sábado, 2 de março de 2013

Januário corrige a Bíblia…

L. Lemos

Em entrevista à Antena 1 e RTP2 (1 de Março de 2013), o impagável, vaidosanas, agarra-o-tacho e herege Januário continuaria a divertir-nos se não fosse tão grave o que sai daquela boca, especialmente invocando Cristo. O que ele pretende não é corrigir erros internos da Igreja mas agravá-los.

As bacoradas são às dúzias, nomeadamente sobre o celibato dos padres, o governo da Igreja, o Papa, a política – enfim, sobre quase tudo em que mete o bedelho.

Questionado nessa entrevista sobre o caso Carlos Azevedo, declarou ele que a gravidade de um padre manter relações sexuais hétero e homo é igual. Mais, distinguir a gravidade entre os dois casos é «famigerada discriminação»! Portanto, para o indivíduo, relações sexuais indevidas e relações sexuais contranatura é de igual gravidade.

O impagável e herege Januário corrige Jesus Cristo. E também o Antigo Testamento.

Que respeito merece este pseudo-bispo falando em nome da Igreja?

Já chega de aturar gente desta. Já chega de porreirismo e punhos de renda com gente desta. É por causa de gente desta que a Igreja e o mundo estão como estão.

Mas é a estes palhaços que é dado tempo de antena. Sabendo-se quem manda nas antenas, percebe-se porquê.



NOTA: Os nossos limites ao referirmo-nos ao sujeito foram definidos por ele próprio quando se refere àqueles que ele considera impuros.


 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O patriotismo e os cuidados a ter


Luís Lemos

Circula na net uma petição dirigida à Assembleia da República e denominada «Petição pela implementação de um código de ética político em Portugal».

O autor é Luís Portas, certamente um patriota, o que podemos deduzir pelo seu texto.

No entanto, e independentemente de uma análise mais pormenorizada do texto, o autor comete dois erros que merecem ser devidamente notados.

O primeiro, logo à vista, é ser redigido em acordez ortográfico, o que não é lá muito patriótico. Dá logo vontade de não assinar nada!

O segundo, pior ainda, é a sua fonte de inspiração, citada no texto e apresentada em anexo à petição. Com efeito, Luís Portas apresenta-nos um texto e os seus autores, como professores de ética política, que são um bando de espanhóis. E, a espanhóis, um patriota português terá sempre de mandá-los passear.

Caro Luís Portas, patriotismo, sim. Mas sem espanholada à mistura. Porque a espanholada põe em causa o nosso patriotismo. E quando digo nosso, parto do princípio de que também é patriota. Mas cuidado.


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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Novo Mundo e Mundo Novo

CRISTÓVÃO COLON EM PORTUGAL - MARÇO DE 1493

520º aniversário da viagem de regresso do descobrimento oficial da América.
Ciclo de conferências, visitas e exposições - 3 a 14 de Março de 2013


3/3: CASCAIS, Museu do Mar Rei D. Carlos, 16.00h
· «As viagens de Cristóvão Colon e a navegação à vela no Atlântico» - Comandante José Manuel Malhão Pereira (Academia de Marinha)
· «Que vê Cristóvão Colon quando chega a Cascais?» - Dr. Severino Rodrigues (Câmara Municipal de Cascais)
· «De Santa Maria (Açores) a Cascais ­ a tempestade e a matemática» - Engº Carlos Calado (Pres. Associação Cristóvão Colon)
· Direcção do colóquio e debate: Prof. Doutor Carlos Margaça Veiga (Academia Portuguesa da História)

7/3: LISBOA, Palácio da Independência (Largo S. Domingos), 17.30h
· «Cristóvão Colombo e a Madeira: antecedentes e consequências da primeira viagem às Antilhas em 1492» - Coronel Prof. Rui Carita
(Comissão Portuguesa de História Militar)
· «Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és ­ a propósito dos encontros de Colon» - Dr. João Abel da Fonseca (Academia Portuguesa da
História)
· Direcção do colóquio e debate: General Alexandre de Sousa Pinto (Pres. Comissão Portuguesa de História Militar)

9/3: VALE DO PARAÍSO (Azambuja), Casa `Colombo', 15.30h
· «O encontro entre D. João II e Cristóvão Colon» - Profª Doutora Manuela Mendonça (Pres. Academia Portuguesa da História)
· Direcção do colóquio e debate: Engº Carlos Calado (Pres. Associação Cristóvão Colon)
Visita guiada (Dr. José Machado Pereira ­ Câmara Municipal de Azambuja) ao Centro de Interpretação da Casa `Colombo' e à Igreja de
Nossa Senhora do Paraíso, das Comendadeiras de Santos, após a Conferência .

10/3: VILA FRANCA DE XIRA, Auditório da Junta de Freguesia V.F.Xira, 15.30h
· «As razões da vinda de Cristóvão Colon a Lisboa e suas implicações diplomáticas» - Prof. Doutor Humberto Mendes de Oliveira (Comissão
Portuguesa de História Militar)
· «A visita de Cristóvão Colon à Rainha Dona Leonor» - Dr. Carlos Fontes (convidado pela Associação Cristóvão Colon)
· Direcção do colóquio e debate: Prof. Doutor Carlos Margaça Veiga (Academia Portuguesa da História)
11.00h: Visita guiada (Padre Henrique Pinto Rema ­ Academia Portuguesa da História) ao Convento de Santo António da Castanheira,
complementada na sessão da tarde
 (livre, sujeita a inscrição prévia até 7/3 para o e-mail )

14/3: LISBOA, Academia de Marinha (Rua do Arsenal), 17.30h
· «As viagens de Colombo e a náutica portuguesa de Quinhentos» - Comandante Luís Jorge Semedo de Matos (Academia de Marinha)
· «Relação de Cristóvão Colombo com D. João II» - Prof. Doutor José Manuel Garcia (Academia de Marinha)
· Encerramento do ciclo de conferências
· Direcção do colóquio e debate: Almirante Nuno Vieira Matias (Pres. Academia de Marinha)
·Exposição bibliográfica "Colon na Academia de Marinha"

Pode descarregar o programa clicando aqui.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Azulejo de Toledo


Dedicado ao antipopulista Pacheco Pereira.


