domingo, 13 de dezembro de 2015
A misericórdia segundo Bergoglio
Misericonsideração
Nuno Serras Pereira
Tiveram um namoro sério e demorado, sem nunca se terem antecipado aos actos próprios do casamento. Um amor sereno e profundo pedia a entrega total no matrimónio. Assim acabou por ser. Após a celebração do Sacramento, para o qual se tinham preparado com esmero, e das bodas entregaram-se inteiramente no acto conjugal, que incarnou o que tinha sido celebrado na Igreja. Aquele abraço tão íntimo, tão entusiasmante, como que pedia um terceiro, que o amor é por natureza difusivo. Sentiam-se naquela comunhão de amor envoltos por uma multidão de Anjos e penetrados de uma Paternidade transcendente, infinita e vivificante. Nove meses depois acolheram com uma alegria de êxtase aquele que sendo embora um, em que eles estavam e se reviam, entendendo melhor o significado de serem uma só carne, um que era a união dos dois, era também outro diferente, único e irrepetível. Não estiveram com vagares para baptizá-lo, pois sabiam que este Sacramento não só apagava o pecado herdado, chamado original, mas conferindo a Graça o arrancava às mãos sedutoras e sinistras do Maligno, fazendo-o participante da natureza Divina, Filho de Deus, irmão de Cristo, templo vivo do Espírito Santo.
Nesse mesmo dia, no final da cerimónia, ajoelharam-se diante de Jesus Cristo Ressuscitado, presente no Sacrário, e juraram-Lhe solenemente que nunca se deixariam, pois não só acharam oportuno renovar os votos matrimoniais mas também porque não queriam de modo nenhum que seu filho não fosse acompanhado e educado pelos pais que o geraram. Estavam bem cientes do traumatismo que sofreria seu filho caso se divorciassem.
Deram muitas graças e louvores a Deus quando seis meses depois, tendo ela acolhido aquele presente, aquela marca de amor, que o marido numa entrega da totalidade do seu ser, do seu corpo e alma, correspondido evidentemente por ela, veio a tornar-se grávida em virtude da nova geração de uma pessoa humana. Mais tarde vieram a saber que era uma filha, o que lhes deu também grande regozijo. No entanto, a gravidez foi considerada de risco, uma vez que havia grandes probabilidades de nascimento pré-termo, o que poderia significar um aborto espontâneo. Por isso, o médico ginecologista informou-os, que para garantirem a sobrevivência da bebé, teriam de se abster do acto conjugal, recomendando ainda à mãe repouso e quietação. Esta, não sei ao certo se pela mesma causa começou a sentir enjoos, tédios prolongados, algumas impaciências e acessos de ira desusados, apetites bizarros e outras coisas que deixavam o marido perplexo e abatido. Não só se sentia desamparado por falta daquele apoio que em partilhas íntimas habituais com sua mulher o sossegavam nas suas inquietações, o esclareciam nas confusões e o energizavam nos seus desânimos. Depois, aquele jejum prolongado da entrega corpórea-espiritual no acto conjugal, a que se tinha habituado, provocava-lhe uma aridez, uma secura, um aborrecimento feito rebeldia, embora a procurasse conter.
Ora sucedeu que, em virtude da reorganização laboral da empresa, lhe foi destinada uma colega que, independentemente da sua, dele, vontade o deixou em polvorosa, como que se desencadeou uma híper-produção de hormonas animalescas, instintivas, que o deixou literalmente desvairado. Tudo nela, o mais pequeno gesto, um olhar insignificante, a voz na mais pequena observação o deixava excitado, com um ímpeto, que com enorme esforço refreava, sentia que ela era um imã poderosíssimo que o atraía invencivelmente. Ao sair do trabalho procurava esquecê-la, mas era inútil, pois que ela como que tinha entrado na sua cabeça, na sua imaginação, no seu peito, enfim sentia-se dominado, desejava ser seu escravo.
