sábado, 23 de março de 2013

Notícias de Roma

O Papa Francisco almoça e canta tango
com 50 argentinos em Roma

ROMA, 22 Mar. 13 (ACI/Europa Press) .- O Papa Francisco teve uma refeição com um grupo de 50 argentinos presentes em Roma nesta quarta-feira às 12:30h em um dos salões adjacentes à Sala Paulo VI.

Entre os convidados, com os quais cantou tangos argentinos, encontrava-se o presidente da Conferência Episcopal Argentina, Dom José Maria Arancedo, o mestre geral da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, Frei Pablo Bernardo Ordoñe, sacerdotes, religiosas e alguns casais com seus filhos.

No dia seguinte do início do Pontificado do Francisco, o frade argentino recebeu uma chamada que anunciava que "o novo Papa Francisco queria 'comer alguma coisa' com ele, e com outros argentinos presentes em Roma", conforme indicava a Rádio Vaticano.

Sobre o encontro, Frei Pablo Bernardo Ordoñe, destacou que tudo foi "com uma grande naturalidade", que recebeu "o abraço típico e o conselho do bom pai" e que cantaram algum tango, pois "tratava-se também de recuperar as raízes e tradições".

Do mesmo modo, o Mestre Geral da Ordem de Nossa Senhora das Mercês assinalou que "os convidados também rezaram juntos" e que o Papa insistiu "em rezar muito e rezar juntos".

Por outro lado, Pablo Bernardo Ordoñe ressaltou que o novo Papa "não é um homem que fica dando voltas ao problema, mas um homem que sabe aonde vai, com quem vai, e com que conta" e acrescentou que os presente disseram ao Pontífice que "estão dispostos a colaborar com ele, a apoiá-lo, a acompanhá-lo" pois querem "que tudo caminhe bem para todos, em toda a Igreja".



sexta-feira, 22 de março de 2013

Da fraude Roberto Carneiro a Domingos Cunha


Heduíno Gomes

Domingos Cunha, médico, deputado do PS-Açores e antigo secretário regional da Saúde, afirmou que o facto das crianças terem a barriga vazia – passarem fome – não tem influência no seu aproveitamento escolar.

Por outro lado, quando a fraude Roberto Carneiro ocupava o lugar de Ministro da Educação da fraude Cavaco (ambos viriam salvar Portugal, como se viu, cada um na área respectiva), dizia ele que o problema do insucesso escolar era a fome das crianças…

E daí, a fraude Roberto Carneiro inventou um programa que consistia em dar pacotinhos de leite com chocolate às criancinhas. E pronto! Bastou decretar que as professoras apenas poderiam chumbar os miúdos na 2.ª e na 4.ª classes – nada de chumbos na 1.ª e na 3.ª – e as estatísticas corresponderam de imediato à milagrosa receita láctea!

Agora vem Domingos Cunha, um médico – pasme-se com a sua ciência –, dizer que a fome não tem influência no aproveitamento escolar!

Qual deles será o melhor?

Ver vídeo em:

https://www.facebook.com/RiseupPortugal#!/photo.php?v=135871783258533&set=vb.435456119811173&type=2&theater



quinta-feira, 21 de março de 2013

Salazar, a pobreza, o pó e o ouro


Fernando Sobral
Os portugueses iludiram-se culturalmente: julgaram que o dinheiro fácil que chegou durante três décadas comprava a solidez da educação e o espírito da invenção e inovação. E do risco. É uma tónica portuguesa: prefere-se a renda ao risco. O resultado está à vista.

Em 1962, António Oliveira Salazar sintetizou de forma clara a visão que tinha do seu Portugal: «Um país, um povo que tiverem a coragem de ser pobres são invencíveis». Este mundo pobre, ou remediado, acabou após a entrada na União Europeia.

Em cima da nossa pobreza caíram toneladas de dinheiro. O país ficou sulcado por auto-estradas e rotundas. As mercearias de bairro fecharam e nasceram hipermercados. Os portugueses passaram a preferir ir passear para os centros comerciais do que para os jardins. A democracia de consumo chegou como se fosse um milagre redentor.

Todos acharam que faziam parte da classe média, alimentada pelo crédito fácil. O paraíso tinha também construído na sombra o purgatório, feito de cumplicidades: do BPN à Parque Escolar foi um mundo de oportunidades de «negócio» para muitos. Deixando de ter a coragem de ser remediado o povo português tornou-se uma presa fácil de uma crise que não percebesse.

Destruída a base industrial, agrícola e piscatória do país, com fundos comunitários para abater tudo isso e trazer a «modernidade», Portugal ficou indefeso quando chegou a grande crise de 2008. Já antes era visível mas todos se recusavam a ver: o Estado continuava a ser a mãe de todas as batalhas e de todas as rendas. A própria sociedade civil e iniciativa privada viviam de bem com o Estado, fosse ele guiado pelo PS ou pelo PSD. A mais breve nota de suicídio da história portuguesa foi escrita por José Sócrates, o último da linhagem de destruidores de um país que poderia ser remediado mas inteligente.

Tudo se desvaneceu no ar. O crédito fácil foi substituído pela amarga austeridade. António de Oliveira Salazar, em 1963, dizia: «Quero este país pobre, se for necessário, mas independente – e não o quero colonizado pelo capital americano». A colonização é hoje exercida pela Comissão Europeia e pela troika, numa Europa que parece cada vez mais dividida cultural e moralmente, entre um norte protestante e um sul católico. A moral calvinista é uma forma demolidora de salvação (salvamo-nos pelo trabalho), face à forma como se perdoam os pecados, no confessionário, a sul.

Tudo nos divide. A forma como os protestantes criaram o capitalismo moderno enquanto nós víamos as naus carregadas de pimenta e ouro irem directas para Amesterdão e Londres para pagar os nossos prazeres ao sol diz muito do que são formas diferentes de olhar para a civilização.

Mas, ainda assim, os portugueses iludiram-se culturalmente: julgaram que o dinheiro fácil que chegou durante três décadas comprava a solidez da educação e o espírito da invenção e inovação. E do risco. É uma tónica portuguesa: prefere-se a renda ao risco. O regime atolou-se e o BPN representa-o perfeitamente nas suas ligações pouco transparentes a tudo e a todos. Se quisermos estudar este regime estudemos o BPN. Antes e depois da nacionalização. Está lá tudo o que se andou a fazer desde a entrada na União Europeia.

Maquilhou-se a pobreza com um falso riquismo que só encheu os bolsos e a estima de alguns. Que hoje vivem acima dos dramas dos comuns portugueses que só acreditaram no cartão de crédito, na casa acima das suas possibilidades, nas férias nos «resorts» mais aprazíveis, no carro do último modelo e no telemóvel 3G. Esse mundo ruiu para a maioria. Mas na sombra da crise há quem continue a viver de rendas, escudado nos invencíveis contratos com que o Estado prometeu dar tudo sem receber nada. Voltamos assim aos anos de 1960, como se tudo não tivesse passado de uma ilusão.

Com uma diferença:

Em Agosto de 1968, Oliveira Salazar dizia: «No dia em que eu abandonar o poder, quem voltar os meus bolsos do avesso, só encontrará pó». Hoje, nos bolsos de alguns que nasceram, cresceram e singraram com este regime, só se encontrará ouro.



quarta-feira, 20 de março de 2013

Os tolos aplaudem

José António Saraiva
Passos Coelho e Vítor Gaspar pediram mais tempo para baixar o défice, para pagar os juros da dívida e para cortar a despesa do Estado.

E deixaram cair a palavra maldita – «austeridade» – e passaram a usar a palavra milagrosa – «crescimento».

