terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A nova revolução francesa

Gonçalo Portocarrero de Almada, i-online 19 Jan 2013

Pela liberdade e pela família, marchar, marchar!


Confesso que estou escandalizado com a França. Três notícias dão azo a este desconforto de soixante-huitard desiludido com a filha primogénita da Igreja e a pátria por excelência de todas as revoluções. A saber: o exílio de Gérard Depardieu, a entrada numa ordem religiosa de uma modelo e a manifestação de um milhão de franceses a favor do casamento natural. Mas vamos por partes.

Gérard Depardieu, se é que ainda não se chama Igor Ivanovitch ou coisa que o valha, deu com os pés à sua terra natal para se instalar com armas e bagagens na Rússia. Vladimir Putin, o actual czar, ofereceu-lhe a nacionalidade e o passaporte russo e talvez, como brinde, uma datcha na Crimeia.

Ora a França era a pátria da liberdade, pelo que parece um contra-senso que um francês se exile precisamente por entender que já não há liberdade no seu país. Aliás, a moda de princípios do século era a inversa: os milionários perseguidos pela revolução bolchevique procuravam nas margens do Sena a segurança e o conforto que lhes era negado na sua terra. Se agora o movimento migratório é o inverso e até um indefectível guerreiro gaulês como Obélix se vê obrigado a emigrar antes que os impostos o esmaguem, forçoso é admitir que há algo de podre no reino da Gália.

A revista «Marie-Claire», ultrapassando todos os limites da decência laica e republicana, publicita a entrada na vida religiosa de uma ex-modelo, Lauren Falko, aliás Irmã Maria Teresa do Sagrado Coração. Pior ainda: quase elogia o gesto da anacrónica beldade voluntariamente enclausurada, em vez de vituperar o obscurantismo religioso, que impede de brilhar nas passerelles este prodígio da beleza feminina.
Qualquer dia, por este andar, a Marianne, o ex-líbris da República Francesa, ver-se-á obrigada a ocultar o impudico seio e a cobrir o seu escandaloso decote com um modesto hábito religioso e, talvez até, a trocar o seu lendário barrete frígio pelas abas esvoaçantes do véu religioso. É caso para perguntar: onde pára a França laica de Voltaire e Rousseau? Onde paira o espírito de Simone de Beauvoir, precursora da revolucionária ideologia do género? Onde estão as femininistas e as suas revindicações de liberdade para as mulheres?

Mais grave ainda é que perto de um milhão de pessoas – a polícia francesa, que sofre de miopia política quando se trata de manifestações não alinhadas com o governo, só viu trezentas mil – se manifestou pelo casamento natural e contra a outorga do estatuto matrimonial às uniões de pessoas do mesmo sexo. Infelizmente, nem sequer foi um protesto caricato de umas quantas velhotas piedosas empunhando terços, nem uma procissão de padres e religiosas disfarçados, mas de milhares de trabalhadores, de jovens, de famílias, de mulheres e homens de todas as condições sociais e de todos os recantos da geografia francesa.

Que os clérigos ultramontanos e os fanáticos integristas se manifestem é uma coisa que até tem a graça de uma marcha folclórica, mas que um milhão de cidadãos saia à rua é outra muito diferente, sobretudo quando a iniciativa parte nada mais nem nada menos que de uma humorista, que dá pelo nome artístico de Frigide Barjot, e de Xavier Bongibault, um jovem homossexual. Diga-se de passagem que tem o seu quê de curioso que sejam uma artista e um gay a liderar um movimento de massas contra os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Os humoristas cá da terra não têm essa graça, nem consta que os homossexuais lusitanos tenham tido o bom senso de reconhecer que, por razões óbvias, às suas uniões não é aplicável o regime matrimonial.

Quer isto dizer que a França já não é a pátria das revoluções e traiu a sua vocação histórica? De modo nenhum! A França continua fiel à sua gloriosa tradição e na vanguarda da revolução social, mas agora contra o antigo regime libertário, socialista e laico. A nova revolução francesa é um grito de mudança e de esperança, em nome da verdade, da liberdade e da família.


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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Salazar e os actuais políticos pedintes


Memórias de um outro Portugal
Corria o ano da graça de 1962 (já lá vai meio século). A Embaixada de Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com 50 milhões €) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall.

O embaixador incumbiu-me (ao tempo era eu primeiro secretário da Embaixada) dessa missão.

Aberto o expediente, estabeleci contacto telefónico com a desk portuguesa, pedi para ser recebido e, solicitado, disse ao que ia. O colega americano ficou algo perturbado e, contra o costume, pediu tempo para responder. Recebeu-me nessa tarde, no final do expediente. Disse-me que certamente havia um mal-entendido da parte do governo português. Nada havia ficado estabelecido quanto ao pagamento do empréstimo e não seria aquele o momento adequado para criar precedentes ou estabelecer doutrina na matéria. Aconselhou a devolver o cheque a Lisboa, sugerindo que o mesmo fosse depositado numa conta a abrir para o efeito num banco português, até que algo fosse decidido sobre o destino a dar a tal dinheiro. De qualquer maneira, o dinheiro ficaria em Portugal. Não estava previsto o seu regresso aos EUA.

Transmiti imediatamente esta posição a Lisboa, pensando que a notícia seria bem recebida, sobretudo numa altura em que o tesouro português estava a braços com os custos da guerra em África. Pensei mal. A resposta veio imediata e chispava lume. Não posso garantir a esta distância a exactidão dos termos mas era algo do tipo: «Pague já e exija recibo». Voltei à desk e comuniquei a posição de Lisboa.

