!



É melhor morrer de pé

do que viver de joelhos…





quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

terça-feira, 16 de dezembro de 2014


Quando a esquerda dá lições à direita merdosa


Luís Lemos

João Soares e Telmo Correia no Frente a Frente da SIC Notícias (15.12.2014).

Telmo Correia a ver ao longe.
Discute-se o voto na Assembleia da República a reconhecer como Estado a faixa controlada pelos terroristas do Hamas.

O Telmo, da direita merdosa, mete o pés pelas mãos, tentando lavar-se do seu voto idiota favorecendo os terroristas do Hamas.

Coube ao João Soares, da esquerda, equacionar correctamente o problema.

Para que servirá esta «direita»?






sexta-feira, 12 de dezembro de 2014


A mentira da Espanha


Em 1931, Fernando Pessoa, dizia-o assim: «A desintegração de Espanha é um facto. De resto, a desintegração de Espanha foi sempre um facto. A Espanha foi sempre uma mentira».






quinta-feira, 11 de dezembro de 2014


Salgado, o Sócrates da banca


L. Lemos

Quem se deu ao trabalho de ouvir as declarações de Ricardo Salgado na Comissão Parlamentar não pode deixar de se lembrar dos inocentes discursos de Sócrates. Ambos actores da III República.



















quarta-feira, 10 de dezembro de 2014


Call Center em S. Bento...


A competência deve ser paga…







segunda-feira, 8 de dezembro de 2014


A Imaculada Conceição

e a História de Portugal


P. Francisco Couto
P. Senra Coelho

As Nações sobrevivem à erosão do tempo e permanecem vivas na história dos povos se prosseguirem na fecundidade que lhes vem da sua espiritualidade e da sua cultura. A diluição espiritual e cultural de um povo significará inevitavelmente a perca da sua identidade e a sua fusão num hoje sem futuro.

A História de Portugal regista dois momentos altos na recuperação da sua independência: a Revolução 1383-1385 e a Restauração de 1640.


Na Revolução de 1383-1385 salienta-se o cerco de Lisboa, que durou cerca de cinco meses e terminou em princípios de Setembro de 1384, acentuando-se durante o assédio, o significado da vitória alcançada por D. Nuno Álvares Pereira em Atoleiros a 6 de Abril de 1384 e a eleição do Mestre de Aviz para Rei de Portugal, curiosamente a 6 de Abril de 1385. Em 15 de Agosto travou-se a Batalha de Aljubarrota, sob a chefia de D. Nuno Álvares Pereira, símbolo da vitória e da consolidação do processo revolucionário de 1383-1385.

No movimento da restauração destaca-se a coroação de D. João IV como Rei de Portugal, a 15 de Dezembro de 1640, no Terreiro do Paço em Lisboa.


A Solenidade da Imaculada Conceição liga estes dois acontecimentos decisivos na História da independência de Portugal e no contexto das Nações Europeias. Segundo secular tradição foi o condestável D. Nuno Álvares Pereira quem fundou a Igreja de Nossa Senhora do Castelo em Vila Viçosa e quem ofereceu a imagem da Virgem Padroeira, adquirida na Inglaterra. Este gesto do Condestável reconhece que a mística que levou Portugal à vitória veio da devoção de um povo a Nossa Senhora da Conceição.

Aliás, já desde o berço, já aquando da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, havia sido celebrado um pontifical de acção de graças, em Lisboa, em honra da Imaculada Conceição.

A espiritualidade que brotava da devoção a Nossa Senhora da Conceição foi novamente sublinhada no gesto que D. João IV assumiu ao coroar a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha de Portugal nas cortes de 1646.


Esta espiritualidade imaculista foi igualmente assumida por todos os intelectuais, que na prestigiada Universidade de Coimbra defenderam o dogma da Imaculada Conceição sob a forma de um juramento solene.

De tal modo a Imaculada Conceição caracteriza a espiritualidade dos portugueses, que durante séculos o dia 8 de Dezembro foi celebrado como «Dia da Mãe» e João Paulo II incluiu no seu inesquecível roteiro da Visita Pastoral de 1982 dois Santuários que unem o Norte e o Sul de Portugal: Vila Viçosa no Alentejo e o Sameiro no Minho.