Eu percebo-os: estavam sozinhos.

Tinham contra eles todos os partidos da oposição, os sindicatos, os «senadores» (de Mário Soares a Freitas do Amaral), os autarcas, alguns bispos, o CDS (que funciona com frequência como oposição dentro do Governo), os manifestantes que os perseguem por todo o lado chamando-lhes «gatunos», a maioria da comunicação social e os comentadores (inclusive muitos afectos ao PSD).

Este fenómeno dos comentadores é curioso.

Em Portugal, instalou-se a moda dos «políticos-comentadores televisivos», isto é, dos políticos que, depois de deixarem a política ou estando momentaneamente fora dela, se dedicam ao comentário.

Os exemplos não têm fim: Marques Mendes, Marcelo Rebelo de Sousa, Augusto Santos Silva, Jorge Coelho, Pedro Santana Lopes, Manuel Maria Carrilho, António Costa, Bagão Félix, António Capucho, Manuela Ferreira Leite, Francisco Louçã, Nuno Melo, Paulo Rangel, Sérgio Sousa Pinto, Ana Drago, eu sei lá!

E estes «políticos-comentadores» têm uma limitação: nunca deixam de ser políticos.

De pensar como políticos.

E, nessa medida, também gostam de ser populares.

Assim, mesmo os comentadores sociais-democratas começaram, a partir de certa altura, a dizer que bastava de «austeridade» e se impunha começar a falar de «crescimento».

Eles sentiam que, se continuassem a dizer «Não podemos abandonar já a austeridade, temos de levar até ao fim a consolidação orçamental, é cedo para falar de crescimento», começavam a perder audiência e popularidade (tal como os políticos perdem votos).

Mas terão razão?

Julgo que não: é cedo demais para o Governo mudar de discurso.

E, além disso, é enganador e é perigoso.

É enganador, porque o crescimento não depende do Governo; não basta estalar os dedos para a economia começar a crescer.

É perigoso, porque as pessoas podem pensar que os tempos de austeridade já lá vão e que podemos voltar alegremente ao passado.

Ora, não podemos voltar ao passado.

O discurso do «crescimento» foi o que Sócrates andou a fazer durante seis anos, com os resultados que se conhecem.

Além disso, vamos crescer com que dinheiro?

Só pode haver crescimento com investimento.

Ora, o que conseguiu atrair algum investimento estrangeiro nos últimos anos (como o prova o sucesso das privatizações, que renderam mais do que o previsto) foi precisamente o cumprimento do programa de austeridade.

Porque os investidores pensaram: «Eles estão a ganhar juízo! Vão finalmente pôr as finanças em ordem».

Foi isso que deu credibilidade ao país lá fora e atraiu capitais.

Um discurso oco, assente em sonhos de crescimento que não temos dinheiro para sustentar, não teria atraído ninguém.

Mas há outra razão para não ir por esse caminho.

É que Portugal e a Europa não mais voltarão a ser o que eram.

Porquê?

Porque a crise não é conjuntural, é estrutural; não é passageira, é permanente.

Houve muitas fábricas que emigraram da Europa (e dos EUA) para outras paragens, houve muitos serviços que emigraram para outras paragens, houve investimentos que emigraram para outras paragens – para o Oriente, para a América do Sul, para África – e, como consequência disto, o Ocidente passou a produzir menos, os rendimentos das famílias caíram e o número de postos de trabalho diminuiu drasticamente.

O progresso tecnológico também contribuiu para isso.

Na portagem de Estremoz, por exemplo, trabalhavam até há poucos anos três ou quatro pessoas. Hoje, as cobranças estão automatizadas e já não há portageiros. Essas pessoas foram para onde? E isto não se passou só em Estremoz: passou-se no país todo, em muitas centenas de portagens. E não se passou só na Brisa: passou-se em centenas de empresas. Na Autoeuropa, a maior parte do trabalho de montagem e pintura é hoje realizada por robôs.

Portanto, a Europa e Portugal jamais voltarão a ser o que eram.

E é esse discurso que os políticos e os comentadores responsáveis deveriam fazer.

Mas não fazem, porque perderiam votos e audiências.

Têm de fazer um discurso cor-de-rosa.

E isto conduz-nos a outra ideia, muito mais inquietante: será a democracia compatível com uma austeridade prolongada?

Será a democracia compatível com o definhamento das nações e a queda dos rendimentos das pessoas?

Se calhar não é.

O alargamento da democracia na Europa coincidiu com um período de crescimento económico sustentado, de desenvolvimento, de abastança, de implantação da sociedade de consumo.

Mas, se a economia começar regularmente a definhar, tudo poderá ser diferente.

Basta olhar para Itália: o político mais responsável, o menos demagogo, o mais credível, o que mais falou verdade durante a campanha eleitoral – Mario Monti – foi cilindrado nas urnas.

Simultaneamente, dois comediantes foram os grandes triunfadores: um de direita, Berlusconi, o outro de esquerda, Grillo.

Isto diz tudo sobre a «responsabilidade» dos eleitorados em tempo de crise.

As eleições – que são a pedra de toque das democracias – foram transformadas numa triste palhaçada.

E assim a Europa irá escorregando para o abismo.

Por culpa das circunstâncias madrastas, mas também por culpa dos políticos, dos comentadores e dos jornalistas – que não têm coragem para explicar que o mundo mudou, que o passado de abastança não vai voltar, que temos de nos habituar a viver com menos dinheiro.

Com medo de perderem votos, audiências ou leitores, políticos e comentadores semeiam ilusões.

Fazem promessas que não podem cumprir ou tecem comentários com propostas inexequíveis.

E de dia para dia a revolta crescerá, como uma onda irracional decidida a engolir as instituições e a democracia.

E os tolos aplaudem.



terça-feira, 19 de março de 2013

De acordo em acordo até ao
desacordo final?


Teolinda Gersão
O Acordo Ortográfico foi um processo infeliz, tratado nas costas da população dos países lusófonos, como se a língua fosse propriedade de um grupo de linguistas e os Governos tivessem legitimidade para mudar por decreto uma língua que não é propriedade sua, mas do país e dos cidadãos.

O percurso errático do Acordo Ortográfico arrasta-se há 23 anos (ou melhor, há 38, porque começou a ser pensado em 1975) e ainda não está legalmente em vigor, porque as populações dos vários países lhe resistem e porque, quando se tentou impô-lo pela força de um decreto, o resultado foi o caos.

O que faltará acontecer para que os sucessivos Governos reconheçam que pretendem a quadratura do círculo e que estas tentativas pura e simplesmente não funcionam?

Recentemente a Presidente Dilma adiou para 2016 a entrada em vigor do Acordo Ortográfico no Brasil, e, a acreditar nos jornais, tomou essa decisão unilateralmente, sem consultar os seus parceiros.

Pretende-se vender-nos a ideia patética de que o português de grafia uniformizada (vulgo, o «acordês») é a língua do poder e dos negócios.

Seguindo o «acordês» todos seríamos, a reboque do Brasil, grandes potências emergentes, a caminho de um mundo magnífico de poder e riqueza, partilhado por 240 milhões de falantes. Será que não percebemos a irracionalidade desta ideia?

A verdade é que o Brasil – ele sim – é uma grande potência emergente, o que nos alegra porque também nós o amamos. Mas Portugal, e outros pequenos países lusófonos, jamais serão grandes potências ou terão o peso do Brasil.

Esse peso não é partilhável, a nível nenhum.

Manter em cada país a sua variante da língua é uma marca de identidade e um património, que está acima do poder de qualquer Governo. Porque os Governos passam e mudam, mas as línguas não podem passar nem mudar como se fossem Governos.