Um ou outro dia almoçavam juntos com outros colegas, no entanto, sucedeu, que tendo estes de viajar por razões de trabalho, se viram a almoçar só os dois. Ela desabafou mágoas, e como as confidências convidam a confidências também ele acabou por se expandir. Dali brotou uma cumplicidade afectiva que veio a desembocar em fornicações adúlteras. Ele confessava-se, arrependido, ao sacerdote da sua paróquia, tanto mais que continuava a amar perdidamente a mulher e a prole. Este confortava-o, dava-lhe bons conselhos, lembrava-lhe a gravidade do adultério, a ofensa para com Deus, o bem infinito e a alegria total que o esperava no Céu, caso fosse fiel, ou o mal horrendo da condenação eterna no Inferno.
Entretanto sucedeu que a sua concubina engravidou de gémeos. Ela ficou esfuziante, ele assustado, mas passado o impacto conformou-se contente, afinal eram seus filhos, e depois, apesar de em nada, assim o achava, ter diminuído o amor por sua esposa, o afecto que tinha por esta tinha vindo a crescer cada vez mais com o tempo.
Terminada a fase da amamentação da filha de seu casamento, propôs a sua esposa que se divorciassem pelo civil argumentando com as facilidades económicas que lhes trariam vantagens. Tratados os papéis, não passou muito tempo até casar pelo civil com a mãe dos gémeos, entretanto já nascidos. Entendia que tinha deveres imperativos de justiça para com ela e seus filhos, sabendo embora que os tinha também, e em primeiro lugar, para com a esposa e filhos. O sacerdote que antes o admoestava em relação ao adultério passou a sugerir-lhe e a acompanhá-lo nestas decisões. Porque, segundo ele seria uma injúria farisaica considerar que ele vivia, nestas circunstâncias, em adultério. Aliás, aconselhou-o mesmo a viverem todos na mesma casa mantendo a relação carnal com ambas, para não injustiçar nenhuma. A concubina, agora elevada à categoria de esposa, achou muito bem, pois ela sabia que nunca o tinha tido exclusivamente para si. Quanto àquela com quem se matrimoniara, ele não tinha dúvidas de que apesar de ser um choque para ela vir a saber a verdade, amava-o tanto e era tão fiel aos seus juramentos que acabaria por aceitar a solução. O tal padre, confessor dele, que os tinha casado e por quem ela tinha um enorme respeito e amizade fez-lhe uma prédica pessoal sobre a Misericórdia de Deus, aplicando-a ao assunto em questão. Todos ficaram a saber que se poderiam confessar e comungar à vontade, continuando a viver assim e mais ainda vivendo todos numa mesma casa para uma comunhão maior entre toda a família. Entretanto nasceram mais filhos dele e de ambas. Entretanto o Pároco fê-los leitores e ministros da Comunhão e pediu-lhes que fossem padrinhos de baptismo de algumas crianças pobres. Tornou-se, enfim, uma família exemplar que o Papa recebeu no Vaticano, apontando-os como um grande testemunho.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Sobre o Informe final do Sínodo 2015
A Relatio Finalis [informe final] do Sínodo 2015 adoptada pelos padres sinodais representa uma enorme melhoria relativamente ao desastroso Instrumentum Laboris [documento de trabalho] que foi a base para o Sínodo. A tremenda diferença entre os dois documentos ilustra como foi fundamental a onda de críticas a nível mundial que surgiram contra as tentativas dos bispos «progressistas», animados pela maçonaria eclesiástica, para a destruição total da doutrina e da moral cristãs.
O resultado do Sínodo não foi bom mas os bispos «progressistas» e a maçonaria eclesiástica, que pretendiam ainda pior. Ficaram estes a perder e ficaram a perder a doutrina e a moral cristãs.
Isto significa que os católicos não podem parar de lutar em defesa da doutrina cristã e dos valores cristãos pois tudo permanece ambíguo e o inimigo interior não desarma.
George Weigel
Diferencias considerables, considerable mejora.
Cargado como estaba de sociología, y no muy buena sociología, el documento de trabajo era, en más de unos cuantos puntos, difícil de reconocer como un documento de la Iglesia. El informe final es claramente un documento eclesial, un producto de la meditación de la Iglesia sobre la Palabra de Dios, entendida como la lente a través de la cual la Iglesia interpreta su experiencia contemporánea.
El documento de trabajo era bíblicamente anoréxico. El informe final es ricamente bíblico, incluso elocuentemente bíblico, como corresponde a un encuentro del Sínodo en el quincuagésimo aniversario de la conclusión del Concilio Vaticano Segundo y su Constitución Dogmática sobre la Revelación Divina, «Dei Verbum».
