sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Acabou-se o «conto de crianças»
Maria de Fátima Bonifácio
(extractos)
Em poucos dias desmoronou-se aquilo a que Passos Coelho chamou, com toda a propriedade, «um conto de crianças». Não sei porquê, a expressão causou por aí muita indignação e suscitou manifestações de um pudor institucional inusitado: em suma, não era digna de um Estadista. A deslocada sobranceria de Passos não oferecia mistério: era apenas um torpe subterfúgio para ofuscar a cobardia do próprio governo, que como um servo obediente e agradecido sacrificara desnecessariamente Portugal ao diktat da pérfida Alemanha. O Syrisa daria ao Mundo o exemplo de como se arrasa um «tigre de papel». Passos que olhasse e cobrisse a cara de vergonha.
Durante duas semanas, nós todos olhámos, lemos, ouvimos. Ao que assistimos foi a um espectáculo de arrogância provocadora, seguido, no dia 20 de Fevereiro, de uma sumária capitulação. Ninguém a resumiu melhor do que Manolis Glezos, o lendário patriarca do Syrisa: «Rebaptizar a troika de 'instituições', o memorando de entendimento de 'acordo' e os credores de 'parceiros', em nada altera a situação prévia, tal como trocando o nome de carne pelo de peixe.» O venerando eurodeputado pelo Syrisa declarou que as concessões já feitas tinham passado além dos limites, pois que nem se obtivera a «remoção da austeridade», nem «a abolição da troika e respectivas consequências». Dito isto, pediu desculpa ao povo grego por ter contribuído para a sua «ilusão».
(...)
O problema do Syrisa, e da dupla Tsipras/Varoufakis em particular, é que a maioria dos que votaram neles não são revolucionários. Mais de 70% dos gregos pronunciaram-se repetidamente a favor da permanência no Euro, que lhes proporcionou desafogo, benesses e lazer como nunca tinham gozado. Acreditaram no «conto de crianças» com que Tsipras deliberadamente os enganou a fim de conquistar o poder. Fê-lo convencido, talvez, de que na época pós-modernista (e, portanto, pós-marxista), quando a classe operária ou desapareceu ou se aburguesou e o consumismo se converteu na única paixão universal, a revolução teria de ser feita à revelia do «povo», cuja única e provisória utilidade reside nos votos que concede a troco de promessas falsas e até delirantes.
(...)
Varoufakis, depois das provocações e fanfarronadas iniciais, percebeu que se defrontava com outros 17 países que nem se impressionaram com a sua premeditada informalidade, nem se amedrontaram com a sua variegada chantagem, nem estavam dispostos a contemporizar com as extravagantes e exorbitantes exigências de Atenas (...) As exigências mais lunáticas caíram ainda antes do início das negociações, como simplesmente «não pagar» (lembram-se ?), ou no mínimo mais um perdão parcial da dívida, a pura e simples eliminação da troika, o encerramento do programa de resgate em curso sem prévia avaliação e aprovação pelas «Instituições», e o incondicional «empréstimo-ponte», para aliviar o garrote financeiro e dar tempo a que o governo se orientasse.
À segunda reunião do Eurogrupo, no dia 20, tudo caiu por terra, permitindo que Schäuble tranquilizasse por carta o Bundestag: «A Grécia compromete-se a colaborar com a União Europeia, com o Banco Central Europeu e com o FMI», nomeadamente «nas reformas estruturais que promovam o crescimento económico e a criação de emprego.» Mais: a Grécia «Não poderá implementar unilateralmente qualquer medida que ponha em risco as metas orçamentais definidas, a estabilidade financeira do país e a recuperação económica».
(...)
Sobra a triste figura que nisto tudo fez, e continua a fazer, a esquerda radical portuguesa. Com o seu habitual coração de ouro, acusou o governo e a direita de falta de solidariedade para com a Grécia. Mas que razões tínhamos nós para ser «solidários» em vez de simplesmente colaborantes, como fomos, numa solução consensual que viesse a encontrar-se ? (...)
(...)
O que fez a Grécia que justificasse o tratamento especial que exigia ? Quanto à solidariedade que lhe devemos, estamos conversados: em Março de 1985, a Grécia pura e simplesmente vetou a adesão de Portugal à CEE, com receio da concorrência que o nosso País lhe pudesse fazer na repartição dos dinheiros europeus. E apenas retirou o veto quando obteve de Bruxelas um financiamento adicional ao abrigo dos «Programas Integrados do Mediterrâneo», como aliás já reclamara desde o ano anterior. Ou seja: Bruxelas teve, literalmente, de comprar à Grécia a adesão de Portugal !
Mas isto são rancores meus. A esquerda radical, com a vasta generosidade e elevação de espírito que a caracterizam, aclamou, como tanto lhe convinha, a vitória do Syrisa, em que via o prenúncio do seu próprio sucesso. (...)
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Cristo crucificado, escândalo para
os muçulmanos e loucura para os laicistas...
Roberto de Mattei
Marcher contre la Terreur (Marchar contra o Terror) [foto], foi o título com
o qual o «Le Monde», o «Corriere della Sera» e os grandes jornais ocidentais
apresentaram o enorme desfile laicista de 11 de Janeiro. Nunca um slogan foi
mais hipócrita do que este, imposto pelos meios de comunicação maciça como
reacção ao massacre ocorrido em Paris a 7 de Janeiro.