O dia 8 de Dezembro transcende o «Dia Santo» dos Católicos e engloba indubitavelmente a comemoração da Independência de Portugal, que o dia 1 de Dezembro retoma. O feriado do dia 8 de Dezembro é religioso, mas é também celebrativo da cultura, da tradição e da espiritualidade da alma e da identidade do povo português.

Não menos importante, e em âmbito religioso e litúrgico, o tema da Imaculada Conceição da Virgem Maria é já abundantemente abordado pelos Padres da Igreja. Será o Oriente cristão o primeiro a celebrá-la. Festividade que chega à Europa Ocidental e ao continente europeu pelas mãos das cruzadas Inglesas nos séc. XI e XII. Vivamente celebrada pelos franciscanos a partir de 1263, será o também franciscano Sixto IV, Papa, que a inscreverá no calendário litúrgico romano em 1477.

De facto, o debate e a celebração desta festividade em toda a Europa é acompanhada pela História do próprio Portugal. Coimbra, como já vimos, tem um importante papel em todo este processo.

Em 8 de Dezembro de 1854, viverá a Igreja o auge de toda esta riqueza teológica e celebrativa. Através da bula «Ineffabilis Deus», Pio IX, após consultar os bispos do mundo, definirá solenemente o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Não estamos diante de uma simples festa cristã ou de capricho religioso. O dogma resulta de tudo quanto a Igreja viveu até aqui e vive hoje em toda a sua plenitude. Faz parte da identidade da Igreja. Isso mesmo o prova o texto proclamado por Pio IX que apoia a sua argumentação nos Padres e Doutores da Igreja e na sua forma de interpretar a Sagrada Escritura. Ele, de facto, reconhece que este dogma faz parte, depois de muitos séculos, do ensinamento ordinário da Igreja.

Portugal, segundo Nuno Álvares Pereira, ou melhor, São Nuno de Santa Maria, e D. João IV isso mesmo o demonstram, não só como resultado da sua própria fé mas como expressão de um povo deveras agradecido pela sua Independência e Liberdade.

A Conceição Imaculada da Virgem é um dogma de fé segundo o qual Maria é considerada a primeira redimida pela Páscoa de Cristo.


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O P. Francisco Couto é Reitor do Santuário de Vila Viçosa e professor do Instituto Superior de Teologia de Évora.

O P. Senra Coelho é professor do Instituto Superior de Teologia de Évora.





domingo, 7 de dezembro de 2014


Inconsciente ou consciente, o mal avança...


http://www.lanacion.com.ar/1750280-francisco-dios-me-da-una-sana-dosis-de-inconsciencia







Comemorando o 8 de Dezembro

Ser mãe. O novo preconceito.



MariAna Ferro (Júdice Moreira)

Estar em casa com os filhos tornou-se um preconceito comum com o aumento do desemprego, das dificuldades e das restrições económicas.

Estar em casa antigamente, quando havia ajudas e irmãos mais velhos e quintas e casas grandes de férias e fim de semana era normal.

A mãe, tomava conta dos filhos, o pai trabalhava.

Hoje, algumas as mães não trabalham não porque não querem mas porque os pais trabalham demais.

É muito simples e tudo se resume ao tempo e a equações.

Se o pai trabalhar até às dez da noite já não vê os filhos, se a mãe trabalhar até às sete da tarde, vê-os duas horas. Este é um cenário.

O outro cenário são dois pais a chegar muito tarde e nenhum os vê e há alguém ou vários alguém que vão buscar, dão banho e jantar e às vezes deitam.

O terceiro cenário é o do pai e da mãe que chegam cedo.

Nenhum dos cenários é certo ou errado, é a vida.

Mas depois há aquele cenário em que a mãe está em casa com os filhos mesmo que um dos filhos ou todos os filhos estejam na escola. Então ela trata da casa e vai busca-los e fica com eles. E isto é o resumo do dia apesar da sua complexidade.

E este é o único cenário vitima de preconceito.

Estar em casa é mal visto.

Este é o meu cenário.

Todos os dias ouço todo o tipo de coisas. Entre essas coisas está a preocupação com o meu intelecto.

Posso estar a estupidificar, posso estar a ficar menos interessante e interessada, as minhas conversas podem estar todas centradas em filhos e fraldas e papas e o meu cérebro pode estar a ser pouco estimulado.