(O texto só tem um defeito: está escrito naquela língua de trapos.)



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Como reduzir despesa e aumentar receita

Heduíno Gomes

Circula, entre muitos, mais um texto com várias sugestões de cortes na despesa e aumento da receita. Poderá eventualmente este texto não ser rigoroso ou viável em algum ponto. Mas, no seu conjunto, não deixa de ser pertinente.

Diríamos mesmo que há cortes em que poderia ir ao fundo da questão.

Por exemplo, aponta o corte de 50% no subsídio aos partidos. Porque não 100%? Que obrigação têm os contribuintes de financiar associações privadas? Que legitimidade têm essas associações privadas para receber uma ajuda quando se revelam associações de interesses privados, quando não associações de malfeitores? Será a paga por, em conjunto com outras associações, subterrâneas, terem conduzido Portugal a esta situação?

Por exemplo, em relação ao funcionamento da Assembleia da República, porque não concebe-lo em moldes de participação gratuita dos seus deputados (não é inédito…) excepto nos seus serviços permanentes?

Vejamos então o conjunto das sugestões desse texto.


Esta cambada fica-nos cara.
Querem melhor receita para sobrevivermos em 2013 ?!...

Propostas de alternativa à austeridade, que tudo está a mirrar, isto no que toca a corte de despesa nas ditas gorduras.

Por isso
:

– Reduzam 50% do 
orçamento da Assembleia da República e vão poupar +- 43.000.000,00€.

– Reduzam 50% do 
orçamento da Presidência da República e vão poupar +- 7.600.000,00€.

– Cortem as 
subvenções vitalícias aos políticos deputados e vão poupar +- 8.000.000,00€.

– Cortem 30% nos 
vencimentos e outras mordomias dos políticos, seus assessores, secretários e companhia e vão poupar +- 2.000.000.00€.

– Cortem 50% das 
subvenções estatais aos partidos políticos e pouparão +- 40.000.000,00€.

– Cortem, com rigor, os apoios às 
fundações e bem assim os benefícios fiscais às mesmas e irão poupar +- 500.000.000,00€.

– Reduzam, em média, 
1,5 vereador por cada câmara e irão poupar +- 13.000.000,00€.

– Renegociem, a sério, 
as famosas parcerias público privadas e as rendas energéticas e pouparão + 1.500.000.000,00€.

Só aqui nestas «coisitas», o País 
reduz a despesa em mais de 2 mil e cem milhões de euros.

Mas nas receitas também se pode melhorar e muito a sua cobrança
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– Combatam eficazmente a tão desenvolvida 
economia paralela e as Receitas aumentarão mais de 10.000.000.000,00€.

– Procurem e realizem 
o dinheiro que foi metido no BPN e encontrarão mais de 9.000.000.000,00€.

– Vendam 
200 das tais 238 viaturas de luxo do parque do Estado e as receitas aumentarão +- 5.000.000,00€.

– Façam o mesmo a 
308 automóveis das câmaras, 1 por cada uma, e as receitas aumentarão +- 3.000.000,00€.

– Fundam a 
CP com a Refer e outras empresas do grupo e ainda com a Soflusa e pouparão em Administrações +- 7.000.000,00€.

Nestas «coisitas» 
as receitas aumentarão cerca de vinte mil milhões de euros, sendo certo que não se fazem contas à redução das despesas com combustíveis, telemóveis e outras mordomias, por força da venda das viaturas, valores esses que não são desprezíveis.

Sendo assim, é ou não possível, reduzir o défice, reduzir a dívida pública, injectar liquidez na economia, para que o País volte a funcionar ?

Há, ou não há, alternativas
 ?



Façam circular pelos vossos amigos.


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domingo, 24 de fevereiro de 2013

O Papa Bento XVI tem feito
uma «limpeza no episcopado», diz Núncio


O Núncio Apostólico no Cazaquistão, Tajiquistão e Quirguistão, o arcebispo espanhol Miguel Maury Buendía, destacou o que o Papa Bento XVI tem feito durante o seu Pontificado «uma limpeza no episcopado» convidando mais de um bispo por mês em todo mundo a demitir-se por razões de má administração de contas e faltas contra a disciplina ou a moral.

«Este Papa demitiu dois ou três bispos por mês em todo o mundo por razões como a confusão nas contas nas dioceses ou a disciplina era um desastre. Ele fez uma limpeza no episcopado. (...)

O Núncio ia ao bispo e dizia-lhe «o Santo padre pede-lhe que pelo bem da Igreja renuncie ao seu cargo». Quase todos os bispos, ante o pedido do Papa, viam o desastre e aceitavam o convite.O Núncio explica que «houve dois ou três casos de bispos que disseram não, então o Papa demitiu-os sem mais explicações».

Assim referiu o prelado durante a conferência «O papel da diplomacia vaticana nas relações internacionais» dada na quarta-feira, dia 20, na Universidade CEU San Pablo, em Espanha.