Lançada estava a confusão no Foggy Bottom: – não havia precedentes, nunca ninguém tinha pago empréstimos do Plano Marshall; muitos consideravam que empréstimo, no caso, era mera descrição; nem o State Department, nem qualquer outro órgão federal, estava autorizado a receber verbas provenientes de amortizações deste tipo. O colega americano ainda balbuciou uma sugestão de alteração da posição de Lisboa mas fiz-lhe ver que não era alternativa a considerar. A decisão do governo português era irrevogável.

Reuniram-se então os cérebros da task force que estabelecia as práticas a seguir em casos sem precedentes e concluíram que o Secretário de Estado – ao tempo Dean Rusk – teria que pedir autorização ao Congresso para receber o pagamento português. E assim foi feito. Quando o pedido chegou ao Congresso atingiu implicitamente as mesas dos correspondentes dos meios de comunicação e fez manchete nos principais jornais. «Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall»; «Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam» e outros títulos do mesmo teor anunciavam aos leitores americanos que na Europa havia um país (Portugal) que respeitava os seus compromissos.

Anos mais tarde conheci o Dr. Aureliano Felismino, Diretor-Geral perpétuo da Contabilidade Pública durante o salazarismo (e autor de umas famosas circulares conhecidas ao tempo por «Ordenações Felismínicas» as quais produziam mais efeito do que os decretos do governo). Aproveitei para lhe perguntar por que razão fizemos tanta questão de pagar o empréstimo que mais ninguém pagou. Respondeu-me empertigado: – «Um país pequeno só tem uma maneira de se fazer respeitar: é nada dever a quem quer que seja».

Lembrei-me desta gente e destas máximas quando há dias vi na televisão o nosso Presidente da República a ser enxovalhado pública e grosseiramente pelo seu congénere checo a propósito de dívidas acumuladas.

Eu ainda me lembro de tais coisas, mas a grande maioria dos Portugueses de hoje nem esse consolo tem.

Estoril, 18 de Abril de 2010 - Luís Soares de Oliveira


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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Gabinete do Primeiro-Ministro Passos Coelho