No fundo, ser mãe pode estar a fazer de mim burra.

Aceito que economicamente dois ordenados sejam melhores que um. Aceito que quando bem medido, organizado e planificado compense mais os dois pais trabalharem mesmo que para isso se tenha que recorrer a terceiros e pagar aos terceiros.

Eu amo e eu cuido. Ensino a falar e contar. Dou amor. Alimento. Visto e deito. Dou a mão para não caírem e trato das doenças. Dou mimo e segurança. Dou colo. Educo. Zango-me. Castigo. Ando pelo chão e mascaro-me e tento cumprir expectativas.

Não mereço palmas e muito menos ordenado.

Mas não chamem a isto de ser mãe uma coisa estúpida.





sábado, 6 de dezembro de 2014


O Papa-Sol


Fonte: http://blogonicus.blogspot.com.br/2014/11/o-papa-sol-igreja-sou-eu.html

Há neste pontificado de Francisco muitas características interessantes, ainda que tristes, que nos remetem ao jogo político bolivariano apresentado pelas lideranças seculares na América Latina.

Este pontificado apresentou-se como a grande reinvenção da misericórdia, como se a Igreja não fosse misericordiosa nos dois mil anos precedentes, do amor aos pobres e da simplicidade absoluta. Toda essa imagem foi construída de forma propagandística, também através da pena de jornalistas de esquerda e do martelo ideológico de alguns padrecos e bispos saudosistas da Teologia da Libertação, mas sobretudo através do engenho pessoal de Bergoglio. Como não pensar na imagem de Chavez, Mujica ou Lula, é claro, igualmente manipuladas pelos media que fez de cada mandatário um novo «pai dos pobres», um messias político que promete o paraíso na Terra.

Mas da mesma forma como sabemos que Mujica, Kirschner, Morales, Maduro, Lula ou Dilma não estão ou mesmo nunca estiveram preocupados com o bem estar da sociedade ou dos mais pobres, mas apenas desejam transformar a sociedade para instalar por essas terras um projecto hegemónico de poder, unipartidário e inquestionável, Francisco está francamente comprometido com a transformação da Igreja.

Os media de nariz sujo da América Latina ainda bajulam o pontífice, pintando o Papa argentino como um construtor de pontes (daí vem a palavra «pontífice») não mais entre o céu e a Terra, mas entre os desejos sociais e a estrutura da Igreja; o Corpo Místico de Cristo se foi restando apenas a «estrutura» e esta pode e deve ser modificada. Mas há outros media, mais comprometidos com a verdade dos factos e que se localiza habitualmente nos países desenvolvidos, que vem torcendo o nariz para Bergoglio. Nos periódicos italianos já há uma unanimidade entre os vaticanistas contra Bergoglio. Não se trata de uma oposição pela oposição, como diria Marina Silva, mas de uma resistência aos métodos nada santos empregados pelo Papa para mudar aquilo que não pode ser mudado – a doutrina da Igreja.

Blogs que antes tentavam construir um caminho de unidade entre Bergoglio e os papas anteriores desistiram da empreitada. O mais famoso deles, o blog do Pe. Z., até cunhou uma frase de impacto: «lendo Francisco através de Bento (XVI)». Já faz algum tempo que o Pe. Z. removeu o banner com a frase.

Acostumámo-nos com o conceito de «hermenêutica da continuidade» apresentado por Bento XVI e esperávamos que Bergoglio, por mais diferente que pudesse ser de Ratzinger, seguisse por essa via. Não seguiu. Pelo contrário, Francisco torna-se cada dia mais um exemplo vivo daquela descontinuidade, da desconstrução das certezas dogmáticas e da «bagunça», uma verdadeira ruptura agressiva.

O Papa-Sol

Francisco é, de longe, o pontífice mais absolutista da história. Os seus discursos iniciais estavam marcados por um forte apelo à colegialidade, ao modo sinodal de governar a Igreja. Eram discursos verdadeiramente revolucionários, mas que tinham uma base elementar no Vaticano II. Contudo, Francisco tem uma ideia muito peculiar sobre como conciliar o modelo sinodal com a potestade pontifícia: os padres sinodais só têm voz se esta for um eco da própria voz de Bergoglio.