A veces, el documento de trabajo parecía casi avergonzado de la asentada doctrina de la Iglesia sobre la indisolubilidad del matrimonio, sobre las condiciones necesarias para la recepción digna de la Sagrada Comunión, y sobre las virtudes de la castidad y fidelidad. El informe final reafirma la doctrina de la Iglesia sobre el matrimonio, Sagrada Comunión, y la posibilidad de vivir virtuosamente en el mundo post-moderno. Y lo hace sin reparos, incluso cuando llama a la Iglesia a una proclamación más efectiva de la verdad lo lleva como patrimonio del mismo Señor Jesús, y a un mayor cuidado pastoral de aquellos con circunstancias maritales y familiares difíciles.
El documento de trabajo silenciaba virtualmente el don de los hijos. El informe final describe a los hijos como una de las mayores bendiciones, alaba las familias grandes, tiene cuidado de honrar los niños con necesidades especiales, y eleva el testimonio de parejas casadas felices y fructíferas y a sus hijos como agentes de evangelización.
El documento de trabajo hizo una especie de discusión a fondo de la conciencia y su papel en la vida moral. El informe final hace un mucho mejor trabajo explicando lo que entiende la Iglesia de la conciencia y su relación con la verdad, rechazando la idea que la conciencia es una especie de facultad sin ataduras de la voluntad que puede funcionar como el equivalente de la carta «Queda libre de la cárcel».
El documento de trabajo estaba lleno de ambigüedades sobre la práctica pastoral y su relación con la doctrina. El informe final, aunque no está libre de algunas ambigüedades, deja claro que el cuidado pastoral debe empezar de una base de compromiso con la enseñanza asentada de la Iglesia, y que realmente no hay algo como «opción de Catolicismo local», en términos de soluciones regionales/nacionales a los desafíos o soluciones parroquia por parroquia [en el original pone patish-by-parish, no he logrado encontrar el significado del término patish, creo que es una errata y quería decir parish-by -parish]. La Iglesia continúa siendo una Iglesia.
El documento de trabajo también era ambiguo en la descripción de «familia». El informe final subraya que no es posible trazar analogías entre lo que entiende el Catolicismo por «matrimonio» y «familia» y otros arreglos sociales, no importa su estatuto legal.
Misericordia y verdad a veces parecían en tensión en el documento de trabajo. El informe final es mucho más desarrollado teológicamente al relacionar misericordia y verdad en Dios, y entonces inseparables de la doctrina y práctica de la Iglesia.
El documento de trabajo no era una gran cosa desde el punto de vista literario y era algo más que laborioso de digerir. El documento final es bastante elocuente en un número de puntos y enriquecerá las vidas de los que lo lean, aunque muchos quizás no estén de acuerdo con una u otra formulación.
En resumen, el informe final, aunque no sin defectos, va mucho más lejos –y a años luz más allá del «Instrumentum Laboris»– en aquello que el Papa Francisco y muchos padres Sinodales querían hacer en este proceso de dos años: elevar y celebrar la visión Católica del matrimonio y la familia como una respuesta luminosa a la crisis de estas instituciones en el siglo veintiuno.
Trasfondo y oportunidades perdidas
El Sínodo-2015 también ha traído a la luz varios problemas serios que deben ser tratados mientras la Iglesia se mueve más allá de los Sínodos gemelos de 2014 y 2015, con el informe final del Sínodo-2015 como marco de trabajo para una reflexión adicional (y para el que sea el documento post-sinodal que el Papa Francisco eventualmente elija emitir).
El primero de estos problemas podría llamarse uno de digestión teológica y pastoral. Fue dolorosamente claro en más de unas pocas intervenciones en la asamblea general del Sínodo –y de alguno de los informes de los grupos de discusión del Sínodo basados en la lengua– que amplios sectores de la Iglesia mundial no han ni siquiera empezado a interiorizar la enseñanza de la «Familiaris Consortio» (la exhortación apostólica de 1981 de Juan Pablo II que completa el trabajo del Sínodo de la Familia de 1980), mucho menos la Teología del Cuerpo de Juan Pablo. Peor, algunas partes de la Iglesia Europea occidental parece que consideran cualquier referencia a este material como trillado sin esperanza, incluso si solo tiene algo más de treinta años. El entusiasmo con el que la Teología del Cuerpo fue recibida en las partes más alerta de la Iglesia en Norte América ha sido ciertamente parte de la discusión en el Sínodo-2015; pero queda mucho trabajo por hacer para que esta única perspectiva Católica sobre corporalidad, sexualidad y amor humano dé frutos pastorales en América Latina y Europa.