Com efeito, que sentido faz falar de «terror» sem adicionar a este substantivo o adjectivo «islâmico»? O ataque à redacção de «Charlie Hebdo» foi perpetrado sob o grito de «Allah akbar!» para vingar Maomé ofendido pelas caricaturas, mas com uma visão bem definida do que estava por detrás das Kalashnikov terroristas: a visão muçulmana do mundo.
Só agora os serviços secretos ocidentais começam a levar
a sério as ameaças de Abu Muhammad al-Adnani [foto], contidas
num comunicado multilingue difundido em 21 de Setembro de 2014 pelo diário
online «The Long War Journal»:
«Conquistaremos Roma, espezinharemos as suas
cruzes, faremos escravas as suas mulheres com a permissão de Alá, o
Altíssimo», declarou aos seus sequazes o porta-voz do «Estado
Islâmico», que não se limitou a repetir que exterminará os «infiéis» onde quer
que eles estiverem, mas que revelou também o modo pelo qual o fará:
«Colocai explosivos nas suas estradas. Atacai as suas bases, irrompei nas suas casas. Cortai-lhes as cabeças. Que eles não se sintam seguros em lugar algum! Se não conseguirdes arranjar explosivos ou munições, isolai os infiéis americanos, franceses ou os seus aliados, sejam eles quem forem. Esmagai os seus crânios a golpes de pedra, matai-os à facada, atropelai-os com os vossos carros, atirai-os aos precipícios, sufocai-os
ou envenenai-os».
Ilude-se quem pensa que a guerra actual não é a que
declarou o Islão ao Ocidente, mas apenas uma guerra travada dentro do mundo
muçulmano, e que a única salvação consiste em ajudar o Islão moderado a
derrotar o Islão fundamentalista, como escreveu o observador Sergio Romano no
«Corriere della Sera» de 11 de Janeiro, apesar de ser considerado pessoa
inteligente.
Na França, o slogan mais repetido é o de evitar a
«amálgama», ou seja, a identificação do Islão moderado com o radical. Mas o
fim comum a todo o Islão é a conquista do Ocidente e do mundo. Quem não
partilhar esse objectivo não é um moderado, simplesmente não é um bom
muçulmano. As divergências, quando existem, não dizem respeito ao fim, mas ao
meio: os muçulmanos da Al Qaeda e do Estado Islâmico abraçaram a via
leninista da acção violenta, enquanto a Irmandade Muçulmana utiliza a
arma gramsciana (*) da hegemonia intelectual. As mesquitas são
o centro de dinamização da guerra cultural, que Bat Ye’or define como soft-jihad,
enquanto que pelo termo hard-jihad ele define a acção militar
para aterrorizar e aniquilar o inimigo. Pode discutir-se, e certamente
discute-se dentro do Islão, sobre a escolha dos meios, mas há unanimidade
quanto ao objectivo final: a disseminação da Sharia (a lei
corânica) pelo mundo.
O Islão é em qualquer caso um substantivo verbal que se
pode traduzir como «submissão». A submissão para evitar o Terror, que é
o cenário do futuro europeu imaginado pelo romancista Michel Houellebecq no seu
último livro [«Soumission», foto] apressadamente retirado das livrarias
francesas. Não ao Terror significa, para os nossos políticos, não à
submissão violenta dos jihadistas e sim a uma submissão
pacífica, que conduz suavemente o Ocidente a uma condição de inferioridade.
O Ocidente diz-se disposto a aceitar um Islão com «face humana», embora na realidade o que ele rejeita no Islão não seja apenas a violência, mas também o seu absolutismo religioso. No entanto, existe no Ocidente uma licença para matar, não em nome de valores absolutos, mas em nome do relativismo moral. Por isso, o aborto é praticado de forma sistemática em todos os países ocidentais, sem que tenha sido condenado por nenhum dos Chefes de Estado que participaram em Paris na marcha contra o Terror. Com efeito, o que é o aborto senão a legalização do Terror, do Terror promovido, encorajado e justificado pelo Estado? Então que direito têm os líderes ocidentais de se manifestarem contra o Terror?
No jornal «La Repubblica» de 13 de Janeiro de 2015,
enquanto Adriano Sofri, ex-chefe da Lotta Continua (**) celebra a
Europa que renasce sob a Bastilha (***), a filósofa pós-moderna Julia Kristeva
(de quem o cardeal Ravasi é simpatizante), afirma que «a praça Iluminista
salvou a Europa» e que «diante dos riscos que corriam, a liberdade, a
igualdade e a fraternidade deixaram de ser conceitos abstractos para se
encarnarem em milhões de pessoas».
Mas quem inventou o Terror senão a França republicana,
que o utilizou para esmagar toda a oposição à Revolução Francesa? A ideologia e a prática do terrorismo apareceram pela
primeira vez na História com a Revolução Francesa, sobretudo a partir de 5 de
Setembro de 1793, quando o «Terror» foi colocado na ordem do dia pela Convenção
e se tornou parte essencial do sistema revolucionário. O primeiro
genocídio da História [o da Vandeia], foi perpetrado em nome
dos ideais republicanos da liberdade,
igualdade e fraternidade. O comunismo, que pretendeu completar o
processo de secularização inaugurado pela Revolução Francesa, levou a aplicação
do Terror à escala planetária, causando mais de 200 milhões de mortes em menos
de 70 anos. E o que é o terrorismo islâmico senão uma contaminação da
«filosofia do Corão» com a prática marxista-iluminista importada do Ocidente?