Francisco procurou, através do último Sínodo dos Bispos em Roma, ter a sua agenda de revolução doutrinal endossada pelos padres sinodais. Para isso, de forma muito articulada, colocou o cardeal Kasper para introduzir o tom da discussão – a comunhão aos divorciados em segunda união. Kasper actuou como um verdadeiro boi de piranha, atraindo para si as críticas e mostrando para Francisco quem eram os críticos.

Vários cardeais levantaram-se contra o «teorema Kasper». Artigos em jornais e revistas foram publicados, livros escritos.  Cardeais conservadores expressavam o seu desprazer com a ideia, amplamente divulgada, que a Igreja modificaria a sua doutrina.

Francisco então tentou organizar o Sínodo de forma a neutralizar opositores, dispondo peões como num elaborado jogo de xadrez. Entra em cena o segundo «boi de piranha» do Papa, o cardeal Baldisseri. Como secretário do Sínodo, junto com o arcebispo progressista Bruno Forte, Baldisseri cria um ambiente de completa censura aos dissidentes, ocultando pronunciamentos, manipulando a tribuna e entregando um «relatio» completamente inédito. A revolta dos padres sinodais, sobretudo os de África e Ásia, foi evidente e permitiu que a crise se tornasse pública. Vários jornais falaram numa derrota de Francisco e deram espaço ao questionamento das até então incríveis capacidades gerenciais do papa jesuíta.

No discurso de encerramento do Sínodo, Francisco, o «Papa-Sol», lembrou a todos os presentes que, neste pontificado, «A Igreja sou eu». Citou de forma clara o cânone 749 no qual se afirma que o Papa é «Pastor e Doutor supremo de todos os fiéis» e goza «da potestade ordinária, que é suprema, plena, imediata e universal na Igreja» (cf. cânn. 331-334). Para bom entendedor, meia palavra basta, e o recado foi dado!

A defenestração de Burke

Um líder da oposição dentro do Sínodo, embora rejeite categoricamente este rótulo, o cardeal americano Raymond Burke, então prefeito da Signatura Apostólica, foi a primeira vítima dos ajustes do pós-sínodo.

O tema do Sínodo era (é) a família e questões de ordem canónica foram (serão) discutidas. Mas o prefeito da mais alta corte da Igreja, o chefe do Direito Canónico, só participou no Sínodo «ex-oficio», ou seja, uma participação automática. O cardeal Burke não foi convidado pessoalmente pelo Papa, nem mesmo ocupou alguma posição de liderança oficial na estrutura do Sínodo, como era de esperar.

Burke foi nomeado ontem, depois de muita especulação, como Soberano da Ordem Militar de Malta, cargo honorífico e reservado aos cardeais aposentados. Burke, com 66 anos, está bem longe da aposentadoria.

Mas Francisco foi muito inteligente ao fazer o Sínodo para a Família em duas etapas. Burke, a grande figura conservadora, está fora da segunda assembleia do sínodo que se reunirá em Outubro de 2015. Com absoluta certeza outros cardeais opositores estarão igualmente fora do embate final. Francisco não esquece, Francisco não perdoa!

Humilhação aos EUA

Com a saída de Burke a Cúria Romana perde o único prelado norte-americano num cargo de chefia. A Igreja dos EUA é poderosa e influente, sempre contando com algum bispo ou cardeal num alto posto da administração eclesial. Com Francisco isso parece não ser o caso.

Basta lembrar que no último consistório para a criação de novos cardeais, Francisco ignorou os EUA completamente. Pela primeira vez em mais de cem anos os EUA estavam fora do consistório.

Francisco também nomeou para Chicago, sede do arcebispo mais influente dos EUA e um nome profundamente ligado a João Paulo II e Bento XVI, Francis George, um prelado de segunda linha, sem expressão nacional, mas afinado com a «misericórdia» de Francisco e um «yes man».