Dom Maury Buendía assegurou que recebeu «com surpresa» a decisão do Papa Bento XVI de renunciar destacando que isto é um exemplo «para todos os políticos do mundo que se agarram ao poder com todas as forças» e alguma coisa que «os grandes homens sempre fizeram».

«Eu vi como o Papa se ia desgastando e pensei como seria a sua viagem ao Brasil, mas não pensei que tomaria a decisão que tomou», referiu o arcebispo, indicando que «a vida da Igreja continuará».

Quanto ao futuro, Dom Maury referiu que o facto de o Papa vir de um país ou de outro é importante «até certo ponto» e explicou que o centro ainda está na Europa.

«O que sucede é que a Igreja não evolui com saltos mas brandamente e o centro ainda está na Europa. Se nomearem um americano, isso não é relevante porque estará mais preocupado com os problemas da América», especificou.

Sobre o Colégio Cardinalício que deverá escolher um novo Papa, o Núncio referiu«que este parece ser o melhor sistema para escolher um Papa». Anteriormente, nos primeiros séculos da Igreja, conforme indicou, escolhia-se por aclamação do povo, passando-se logo ao sistema de reuniões entre os cardeais para eleger o pontífice.

A diplomacia vaticana

Sobre a diplomacia do Vaticano, o Núncio distinguiu que é «a mais antiga do mundo» pois teve início no século IV quando o imperador de Bizâncio começou a enviar embaixadores, e explicou que foi no século XVI que tomou o formato que tem agora. Concretamente, apontou que as primeiras nunciaturas que foram as de Veneza e Roma.

Além disso, precisou que, assim como ocorreu com as universidades impulsionadas pela Igreja Católica cujos modelos foram depois adoptados pelos Estados, assim aconteceu com a diplomacia, começou-se a estabelecer uma rede de contactos diplomáticos graças à Igreja, que chegaram até agora.

Dom Maury Buendía referiu que a diplomacia vaticana, conta com 105 núncios creditados perante 172 países, «não procura nenhum privilégio» para os fiéis mas «garantir a sua liberdade».


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sábado, 23 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

La Repubblica associa resignação papal
a «relatório demolidor»


Pedro Duarte no Diário Económico, 21.02.2013
O diário italiano «La Repubblica» noticia hoje que na base da renúncia de Bento XVI estará um relatório sobre a corrupção na Igreja.

No passado dia 17 de Dezembro, Bento XVI terá recebido um «relatório demolidor» de 300 páginas, elaborado por três dos mais experientes cardeais do Vaticano, relativamente à investigação sobre os documentos roubados da residência do Sumo Pontífice, adianta a edição de hoje do «La Repubblica».

Segundo o jornal, o documento diria que poderão ser revelados muitos escândalos sobre as lutas de poder dentro da Cúria romana, desvios de dinheiro e a verdadeira força do poder do «lobby gay» na Igreja, informações que seriam tão «demolidoras» que convenceram o Papa a decidir que o melhor caminho a seguir seria o de deixar o cargo, de modo a permitir que um Pontífice mais novo e enérgico tome o poder no Vaticano e leve a cabo uma «limpeza profunda» da Igreja.

«Tudo gira em torno da observação do sexto e sétimo mandamentos: não cometerás actos impuros e não roubarás», disse ao periódico uma fonte «muito próxima» dos autores do relatório.

O «La Repubblica» recorda um escândalo que estalou em 2010, quando foi descoberto que um membro do coro da Capela Musical da Basílica Papal de São Pedro no Vaticano, o nigeriano Chinedu Eheim, oferecia serviços sexuais com menores, incluindo seminaristas, e que estes tinham lugar tanto em Roma como dentro das paredes do próprio Vaticano.

«Existe uma rede transversal unida pela orientação sexual. Pela primeira vez, a palavra ‘homossexualidade' foi pronunciada e lida em voz alta a partir de um texto no apartamento de Ratzinger. E pela primeira vez foi falado, embora em Latim, sobre a palavra ‘chantagem'(‘Influentiam')», lê-se no texto do jornal, que cita as revelações que os cardeais teriam feito ao Papa durante a apresentação secreta das suas conclusões finais.

Como consequência, prossegue o «La Repubblica», Bento XVI decidiu demitir-se, afirmando que «este relatório deve ser entregue ao próximo Papa, que deverá ser bastante forte, jovem e santo para poder enfrentar o trabalho que o espera».

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Socialistas catalães querem a resignação
do rei Juan Carlos


O responsável do Partido Socialista Catalão (PSC), Pere Navarro, defende que o rei Juan Carlos abdique e que o seu filho, o Príncipe das Astúrias, o substitua liderando o que denominou de «segunda transição».

«Seria uma transição tranquila e que responderia às necessidades do nosso tempo», afirmou Navarro, para quem Felipe de Borbón poderia encabeçar as «profundas mudanças e modernização» que, considerou, Espanha precisa.

«Caso contrário, muitos cidadãos poderiam achar que a alternativa seria mudar o próprio sistema monárquico, e penso que não lhes faltaria razão se não houver uma reacção a tempo», afirmou, perante uma centena de empresários na Câmara de Comércio de Barcelona.

De recordar que Iñaki Urdangarin, marido da infanta Cristina, é acusado de usar a sua influência na família real para negócios particulares. Uma troca de «mails», entretanto divulgada pela comunicação social espanhola, parece deixar claro que o próprio rei estaria ao corrente dos negócios do genro.