Função - Nome - Idade - Nomeação - Vencimento €

Chf, Gabinete - Francisco Ribeiro de Menezes - 46 anos - 06-08-2011 - 4.592,43
Assessor - Carlos Henrique Pinheiro Chaves - 60 anos - 21-06-2011 - 3.653,81
Assessor - Pedro Afonso A, Amaral e Almeida - 38 anos - 18-07-2011 - 3.653,81
Assessor - Paulo João L, Rêgo Vizeu Pinheiro - 48 anos - 11-07-2011 - 3.653,81
Assessor - Rudolfo Manuel Trigoso Rebelo - 48 anos - 21-06-2011 - 3.653,81
Assessor - Rui Carlos Baptista Ferreira - 47 anos - 21-06-2011 - 3.653,81
Assessora - Eva Maria Dias de Brito Cabral - 54 anos - 12-10-2011 - 3.653,81
Assessor - Miguel Ferreira Morgado - 37 anos - 21-06-2011 - 3.653,81
Assessor - Carlos A Sá Carneiro Malheiro - 38 anos - 01-12-2011 - 3.653,81
Assessora - Marta Maria N, Pereira de Sousa - 34 anos - 21-06-2011 - 3.653,81
Assessor - Bruno V de Castro Ramos Maçaes - 37 anos - 01-07-2011 - 3.653,81
Adjunta - Mafalda Gama Lopes Roque Martins - 35 anos - 01-07-2011 - 3.287,08
Adjunto - Carlos Alberto Raheb Lopes Pires - 38 anos - 21-06-2011 - 3.287,08
Adjunto - João Carlos A Rego Montenegro - 34 anos - 21-06-2011 - 3.287,08
Adjunta - Cristina Maria Cerqueira Pucarinho - 46 anos - 23-08-2011 - 3.287,08
Adjunta - Paula Cristina Cordeiro Pereira - 41 anos - 22-08-2011 - 3.287,08
Adjunto - Vasco Lourenço C P Goulart Ávila - 47 anos - 21-11-2011 - 3.287,08
Adjunta - Carla Sofia Botelho Lucas - 28 anos - 25-01-2012 - 3.287,08
Técnica Especialista - Bernardo Maria S Matos Amaral - 38 anos - 07-09-2011 - 3.287,08
Técnica Especialista - Teresa Paula Vicente de Figueiredo Duarte - 44 anos - 21-07-2011 - 3.653,81
Técnica Especialista - Elsa Maria da Palma Francisco - 40 anos - 16-01-2012 - 3.653,81
Técnica Especialista - Maria Teresa Goulão de Matos Ferreira - 49 anos - 18-07-2012 - 3.653,81
Secretária pessoal - Maria Helena Conceição Santos Alves - 54 anos - 18-07-2011 - 1.882,76
Secretária pessoal - Inês Rute Carvalho Araújo - 46 anos - 18-07-2011 - 1.882,76
Secretária pessoal - Ana Clara S Oliveira - 38 anos - 13-07-2011 - 1.882,76
Secretária pessoal - Maria de Fátima M L Hipólito Samouqueiro - 47 anos - 21-06-2011 - 1.882,76
Secretária pessoal - Maria Dulce Leal Gonçalves - 52 anos - 01-07-2011 - 1.882,76
Secretária pessoal - Maria M, Brak-Lamy Paiva Raposo - 59 anos - 13-07-2011 - 1.882,76
Secretária pessoal - Margarida Maria A A Silva Neves Ferro - 53 anos - 21-06-2011 - 1.882,76
Secretária pessoal - Maria Conceição C N Leite Pinto - 51 anos - 21-06-2011 - 1.882,76
Secretária pessoal - Maria Fernanda T C Peleias de Carvalho - 45 anos - 01-08-2011 - 1.882,76
Secretária pessoal - Maria Rosa E Ramalhete Silva Bailão - 58 anos - 01-09-2011 - 1.882,76
Coordenadora - Luísa Maria Ferreira Guerreiro - 48 anos - 01-01-2012 - 1.506,20
Téc, administrativo - Alberto do Nascimento Cabral - 59 anos - 01-01-2012 - 1.506,20
Téc, administrativo - Ana Paula Costa Oliveira da Silva - 42 anos - 01-01-2012 - 1.506,20
Téc, administrativo - Elisa Maria Almeida Guedes - 47 anos - 01-01-2012 - 1.500,00
Téc, administrativo - Isaura Conceição A Lopes de Sousa - 59 anos - 01-01-2012 - 1.506,20
Téc, administrativo - José Manuel Perú Éfe - 60 anos - 01-01-2012 - 1.506,20
Téc, administrativo - Liliana de Brito - 50 anos - 01-01-2012 - 1.500,00
Téc, administrativo - Maria de Lourdes Gonçalves Ferreira Alves - 61 anos - 01-01-2012 - 1.506,20
Téc, administrativo - Maria Fernanda Esteves Ferreira - 57 anos - 01-01-2012 - 1.506,20
Téc, administrativo - Maria Fernanda da Piedade Vieira - 61 anos - 01-01-2012 - 1.506,20
Téc, administrativo - Maria Umbelina Gregório Fernandes Barroso - 47 anos - 01-01-2012 - 1.500,00
Téc, administrativo - Zulmira Jesus G Simão Santos Velosa - 47 anos - 01-01-2012 - 1.506,20
Téc, administrativo - Artur Vieira Gomes - 53 anos - 01-01-2012 - 1.600,15
Téc, administrativo - Benilde Rodrigues Loureiro da Silva - 58 anos - 01-01-2012 - 975,52
Apoio Auxiliar - Fernando Manuel da Silva - 68 anos - 01-01-2012 - 975,52
Apoio Auxiliar - Francisco José Madaleno Coradinho - 45 anos - 01-01-2012 - 1.472,82
Apoio Auxiliar - Joaquim Carlos da Silva Batista - 57 anos - 01-01-2012 - 975,52
Apoio Auxiliar - José Augusto Morais - 51 anos - 01-01-2012 - 975,52
Apoio Auxiliar - Maria Lurdes da Silva Barbosa Pinto - 58 anos - 01-01-2012 - 975,52
Apoio Auxiliar - Maria de Lurdes Camilo Silva - 65 anos - 01-01-2012 - 975,52
Apoio Auxiliar - Maria Júlia R Gonçalves Ribeiro - 58 anos - 01-01-2012 - 975,52
Apoio Auxiliar - Maria Natália Figueiredo - 64 anos - 01-01-2012 - 975,52
Apoio Auxiliar - Maria Rosa de Jesus Gonçalves - 58 anos - 01-01-2012 - 975,52
Motorista - António Francisco Guerra - 52 anos - 01-01-2012 - 1.848,53
Motorista - António Augusto Nunes Meireles - 61 anos - 01-01-2012 - 2.028,28
Motorista - António José Pereira - 48 anos - 01-01-2012 - 1.848,53
Motorista - Arnaldo de Oliveira Ferreira - 49 anos - 01-01-2012 - 1.848,53
Motorista - Jaime Manuel Valadas Matias - 52 anos - 01-01-2012 - 1.848,53
Motorista - Jorge Henrique S Teixeira Cunha - 52 anos - 01-01-2012 - 1.848,53
Motorista - Jorge Martins Morais - 46 anos - 01-01-2012 - 1.848,53
Motorista - José Hermínio Frutuoso - 53 anos - 01-01-2012 - 1.848,53
Motorista - Nuno Miguel R Martins Cardoso - 37 anos - 01-01-2012 - 1.848,53
Motorista - Paulo Jorge Pinheiro da Cruz Barra - 40 anos - 01-01-2012 - 1.848,53
Motorista - Rui Miguel Pedro da Silva Machado - 42 anos - 01-01-2012 - 1.848,53
Motorista - Vitor Manuel G Marques Ferreira - 42 anos - 01-01-2012 - 1.848,53

Resumo:
01 Chefe de Gabinete
10 Acessores
07 Adjuntos
04 Técnicos Especialistas
10 Secretárias Pessoais
01 Coordenadora
13 Técnicos Administrativos
09 Apoio Auxiliar
12 Motoristas
Total - 67
Total/Mês - 149.486,76 €


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O craque Victor Gaspar


Com tanta versão de Excel e ainda não acertou…

Ano de 1993: com a economia portuguesa a ruir, um alucinado Braga de Macedo, então ministro das Finanças, foi à Assembleia da República gritar a plenos pulmões que o País era um «oásis». Este sketch parlamentar resistiu à passagem do tempo. Quem não resistiu foi Braga de Macedo: após um breve compasso de espera, Cavaco «calçou-lhe uns patins».