A elevação de padres e bispos do segundo ou mesmo do terceiro escalão à posições proeminentes parece ser a marca deste pontificado. Começou na Cúria, com a nomeação relâmpago de Stella como substituto de Piacenza e agora se espalha para as dioceses do mundo. Talvez – e aqui é uma teoria pessoal – a elevação de prelados medíocres em detrimento de outros mais bem preparados é uma estratégia de longo prazo para que as reformas bergoglianas passem com facilidade até às estruturas mais fundamentais da Igreja – as paróquias e capelas. Foi dessa forma que Bergoglio modelou a Igreja na Argentina, com bispos mal formados e pouco habituados à defesa da doutrina, e está ai o resultado…

O que sabemos, entretanto, é que João Paulo II e Bento XVI deixaram os EUA com bispos muito conservadores e, graças a Deus, jovens. As grandes lideranças dos EUA, na sua maioria, são relativamente jovens – Samuel Aquila (64), William E. Lori (63), José Gomez (62), Thomas Wenski (64), Alexander Sample (54), James Sartain (62), Salvatore J. Cordileone (58) e até mesmo o cardeal Dolan (64), embora este último esteja bem longe de ser um tradicionalista ou mesmo conservador, ele levantou duras objecções durante o Sínodo. Ou seja, será muito difícil para Francisco modificar muito rapidamente a linha conservadora dos EUA. É claro que o «Papa-Sol» poderá criar uma infinidade de cargos honoríficos ou despachar uma dezena de «visitas fraternas» aos arcebispos americanos para, de forma arbitrária e humilhante, se livrar deles… afinal «A Igreja é Francisco».

Do ponto de vista meramente político, negligenciar a Igreja norte-americana é um erro estratégico grave que pode trazer ainda mais problemas ao Papa, ou mesmo a antecipação da sua renúncia.

E o que vem por aí…

É muito difícil e arriscado prever o futuro. Podemos traçar linhas conjecturais, podemos especular somente.

Esperamos para antes do próximo Sínodo uma reformulação mais acelerada na Cúria. Nomes de influência já se foram, com a remoção de Cañizares do Culto Divino e agora de Burke da Signatura Apostólica. Os únicos prelados «com luz própria» são Müller, da Doutrina da Fé, e Pell das Finanças Vaticanas. Ambos se colocaram como opositores da trilogia Kasper-Baldisseri-Francisco no Sínodo.

Faço apenas algumas especulações:

Maradiaga, o vice-papa, poderia ser nomeado para algum cargo na Cúria Romana. Francisco precisa de um nome forte em Roma, porém inteiramente devotado ao projecto bergogliano, e na face desta Terra não há ninguém mais fiel ao processo revolucionário de Bergoglio que o cardeal arcebispo de Tegucigalpa Oscar Maradiaga.

Francisco precisa, ainda, lidar com a oposição na própria Itália. Para tanto, a substituição de Caffara (76), arcebispo de Bolonha e um dos autores do livro que criticava as propostas de Kasper, é importantíssima e estratégica. Recentemente Francisco fez algumas alterações na legislação da renúncia dos prelados com mais de 75 anos, obrigando-os a apresentar ao Papa a sua demissão. É possível que Galantino, o bispo que não gosta que católicos rezem em clínicas de aborto, suba até ao arcebispado de Bolonha.

Posso estar enganado, mas não acredito que Piero Marini seja o próximo prefeito do Culto Divino. Seria um problema a mais na já conturbada agenda de Francisco e o ex-cerimoniário e ex-secretário de Annibale Bugnini já conta com 72 anos. É possível que um nome totalmente inesperado e mais jovem, alçado do segundo escalão, assuma a Congregação. Porém será um nome bugniniano e crítico da missa antiga e do Motu Proprio. Disso não tenho dúvida!

Conclusão

O importante é que todos acordaram para este pontificado. Estão vendo um processo claro de desconstrução da Igreja através das mãos do Papa Francisco. Até mesmo jornais católicos, redes de TV católicas (nos EUA, é claro…) percebem que há algo errado com este pontificado.

Comparam Francisco ao Papa Paulo VI. Não acho a comparação justa.

O Papa Montini permitiu que o seu pontificado fosse sequestrado por progressistas, sendo ele mesmo simpático a muitas, mas não todas, das suas ideias revolucionárias. Paulo VI pecou pela falta de decisão, por ser o «papa Hamletiano» e por confiar e dar poderes demais aos seus colaboradores. Francisco é justamente o oposto – todas as decisões partem dele e ele não confia em ninguém além de si mesmo.

Francisco não tem colaboradores, tem executores.

Paulo VI foi o papa sem personalidade enquanto Francisco é o papa mais personalista que existe.