É natural que o Brasil pretenda maior protagonismo liderando estas alterações linguísticas. Mas os restantes países lusófonos não têm nada a lucrar com isso, só têm a perder. E o Brasil, como grande potência emergente que já é, não precisa de nós, a não ser a nível simbólico. Porque, com Acordo Ortográfico ou sem Acordo Ortográfico, o Brasil vai sempre cuidar dos seus negócios e dos seus interesses, e só deles, o que é normal e legítimo: os países cuidam de si próprios, e tomáramos nós ter em Portugal quem defendesse os nossos interesses como Dilma defende os do Brasil.

Os laços e afectos só existem a nível das pessoas. A nível dos países, há apenas interesses. Não sentimos isso na pele, aqui na Europa? Estas mudanças linguísticas são apenas uma jogada política. Em todos os outros aspectos, são incongruentes:

Só dois exemplos: se o Acordo Ortográfico é fundamental para que nos entendamos, então por que razão no Brasil os livros portugueses, escritos segundo o «acordês», são traduzidos para o português do Brasil como se estivessem escritos numa língua estrangeira? Por que razão «mesa de cabeceira» passa a «criado mudo», «ficou pasmado» a «ficou pasmo», «foi apanhado pela polícia» a «foi pego pela polícia» etc. etc.?

Por que razão a nós nunca nos passou pela cabeça traduzir para o português europeu Guimarães Rosa, João Ubaldo Ribeiro, Ruben Fonseca ou qualquer outro autor?

Por que razão as livrarias portuguesas têm bancas de livros brasileiros e a literatura do Brasil nos é tão familiar, quando o inverso não se verifica?

Por que razão há cada vez MENOS estudos de literatura portuguesa nas universidades brasileiras, e cada vez MAIS estudos de literatura brasileira nas universidades portuguesas?

A resposta é simples: porque Portugal se abriu há muitas décadas ao Brasil, cujos autores circulam livremente entre nós, porque os sentimos como se também fossem «nossos», enquanto o Brasil sempre levantou barreiras alfandegárias intransponíveis aos livros portugueses, que lá chegam a preços proibitivos, e na maior parte dos casos nunca chegam.

A solução não está em «acordizar», mas em ter um intercâmbio maior e mais simétrico, em conhecer-nos melhor, valorizando as nossas diferenças.

Quanto ao «acordês» ser a língua dos negócios, «acção» e «facto», por exemplo, são mais compreensíveis para qualquer estrangeiro do que «ação» e «fato» (porque mais próximas de «action» e «fact» em inglês, língua de recurso que é, e continuará a ser, a língua franca dos negócios internacionais).

No ponto em que estamos, temos dois caminhos:

O do senso comum, que é reconhecer que a língua portuguesa admite variantes, nos diferentes países onde é usada, o que só a enriquece. Não pode haver qualquer hierarquia entre os países lusófonos, nem entre as suas variantes linguísticas: Nenhum país é dono da língua, e nenhum é inquilino. Vamos deixar a língua evoluir naturalmente, a partir de dentro e não por decretos, porque ela é um organismo vivo, e cada país a usa a seu modo, como bem entende e quer, porque ela é sua e lhe pertence por direito próprio. Nenhum país tem o direito de policiar ou fiscalizar o uso da língua em qualquer outro país lusófono. O português não é uniformizável, qualquer acordo é um contra-senso. Mesmo que fosse possível «acordar» e «simplificar», o resultado seria imensamente empobrecedor.

Ou entendemos isto e desistimos de acordos, ou vamos persistir por muitas décadas neste processo delirante de acordos impossíveis – um acordo ortográfico falhado atrás de outro, seguido de um já anunciado acordo de vocabulário que irá ser igualmente falhado, e depois um acordo de sintaxe falhado, etc. etc. – ... até bater na parede de um imenso Desacordo final, que deixará profundo desgaste e feridas a todos os níveis, entre países que sempre souberam entender-se e conviver, respeitando e valorizando as suas diferenças.

Deixo ainda uma breve nota de carácter prático: certamente que é útil a existência de Vocabulários e Dicionários que abranjam as variantes usadas nos diversos países. Mas apenas como instrumentos de informação e de consulta, onde se encontrem respostas a perguntas como: em que variantes da língua se escreve húmido ou úmido, ou o que significam palavras como xiluva, caxinde, imbandas, quizumba, tambarina, cachupa, kebur, ipê etc. Mas considero que os Vocabulários e os Dicionários só fazem sentido sem qualquer valor normativo, cada país tendo direito exclusivo à sua variante da língua, sem imposições ou interferências de outro país.



quinta-feira, 14 de março de 2013

Ao encontro de Pacheco Pereira


João J. Brandão Ferreira
O Dr. Pacheco Pereira (PP) escreveu um muito interessante artigo no Jornal «Público», de 9 de Março, com o título «Tem sentido manter Forças Armadas em Portugal?», onde, entre vários considerandos e exemplos pertinentes, coloca a questão central de «Portugal precisar de ter FAs ou não».

Sendo uma questão legítima do ponto de vista democrático, como defende, convém enquadrá-la e pôr-lhe limites sob pena de também passar a ser legítimo (e natural?) questionarmos se a Nação Portuguesa deve desaparecer – a velha questão de que «a Pátria não se discute mas defende-se» – ou de passarmos a discutir se podemos levar os nossos velhos para a montanha e abandoná-los lá (como se fez com o aborto). Se calhar o Ministério das Finanças até aplaudia…

Podia, até, ser considerado legítimo, mas seria moral, ou legal?

E convém lembrar que Cristo também foi cruxificado democraticamente. De braço no ar.

Com isto dito e sem querer pôr nada mais em causa, tenho que dizer que a questão central apontada, podendo entender-se, já não tem razão de ser pelo simples facto de estar ultrapassada.

A questão sobre as missões e o modelo de FAs a constituir tinha toda a razão de ser, por exemplo, a seguir ao abandono do Ultramar e, nomeadamente, em 1982, quando as FAs se integraram plena e normalmente, nas estruturas do Estado.

Mas tal não se fez nem nos anos seguintes em que a pergunta era recorrente em vários meios.

A situação política e social do País, porém, descambou e apodreceu de tal maneira que passámos a ser um Estado falido e tutelado (e não só financeiramente) – que a inaudita posição do governo, muito bem referida por PP, de deixar a «Troika» pronunciar-se sobre cortes nas FAs, mais acentua – que é a própria sobrevivência de Portugal que está em causa.

Ou seja, o que faz sentido questionar é se queremos, ainda, ter País ou não e que País pretendemos, a que a suicidária hipótese do Federalismo Europeu está longe de ser alheia, (para já não falar no Iberismo).

Tudo o resto está dependente desta resposta.

Quer dizer, se nós decidirmos que nos suicidamos, a resposta relativa às FAs está automaticamente dada e, nesse caso, nós formamos o que resta da tropa, entregamos as chaves dos quartéis e dos paióis (vazios), a quem provar pertencer-lhe e mandamos direita volver, destroçar.

Ou, então, revoltamo-nos pois tal, podendo não ser nada democrático, é mais do que legitimo!...

Se por patriotismo do povo português, ou graça da Senhora da Conceição (de Vila Viçosa), acolitada por S. Miguel (Anjo Custódio de Portugal), a decisão fôr a de continuarmos a ter País, nesse caso também não faz sentido, colocar a questão de precisarmos ou não de FAs, mas sim a de estabelecer quais as missões que se entende que elas devam estar aptas a cumprir.