Quem era o homem que, em 1992, fez as previsões para Braga de Macedo? Um tal Vítor Louçã Rabaça Gaspar, que chefiava o Gabinete de Estudos do Ministério das Finanças. Onde falhou ele nas previsões? Falhou em tudo — na evolução da economia e na arrecadação das receitas fiscais.

Veja-se:

• Gaspar previu um crescimento do PIB de 2% em 1993, mas a economia acabou por recuar 0,7%, ou seja, o pretenso «oásis» que Braga de Macedo anunciava, acabou numa recessão; o Orçamento do Estado para 1993 previa um encaixe à volta de 3.340 milhões de contos (16.660 milhões de euros) com as receitas correntes, mas houve necessidade de fazer um orçamento rectificativo que já estimava menos 364,7 milhões de contos (1,8 milhões de euros), porque a receita fiscal teve um desempenho bem pior do que «se» estava à espera.

Vinte anos depois, o tal Vítor Louçã Rabaça Gaspar, que levou Braga de Macedo a estatelar-se contra a parede em 1993, não vos lembra ninguém?


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Ideologia de género destroça a família
alerta bispo de Córdoba


O bispo de Córdoba (Espanha), Don Demetrio Fernández, adverte que «a ideologia de género destroça a família, rompe os laços do homem com Deus através da sua própria natureza», como é o sexo com que se nasce, «coloca o homem acima de Deus, Deus já não é necessário para nada, e temos que prescindir d’Ele, porque Deus é um obstáculo para a liberdade do homem».

Assim o manifesta o bispo na sua carta semanal, publicada pela Europa Press, e na qual faz uma alusão à frase de Simone de Beauvoir (1908-1986), esposa de Jean Paul Sartre: «Não se nasce mulher: torna-se.», que, a seu ver, «expressa que o sexo é aquilo que a pessoa decide ser», de modo que «já não valeriam as ecografias que detectam o sexo da pessoa antes de nascer».

Deste modo, lamenta que embora a ecografia diga «claramente que é menina, o que vale é o que o sujeito decida», de maneira que «se quer ser homem, pode sê-lo, embora tenha nascido mulher» e vice-versa.

Também acrescenta que «a serviço desta ideologia existe uma série de programas formativos, médicos ou escolares, que procuram fazer com que todo o mundo mentalize esta ideologia, fazendo um dano tremendo na consciência das crianças, adolescentes e jovens».

Neste sentido, considera que «a ideologia de género não respeita em nada a própria natureza na qual Deus deixou inscrita a sua marca: sou varão, sou mulher, por natureza. Aceito-o e vivo-o com alegria e com gratidão ao Criador».

E que, «relacionar com a natureza e, portanto com Deus, a minha identidade sexual é uma escravidão da qual a pessoa tem que libertar-se», segundo esta ideologia «errada», como sublinha Don Fernández.

Um feminismo «radical» que se estende nas escolas.

Do mesmo modo, o bispo refere que desta ideologia vem «um certo feminismo radical, que rompe com Deus e com a própria natureza, tal como Deus a fez». Um feminismo, segundo ele, que «vai estendendo-se implacavelmente, inclusive nas escolas».

Além disso, Don Fernández menciona que «a Igreja Católica é odiada pelos promotores da ideologia de género, mais precisamente porque se opõe rotundamente a isto».

E, entretanto, adiciona, «uma das realidades mais bonitas da vida é a família», segundo a sua «estrutura originária, onde existe um pai e uma mãe, porque há um homem e uma mulher, iguais em dignidade, distintos e complementares», e igualmente «onde há filhos, que brotam naturalmente do abraço amoroso dos pais», e acrescenta que «Deus quer o bem do homem, e por isso inventou a família».

Ainda que a ideologia de género «tente destruir» a família, «a força da natureza e da graça é mais potente que a força do mal e da morte».

Por isso, considera que «a família precisa da redenção de Cristo, porque Herodes continua vivo, e não mata somente os inocentes no seio materno, mas também tenta mentalizar as nossas crianças, adolescentes e jovens com esta ideologia, querendo fazer com que vejam que há outros tipos de família».

O bispo de Córdoba acredita que «é a ocasião para pedir às famílias que atravessam dificuldades, para dar uma mãozinha às famílias que tenho por perto e cujas necessidades não são somente materiais, mas às vezes de sofrimentos por conflitos de todo tipo», ao mesmo tempo que assegura que «só na família, tal como Deus a instituiu, encontra o homem o seu pleno desenvolvimento pessoal e, portanto, a felicidade no seu coração».

Para Don Fernández, «na família está o futuro da humanidade, na família que responde ao plano de Deus».


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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Revista Times: Promotores do aborto têm
perdido as batalhas contra os pró-vidas nos EUA

Na capa da sua edição de Janeiro de 2013, a famosa revista americana Times, assegura que «há 40 anos, os activistas do direito ao aborto obtiveram uma épica vitória com (a sentença da Corte Suprema no caso) Roe vs. Wade», que permitiu a legalização do aborto nos Estados Unidos, «desde então eles estão perdendo» para os pró-vidas.

Conforme explica Kate Pickert, autora do artigo de capa, desde que em Janeiro de 1973 a Corte Suprema dos Estados Unidos converteu num direito federal o acesso ao aborto, «o movimento pro-choice (abortista) vem perdendo» as suas lutas.