Todavía, quizás no sorprende que lleva tiempo arraigar la enseñanza genuina que ensancha y desarrolla la tradición Católica; estas cosas siempre llevan tiempo. Pero dada la velocidad con el que le cambio cultural (o deconstrucción cultural) está invadiendo el mundo occidental, ciertamente cabe esperar que las iglesias locales que todavía no han hecho uso de estos recursos aprieten el acelerador.
El Sínodo 2015 habría sido más honesto si hubiese sacado a la superficie el duro hecho de que el asunto de la comunión y de la conciencia a menudo funcionan como pretexto de los episcopados, normalmente desde el mundo germano-hablante, que quieren olvidar la «Humanae Vitae» y deconstruir la «Veritatis Splendor». Esas partes del Iglesia mundial nunca han perdonado a Pablo VI por reafirmar en la «Humanae Vitae», la visión clásica de los medios apropiados para regular la fertilidad. Tampoco han perdonado a Juan Pablo II el rechazo de la teología de la moral proporcionalista de grandes figuras teológicas alemanas como son Bernard Häring y Joseph Fuchs e insistir, en la «Veritatis Splendor», que algunos actos son, en y por ellos mismos, gravemente malos («malum in se»). Un prominente padre sinodal del catolicismo germano-hablante incluso fue tan lejos para sugerir, en un entrevista antes del Sínodo 2015, que siempre se podía encontrar algo bueno en todas las situaciones, que «malum in se» no tiene sentido real en nuestro mundo. (Uno inmediatamente piensa en violaciones, tortura de niños, tráfico sexual de chicas, crucifixiones y decapitaciones de cristianos por el ISIS, y se pregunta que pasa con esta notable afirmación).
Además del orgullo intelectual que he notado como un problema en estas luchas, uno tampoco puede dejar de preguntarse sobre una cierta ceguera de la historia. La desintegración del tejido moral de Occidente está dirigiendo, paso a paso, a lo que Benedicto XVI acertadamente llamó la «dictadura del relativismo» –el uso del poder coercitivo del estado para imponer a fondo un código moral relativístico en toda la sociedad. ¿Por qué prominentes obispos gemano-hablantes no pueden ver esto?
Otro trasfondo en los debates del Sínodo 2015 ha sido una cuestión tan vieja como la controversia entre Agustín y Pelagio –y probablemente mucho más vieja que esa: ¿Somos pecadores necesitados de redención, o somos básicamente buenas personas que pueden, por nuestros propios esfuerzos, empujarnos a nosotros mismos a la nobleza a la que aspiramos? La última opción ahora viene empaquetada como «individualismo expresivo» - el término usado por el catedrático de derecho de Notre Dame Carteer Snead, en observaciones comunicadas esta semana en «Letter to the Synod» [en www.firstthings.com], para resumir la noción post-moderna de la persona como simplemente un manojo de deseos,una voluntad corporal. Es bastante malo, como el catedrático Snead dijo, cuando cinco jueces del Tribunal Supremo de EE.UU. creen en esto y lo usan para encontrar «derechos» en la constitución que habrían sido inimaginables para los que la escribieron y adoptaron ese texto y sus enmiendas. Es mucho más que malo cuando uno encuentra obispos católicos que viran en una dirección similar, equivocada, actuando bajo presiones culturales que parece que estén creando un sentido de desesperación pastoral. Aquí hay, entonces, otro asunto que necesita ser examinado seriamente en la Iglesia post-Sínodo 2015.