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Bispo Azevedo: a Lusitânia já o topava…


Ler o artigo até ao fim, mesmo a última frase:

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A Turquia está deixando o Ocidente?

Daniel Pipes
 
As recentes medidas tomadas pelo governo turco indicam a sua disposição em livrar-se do clube das democracias da OTAN em favor do gangue dos estados autoritários russo e chinês.

Eis porque:

Começando em 2007, Ancara solicitou três vezes, sem sucesso, participar como Membro Visitante da Organização para a Cooperação de Xangai (ou SCO, informalmente conhecida como Xangai Cinco). Fundada em 1996 pelos governos russo e chinês, juntamente com três países da Ásia Central Soviética (com a afiliação de mais um em 2001), a SCO recebeu pouquíssima atenção no Ocidente, embora tenha espectaculares ambições sobre segurança entre outras, incluindo a possível criação de um cartel de gás. Além disso, oferece uma alternativa ao modelo Ocidental, desde a OTAN, passando pela democracia, indo até à substituição do dólar americano como moeda de reserva. Após as três rejeições, Ancara solicitou o status de «Parceiro de Diálogo» em 2011. Em Junho de 2012, obteve a aprovação.
Passado um mês, o primeiro ministro turco Recep Tayyip Erdoğan referiu-se a respeito da sua conversa com o Presidente da Russia Vladimir Putin da seguinte maneira, «Vamos, aceite-nos no Xangai Cinco [como membro pleno] e nós iremos reconsiderar a União Europeia.» Erdoğan reiterou a intenção em 25 de Janeiro, realçando o impasse nos esforços turcos em se filiar à União Europeia (UE): «na qualidade de primeiro ministro de 75 milhões de pessoas», explicou, «começa-se a procurar alternativas. Por esta razão eu disse ao Sr. Putin um dia destes, «Aceite-nos no Xangai Cinco, vamos lá, e diremos adeus à UE». Porque protelar»? Adiante acrescentou que a SCO «é muito melhor, muito mais poderosa [que a UE] e compartilhamos os mesmos valores dos demais membros».

Em 31 de Janeiro, o ministério das relações exteriores anunciou planos para a promoção para «Estado Observador» na SCO. Em 3 de Fevereiro Erdoğan reiterou a sua afirmação anterior, dizendo «iremos procurar alternativas», tecendo elogios ao «processo de democratização» do grupo de Xangai, ao mesmo tempo menosprezando a «islamofobia» europeia. Em 4 de Fevereiro, o Presidente Abdullah Gül contra-atacou, declarando que «a SCO não é uma alternativa à UE. ... A Turquia deseja adoptar e implementar os critérios da UE».
Como interpretar tudo isto?

O faz de conta da SCO enfrenta obstáculos significativos: Se por um lado Ancara lidera os esforços para derrubar Bashar al-Assad, a SCO apoia com firmeza o líder sitiado da Síria. As tropas da OTAN acabaram de chegar à Turquia afim de operarem as baterias de mísseis Patriot com o objectivo de proteger o país dos mísseis sírios fabricados na Rússia. Mais importante ainda, todos os seis membros da SCO opõem-se veementemente ao islamismo abraçado por Erdoğan. Quem sabe, por isso mesmo, Erdoğan tenha mencionado a filiação à SCO somente com o intuito de pressionar a UE ou para mostrar uma retórica simbólica aos seus partidários.
Ambas as possibilidades são válidas. Mas eu considero os seis meses de namorico com seriedade por três razões. Primeira, Erdoğan já comprovou que é directo, levando o respeitado colunista, Sedat Ergin, a chamar à sua declaração de 25 de Janeiro a «mais importante» proclamação de política externa até hoje.

Segundo, conforme destaca o colunista turco Kadri Gürsel, «Os critérios da UE exigem democracia, direitos humanos, direitos sindicais, direitos das minorias, igualdade entre os sexos, distribuição equitativa de renda, participação e pluralismo na Turquia. A SCO como uma união de países governados por ditadores e autocratas não poderá exigir nenhum dos critérios acima para a filiação». Diferentemente da União Europeia, os membros da Xangai não irão pressionar Erdoğan a liberalizar o seu País e sim incentivar as suas tendências ditatoriais que já amedrontam tantos turcos.

Terceiro, a SCO encaixa-se no impulso islamista de desafiar o Ocidente e sonhar com uma alternativa. A SCO, tendo como idiomas oficiais o russo e o chinês, abriga o DNA anti-ocidental e nas suas reuniões transbordam sentimentos anti-ocidentais. Por exemplo, quando o presidente do Irão Mahmoud Ahmedinejad proferiu um discurso ao grupo em 2011, ninguém repeliu a sua teoria conspiratória em relação ao 11 de Setembro ter sido uma trama interna do governo dos EUA usada «como justificativa para invadir o Afeganistão e o Iraque ferindo mais de um milhão de pessoas». Vários defensores repercutem o analista egípcio Galal Nassar na esperança que em última instância a SCO «terá a oportunidade de resolver a disputa internacional a seu favor». Por outro lado, conforme observou uma autoridade japonesa, «A SCO está a tornar-se um bloco rival da aliança dos EUA. Ela não compartilha os nossos valores».

As medidas turcas a favor da filiação no grupo de Xangai, realça a já ambivalente filiação de Ancara à Organização do Tratado do Atlântico Norte, incisivamente simbolizada pelas inéditas manobras conjuntas turco-chinesas de 2010. Dada esta realidade, a Turquia de Erdoğan não é mais um parceiro confiável do Ocidente mas sim informante no seu refúgio sagrado. Se não for expulso, deveria ao menos ser suspenso da OTAN.