«Em muitas partes do país, actualmente, recorrer a um aborto é mais difícil do que na década de 1970».

Pickert referiu que «há menos médicos dispostos a realizar o procedimento e menos clínicas abortistas no negócio».

«Os activistas pro-choice (abortistas) foram ultrapassados por os seus adversários pró-vidas, que pressionaram com sucesso obtendo regulações estatais que limitam o acesso» ao aborto, acrescentou.

«Muitos estados pedem actualmente que as mulheres passem por aconselhamento, períodos de espera ou ultra-sons antes de se submeterem a abortos», referiu.

Para a jornalista americana, «a causa pró-vida está ganhando a guerra do aborto, em parte, porque utiliza uma estratégia organizada e bem executada».

Além disso, reconheceu, «a opinião pública está crescentemente» do lado pró-vida.

«Graças ao ultra-sons pré-natal e aos avanços da neonatologia, os americanos podem agora saber como se vê um feto e que os bebés nascidos tão prematuramente como às 24 semanas agora podem sobreviver», afirmou Pickert.

A jornalista da Times disse que «apesar de três quartos dos americanos acreditarem que o aborto deveria ser legal em alguns ou todos os casos, a maioria apoia leis estatais que regulem o procedimento, e cada vez menos se identificam como ‘pro-choice’ nas pesquisas de opinião pública».

Pickert também retratou a divisão geracional que destrói por dentro a causa abortista, pois «os jovens activistas do direito ao aborto reclamam que as líderes das organizações feministas», que tinham 20 ou 30 anos quando se legalizou o aborto nos Estados Unidos, «não estão dispostas a passar a tocha às novas gerações».

Entretanto, para Kate Pickert, um dos principais motivos da derrota dos promotores do aborto é que «numa democracia dinâmica como a dos Estados Unidos, defender o status quo é sempre mais difícil do que lutar para mudá-lo».

Uma das expressões mais claras do avanço da causa pró-vida nos Estados Unidos é a multitudinária marcha nacional pela defesa da vida que mobilizam centenas de milhares de pessoas, com frequência ignoradas pelos média, todos os anos em Janeiro, no aniversário da sentença de Roe vs. Wade.

A última marcha, em 2012, reuniu mais de 400 mil pessoas que durante várias horas suportaram frio intenso, neblina e até chuva enquanto percorriam as principais ruas da capital Americana até à sede do Capitólio.


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Igrejas católicas incendiadas
na Áustria e na França no Natal

Próximo do Natal de 2012 templos católicos foram queimados na Aústria e na França. Os incidentes poderiam ter sido originados por ódio à fé.

Na cidade de Amstetten (Áustria) três igrejas foram queimadas no dia 23 de Dezembro, enquanto que a representação do presépio do Menino Jesus foi queimada numa Igreja da localidade de Barby, na região de Saboia (França), no dia 18 de Dezembro.

Um jovem, que as autoridades consideram o principal suspeito do incêndio das igrejas na Áustria, não soube explicar os motivos às autoridades ao ser interrogado, e parecia confuso.

Não se exclui que esta tenha sido uma agressão anticristã, já que só as igrejas foram atacadas.

No caso de França, o presépio no interior da Igreja foi queimado entre as 7 e 8 da noite do dia 18 de Dezembro, sem nenhum vestígio de que se tratou de um acidente.

O sacristão do templo referiu aos meios de comunicação que não é a primeira vez que acontece um ataque contra a igreja.

Com efeito, em anos anteriores, a porta da Igreja foi danificada, um dos vidros do salão de reuniões da paróquia foi quebrado, diversos livros foram queimados, entre outros danos.

Nos dias seguintes os pais e crianças da paróquia construiram um novo presépio para substituir o que fora queimado.


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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Universidade católica ou caótica?

Heduíno Gomes

Quem seguir relativamente de perto o que se passa na Universidade Católica Portuguesa não pode deixar de se interrogar sobre a sua natureza real no que toca ao cristianismo é à sua missão.

Uma universidade católica, segundo penso, terá duas missões principais.

Uma das missões é obviamente a de gerar uma elite técnica nas áreas em que lecciona, tal como qualquer universidade.

A outra missão – a primeira no que diz respeito à sua natureza e missão cristãs – seria a de formar nas áreas das humanidades e das ciências uma elite católica, formada solidamente nos valores cristãos. A universidade católica deve ensinar esses valores. Alguns dos alunos não aprenderem a matéria já é outra questão.

Essa tal universidade católica teria, pois, de ensinar os valores cristãos aos seus alunos. Para isso, os seus mestres teriam, eles próprios, de viver esses valores cristãos. Quando digo viver, não digo papaguear doutrina ou frequentar a missa.

Pois bem, o que vemos nós?

A Universidade Católica Portuguesa integra no seu quadro docente ou de palestrantes convidados – e até entre os seus dirigentes – uma série de professores que estão muito longe de corresponder à exigência de viverem os valores cristãos. Uns apenas papagueiam doutrina, outros frequentam a missa, alguns até têm a auréola de aparecer na televisão como católicos oficiosos (escolhidos por essas televisões anticristãs para representar os católicos ou sugeridos não se sabe por quem...), mas estão muito longe de abraçar uma concepção cristã do mundo. Não é preciso grande esforço para encontrar nesse quadro docente declarados ou acinzentados relativistas, liberais, economicistas, tecnocratistas, defensores de interesses de privilegiados contra os da maioria e da Nação, feministas, abortistas, charlatães das «novas pedagogias», «católicos progressistas» e até ateus confessos.