A estrutura, meios, dispositivo, etc., e recursos financeiros a alocar vêm, naturalmente, por acréscimo.

O mesmo é válido para as restantes funções necessárias ao Estado, como expressão da Nação politicamente organizada.

Outra coisa que é necessário entender – e não se vê referido em lado algum, mesmo em textos lúcidos como os de PP – é a de que a hierarquia (palavra tornada maldita) das funções do Estado, existe e deve ser tida em conta.

Isto é, o que deve vir à cabeça são as questões de Segurança, a seguir a Justiça, finalmente as de Bem-Estar. A ordem dos termos não é arbitrária já que não se pode ter Bem-Estar sem Justiça, e ambas sem Segurança.

Isto que é evidente, assim não aparece aos contemporâneos. Os políticos portugueses (idem para os ocidentais, à excepção dos americanos, até ver) têm isto tudo baralhado.

Ofuscados que estão com o lado material da vida e com a contagem dos votos – afinal a «democracia» depende deles – não querem ver mais nada e acabarão por não ter coisa alguma. Como está prestes a acontecer.

E a «arte» da política consiste, justamente, em conseguir a harmonia entre as três áreas.

Por outro lado, a importância dos problemas não é a mesma, nem se podem atacar todos eles ao mesmo tempo: há que estabelecer prioridades (e, já agora, não andar a inventar problemas onde não há…).

As FAs são um pilar fundamental do Poder Nacional e sem poder – poder efectivo, político, diplomático, económico, financeiro, cultural, militar e psicológico – não há política possível, por não haver qualquer capacidade de se poder escolher e manter seja que estratégia fôr; tão pouco escolher caminhos, minimizar dependências ou estabelecer alianças.

A Portugal apenas lhe resta poder residual e arrasta-se por inércia.

A Instituição Militar levou quase 900 anos a construir-se e está, em termos de conhecimento, ao nível das mais avançadas do mundo. Mas pode desaparecer de um dia para o outro, como um fogo destrói uma floresta.[1]

Explicar as coisas por conceitos simples, que toda a gente perceba, ao contrário do que possa parecer, requer grande saber e capacidade de síntese e não está ao alcance da maioria. Infelizmente tem andado arredio da generalidade da classe política, isto para não entrarmos no campo das (más) intenções.

Estamos a aproximar-nos – com as devidas proporções – da sociedade que conheci na Guiné-Bissau «independente» (ah, ah, ah!): uma manta de retalhos em que os desgraçados dos habitantes[2] fingiam que trabalhavam e o simulacro de Estado, fingia que lhes pagava – embora uns quantos enriquecessem.

Vislumbro sérias tribulações.


[1] Como por exemplo aconteceu, em 1807, quando Junot dissolveu o Exército. Atente-se no custo que isso acarretou… (por exemplo a morte de 10% da população!).

[2] E são verdadeiramente desgraçados desde que uns díscolos de ideologias funestas os privaram, unilateralmente, da nacionalidade portuguesa!



terça-feira, 12 de março de 2013

António Costa (semi-)contra o sistema?


Óptimo! Já é qualquer coisa!

António Costa, no programa «Quadratura do Círculo», disse o que se segue. Esqueceu-se, no entanto de nomear o Sócrates, as patetices do Guterres e mais alguns. É pena. Também é pena que não se refira à degradação moral da nossa sociedade (chamados «casamentos» dos invertidos, aborto, pornografia, etc.), promovida pelo Estado, pelos Balsemões, pelo GOL (António Reis em pessoa, quando Grão-Mestre), etc.

De qualquer modo, por ser um passo, aqui se reproduz.

(...) A situação a que chegámos não foi uma situação do acaso. A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir; não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria, por ex. no têxtil. Nós fomos financiados para desmantelar o têxtil porque a Alemanha queria (a Alemanha e os outros países como a Alemanha) queriam que abríssemos os nossos mercados ao têxtil chinês basicamente porque ao abrir os mercados ao têxtil chinês eles exportavam os teares que produziam, para os chineses produzirem o têxtil que nós deixávamos de produzir.

E portanto, esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável.

Nós orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia: em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado. E portanto, houve um comportamento racional dos agentes económicos em função de uma política induzida pela União Europeia. Portanto não é aceitável agora dizer? Podemos todos concluir e acho que devemos concluir que errámos, agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses. Não, esse foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira. E é isso que estamos a pagar!

A ideia de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, é um enorme embuste. Esta mentira só é ultrapassada por uma outra. A de que não há alternativa à austeridade, apresentada como um castigo justo, face a hábitos de consumo exagerados. Colossais fraudes. Nem os portugueses merecem castigo, nem a austeridade é inevitável.

Quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do estado. A administração central e local enxameou-se de milhares de «boys», criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasma. A este regabofe juntou-se uma epidemia fatal que é a corrupção. Os exemplos sucederam-se. A Expo 98 transformou uma zona degradada numa nova cidade, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, mas no final deu prejuízo. Foi ainda o Euro 2004, e a compra dos submarinos, com pagamento de luvas e corrupção provada, mas só na Alemanha. E foram as vigarices de Isaltino Morais, que nunca mais é preso. A que se juntam os casos de Duarte Lima, do BPN e do BPP, as parcerias público-privadas 16 e mais um rol interminável de crimes que depauperaram o erário público. Todos estes negócios e privilégios concedidos a um polvo que, com os seus tentáculos, se alimenta do dinheiro do povo têm responsáveis conhecidos. E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos.

Enquanto isto, os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades. Não devemos pois, enquanto povo, ter remorsos pelo estado das contas públicas. Devemos antes exigir a eliminação dos privilégios que nos arruínam. Há que renegociar as parcerias público--privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos... Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões. Sem penalizar os cidadãos.

Não é, assim, culpando e castigando o povo pelos erros da sua classe política que se resolve a crise. Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção. Esta sim, é a única alternativa séria à austeridade a que nos querem condenar e ao assalto fiscal que se anuncia».



domingo, 10 de março de 2013

Irmão ou não de Marcello, está certo o que diz


(Ressalvando que alguns dos descontos efectuados são fraudulentos por se basearem em salários estabelecidos com fraude, quer na banca, quer no Banco de Portugal, quer no Estado).

António Alves Caetano
(Artigo de António Alves Caetano, irmão de Marcello Caetano, que os jornais se recusam a publicar, sobre as pensões dos reformados e pensionistas).

Estimados Amigos,

Como os jornais não publicam as cartas que lhes remeto e preciso de desabafar, recorro aos meus correspondentes «Internéticos», todos os amigos que constam da minha lista de endereços. Ainda que alguns não liguem ao que escrevo.

Não sei a que se refere o Senhor Primeiro-Ministro quando afirma ser a penalização fiscal dos pensionistas resultante de todos aqueles que, em Portugal, «descontaram para ter reformas, mas não para terem estas reformas».

Pela fala do Senhor Primeiro-Ministro fica-se a saber da existência de pensões de aposentadoria que estão acima daquilo que resultaria da correcta aplicação do Cálculo Actuarial aos descontos que fizeram.

Sendo assim – e não há razões para admitir que o Senhor Primeiro-Ministro não sabe o que diz – estamos perante situações de corrupção. Porque o Centro Nacional de Pensões e a Caixa Geral de Aposentações só podem atribuir pensões que resultem da estrita aplicação daqueles princípios actuariais aos descontos feitos por cada cidadão, em conformidade com as normas legais.

Portanto, o Estado tem condições de identificar cada uma dessas situações e de sancioná-las, em conformidade com a legislação de um Estado de Direito, como tem de sancionar os agentes prevaricadores, que atribuíram pensões excessivas.