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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Fraco consolo: O buraco da agulha


Pedro Mexia
Vem em todos os sinópticos, mas escolho o de Mateus, cobrador de impostos: «E eis que se aproximou dele um jovem, e lhe disse: Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? Respondeu-lhe ele: (...) guarda os mandamentos. (...) Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado; que me falta ainda? Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me. Mas o jovem, ouvindo essa palavra, retirou-se triste; porque possuía muitos bens. Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus».

Tive uma educação católica, e nunca me esqueci desta passagem. Nos últimos tempos, penso nela com frequência. Porque temos visto o dinheiro, que é uma coisa, tornar-se um deus. É cómodo acusar «o capitalismo» desse endeusamento, mas escritores de todas as épocas e de todas as sociedades, incluindo as pré-capitalistas e as anticapitalistas, contam que o dinheiro é um obstáculo à vida recta. Não me refiro ao dinheiro enquanto fonte de sustento, conforto, gozo, o dinheiro que todos queremos ter, porque precisamos dele; estou a pensar no dinheiro das fortunas, aquele que mantém uma relação umbilical com a cupidez e a avareza.

Quando o jovem rico pergunta a Jesus como fazer para ganhar o Céu, Jesus diz-lhe que siga os mandamentos, e acrescenta um último mandamento, que completa os outros. Os discípulos, escreve Mateus, «ficaram grandemente maravilhados» com esta resposta. Pedro pergunta: e quem seguiu Jesus e deixou tudo para trás, será recompensado? Jesus garante: «(...) todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto e herdará a vida eterna. Entretanto, muitos que são primeiros serão últimos; e muitos que são últimos serão primeiros». É uma recompensa material, multiplicadora, e uma recompensa espiritual, eterna. Mas o mais importante não é isso, são as últimas palavras, que têm perturbado tantos crentes e não-crentes: «muitos que são primeiros serão últimos; e muitos que são últimos serão primeiros».

O dinheiro é o combustível de uma mentalidade mal crismada como darwinismo (porque não é de todo devida ao naturalista britânico). Uma mundividência estritamente competitiva que decreta que apenas os primeiros são primeiros, estando por isso dispensados de empatia face aos segundos e aos últimos. Crimes recentes cometidos por «ricos» (gestores, banqueiros, oligarcas), mostram-nos que eles não pertencem a uma espécie diferente, mas que foram tomados por aquele frenesim de quem vive apenas da compra e venda, de acções e obrigações, dividendos e mais-valias. Não é preciso subscrever os ideais marxistas para verificar como são lúcidas as páginas dos «Manuscritos Económico-Filosóficos» em que Marx estuda o dinheiro enquanto «fetiche» que corrói as relações humanas, na medida em que lhes atribui um valor, ou antes, um preço. E isso aconteceu inclusive em sociedades socialistas, porque o dinheiro, o dinheiro-fortuna, dificulta a noção de comunidade e a compreensão de uma igual dignidade humana.

É por isso que a Bíblia está cheia de advertências quanto ao dinheiro: o sermão que declara os pobres bem-aventurados, o episódio da redenção de Zaqueu, e, claro, os paradoxos de uma divindade nascida de um carpinteiro. Em vinte séculos, essa suspeita face ao dinheiro não resistiu a grandes incoerências, mas também deu azo a propostas ousadas como o monaquismo, o franciscanismo, a condenação da usura. Há pouco mais de cem anos, surgiu mesmo um elaborado pensamento de justiça social que religa o dinheiro, enquanto bem individual, a um bem-comum. Esse corpo de doutrinas, confesso, soou-me diversas vezes demasiado pio e ingénuo; mas sinto falta dele agora, de tal forma se perdeu a vergonha face à desigualdade.

Toda a questão é, aliás, bastante teológica. A famosa divisa «greed is good» transforma-se facilmente em «greed is god». Porque o dinheiro, explicou Georg Simmel na sua «Filosofia do Dinheiro» é fungível, e portanto vale mais do que todos os bens que pode adquirir. O dinheiro desmaterializa-se, como se fosse um espírito, e reina sobre tudo. Dos galeões que se afundavam no regresso das Américas com excesso de metais preciosos aos credit default swaps, as pessoas fizeram e fazem o possível por adorar um deus muito além das suas necessidades. Porém, o actual ódio aos ricos é tanto uma forma de ressentimento como de optimismo moral: os cidadãos revoltam-se contra uns terem muito e outros pouco, e atribuem aos ricos fraquezas que são na verdade forças do dinheiro. O dinheiro, que nem sempre é uma queda, é sempre uma vertigem. Vários homens ricos perderam essa batalha com a sua consciência, mas quem garante que a ganhava?

Para o bem e para o mal, a minha educação católica tem-me ajudado a manter viva uma desconfiança face ao dinheiro, ao dinheiro-fortuna, o dinheiro que se torna um «espírito» e que faz das pessoas coisas. É impossível que Jesus usasse por acaso uma imagem tão desapiedada e brutal: um animal que tenta em vão passar pelo buraco da agulha.


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Leitor deixou um novo comentário na mensagem

«As tretas dos nossos intelectuais: Lobo Antunes»
O lobinho Antunes foi do meu batalhão. Era médico e fez um aborto: o livro dele. Nem merece mais respostas pois nunca houve pontos ou assassinato de inimigos. Quantas vezes dei da minha ração de combate aos miúdos que nos seguiam sempre? Fico triste por ver que alguém para vender livros tenha de enxovalhar o nome do País. A propósito, quem era o 2300 e qual a tua relação com ele? O 2300 veio para a metrópole evacuado por ser invertido.