Que irá esta gente ensinar aos seus alunos? Ensinarão como ser cristão na vida cultural, política, económica e social? Ensinarão uma concepção cristã do mundo? Civilização cristã? Bem comum?

Dentro da sua linha objectivamente anticristã, os responsáveis da Universidade Católica Portuguesa programaram uma formação com alguns «formadores» abortistas. Não é novidade. Mas algumas pessoas denunciaram a situação e as altas competências académicas católicas retiraram a formação.

Para explicar o que se passa, só existem duas hipóteses: ou os responsáveis pela situação não sabem o que fazem ou então sabem muito bem o que fazem.
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(Para ilustrar o que se acaba de referir, reproduz-se o texto que se segue, denunciando a presença de manifestos abortistas como «formadores da UCP.)

Mulheres em Acção criticam
escolha de docentes pela UCP

1. A Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (UCP) está a lançar uma Pós-Graduação em Serviço Social na Saúde Mental, em parceria com a Associação dos Profissionais de Serviço Social.

2. Conforme consta do site da UCP, essa Pós-Graduação conta com a colaboração docente de destacados e públicos opositores da posição da Igreja Católica sobre a inviolabilidade do valor e dignidade da vida humana. Vários desses conferencistas e formadores colaboraram notoriamente pelo «Sim», no referendo sobre o aborto.*

3. Ora, a UCP é uma instituição da Igreja, integrada no «conjunto da missão da Igreja, enquanto serviço específico à comunidade eclesial e humana», que visa a «realização integral do Homem, inspirada nos valores cristãos» (cfr. Artigo 3.º dos seus Estatutos). Aliás, esses Estatutos estabelecem que o «ensino da UCP inspirar-se-á na visão cristã do homem e do mundo» (cfr. Artigo 9.º), pelo que «devem ser escolhidos docentes e investigadores que, para além da idoneidade profissional, primem pela integridade da doutrina» (cfr. Artigo 47.º).

4. A AMA - associação que conta entre os seus princípios a defesa da vida humana desde o momento da concepção até à morte natural – contesta que pessoas como as referidas no n.º 2 (não obstante a sua idoneidade profissional), que tão assumidamente propugnaram a liberalização do aborto, consigam ensinar em sintonia com a visão cristã em matérias como por exemplo «Valores, princípios e ética do Serviço Social». A participação dessas pessoas irá gerar, no mínimo, perplexidade e confusão. O nosso alerta tem por objecto a decisão da Universidade, e não as pessoas envolvidas, cujas opções livres não são aqui objecto de apreciação.

5. Não se trata de matéria de pouca importância, ou periférica em relação a esses valores. Como disse D. Manuel Clemente no dia 1 de Janeiro, «a paz – enquanto harmonia íntima e global de tudo quanto representa a verdade das coisas, começando pela verdade das pessoas – é obra e fruto da justiça, que nos manda dar a cada um o que lhe é devido e pertence. E a vida é a primeiríssima pertença de cada ser humano (…) Qualquer hesitação neste ponto, qualquer amolecimento cultural ou legal em relação a ele, é absolutamente um atentado à paz».

6. Algumas questões merecem esclarecimento: terão mudado os princípios da UCP? Terão os conferencistas mudado de convicções? Talvez a UCP pudesse esclarecer.

Associação Mulheres em Acção

Alexandra Tete

* FORMADORES E CONFERENCISTAS que publicamente defenderam o aborto (signatários da sua liberalização: médicos pelo Sim ao Aborto)
  • Dr. António Leuschner – Conselho Nacional de Saúde Mental
  • Dr. Álvaro de Carvalho – Programa Nacional de Saúde Mental – DGS
  • Dr. Francisco George, Director-Geral de Saúde
  • Prof. Doutor JM Caldas de Almeida – Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa
*Não assinou a petição por ser Director Geral de Saúde, mas apoia o aborto e disse-o em declarações à imprensa.


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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

As finanças do PCP e a sua morte anunciada

Heduíno Gomes

A implosão da União Soviética veio criar aos partidos comunistas alinhados com Moscovo vários problemas. O mais óbvio problema foi o do desprestígio político adicional a que ficaram sujeitos com a desagregação do «paraíso» terreno que apregoavam. Mas a este juntou-se outro que foi corroendo os partidos moscovitas: o fim do financiamento das suas máquinas de organização e propaganda.

Em alguns países, os respectivos partidos comunistas não eram mais do que um escritório de propaganda soviética, editando um semanário de pequena tiragem e de nenhum impacto. Noutros países, como na Itália, na França e em Portugal, os partidos possuíam uma implantação importante. Em Inglaterra e Alemanha federal, os partidos comunistas eram reduzidos e praticavam o entrismo nos partidos socialistas, respectivamente o trabalhista inglês e o social-democrata alemão.

Mesmo antes da sua implosão, a União Soviética já se encontrava numa grave crise económica que fazia adivinhar o desfecho. Nesse período, com Gorbatchov, foram reduzidos e mesmo suprimidos os financiamentos às quintas-colunas soviéticas. E quando o sistema cai, o corte foi total e geral. Não apenas da parte da extinta União Soviética, como também da Alemanha de Leste, e de outros «países irmãos», acabaram-se os cobres.