Mas, é completamente diferente a situação face aos cidadãos que celebraram contractos com o Estado. Esse contracto consistia em que, ano após ano, e por catorze vezes em cada ano, o cidadão entregava ao Estado uma quota das suas poupanças, para que o mesmo Estado, ao fim dos quarenta anos de desconto lhe devolvesse essa massa de poupança em parcelas mensais, havendo dois meses em que era a dobrar, como acontecera com os descontos.

E tem de ser assim durante o tempo em que o cidadão estiver vivo e, em parte mais reduzida, mas tirada, ainda, da mesma massa de poupança individual, enquanto houver cônjuge sobrevivo.

E esta pensão tem o valor que o Estado, em determinado momento, comunicou ao cidadão que passava a receber. Não tem o valor que o cidadão tivesse querido atribuir-lhe.

Portanto, o Estado Português, pessoa de bem, que sempre foi tido como modelo de virtudes, exemplar no comportamento, tem de continuar a honrar esse estatuto.

Para agradar a quem quer que seja que lhe emprestou dinheiro para fazer despesas faraónicas, que permitiram fazer inumeráveis fortunas e deram aos políticos que assim se comportaram votos que os aconchegaram no poder, o Estado Português não pode deixar de honrar os compromissos assumidos com esses cidadãos que, na mais completa confiança, lhe confiaram as suas poupanças e orientaram a sua vida para viver com a pensão que o Estado calculou ser a devida.

As pensões que correspondem aos descontos que cada qual fez durante a vida cativa nunca poderão ser consideradas excessivas. Esses Pensionistas têm de merecer o maior respeito do Estado. Têm as pensões que podem ter, não aquelas que resultariam do seu arbítrio.

E é este o raciocínio de pessoas honestas. Esperam que o Estado sempre lhes entregue aquilo que corresponde à pensão que em determinado momento esse mesmo Estado, sem ser coagido, lhes comunicou passariam a receber na sua nova condição de desligados do serviço activo. Ou seja, a partir do momento em que era suposto não mais poderem angariar outro meio de sustento que não fosse a devolução, em fatias mensais, do que haviam confiado ao Estado para esse efeito.

Os prevaricadores têm de ser punidos, onde quer que se situem todos quantos permitiram que, quem quer que seja, auferisse pensão desproporcionada aos descontos feitos, ou mesmo, quem sabe, sem descontos. Sem esquecer, claro está, os beneficiários da falcatrua.

Mas, é impensável num Estado de Direito que, a pretexto dessas situações de extrema irregularidade, vão ser atingidos, a eito, todos aqueles que, do que tiraram do seu bolso durante a vida activa, recebem do Estado a pensão que esse mesmo Estado declarou ser-lhes devida.

Como é inadmissível que políticos a receberem ordenado de função, acrescido de benesses de vária ordem proporcionadas por essa mesma função, considerem que pensões obtidas regularmente, com valores mensais da ordem de 1350 Euros proporcionam vida de luxo que tem de ser tributada, extraordinariamente.



sábado, 9 de março de 2013

A lição do Conclave que elegeu Ratzinger


(Texto em inglês e francês)

THE LESSON OF THE CONCLAVE THAT ELECTED RATZINGER

The saying «He who enters as pope leaves as a cardinal» has been disproven almost every time by the conclaves of the past century.

To sink the sure election as pope of Cardinal Mariano Rampolla del Tindaro, in 1903, required a veto by the emperor of Austria-Hungary.

In 1939, it took only three rounds of voting for Eugenio Pacelli to be elected as pope with the name of Pius XII.

A little more uncertain was the election of his successor John XXIII, in 1958, with the rounds of voting, as he himself confided, «going up and down like chickpeas boiling in the pot».

But Paul VI had no contenders in 1963. And so also John Paul I in 1978, elected in a lightning-quick conclave.

About Karol Wojtyla there is no certainty, but there are some who maintain that he as well started strong right from the first scrutiny.

Joseph Ratzinger was elected in less than twenty-four hours.

The unfolding of the conclave of 2005 is exemplary for understanding the mechanisms of the vote. The voters were 115 as they are today, with the threshold of two thirds at 77 votes.

According to the confidential information leaked so far, at the first scrutiny 47 votes went to Ratzinger, 10 to the Argentine Bergoglio, 9 to Carlo Maria Martini, 6 to Ruini, 4 to Sodano, 3 to Maradiaga, 2 to Tettamanzi.

Ratzinger appeared immediately, therefore, as the only strong candidate. As a result, in the second round of voting the cardinals who had not voted found themselves induced to decide whether to support him or oppose resistance. The votes of Ruini and of others converged upon Ratzinger, who rose to 65 votes, while the votes of Martini and of other opponents went to Bergoglio, who arrived at 35.

In the third scrutiny the polarization became sharper. Ratzinger had 72 votes and Bergoglio 40. The former lacked very little to reach the quorum, but the 40 votes for Bergoglio were enough to block his election. If they had been reconfirmed in the following scrutinies, the candidacy of Ratzinger would no longer have had a future.

But that's not the way it went. The 40 votes for Bergoglio were so heterogeneous that, as rapidly as they had converged upon him, just so rapidly they fell apart.

At the fourth round of voting Ratzinger arrived at 84 votes, with Bergoglio dropping to 26. And the smoke was white.


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LA LEÇON DU CONCLAVE QUI ÉLUT RATZINGER

Le dicton «Qui entre pape au conclave en sort cardinal» a été presque toujours démenti par les conclaves du siècle dernier.

En 1903, pour empêcher l’élection pontificale du cardinal Mariano Rampolla del Tindaro, considérée comme certaine, il fallut un veto de l'empereur d'Autriche-Hongrie.

En 1939, il suffit de trois tours de scrutin pour qu’Eugenio Pacelli soit élu pape, sous le nom de Pie XII.

L’élection de son successeur Jean XXIII, en 1958, fut un peu plus incertaine. Comme il le confia lui-même par la suite, le nombre de voix «montait et descendait comme des pois chiches en train de bouillir dans une casserole».

Mais Paul VI n’eut pas de concurrents, en 1963. De même pour Jean-Paul Ier, élu en 1978 par un conclave d’une rapidité foudroyante.

En ce qui concerne Karol Wojtyla il n’y a pas de certitude, mais certains affirment que lui aussi obtint un nombre élevé de voix dès le premier tour de scrutin.

Joseph Ratzinger fut élu en moins de 24 heures.

Le déroulement du conclave de 2005 est exemplaire pour comprendre les mécanismes de l’élection. Il y avait 115 votants comme aujourd’hui, le seuil des deux tiers se situant à 77 voix.

Si l’on croit les indiscrétions qui ont filtré jusqu’à présent, 47 voix se portèrent sur Ratzinger au premier tour de scrutin, 10 sur l'Argentin Bergoglio, 9 sur Carlo Maria Martini, 6 sur Ruini, 4 sur Sodano, 3 sur Maradiaga, et 2 sur Tettamanzi.

Ratzinger apparut donc tout de suite comme le seul candidat fort. C’est pourquoi, lors du second tour de scrutin, les cardinaux qui n’avaient pas voté pour lui se trouvèrent amenés à décider s’ils allaient voter en sa faveur ou opposer une résistance. Les voix recueillies par Ruini et d’autres se portèrent sur Ratzinger, qui monta à 65 voix, tandis que les voix de Martini et d’autres opposants allèrent à Bergoglio, qui arriva à 35.