Desde a sua fundação, «Charlie Hebdo» é um jornal em que
a sátira foi posta ao serviço de uma filosofia de vida libertária, cujas
raízes provêm do Iluminismo anti-cristão. O jornal satírico francês
tornou-se famoso pelas suas caricaturas de Maomé, mas não se devem esquecer as
suas repugnantes caricaturas blasfemas publicadas em 2012 para reivindicar as
uniões homossexuais. Os editores de «Charlie Hebdo» podem ser considerados
a expressão extrema mas coerente da cultura relativista difundida agora em todo
o Ocidente, assim como os terroristas que os assassinaram podem ser
considerados a expressão extrema mas coerente do ódio que tem o vasto mundo
islâmico contra o Ocidente.
Aqueles que afirmam a existência de uma Verdade absoluta
e objectiva são equiparados pelos neo-iluministas aos fundamentalistas
islâmicos. No entanto, é o relativismo que se equipara ao islamismo,
porque ambos estão unidos pelo fanatismo. O fanatismo não é a afirmação da
verdade, mas o desequilíbrio intelectual e emotivo que nasce do distanciamento
da verdade. E só há uma Verdade em
que o mundo pode encontrar a paz, ou seja, a tranquilidade na ordem: Jesus
Cristo, Filho de Deus, em função de Quem todas as coisas devem ser ordenadas no
Céu e na Terra, para que se alcance a paz de Cristo no Reino de Cristo. Este
deve ser o ideal de todo o cristão, conforme ensinou o Papa Pio XI na sua
encíclica Quas Primas de 11 de Dezembro de 1925.
Não se pode combater o Islão em nome do Iluminismo e
menos ainda em nome do relativismo. Contra
ele, só se pode opor a lei natural e divina, ao mesmo tempo negada pelas raízes
do relativismo e do Islão. É por isso que devemos erguer esse Crucifixo que o
secularismo e o islamismo rejeitam, fazendo dele a nossa bandeira de vida e de
acção. Dizia São Paulo que «Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os
judeus e loucura para os gentios» (I Cor 1, 23). Tal como o Apóstolo,
poderíamos nós agora dizer: «Pregamos Cristo crucificado, escândalo para os
muçulmanos e loucura para os laicistas».
(*) Métodos propostos pelo comunista Antonio Gramsci, conforme explicado no nosso artigo «A «educação
sexual» e a nova perseguição «democrática»,
ateia e psiquiátrica»
(**) Lotta Continua (Luta Contínua) é um movimento maoista de Turim, da
qual uma facção se juntou às organizações terroristas.
(***) Bastilha: Fortaleza que os republicanos franceses de 1789 consideravam
um «baluarte do regime» para encarcerar opositores políticos, mas que na
realidade só tinha oito prisioneiros que não eram políticos e nem sequer eram
maltratados. A sua «libertação» a 14 de Julho do mesmo ano, tornou-se
demagogicamente um importante feriado nacional na França, mais ou menos como o
25 de Abril foi impingido a Portugal.
Fonte:
Correspondance Européenne,
20-01-2015terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Cientistas demonstram que o Sudário de Oviedo
tem a mesma origem
que o Santo Sudário de Turim
Marta Jiménez
A equipa de pesquisa do Centro Espanhol de Sindonologia
(EDICES), em colaboração com a Universidade Católica de Murcia (UCAM),
confirmaram que o Sudário de Oviedo, o pedaço de pano que envolveu a cabeça de
Jesus Cristo depois da sua Paixão, contém o mesmo tipo de pólen que o Sudário
de Turim, o pano que cobriu o corpo do Senhor.
O pólen chegou até aos nossos dias preso a um coágulo de
sangue e provém da espécie Helicrysum, utilizada nos unguentos para envolver os
cadáveres dos sepulcros judeus durante o século I da era cristã.
Alfonso Sánchez Hermosillo, director do EDICES, explicou
que «este tipo de pólen tinha um preço mais elevado do que o ouro e demonstra
que o cadáver recebeu o tratamento que teria recebido uma pessoa muito
influente e poderosa. Segundo os Evangelhos, utilizou-se uma quantidade
importante e valiosa de mirra e óleos para envolver o corpo de Jesus Cristo».
O chefe da secção de Histopatologia Forense do Instituto
de Medicina Legal de Murcia, considera que a descoberta é mais uma conformidade
de primeira categoria afim de associar-se à crescente lista destacada pelo
estudo científico destas relíquias da Paixão, atribuída a Jesus de Nazaré.
Manchado de sangue e com algumas queimaduras de velas,
este pano de forma rectangular é um dos objectos funerários que envolveram o
Senhor descritos por São João no Evangelho. Este objecto, junto ao Santo
Sudário, teria sido recolhido pelo apóstolo que estava com São Pedro ao
descobrir que o sepulcro de Jesus estava vazio.
O Santo Sudário de Oviedo representa assim uma das
relíquias mais importantes da Igreja católica
que actualmente estão guardadas na Câmara Santa da Catedral de Oviedo
(Espanha).
A pesquisa foi realizada através de um microscópio
electrónico de varredura de última geração da UCAM. Marzia Boi, a polinóloga do
EDICES, o Centro Espanhol de Sindonologia, explicou que o pólen tem a mesma
forma que o encontrado no Sudário de Turim.