O poderoso Partido Comunista Francês, com a sua imponente sede, de projecto simbólico da autoria do camarada Niemeyer, na Place Colonel Fabien, em Paris, teve de conter despesas e vender os anéis. Concretamente, os Picassos e outros que orgulhosamente decoravam a sua sede foram passados a patacos. E o PCF acabou por sucumbir.

O mesmo se anuncia agora para o PCP, que sistematicamente vêm apresentando buracos nas suas contas e se prepara para despedir uma série de funcionários.

A fonte de financiamento do PCP eram simbolicamente as quotizações. Mas mal davam para mandar cantar um cego. Internamente, depois do 25 de Abril, outra fonte eram também os municípios que dominavam, e que, pela redução da sua implantação política, têm vindo a perder. O mesmo se pode dizer dos sindicatos, que pagavam os ordenados dos funcionários do PCP e a sua propaganda, o que ainda hoje vemos.

Todas estas receitas e mais algumas geradas por certas estruturas económicas montadas no período ascendente são insuficientes para manter o aparelho encomendado pelos soviéticos – desde sempre os grandes financiadores –, que já não existem para pagar a encomenda. O PCP tinha também uma especial ajuda, em dinheiro e propaganda, da Alemanha de Leste. Tudo isto acabou. E com isto acabará por sucumbir o clássico PCP.
É pena que Cunhal não tenha vivido o suficiente para assistir.






Dos arquivos do Partido Comunista da União Soviética

(13 octobre 1983)

«Très secret. Du KGB au Comité central du Parti communiste de l'Union soviétique»:

«Au camarade Ponomarev, directeur du Département international,Compte-rendu de la rencontre avec le camarade Gaston Plissonnier(PCF) : conformément à vos instructions du 23 septembre dernier, la rencontre a eu lieu à Berlin avec le camarade Plissonnier et son homme de confiance, lors de laquelle nous avons remis aux amis français la somme d'un million de dollars qui leur a été assignée. Pour des raisons de sécurité, le camarade Plissonnier a refusé de signer sur place le reçu avec l'argent livré, se référant à un accord avec Moscou. Néanmoins, il a ordonné à son homme de confiance de signer le reçu de livraison sans indiquer le montant de la somme.»

L'aide apportée par le PCUS était aussi matérielle et concernent également les journaux affiliés au PCF. De 1982, année de la première livraison, jusqu'en 1989, la dernière, ceux-ci ont reçu gratuitement 4 058 tonnes de papier[13]. Le 10 juillet 1987, le Politburo approuve, « suivant la demande du PCF », la livraison de 1 300 tonnes de papier par an pour les années 1987 et 1988.

Pour la seule période de 1971 à 1990, le PCF encaissera cinquante millions de dollars (Parti communiste italien : 47 millions, Parti communiste des États-Unis d'Amérique : 42 millions).

Le secrétaire général de la CGTHenri Krasucki, membre du bureau politique du PCF, a demandé en mars 1985 au conseil central des syndicats de l'URSS d'accorder à son syndicat une aide urgente de 10 millions de francs (1 million de roubles convertibles). Cette demande a un caractère strictement confidentiel et seuls les dirigeants de la CGT membres du comité central du PCF ont été informés de cette demande. Cette aide sera accordée en 2 versements en 1985 et 1986 de 500 000 roubles provenant du comité du tourisme et d'excursion.


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Guerra civil ou guerra entre o bem e o mal?

João j. Brandão Ferreira
O historial das guerras civis em Portugal
não é lá grande coisa.
Parece (do que há registo) que a primeira desavença séria se deu no reinado do senhor rei D. Afonso II, um conflito de poder entre ele e as irmãs; depois houve desavenças graves no reinado de D. Sancho II, que acabou deposto e substituído por seu irmão Afonso que veio a ser o III; por duas vezes as hostes de D. Dinis e do seu fogoso filho, o futuro Afonso IV, se defrontaram, valendo a rainha Isabel, que veio a ganhar a Santidade.

A crise de 1383/1385 foi de uma gravidade extrema e partiu o Reino ao meio, ganhando (felizmente) a vertente nacional; podíamos ter acabado logo aí.

A família real e as casas nobres do país desentenderam-se após a morte do douto e infeliz rei D. Duarte, o que só veio a ser sanado em Alfarrobeira, em 1449, com a infausta morte do infante D. Pedro, o «das sete partidas».

O sangue correu, novamente, no reinado de D. João II, até este conseguir debelar as duas conspirações feitas contra ele por elementos da alta nobreza, onde também entrou a mãozinha castelhana.

Em 1580 desentendemo-nos de vez, o que foi aproveitado pelo sagaz Filipe, que chamou um figo à corrupção de grande parte do alto clero e nobreza e zás: comprou-nos, conquistou-nos e herdou-nos! É o que acontece às árvores que se deixam apodrecer por não serem podadas a tempo: morrem.

Lá nos reabilitámos com a «Restauração», mas…

A situação piorou muito no século XIX, após as invasões francesas, a Corte no Rio de Janeiro e as influências jacobinas da Revolução Francesa, à mistura com o domínio político/económico Britânico. Em resultado de tudo isto, e da perda do Brasil, a família real cindiu-se, idem para o exército e, por arrastamento, toda a Nação.

A coisa foi feia de se ver, com o eclodir da pior guerra civil, entre 1828 e 1834, logo seguida de duas outras, a «Maria da Fonte» e a «Patuleia», em 1846/1847.

Nunca mais recuperámos disto até hoje, mesmo tendo em conta o período do «Estado Novo».