«As tretas dos nossos intelectuais: Lobo Antunes»


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Liberais profissionalmente idóneos?


Anónimo deixou um comentário na mensagem
«Universidade católica ou caótica?»:

Peço desculpa pela forma como comento a concreta «colaboração docente» entre a UCP e certos «Formadores e Conferencistas» identificados na tomada de posição da «Associação Mulheres em Acção» (AMA).

A AMA afirma desses formadores e conferencistas – os quais vão como tais exercer a docência na «Pós-Graduação em Serviço Social na Saúde Mental» recém lançada pela UCP – que são «destacados e públicos opositores da posição da Igreja Católica sobre a inviolabilidade do valor e dignidade da vida humana».

Por isso, contesta a AMA que os mesmos formadores e conferencistas «consigam ensinar em sintonia com a visão cristã em matérias como por exemplo «Valores, princípios e ética do Serviço Social», especificando inclusive que «a participação dessas pessoas irá gerar, no mínimo, perplexidade e confusão».

Mas, sendo tais as razões de inviabilidade da concreta «colaboração docente» dos formadores em causa, parece, salvo o devido respeito, não pertinente, e até contraditório, que do mesmo passo se acabe por avalizar «a sua idoneidade profissional».


Caro leitor e comentador,

Obrigado pela sua pertinente observação. De facto, poderemos perguntar onde estará a idoneidade profissional dessas pessoas. Por exemplo se se trata de um psiquiatra liberal, como pode ele tratar correctamente da saúde mental de uma pessoa em crise mental por envolvimento num acto abortivo ou outro antinatural, desestabilizador da saúde mental? Claro que as duas coisas estão ligadas. Realmente, esse psiquiatra não é competente nem numa universidade católica nem em qualquer outra.

É frequente este erro de separar a competência técnica dos valores, da moral, da ideologia. Penso que a causa deste erro está na influência ideológica do tecnocratismo sobre as pessoas, o qual vai beber ao pragmatismo esse amoralismo.

Por vezes trata-se apenas de um erro de linguagem. Mas o que é certo é que a linguagem também modula as mentes. Esse erro já consta nos Estatutos da Universidade Católica. A AMA apenas caiu na esparrela ao citar tal e qual a expressão.

Tratando-se de pessoas empenhadas na defesa da vida e – cremos – de uma Igreja liberta dessas referidas impurezas, apesar do erro de linguagem em questão, achámos útil o seu testemunho. Ao mesmo tempo não podemos deixar de agradecer ao nosso leitor a sua pertinente observação, a qual nos proporcionou este comentário complementar.

Heduíno Gomes


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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O advogado francês Collard questiona um imam

Gilbert Collard
Como demonstram as linhas que se seguem, fui obrigado a tomar consciência da extrema dificuldade em definir o que é um infiel.

Escolher entre Allah ou o Cristo, até porque o islamismo é de longe a religião que progride mais depressa no nosso país. O mês passado, participava no estágio anual de actualização, necessária à renovação da minha habilitação de segurança nas prisões. Havia nesse curso uma apresentação por quatro intervenientes representando respectivamente as religiões Católica, Protestante, Judaica e Muçulmana, explicando os fundamentos das suas doutrinas respectivas. Foi com um grande interesse que esperei a exposição do Imam.

A prestação deste ultimo foi notável, acompanhada por uma projecção vídeo.

Terminadas as intervenções, chegou-se ao tempo de perguntas e respostas, e quando chegou a minha vez, perguntei: «Agradeço que me corrija se estou enganado, mas creio ter compreendido que a maioria dos Imams e autoridades religiosas decretaram o «Jihad» (guerra santa), contra os infiéis do mundo inteiro, e que matando um infiel (o que é uma obrigação feita a todos os muçulmanos), estes teriam assegurado o seu lugar no Paraíso. Neste caso poderá dar-me a definição do que é um infiel?»

Sem nada objectar à minha interpretação e sem a menor hesitação, o Imam respondeu: «um não muçulmano».

Eu respondi : «Então permita de me assegurar que compreendi bem : O conjunto de adoradores de Allah devem obedecer às ordens de matar qualquer pessoa não pertencendo à vossa religião, a fim de ganhar o seu lugar no Paraíso, não é verdade»?

A sua cara que até agora tinha tido uma expressão cheia de segurança e autoridade transformou-se subitamente ao de «um puto» apanhado em flagrante com a mão dentro do açucareiro!!!

É exacto, respondeu ele num murmúrio.

Eu retorqui : «Então, eu tenho bastante dificuldade em imaginar o Papa Bento XVI dizendo a todos os católicos para massacrar todos os vossos correligionários, ou o Pastor Stanley dizendo o mesmo para garantir a todos os protestantes um lugar no Paraíso».

O Imam ficou sem voz !

Continuei :«Tenho igualmente dificuldades em me considerar vosso amigo, pois que o senhor mesmo e os vossos confrades incitam os vossos fiéis a cortarem-me a garganta»!

Somente um outra questão : «O senhor escolheria seguir Allah que vos ordena matar-me a fim de obter o Paraíso, ou o Cristo que me incita a amar-vos a fim de que eu aceda também ao Paraíso, porque Ele quer que eu esteja na vossa companhia»? Poder-se-ia ouvir uma mosca voar, enquanto que o Imam continuava silencioso.