Da mesma maneira, a perita descarta que o pólen proceda
de uma contaminação posterior à época de Cristo, uma vez que está pegado ao
sangue; ou seja, chegou à relíquia, ao mesmo tempo que o sangue, não de forma
aleatória em qualquer momento ao longo da sua história. Este dado é muito
importante pois permite provar a autenticidade do Sudário de Oviedo, e negar
que se trate de uma falsificação.
Pesquisas anteriores demonstraram vários aspectos que
relacionam as duas relíquias. O Sudário de Oviedo e o Santo Sudário apresentam
manchas de sangue humano do grupo AB, e além disso as manchas deste sangue
encaixam-se perfeitamente com as manchas de sangue do rosto do Santo Sudário, o
que só pode ser explicado se os dois panos cobriram a mesma face.
O Santo Sudário tem impresso o rosto e o corpo
maltratados de um homem que coincide com a descrição do Senhor. Segundo a
História da Igreja, os primeiros cristãos levaram consigo o Sudário para
preservá-lo da perseguição.
Desde Jerusalém e ao longo dos séculos, atravessaram Edesa,
Constantinopla, Atenas, Lirey, Chambery e finalmente, chegaram a Turim, onde
hoje em dia, foi objecto de numerosas investigações, e onde encontraram que
este trajecto descrito pela História da Igreja, coincide com a procedência dos
57 tipos de pólen que aparecem incrustados no tecido.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Jornalistas ou criados?
Luís Lemos
António Ribeiro Ferreira, no jornal i (13.2.2015), compõe uma miserável peça pro-Putin, a justificar o imperialismo russo.
Já sabíamos que o fulano era um dos comensais à mesa dos aventais.
Já sabíamos que o fulano segue a directiva do GOL a favor do chamado «casamento» dos mariconços e fufas.
Já sabíamos que o fulano é a favor da adopção de crianças por essa estirpe.
Já sabíamos que o fulano fala da família natural como «famílias ditas normais».
Ficámos agora a saber que também joga xadrez no tabuleiro de Putin.
Quanto vales, ó «jornalista» por encomenda?
![]() |
| Fixem a cara do bicho. |
![]() |
Petição Pública de apoio aos patriotas ucranianos
Apoio à reabilitação de militares ucranianos
Para: Ex.ma
Senhora Presidente da Assembleia da República,
Ex.ma Senhora Presidente da Assembleia da República,
Os subscritores do presente Manifesto dirigem o seu apelo ao Estado Português para que subsidie os tratamentos e a reabilitação de alguns militares e combatentes-voluntários do exército ucraniano feridos no conflito armado na Ucrânia, em hospitais públicos ou privados em Portugal, em número e de acordo com as possibilidades existentes.
Estes militares, muitos de forma voluntária, arriscaram as suas vidas e à custa da sua saúde não só defendiam a integridade do seu país mas também contribuíam para que o conflito armado não se alastrasse para o resto do território da Ucrânia, não chegasse mesmo às portas da União Europeia, conseguindo evitar deslocações de refugiados para países da mesma. Eles estão a travar a luta para reestabelecer a paz na Europa.
Os peticionários têm conhecimento através das declarações das instituições governamentais ucranianas à comunicação social que 15 países recebem militares ucranianos para os tratamentos e a reabilitação. De acordo com os dados de Dezembro de 2014, setenta e três combatentes recebiam os tratamentos na Polónia, onze em Israel, oito na Croácia, quatro na Eslováquia, cinco no Reino Unido, treze na Letónia, quatro nos Estados Unidos da América, cinco na Alemanha. Vários países oferecem medicamentos e equipamento médico, deslocam os seus profissionais de saúde à Ucrânia para prestar apoio, avaliação e realização de cirurgias.
Os ucranianos valorizam o bom acolhimento que receberam em Portugal desde sempre, e agradeceram a ajuda que lhes foi dada com a sua integração, o seu conhecimento, o seu bom empenho e trabalho para o bem do país para onde vieram viver, assim foram estabelecidos laços bem fortes entre as duas nações. Esperamos que o Estado Português apoie a Ucrânia nesta altura tão difícil.
Por tudo isto os peticionários consideram essencial a colaboração e a ajuda de Portugal no tratamento e reabilitação dos militares feridos.
Agradecendo antecipadamente a atenção de V. Exa., apresentamos os nossos melhores cumprimentos.
Primeiros peticionários:
Iuliia Voroshylova (investigadora científica, Grupo de jovens ucranianos em Portugal «Synytsia»), Vasyl Bundzyak (padre ortodoxo de patriarcado de Kyiv, Braga), Pavlo Sadokha (Presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal), Andriy Veber (Presidente da Delegação de Vila Nova de Gaia da Associação dos Ucranianos em Portugal), Nuno Miguel Trindade Lourenço (advogado, Alenquer), Tetiana Franchuk (Grupo de jovens ucranianos em Portugal «Synytsia»), Olena Nesterenko Afonso (professora de línguas, Coimbra), Svitlana Oksyuta (professora de música, Porto), Galyna Ilyuk (professora de música, Santo Tirso), Olena Dvoininova (Directora da escola ucraniana Cirilo-Metódio em Braga, doutorada em História)
Para assinar: http://peticaopublica.com/?pi=petreabilitacao
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Sua Vaidade, o possível Paulo VII.