Au troisième tour de scrutin, la polarisation s’accentua. Ratzinger obtint 72 voix et Bergoglio 40. Il en manquait très peu au premier pour atteindre le quorum, mais les 40 voix de Bergoglio étaient suffisantes pour bloquer son élection. Si elles avaient été confirmées lors des tours de scrutin suivants, la candidature de Ratzinger n’aurait plus eu d’avenir.

Mais ce n’est pas ce qui arriva. Les 40 voix recueillies par Bergoglio étaient tellement hétérogènes que leur nombre diminua aussi vite qu’elles s’étaient portées sur lui.

Au quatrième tour de scrutin, Ratzinger parvint à 84 voix, Bergoglio descendant à 26. Et il y eut une fumée blanche.



Passos Coelho confessa-se criminoso


(da net)

Ao deixar derrapar a execução orçamental, ao afundar a economia nacional e ao não cumprir os objectivos que se propôs, designadamente não atingindo a meta do défice (4,5%) com que se comprometeu, o Governo incorreu em responsabilidade criminal.

Quem o disse não fui eu. Foi o próprio Passos Coelho, num discurso de que o Correio da Manhã de 6.11.2010 publicou os seguintes excertos:

«Se nós temos um Orçamento e não o cumprimos, se dissemos que a despesa devia ser de 100 e ela foi de 300, aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa também têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos e pelas suas acções».

«Não podemos permitir que todos aqueles que estão nas empresas privadas ou que estão no Estado fixem objectivos e não os cumpram.

Sempre que se falham os objectivos, sempre que a execução do Orçamento derrapa, sempre que arranjamos buracos financeiros onde devíamos estar a criar excedentes de poupança, aquilo que se passa é que mais pessoas vão para o desemprego e a economia afunda-se».

«Não se pode permitir que os responsáveis pelos maus resultados andem sempre de espinha direita, como se não fosse nada com eles».

«Quem impõe tantos sacrifícios às pessoas e não cumpre, merece ou não merece ser responsabilizado civil e criminalmente pelos seus actos»?

Proféticas palavras! Pois se assim é, aguarda-se que Passos Coelho seja, por uma vez, coerente e vá entregar-se no posto da G.N.R. de Massamá.



«Dia Internacional da Mulher»...

Heduíno Gomes

Dizia um artigo de uma agência de informação católica estrangeira: «Dia Internacional da Mulher é distorcido para promover o aborto».

Ora está aqui um grande erro: o «Dia Internacional da Mulher» existe precisamente para promover o aborto e distorções da sexualidade e do papel da mulher. Não precisa de ser distorcido...

O «Dia Internacional da Mulher» foi inventado pela feminista comunista Clara Zetkin, que pregava o«amor livre» (ao que o próprio Lenin se opôs), e foi promovido intensamente pela Internacional Comunista a partir de 1919. Esta manifestação da cultura e política comunistas passou para a ONU e para a própria Igreja. O que é lamentável.

Teremos de ir a reboque da cultura dominante ou criar a nossa própria cultura?

É claro que não se trata da Agência Ecclesia, esta portuguesa. Esta agência não faz o mínimo reparo a qualquer «distorção». Simplesmente embandeira em arco com a dita cultura anticristã. Tal como a Pastoral da Cultura do Padre Tolentino.



quinta-feira, 7 de março de 2013

Um americano em Roma
para a cátedra de Pedro

Sandro Magister
Talvez o arcebispo de Nova Iorque. Ou então o de Boston. No trilho de Bento XVI mas com, para mais, um varapau para combater o mau governo. Mas a Cúria resiste e contra-ataca, empurrando para a frente um cardeal brasileiro em quem tem confiança.

(Segue-se a continuação em francês e inglês)

Un Américain à Rome,
vers la chaire de Pierre
Peut-être l'archevêque de New-York. Ou bien celui de Boston. Dans le sillage de Benoît XVI avec, en plus, un fouet pour combattre la mauvaise gouvernance. Mais la curie résiste et contre-attaque, en poussant en avant un cardinal Brésilien en qui elle a confiance.

par Sandro Magister

ROME, le 7 mars 2013 – Le pari le plus facile à faire est que le prochain pape ne sera pas italien. Mais pas non plus européen, africain, ou asiatique. Pour la première fois dans l’histoire bimillénaire de l’Église, le successeur de Pierre pourrait venir des Amériques. Ou, si l’on veut hasarder une prévision plus précise : de la Grande Pomme.

Timothy Michael Dolan, archevêque de New-York, 63 ans, est un grand costaud du Midwest au sourire radieux et à la vigueur débordante, précisément cette "vigueur du corps et de l'esprit" que Joseph Ratzinger a reconnu avoir perdue et qu’il a jugée nécessaire pour son successeur, afin que celui-ci puisse bien "gouverner la barque de Pierre et annoncer l’Évangile".

Le titre du programme du futur pape se trouvait déjà dans l’acte de renonciation de Benoît XVI. Et bon nombre de cardinaux se sont rapidement souvenus de la vivacité visionnaire avec laquelle Dolan avait développé précisément ce thème, dans son italien "primitif" - le mot est de lui- mais pétillant, au cours du consistoire de l’an dernier, alors que, archevêque de New-York, il était sur le point de recevoir la pourpre:

> L'annuncio del Vangelo oggi

Ce consistoire du mois de février 2012 avait fait l’objet de nombreuses critiques. Cela faisait des semaines qu’étaient publiés des documents brûlants provenant des bureaux du Vatican ou même, pour certains d’entre eux, très confidentiels, de la table de travail du pape, le but étant de combattre publiquement l’avidité, les conflits, les méfaits d’une curie à la dérive.

Et pourtant, bon nombre de nouveaux cardinaux créés à cette occasion par Benoît XVI étaient des Italiens, des cardinaux de curie et, pire encore, ils étaient très liés au secrétaire d’état, Tarcisio Bertone, universellement considéré comme le principal coupable de la mauvaise gouvernance.

Le pape Joseph Ratzinger ajusta le tir peu de temps après, au mois de novembre, en procédant à six autres nominations cardinalices, toutes extra-européennes, dont celle de l’étoile montante de l’Église d'Asie, le Philippin de mère chinoise Luis Antonio Gokim Tagle.

Mais la fracture restait intacte. D’un côté, il y avait les féodaux de la curie, défendant avec acharnement leurs centres de pouvoir respectifs. De l’autre, il y avait l'œcoumène d’une Église qui ne supporte plus que l'annonce de l’Évangile dans le monde et le lumineux magistère du pape Benoît soient obscurcis par les tristes descriptions de la Babylone romaine.

Cette même fracture caractérise également le conclave qui va commencer. Dolan est le candidat-type qui représente le tournant purificateur. Il n’est pas le seul mais il est certainement le plus représentatif et le plus audacieux.

Toutefois, du côté opposé, les magnats de la curie font barrage et contre-attaquent. Ils ne poussent pas en avant l’un des leurs, car ils savent que, s’ils agissaient ainsi, la partie serait perdue dès le départ. Ils essaient de percevoir l’atmosphère du collège cardinalice et parient eux aussi sur un endroit éloigné de Rome, au-delà de l'Atlantique, non pas dans la partie nord mais dans la partie sud de l'Amérique.

Ils regardent en direction de São Paulo, au Brésil, où se trouve un cardinal né d’émigrés allemands, Odilo Pedro Scherer, 64 ans. Bien connu à la curie, celui-ci a passé plusieurs années à Rome, où il a été le collaborateur du cardinal Giovanni Battista Re lorsque celui-ci était préfet de la congrégation pour les évêques, et aujourd’hui il fait partie du conseil cardinalice de contrôle de l’IOR, la "banque" du Vatican, fonction dans laquelle il a été confirmé il y a quelques jours et pour laquelle il a Bertone comme président.