Finalmente, y a pesar de todas las cosas buenas del informe final, es una lástima que un Sínodo que pretendía cambiar el mundo ha acabado siendo una batalla sobre cambiar la Iglesia o permanecer fiel a su doctrina constitutiva y formal. Esto no es, uno espera, lo que el Papa Francisco quería, pero es lo que ha ocurrido, y que en sí misma ha sido una oportunidad perdida. También sugiere que la pasión por una «Iglesia permanentemente en misión» de la cual habla el Santo Padre todavía tiene que ser comunicada a algunos sectores muy importantes de la Iglesia mundial.
Una Iglesia vuelta en sí misma no es la Iglesia de la Nueva Evangelización. Queda para los que están comprometidos con el renacimiento evangélico del Catolicismo en el siglo veintiuno enlazar la familia a la misión más estrechamente de lo que ha hecho el Sínodo 2015.
Publicado en First Things, traducido por Josep Maria Fontdecaba Climent, del equipo de traductores de InfoCatólica.
sábado, 5 de dezembro de 2015
Os deputados e ex-deputados do PSD e CDS
em conluio com o lóbi dos invertidos
Alguns ainda não saíram do armário,
votam
abstenção, mas nenhum é de confiança.
Impõe-se a depuração das fileiras.
PPD-PSD
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| Ana Oliveira |
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| Ana Sofia Bettencourt |
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| Ângela Guerra |
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| António Leitão Amaro |
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| António Lima Costa |
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| António Rodrigues |
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| Berta Cabral |
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| Cristóvão Norte |
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| Duarte Marques |
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| Firmino Pereira |
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| Francisca Almeida |
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| Hugo Soares |
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| Inês Domingos |
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| João Prata |
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| Joana Barata Lopes |
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| Luís Menezes |
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| Maria José Castelo Branco |
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| Margarida Balseiro Lopes |
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| Mónica Ferro |
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| Nuno Encarnação |
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| Odete Silva |
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| Paula Cardoso |
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| Paula Teixeira da Cruz |
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| Pedro Pinto |
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| Rubina Berardo |
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| Sérgio Azevedo |
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| Simão Ribeiro |
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| Teresa Leal Coelho |
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| Vasco Cunha |
PP
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| Adolfo Mesquita Nunes |
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| Ana Rita Bessa |
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| Assunção Cristas |
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| Francisco Mendes da Silva |
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| João Rebelo |
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| Teresa Caeiro |
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
O estado de graça é isto
João Miguel Tavares, Público, 1 de Dezembro de 2015
Há quem diga que António Costa não vai ter direito a estado de graça. Discordo. Ele já está em estado de graça. Pelo país inteiro, celebra-se a libertação do jugo passista como os franceses festejaram a libertação de Paris. Um novo David, munido de poucos votos mas muita pontaria, conseguiu derrubar o malvado Golias, que oprimia os pobres e desvalidos através da terrível austeridade. Basta olhar para a felicidade estampada nos textos de tanta gente: foi melhor assim do que se o PS tivesse ganho as eleições. Mais inesperado. Mais cruel. E, por isso mesmo, mais justo.
Para encontrarmos bons exemplos desse estado de graça basta ler o PÚBLICO dos últimos dias. José Pacheco Pereira, que tanto aprecia anunciar ao mundo a sua frígida lucidez, desta vez escreveu uma crónica onde todos os parágrafos padecem de acne juvenil, só pelo prazer de poder gritar: «Acabou!!!!». E reparem que não é um «acabou!!!!» qualquer. É um «acabou!!!!» nascido de dezenas de conversas com o povo oprimido da Marmeleira. Um «acabou!!!!» afinado com a luta antifascista. Escreve ele: «um alto e sonoro ‘acabou’ como antes do 25 de Abril se chegava ao ‘às armas’ da Portuguesa e de repente toda a gente gritava a plenos pulmões». O estado de graça é isto.
Rui Tavares, no seu texto de ontem, preferiu valorizar uma questão simbólica: «Não foram mencionados os títulos académicos dos novos ministros e secretários de Estado durante a tomada de posse do novo Governo. A ser verdade, é uma revolução.» Note-se que ele não faz a coisa por menos. «Uma revolução». Deixar de tratar Augusto Santos Silva por «professor doutor» é «uma revolução». Eu cá trocava alegremente a permanência de «professor doutor» pela impermanência de Augusto Santos Silva. Assim de repente, parecer-me-ia coisa muitíssimo mais revolucionária. Mas isso deve ser porque sou de direita. O imenso povo de esquerda, que nunca precisou de muito para se entusiasmar, acredita que a abolição dos títulos académicos é apenas o primeiro passo para a abolição de todas as desigualdades. O estado de graça é isto.