A campanha eleitoral de Ravasi.
Sei apenas que o Papa que virá não deverá ser este homem que dança em torno do bezerro de ouro, ou seja, isto que é o cardeal Ravasi. Rezem, portanto;
rezem não só para que o Espírito Santo destrua as lógicas mundanas à qual alguns obscuros cardeais são devotados há anos, sob a direcção do Camerlengo.
Francesco Colafemmina em Fratres in Unum.com
«O progresso técnico é rápido, mas é inútil sem um idêntico progresso na caridade. Antes, é mais que inútil, porque nos disponibiliza uns meios mais eficazes para retroceder». Não, não são palavras do Papa, nem muito menos de qualquer ilustre moralista católico. São do grande intelectual inglês Aldous Huxley, autor, dentre outros livros, do romance «Admirável mundo novo», que ilustra uma sociedade materialista, onde a concepção, a morte e o matrimónio são barreiras naturais a serem infringidas, românticas recordações do passado. Hoje a Igreja está num impasse: escolher o progresso da caridade? Ou o progresso tout court? O Cardeal Ravasi é uma expressão desta segunda estrada, que está em condições de pacificar a Igreja com o mundo, fechando-a para a sua autêntica missão.
![]() |
| Cardeal Gianfranco Ravasi. |
Talvez, para os mais ingénuos, seja conveniente recuperar um pouco a história do personagem. Terminados os tempos da convention de Publitalia ou do Banco Popular de Sondrio, Monsenhor Ravasi mofava nas salas da biblioteca ambrosiana, onde, entre um programa televisivo dominical e um artigo matinal em Avvenire[1], escrevia dezenas e dezenas de livros inúteis, com os quais inchava o próprio narcisismo de papel. Deprimido em 2005 pela malícia do cardeal Re, o qual, para refutar a sua nomeação para bispo de Assis tinha tirado de fora do seu barrete um artigo do Sole24Ore de 2002 com o título chocante de «Não ressuscitou, se elevou», Ravasi reegueu-se apenas em 2007, graças ao inculpável Monsenhor Piacenza. Sim, porque se Piacenza não tivesse sido nomeado secretário da Congregação para o Clero, dificilmente Ravasi teria entrado novamente pela porta de serviço do Vaticano.
Instalou-se, assim, na Pontifícia Comissão para os Bens Culturais, que, para ele, sempre foi menos importante do que o seu verdadeiro trampolim de lançamento: o Pontifício Conselho para a Cultura. Lançamento que se consolidou, no entanto, somente graças ao cardeal Bertone, seu autêntico sponsor, do qual, então, se tornou confidente. Bertone queria que ele fosse, nada mais nada menos que, arcebispo de Milão. Mas o Papa queria Scola. A condição acertada foi conceder-lhe acesso ao cardinalato. Aconteceu em Novembro de 2010 e, nessa ocasião, o grande narcisista conseguiu receber os cumprimentos e saudações na Sala Regia, a poucos passos do trono do Papa, prontamente removido. Ali, o possível Paulo VII teria exibido a sua nova púrpura sem, entretanto, ruborizar-se por a sua excelsa vaidade. Bertone insistiu por Milão, mas o Papa designou-o em Junho de 2011. O neo-cardeal Ravasi ficou ainda muito feliz. Já tinha inventado o seu «Átrio dos Gentios», plataforma astuta donde podia programar o seu próprio e utopístico pontificado.
Não me prolongarei comentando a experiência intercultural e filo-gnóstica de Ravasi. Para desmontar as suas complexas articulações basta estarmos conscientes da sua natureza instrumental. Graças ao barracão do «Átrio dos Gentios», o Cardeal pôde tornar-se conhecido fora de Itália, suprir o seu desfalque pastoral através de um tipo de pastoral ad usum agnosticorum bem mais eficaz para os media e aos opinion makers. Além disso, pôde recolher numerosos fundos, certamente não numa conta junto ao IOR e sob o título de uma associação de direito pontifício, mas numa das suas contas no Banco Popular de Sondrio (sede de Lodi), coisa da qual é possível certificar-se consultando o site do Átrio (www.cortiledeigentili.com).
Ravasi voou logo para o Twitter (tem também uma conta em inglês e em espanhol), para a blogosfera (hospedado no site do Sole24Ore), utilizou todos os canais possíveis para lançar a própria imagem dialogante, neo-hierofante do vazio que, no diálogo privado de metas, aquisições ou verdade, retarda a própria fé. Três são os vértices desta clamorosa campanha em estilo americano: o encontro Parisiense em 2011 na sede da Unesco com intelectuais agnósticos gritantes, o encontro em Assis com Napolitano[2] em Outubro passado, e o último show de rock para a Plenária do Pontifício Conselho para a Cultura, há duas semanas.
Agnosticismo maçonizante, atlantismo ecuménico decadente e piedoso juvenilismo comercial. Estas são as três dobradiças da plataforma eleitoral ravasiana (e, naturalmente, Bertoniana). O indispensável terceiro-
O que falta a este quadro? É evidente! As virtudes teologais e, destas, particularmente, a caridade. Não se trata de querer cardeais e, sobretudo, papas com o avental, prontos para servir os mais necessitados, a abraçar os doentes, a confortar os desesperados. Não se trata de querer uma Igreja transformada numa opaca ONG, mas de contemplar testemunhas concretas e sinceras de caridade. Caridade não pensada ou dita (intelectual), mas realizada através de acções tangíveis (prática). Inserida, sobretudo, nas estáveis certezas da fé em Cristo. É a «renúncia ao eu», que, por outro lado, é o elemento essencial. Um narcisista não pode ser papa, e isto parece óbvio. Mas, pelo contrário, para muitos comentadores, isto não é evidente. Todos estão ineptos pela magia do progresso, do pó levantado por ele, que é capaz de cegar o coração dos cristãos.