Será inútil de precisar que os organizadores e promotores do Seminário de Formação não apreciaram particularmente esta maneira de tratar o Ministro do culto Islâmico e de expor algumas verdades a propósito dos dogmas desta religião.

No decurso dos próximos trinta anos, haverá suficientes eleitores muçulmanos no nosso país para instalar um governo de sua escolha, com a aplicação da «Sharia» como lei.

Parece-me que todos os cidadãos deste país deveriam poder tomar conhecimento destas linhas, mas como o sistema de justiça e dos «media» liberais combinados à moda doentia do politicamente correto, não há forma nenhuma de que este texto seja publicado. É por isto que eu vos peço de enviar a todos os contactos via Internet.


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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Palavras do Papa no Consistório
em que anunciou a resignação

Queridíssimos irmãos,
Convoquei-vos para este Consistório, não apenas por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja.

Depois de examinar reiteradamente a minha consciência perante Deus, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério de Pedro (petrino). Sou consciente de que este ministério, pela sua natureza espiritual, deve ser levado a cabo não apenas por obras e palavras mas também, em menor grau, através do sofrimento e da oração.

No mundo actual, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevância para a vida da Fé, para governar a barca de S. Pedro e anunciar o Evangelho é necessário também vigor, tanto do corpo como do espírito. Vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de forma que tenho de reconhecer a minha capacidade para exercer de boa forma o ministério que me foi encomendado.

Por isso, sendo consciente da seriedade deste acto, e em plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, sucessor de S. Pedro, que me foi confiado pelos cardeais no dia 19 de Abril de 2005. De forma que, a partir do dia 28 de Fevereiro de 2013, às 20h (19h em Lisboa), a sede de Roma, a sede de S. Pedro vai ficar vaga e deverá ser convocada, através daqueles que têm competências, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Queridíssimos irmãos, dou-vos as graças de coração por todo o amor e trabalho com que trouxeram até mim o peso do meu ministério e peço perdão por todos os meus defeitos.

Agora, confiamos a Igreja ao cuidado do Sumo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo e suplicamos a Maria, sua Santa Mãe, que assista com a sua materna bondade aos padres cardeais ao eleger o novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, também no futuro, quero servir com todo o meu coração à Santa Igreja de Deus com uma vida dedicada à oração.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013


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Jantar de curso…




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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Iniciativa na Internet: recolha de assinaturas
para exigir que o Facebook não censure
fanpage Memes Católicos


A plataforma espanhola HazteOír apresentou hoje uma campanha de recolha de assinaturas, para exigir à rede social Facebook que «reveja a denúncia» que motivou a censura da página Memes Católicos e devolva esta ao seu administrador, o peruano Yhonatan Luque Reyes, de 24 anos.

A destinatária das assinaturas recolhidas por HazteOír é Natalia Basterrechea, responsável de assuntos públicos do Facebook em Espanha.

Tal como denunciou ACI Prensa, a agência do grupo ACI de notícias em espanhol, na sexta-feira 25 de Janeiro, sem dar nenhuma explicação, o Facebook eliminou a página criada pelo jovem peruano Yhonatan Luque e deixou os seus mais de 115 mil seguidores sem poder ter acesso aos «memes» (quadrinhos com mensagens curtas).

Conforme informou Yhonatan à ACI Prensa, em Dezembro de 2012 o Facebook notificou que vários usuários denunciaram o seu espaço porque supostamente violava o número 3.7 da declaração de direitos e responsabilidades do Facebook sobre linguagem que incita ao ódio.

Nessa ocasião, a rede social deu ao jovem a alternativa de conservá-la colocando a etiqueta [Humor polémico] devido ao nome «Memes Católicos».

Yhonatan explicou que «o numero 3.7 das políticas de segurança do Facebook diz que é proibido publicar material que incite ao ódio, material pornográfico, material que induza à violência, e supostamente perigosos para a rede social, mas Memes Católicos não promove este tipo de conteúdos. Isto não está correcto».

«A minha página resume-se a publicar vinhetas para evangelizar, para catequizar, para mostrar o que a Igreja tem a dizer, para mostrar a nossa doutrina tal como ela é», assegurou.

HazteOír sublinhou que, no momento da censura por parte do Facebook, a página «Memes Católicos» contava «com mais seguidores do que os meios de comunicação de destaque, como os espanhóis ABC, El Mundo ou a Cadeia SER».

A plataforma espanhola sublinhou que esta censura à página católica no Facebook «foi interpretada como um ataque à liberdade de expressão e de religião por muitos meios de comunicação».

«A indignação está percorrendo as redes sociais, há milhares de manifestações de apoio, todos são testemunhas oculares de que os factos denunciados são falsos», indicou.

O Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais do Vaticano também repercutiu, através da sua conta na rede social Twitter a denúncia publicada pela ACI Prensa.

Para os membros da HazteOír, «o Facebook pode voltar a analisar os factos e restituir a página ao seu administrador», pois «já no passado a empresa deu mostras de boa atitude no respeito à liberdade religiosa e de expressão».

«Podemos ajudar o Facebook a descobrir o engano e mostrar que pode ser também um espaço amável para o desenvolvimento da actividade dos cristãos», assegurou a plataforma espanhola.

HazteOír advertiu que «hoje a injustiça foi cometida contra Yhonatan, amanhã é você quem pode sofrê-la».

Na carta destinada a Natalia Basterrechea, informa-se que a página «Memes Católicos» foi «denunciada falsamente por incitação ao ódio simplesmente pelo facto de mostrar conteúdo cristão».

