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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Duas Conferências a não perder:
Galileu: um «caso» sem fim?
A ciência conduz ao ateísmo?

No Salão Paroquial de Santa Maria de Belém, na Rua dos Jerónimos, n.º 3.

10 de Novembro, terça-feira, às 21.30h.

Galileu : um «caso» sem fim?

O «caso Galileu» é apresentado na cultura popular de um modo simples: como emblemático das relações entre a Igreja e a Ciência, ou como exemplo da opressão da liberdade de pensamento. Entre os especialistas, contudo, ninguém subscreve um tal esquematismo. Depois de quase duzentos anos de estudos, o «caso» continua tão fascinante como antes precisamente porque é imensamente complexo. Mas afinal o que se passou? Porque foi condenado Galileu?

Conferencista: Professor Henrique Leitão

É investigador do Centro de História das Ciências da Universidade de Lisboa e lecciona no Mestrado em História e Filosofia da Ciência da mesma universidade. Os seus interesses de investigação centram-se na história das ciências exactas (matemática, física, astronomia, etc.) nos séculos XVI e XVII. É membro de várias sociedades científicas nacionais e internacionais como a Académie Internationale d'Histoire des Sciences, a Academia das Ciências de Lisboa, a European Society for the History of Science e a History of Science Society. Está presentemente a ultimar a tradução portuguesa e estudo do Sidereus Nuncius, de Galileu, que será publicado em Março de 2010.


24 de Novembro, terça-feira às 21.30h.

A ciência conduz ao ateísmo?

Está vulgarizada a ideia de um conflito antigo entre a religião cristã e a ciência. Não são poucos os que pensam que a ciência moderna «destronou» Deus. Este conflito é real? A ciência desenvolveu-se no Ocidente apesar da religião ou graças à cosmovisão judaico-cristã? É comum pensar-se que, depois do primeiro impacto causado por Galileu, Darwin refutou definitivamente a visão religiosa do mundo. Será verdade? Com a ciência moderna como pano de fundo, o conferencista tratará de temas centrais para o debate entre religião cristã e ciência moderna: Criador e Criação, a estrutura física do cosmos, o darwinismo e o surgimento da vida, o conceito cristão de alma, e a distinção entre inteligência artificial e inteligência humana.

Conferencista: Bernardo Ferraz de Lima Sanchez da Motta

Licenciado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico
Director da empresa Observit - Tecnologias de Visão por Computador, dedicada a soluções de gravação e transmissão de vídeo digital, bem como de análise e processamento de imagem. Exerce o cargo em parceria com Pedro Soares.
Autor do blogue Espectadores, em parceria com Duarte Fragoso.
Colaborador no blogue De Vagares...
Moderador do Fórum Priorado de Sião, onde se debatem os temas aqui apresentados.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Bento XVI: Toda a reforma da Igreja deve fazer-se nela e nunca contra ela

Na Audiência Geral de 7 de Outubro de 2007, o Papa Bento XVI referiu-se ao exemplo de São João Leonardo, Patrono dos farmacêuticos, que entendeu que «qualquer reforma deve efectuar-se dentro da Igreja e nunca contra a Igreja».

Bento XVI explicou que «a luminosa figura deste Santo convida os sacerdotes em primeiro lugar e todos os cristãos a tender constantemente à alta medida da vida cristã que é a santidade. Apenas da fidelidade a Cristo pode brotar a renovação eclesiástica autêntica».

Naqueles anos, continuou, «na passagem cultural e social entre os séculos XVI e XVII, começaram-se a desenhar as premissas da futura cultura contemporânea caracterizada por uma cisão indevida entre a fé e a razão que produziu, entre seus efeitos negativos, a marginalização de Deus, com a ilusão de uma possível e total autonomia do ser humano, que escolhe viver 'como se Deus não existisse'».

«É a crise do pensamento moderno que tantas vezes evidenciei e que chega frequentemente a formas de relativismo. ».

São João Leonardi, assinalou o Santo Padre, «em diversas circunstâncias sublinhou que o encontro vivo com Cristo se realiza em sua Igreja, Santa mas frágil, enraizada na história e no seu suceder, às vezes escuro, onde trigo e joio crescem juntos, mas sempre instrumento de salvação. Com lúcida consciência de que a Igreja é o campo de Deus não se escandalizou de suas debilidades humanas. Para contrastar o joio escolheu ser bom grão: decidiu amar a Cristo em sua Igreja e contribuir a torná-la cada vez mais um instrumento transparente de Cristo».

Bento XVI assegurou que este Santo «entendeu que qualquer reforma deve efectuar-se dentro da Igreja e nunca contra a Igreja. Nisto, São João Leonardi foi extraordinário e seu exemplo é sempre actual. Toda reforma interessa certamente às estruturas, mas em primeiro lugar deve gravar-se no coração dos fiéis».

Finalmente, disse o Papa, «apenas os Santos homens e mulheres que se deixam guiar pelo Espírito divino, dispostos a tomar decisões radicais e valentes à luz do Evangelho, renovam a Igreja e contribuem, decididamente, para construir um mundo melhor».