Neste instante, vem-me à mente a imagem de um Papa mudo, porque incapaz de falar, sofredor, mas tenaz, sustentado pela incansável energia da fé. Quanto aquele seu silêncio foi rico de fé, enormemente mais rico do que a vácua redundância de palavras que o cardeal Ravasi está agora[3] despejando sobre o Papa abscondens Bento, no curso das suas meditações quaresmais. Pensem nisto: Bento, também, reconhecendo ter perdido o «vigor do corpo e do ânimo» procura o silêncio da clausura para evitar o quase desaparecimento da sua própria fé. É um sinal para os nossos tempos revolucionários. O (falso) progresso, a confusão das palavras, emoções, imagens e sentimentos, não é aproveitável a ninguém, não serve, sobretudo, em nada para a salvação das almas. É este o centro do ministério sacerdotal. E o futuro Papa deverá ser firme na sua fé, antitético ao (falso) progresso deste mundo, renunciar ao Twitter e ao Facebook, escalar menos os picos da teologia para descer a meio aos seus e confirmar a fé esvaziada dos individualismos, da bricolagem teológica e litúrgica que ameaça não apenas a catolicidade, mas também a romanidade da nossa Igreja. Um Papa «devocional», que adore Deus mediante sinais universais. Um Papa humilde, cuja humildade consista também em levar o peso do próprio múnus até o fim, em ensinar que a Igreja não se inova e moderniza dialogando, confirmando a ambiguidade de uma época dialéctica que evita as certezas e as verdades, mas afirmando. É necessário afirmar o que é a Igreja, quem é a sua cabeça, quem são os seus sacerdotes e quem são os seus leigos. Não é possível vestir uma elitista veste renascimental adornando-se de todos os preciosos acessórios dos nossos tempos, nem tampouco transigir ainda para com o desmazelo litúrgico, ao pauperismo secularizante, à renúncia moral percebida por alguns como o verdadeiro horizonte de uma Igreja «aggiornata».
Mesmo assim, é eficaz no nosso caso a magia de Ravasi, que, mediante fabulações, consegue reunir os extremos, conciliar os opostos, mostrar, através de palavras, hologramas virtuosos, aos quais alguns são induzidos a crer. Por isso, Ravasi é o verdadeiro perigo do futuro conclave. Um perigo crescente, porque aparentemente sem oposição. Do outro lado, não sei se o auspício papal que acabo de descrever acima esteja plasmado apenas no meu coração, ou seja encarnado em qualquer cardeal que, sob o cetim purpúreo e a camisa com abotoaduras de ouro, leve o hábito ou um áspero cilício. Sei apenas que o Papa que virá não deverá ser este homem que dança em torno do bezerro de ouro, ou seja, isto que é o cardeal Ravasi. Rezem, portanto; rezem não só para que o Espírito Santo destrua as lógicas mundanas à qual alguns obscuros cardeais são devotados há anos – sob a direcção do Camerlengo –, mas para que seja eleito verdadeiramente aquele sacerdote ao qual, com palavras admiráveis, se refere o Introito da Missa pro eligendo Summo Pontifice: «Suscitabo mihi sacerdotem fidelem, qui iuxta cor meum et animam meam faciet: et ædificabo ei domum fidelem et ambulabit coram Cristo meo cunctis diebus»[4].
* * *
__________________________________
[1] Jornal da CEI – Conferência Episcopal Italiana (NdT).
[2] Presidente da República da Itália, do Partido Comunista Italiano (NdT).
[3] O artigo foi escrito durante o retiro quaresmal do Papa e da Cúria Romana, cujo pregador foi o Card. Ravasi (NdT).
[4] «Suscitarei para mim um sacerdote fiel, que agirá conforme o meu coração e a minha alma; e edificarei para ele uma morada definitiva, e andará diante de mim todos os dias» (1Sm 2,35, Missa pro eligendo Summo Pontifice, Antiphona ad Introitum» (NdT).
domingo, 8 de fevereiro de 2015
300 portugueses em Roma com Manuel Clemente.
Quantos assim e assado?
Luís Lemos
Segundo a imprensa, trezentos portugueses deslocam-se a Roma no próximo dia 14 para assistir ao Consistório em que Manuel Clemente será criado cardeal por Bergoglio.
A questão é saber, entre esses 300, quantos são os oportunistas yesman, quantos são os do Grande Oriente Lusitano, quantos são os da Loja Eclesiástica e quantos são os palermas que não entendem que estão a ser manipulados.
Aceitam-se apostas.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Os Americanos e a Base das Lajes
João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador
A operação das forças militares americanas na Base Aérea das Lajes há muito que merecia um livro.
Muito resumidamente foi assim:
A apetência dos EUA pelos Açores (e Cabo Verde) recua à Guerra Hispano-Americana, de 1898, que marca o início do imperialismo «yankee» fora do continente Americano, o que nunca mais parou até hoje.