Também no dia de ontem, num texto intitulado «A estratégia de um governo que quer ir além da política de rendimentos», Paulo Pena explica as razões do «incomum afastamento do ministro das Finanças, Mário Centeno, do ‘pódio’ da hierarquia governamental». A tese, acompanhando os discursos de António Costa, é a de que as questões financeiras são agora assumidas como «instrumentais», e não «estratégicas», e de que esta nova «visão» é aquela que irá ser vendida na Europa, certamente para grande espanto dos burocratas de Bruxelas, que nunca ouviram falar em tal coisa. De facto, só um génio se lembraria de que o grande problema português não está na dívida mas na falta de competitividade da economia. Estou certo que mal acabe de explicar isto a Wolfgang Schäuble, António Costa, expelindo sonoros ulos de «eureka!!!!», irá provar ao mundo que é mais fácil empurrar um cilindro do que um paralelepípedo.
Mas Paulo Pena tem fé: se Costa for capaz de levar a sua avante, «talvez a expressão ‘um tempo novo’, que prometeu no discurso de tomada de posse, faça sentido». E conclui: «Mesmo que o não consiga, mais fácil parece ser a promessa que deixou aos seus ministros e secretários de Estado, na sala dos Embaixadores, no Palácio da Ajuda: ‘Foi para um projecto entusiasmante que vos convidei.’» Entusiasmante, de facto. O mal foi vencido. A esperança vive. O estado de graça é isto.
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
domingo, 29 de novembro de 2015
Irmandade do bem
Inês Teotónio Pereira, Ionline, 28 de Novembro de 2015
O rei vai nu, anunciam os senhores do bem, e por isso o superior interesse nacional é deles, é divinamente deles, porque só deles pode ser
Acabou. Acabou com mágoa mas sem saudade o pesadelo e uma época. Uma época de tirania, de rancor e de austeridade que tinha apenas como fim trágico e sádico o empobrecimento, a miséria; que tinha apenas como glória a humilhação do outro e a exploração do outro por outro qualquer. Acabou, acabou tudo. Ao fim de semanas de luta e de obstáculos vencidos, a irmandade do bem, unida por um anel de acordos forjado em nome desse desígnio maior que é o povo português, ganhou. O caminho foi feito de pedras, mas conseguiu-se resgatar da sombra do protesto e da penumbra, da rua mesmo, os partidos feridos e injustamente excluídos através do voto do direito de governar em nome do povo. Mas quem mais pode governar em nome do povo senão aqueles que sabem qual é a sua vontade? Só eles. Apenas eles.
Respira-se agora uma nova atmosfera, límpida e imaculada, que abraça a única ordem possível das coisas, agora repostas no seu lugar tal como uma moldura que é finalmente endireitada. Nem sequer chove. É de todos e todas o ambiente de esperança e de bondade, de prosperidade e de solidariedade, é nosso um novo desígnio ao virar da esquina do rio. Foram por fim arrancadas e desfeitas as correntes da austeridade. As amarras que subjugaram o país a uma cultura de pobreza, ao vício da caridadezinha que os tiranos do mal, mal-amados e mal-intencionados, enraizados nos escombros do fascismo e do catolicismo bafiento, exploraram, implantaram e que sadicamente, entre um ranger de dentes e um esfregar de mãos, prenderam todos os portugueses. Todos? Não: os ricos, os burgueses, os habitantes do pântano da hipocrisia e dos privilégios não entraram nessa lista negra. Saíram ilesos, com as suas armaduras reluzentes sem vestígios de uma luta feroz que não travaram nem sofreram.
Desprenderam-se finalmente as amarras de uma direita de excel mais preocupada com contas do que com pessoas, com exames do que com alunos, que escolheu a mesquinhez da matemática em detrimento da cidadania e da sexualidade – ou mesmo da Constituição, por Júpiter! Uma direita que gosta mais de banqueiros que dos bancos de jardim onde os pensionistas congelados nas suas reformas se sentam e se entretêm num jogo de cartas que todos os dias acaba da mesma maneira: sem esperança de ganhar.