Scherer est le candidat idéal pour cette manœuvre tout à fait romaine et curiale. Peu importe le fait qu’il ne soit pas populaire au Brésil, même parmi les évêques. Lorsque ceux-ci ont été appelés, il y a deux ans, à élire le président de leur conférence, ils ont rejeté sans appel sa candidature. Et peu importe qu’il ne brille pas en tant qu’archevêque de la grande ville qu’est São Paulo, la capitale économique du pays.

L'important, pour les magnats de la curie, c’est qu’il soit docile et gris. L'auréole progressiste qui entoure sa candidature est d’origine purement géographique, mais elle peut aussi servir pour inspirer à quelques cardinaux naïfs l’envie d’élire le "premier pape latino-américain".

De même que, lors du conclave de 2005, les voix des cardinaux de curie et celles des partisans du cardinal Carlo Maria Martini s’étaient regroupées sur l'Argentin Jorge Bergoglio, dans une vaine tentative de blocage de l’élection de Ratzinger, cette fois encore une union du même genre pourrait se produire, regroupant sur le nom de Scherer des cardinaux de curie et des progressistes, ainsi que le très petit nombre des derniers anciens pro-Martini, de Roger Mahony à Godfried Danneels, l’un et l’autre faisant aujourd’hui l’objet de critiques en raison de leur conduite fuyante dans le scandale des prêtres pédophiles.

Le pape qui plaît aux cardinaux de curie et aux progressistes est, par définition, faible. Il plaît aux premiers parce qu’il les laisse agir comme ils le souhaitent. Et aux seconds parce qu’il fait une place à leur rêve d’une Église "démocratique", gouvernée "d’en bas".

Il n’est donc pas surprenant qu’un représentant bien connu du catholicisme progressiste mondial, l’historien Alberto Melloni, ait exprimé dans le "Corriere della Sera" du 25 février le souhait que le prochain conclave élise non pas un "pape shérif" mais "un pape pasteur", qu’il se soit moqué du cardinal Dolan et qu’il ait justement cité, comme étant, à son avis, les plus "capables de comprendre la réalité" et de déterminer "le résultat réel du conclave", quatre des principaux cardinaux de curie : les Italiens Giovanni Battista Re, Giuseppe Bertello, Ferdinando Filoni "et bien évidemment Tarcisio Bertone".

C’est-à-dire exactement ceux qui sont en train d’orchestrer l'opération Scherer. À ces quatre viendrait s’ajouter le cardinal de curie argentin Leonardo Sandri, dont on laisse entendre qu’il sera le futur secrétaire d’état.

Pour une curie ayant de telles idées, l’hypothèse de l’élection de Dolan suffit à elle seule à faire naître la terreur. Mais si Dolan était élu pape, il imprimerait également une secousse à cette Église faite d’évêques, de prêtres, de fidèles qui n’ont jamais accepté le magistère de Benoît XVI, son retour énergique aux articles du "Credo", aux fondamentaux de la foi chrétienne, au sens du mystère dans la liturgie.

Doté d’un grand talent pour la communication, Dolan est un ratzingerien à 100 % en matière de doctrine, mais aussi en ce qui concerne la vision de l’homme et du monde et le rôle public que l’Église est appelée à exercer dans la société.

Aux États-Unis, il est à la tête de ce groupe d’évêques partisans de la "discrimination positive" qui ont marqué la renaissance de l’Église catholique après des décennies de soumission aux cultures dominantes et de faiblesse face aux scandales de plus en plus nombreux.

En Europe et en Amérique du Nord - c’est-à-dire dans les régions où le christianisme est le plus anciennement implanté mais aussi le plus déclinant -aucune Église n’est plus vivante et plus en progrès que celle des États-Unis et aucune n’est plus libre et plus critique vis-à-vis des pouvoirs terrestres. Le tabou d’une Église catholique américaine identifiée à la première superpuissance mondiale, et donc incapable de jamais donner un pape, a disparu.

En réalité, ce qu’il y a d’étonnant dans ce conclave, c’est que les États-Unis disposent non pas d’un, mais bien de deux vrais "papabili". Parce que, en plus de Dolan, il y a l’archevêque de Boston, Sean Patrick O'Malley, 69 ans, un vrai capucin à bure et barbe.

L’appartenance de ce dernier à l’humble ordre de saint François ne constitue pas un obstacle à son accession au pontificat et n’est pas sans précédents illustres, puisque le grand Jules II, le pape de Michel-Ange et de Raphaël, était lui aussi franciscain.

Mais ce qui est le plus important, c’est que Dolan et O'Malley ne sont pas deux candidats opposés l’un à l’autre. Les voix qui se portent sur l’un peuvent, si nécessaire, se reporter sur l’autre, parce qu’ils sont tous les deux porteurs d’un unique projet.

Par rapport à Dolan, O'Malley a un profil moins clair en ce qui concerne la capacité de gouvernement. Cela pourrait le rendre plus acceptable pour certains cardinaux et lui permettre de passer ce seuil décisif des deux tiers des voix, soit 77 sur 115, qui pourrait au contraire rester infranchissable pour l’archevêque de New-York, plus énergique et, pour cette raison, beaucoup plus craint.

Le même raisonnement pourrait être appliqué à un troisième homme, le cardinal canadien Marc Ouellet,lui aussi très ratzingerien et riche de talents semblables à ceux de Dolan et O'Malley, mais encore plus indécis et timide que ce dernier en ce qui concerne les décisions opérationnelles. Dans un conclave où beaucoup d’attentes porteront sur la remise en ordre du gouvernement de l’Église, la candidature d’Ouellet, même si elle est prise en considération par les cardinaux électeurs, apparaît comme la plus faible des trois qui proviennent d’Amérique du Nord.

Le fait que, depuis Rome, le conclave imminent puisse porter ses regards au-delà de l'Atlantique signifie qu’il prend acte de la nouvelle géographie de l’Église.

Le cardinal Ouellet a été, dans sa jeunesse, missionnaire en Colombie. Le cardinal O'Malley parle l’espagnol et le portugais à la perfection et il a toujours eu comme activité prioritaire la pastorale des immigrés hispaniques. Le cardinal Dolan est le chef des évêques d’un pays qui a rejoint les Philippines en tant que troisième pays au monde pour le nombre de catholiques, derrière le Brésil et le Mexique. Et un tiers des fidèles présents aux États-Unis sont des "latinos", un chiffre qui s’élève déjà à la moitié en ce qui concerne les moins de 40 ans.

Il n’est pas étonnant que les cardinaux d'Amérique latine soient prêts à voter pour ces confrères d’Amérique du Nord. Et avec eux d’autres prélats de poids, comme l'Italien Angelo Scola, l'archevêque de Paris André Vingt-Trois, et l'Australien George Pell.

Une fois fermées les portes du conclave, de nombreuses voix pourraient se porter sur Dolan dès le premier tour de scrutin. Peut-être pas 47 comme pour Ratzinger au premier tour de 2005, mais en tout cas une bonne quantité.

La suite est inconnue.

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An American in Rome,
Bound for the Chair of Peter
Perhaps the archbishop of New York. Or that of Boston. In the footsteps of Benedict XVI, moreover with the lash against mismanagement in hand. But the curia is resisting and counterattacking, bringing forward a Brazilian cardinal in its trust.

by Sandro Magister

ROME, March 7, 2013 – The easiest bet is that the next pope will not be Italian. But not European, African, or Asian ether. For the first time in the bimillennial history of the Church, the successor of Peter could come from the Americas. Or to hazard a more targeted prediction: from the Big Apple.