Prolongou-se na I Guerra Mundial, com a ameaça submarina alemã e a visita do futuro presidente Roosevelt (na altura subsecretário de Estado da Marinha), em 1918, e firmou-se na II Guerra Mundial, por causa da ameaça naval alemã – podia ter sido aero-naval caso a Alemanha tivesse intentado e conseguido ocupar aquele arquipélago e também o da Madeira.
Mas quem, de facto, pensou ocupar os Açores – considerados como uma fronteira avançada de defesa da América – foram os próprios americanos, que chegaram a preparar uma invasão e ocupação do território, em Jul/Ago de 1941 (Operação «Life Buey», comandada pelo Brig. Gen. Holland Smith).
Acontece que o governo português da altura – estrénuo defensor dos interesses portugueses – tinha reforçado os Açores com 25 000 homens e alguns meios aéreos e navais, dispondo-se a garantir a neutralidade proclamada, mesmo com o uso da força.
Os Americanos fizeram um cálculo do risco e das baixas e hesitaram.
Mais experientes do que os seus amigos do outro lado do Atlântico, a diplomacia inglesa, valendo-se do especial relacionamento que tem connosco, desde 1373, veio tentar acalmar os ânimos e negociar uma solução adequada, até porque o governo português, num gesto habilíssimo, ameaçou invocar a velha Aliança em caso de ataque americano…
Destas negociações que foram duras e demoradas resultou a ida dos ingleses para as Lajes e, mais tarde, a dos americanos para Santa Maria, com a condição de no fim da guerra saírem, deixarem-nos todas as instalações, garantirem a soberania portuguesa em todos os territórios ultramarinos e, ainda, a garantia que Timor Leste – ocupado pelos japoneses – voltaria para Portugal e que forças portuguesas participariam na libertação do território.
Tudo foi cumprido.
Em 1948 (ano anterior ao estabelecimento da OTAN) os EUA solicitaram facilidades de operação na Base Aérea 4 nas Lajes, o que foi concedido, até hoje.
A Base das Lajes pertence à Força Aérea Portuguesa.
Deste modo estabeleceu-se um destacamento da Marinha dos EUA – que operavam os aviões – outro da USAF – que operavam os meios de apoio terrestre – e do Exército Americano - que operavam as lanchas e equipamento portuário…
E como o governo de Lisboa, da altura, não brincava em serviço e não deixava que estrangeiros nos ditassem leis, logo acordou com Washington, um conjunto de condições que, além de não comprometerem minimamente a soberania nacional, tornavam os EUA completamente devedores de Portugal, pois não pagavam um dólar por lá estarem.
Tal facto devia-se a que a lógica política de então defendia, por ex., que nenhum pedaço de território nacional podia ser alugado…
Foi criado um Comando Aéreo Português, cujo comandante seria sempre mais antigo que o oficial americano mais graduado e, até, a bandeira americana não estava autorizada (creio que ainda não está) a tocar o solo Pátrio, ficando simbolicamente, assente num bloco de pedra para o efeito concebido.
Marcello Caetano, que sucedeu a Salazar na chefia do governo, mudou a postura portuguesa para com os EUA, relativamente às Lajes, negociando contrapartidas materiais pela presença americana, o que se podia consubstanciar em ajuda económica directa ao Arquipélago, melhoria das condições dos trabalhadores portugueses e, sobretudo, em armamento e equipamento militar, de que as Forças Armadas Portuguesas estavam muito carenciadas devido aos conflitos ultramarinos iniciados em 1961.
Esta nova política acabou por não dar grandes frutos, sofrendo Portugal uma espécie de «ultimato» encapotado, relativamente ao uso indiscriminado da base, no socorro que Washington prestou a Israel na Guerra do Yom Kipur, em 1973.
A importância dos Açores nunca diminuiu para os EUA durante toda a «Guerra Fria», por causa do eventual reforço rápido da Europa, da ameaça submarina soviética, além de ser ponto de apoio importante para aviões em rota para o Médio Oriente.
Com a queda do «Muro de Berlim», em 1989, e a evolução geopolítica daí decorrente; a melhoria dos armamentos e, ultimamente, a mudança de prioridades de Washington para o Pacífico, a importância conjuntural da Base das Lajes perdeu valor relativo para os americanos.
Daí a natural mudança do seu dispositivo.
Por isso é lógico que queiram reduzir a sua presença nas Lajes (em 485 pessoas) mas, estamos em crer, jamais a Secretaria de Estado da Defesa dos EUA, quererá sair de lá de vez…
É claro que esta redução vai constituir um duro golpe na economia da Ilha Terceira e levar ao desemprego estimado de 500 trabalhadores portugueses, cujo vínculo se procurava articular com as leis de trabalho nacionais.
Mas temos de perceber que os Americanos não estão lá pelos nossos lindos olhos e tratam de defender os seus interesses e não os alheios.
Os Açores já tinham sofrido um duro golpe aquando da saída dos franceses da base de rastreio de mísseis, que montaram na Ilha das Flores, em 1993, sem que tivesse ocorrido o alarido de agora.[1]
Pacífica e gradual foi, também, a saída dos alemães da base de Beja, em 1993.[2]
Por tudo isto não se entende o actual «histerismo» de políticos e sobretudo do Governo Regional dos Açores, à volta deste assunto, revelando uma grande falta de sentido de Estado e em nada contribuindo para um bom desfecho do que está em curso e para as futuras relações com os EUA.