«Por favor, reveja a denúncia, devolva a página ao seu administrador e permita que o Facebook, como demonstrou em muitas ocasiões, seja também um espaço amável para o desenvolvimento da liberdade de religião dos cristãos», solicita a nota do grupo espanhol.

Para assinar a carta exigindo que o Facebook não censure aos cristãos, ingresse em:

http://hazteoir.org/alerta/50692-firma-vas-permitir-que-facebook-censure-cristianos.


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A ruptura da família é o primeiro
problema da sociedade contemporânea,
afirma autoridade vaticana

Dom Vincenzo Paglia
Dom Vincenzo Paglia, Presidente do Pontifício Conselho para a Família no Vaticano, apresentou esta manhã no Escritório de Imprensa da Santa Sé o evento «De Milão a Filadélfia: as perspectivas do Pontifício Conselho para a Família», no qual se analisou os resultados do Encontro Mundial das Famílias em Maio de 2012 nessa cidade italiana.

Participaram também Francesca Dossi e o seu esposo Alfonso Colzani, responsáveis pelo Serviço para as Famílias da arquidiocese de Milão.

O Arcebispo recordou que esse acontecimento «demonstrou a força vital que as famílias representam na Igreja e na própria sociedade. Obviamente, há muitos problemas relacionados com o matrimónio e a família, mas não devemos esquecer que a família continua a ser o ‘recurso’ fundamental da nossa sociedade».

As estatísticas são unânimes em especificar que a família encontra-se no primeiro lugar como centro de segurança, refúgio, de apoio para a vida e mantém-se no topo dos desejos da grande maioria dos jovens. Em Itália, por exemplo, perto de 80 por cento dos jovens dizem que preferem o matrimónio (civil ou religioso) enquanto apenas 20 por cento opta pela convivência.

Em França, as pesquisas indicam que 77 por cento quer construir a sua vida familiar permanecendo com a mesma pessoa toda a vida. Por outro lado, a necessidade da família está gravada no coração humano, desde que Deus disse: «Não é bom que o homem esteja só».

«Esta verdade profunda que marca tão radicalmente a vida humana parece ser afastada por uma cultura contrária. Há uma escalada de individualismo que divide a família, assim como as diferentes formas de sociedade. Por isso, a ruptura da família é o primeiro problema da sociedade contemporânea», revela Dom Paglia.

O Prelado Vaticano, disse logo que «é certo que boa parte da história Ocidental Contemporânea foi concebida como libertação de qualquer laço: com outros, com a família, com a responsabilidade para o outro. E é igualmente certo que os laços, às vezes, oprimiram a subjetividade. Mas hoje a vertigem da solidão com o culto do eu, libertada de qualquer ligação e a desorientação provocada pela globalização acentuam ainda mais o individualismo e a tentação de se fechar em si próprios».

«A Igreja – prosseguiu – preocupa-se com a crise que atravessam o matrimónio e a família, porque é consciente de que ambos são uma boa notícia, um evangelho para os homens e mulheres de hoje, frequentemente sós e sem amor, sem paternidade, nem apoio.

A Igreja, «perita em humanidade», conhece também o alto preço da fragilidade da família pago sobretudo pelas crianças (nascidas e não nascidas), os idosos e os doentes. Nas diversas épocas históricas houve mudanças, inclusive profundas, na instituição familiar, mas nunca se abandonou o seu «genoma», a sua dimensão profunda, quer dizer, ser uma instituição formada por homem, mulher e filhos.

Portanto, «urge uma atenta reflexão cultural e uma defesa mais vigorosa da família, para colocá-la – e rapidamente – no centro da política, da economia, da cultura, seja nos distintos países onde diferentes organismos internacionais, envolvendo também os crentes de outras tradições religiosas e as pessoas de boa vontade. É uma fronteira que toca os próprios fundamentos da sociedade humana. Daí o extraordinário interesse da Igreja sobretudo neste momento histórico».

O Pontifício Conselho para a Família «sente a necessidade de ajudar tanto dentro como fora dos limites da Igreja a redescobrir o valor da família. Há um grande trabalho a ser feito no plano cultural: trata-se de restaurar o valor de uma cultura da família, para que esta volte a ser atractiva e importante para a própria vida e para a sociedade».

«Ocupar-se da família não significa restringir-se a um segmento da vida ou da sociedade: hoje significa ampliar os horizontes além de nós mesmos e decidir-nos a participar na construção de uma sociedade que seja ‘família’ em si mesma, até capacitar a ‘família’ dos povos e das nações».

Iniciativas do Pontifício Conselho para a Família

O Prelado concluiu a sua apresentação ilustrando as iniciativas que, o Pontifício Conselho realizará, ao longo deste ano e até ao próximo encontro das famílias na cidade de Filadelfia (EUA), entre as quais se destaca a apresentação da Carta dos Direitos da Família, – elaborada há trinta anos por esse dicastério – na sede das Nações Unidas em Nova Iorque e Genebra e no Parlamento Europeu.

Em Abril começará uma série de seminários chamados «Diálogos para a família» em que os peritos de diferentes disciplinas abordarão questões relativas aos principais desafios relacionados com a família e o matrimónio.

Em Roma, no fim de Junho terá lugar um congresso internacional de advogados católicos, centrado nos direitos da família e, por último, em Outubro, a assembleia plenária do Pontifício Conselho centralizar-se-á na Carta dos Direitos da Família.

Nos dias 26 e 27 desse mês, por motivo do Ano da Fé, haverá uma peregrinação das famílias à sepultura de São Pedro.


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