Pavor






segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

sábado, 22 de novembro de 2014

sexta-feira, 21 de novembro de 2014


Podes crer...


Luís Lemos

Para saber o que Jorge Bergoglio pensa, «leiam seus escritos», diz o bispo argentino Víctor Fernández.

Podes crer...





quarta-feira, 19 de novembro de 2014



«Para surpresa e espanto de muitos», diz ele...


Luís Lemos

Um funcionário da sacristia Rádio Renascença, Filipe Avilez, publica um blogue de cariz religioso e de incidência social e política, onde dá umas no cravo e outras na ferradura ( http://www.actualidadereligiosa.blogspot.pt/ ).


Das duas uma: ou o homem é um confuso, ou então confronta-se com um enorme peso na sua consciência quando, por querer conservar o emprego na dita sacristia, a par de artigos interessantes, defende ideias pouco católicas dos patrões.

Por outras palavras, se está confuso, então está perdoado. Mas convinha informar-se e aprender umas coisas. E, já agora, arranjar outro emprego para ser livre.

Se age por interesse, sacrificando a sua consciência e a verdade, então terá de prestar contas ao Altíssimo. Filipe Avilez tem de optar entre a verdade e o bando dos «progressistas» alojados na RR, na  Ecclesia, na Pastoral da Cultura, etc. Tem de optar entre o cristianismo sem equívocos e os Tolentinos. Esta é a realidade.

Na carta electrónica em que divulga alguns artigos do seu blogue, escreve ele:

«O Papa Francisco criticou a manipulação ideológica à volta da família. Para surpresa e espanto de muitos, o Papa continua a ser contra a eutanásia, o aborto, a destruição de embriões para experimentação e acredita que a família deve ser assente num casamento entre um homem e uma mulher. Parem as rotativas! O Papa é católico.»

«Para surpresa e espanto de muitos», diz ele...Então explique lá o Filipe Avilez, no seu blogue, aqui ou onde pretender, porque é que esses muitos estão tão equivocados a pensar mal (e, claro, alguns  a  pensar «bem»...) de Jorge Bergoglio, coisa que nunca fizeram em relação a Bento XVI, João Paulo II, etc..., dos quais pensam bem. Enquanto  os tais alguns pensam mal. Explique lá, vá lá!





sábado, 15 de novembro de 2014


Uma caricatura de militância


Heduíno Gomes

Perante uma hierarquia alheia às suas obrigações militantes – ou não fosse a hirarquia da Igreja Militante –, surgem iniciativas várias de leigos em defesa das causas cristãs mais prementes, aquelas que são mais importantes e por isso mais sofrem os ataques dos inimigos da Civilização cristã. A saber, a defesa da vida e a defesa da família natural.

Já aconteceram mesmo «alheamentos» (chamemos-lhes assim...) insólitos, do género de um grupo de militantes católicos ter sido impedido pelo Reitor do Santuário de Fátima, P. Carlos Cabecinhas, de aí recolher assinaturas contra o aborto (http://maislusitania.blogspot.pt/2013/05/o-padre-carlos-cabecinhas-ao-lado-de.html), ou ainda do Senhor Cardeal Patriarca D. José Policarpo, entre outras façanhas, ter pretendido desmobilizar a manifestação de 2010, no tempo do Governo de Sócrates, contra o chamado «casamento» entre invertidos (ver http://maislusitania.blogspot.pt/2010/02/manidestacao-pelo-casamento-foi-um.html).

Vem tudo isto a propósito de, agora, perante novas iniciativas de leigos em defesa da vida, o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, ter sido interrogado por alguém da RR sobre se «as igrejas locais estão autorizadas a servir de base de recolha de assinaturas para a iniciativa».

Pergunta pertinente, não será? Sim, parece haver razão para a dúvida, incluindo para o jornalista da católica progressista RR, sobre a autorização concedida às igrejas locais para militarem a favor da defesa da vida... Será que a defesa da vida faz parte da agenda da Igreja portuguesa?

Valeu-nos a nós a clareza da resposta do Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa para desta ficarmos tranquilos: «Estamos de alma e coração com a iniciativa. As nossas comunidades cristãs estão alertadas nesse sentido, contem connosco.» É caso para gritarmos Aleluia!

Militância assim, não, obrigado.


O padre Carlos Cabecinhas
O então Cardeal Patriarca