A ameaça velada e pública, sobre a possibilidade da China (ou outros) poder vir a operar no Arquipélago é, a todos os títulos, deplorável.
Há coisas que se tratam na circunspecção das chancelarias e não no ruído e demagogia da rua.
Um contracto é um vínculo de interesses comuns, entre duas ou mais partes. Se uma das partes se quiser desvincular, só tem que o fazer negociando tal desiderato em função do que estiver vertido no acordo.
Além do mais este é um assunto de Defesa e Segurança Nacionais, tratado Estado a Estado e, por isso, o Governo Regional, deve-se remeter apenas para as suas funções constitucionais.
Nós podemos, eventualmente, gostar mais ou menos da presença americana nas Lages, mas a decisão da sua diminuição ultrapassa-nos. A não ser que fossemos nós a querer impor essa redução.
Pode (e eventualmente deve) Lisboa mostrar as suas preocupações; oferecer a sua hospitalidade; apresentar outras propostas de relacionamento bilateral, etc., mas não pode exigir nada relativamente à presença americana na Base, a não ser o que está estritamente acordado para o efeito, e ficar com as decisões ora tomadas, em carteira.
A algaraviada de exigências propaladas pelos «media» não passam de ruído ineficaz, apenas explicáveis pela eterna luta partidária.
Temos que estar atentos ao comportamento do FMI e do Banco Mundial, onde os EUA pontificam, cuidar da nossa comunidade emigrante naquele país e ter que ter especial cuidado com a atitude que os Americanos irão assumir, na ONU, face à proposta de alargamento da Plataforma Continental, apresentada por Portugal.
E, curiosamente, não vemos ninguém preocupado com a exiguidade (sempre a diminuir…), de meios militares portugueses no (s) Arquipélago (s) e na necessidade urgente de inverter a situação.
Requerem-se bom senso e clarividência política e estratégica.
Uma coisa – além do «saber» – anda, aliás, ligada à outra.
__________________________________
[1] O anúncio da constituição da Base foi feito pelo MNE Franco Nogueira, em 1964, tendo o acordo sido assinado, em 7 de Abril daquele ano, e as suas instalações inauguradas em Outubro de 1966.
[2] O acordo para a utilização da Base de Beja (construída de raiz), ocorreu em Dezembro de 1960, mas o primeiro contingente de militares alemães só chegou em 8/8/1966.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Ser homem ou mulher está inscrito no DNA
![]() |
| Luis Jensen com a sua esposa Pilar Escudero |
Luis Jensen,
médico membro do Instituto das Famílias de Schoenstatt e do Centro de Bioética
da Pontifícia Universidade Católica do Chile, revelou que a homossexualidade «jamais
vai permitir o desenvolvimento pleno da satisfação da complementariedade».
No dia 10 de Dezembro deste ano, apresentou-se no
Chile um projecto de lei do «Matrimónio Igualitário», que quer modificar a Lei
do Matrimónio actual para permitir as uniões homossexuais.
O projecto de lei foi pensado e redigido pelo
Movimento de Integração e Libertação Homossexual (Movilh), o mesmo que criou o
conto «Nicolau tem dois pais».
Em declarações feitas ao Grupo ACI, Jensen referiu
que «se eu acredito que na natureza tudo tem o mesmo valor, então a
pessoa desaparece, porque a pessoa é o mais extraordinário, é distinta, é outra
entidade diferente do resto das coisas naturais».
«O ser homem e mulher, que são as duas formas de
ser pessoa, tem uma razão de ser, um porquê, um para quê, está inscrito no DNA.
Se ignorar isso, está ignorando uma coisa que não é electiva, mas constitutiva»,
afirmou.
Luis Jensen explicou que «a pessoa que
realmente necessita move-se para procurar o outro e enriquece-se com o outro. E
nessa relação, descobre que o outro também tem necessidades. E para fazê-lo
feliz, que é a essência do amor, dá o máximo de si próprio como dom, como
presente ao outro. Essa é a dinâmica do amor, a dinâmica do dom, da gratuidade».
Entretanto, advertiu o perito, as relações que se
estabelecem hoje «não têm como base a complementariedade».
Jensen sustenta que «estas relações
(homossexuais) ficam na reciprocidade: em que eu te dou e tu me dás, que é na
verdade um intercâmbio comercial, funcional, estrutural, mas não da natureza da
pessoa. Onde está a gratuidade? Já não é a dinâmica do amor mas a dinâmica da
organização, do intercâmbio, da comercialização».
Para o médico, a polaridade homem-mulher tem a sua
causa na «unidade do homem e da mulher porque são capazes de
complementar-se em todos os campos».
«Isso jamais vai acontecer na homossexualidade, por
muita imitação que façam, por muita intenção, boa vontade ou amor pessoal que
tenham, não acontece. Por isso mesmo, acredito que hoje querem tirar o conceito
da complementariedade do vocabulário e ficar com o da reciprocidade».
Para Jensen, actualmente procura-se «reduzir
o tema do essencial do ser humano a róis: Há um rol feminino e um rol
masculino, um rol paternal e um rol maternal, e já não se responde ao que é a
natureza masculina e feminina».
Subscrever:
Mensagens (Atom)













