quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Ao que isto chegou
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Em Espanha, professor acusado de xenofobia
por falado de presunto numa aula

Foi durante uma aula de Geografia, numa escola, da Andaluzia, que o professor José Reyes Fernández procurou ilustrar a importância dos diferentes climas, recorrendo a um exemplo que os seus alunos poderiam compreender bem.
“Por exemplo, o clima frio da zona montanhosa de Trévelez, em Granada, é propícia à cura de presuntos”, explicou aos seus 30 alunos.
Na altura, um dos alunos levantou a mão e pediu que não voltasse a falar de presunto, uma vez que tal ofendia a sua sensibilidade islâmica.


“Fiquei perplexo. Então, disse, literalmente, ‘repara, miúdo, em primeiro lugar, não és tu que vens dizer do que posso ou não posso falar nas minhas aulas. Segundo, o que tu comes, ou o que comem os outros, não me interessa nada. Em terceiro lugar, a religião que professas, também não me interessa nada. Em quarto lugar, vocês são 30 alunos e és tu que te deves adequar aos 29, e não ao contrário. Finalmente, se não estás satisfeito com o que aqui se ensina, estás livre de escolher outra escola’”.


Em declarações ao jornal Diario de Cadiz, o professor diz ter fi cado ainda mais perplexo com o desenvolvimento da situação, uma vez que os pais do aluno decidiram fazer queixa, acusando José Reyes de xenofobia.
Um agente policial chegou a deslocar-se à escola para recolher o depoimento do professor, a propósito de uma denúncia que o próprio classifica como “ridícula, insustentável e grotesca”, tanto mais que, “para a sustentar, foi necessário recorrer à difamação, à mentira e à calúnia”, afirmou, referindo-se ao facto de, segundo os pais, o professor ter mandado o aluno “ir para outro país”, algo que nega ter feito, tendo apenas indicado a sua liberdade em escolher outra escola.
O caso está a levantar alguma polémica em Espanha, especialmente por se ter passado na Andaluzia, zona que alguns muçulmanos radicais reivindicam enquanto território islâmico.



1 comentário:

agostinho disse...

Pois é! não se cuidem e daqui a alguns anos estamos a ser xenofobisados por não sermos daquela seita.