Mas acabou. Acendeu-se de novo o brilho nos olhos dos velhos por um ou dois euros a mais. Apenas, dirão. Mas é um sinal, e o que é a vida senão um sinal? Hoje e amanhã, a irmandade do anel do bem salva e salvará os portugueses que vivem em Portugal ou no estrangeiro, os estrangeiros, os heterossexuais ou os homossexuais, as crianças ou os bebés. Todos e todas, e até aqueles que recusam o preconceito dos rótulos de género.
Foi ilegítimo, gritam os semidemocratas, enrouquecidos e enfurecidos pelo fel que lhes fere a garganta e desafina a voz. Ressabiados na dor de quem perdeu achando que ganhava, apesar de ter ganhado. Mas não, as vitórias são e serão sempre do bem, da irmandade, por mais equívocas que pareçam à luz de uma interpretação facciosa de quem já não manda apesar de viver num palácio.
O rei vai nu, anunciam os senhores do bem, e por isso o superior interesse nacional é deles, é divinamente deles, porque só deles pode ser. Não é, não voltará a ser dos ultraconservadores ou neoliberais que engordam com a miséria dos que exploram; não é, jamais será, dos que não mandam, eleitos ou não.
Um novo horizonte onde o sol se põe sem deixar de brilhar desvendou-se através do encanto de quem sabe manobrar. De quem sabe interpretar a justiça soltando os perseguidos e prendendo os que perseguem; calar os que transbordam ódio e dar voz aos virtuosos; criar riqueza através da forte convicção de criar riqueza; melhorar a educação do povo porque é dela o reino da administração pública; parar a sangria do coração de Portugal que é irrigado pela rede de transportes terrestres; descongelar tudo o que possa ir ao microondas; morder os calcanhares do monstro europeu com a fúria dos justos porque é lá que se fabrica o aço das amarras da austeridade. «After all, tomorrow is another day!», disse Scarlett O’Hara. Não, Scarlett: o nosso amanhã é hoje e já canta!
sábado, 28 de novembro de 2015
Então «o coordenador» Eanes
não conseguiu proteger?
Da memória
Michael Seufert, Diário Expresso, 26 de Novembro de 2015
25 de Novembro de 1975, Mário Soares não jantou em casa. Nem sequer em Lisboa. Temendo pela vida, cito o site do Partido Socialista, foi com colegas da Comissão Permanente do PS pedir protecção ao brigadeiro Pires Veloso. No Norte, longe das mãos de Otelo Saraiva de Carvalho e de Mário Tomé, respirava-se uma calma que só chegaria à Região Militar de Lisboa depois da dissolução do COPCON e da prisão destes e de outros revolucionários que teimavam em não aceitar o jogo democrático. O Verão Quente terminaria e podia, finalmente, cumprir-se o mais importante desígnio do 25 de Abril: Democracia.
Que 40 anos depois seja o Partido Socialista, que
indicaria o primeiro primeiro-ministro constitucional uns meses depois, a
impedir que o Parlamento português – que exerce o seu mandato graças aos
militares que impediram o golpe a 25 de Novembro de 1975 – assinale esse dia, é
particularmente sintomático dos dias que vivemos. O país está de pernas para o
ar e são o Partido Comunista e o Bloco a ditar o que o PS pode e o que o PS não
pode fazer. Parece que está de facto instituído que são os menos votados a
impor-se aos mais votados.
O que fica por saber é até onde aceitará o PS ir para não
incomodar os seus novos parceiros. Renegou hoje um momento fundador da
democracia e fundamental na história do PS (que dias depois, em 1975, deu uma
violentíssima conferência de imprensa atacando Cunhal e o seu partido). Que
renegará amanhã?
Mas será assim tão importante, tão fundamental, tão
decisivo assinalar o 25 de Novembro? Provavelmente não. Mas é simbólico e
talvez por ser pouco decisivo mostre ainda mais o labirinto em que Costa meteu
o PS. Se a 25 de Novembro de 2015 o PS dá cobertura a Otelo por causa do PC e
ao Major Tomé por causa do Bloco, o que fará nos próximos meses?
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