sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Eleição fraudada no Egito

Daniel Pipes e Cynthia Farahat






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http://pt.danielpipes.org/10396/eleicao-fraudada-no-egito

Segundo a comissão eleitoral do Egito, a Irmandade Muçulmana conquistou 37 porcento na primeira rodada de votações e os salafistas, que fomentam um programa islamista ainda mais extremista, 24 porcento, recebendo juntos impressionantes 61 porcento dos votos.


Esse assombroso resultado desperta duas questões: Trata-se de um resultado legítimo ou manipulado? Os islamistas estão prestes a controlar o Egito?
Legítimo ou Manipulado? Ninguém levava a sério as eleições soviéticas com os seus 99 porcento de eleitores votando a favor dos comunistas, enquanto o processo e o resultado das eleições egípcias sejam menos flagrantes, merecem ceticismo semelhante. O jogo é mais sutil, ainda assim um jogo, a seguir, como ele é praticado:
A Irmandade Muçulmana (fundada em 1928) e a ditadura militar (que governa o Egito desde 1952) têm uma ideologia paralela e uma longa história que faz deles simultaneamente rivais e aliados. Durante décadas, cooperaram intermitentemente em um sistema autocrático ligados pela lei islâmica (Sharia) e na opressão dos elementos liberais e seculares.
Nesse espírito, Anwar El-Sadat, Hosni Mubarak e agora Mohamed Tantawi conferiram poderes, taticamente, aos islamistas, como manobra para obter apoio do Ocidente, armas e dinheiro. Por exemplo, quando George W. Bush pressionou Mubarak a permitir maior participação política, ele (Mubarak), respondeu que o parlamento tinha 88 membros da Irmandade Muçulmana eleitos, advertindo assim Washington que democracia = tomada de poder pelos islamistas. A aparente fraqueza dos não islamistas amedrontou o Ocidente a continuar insistindo em uma transição para a participação política. Contudo, um olhar minucioso nas eleições de 2005 mostra que o regime ajudou os islamistas a obterem 20 porcento das cadeiras.
Hoje, Tantawi e o Conselho Supremo das Forças Armadas (SCAF) ainda apostam nesse antigo jogo já desgastado. Veja os diferentes métodos: (1) Notícias sobre o aparecimento de fraude eleitoral, por exemplo em Helwan. (2) O SCAF, de acordo com o destacado islamista Safwat Hijazi, ofereceu um "acordo" aos islamistas: compartilhar o poder com eles contanto que façam vista grossa a sua corrupção.
(3) Os militares subsidiaram tanto a Irmandade Muçulmana quanto os partidos salafistas durante as recentes eleições parlamentares. Marc Ginsburg faz menção de um caixa dois do SCAF acumulando milhões de dólares "em dinheiro para a compra de votos, doações de alimentos e roupas", que possibilitou a centenas de sucursais de organizações políticas islamistas a comprarem votos. Ginsburg fala de um emissário do SCAF que "se encontrou secretamente com representantes da Irmandade Muçulmana e de outros movimentos de orientação política islamista no último mês de abril, para criar contas bancárias para os "comitês de ação" de política local para canalizar uma cadeia clandestina de suprimentos de apoio financeiro e de commodities".
Outros ditadores no Oriente Médio, como o presidente iemenita e o presidente da Autoridade Palestina, também fazem esse jogo duplo, fingindo que são anti-islamistas moderados e aliados do Ocidente, quando na realidade são violentos, cooperam com os islamistas e reprimem os verdadeiros moderados. Até mesmo tiranos contrários ao Ocidente como o presidente Assad da Síria e Kadafi da Líbia fazem esse jogo oportunista quando há necessidade, ao retratarem gigantescos levantes contrários a eles como movimentos islamistas. (Recorde de como Kadafi culpou a Al-Qaeda pela insurreição líbia por terem misturado o café dos adolescentes com drogas alucinógenas).
Controlar o Egito? Se os militares conspiraram com os islamistas para se manterem no poder, obviamente eles e não os islamistas é que irão, em última análise, manter o controle. O que significa que o ponto-chave que os analistas convencionais não percebem é o seguinte: os resultados da última eleição permitirão que os militares continuem no poder. Conforme observa corretamente o ambicioso político egípcio Mohamed ElBaradei, «agora está tudo nas mãos do SCAF».
Verdade, se os islamistas controlarem o parlamento (o que ainda não é certo, os militares poderiam ainda decidir reduzir a porcentagem deles em futuras rodadas de um procedimento de votação excepcionalmente complexo aberto a irregularidades), eles adquirem certos privilégios e movem o país mais em direção à Sharia – até onde, de qualquer jeito, o SCAF permitir. O que continua a tendência de longo prazo de islamização em andamento, desde que os militares tomaram o poder em 1952.
E a política ocidental? Primeiro, pressionar o SCAF a construir a sociedade civil que deve preceder a verdadeira democracia, de modo que os civis moderados e modernos no Egito tenham a oportunidade de se expressarem.
Segundo, cessar instantaneamente toda ajuda econômica ao Cairo. É inaceitável que os contribuintes ocidentais paguem, mesmo que indiretamente, pela islamização do Egito. Voltar com a ajuda somente quando o governo permitir que muçulmanos seculares, liberais e coptas, entre outros, se expressem com liberdade e se organizem.
Terceiro, opor-se tanto à Irmandade Muçulmana como aos salafistas. Menos ou mais extremistas, qualquer tipo de islamistas são nossos piores inimigos.

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