Timothy Michael Dolan, archbishop of New York, 63, is a larger-than-life man from the Midwest with a radiant smile and overflowing vigor, precisely that “vigor of both body and mind” which Joseph Ratzinger recognized he had lost and defined as necessary for his successor, for the sake of properly “governing the barque of Peter and proclaiming the Gospel.”

In Benedict XVI's act of resignation there was found already the title of the program of the future pope. And many cardinals were quickly reminded of the visionary vivacity with which Dolan developed precisely this theme, with his“primordial” Italian, his words, but scintillating, at the consistory one year ago, when he himself, the archbishop of New York, was preparing to receive the scarlet:

> "We Gather as Missionaries, as Evangelizers…"

It was a highly criticized consistory, that of February 2012. For weeks, scorching documents had been flying out of Vatican offices and even from the ultra-private desk of the pope to spill out in public the covetousness, disputes, misdeeds of a curia adrift.

And yet, among the nine cardinals created by Benedict XVI, a good number were Italian, were of the curia, and worse, were tied with a double thread to the secretary of state, Tarcisio Bertone, universally believed to be the main culprit of mismanagement.

Pope Joseph Ratzinger adjusted his aim a while later, in November, with six more cardinalate appointments all from outside of Europe, including that of the rising star of the Church of Asia, the Filipino with Chinese mother Luis Antonio Gokim Tagle.

But the fracture remained intact. On one side the feudal lords of the curia, in strenuous defense of their respective centers of power. On the other the oecumene of a Church that no longer tolerates that the proclamation of the Gospel in the world and the luminous magisterium of Pope Benedict should be obscured by the pitiful chronicles of the Roman Babylon.

It is the same fracture that characterizes the imminent conclave. Dolan is the consummate candidate who represents the impulse in the direction of purification. Not the only one, but certainly the most representative and audacious.

On the opposite side, however, the magnates of the curia are closing ranks and counterattacking. They are not pushing forward one of their own, knowing that in this way the game would be lost from the start. They are sniffing the wind that blows in the college of cardinals and are themselves pointing far from Rome, across the Atlantic, not to the north but to the south of America.

They are looking to São Paulo, Brazil, where there is a cardinal born from German immigrants, Odilo Pedro Scherer, 64, who is well known in the curia, who was in Rome for years in the service of Cardinal Giovanni Battista Re when he was prefect of the congregation for bishops, and who today is part of the cardinalate council of supervision over the IOR, the Vatican “bank,”reconfirmed a few days ago with Bertone as its president.

Scherer is the perfect candidate for this maneuver, completely Roman and curial. It doesn't matter that he is not popular in Brazil, not even among the bishops, who when called to elect the president of their conference two years ago rejected him without appeal. Nor that he does not shine as archbishop of the great São Paulo, the economic capital of the country.

The important thing for the curial magnates is that he is docile and bland. The progressive halo that envelops his candidacy is of purely geographic derivation, but it too serves to ignite in some naïve cardinals the boast of electing the “first Latin American pope.”

As in the conclave of 2005 the votes of the curials and of the supporters of Cardinal Carlo Maria Martini converged together upon the Argentine Jorge Bergoglio, in a failed attempt to block the election of Ratzinger, this time as well a similar marriage could take place. Curials and progressives united around the name of Scherer, with the little that remains of the ex-Martinians, from Roger Mahony to Godfried Danneels, both under fire for their lax conduct in the scandal of pedophile priests.

The pope who pleases the curials and progressives is by definition weak. He pleases the former because he leaves them alone. And the latter because he makes room for their dream of a “democratic” Church, governed “from below.”

It should come as no surprise that an outspoken representative of worldwide progressive Catholicism, the historian Alberto Meloni, should have expressed the hope in “Corriere Della Sera” of February 25 that from the next conclave there should emerge not a “sheriff pope” but a "pastor pope,” should have scoffed at Cardinal Dolan and indicated precisely in four magnates of the curia the cardinals who in his judgment are most “capable of understanding the reality” and of determining “the effective result of the conclave”: the Italians Giovanni Battista Re, Giuseppe Bertello, Ferdinando Filoni, "and obviously Tarcisio Bertone".

That is, precisely the ones who are orchestrating the Scherer operation. To these four should be added the Argentine member of the curia Leonardo Sandri, who is rumored to be the next secretary of state.

For a curia constituted in this way, the mere hypothesis of the election of Dolan is fraught with terror. But Dolan as pope would also shake up that Church made up of bishops, priests, faithful who have never accepted the magisterium of Benedict XVI, his energetic return to the articles of the “Credo,” to the fundamentals of the Christian faith, to the sense of mystery in the liturgy.

Dolan is, in doctrine, a dyed-in-the-wool Ratzingerian, and moreover with the gift of being a great communicator. But he is also this in his vision of man and of the world. And in the public role that the Church is called to carry out in society.

In the United States, he is at the head of that team of “affirmative” bishops who have marked the rebirth of the Catholic Church after decades of subjection to the dominant culture and of yielding to the spread of scandal.

In Europe and in North America, the regions of most ancient but declining Christianity, there does not exist today a Church more vital and resurgent than that of the United States. And also more free and critical with respect to worldly powers. The taboo has vanished of an American Catholic Church that identifies itself with the primary global superpower and therefore can never produce a pope.

On the contrary, what is astonishing about this conclave is that the United States offers not one, but even two true "papabili." Because in addition to Dolanthere is the archbishop of Boston, Sean Patrick O'Malley, 69, with the robe and beard of the worthy Capuchin friar.

His belonging to the humble order of St. Francis is not an obstacle to the papacy, nor is it without illustrious precedents, because the great Julius II, the pope of Michelangelo and Raphael, was also a Franciscan.

But what matters most is that Dolan and O'Malley are not two candidates opposed to one another. The vote of the one could converge upon the other, if necessary, because both are bearers of a single plan.

With respect to Dolan, O'Malley has a less resolute profile as far as management abilities are concerned. And this could make him more acceptable to some cardinals, allowing him to cross the decisive threshold of two thirds of the votes, 77 out of 115, that could instead be withheld from the more energetic, and therefore much more feared, archbishop of New York.

The same reasoning could be applied to a third candidate, the Canadian cardinal Marc Ouellet, he as well of solid Ratzingerian backgroundand rich with talents similar to those of Dolan and O'Malley, but even more uncertain and timid than this latter in executive decisions. In a conclave that is focusing many of its expectations on the reordering of the governance of the Church, the candidacy of Ouellet, although taken into consideration by the cardinal electors, appears to be the weakest among the three North Americans.

By looking from Rome across the Atlantic, the imminent conclave is taking into consideration the new geography of the Church.

As a young man Cardinal Ouellet was a missionary in Colombia. Cardinal O'Malley speaks perfect Spanish and Portuguese and has always had as his preeminent activity the pastoral care of Hispanic immigrants. Cardinal Dolan is the head of the bishops of a country that has caught up to the Philippines in third place in the world for the number of Catholics, after Brazil and Mexico. And one third of the faithful of the United States are “Latinos,” and already half among those under the age of 40.

It is no surprise that the cardinals of Latin America should be ready to vote for these confrères of theirs from the north. And together with them other influential cardinals like the Italian Angelo Scola, the archbishop of Paris André Vingt-Trois, the Australian George Pell.

With the doors of the conclave closed, in the first scrutiny many votes could already fall upon Dolan, perhaps not the 47 of Ratzinger in the first vote of 2005, but still quite a few.

What comes next is unknown.