A transição da Monarquia para a República causou outro grave afrontamento e, o que se lhe seguiu, não sendo uma guerra civil clássica, configurou uma calamidade conflitual terrível que durou 16 anos!

Mesmo no período da Ditadura Militar e no da vigência da Constituição de 1933, ocorreram cerca de uma dezena de golpes militares, com apoios vários, terminando com o de 25/4/1974, em consequência do qual o país esteve novamente à beira da guerra civil, travada «in extremis», em 25/11/1975.

Enquanto isto, pelos antigos territórios ultramarinos deflagraram conflitos que vieram a causar mais de um milhão de mortos. Nunca saberemos exactamente quantos.

Tudo o que se apontou configura uma situação de muito pouco «juízo», ao longo dos tempos…
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Depois de 1976 liberalizou-se, desregrou-se e relativou–se (quando não se subverteu), tudo: as leis, as regras, os valores, os princípios, os deveres, os direitos, as contas, etc. Tudo.

E como se foi gastando à tripa forra e dando subsídios a quase todos, andava toda a gente contentinha. Pois haverá alguma cidade cercada que resista a um burro carregado de ouro?

Ou posto de um modo mais modernaço, quem vai (isto é, ia) passar férias a Cancun, mesmo sendo a cartão de crédito, insurge-se contra o quê?

Em síntese, finalmente houve um país que pôs em prática, na sua plenitude, os «slogans» do «Quartier Latin» no recuado Maio de 68…

Bom, chegámos à beira de mais um precipício.

Ainda não se contam espingardas, mas há uma quantidade enorme de «democratas» que, via «net», aspiram cortar cabeças uns aos outros. Mas enquanto for só na net…

Sem embargo uma enorme guerra civil já começou há muitos anos e aparece estampada no papel, no som e na imagem da comunicação social, à frente de todos. E os indígenas – que somos todos nós – à força da agressão constante já entendem as coisas como «normais», por habituais.

Ora o que parece ser um facto incontroverso é que assistir a um qualquer telejornal é um puro exercício de masoquismo.

Deixemos as desgraças que vão por esse mundo fora e concentremo-nos nas nossas.

Comecemos pela política, pois os actores da política, pela sua permanência e exemplo marcam o quotidiano da «Polis».

O espectáculo é de guerra civil, permanente, partidária e entre órgãos de soberania, com grande falta de elevação, ataques pessoais, «bota abaixo» e desrespeito por tudo e por todos!

O bloqueamento da Justiça, o comportamento de muitos dos seus agentes e o tratamento mediático deste sector fundamental da sociedade é simplesmente lamentável; a indisciplina nas escolas, as mudanças constantes e experiências delirantes, do sistema de ensino, é o maior «calcanhar de Aquiles» da Nação; o desregramento financeiro, em praticamente todos os sectores do Estado, é aterrador; o comportamento dos sindicatos extravasa tudo o que é de bom senso e devia ser permitido; a sobranceria, privilégios e falta de controlo do sistema financeiro é um vector de desequilíbrio e injustiça permanente; as Forças Armadas são destruídas e ignoradas implacavelmente e as Forças de Segurança são minadas nos seus fundamentos.

A Diplomacia não tem a menor acção na defesa dos objectivos nacionais permanentes e temporários de Portugal, pois os sucessivos governos deixaram de ter política seja para o que for, a não ser para se manterem no Poder e andar de mão estendida para Bruxelas (agora, Berlim).

Com um pano de fundo destes (muito aligeirado, aliás) a sociedade sofre-lhe as consequências e desagrega-se.

Com todos os «ismos» na pantalha da escrita, da imagem e do som, correndo transversalmente todas as artes e espectáculos, o pessoal exorbita: os casos de corrupção ou suspeitas de, vertidas nos noticiários, acompanhados dos crimes mais repugnantes e do aumento constante da criminalidade, que as tiradas demagógicas não iludem; o envolvimento cada vez maior de agentes das Forças de Segurança e, até, de investigação criminal, em actos criminosos; suspeitas de pedofilia na Igreja e fora dela; o número de vigarices, desde os clubes de futebol às autarquias, etc., que se vão descobrindo, são de molde a desmoralizar o melhor candidato a santo!

Ou seja, o país corrompeu-se e desmoralizou-se profundamente e, agora, anda tudo de cabeça perdida sem saber o que fazer.

E tudo numa correria infrene debaixo de um dilúvio mediático que impede qualquer aferição e reflexão séria sobre tudo o que se passa…

Razão tinha o Papa Bento XVI, quando logo no início do seu pontificado, veio dizer que a prioridade número um, para a Igreja, devia ser o combate ao «Relativismo Moral».

Pois este parece ser o cerne de tudo isto, o que não é mais do que a continuação da eterna luta entre o Bem e o Mal.

E as rupturas podem começar a surgir em catadupa.

Um exemplo para terminar:

Um jovem professor de português colocou aos seus alunos, de 13 e 14 anos, o seguinte tema para uma composição: «acabas de fazer 13 anos e decides pôr fim à tua vida. A tua decisão é irrevogável e resolves explicar as razões da angústia que te atormenta. No texto que redigires refere os acontecimentos da tua vida que causaram esse sentimento».

Que pedagogia ou desequilíbrio levará um «professor» a escolher um tema destes numa turma de adolescentes?

O Bem triunfará do Mal?

Que nos diz a Razão e a Esperança?


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